História Distópica Utopia - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
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Palavras 2.195
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Mistério, Romance e Novela, Sci-Fi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Luta Livre


As segundas-feiras sempre eram os dias mais agitados para um Coletor. Isso porque durante o final de semana esses profissionais não trabalhavam e o serviço de dois dias ficava acumulado para o primeiro dia útil da semana. Um bom exemplo disso era como o dia de Vega e dos seus dois colegas de trabalho estava agitado, e ainda não era nem meio-dia.

Estavam dentro de um prédio abandonado em uma das periferias do distrito em que moravam. Os distritos nada mais são do que cidades, só que bem maiores do que elas costumam ser. Essa reorganização (a substituição de cidades por distritos) aconteceu para diminuir o número de líderes sem fazer com que uma cidade anexasse a outra. O mesmo aconteceu com os países, que viraram Continentes, cada um com seu líder escolhido através de democracia. Cada líder de Continente só estava abaixo do Governador, que em resumo é a pessoa responsável pela Terra e pelos terráqueos, em geral. O seu poder não se resumia na Terra, mas se estendia para as colônias terráqueas espalhadas pelo universo. De acordo com o Governo, submeter todos os humanos a só um tipo de segmento de leis e forma de governo é mais fácil e eficiente, já que não há como haverem regras contraditórias e assim absorver o que se deve e não fazer é uma atividade menos cansativa, tornando-se mais fácil de serem seguidas á risca. 

Enquanto sentia a superfície áspera da parede de concreto contra o tecido da sua roupa, Vega encarava o mais velho da equipe, Yuki. Apesar do barulho que obviamente vinha do andar de cima, ele se esforçava para, enquanto andava, não fazer barulho. A sola dos seus sapatos pareciam penas todas as vezes que ele as tocava no chão, e isso tinha motivo. Precisavam ser silenciosos ao subitem as escadas para o próximo andar, de modo que não anunciassem a própria presença e assim impedissem que as pessoas que estavam lá em cima se matassem antes de serem capturadas. O rapaz parou na base da escada e depois de ouvir com bastante atenção, olhou para os dois lados. No direito, Vega estava encostada na parede, segurando a sua arma, muito parecida com uma AK-47 (só parecia, porque na verdade a arma não atirava pólvora, atirava laser). No esquerdo estava Bellatrix, balançando a cabeça enquanto parecia completamente alheia ao que estava acontecendo ali. Pelo menos, até Yuki levar a mão até pouco acima da orelha direita e, irritado, franzir o cenho. 

“Bellatrix, desliga essa música” ele transmitiu as palavras para as duas, o que fez Bellatrix acordar do seu transe que estava sendo induzido pelo Michael Jackson. O que estava acontecendo ali é que todos eles tinham algo chamado “Sentido de Colônia”. Essa habilidade de transmitir pensamentos para outras pessoas é exclusivo dos indivíduos que nasceram em encubadoras terráqueas, e era muito útil para a equipe dos três. 

“Música sempre deixa tudo mais divertido, e isso nem é grande coisa. A tarefa é nível dois” a garota de cabelo lilás respondeu. Seu cabelo era muito interessante, chamava bastante atenção. A cor original era lilás, mas ela pintou as pontas de rosa pink quando tinha 14 anos e continuou a fazê-lo até a sua atual idade, que era 18. Quando se referiu aos nível dois, estava falando de quem iam capturar. 

“Isso não significa que não precisamos fazer o trabalho direito” retrucou o rapaz e, sem mais enrolação, começou a subir as escadas. Foi seguido pelas duas, ainda que Bellatrix pareceu insatisfeita ao se render. Vega não era de falar muito, e se abstinha quando se tratava de intervir em discussões entre aqueles dois. Qualquer tentativa de apaziguar a situação só piorava tudo, então ela só ficava na dela e evitava tomar partidos. Os conhecia já faziam quatro anos, é tempo o suficiente para decorar alguns padrões. 

Quanto mais degraus subiam, mais alto o barulho do andar de cima aumentava, e era algo parecido com uma multidão discutindo. Não demorou muito para que, tomando bastante cuidado para não serem notados, os três estivessem no topo da escada e, consequentemente, de frente com uma porta quebrada, cheia de ferrugem. O prédio todo, na verdade, tinha esse aspecto de ferro-velho; poeira, sujeira no chão, móveis despedaçados. Através de alguns buracos na porta, era possível enxergar lá dentro e ver um grupo de pessoas em um círculo. Faziam gestos com as mãos, gritavam ofensas e... Todos estavam com os olhos fixos em algum ponto no meio deles. Alguns eram humanóides, outros com aparências completamente diferentes da de um homo sapiens, e o que tinham em comum era o aspecto de suas vestimentas. Em geral, maltrapilhos.

Infelizmente, para os que estavam reunidos no círculo, aquele ambiente agradável parou de ser agradável quando os gritos e a bagunça foi interrompida por um som que se sobrepôs às vozes e todo o resto. Um zumbido que parecia querer perfurar os ouvidos de todos os que conseguiam ouvi-lo. Em um reflexo coletivo todos levaram as mãos sobre as orelhas tentando fazer aquilo passar, mas foi em vão. Foi em vão porque não demorou muito para que alguns dos que ouviram aquilo estivessem desmaiados no chão, com os ouvidos sangrando. E quase como tudo o que acontece no universo, aquilo havia um padrão. Os que estavam no chão eram humanos, ou variações desta raça, mas os que estavam de em pé não eram. A única exceção dos humanos que não desmaiaram era a equipe de coletores, mas isso porque estavam usando proteção.

— Quando é que vocês vão aprender as regras de permanência na Terra? — a primeira a pronunciar-se foi Vega, mirando em um dos alvos que era um ser muito parecido com uma ameba verde, só que gigante. E tinha olhos. A ameba nem teve tempo de explicar-se antes de ser atingida pelo laser vermelho proveniente da arma da moça de cabelos azuis, que a explodiu e fez com que aquela sala se enchesse de um cheiro muito parecido com o de peixe podre. 

Ao mesmo tempo, houve grande agitação e todos os indivíduos que não estavam desmaiados começaram a se desesperar, saindo correndo ou tentando se esconder dos lasers que faziam-nos explodir. Para o trio de coletores, essa era a parte mais divertida do trabalho. Sentiam prazer em ver os olhares de desespero dos imigrantes ilegais a quem eram autorizados a matar. Não tinham vindo ali para assassinar seres vivos, mas haviam aprendido na academia que podiam matar quantos imigrantes quisessem se eles fossem encontrados perto do ponto de coleta. Os humanos, no entanto, só podiam ser paralisados, mas isso não tornava a situação menos divertida. 

Quando, por fim, todos os que podiam ser descartados foram, Bellatrix guardou a sua arma no suporte que tinha preso ao corpo e, se divertindo ao pisar nos corpos desmaiados enquanto passava, atravessou a enorme sala que agora tinha certas características indesejáveis: um péssimo cheiro, restos mortais por todos os lados e, é claro, três coletores. Ninguém gosta de coletores. A moça se abaixou no meio da sala, onde as pessoas que eles abateram estavam reunidas quando chegaram ali. 

No chão, estava o motivo pelo qual eles estavam ali: eram dois robôs. Robôs bem pequenos. Os dois juntos cabiam na palma da mão de uma pessoa. A razão pela qual todo mundo estava tão interessado em observar aquilo era que eles estavam lutando. E não era uma luta qualquer, era uma luta que transcendia o plano material, portanto... Não era só a respeito de visão. Aqueles robôs eram do governo, e tinham sido roubados, como acontecia com muitos outros. Durante o processo de Seleção Natural, os candidatos recebiam cada um um desses robôs, que os auxiliava na realização das tarefas e na potencialização de suas habilidades. Conforme eram eliminados, os candidatos tinham os robôs recolhidos, mas alguns deles conseguiam burlar o sistema e permanecer na posse dessas interessantes e poderosas criaturas até que finalmente perdessem a vida. Em resumo, eles reprovavam sabendo que logo deixariam de existir e como forma de se “vingarem” do sistema que na opinião deles era injusto, vendiam os robôs antes que seus dias se findassem. Parece idiota, uma vez que eles já não mais teriam como gastar o dinheiro adquirido na venda ilegal dos robôs, mas... A maioria das pessoas que vendiam esses robôs o faziam para entregar a quantia para as pessoas amadas. Encontrar os robôs em lutas clandestinas era bastante comum, mas isso não era o que preocupava o governo. Isso porque as pessoas que promoviam essas lutas não tinham inteligência e nem noção para saber do verdadeiro potencial daquelas coisinhas. Ao invés de uma luta clandestina inofensiva promovida por inocentes estúpidos, se fossem capturados por alguém que sabia trabalhar com eles, os robôs podiam ser os responsáveis por bons e consideráveis estragos. 

— Não sei como o governo tem coragem de entregar esse tipo de material para os não-efetivos — Ela disse alto enquanto vestia uma luva preta pra conseguir capturar os robôs sem sofrer danos sérios. Os cidadãos efetivos eram os que já haviam sido aprovados pela Seleção Natural, os não-efetivos... Bem, o título é autoexplicativo. 

— Acho que precisam arrumar uma forma mais inteligente de equipar os candidatos para a seleção — Completou Vega, se aproximando da colega de trabalho e amiga e sentando-se sobre a barriga de alguém que estava desmaiado. Não tinha nenhum travesseiro ali, precisava se virar como podia. — É muito poder. 

— O governo só usa os robôs porque sabe que a maioria não tem consciência da capacidade deles, portanto, não os sabem usar. — Yuki respondeu-as, ainda que estivesse ocupado com outra coisa. Parecia encarar o nada, mas isso só até ativar as funções do seu dispositivo, o qual ficava dentro da sua cabeça. Era um óculos do Google, se eu quiser resumir, a diferença era que o holograma podia ser reproduzido em qualquer lugar, sem nem precisar de uma superfície preparada. O coletor estava explorando um mapa, o qual tinha alguns pontos vermelhos.

— Qualquer um sabe qual é a capacidade dos robôs — Vega retrucou, enquanto observava Bellatrix tentando pegar os dito cujos. Sempre que ela chegava muito perto, eles soltavam choque. Estavam muito ariscos. — Acontece que pouca gente tem criatividade o suficiente pra usar eles pra coisas interessantes. 

— O governo não espera que alguém queira, sei lá, causar uma revolta ou o caos repentino. É pra isso que existe a Seleção, pra eliminar pessoas que, em posse de um robô desses, só queiram explodir o mundo. — Yuki tinha sido criado na Academia de Formação de Coletores, por isso quase sempre defendia o governo. Seu pai era um dos professores. 

— Ai! — Bellatrix exclamou, depois de ser atingida no olho com uma bolinha de metal lançada por um dos robôs. Vega deu de ombros, ajeitando o seu uniforme enquanto pensava em uma forma de responder. Os três vestiam conjuntos de calças, jaquetas e botas negras, e isso em quase 90% do tempo. Isso porque os uniformes se adaptavam às suas necessidades e eram bastante eficientes no quesito autolimpeza. Em resumo, usavam não apenas por obrigação, mas também porque eles eram muito úteis. Alguns coletores, como os três ali presentes, customizavam-nos pra poderem usar as roupas mesmo fora de horário de trabalho. 

Vega tinha a calça rasgada e a bota (que tradicionalmente ia só até o tornozelo) estendida até os seus joelhos. Bellatrix tingiu as suas botas de pink e sempre usava a jaqueta aberta, exibindo assim camisetas que geralmente tinham estampas divertidas. Yuki apertou a calça para fazê-la ficar skinny e colou spikes na jaqueta, assim como incluiu nela ombreiras bastante chamativas. 

— Será que o governo não sabe que algumas pessoas desenvolvem o desejo de explodir o mundo, depois da Seleção? — Finalmente conseguiu formular essa reflexão, deixando de olhar para as próprias roupas para finalmente se mexer e começar a ajudar Bellatrix na captura. 

— A Seleção previne isso — Dessa vez quem respondeu foi Bellatrix, que estava começando a ficar com o olho vermelho por causa do golpe que levou. Sua pele era muito sensível e branca, por isso ficava marcada fácil. — Escolhem justamente quem eles têm certeza que não vá querer colocar explodir o mundo.

— Que assunto mais idiota! — Cansou-se Yuki, se aproximando das garotas e, finalmente, vendo-as guardando os robôs em uma caixa de metal. — Ninguém vai formar um exército de robôs pra explodir o mundo. Se acontecesse, isso significaria que não fizemos o nosso trabalho direito.

Até porque eles eram os responsáveis por tomar conta da propriedade do governo, já que era muito grande. Não apenas robôs, mas os coletores precisavam diariamente coletar casas, naves, órgãos do sistema de saúde que não foram devidamente pagos... Esse tipo de coisa. Os coletores eram os que consertavam as coisas quando os seguranças não eram capazes de fazer seu trabalho.

— Eu não disse que alguém vai fazer isso, só disse que é possível, se alguém quiser. — Vega se retratou, levantando-se enquanto Bellatrix guardava a caixa na mochila. A garota de cabelos azuis agora estava com os pensamentos nessa possibilidade de, sei lá, estarem sob perigo. Quem garantia que não havia alguém inteligente reunindo robôs por aí, esperando o momento certo para atacar? Parecia até bobeira, mas um dos hobbies favoritos da terráquea era bolar essas teorias de conspiração.



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