1. Spirit Fanfics >
  2. Displaced (Dekubaku) >
  3. Quinze

História Displaced (Dekubaku) - Capítulo 15


Escrita por: beachvibes

Notas do Autor


Tem uma boa parte da fic em itálico. Como anteriormente, significa que Izuku está lembrando de algo do passado.

Gostaria de agradecer imensamente à vocês por todos os 118 favoritos e por tantos comentários lindos, mas principalmente por todo o carinho.
Todo esse carinho palpável que eu consigo sentir vocês mandando para mim, é tão intenso. Renova minhas energias sempre. Essa fic fala muito sobre amor e as formas de amor, e é incrível a capacidade que vocês têm de me inspirar e me fazer sentir amada.
Obrigada, de coração.

Desculpe qualquer erro e boa leitura! xoxo

Capítulo 15 - Quinze


 

Midoriya Izuku

 

 

- Você já sabe o que vai fazer depois da escola? -  ouvi Katsuki me questionar.


   Estávamos no intervalo, sentados sobre meu casaco -que estava sob a grama do pátio-, onde lanchávamos tranquilamente, embaixo da sombra de uma árvore.
 

- Quer dizer hoje? - questionei confuso e o vi revirar os olhos de forma adorável.

- Não, Deku! To falando de futuro, tipo, faculdade ou trabalho... - explicou sem um pingo de paciência.

- Ah...


   Pensei um pouco sobre o assunto.

   Sinceramente, eu não sou o tipo de pessoa que pensa muito em futuro. Inclusive, atualmente, a única certeza que tenho é que quero continuar namorando com o Katsuki até nos casarmos, mas nem gosto de pensar muito nisso, considerando que não controlamos essas coisas. Quando eu era criança e me questionavam o que eu queria ser quando crescer, sempre respondia "Super-herói", mas, sinceramente, não faço a mínima ideia de como aplicar isso na vida real. Cara, é difícil não ser criança...


   Eu gosto de estudar. Acho que me daria bem fazendo uma faculdade. Algo relacionado a pessoas, provavelmente medicina ou até mesmo ciências sociais. Biologia também soa legal, mas, cá entre nós, eu não sou rico. Não sei qual emprego de meio período me permitiria pagar uma faculdade de medicina ou qualquer outra. Essas coisas são caras e eu já tenho dezoito anos! Preciso ajudar minha mãe em casa.

   Encarei Katsuki e suspirei. Me sentia inseguro. Será mesmo que ele vai querer continuar comigo quando finalmente se tocar de que eu não sou rico e não posso o levar para lugares chiques, etc? Sei que pode parecer bobo, mas eu sou um cara simples e ele... Bem, ele não. Os pais dele são designers importantes da América e bla bla blá e... bem, minha mãe tem dois empregos. E mesmo assim ela não ganha grana como designers de moda.

   Suspirei novamente e o encarei, vendo seu olhar curioso sobre mim. Sorri, mesmo me sentindo inseguro, pois agora eu estava com ele, então isso não importava, pelo menos não agora.
 

- Você sabe? - joguei a pergunta pra ele, que revirou os olhos.

- Custa me responder? - resmungou, logo formando um bico irritado, que eu me controlei muito para não beijar.

- Eu gostaria de estudar, mas acho que vou trabalhar.

- Se gosta de estudar, devia fazer faculdade. Seguir seu coração idiota e blá blá blá.


   "Meu coração não tem dinheiro, Katsuki.", pensei, mas não disse nada, apenas suspirei. Ele não entenderia e eu apenas ficaria envergonhado.

 

- É... - concordei, ignorando o assunto.

- Existem faculdades noturnas para poder trabalhar de manhã, sabe. - falou, chamando minha atenção - Sei que trabalhar e estudar não deve ser fácil, mas se tem uma pessoa capaz disso, é você. - falou sério e eu acabei corando - Idiota, aposto que pensou que eu era um burguesinho que não entenderia. - rosnou e logo socou meu ombro.

- Ouch! - soltei sôfrego, acariciando o local - Foi mal! - revelei sem querer e ele me olhou indignado.

- Pensou mesmo! Seu maldito! - disse furioso e eu acabei rindo, logo pondo meus joelhos ao lado de suas pernas e ficando sobre ele, rapidamente entrelaçando nossas duas mãos, antes que ele me batesse de novo.


   Eu me inclinei e o beijei. Foi apenas um selar de lábios, mas fiquei feliz de poder senti-lo, mesmo que minimamente. Estávamos na escola e ainda era estranho beijá-lo em local público, mas eu o amo tanto que não me importo. Sério, eu o amo tanto que sinto que nada do que eu fizer ou falar vai ser o suficiente para demonstrar! O sentimento é maior que eu, não cabe em mim.
 

- O que acha que combina comigo? - questionei curioso, olhando em seus olhos.

- Eu! - ele disse corado pela posição em que nos encontrávamos, mas eu não saí, apenas ri.

- Disso eu não tenho a mínima dúvida... - falei galanteador e lhe dei mais um selinho.

- Acho que seria um bom professor. - falou ainda tímido e eu o olhei espantado.

- E falar com tantas pessoas de uma vez? Eu morreria de vergonha antes disso. - falei e ele acabou rindo.

- Você é ridículo, sério. Talvez devesse ser palhaço de circo.

- Se for para trabalhar em circo, eu deveria ser o domador de leões, já que estou acostumado a lidar com você. - brinquei e ele me olhou indignado.

- O que quer dizer com isso, bastardo?

- E aí, pombinhos! - graças aos céus, salvo pelo gongo.


   Me virei e vi algumas silhuetas contra o sol. Rapidamente saí do colo de Katsuki, bem envergonhado de ser pego no flagra e as pessoas se sentaram no chão, ao nosso redor. Me surpreendi ao ver algumas pessoas novas acompanhadas de nossos amigos. Reconheci um certo loiro ao lado de Mina, seu nome era Kaminari, se não me engano.

 

- O que vocês querem? - Katsuki rosnou, provavelmente irritado por não poder me matar em paz com tantos indivíduos presentes.

- Oe, calma lá, Bakubrô! - Kirishima disse estranhamente feliz e eu acabei me sentindo feliz por vê-lo tão empolgado - Viemos apresentar os novos membros do AAA! - disse animado, apontando exageradamente para as novas pessoas.

- Novos membros? - deixei transparecer meu choque.

- Então quer dizer que finalmente conseguiu pegar o Midoryia-kun, neh, Bakugou! - Kaminari disse em tom brincalhão e eu juro que pude ver uma veia saltar na testa de Katsuki.

- Kaminari, eu vou matar você... - o ouvi rugir e Kaminari logo se arrastou para trás de Mina, a fazendo de escudo humano.

- Achei que o efeito Midoriya estaria funcionando... - disse o loiro em um muxoxo.

- Efeito Midoriya? - questionei confuso e pude ver Katsuki corar.

- Não o provoque, Denki! - Ashido disse, lixando suas unhas.

- Bem, como já sabem, esse é o Kaminari-kun. - Tokoyami apontou - E essas são Tsuyu Asui e Kyouka Jirou.

- Eu não vou entrar nesse clube, eu já to num clube. - Jirou disse parecendo levemente entediada.

- É um prazer. - Asui disse empolgada.

- É um prazer, sejam todos muito bem vindos, espero que se sintam bem a vontade e gostem da nossa proposta! - falei, mesmo envergonhado.

- Quem deixou o Kaminari entrar no clube? - Katsuki rosnou, jogando no lixo tudo que eu havia acabado de falar e eu corei - E porquê estão todos aqui, extras?

- Adorável, como sempre, chérie. - Aoyama revirou os olhos.

- Viemos pois, como temos mais pessoas agora, precisamos de uma reunião de emergência, Bakugou. - Uraraka explicou pacientemente.

- É, chega de beijar na boca! - Todoroki declarou, me fazendo corar ao mesmo tempo que Bakugou rosnava.


   Após muita reclamação e discussão fomos todos parar na sala do clube. Nemuri sensei estava ocupada, então acabamos por fazer a nova reunião sem ela. Nós que estávamos há mais tempo no clube nos sentamos todos lado a lado no grande círculo, de frente para as duas meninas, pois Kaminari sentou ao lado de Mina. Não teve muita coisa interessante, apenas explicamos o projeto e tudo que realmente pretendíamos fazer... Também pretendíamos nos apresentar formalmente e ouvir a apresentação dos recém chegados, mas...

 

- GREASE? - Jirou gritou empolgada.

- Finalmente alguém reconhece o valor dessa obra! - Aoyama bufou.

- Isso é incrível! Céus, eu não acredito que realmente vão organizar uma peça de teatro! Eu quero muito ajudar, eu amo música e eu amo Grease! - Jirou dizia, pulando pela sala com os olhos brilhando.

- Vamos arrasar, monamie! - Aoyama disse tão empolgado quanto ela, girando pela sala.

- Vocês podem parar? Vão me deixar tonto! - Katsuki rosnou.

- Tem alguma cena de beijo em que eu e Jirou possamos participar juntos? - Kaminari disse com um sorriso galanteador e imediatamente a menina parou de pular e revirou os olhos.

- Desagradável.

- De qualquer forma... - Kirishima voltou a falar - Não faremos as audições para a peça até termos todos os detalhes dos mini eventos resolvidos. - disse verificando a prancheta antes de voltar a falar - Serão três eventos. Até agora fizemos apenas o primeiro, que foi a grande estreia e teremos apenas mais dois antes de finalmente começarmos a nos organizar para as audições da peça. Alguma dúvida? - falou levantando seu olhar.

- Você está solteiro, Kirishima-senpai*? - Asui questionou instigante, ao que Kirishima corava.

- Ele é gay, amorzinho, tira o olho. - Mina se prontificou a falar, não conseguindo controlar bem sua irritação, o que me fez rir.

- Alguma outra dúvida? - Kirishima disse depois de pigarrear.

- Jirou tá solteira? - Kaminari questionou e Jirou rosnou.

- Fala sério! - a garota disse irritada ao que Mina dava um pescotapa em Denki.

- Céus, alguma dúvida sobre o evento? - Kirishima questionou irritado e eu ri.


   Eijirou quase nunca perdia a compostura, então era realmente engraçado vê-lo ficar zangado com um bando de calouros.

 

- Esse é o clube do amor, chérie. Achei super plausíveis as dúvidas. - Aoyama disse orgulhoso.

- Não estamos aqui para namorar uns com os outros! - Kirishima disse irritado.

- Não?! - Todoroki pareceu surpreso e Kirishima o olhou indignado.


   Eu conhecia Eijirou o suficiente para saber que ele estava chegando em seu limite, então me dignei a soltar a mão de Katsuki e me colocar de pé ao seu lado, rapidamente pegando a prancheta de sua mão.
 

- Ok. - falei revisando a prancheta que tinha uma letra ilegível ao meu ver. Ignorei a prancheta - Vocês estão dispostos a participar dos eventos ativamente ou querem apenas ajudar na montagem e desmontagem?

- Eu posso ajudar ativamente! - Asui se prontificou.

- Eu acho que posso também. - disse Kaminari, dando de ombros e eu anotei as informações na prancheta.

- Eu quero cantar, como você... - ouvi a voz acanhada de Jirou, o que me fez levantar o rosto para encará-la.

- Como eu? - questionei receoso, sentindo minhas bochechas arderem.

- Sou do clube de música e amo cantar, mesmo sendo tímida. Mas quando fui ao evento, te vi brilhar no palco... Você cantou tão bem, estava tão leve lá em cima... Quero ser como você! Quero que me ensine a cantar na frente de tantas pessoas bem daquele jeito, Midoryia-senpai! Eu posso até entrar nesse clube se você puder me ajudar com isso, senpai. - disse com os olhos brilhando.

- Se-senpai? - gaguejei, me sentindo extremamente nervoso - O-olha, não sei se sou a pessoa ideal para te ensinar a cantar assim. Eu não sei nem como foi que eu fiz aquilo!

- Quero poder brilhar, como você! - falou decidida, se pondo de pé e eu comecei a sentir minhas mãos suarem de nervoso.

- Gostei de você! - ouvi Katsuki dizer risonho.

- Bakugou gostou de alguém... É o fim dos tempos mesmo... - Tokoyami resmungou.

- Bem, me passem seus contatos, vou adicionar vocês no grupo do AAA. - Uraraka pediu gentil enquanto os três novatos pegavam seus celulares.


   Ao que Uraraka se afastava levemente com os novos membros, sentei novamente ao lado de Katsuki, que entrelaçou nossas mãos e repousou a cabeça em meus ombros. Era sempre tão bom estar assim com ele, tão próximo, eu podia até sentir sua respiração bater em meu pescoço. Céus, foi inevitável pensar em quando transamos no carro. Eu estava tão irritado e, ao mesmo tempo, com tanto tesão, sua pele estava fervendo, o carro estava abafado, sem falar no perigo de ser pego. Oh não, estou ficando excitado, preciso pensar em coisas ruins. Bebês morrendo, cocô de elefante, cavalo vomitando, Aoyama dançado balé. Deuses, se alguém aí em cima me ama, me mande uma distração!
 

- É a primeira vez que vejo pessoas entrarem no AAA por livre e espontânea vontade, apenas por pura ambição. - ouvi Aoyama comentar baixinho em tom divertido e percebi que todos nossos amigos, tirando Uraraka estavam próximos.


   Eu preciso acender um incenso para os deuses assim que chegar em casa. Sou muito abençoado.

 

- Isso não é verdade. Eu e Katsuki entramos porque quisemos também. - falei, distraindo minha própria mente e o lembrando de tal fato. Imediatamente notei que todos, inclusive Katsuki, desviaram seus olhares - Ok... O que foi isso? - questionei desconfiado.

- Isso o que? - Kirishima questionou, se fazendo de sonso.

- Ok, o que aconteceu que eu não sei?

- Bem, não importa! - Mina se pronunciou, parando de lixar sua unha - Mas eu posso refutar o Aoyama pois entrei por pura vontade de aprender.

- Mentirosa! Entrou porque quer pegar o Kirishima-kun! - Todoroki acusou e logo todos, absolutamente todos, nós arregalamos os olhos.

- Pera, o quê? - Eijirou exclamou surpreso.

- Todoroki seu meio maldito, meio desgraçado! - Mina chiou, furiosa e Kirishima a olhou chocado com a afirmação.

- Ah, vamos lá, está tudo bem, eu também entrei porque queria pegar o Kirishima-kun... E o Midoryia-kun! - Todoroki pontuou e eu senti minhas bochechas arderem.

- Meio a meio, é melhor você ficar longe do meu namorado ou eu juro que...-

- Ahram! - ouvimos Uraraka pigarrear, cortando Katsuki e atraindo nossos olhares. Os três calouros nos olhavam curiosos - Agora eles são oficialmente do AAA! - falou balançando seu celular.

- Bem... - comecei, me pondo de pé novamente, mas logo pigarreei para disfarçar meu constrangimento recente - Nossas reuniões são todas as quartas e quintas, depois das aulas. Seria bom se todos estivéssemos presentes, principalmente com os eventos rolando. No dia do próximo evento, segunda, precisamos que cheguem mais cedo e fiquem até mais tarde também, para ajudar na arrumação de tudo. Se vocês morarem muito longe ou sei lá, eu não me importo de dar uma carona.

- Midoryia-senpai já dirige? - Asui questionou admirada e eu senti minhas bochechas arderem.


   Pra que toda essa história de Senpai? Isso é horrível... Eu estava passando muita vergonha hoje. Deve ser castigo do deuses por ter pensado em Katsuki tão intimamente, em um momento tão inadequado.

 

- Essa informação não é importante para você! - Katsuki rosnou e eu suspirei cansado. Havia mesmo necessidade em destratar os calouros?

- Hey, Tsuyu, não mexa com Midoriya ou o cachorrinho dele pode te morder... - Kaminari brincou e eu ouvi Bakugou rugir.

- Kaminari!!! - Katsuki se pôs de pé e andou agressivamente até Denki, que se encolheu em sua própria cadeira.

- Não me mata, Bakugou, por favor! - guinchou sofrido e eu me vi levemente desesperado com a situação - Eu levo vocês para a festa do Sero nesse sábado! - choramingou e imediatamente Todoroki, Tokoyami e Aoyama se colocaram de pé, afim de proteger Kaminari.

- Ah vocês só podem estar me zoando, né? - Bakugou rosnou - Vão salvar a vida desse Pikachu de meia tigela por causa de uma festa idiota?

- Hey! - Todoroki gritou rude, indignado - Sabe quantas pessoas se pegam nessa festa?

- Nós nunca fomos convidados pra festa do Sero, chérie! Não nos critique.

- É, você tem alguma noção do que é ser excluído por causa de algo que não é sua culpa? - Tokoyami disse indignado e eu ouvi Katsuki bufar e soltar Kaminari, que imediatamente fez um high-five* empolgado com seus três salvadores.


   Ah, a festa do Sero... Vocês devem estar se perguntando o que é isso. O nome é bem autoexplicativo, mas acho que ninguém tem ideia da grandiosidade de tal evento. Sero é um dos maiores playboys dessa escola, que já é, naturalmente, uma escola de riquinhos. O cara é surpreendentemente gente boa, brincalhão e mão aberta. Éramos amigos, eu e ele. Bem, mais ou menos. Nós sentávamos juntos na hora do intervalo, com todos os seus seguidores, e conversávamos sobre o que Sero quisesse conversar, geralmente assuntos sobre skate -o qual eu não entendia nada-, esportes e, as vezes, sobre sua coleção de carros. Céus, o que me salvava era falar sobre esportes já que Kirishima gostava muito de falar sobre também, o que me fazia entender um tanto sobre o assunto.

   No começo desse ano, quando Kirishima foi descobrir todo o alcance de sua gayzisse com Aoyama e literalmente me deixou de lado as férias todas e o começo do semestre, eu me sentava sozinho no refeitório e, por algum motivo desconhecido, um dia, Sero Hanta se sentou comigo. Ele agiu como se não fosse super estranho se sentar ao meu lado, então eu o fiz também. E no dia seguinte, ele fez de novo, e de novo... E de novo. Fez até se tornar estranho sentarmos juntos e não nos falarmos, e quando finalmente começamos a conversar, vi o quanto ele era legal. Eu havia ido a algumas de suas festas antes, por convite do próprio e realmente eram festas grandiosas, dignas de filmes americanos. Lembro que no primeiro convite de Hanta, era literalmente a primeira vez que eu saia desde que Kirishima havia me largado e mesmo assim eu não conseguia me divertir muito, pelo simples fato de não ter o meu melhor amigo comigo. Péssimo!

   Tentei pedir à Sero para levar Kirishima a uma de suas festas, disposto a engolir meu orgulho, mas, infelizmente, ele tinha uns amigos -lê-se seguidores- muito chatos. Sero era popular demais e esses seguidores de Sero influenciavam demais em muitas coisas que ele fazia e falava. Foi nessa mesma época que surgiu a baboseira da carta. Lembro claramente como aconteceu:

   Eu torcia para que ninguém mencionasse a maldita carta, mas é claro que eu não teria sorte com isso. Depois de uns dez minutos de conversa aleatória, finalmente alguém pronunciou:
 

- Aí, Midoriya, que história é essa de que você ta defendendo o Kirishima? - Mineta zoou e logo todos estavam rindo.

- Esse cara do Congresso disse que ele não podia tomar banho na escola só por ser gay e eu fui contra, só isso. - falei dando de ombros, tentando ao máximo não ficar vermelho por ser o centro do assunto.

- Mano, quem diabos vê coisa de Congresso Escolar? - Tetsutetsu comentou risonho.

- Eu não vejo coisa de Congresso Escolar, mas falaram do Kirishima... - justifiquei, ficando levemente irritado com a cobrança.

- E tu se importa se ele toma banho ou não agora? - Sero debochou e logo todos gargalharam.

- Bem, sim... - falei o óbvio, quando as risadas diminuíram - Não acho justo o excluírem de algo tão básico só por ele ser gay. - expliquei, desistindo de controlar o rubor em minhas bochechas.

- Cara, e o que você tem a ver com isso? Você não disse que ele te abandonou?! - Sero disse levemente indignado.

- Bem, sim, mas ele é meu amigo. - falei dando de ombros. Realmente, eu parecia um idiota submisso, mas era verdade.

- Ih, alá, ta vermelhinho, que boiola! - alguém, que eu achei ser Monoma, disse e logo caíram na risada novamente, menos Sero, que apenas fechou as mãos em punhos e bateu na mesa, logo calando as risadas alheias de imediato. Ele parecia irritado e era a primeira vez que eu o via sem um sorriso no rosto.

- Não faz sentido agir assim com alguém que nem se importa com você! - Sero disse verdadeiramente bravo - E daí que se conhecem desde a infância? Isso não significa porra nenhuma se ele não te valoriza hoje em dia!

- Cara, porque está tão bravo? - questionei verdadeiramente surpreso.

- Porque... porque você ta parecendo um boiola! - pensou um pouco, mas logo rosnou indignado e eu o olhei confuso, pois eu não sabia o que significava boiola.

- Como assim?

- Seu boiola!

- Quer saber? Vai se foder, Sero! - cuspi irritado, finalmente pegando minha bandeja, me pondo de pé e dando as costas para aquela idiotice.


   Assim, desse jeitinho, eu literalmente destruí todas as minhas chances de ir a uma festa de Sero novamente. Mas eu não me importava muito com isso, pois não tinha a mínima graça sem Kirishima na época, assim como agora não teria a mínima graça sem meus amigos e meu namorado.
 

- Nossa, faz tanto tempo que não vou à uma festa do Sero... - Kirishima comentou nostálgico e logo Tokoyami, Shoto e Yuga o olharam indignados.

- É, eu também... - falei com um pequeno sorriso, logo recebendo os mesmos olhares.

- Seus traidores! - Aoyama chiou.

- Hey, eu faço parte do time de futebol, então antes de todo esse lance de sexualidade eu meio que era convocado. - Eijirou justificou dando de ombros.

- E eu era próximo do Sero no começo do ano... - disse os relembrando.

- Porque não é mais? - Kaminari questionou surpreso - Quer dizer, o Hanta é bem legal.

- Ele é um homofóbico, Kaminari, descobri isso depois que pesquisei o significado de boiola. - expliquei e ele pareceu levemente aturdido - Então saiba que agora que prometeu levar, literalmente, todos os gays dessa escola para a festa dele, você, oficialmente, acabou de cavar sua própria cova social. - falei risonho e o vi olhar desesperado para Mina, que continuava lixando suas unhas, mesmo após todo esse tempo.

- Nem olha pra mim, cabeça-oca...

- Ah, fala sério! - Kaminari choramingou.

- Se voltar atrás na sua palavra você é um homem morto! - Tokoyami ameaçou.

- Literalmente, chérie! - falou Aoyama apontando para Katsuki.

- Eu vou levar vocês! Eu não volto atrás na minha palavra! - disse estufando o peito - Eu só acho que podiam ter me avisado antes que Hanta é homofóbico, né! Não acredito que sentei com ele tantas vezes durante o almoço! - disse desgostoso e eu acabei por sorrir - Vocês querem mesmo ir à casa de alguém que não gosta do que vocês são? - questionou duvidoso.

- Chérie... Bebidas de graça e héteros desesperados? Com certeza! - Yuga disse empolgado e eu acabei por rir.

- Vai ser legal sair com vocês... - comentei alegre e vi Katsuki se levantar e me olhar desesperado.

- Nós não vamos!

- O quê? Por que não? - questionei confuso.

- Iiiiiih, fim da reunião! - Kirishima anunciou alto, atraindo todos os olhares.

- Mas já? - Tsuyu questionou confusa, ao que pegava sua mochila como todos os outros participantes.

- Você não quer ficar no meio da briga deles, quer, chérie?

- Eu to fora de enfrentar a fúria do Bakugou de novo! - Uraraka anunciou.

- Hey, calma, nós não vamos brigar! - falei alto ao que todos já se retiravam.

- Vamos sim! - Bakugou anunciou e isso foi o suficiente para todos saírem e fecharem a porta - Tá doido, Izuku? Como pode anunciar assim que vamos sair com eles sem nem me consultar antes? - falou indignado, se virando para mim e eu o olhei confuso.

- Eu não disse nada demais, Suki... Inclusive, eu não falei que você tinha que ir. - observei e o vi me olhar estupefato, me fazendo concluir que disse algo, no mínimo, muito errado.

- Ta dizendo que iria pra festa do Sero sem mim? Ta querendo pegar alguém, Midoriya Izuku? - rosnou bravo, cutucando meu peito ao que dizia meu nome.

- Pera, o quê? Claro que não! Se acalma, eu só quis dizer que... - ele me cortou.

- Somos namorados! O que quer dizer com sair sem mim? Seu babaca!

- Katsuki, não é só porque somos namorados que precisamos viver grudados e sair sempre juntos.

- Porquê quer sair sem mim? Quer pegar alguém? É o Kirishima? O Todoroki? A Uraraka? Quem? - rosnou e eu o olhei irritado, sentindo meu sangue ferver.

- Eu nunca te desrespeitaria, eu amo você! - rugi alto, fazendo-o me ouvir. Ele se calou e me olhou levemente aturdido - Qual é o seu problema? Acha mesmo que eu trairia você? Não confia em mim, Bakugou? Mas que droga, é a primeira vez em que eu sinto que realmente tenho amigos além de Eijirou! Aoyama, Mina, Uraraka, Tokoyami e até mesmo Todoroki são pessoas importantes pra mim e confio neles! Assim como confio em você!


   Parei para respirar e recobrar um pouco do meu autocontrole. Estava realmente bravo e magoado com as acusações de Bakugou, mas eu não queria brigar com ele... Eu o amo demais e essa situação me machuca.
 

- Já passamos por tanta coisa juntos, tantos momentos. - falei e olhei em seus olhos - Eu te amo e te quero, constantemente, o tempo todo, mas isso não significa que eu e você precisamos abandonar a nós mesmos por estarmos em um relacionamento! Nós não somos um. Somos dois que escolheram estar juntos. - expliquei o que era claro em minha cabeça - Eu amaria que você fosse a festa comigo, eu amaria segurar sua mão e poder dançar com você. Ver o seu sorriso e te beijar à meia-noite... - visualizei a cena em minha cabeça com tanta clareza que meu coração apertou - Mas se você não quiser, eu respeito! Me ensinaram que você não pode priorizar a mim ao invés de si mesmo e vice-versa! - lembrei das palavras de Aoyama - Mas você nunca mais diga que vou te trair! - voltei a impor minha voz - Porque isso significa que nossos momentos não valeram nada para você, sendo que valeram tudo pra mim!


   Eu estava mais calmo depois de falar tudo que queria, então observei Katsuki mais detalhadamente. Ele tremia um pouco, mas não parecia que abriria a boca para dizer nada tão cedo. Respirei fundo, sentindo que deveria me desculpar. Talvez eu tenha sido rude demais? Talvez eu devesse tentar entender o porquê de ele achar que eu o trairia? Eu não sei, mas antes que eu pudesse se quer pensar, senti seus braços ao redor de meu pescoço.
 

- Você é um idiota... - sussurrou em meu ouvido e eu senti meus ombros relaxarem por ouvir tal frase.


   O abracei de volta, agradecendo aos céus, aliviado por tê-lo em meus braços naquele momento.
 

- Obrigado por não me odiar... - sussurrei, realmente agradecido.

- Obrigado você por ser tão paciente comigo. Eu sou um idiota... - disse meio contrariado.

- É o meu idiota! - deixei claro e ele apenas revirou os olhos.

- Não me chame de idiota, idiota! - disse separando o abraço e eu ri.

- Eu não te chamei de idiota, eu te chamei de meu! - ressaltei os fatos e vi suas bochechas ruborizarem.

- Não diga essas coisas... - soltou em um muxoxo.


   Ele é tão, tão lindo que senti meu coração acelerar só de observá-lo. Neste exato momento eu gostaria de dizer "Você, definitivamente, é o amor da minha vida", ou "Nada neste mundo poderia me fazer sair do seu lado", ou talvez, quem sabe "Você me faz ser uma pessoa melhor e eu gostaria de passar o resto da minha vida tentando retribuindo o favor", mas eu só consegui dizer:
 

- Céus, eu te amo...

- Eu também te amo, Deku... - disse dengoso, se aconchegando em meu abraço novamente.

- Você quer ser o meu par na festa do Sero? - lembrei de questionar e o vi levantar a cabeça e revirar os olhos.

- Vamos lá, vamos mostrar quem é o casal mais bonito dessa escola de merda. - falou decidido e eu acabei rindo - Hey, quais são as chances de eles estarem escutando atrás da porta? - Katsuki sussurrou e eu o olhei levemente surpreso.

- Não, eles não fariam isso conosco... - disse ciente do respeito que nossos amigos tinham por nós.

- Valendo quem dá o cu na próxima? - debochou, esticando uma mão e eu senti minhas costas suarem frio.


   Não sei se arrisco tanto pelos meus amigos, considerando o quão traiçoeiros e fofoqueiros eles são, sem falar que minha mãe me ensinou a nunca por a mão no fogo por ninguém, quem dirá o toba...
 

- Ora, eles não são tão importantes para você? Cadê a confiança? - Katsuki debochou e eu senti meu sangue ferver.

- Fechado! - apertei sua mão com força.

 

 

 

 

Eles estavam escutando atrás da porta...

 

 


Notas Finais


Oi, gente!

Para quem não entendeu, tivemos a introdução de três novos personagens no clube e todos eles (incluindo Kaminari) são do segundo ano, diferente dos personagens mais antigos, que são do terceiro e último ano.

Não, esse fim NÃO significa que teremos Midoriya Uke. Isso ainda está sendo avaliado na história... Se quiserem deixar suas opiniões sobre o assunto nos comentários, todas serão consideradas. (Eu já tenho uma boa ideia da opinião de alguns, mas podem repetir se quiser, está tudo bem...)

Senpai*: é o pronome que os japoneses usam para tratar os veteranos (ou alguém mais experiente). Costuma dar bastante orgulho para quem é chamado assim, já que demonstra grande admiração. (Izuku apenas se sentiu envergonhado)

High-five*: literalmente um "Toca aqui!".

Se tiverem alguma dúvida ou só quiserem comentar qualquer coisa que seja, sintam-se à vontade, é sempre um prazer enorme saber o que vocês têm a dizer!

Um beijo gigantesco e um abraço aconchegante! Se cuidem e que o amor sempre encontre vocês...

• capa de minha autoria •
• plágio é crime •
• obrigada por ter lido •


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...