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História Disputa Acirrada - Capítulo 6


Escrita por: e xoliswa


Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 6 - (VI) Você era vermelho, e gostou de mim porque eu era azul


Fanfic / Fanfiction Disputa Acirrada - Capítulo 6 - (VI) Você era vermelho, e gostou de mim porque eu era azul

 

“Você era vermelho, e gostou de mim porque eu era azul”

(POV JEONGGUK)



 

Assim que as portas do metrô se abriram eu já estava em prontidão para sair correndo, afobado e com medo de perder o horário limite permitido para que os alunos entrassem atrasados. Se eu ficasse do lado de fora seria dinheiro de passagem perdido, e um peso na consciência por ter colocado o despertador em modo soneca cinco vezes seguidas.   

Acontecia sempre no final dos meses letivos, a saga de estudar, trabalhar e ajudar no que posso em casa pesava e, a cada dia, pequenas bolsas de olheiras formavam um Megazord de cansaço lá para o dia vinte de cada mês, formando um Jeongguk mais irritadiço que o normal e sempre atrasado.    

Apertei a alça da mochila nas costas, meus cabelos bagunçados hora ou outra caindo na frente dos olhos, impossibilitando que eu enxergasse alguma coisa. E mesmo que o caminho do colégio fosse conhecido o suficiente para que eu seguisse de olhos fechados, ainda sim, tropeçava em alguma pedra ou calçada íngreme demais, perdendo o tantinho de dignidade que um estudante correndo com uma mochila imensa nas costas poderia ter.    

Parei em frente ao Saint School, arfando, suado, e feliz por ver os portões abertos e o pouco movimento na rua. Significava que ninguém tinha visto meu estado deplorável logo cedo, e eu ainda tinha tempo para tentar me recompor graças ao grupo de estudo que a professora Go marcou para oito horas.

 

Passei as mãos pelo topete molhado, recém feito no vestiário masculino, cheirei meus braços para captar algum resquício de suor pela corrida desenfreada de mais cedo, mas era bem pouco e só quem chegasse perto conseguiria perceber. Menos mal, a única pessoa que eu mantinha uma distância diminuta era Lisa e ela não ligava o suficiente para reclamar.    

E até ali pensar no pimentinha se tornava regular "É isso o que dar ser bom, Jeongguk" porque se eu não tivesse emprestado meu uniforme pro smurf, ainda o teria no meu armário e poderia trocá-lo agora.    

Bufei, maneando a cabeça ainda ressentido ao entrar na biblioteca, e o cheiro de livros e o sol, que ainda entrava preguiçoso pelas janelas me fez respirar fundo, um pouco mais grato do que antes. Eram essas as pequenas coisas que fazia meu dia ficar bom e… esquece o que eu disse.    

As mesas de estudo estavam todas ocupadas, divisórias separavam cada uma, e a última da ponta, era preenchida por ele e a garota que eu estava ajudando.    

Fechei os punhos, caminhando até lá com meus olhos semicerrados e antes que eu chegasse, Jimin já tinha os olhos em mim, vi o segundo exato que seus lábios se desprenderam num sorriso de lado ao me ver chegar puto.    

— Atrasou, perdeu o lugar, Luciano Huck.    

— Foda-se, eu marquei com Yeri às oito, não se passaram nem dez minutos.    

— Mas ela estava esperando aqui faz tempo, né Yeri? — Jimin se virou para a garota, e ela balançou a cabeça afirmando, as maria chiquinhas balançando com o movimento. — Viu só? A professora Go vai ficar bem chateada se souber que tá deixando os alunos na mão.

 — E quem é que vai contar? Você, filhote de cruz credo?   

— Quer pagar pra ver, Pernalonga? — Jimin bateu a palma na mesa, levantando-se para me encarar olho no olho, mas nem se ele quisesse conseguiria tal feito, teria que escalar a mesa primeiro.

Sorri, abrindo a boca para expressar esse pensamento, porém Yeri irrompeu no meio de nós dois.   

— Gente, tá todo mundo olhando... — ela sussurrou, meio que pedindo desculpas por interromper. O curupira deveria agradecê-la porque eu estava pronto para brigar. — Os dois podem me ajudar, estou com dificuldade em biologia.    

— Era o que eu estava explicando pra ela, antes de você chegar aliás... — Jimin rosnou, sentando-se ao lado da garota a contragosto. E eu disse, estava pronto para brigar com ele, nasci pronto, mas é que às vezes dá preguiça, sabe? Ainda mais hoje, que passei por perrengue demais e nem tinha dado nove horas, então sentei na frente dos dois, pensando em fazer uma reclamação oficial à professora Go sobre monitores ladrões. — "Rutilismo é uma característica genética responsável pela ocorrências de cabelos ruivos…"    

—  Você só pode tá me zoando...    

—  É a questão, seu bundão, quer ler?    

Puxei o caderno das mãos de Yeri, fazendo cara feia para o simulado.  

—  Podemos pular essa. —  Dei de ombros, passando as páginas.    

—  Deixa de ser infantil...    

—  Ah, agora eu sou o infantil? Quem estava vestido de personagem de desenho animado há uns dias atrás? Aliás, cadê meu uniforme?    

—  Eu trouxe para enfiar no seu nariz, deve caber pelo tamanho.    

— Sabe onde eu quero enfiar ele? No seu c...    

—  PELO AMOR DE DEUS! — Engoli a última palavra, encarando a garota a minha frente, as bochechas vermelhas e os olhinhos arregalados. Se Yeri não queria chamar atenção da biblioteca tinha falhado totalmente neste feito, agora todos os pares de olhos daquele lugar nos encaravam atrás das divisórias. —  Prefiro estudar sozinha, vocês dois precisam de uma terapia… de preferência, terapia de casal.    

Ela juntou suas coisas debaixo do braço, caminhando a passos pesados para fora da biblioteca.    

— Que garota maluca... — Jimin sussurrou, e tirei meus olhos do chão, observando por cima do ombro se tinha mais alguém olhando.  

—  A gente só quer ajudar. Esses pirralhos do nono ano...    

—  Pois é! —  ele arregalou os olhos. — Esses dias o Chenle, do oitavo, furou a minha fila no almoço... ele ainda fede a Mucilon, como pode?    

— Os calouros não sabem mais o que é respeito, tsc...     

—  Você também não sabe e nem por-    

—  Shiu, cala a boca. — Interrompi antes que a voz fina e insuportável dele pudesse me atrapalhar. — Estão falando sobre Namjoon —  murmurei antes que Jimin pudesse protestar. A mudança de semblante ao ouvir o nome do capitão foi imediata, e lá estava nós dois com os ouvidos colados na divisória da mesa, esperando que as vozes do outro lado voltassem a falar.    

—  Pois é, não faz nem uma semana que o tal do Suga chegou e já botou o Saint School de cabeça pra baixo... qual o nome verdadeiro dele mesmo? — A primeira voz feminina perguntou.    

— Yoongi, algo assim... tá todo mundo mais interessado na relação dele com Namjoon, ouvi que estão cotados pro próximo casal no baile. —  A segunda voz parecia animada demais, e imitei o falso vômito que o Água de Salsicha fez.    

—  Mas é claro! Yoongi é o tipo perfeito de Namjoon, ouvi os meninos falarem que ele ama garotos fora da curva... tipo, cabelo descolorido, e aquele estilo "estou arrumado mas pareço desarrumado"...    

—  Perfeito! Yoongi preenche todos esses requisitos, vão ser um OTPZÃO.    

Grunhi, sem querer assustando as garotas e até mesmo Jimin a minha frente.    

— Filho da puta! —  o rubor subiu por minhas bochechas. Bem longe da vergonha, eu sentia raiva quando peguei minha mochila nos pés da cadeira e rumei para longe da biblioteca.



 

(...)

 

    Suspirei cansado, jogando a pedrinha que chutei da estação até ali num bueiro entupido no fim da rua. O sol era forte pelas nossas cabeças, e minha farda estava ocupando lugar na mochila junto a que o peste me devolveu. Não recebi nem um mísero obrigado a altura do meu grande feito, se não fosse mim, Park Jimin teria voltado para casa com uma advertência linda para a mamãe dele assinar. Mas ao contrário do que pensei que faria, o Chuck colocou o uniforme no mesmo lugar que eu havia deixado, no banco do vestiário com um "obrigado" escrito numa folha de papel rasgada. Pelo menos estava lavado, passado e sem nenhuma mancha azul. O único resquício que havia sido usado por Jimin era o cheiro adocicado do perfume dele, que impregnou na roupa e eu teria que lavar de novo, talvez deixar de molho por alguns dias.    

Levantei a manga da camisa acima dos cotovelos, sentindo o suor descer pela testa, porém, me deixava feliz que eu não era o único na mesma situação.    

— Como anda o bronzeado, Lalisa?   

— Péssimo... e não me chame de Lalisa. — Ela se virou, estava a alguns passos a frente, as mãos na cintura como se tivesse se arrependido de ter topado voltar da estação de metrô até em casa a pé comigo. Eu precisava juntar dinheiro para a festa de Hoseok, e economizar na passagem e no lanche eram minhas únicas ideias. — Estou pensando seriamente em dar o meu posto de melhor amiga para o Jimin, quem sabe?    

— Você já faz um ótimo papel de inimiga, não preciso dele.    

— Engraçadinho... — ela tinha um sorriso ácido no rosto, e pensei em manter uma distância de segurança com medo de uma chave de braço. — Ele já teria te esganado no meu lugar, fácil, fácil...  

— Eu teria esganado primeiro, aquele garoto me dá raiva.    

— O que não te dá raiva?    

— Você não me dá raiva, nem meus irmãos... ou Namjoon, principalmente Namjoon — sorri, fazendo uma pequena aba com as mãos na frente da cabeça, tentando porcamente impedir o sol de me torrar.    

Passamos em um beco estreito que era um ótimo atalho até a minha casa, e o lugar começava a ficar feio. Aquele era um bairro feio de verdade, cheio de muros e pichações e parecia abandonado em muitos aspectos: não tinha crianças jogando bola na rua, nem familias felizes comendo em conjunto através das janelas de vidro, era só... um amontoado de casas cinzas e tijolos aparentes, que não fede nem cheira, e ainda sim, eu tive uma infância feliz com o pouco espaço na minha varanda para brincar com Lisa.    

Ela parecia ansiosa para chegar, eu tinha que apressar o passo para ficar ao seu lado e desde que citei Namjoon, não houve mais conversa, mas os olhos enormes estavam atentos, e eu continuei:    

— O que você faria para chamar a atenção do crush?    

— O quê? — ela parou por um segundo, esquece o que eu disse sobre estar atenta.    

— Crush, você tem crush, Liz?    

— Que pergunta mais besta, por que você quer saber?    

— ... Sou seu melhor amigo, tenho meus direitos e você tá na defensiva.    

— Não estou não!    

— Está sim. — apontei para as suas sobrancelhas erguidas, e continuamos a andar, faltava pouco para chegarmos. — Essa é a sua cara de quando tá na defensiva.    

— Foda-se — bateu no meu dedinho levantado. — Pare de papo furado e vá ao ponto.    

— Tudo bem, tudo bem... você me pegou, o que eu poderia fazer pra chamar a atenção de Namjoon?    

Mais silêncio, 'tava começando a me incomodar porque aquele não era o modo normal da nossa relação. Era como se tivesse um elefante invisível no meio de nós dois. Saímos do beco, o sol voltou e a minha casa já era visível: uma das poucas da rua com uma corzinha diferente. 

Meu pai religiosamente pintava as paredes externas de azul desde que nasci, e deve ser um dos motivos que aquela cor me acompanha sempre.    

— Você não precisa chamar atenção de ninguém, já se olhou no espelho? Quer dizer... você é inteligente, bonito e tem um futuro brilhante pela frente. Se Namjoon não perceber isso, quem está perdendo é ele.    

Paramos em frente a minha casa, o barulho dos meus irmãos brigando já preenchendo meus ouvidos, mas o elefante tinha ficado maior que o ego de Jimin.    

— Então, Lisa... isso foi…?    

— Não se acostume, eu só... enfim, acho que é a minha hora — ela riu, andando de costas, os lábios tão crispados que era só uma linha tênue.    

— Você não ia entrar? Noite do filme, lembra?    

Ela já estava a bons passo de distância, sua casa era a última da rua sem saída.    

— Acho melhor não! —  gritou. — Tenho dever de matemática.    

— Você já fez!    

—  Tem outro! —  Lisa falou antes de se virar e correr, me deixando plantando na frente de casa.    

— Que bizarro... —  sussurrei, abrindo a portinhola da varanda, caminhando pelas hortaliças de mamãe até chegar a porta principal. Respirei fundo antes de abrir, uma pequena visão do inferno me esperava na sala de estar.    

Yugyeom tinha duas almofadas nas mãos pequeninas, os cabelos castanhos uma bagunça na testa pelo corte tigelinha, enquanto Nayeon possuía quatro almofadas como um escudo à sua volta, mas estava em pé no sofá, as marias chiquinhas tortas pela cabeça.    

O caminho de destruição saia do quarto deles até a sala, composto por brinquedos diversos sem cabeças e faltando peças — típicos de crianças que acabam com tudo que tocam. E a televisão no último volume, bananas de pijamas dançando e cantando com uma voz mais irritante que de certas pessoas.    

A culpa era minha, acho, por demorar demais para chegar em casa, deixar aqueles pestinhas sozinhos sempre dava merda.    

—  NAYEON E YUGYEOM! LARG-    

Uma almofada veio direto na minha cara, e os dois pestinhas me encararam com um sorriso sapeca no rosto, fechei a porta, caminhando até a garota e puxando-a pela cintura, ela se debatia da mesma forma que o garoto quando o peguei também.    

— Quando mamãe e papai saíram? — perguntei. 

Eles gritavam, balançando os pezinhos no ar enquanto eu tinha cada um em um braço. Era bom ser forte pelo menos uma vez na vida, tinha que aproveitar o quanto podia, antes dos dois crescerem e juntarem-se contra mim.    

— Meia hora! —  Nayeon falou por fim. Ela era a mais velha, por dois anos de diferença de Yugyeom, tinham sete e cinco anos de tormento na minha vida, respectivamente.    

Os soltei, as bochechas coradas pela agitação.    

—  Papai disse que vai te xingar por ter demorado.    

—  Ele vai te xingar também por ter feito bagunça —  rebati Nayeon.    

—  A gente só quer a Lisa! —  Yugyeom cruzou as mãozinhas, os dois me observavam vaguear pela sala pegando as almofadas no chão, chutando brinquedos pela frente enquanto diminuía o volume da tevê com o controle remoto na boca. Eu poderia aguentar Jimin por cinco dias seguidos, e escolheria essa opção se a segunda fosse passar o dia com meus irmãos mais novos.    

—  Lisa não vai vim. —  Os dois tiveram gritos teatrais, eu rolei os olhos. —  Ela tem dever, a noite do filme vai ser só nós três.    

— Mas assim não tem graça! — Yugyeom bateu os pezinhos no chão. Os dentinhos de coelho característicos da nossa família já estavam protuberantes como os meus e de Nayeon, e se colocassem nós três juntos era impossível não reconhecer a semelhança, até os olhos castanhos em forma de arco eram os mesmos.    

— Ele acha que tem chance com Lisa, quando tá na cara que ela gosta de você, como nos doramas que a mamãe assiste. —  Nayeon mostrou a língua para Yugyeom, que voltou o gesto para ela.    

—  É impossível, Gguk é homo... nomo, momosexual... — ele me encarou pedindo ajuda mas logo desistiu — Gguk gosta de ga-ro-tos.    

—  E vocês não abriram o bico pro papai nem pra mamãe, certo? — A sala estava menos abarrotada de brinquedos e almofadas voadoras. Sentei, sentindo minhas costas estalarem ao tirar o sapato e não tive dois segundos de paz até os dois sentarem de cada lado da minha perna.    

—  Claro que não contamos, você é o melhor irmão mais velho que temo. —  Nayeon disse e Yugyeom concordou, como se partilhassemos um segredo.    

—  Isso não faz sentido, eu sou o único irmão mais velho que vocês tem. E você, garotinha... — apertei o nariz dela. —  Tira essa ideia da cabeça, é impossível mesmo, eu e Lisa crescemos como irmãos, como você e Yugyeom, Sandy e Junior...    

Os dois confirmaram com um menear, gostavam da tailandesa e ela tinha a paciência que eu não possuía para entretê-los até meus pais chegarem. Foi babá deles por um tempo, antes de passar na Saint School.    

Apertei os dois num abraço de urso, mesmo com os protestos pelo meu cheiro de cachorro que morreu no acostamento, e antes que eu pudesse me acomodar no sofá puxei alguns brinquedos que grudaram na minha bunda, junto a um desenho de Yugyeom.    

A letra de caixa alta infantil era lotada de coraçõezinhos e no centro do papel estava eu, Lisa, mamãe e papai e os dois pequenos em frente a nossa casa azul. A vizinhança foi desenhada de preto e nós éramos os únicos coloridos e sorridentes.    

— Gostou? —  ele perguntou. —  Seu cabelo tá azul porque o lápis marrom quebrou a ponta e...    

Encarei o desenho, até muito bem feito para os moldes de uma criança de cinco anos, parecíamos uma família de coelhos tirando Lisa e seus cabelos amarelos. A pergunta que eu fiz para ela mais cedo estava respondida naquele papel, o que eu deveria fazer para chamar atenção de Namjoon no meio de todo mundo na festa de Hoseok, by meu irmãozinho genioso.    

— Yugyeom... você me deu uma puta ideia! —  Levantei apressado, jogando os dois de cada lado do sofá. — Arrumem suas coisas, vocês vão ficar na casa de Lisa por alguns minutos... vou na farmácia comprar tintura de cabelo.




 



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