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História Distância - Capítulo 1


Escrita por: Kat_ashi

Notas do Autor


Nada do que eu escrevi foi confirmado, é só o que eu imagino que pode ter acontecido
Posso ter me deixado levar um pouco por não gostar muito do Joui? Talvez, mas eu juro que não fiz nada de muito ruim com ele não me joguem hate

⚠️ESSA ONE CLARAMENTE É UM SPOILER DO FINAL DE O SEGREDO NA FLORESTA E TALVEZ DO INICINHO DE DESCONJURAÇÃO!!!⚠️
⚠️Vocês foram avisados.⚠️

BOA LEITURA

Capítulo 1 - Capítulo Único -


Distância ~

 

Sair de um edifício nunca havia sido tão difícil e tão prazeroso. A sensação de dever cumprido lhe subindo a garganta junto do angustiante gosto da perda. Havia acabado. Tudo. Santo Berço havia queimado, literalmente, levando com ele a vida de um dos homens mais importante na vida dos três que estavam saindo da Torre Alfa.  

Para Elizabeth, um amigo, um companheiro, uma paixão. Para Joui, um pai. Para Cesar, um irmão. Cada um levava consigo uma lembrança mais bonita e dolorosa que a outra, porém o mais importante: Eles estavam juntos. 

Na saída do prédio, Arthur os esperava, com um sorriso gentil e, mesmo depois de tudo que havia perdido, de apoio. Ver o homem de pouco mais de um metro e sessenta os esperando era quase reconfortante. Após toda a dor que haviam passado nas últimas semanas, saber que estavam juntos era tudo que os mantinha de pé e com forças o suficiente para continuar lutando pelo bem da humanidade. 

Elizabeth se sentia angustiada, cansada e principalmente irritada. Se ela tivesse a chance, mataria todos os ocultistas que visse, sem sequer pensar duas vezes, mas a sede de saber o motivo de tantas tragédias a mantinha sã o suficiente para não sair assassinando qualquer um que visse pela frente. 

Joui estava satisfeito, embora muito houvesse sido perdido e muitas vidas haviam sido tiradas. Ele também estava cansado. Exausto para dizer o mínimo. Ele queria desistir, queria olhar para os amigos e para e falar que iria embora e simplesmente iria fingir que nada daquilo aconteceu. Mas era tão injusto... Tantos haviam morrido, tantos haviam perdido. “Eu destruí uma cidade. A culpa foi nossa.” ele se sentia incapaz de pensar diferente. Ele se sentia em dívida. Ou ele destruía a todos os ocultistas que ousavam perturbar a paz, ou ele era fraco e admitia a derrota. E Joui Jouki não desiste sem lutar. 

Cesar estava devastado. Feliz por ter acabado, porém sentia-se destruído por dentro. Havia perdido o pai, a única família que lhe restava. Logo agora que enfim entendia os motivos de Cris, agora que enfim estavam se dando bem e criando uma boa relação. Mas parece que o destino ria de si. Lhe dava uma fagulha de esperança e logo a apagava. Assim foi com Thiago. Um homem que sequer conhecia havia tomado tanto espaço em seu coração que sequer achava possível. Poucos dias havia sido o suficiente para fazer com que eles criassem um laço mais forte que qualquer paixão. E novamente o destino riu dele. 

- E agora? - Joui diz após os quatro se aproximarem e ficarem em silêncio, um olhando para o outro, logo desviando o olhar para qualquer outra coisa que não fosse os olhos um do outro. 

- Eu vou para casa. Preciso de um uísque. - Elizabeth diz, com sua mochila nas costas, logo indo a procura de um taxi. 

- Eu vou com você, senhorita Liz. - Jouki sequer perde tempo, logo seguindo a recém idosa, virando-se apenas para se despedir com um aceno de mão para os amigos. 

- Até mais! - Arthur diz alto, acenando com o braço, enquanto Cesar apenas assente com a cabeça. - Você vai para onde? A minha mãe está fazendo alguma coisa para jantar lá em casa. 

- Eu não sei. Tava pensando em ir pra casa, mas sei lá. Não to muito afim de ficar sozinho lá. - Ele diz sem olhar nos olhos do mais novo. 

- Vem comigo. A gente pode assistir alguma coisa enquanto come no sofá. - Ele fala sorrindo, notando o olhar evasivo do amigo, deixando para lá em seguida. 

Cesar fica em silêncio, olhando os carros andarem pelas ruas movimentadas de São Paulo. Ele queria. Queria muito. Mas ao mesmo tempo, queria ficar sozinho. Se trancar em seu quarto e simplesmente fingir que o último mês não aconteceu. Mas ele sabia que não ia acontecer, e fugir disso só o faria pior. Ele olha para Arthur, que o encara em expectativa, quase implorando com o olhar. Uma curta risada escapa de Cesar, vendo Arthur alargar ainda mais o sorriso, sabendo que era uma luta ganha. Sem esperar uma resposta verbal, sabendo que ela não viria, ele começa a andar pela calçada, sabendo que o moreno o seguiria. 

 

 

Três semanas haviam se passado desde a última visita a Torre Alfa. Elizabeth raramente era vista fora de casa e muito menos mandava notícias. A única forma que Cesar e Arthur encontraram de tentar manter contato com a mais velha havia sido através de Joui, a quem ela havia criado ainda mais afeição e carinho, quase o adotando como filho. 

Os encontros casuais de Arthur, Cesar e Ivete eram cada vez mais frequentes. Cesar raramente ficava em casa, chegando ao ponto de deixar algumas roupas na casa dos gaudérios para não precisar usar as roupas, desconfortavelmente menores que si, de Arthur. Joui, estranhamente parecia evasivo. Era a segunda vez na semana em que ele recusava um convite para jantar. As mensagens começaram a serem menos frequentes e os costumeiros apelidos carinhosos já não existiam mais. Agora era apenas Cesar e Arthur. 

- Cesar... você não ta achando o Joui estranho? - Ele dizia com o celular na mão, ocupando grande espaço do sofá, enquanto o moreno estava na mesa da cozinha, digitando freneticamente no computador. 

- Um pouco. Mas acho que ele só precisa de um tempo. Não esquenta com isso não. - Ele sequer desvia os olhos da tela. O rosto iluminado pelas letrinhas verdes que passavam rapidamente pela tela. 

- Se você diz. - Ele resmunga, se esticando ainda mais no sofá, chutando Ivete que empurra a perna do mais novo. 

- Arthur, esse sofá não é grande o suficiente para você se esticar! - Ele fala com um tom irritado, mas ao mesmo tempo afetuoso na voz. - Aí esse apartamento é muito pequeno para nós três...  

- Tem razão... - Arthur concorda após se ajeitar no sofá. - Espera aí... Tem razão! - Ele fala alto. - Cesar, você ainda paga o aluguel do seu ap? 

- Lógico que sim Arthur. - Ele fala enfim tirando os olhos da tela. 

- Mãe, e se a gente se mudasse? Podemos arrumar um lugar maior e dividir o aluguel! A gente pode chamar o Joui também! - O brilho nos olhos heterocromáticos era digno de uma foto. 

- Não sei Arthur... - Cesar resmunga fechando lentamente o computador. 

- Não é ruim. - A mais velha concorda, se virando para poder encarar o moreno. - Eu não suporto ficar nesse apartamento pequeno. 

Os dois encaravam Cesar como se esperassem a confirmação verbal além do que os olhos e o sorriso mínimo no rosto do moreno já diziam. A resposta não veio. Apenas os olhos dele se fechando e o sorriso se alargando foi o suficiente e era o máximo que ganhariam. E ambos sabiam bem disso. 

- Perfeito! Eu vou ligar para o Joui! 

Arthur sai da sala com o celular na mão e vai para o quarto, já discando o numero do amigo. Bons minutos se passam e Cesar e Ivete apenas ficam sentados no sofá, vendo mais um dos programas de reformas aleatórios na TV. Assim que Arthur entra na sala novamente, ele atrai o olhar dos dois que estavam sentados confortavelmente no sofá. Olhares questionadores queimando a pele do menor. 

- Ele... não atendeu. - Ele tenta forçar um sorriso. 

- Arthur... - Ivete e Cesar dizem ao mesmo tempo, fazendo-o bufar. 

- Tá certo. Ele não quer. Disse que tinha coisas mais importantes pra fazer. Então... acho que vai ser só nós três, né? Eba! - Ele tenta manter os ânimos. Forçando um sorriso e se jogando entre os dois no sofá. 

Ivete, notando que o filho havia ficado magoado, apenas sorri de volta, acariciando os cabelos recém cortados de Arthur, deixando um rápido beijo em sua têmpora em seguida. Cesar encara a demonstração de carinho e dá um sorriso imperceptível, sentindo uma sensação ruim ao saber que Joui não os queria por perto. 

 

- Eu não aguento mais. - Cesar dizia ofegante, com a mão nas costas, deixando a caixa que carregava ao lado de sua cama, sentando nela em seguida. 

- Vamos menino, ainda tem muita coisa pra carregar. Levanta, vai. - Ivete dizia ao passar pelo corredor com uma caixa, quase com o dobro do tamanho que a de Cesar, tranquilamente. 

Cesar encara Arthur, que segurava um abajur em sua porta, com um olhar de tédio. 

- Não olha pra mim. Só tenho um braço, ó. - Ele move o ombro onde um dia houve um braço. 

- Então você poderia largar esse abajur que está segurando a meia hora e ajudar a levar outras coisas aqui pra cima! - Ele quase suplica. 

- Não vai dar. Só tenho um... - A fala é interrompida. 

- Um braço. Já saquei. Eu pego tudo lá então. Arg... - Cesar resmunga ao passar pelo amigo, que ri descaradamente. 

Assim que sai pela porta do recém alugado apartamento, o som de notificação ecoa pelo corredor. Cesar põe a mão no bolso, já preparado para descartar mais uma mensagem de spam qualquer, quando nota que a notificação era de Joui. Arthur o encarava de dentro do apartamento, com o celular também em mãos. 

Querem fazer alguma coisa hoje? Queria bater um papo com vocês.”  

A vontade de Cesar era de ignorar e fingir que não viu. E era isso que iria fazer, se Arthur não estivesse o olhando quase em súplica. Cesar estava magoado. Fazia dias que Joui não aceitava os convites para saírem e sequer respondia as mensagens. Mas Arthur era mole demais, na visão de Cesar. 

- Tá bom. - Ele desbloqueia o celular e responde. 

Na vdd estamos ocupados agr.” 

Coisa d mudança.” 

Entendo. Então deixa para outro dia.” 

Vc pode vir ajudar a gente e dps a gente sai p comer!” 

Arthur até tentava, mas Cesar sabia a resposta que viria. 

Tenho coisa para fazer agora, Arthur. Desculpe” 

Cesar estava ficando cansado de ver Arthur murchar a cada “coisa para fazer” que Joui tinha. Ele só esperava que Joui lembrasse deles uma vez ou outra. 

 

 

Cesar queria morrer. 

Ele definitivamente nunca mais queria entrar em uma academia na vida.  

Arthur sorria ao seu lado, feliz por poder voltar a se exercitar. Ele falava e sorria sem parar, contando animado sobre como seu treino de pernas havia sido bom e sobre como os pesos de 25 Kg do leg press pareciam penas. Mesmo que Cesar não soubesse o que era um “leg press”. 

- Fico feliz que o Veríssimo esteja exigindo dos agentes ao menos duas visitas mensais na academia. Assim você vai poder malhar essas varetinhas aqui. - Arthur diz cutucando o braço de Cesar que o encara quase ultrajado. 

- Como é que você consegue gostar daquela tortura? - Cesar estica as costas, ouvindo-as estralarem. - Aí, como dói. 

- Disse a pessoa que fica no computador o dia todo, você ta quase um “S” - Arthur ri. 

- Um “S”. Você vai ver o “S”. - Cesar resmunga, cruzando os braços. 

- Cesar... - Arthur quebra o curto silêncio que se instalou enquanto ambos andavam pela calçada, em direção ao prédio em que moravam. - Você tem alguma notícia do Joui? 

A pergunta era quase constante. Ao menos uma vez a cada dois dias Arthur o perguntava a mesma coisa. Infelizmente a resposta era sempre a mesma. 

- Não Arthur. Não recebo nada desde o final de abril. 

- Acha que está tudo bem? Já passou dois meses.  

- Eu sei. Ele deve estar bem. O Joui não é o tipo de cara fraco ou que desiste. Ele deve estar com a Liz em alguma missão. 

- Sem a gente?  

Ambos param de pé em frente ao prédio. Se encarando. Arthur o olhava como se implorasse para que Cesar negasse. Que dissesse que era mentira e que Joui na verdade estava esperando deitado no sofá comendo alguma coisa preparada por Ivete. 

Mas o destino costuma rir de Cesar. 

- Me desculpa Arthur... - É a única coisa que Cesar pode falar. O mais novo apenas da um sorriso cansado, afagando rapidamente o ombro de Cesar. 

- Desde que ele esteja vivo e bem... não importa onde ele esteja, né? Ele sempre vai ser o nosso Joui. - Ele fala antes de soltar o moreno e se dirigir para dentro do prédio, sem esperar resposta. 

- É... eu espero que sim. - Cesar diz baixinho, com apenas a rua movimentada para escutar as palavras quase murmuradas. 

 

- CESAR OLIVEIRA COHEN! - Ivete diz assim que Cesar deita no sofá. Um arrepio rápido percorre a espinha do mais novo. - Eu já falei para não deitar com o cabelo molhado! 

- Mas Ivete, eu to morrendo de dor nas pernas.  

- Frouxo. Senta ai que eu seco pra você. Esses meninos. - Ela vai apartamento adentro, voltando momentos depois com um secador e uma escova em mãos. - Você nem penteou esse ninho que você chama de cabelo! Eu vou dar na tua cara, menino.  

- Calma Ivete! - Ele diz assim que a escova de cabelo puxa o primeiro de muitos nós dos fios pretos.  

- Calma nada. Você usou o condicionador que eu mandei?  

- Usei! - Ele se inclina para trás, tentando aliviar a dor. 

- E o creme depois do banho? - O silêncio se instala, apenas o som dá risada de Arthur sendo segurada e a TV ecoando. - Seu boca aberta. - Ela bate fraquinho com a escova em Cesar, que solta um curto e baixinho “aí”. - Tem que cuidar do cabelo, Cesar. Que coisa. 

O som de “click” e um flash nada discreto toma conta da sala. Assim que a dupla olha para Arthur, eles percebem a polaroid em sua mão e uma foto sendo imprimida instantaneamente. 

- Essa vai pra geladeira! - Ele não espera reação, saindo da sala rapidamente. 

- Não vai não, vem aqui! – Cesar tenta se levantar, mas Ivete prende a escova propositalmente em um dos nós do moreno. - AÍ! 

- Eu mandei você sentar aqui. 

 

 

Um bom tempo havia passado. Três meses, pare ser um pouco mais exato. Joui já nem sequer visualizava as mensagens. Elizabeth não deu mais notícias. A Ordo Veritatis, agora Ordo Realitas, já estava perfeitamente realocada e estabilizada em um outro local. Mais seguro e mais aconchegante. Veríssimo comandava tudo de forma muito mais cautelosa e sigilosa. Apenas selecionados poderiam entrar na passagem secreta do bar “Sovaco Seco”. 

Mas a ordem não havia sido a única coisa a mudar. Arthur havia mudado. Não era apenas só mais um garoto roqueiro que perdeu muito. Agora era um agente de alto nível, quase o braço direito de Veríssimo, mesmo que ainda fosse gentil com todos. Ivete agora trabalhava diretamente no QG da ordem, cuidando das armas e e equipamentos de todos os agentes, junto da gatinha de rua que havia sido resgatada “Jeniffer”. 

Cesar também havia mudado. Com o tempo, após a ordem estar um pouco mais bem estabelecida, cada agente recebeu novas missões e funções. Além de agente de campo, Cesar passou a ser um dos principais programadores e hackers da ordem, criando uma inteligência artificial do zero, nomeada Central de Reconhecimento de Irregularidades Sobrenaturais (C.R.I.S). Havia também começado, após tudo que passou, a ter crises de ansiedade. Arthur sempre o ajudava, fazendo de tudo para manter o amigo são, usando as diversas fotos polaroids que tirava, seja em missões ou em momentos banais em casa. Eram a âncora do moreno. 

Após pouco tempo morando com Arthur e Ivete, logo após a ordem se tornar Realitas, Cesar decide que estava exausto de perder pessoas. Para tentar evitar criar laços ou outras relações, Cesar assume um novo alter ego: Kaiser. Todos da ordem conheciam Kaiser. Seja por alguma história de missão concluída ou pelos feitos de hacker. Ou do joguinho que havia na entrada do bar. De alguma forma, todos já haviam ouvido falar do nome Kaiser, assim como o de Arthur Cervero. 

No final de agosto, uma mensagem chama a atenção de Kaiser. 

O que aconteceu com a ordem? Onde está todo mundo? A torre alfa não permite minha entrada.” 

Kaiser não sabia se ria ou se deveria se sentir irritado. Quem Joui pensa que é para sumir por meses e simplesmente voltar como se nada tivesse acontecido? O moreno da uma respirada profunda, apoiando as costas na cadeira confortável da sala de pesquisa da ordem, chamando a atenção de Samuel. 

- O que rolou? - Ele pergunta com um pacote nada pequeno de Rafaels no colo. 

- Nada. Eu já volto. - Kaiser se levanta. - Viu o Arthur? 

- Deve estar lá em cima com o Tristan. - Ele responde voltando a olhar para a própria tela do computador. 

Sem dizer mais nada, Kaiser sai da sala, com o celular em mãos, e vai até a saída da base. Encontrando Tristan jogando sinuca com mais três membros da ordem e com Arthur ao lado, rindo e conversando tranquilamente. 

- Arthur. - Ele chama sério, indo para o lado de fora do bar e sendo seguido pelo mais novo. 

- Ihh! Deu merda, ein Arthur. - Tristan diz rindo, fazendo os outros três rirem, junto de Arthur que sabia não passar de uma piada. 

- O que houve Kaiser? - Ele diz meio travado, ainda não acostumado com o nome do amigo. 

- Ele mandou mensagem. - Kaiser responde simples. Vendo a confusão e surpresa na expressão do amigo. - Ele foi para a torre Alfa. 

- Sério? E... E agora? Você vai buscar ele? - Arthur pergunta. 

- Vou mandar um Cooler buscar ele. - Ele diz simples, colocando o endereço e enviando uma rápida mensagem para Joui. “Placa XXX-XXXX" e acendendo um cigarro logo em seguida. 

Menos de vinte minutos depois, de puro silêncio da parte de ambos os homens que esperavam, um carro branco para a frente do bar. De dentro, Joui sai vestido quase todo de preto, com uma espada e um arco nas costas. Cabelos consideravelmente mais curtos que o comum. 

- Sutil o armamento. - Kaiser diz com a voz tranquila, porém com os ombros claramente tensos. Arthur se mantém em silêncio, observando a mudança completa de aparência de Joui. 

- É. Gosto de estar pronto para tudo. - Joui diz meio hesitante. 

Antes que Kaiser pudesse responder, Arthur abraça Joui, que o abraça de volta. Eles ficam assim por um curto tempo, até que Arthur se afasta e sorri largo, como se dissesse “bem vindo de volta. Estávamos esperando você.”. Joui encara o moreno, abrindo levemente os braços, pedindo um abraço. Kaiser olha para o ato, joga a bituca de cigarro no chão e desvia o olhar, respirando profundamente e dando as costas, entrando no bar novamente. 

Assim que o trio passa pela porta, Tristan e os outros os encaram curiosos.  

- Quem é esse? - Tristan diz sorrindo, parando a tacada que faria. 

- Joui Jouki. - Kaiser simples, sem dar muita importância. 

- Espera. O Joui Jouki? O que ajudou vocês em Santo Berço? - Um dos homens que jogavam com Tristan pergunta surpreso. 

- Fica na sua, novato. - Tristan interrompe o homem, que fica em silêncio na hora. - Fazia um tempo que eu não via você. 

- Pois é, muita coisa aconteceu. 

- Você vai contar pra gente, né? - Arthur tenta engajar a conversa. 

- Vamos logo. - O assunto logo é cortado por Kaiser. 

Em silêncio, os três descem a escada, passando por todo o salão principal, que atualmente estava vazio. 

- Esse lugar é maior do que eu imaginei. - O japonês diz surpreso. 

- Não é? Aqui é incrível. Minha mãe vai ficar surpresa quando ver você. Vem, eu vou te apresentar tudo. - Arthur sorria feliz de finalmente poder rever Joui, que a muito não dava sinal de vida. Mesmo que houvesse ficado magoado por não ter recebido notícias antes. 

E assim eles passaram um bom tempo. Joui reencontrando todos os membros da ordem. Conversando com Marcela e Renan e matando um bom tempo conversando com Ivete. Antes que pudesse ser guiado a sala de Agatha e Veríssimo, Ivete chega com alguns sanduíches de almoço, entregando para Arthur, Kaiser e Joui, voltando para o balcão de armamento com o próprio sanduíche em mãos, pronta para voltar a organizar as coisas. 

Enquanto comiam, um silêncio pesado se instalou no lugar. Arthur queria conversar, mas sabia que Kaiser ainda estava irritado pelo sumiço repentino do amigo, então preferiu manter o silêncio. Pouco tempo depois de Arthur terminar o próprio sanduíche, Veríssimo aparece na entrada do corredor, chamando por ele. Dando um leve aceno com a cabeça para Joui, como se dissesse “logo é sua vez de ter uma conversa comigo”. 

Dois minutos se passam de completo silêncio. A ordem parecia morta. No máximo o som das armas sendo montadas por Ivete, mas exceto isso, nem mesmo o som das risadas dos membros no andar de cima eram ouvidas. 

- Por que voltou? - Kaiser pergunta sem encarar o mais novo. 

- Como assim? - Ele responde confuso. 

- Por que voltou? - Ele responde olhando para um ponto fixo a frente. Sua coluna agora menos curvada graças aos treinamentos e insistência de Arthur para que sentasse direito na cadeira. 

- Porque eu sou membro da ordem. - Ele fala como se fosse óbvio. - Qual é Cesar... 

- Kaiser. - Ele interrompe. 

- Como? - A confusão nítida no olhar do homem. 

- Eu não sou mais o Cesar. Me chama de Kaiser a partir de agora, ok? - Ele fala enfim olhando para o amigo, ainda sem encarar os olhos do mesmo. 

- Por que isso do nada? 

- Não é do nada. Você sumiu por meses. Muita coisa aconteceu nesse meio tempo, sabia? 

- E dai? Você podia ter me mandando uma mensagem! “Olha, Joui. Eu troquei meu nome! Me chama de Kaiser, ok?” - Ele fala com tom de deboche. 

- Como é que é Joui? - Ele finalmente olha nos olhos de Joui. 

Assim que Kaiser o encara diretamente, Joui pode notar as pesadas olheiras e o claro olhar de melancolia e exaustão que ele exalava. A barba fechada o dando um ar mais adulto e intimidador. Ele exalava um cheiro pesado de cigarro. Os cabelos compridos bem arrumados caindo sobre os ombros. 

- Você simplesmente sumiu. Não falou pra onde foi, com quem foi e nem disse se estava vivo. Sabe como eu e o Arthur nos sentimos? Então não venha me pedir para mandar mensagem.  

- Vocês não podem simplesmente esquecer da nossa amizade! Eu quero saber como vocês estão. 

- Nós também! 

- Mas eu tinha coisas importantes para fazer e resolver! Não queria envolver vocês. 

- Não é questão de envolver, e sim de nos falar se você ainda tá respirando! - Ele fala mais alto, respirando fundo e voltando a se acalmar. - Deixou o Arthur preocupado. 

- E você não? - Ele pergunta hesitante. 

- Em partes. Mas fiquei ocupado demais preocupado com o Arthur. 

Eles ficam em silêncio. Kaiser já não olhava mais nos olhos de Joui. Sequer olhava em sua direção. Apenas encarava a superfície fria da mesa. Joui não sabia ao certo o que falar. Em sua cabeça não havia feito nada de errado. Apenas se afastou para que ninguém se ferisse. Mas como falar isso para Kaiser, agora que ele o sentia tão... distante? 

- Me desculpe. - O japonês enfim fala. Relaxando levemente os ombros. 

- Não importa. Você está bem. Está vivo. Mas na próxima, mande uma mensagem para o Arthur. Pior do que não ter você por perto é ver a cara de tristeza dele quando eu dizia que não tinha notícias suas.  

Assim que ele termina a frase, Arthur aparece saindo do corredor, sendo seguido por Veríssimo, que para ao lado da mesa onde o trio havia almoçado. 

- Joui Jouki. - Joui se levanta e faz uma leve reverência, apenas um aceno de cabeça, resmungando um “senhor” de forma educada. - Vejo que resolveu retornar a ordem. 

- Sair nunca foi uma opção. - Ele diz com convicção. 

- Muito bem. Suponho que tenha alguma informação da senhorita Webber. - Veríssimo diz calmo, dando as costas, como se o chamasse para segui-lo. 

- Como assim? A Senhorita Liz não está aqui? - Ele diz sem dar um passo sequer. 

- Achei que tivesse notícias dela. Nós não recebemos nenhuma informação a tempos. - Veríssimo vira o corpo em direção a Joui. 

- Eu... voltei atrás dela... - Ele resmunga baixinho, para que ninguém escute. 

- O que disse? - Veríssimo responde. 

- Nada. Obrigado pela atenção senhor. Mas eu tenho coisas para fazer

Joui da as costas e sobe as escadas, voltando para o Sovaco Seco 

Aquela havia sido a última coisa que Joui disse para Arthur e Kaiser antes de desaparecer novamente. Cesar odiava quando Joui tinha coisas para fazer. 


Notas Finais


E foi isso, pessoas. Não sei se ficou bom, eu particularmente gostei do resultado
Desculpa eu não curto o Joui não me odeiem ;-;

~~Kissus da tia Kat~~


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