História Distraction - Capítulo 24


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Mpreg, Original, Romance, Yaoi
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Palavras 2.420
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Sci-Fi, Seinen, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 24 - Magoado


-Eu quero que você seja forte, sei que vai conseguir, meu lindo menino. — Ele dizia docemente, baixo em um leve sussurro ao olhar nosso menino na incubadora. Ao seu lado, eu podia sentir a emoção que lhe enchia os olhos de lágrimas e que também tomava conta de mim, de uma forma que se mistura com medo e preocupação.

Jamil deixou as lágrimas escorrerem ao piscar. Rico olhava para ele com seus olhinhos grandes e brilhosos, embora toda a alegria que se possa ter neste momento, morra quando se olha para os tubos que o ligam para respirar. Eu só espero que isto mude quando a cirurgia a acabar. É uma esperança forte que eu preciso manter, ou juro que vou enlouquecer.

-Eu te amo muito, meu filho. — Eu digo também, para complementar. Ele não responde a nossos dizeres, por já estar sedado. De fato, foi um favor que nos fizeram, nos deixarem o ver antes que entrasse para a cirurgia. — Nós te amamos. Acha que ele vai ficar bem?

-Vai sim. — Jamil responde, sem tirar os olhos do nosso filho. — É um menino forte, e fica a cada dia mais.

-Com licença. — A enfermeira entrou, nosso tempo acabou. — Temos que o preparar para a cirurgia.

-Claro.

-Espero ansioso poder te segurar. — Ele disse baixo. — Até breve.

Eu também me despedi do bebê, o deixando com o coração na mão, mas com esperança de tudo ocorra como deve ocorrer e de que tudo fique bem com ele. Saímos, quando a enfermeira nos disse que não podíamos mais ficar.

Ele saiu na minha frente, eu fui mais devagar, olhando bem para ele, e dando todo o poder da minha torcida para que ele fique bem. Ao sairmos, ele respirou fundo, tiramos as roupas de proteção, indo para a sala de espera em seguida. Sentamos nós dois em silêncio, um do lado do outro. A tensão do momento está no ar e muito mais que isto, está a mágoa de antes.

Jamil se recusa a falar sobre o que meus pais disseram da última vez que os vimos.

Não que eu pergunte alguma coisa, mas ele também não fala nada. E eu prefiro evitar tocar na ferida. A atitude deles também me machuca bastante, mas eu prefiro manter tudo sobre somente para mim, para evitar mágoas e mais confusões. Não acho que possa lidar com mais do que já estou lidando no momento, minha força não vai tão longe.

-Vou tomar um café. — Jamil decidiu repentinamente, falando após algum tempo de silêncio. De cabeça baixa, ele levantou e esticou a mão para mim. — Quer vir comigo?

-Tudo bem... — Segurei a mão dele e levantei também.

Fomos para o lado de fora do hospital. A alguns metros, havia um foodtruck vendendo café e lanches na rua, com algumas cadeiras e mesas de plástico para as pessoas sentaram. O cardápio estava impresso em um painel de madeira, junto com os preços.

-Senta. — Apontou para uma das cadeiras. — Eu já volto.

Puxei a cadeira de plástico e me sentei. Encarei meus dedos que repuxava em nervosismo enquanto esperava. Jamil veio se sentar também poucos minutos depois, com dois copos em plástico com café quente.

-Você gosta com chantilly, certo? — Comentou ao entregar o meu.

-Gosto, mas...

-Eu tenho um pouco de dinheiro. — Garantiu, começando a tomar o dele. — Não pode ficar sem comer nada. Vai passar mal.

-Obrigado.

Eu tomei o café, era doce, mas estava muito quente, o abriu uma deixa para que assoprasse o mesmo, enquanto deixo meus pensamentos vagarem em sentimentos profundos e dizeres. Jamil me olhava de soslaio várias vezes, mas por vários minutos, não chegou a dizer nada. Isto é, até ele terminar de tomar o café e fixar seu olhar sobre mim.

-Victor... É isto que você quer? — Ele perguntou diretamente.

-Como assim? — Não entendi o significado da sua pergunta.

-Você quer desistir do nosso filho? — Repetiu, sendo em si, muito mais direto.

Coloquei o copo de plástico em cima da mesa, incrédulo por ouvir isto dele, agora.

-Quem disse isto?

-Eu andei pensando no que seus pais disseram e na vida que você tem... É muita pressão sobre seus ombros e no final das contas, você não queria ele. Por isto estou perguntando...

-Está pretendendo algo?

-Não. Mas não quero te pressionar a ser algo que você não quer ser.

-Não é você que me pressiona. Ele já nasceu, e isto já me faz pai, assim como você.

-Apesar da forma errada dos seus pais reagirem, eu sei que estão preocupados com você.

-Acha que eu sou incapaz de criar nosso filho?

-Não. Mas é o que você quer?

-Eu mal aguento ver ele desse jeito... Como pode?

-Não quero magoar você. Mas também não quero te prender.

-Não posso dizer que está tudo perfeito, quando não está e eu sei que tenho problemas, mas eu posso dar um jeito de lidar com eles. Eu sei tudo que eu disse antes, mas agora que ele nasceu, eu...

-Eu também amo ele. Quero que seja saudável e que viva do melhor jeito que puder.

-Só que em parte, eles têm razão, como iremos fazer tudo isto se nem temos as coisas que são necessárias?

-Eu fiz um empréstimo no banco. A resposta saí a amanhã. Vou comprar as coisas que ele precisa com mais urgência. Veremos o que poderá ser feito depois.

-Por que não me contou antes?

-Tudo que ando pensando é se ele vai ficar bem. Na cirurgia.

-Eu também.

-Devemos acreditar no melhor. Quando ele for para casa conosco, teremos um lugar para ele em casa e tudo que ele precisar. Pode ser pouco, mas com o tempo, poderemos melhorar. — Jamil esticou a mão e tocou a minha, a qual segurou com força. Eu agradeci por seu apoio. E encerramos o assunto por aqui, ao menos este. As horas seguintes passamos conversando sobre o que iríamos fazer e o que era melhor comprar para o bebê.

Passamos horas assim, conversando e podendo nos distrair deste momento. Quando ficou mais tarde, voltamos para o hospital. Esperamos na sala de espera por um tempo. Nos levantamos nós dois quando o médico João voltou para vir falar conosco:

-Tenho boas notícias. A cirurgia foi um sucesso. A recuperação pode ser um pouco lenta, mas em poucos dias, ele poderá ir para casa com vocês.

Jamil e nos abraçamos e nos beijamos emocionados. Ambos chorávamos, mas desta vez, de felicidade. Eu nunca tinha me sentido tão feliz assim por outra vida. Apesar de tudo, acho que estou começando a entender o que significa amar um filho e espero aprender o bastante para saber o que é ser pai.

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-Segure com cuidado a cabecinha dele, e mantenha o corpo firme com os braços. — Me instruiu o médico ao passar meu filho para meus braços pela primeira vez. Comigo sentado nesta cadeira parece mais fácil, mas não é. É uma emoção estranha o ter nos meus braços, com seus grandes olhos castanhos me fitando e as mãozinhas sendo chupadas por sua boquinha.

-Assim? — Digo, tentando acertar na forma certa de o manter nos meus braços, já que tenho tido dificuldades com esta parte.

Este dia foi tirado somente para isto, e hoje, nós vamos finalmente o levar para casa. E é uma emoção estranha, mas boa. Também fico aliviado de termos as roupas que Jamil comprou quando eu ainda estava grávido, apesar de serem poucas, ajuda neste momento de necessidade.

-Isto. — Respondeu, ajeitando a cobertinha branca que o cobria na parte de baixo, a roupa roxa com desenhos de dinossauro ficou linda nele. O médico se afastou depois que consegui o manter no meu colo do jeito certo.

Jamil se ajoelhou ao meu lado, apoiando a mão sobre meu ombro.

-Ele é lindo.

O médico que nos observava, nos questionou:

-Como se sente?

-Não sei. — Respondo. A emoção no meu peito é grande, meus olhos se encham de lágrimas. É uma emoção que eu não sei explicar, mas que sinto com força. — Me sinto estranho, mas...

-Pode levar um tempo, mas você vai se acostumar a manter ele no colo assim. — Explicou o médico.

-Obrigado.

-Ele é tão fofo e ainda tão pequeno.

-Ele vai crescer mais. — Comentou de novo, o doutor.

Eu assenti. Olhei para ele, me focando em seus traços, os cabelos começaram a crescer, são poucos, mas já estão crescendo e são claros, o nariz é redondo e fino, a pele bem moreninha e os olhos castanhos, da mesma cor dos de Jamil. O corpo pequeno, parece ser tão frágil, mas ao mesmo tempo tão fofo.

-Ficou bonito nele.

-Você tem um bom gosto. — Digo eu para Jamil.

-Vamos escolher outras destas.

Olhei para o lado. Seus olhos brilhavam e se focavam totalmente nele.

-Quer segurar ele também? — Pergunto para Jamil.

-Quero.

O doutor João o tirou dos meus braços e ajudou Jamil a segurar. Impressionante, ele se mostrou bem mais confortável e mais habilidade em segurar ele. E também bastante confiança, ao o balançar levemente em seus braços.

-Meu lindo menino.

Não foi fácil ter que esperar mais duas semanas para que o bebê se recuperasse bem da cirurgia. Mas foi um alívio quando o doutor João nos avisou de que ele pode viver uma vida quase normal agora, embora tenha que fazer inalação em casa e também tomar alguns remédios. Os remédios conseguimos de graça na farmácia do hospital, já o inalador, já é outra história, que sinceramente me deixou bastante preocupado. Já Jamil não se preocupou tanto, já que a alegria de segurar o neném dos braços pela primeira vez, é melhor e maior do que estas preocupações.

-Sobre o inalador, eu vou dar um endereço para vocês. — Falou o médico. — Levem meu cartão, o dono é meu amigo pessoal e ele vai fazer um belo desconto para vocês. — Ele tirou um cartão de visita do bolso, de uma clínica particular, que deve ser dele e me deu.

-Obrigado, doutor.

-Só sigam todas as instruções que eu dei, e ele ficará bem. — Recomendou ele. — Qualquer problema, podem o trazer para cá que eu dou uma olhada nele.

-Obrigado por tudo. — Eu agradeci.

-Disponha. — Respondeu de volta. — Vocês têm um belo e forte garoto.

-Vamos embora? — Jamil ainda com ele nos braços, me questionou. — Ainda temos muito o que fazer hoje.

-Sim.

Eu levantei, pegando a pequena mochila que trouxemos com as poucas coisas que temos dele, e também com a sacola de remédios que nos foi dada, para garantir o que ele precisa tomar por enquanto. Saímos da enfermaria, algumas pessoas nos encaravam, algumas com olhares feios e outras que soltavam curtos sorrisos. Ignorávamos todas.

-Ele é tão bonito.

-Os olhos grandes lembram os seus. — Falo eu.

-Mas ele é bonito como você.

-Não precisa me agradar.

-Será que vai dar para levar ele com a gente?

-Não temos escolha. Temos que comprar muitas coisas.

-Eu posso ir e você fica em casa com ele.

-Eu prefiro ir em você. É tudo novo para mim.

-Também é para mim.

Enquanto caminhamos pelo corredor, demos de cara com meus pais, que chegavam.

-Meninos. — Mamãe disse, fitando nos dois.

-O que fazem aqui? — Eu perguntei de mal humor.

-Precisam de ajuda? — Martha nos questionou, olhando para nosso filho.

-E querem ajudar? — Jamil questionou-os.

-Vão embora, por favor. — Eu peço.

-Eu e seu pai conversamos e achamos justo vir ver nosso neto. Conhecer ele. — Ela disse. Papai veio até nós, e olhou diretamente para Jamil.

-Posso?

Ele olhou para mim, que fiquei sem resposta. Acabou cedendo e passou ele para os braços do meu pai. Ele o pegou e se afastou em alguns passos. Mamãe ficou ao lado dele, o fitando.

-Um belo menino... — Disse ela, acariciando de leve a bochecha corada dele.

-E a saúde dele? — Gustavo quis saber, nos fitando.

-Vai precisar de alguns remédios e um inalador. — Respondeu Jamil.

-E vocês tem que como comprar?

-Vamos dar um jeito. — Digo eu, na defensiva.

-Comprei algumas coisas para ele pela internet, mas a entrega atrasou. Vamos sair para comprar outras hoje.

Mamãe franziu o cenho e questionou:

-E vão fazer isto você dois? Com ele?

-Precisamos fazer muitas coisas, eu preciso o ajudar. — Falo.

Papai o balançou levemente nos braços, o segurando com destreza.

-Bom, vamos dar uma carona para vocês.

-Não precisa. — Rebati.

-Não sou insensível a este ponto. — Falou. — Vamos.

-Só vamos. — Insistiu.

Nos entreolhamos, não queria concordar, mas como antes, Jamil falou por mim.

-Ok.

-Posso continuar com ele?

-Pode. — Jamil permitiu.

Ele se aproximou do meu pai, o ajeitando na cobertinha.

-Filho, posso falar rápido com você? — Eu dei a Jamil as coisas do bebê, eles foram na frente. Minha mãe me puxou de lado. Antes dela começar, eu já falei antes.

-Eu não quero e não vou ficar discutindo com você sobre.

-É isto mesmo que você quer, Victor?

-É tarde para falar assim. — Digo.

-Victor, você sabe da história minha e do seu pai. Só não queremos que seu filho tenha a mesma criação que nós tivemos, que eu tive. Eu não gosto de falar sobre isto, mas... Seu avô me odiava pela forma como me teve, e demonstrou isto até o último dia de vida dele. Tudo se complicou quando eu engravidei, ele foi obrigado a casar e a farsa foi mantida. Mas ele nunca me amou, nunca e eu só não quero que esta criança tenha o mesmo destino que eu tive. Nem o seu pai quer. Tudo o que queremos é o melhor para você e para esta criança, e uma criança deve ser criada com amor, e paciência. E nós não temos certeza de que vocês podem dar tudo isto a esta criança. Criar um filho é bem mais difícil do que parece.

-Eu estou ciente. Mas abandonar ele também não é certo e vocês me expulsarem de casa não é a forma certa de agir. Sinceramente, nunca pensei que vocês poderiam fazer isto. Sempre reagiram bem com o fato de eu ser Gay.

-Apesar de tudo, para ser sincera, eu nunca realmente acreditei na história do meu nascimento e nós nunca fomos checar se você... Foi um erro, eu admito.

-Mas foi uma escolha me expulsarem de casa e virarem as costas para mim.

Jamil voltou, me chamando.

-Victor?

-Vou indo. — Fui para o lado dele, minha mão foi segurada por ele. Seguimos para fora. Papai já estava na frente, murmurando algumas coisas para o bebê, com um leve sorriso no rosto. Não me comoveu no entanto, a mágoa que tenho deles ainda é grande.



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