História Discoteria da Vida (with Harry Styles) - Capítulo 4


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Notas do Autor


Tradução do título: Ria, Eu Quase Morri.

Capítulo 4 - Laugh, I Nearly Died.


O ensaio chegava ao fim, um dos músicos encomendou algumas comidas e chegou na hora exata em que acabávamos. Nós comemos e conversamos até que o horário de ir embora chegasse.

Me despedi dos demais e de John, que me avisou de antemão que uma limusine iria me buscar. Eu confirmei e então voltei para casa pacificamente.

Eu decidi tentar dormir algumas horas antes do show mas infelizmente não consegui. De tanto rolar de um lado e outro na cama já eram 20h no relógio.

Acabei por tomar banho a base do ódio. Eu fui breve. Nesse tempo eu peguei uma tinta que comprei há semanas. Eu finalmente pude pintar meu cabelo de loiro.

Após terminar o banho, eu me sequei e vesti uma roupa qualquer por enquanto.

Depois de pentear os cabelos, com o secador eu o sequei e o deixei meio ondulado. Fiquei feliz com o resultado da cor em mim.

Dei um sorriso e então corri para fazer uma maquiagem. Minha atenção foi principalmente para as olheiras, com muito esforço eu pude escondê-las.

Passei uma sombra dourada e um delineado abaixo, passei também um batom vermelho.

Quando peguei minhas roupas a voz de John veio em minha mente de repente, "escolha roupas mais sociais". Respirei fundo e deixei esses pensamentos de lado. Eu vou exatamente como eu queria desde cedo.

Peguei minha calça com boca de sino de cor branca e coloquei um cinto preto e dourado. Vesti um tomara que caia prata que dava valor aos meus seios, peguei também uma estola branca que deixei aberta sob meus ombros. Por fim coloquei luvas pretas de renda, brincos caríssimos de brilhantes em formatos de triângulos, um colar de pérolas e um sapato dourado com um salto.

Passei um perfume e depois fui beber alguma bebida enquanto esperava a limusine. Eu me sentia ansiosa pela coletiva de imprensa pois hoje eu anunciaria a vinda do meu novo álbum.

Enquanto bebia escutei a buzina lá fora. Eu saí de casa e obviamente chamei bastante atenção. Felizmente alguns seguranças me acompanharam até o carro.

Já chegando no local do show, novamente muitos flash's, eu me senti meio zonza mas tudo por conta da bebida e a iluminação.

John estava na entrada e seus olhos se arregalaram me olhando de cima à baixo.

-Não sei porque ainda fico surpreso por não me escutar. - ele comentou e eu ri. - Está muito bonita!

-Obrigada. - sorri o admirando naquele blazer roxo.

-Vamos, a coletiva será rápida. - disse ele me guiando até o local.

Haviam diversas pessoas, jornalistas e até alguns fãs. Eu me sentei nas bancadas com John ao meu lado, ele foi quem deu início a coletiva.

Mas eu não esperava que a primeira pergunta me pegasse de jeito.

-Senhorita Jones, pode nos revelar o que ocorria na noite passada? - uma jornalista questiona e todos concordaram como se fosse a pergunta mais esperada. Eu arqueei as sobrancelhas. - Quem era aquele homem com quem discutia?

Ah, droga.

-Uh... - eu procurava alguma resposta, mas preferi não mentir. - Ele é antigo colega de trabalho. - eu parei a fala ao me perguntar se eu revelava ou não que discutia mesmo com ele.

-Um colega de trabalho? Então porque estavam brigando?

-Isso! Certeza de que ele não é algum ex namorado ou rival? - eu me controlei para não rir dessas perguntas.

-Não! Ele é um colega. Nós tivemos um momento de desentendimento, nada mais. - respondi com determinação. E os jornalistas fizeram várias perguntas ao mesmo tempo.

-Por favor, um de cada vez! - John os repreendia.

-Ruby, nos fale sobre seus planos para o futuro de sua carreira. - teve um único jornalista que fez uma pergunta relacionada ao meu trabalho e não a vida pessoal. Agradeci aos céus.

-Bom, em janeiro eu trarei um novo álbum, em consequência novos shows, turnês e videoclipes. - respondi com um sorriso no rosto. - Quem é o próximo?

-Tivemos informações de que o homem com quem brigou teria sido membro de sua banda que não teve sucesso algum. Isso é verdade? - e lá vamos nós mais uma vez... Eu respirei fundo.

-Nossas fontes também tiveram uma notícia assim, pensamos ser somente boatos, o que nos diz, Ruby?

De repente todos ali perguntavam ao mesmo tempo sobre o mesmo assunto. Eu nem tinha como responder direito.

-VOCÊ NÃO MERECE SUCESSO ALGUM! - ouço um grito em meio às pessoas e mais coisas do tipo. Eu olhei para John que parecia meio desesperado. Ele pegou o microfone para si e pigarreou.

-Façam perguntas sobre o álbum! - ele ditou mas foi o mesmo que nada.

-Nos responda, Jones! Por que brigava com o membro de sua antiga banda? - de novo a tontura voltava. John se levanta da cadeira.

-Coletiva encerrada! - ele veio até mim e me tirou daquele lugar.

Saí de lá tão atordoada. Era incrível como se preocupavam mais com minha vida do que com minhas músicas.

Minhas músicas eram o que importava, não é?!

John me levou até um tipo de camarim, eu me sentei num sofá disponível.

-Você está bem? Toma. - ele me entregou um copo com água. - Faz tempos que não sou pego de surpresa nas coletivas! - disse dando uma risada.

Bebi um gole da água, fechei os olhos e suspirei.

-Preciso de algo mais forte. - disse o olhando. Ele negou com a cabeça.

-Você vai se apresentar agora, não é bom que esteja embriagada. - advertiu e eu revirei os olhos. - Agora se prepare, a próxima é você.

Eu confirmei e esperei que ele saísse do camarim, e assim que saiu eu peguei um saquinho em meu bolso. Dentro continha um restinho da cocaína que eu tinha.

Peguei um pedaço de papel e coloquei tudo ali, uma filinha, e então cheirei.

Pouco tempo depois senti a sensação tão familiar adentrar meu corpo, abri um sorriso largo e em minutos depois alguém vem me chamar para adentrar o palco. Antes de fazer isso, tentei retocar o meu batom e limpei o branco em meu nariz.

Fui para o palco e tudo estava demais, eu me sentia tão eufórica. As luzes estavam mais fortes e o som tomava conta de mim. Automaticamente comecei a dançar e a cantar minhas músicas.

Lembro-me de ter passado mais de uma hora pulando e dançando no palco totalmente levada pelos altos níveis de adrenalina.

John me levava de volta para a casa, ele me dava sermão por alguma coisa. Acho que ele tinha descoberto.

-Por que sempre faz isso?! Porra Ruby, não vê que está acabando consigo mesma? - questionou super irritado com os olhos fixos na estrada.

-Me deixa em paz! Eu não preciso de mais um pai. E... - dei uma risada antes de continuar. - eu sei me cuidar!

Balançou a cabeça negativamente.

-Eu estou seriamente pensando em te colocar numa reabilitação! - gargalhei.

-Eu não sou uma viciada, seu idiota. - por um momento me olhou sério.

-Ah, não é?! Então porque não larga essa vida?

-Porque eu não quero! - tentei abrir a porta do carro que estava em movimento, mas John a fechou rapidamente.

-SUA LOUCA! NÃO FAZ ISSO! - gritou.

-Me leva para a casa da vovó! - mandei ficando muito irritada com ele. John me lançou um olhar confuso.

-O quê? Você não tem mais avó! - respondeu e eu balancei a cabeça.

-É verdade. Me deixe em casa então. - ele acabava de estacionar.

-Me prometa que vai apenas dormir. - disse ele ao abrir a porta do carro para mim.

-Está bem, tanto faz. - respondi saindo.

-Estou falando sério! - aumentou o tom para que eu ouvisse. Depois entrei na minha casa e escutei ele se perguntando se ficava para me ajudar, eu tranquei a casa para o caso dele voltar.

Eu começava a sentir uma dor no meu peito e logo concluí que o efeito da cocaína passava. Respirei fundo e me sentei no meio da sala pensativa.

Eu odiava odiar tudo o que consegui. Odiava aqueles jornalistas com aquelas perguntas. Odiava o Blake. Me odiava.

Talvez eu devesse dar um fim a tudo isso.

Não sei porque continuo fazendo músicas e cantando se chega um momento onde odeio tudo.

Tenho que dar um fim nisso. Eu já tenho 25 anos, não quero nada mais.

Senti algumas lágrimas descerem. E procurei por alguns remédios, mas não consegui encontrar.

A imagem das seringas com heroína vieram em minha mente e fui até o meu quarto. Na noite em que iria usar eu as guardei no meio de roupas numa gaveta e nunca mais fui atrás.

As peguei e dei um sorriso triste.

Subi um pouco a minha estola e respirei fundo. Uma voz em minha cabeça me pedia para parar, mas eu queria continuar. Dessa vez eu não desisti.

Injetei a primeira dose em meu pulso e deixei que a droga tomasse conta de mim. A reação era imediata, muito mais rápida que a cocaína ou outra droga que já usei.

Mentalmente eu dava adeus ao John, adeus aos meus pais, adeus aos antigos amigos e adeus aos meus fãs.

Retirei a agulha e peguei outra seringa, furei o meu pulso sem pensar duas vezes.

A voz repetia diversas vezes que eu deveria parar. Mas eu fingia não escutar.

Eu gostaria de ter agradecido o que John fez por mim ao longo dos anos, espero que ele entenda que eu estava cansada de tudo isso. E espero até que Nancy dê um jeito de confortá-lo após minha perda, e espero que alguém novo conforte o coração dos meus fãs.

Era a terceira e última dose, meu corpo estava trêmulo e minha mente estava inquieta. Minha respiração estava ofegante e eu podia sentir uma dor no coração, era muito forte.

Injetei em meu pulso e a voz repetiu-se pela última vez. Assim que apliquei tudo, as dores se multiplicaram, meus sentidos pareciam aguçados e eu suava frio.

Olhei para o lado vendo as seringas jogadas no chão e eu encostada na cama. Eu sentia que estava morrendo e de repente escutei passos vindo de fora em direção ao meu quarto.

Minha visão não estava certa mas eu podia visualizar sapatos pretos, eles ficaram de frente comigo. Subi meu olhar vendo o seu rosto, era um homem que me parecia familiar. Eu acho que ele vestia um paletó preto e um chapéu de mesma cor.

-Eu tentei lhe parar tantas vezes mas acabei falhando, né? - sua voz era estranhamente tranquila para quem via um outro alguém praticamente morto a sua frente. 

-Q-Quem... é você... - tentei perguntar mas eu estava em um efeito tão alto que não conseguia direito. Mas eu gostaria de saber o que esse senhor estaria fazendo ali em minha casa.

-Me chame de Bob. - respondeu. Pelo o seu tom, eu poderia chutar que ele tinha seus 60 anos. Noto que ele se agacha me olhando. - O que fez com sua vida, senhorita?

Seu tom de pena me deixou pior, se é que era possível.

-M-Me deixe... morrer! - o senhor simplesmente riu.

-Tudo bem. Não estou lhe impedindo. - respondeu ele se levantando e colocando as mãos atrás de si, sem tirar os olhos de mim. - Porém... acredite, você teria anos e anos de vida. Você ainda não notou as felicidades tão simples da vida.

Fechei os meus olhos sentindo a visão escurecer, mas eu ainda podia escutar sua voz.

-Quero que sinta isso. Portanto, viva e não faça mais essa besteira.

Após isso eu apaguei por completo. 

...



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