História Distraction - Capítulo 19


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Mpreg, Original, Romance, Yaoi
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Palavras 2.273
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Sci-Fi, Seinen, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa madrugada, amores!
Obrigada aos que leem.
Boa leitura!

Capítulo 19 - Com Carinho


As brigas que estávamos tendo acabaram se cessando depois da ida de Jamil ao hospital. Ele acabou se demitindo do emprego depois de ter conseguido um estágio na faculdade, para ser assistente de um dos professores, e ter voltado a estudar. Ele tem estado menos ainda em casa depois disto, mas também não posso reclamar muito já que ele traz dinheiro para casa e também acompanha a gravidez, e como tem avançado.

No entanto, eu ainda sinto bastante fraqueza o tempo todo e o médico continua me recomendando repouso. Sendo assim, comecei a trabalhar como revendedor virtual, um bico por conta própria, mas que tem trazido algum dinheiro para casa e mesmo que pouco ainda é o bastante para ajudar.

Mas não o bastante para que as dificuldades apareceram, de fato, ambos de nós estamos nos afundando em dívidas e tem sido difícil pagar o aluguel e comprar comida e manter o meu tratamento para manter minha gravidez estável, muito menos tem sido possível pagar o médico particular, o que nos faz parcelar as consultas que tenho que fazer, já que apesar de tentar, não consigo vagar no SUS para minha condição e como sou homem, simplesmente acabam me ignorando, por assim se dizer.

O que torna tudo bem mais complicado, já que preciso tomar alguns remédios para manter minha saúde, e embora minha gravidez esteja se estabilizando, ainda é um problema. Às vezes, tenho vontade de falar com meus pais, mas nunca consigo. E eles nunca mais entraram em contato comigo, o que me faz presumir que não querem minha presença na vida deles. E por isto mesmo, não me dou o trabalho de procurá-los embora eu não possa negar que meu peito se aperta de saudade sempre que penso neles.

Eu gostaria de ter o apoio deles, e gostaria que estivesse na minha vida, me ajudando a lidar com a gravidez e com o fato de que minha barriga de cinco meses já começa a me incomodar um pouco, pelo peso que tira boa parte do ânimo, e que me faz sentir dor nas costas pelo peso, e também o estresse de saber que meu peso está um pouco abaixo do necessário, mas não consigo aumentar, por estarmos sendo obrigados a cortar boa parte da comida para podermos bancar tudo.

E toda vez que vou no médico, levo uma bronca sobre isto, mas não posso fazer muito no momento, está quase sendo impossível ter uma vida financeira normal com pouco mais de um salário. Eu nunca pensei que seria tão difícil, claro que nunca iria ser fácil, mas está sendo pior do que eu pensava, especialmente por nossa situação financeira que parece que só piora a cada dia que se passa, e mesmo em momentos de desespero, Jamil parece sempre se acalmar quando tira um momento para dar carinho ao bebê ainda dentro da minha barriga.

É algo fácil de acontecer, já que eu estou sempre em casa. O médico acha melhor que seja assim, até eu finalmente ganhar este bebê que vai demorar um pouco. É um pouco entediante e deprimente, já conversei com a terapeuta que disse que tudo isto vai melhorar depois que o bebê nascer, o que espero que sim, já que me sinto sozinho e continuo me sentindo mal comigo, embora esteja tentando aproveitar a gravidez, não consigo, na maior parte do tempo, não consigo. É difícil para mim, e continua sendo.

E ficar sentado no sofá na maior parte do dia, é bastante difícil, e se só se torna mais fácil quando ele chega em casa e somente nesses poucos momentos. E no resto de tempo, eu faço o que posso para pensar no bebê, e no presente, pois o futuro ainda me assusta. Mesmo Jamil esteja do meu lado, e no fundo, eu sei que ele também tem medo. Percebo isto sempre que olho em seus olhos, é um medo que nós dois guardados, mas estão dentro de nós e creio que nós dois sabemos disto.

Estiquei meu corpo no sofá, puxando a coberta para cima do meu corpo, e deixando o notebook em cima do criado mudo. Fechei os olhos, um tanto cansado e com vontade de dormir, por conta de todo o tempo que fico sem dormir à noite por estresse e também por me dedicar um pouco mais nas vendas online, que são bastante escassas. Abri os olhos de novo, ao ouvir a voz de Jamil do quintal, em seguida dele abrindo a porta. Conversava com alguém e pelo visto, falava no celular.

-Eu vou terminar a minha parte esta noite, e te envio por E-mail, ainda hoje. Sim, sim.

Sentei na cama, puxando as cobertas por cima do meu corpo. Jamil continuou respondendo a pessoa por mais alguns minutos. Ele fechou a porta quando a ligação terminou. Seus olhos grandes me fitaram assim que entrou. O rosto magro estava cansado, e seus olhos coberto por algumas olheiras. Se tornou algo comum nele e em mim mesmo.

-Boa noite, Victor. — Ele me cumprimentou, ao guardar o celular no bolso da calça.

-Boa noite. — Respondi de volta.

Ele andou alguns passos para próximo do sofá.

-Já jantou?

-Já.

-Vai se deitar na cama, vai ficar com dor nas costas. — Recomendou ele, com seu arrastado e longo sotaque.

Antes isto me incomodava, pois eu não entendia direito o que ele falava, isto mudou no entanto, e eu entendo tudo que ele me diz agora, assim como ele parece dominar a compressão de nossa língua. Sua vida se tornou permanente aqui, ainda assim, nem eu e nem ele mencionamos mais sobre a questão de visto ou sobre o futuro. Isto nos estressa, e segundo a terapeuta, nós precisamos nos preocupar mais com o presente no momento. E acho que ela tem razão, no momento, é melhor.

-Eu prefiro ficar aqui.

-Ora, não seja teimoso.

Jamil veio até mim, tirou a coberta de cima de mim e me puxou para me levantar. Ele parou no entanto, quando viu minha barriga descoberta pelo moletom. Acabou por me sentar de novo, me sentando ao lado dele. Pós a mão sobre ela e deslizou os dedos por alguns segundos, descendo o moletom em seguida. Ele olhou para mim.

-Como você está?

-Ainda me sinto cansado o tempo todo, mas estou bem.

-Logo está na hora da sua consulta.

-Não temos dinheiro.

-Vou dar um jeito. Ele precisa de cuidado e você também. — Jamil me deu um beijo leve na bochecha e depois nos meus lábios, apenas um demorado selinho. — Você precisa descansar em local confortável, não no sofá.

-Eu sei.

-Ele tem sido difícil, mas vai valer a pena.

Jamil insistiu e eu levantei com ele, indo para o quarto. Eu deitei na cama, e fiquei vendo TV lá, Jamil voltou para a sala, para terminar algo que ele não disse o que era, mas que tinha a ver com a faculdade. Eu acabei pegando no sono depois de alguns minutos.

Quando eu acordei, já era de manhã. Jamil estava do meu lado na cama, deitado parcialmente e dormindo. Eu sentei. Ele dormia profundamente, com os braços cruzados e sentado na cama, e ainda com as roupas com que chegara na noite anterior. Peguei o meu celular no criado mudo, são 8:30. Não tenho vontade de dormir mais e estou até com um pouco de fome.

Não queria acordar ele, levantei devagar, sem o despertar. Apesar da posição desconfortável dele, pelo cansaço dele, não quis o acordar. Saí do quarto sem fazer um único som alto que o acordasse, depois que cheguei a cozinha, pude me mover sem me preocupar com os barulhos.

Andei pela cozinha enquanto procurava algo para cozinhar, algo para comer. Eu nunca fui muito bom em cozinha, então acabei por fazer uma omelete recheado e um par de sanduíches. Refrigerante e água era tudo o que tinha na geladeira para beber, acabei escolhendo o refrigerante, apesar de não ser bom para o bebê. Mas ter que ter uma alimentação balanceada e com muitos legumes, me faz ter vontade de compensar com algumas guloseimas e açúcar uma vez ou outra.

Ao terminar de fazer o lanche, e tudo mais que eu queria, me sentei e comecei a comer. Comi devagar, e como sempre, a pouco fome voltou, depois de comer a omelete e um sanduíche, eu não tinha mais fome. Tive que guardar o outro na geladeira, para não estragar e comer mais tarde. Depois de comer e lavar a louça, me vi estranhamente agitado e um pouco ansioso. Simplesmente tive vontade de fazer alguma coisa, uma vontade louca e repentina que acabou se transformando num impulso.

Muito antes de me dar conta, eu me vi limpando algumas partes da casa. Lavei a louça toda, limpei a pia e tirei a poeira dos móveis da cozinha. Também acabei limpando a geladeira e arrumando as coisas na sala. Já estava a duas horas fazendo estas coisas, devagar, mas ainda me sentia um pouco agitado. Resolvi varrer o quintal, já que limpar o banheiro, apesar de ser bom, iria dar trabalho demais e eu estou evitando me agachar.

Fui para o quintal, e peguei a vassoura já nele, sob o sol quente comecei a varrer o chão, limpando as folhas que caem aqui por causa da árvore do vizinho. O dia ia ficando mais quente, e eu comecei a suar e me cansar. Mesmo assim, fiz um esforço e terminei de limpar todo o quintal, separando tudo dois sacos de lixo que separei para o lixeiro mais tarde. Eu voltei para casa, o cansaço se tornou maior repentinamente, e tão repentino quanto foi uma tontura que me fez cair no chão de joelhos.

-Victor!

Jamil apareceu e me agarrou pelos braços, me mantendo neles ao me examinar preocupado.

-Eu estou bem. — Aleguei sincero, visto que a tontura passou tão rápido quanto veio. No entanto, Jamil ainda estava preocupado e colocou a mão sobre a minha barriga, alarmado. Ele procurava por sinal de alguma coisa errada, mas eu não sentia nada de diferente, nada mesmo.

-O bebê? — Ele indagou, se enrolando com as próprias palavras ao examinar minha barriga e todas as partes do meu corpo.

-Está tudo bem. Foi só uma tontura, não sinto nada de diferente. — Segurei a mão alarmada dele, e o fiz parar.

-Você tem uma gravidez de risco. O que pensa que está fazendo? — Ele gritou alto e exaltado.

Seu grito me assustou e eu encolhi os ombros.

-Por que está gritando comigo?

Jamil respirou longamente, se acalmando. Até sacudiu a cabeça para os lados, como se fosse tirar o alarde do corpo dele.

-Victor, você tem que tomar cuidado com o que faz. O bebê, pelo amor...

-Eu só...

-Não faz bem para você ou para o bebê ficar se esforçando. Temos que ir no médico, vê se está tudo bem.

-Eu só tive uma tontura, tenho isto o tempo todo. — Digo. — Eu estou bem, de verdade. — Me levanto, ao me soltar dos braços dele, provando que estou perfeitamente apto para me colocar de pé e para ficar de pé. Jamil me olhou dos pés à cabeça, ainda muito preocupado comigo.

-Comeu?

-Sim.

Ele pós a mão sobre o meu ombro, e me fez andar até o sofá com ele. Pós mão sobre minha testa assim que me sentei e também apalpou minha barriga para ter certeza de que eu estava bem de verdade, e eu tenho certeza que estou, fisicamente ao menos.

-Eu estou bem.

-Não deveria ter gritado, me desculpe. Mas você me assustou. — Argumentou ele, agora mais calmo. — Eu me preocupo com você. Não se esforce tanto.

-Eu senti necessidade de fazer algo. Tenho ficado muito parado e isto não me ajuda.

-Vai acabar quando ele nascer. — Ele disse. E tem razão, mas às vezes, parece que nunca vai acabar. É difícil de lidar, tem sido difícil para mim, mas bem menos terrível do que era antes. A vida continua terrível, especialmente por conta da falta do dinheiro, mas a gravidez tem sido mais fácil, emocionalmente falando. — Só tenha um pouco de paciência.

-Você fica sempre falando ´ ele´, acha que é um menino?

-É assim que posso me referir a ele quando ainda não demos um nome. — Explicou.

-Já pensou em um?

-Eu prefiro escolher quando ele nascer. Uma das poucas tradições que eu sempre gostei e quero manter para nosso filho. — Ele disse, olhando para minha barriga redonda. — E olha, se quer fazer uma atividade, podemos ver uma, mas não se esforce tanto. Você tem que tomar certos cuidados enquanto estiver grávido. O tédio vai acabar quando o bebê nascer.

-Eu sei.

-E mesmo assim, vamos no médico amanhã. — Insistiu. Eu não tinha mais o que discutir, ele era tão teimoso quanto eu e logicamente que iria insistir do jeito que dava até conseguir me convencer. É o que ele sempre diz, sobre a saúde em primeiro lugar. — Só para ter certeza.

-Talvez você se preocupe demais.

-Talvez.

-Agradeço por se preocupar tanto comigo.

-Está difícil, mas vai melhorar. Depois que o bebê nascer e eu me formar na faculdade, poderemos ter uma condição financeira melhor e quem sabe, podemos ter um futuro melhor.

-Acredita que vai ser assim?

-Eu tenho fé que vai ser. Só precisamos aguentar até lá, só isto. — Jamil me apertou em seus braços, depositando um leve beijo no meu pescoço.

As coisas ao nosso redor ainda estão desmoronando, mas ele está aqui e eu sinto que ele é único com quem posso contar agora e mesmo com brigas e problemas, eu o amo muito e de algum jeito, ao mesmo que o bebê nos separa, têm momentos em que nos une. Sempre penso nele com carinho quando percebo isto.


Notas Finais


Até o Próximo!


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