História Distrito X - Capítulo 1


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Categorias X-Men
Tags Heroes, Marvel, Novos Mutantes, Releitura, Wild Cards, Wolverine, X-men
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Terminada Não
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Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Dia de Treinamento


Fanfic / Fanfiction Distrito X - Capítulo 1 - Dia de Treinamento

 Era a primeira vez que ela fazia o seu exame de natalidade, apesar da gestação já ter passado pelo quarto mês já havia algum tempo. A moça estava deitada na cama enquanto a médica passava o ultrassom em sua barriga coberta de gel. O ambiente era de otimismo, para a mãe e para o pai, que assistiam a imagem do feto sendo transmitida por um monitor. Mas isso não durou muito, a feição feita pela obstetra alarmou o casal. - Algum problema? - Perguntou o pai. A médica demorou a responder, ponderando como seria a melhor maneira de dar aquela notícia.

- O filho de vocês tem… O gene X.

Pranto saiu dos olhos da gestante onde antes só havia alegria. - Como ele será, doutora?

- Difícil dizer. Desde um novo einstein até uma pessoa sem ossos que vive em constante agonia.

O casal ponderou rapidamente e quase sem verbalizar um para o outro chegaram a uma mesma decisão. - Dá para abortar?

- Sim. - Respondeu a obstetra. - Só teoricamente eu temo. Nesse estágio da gravidez entrar com uma ação abortiva pode demorar mais do que a gestação em si. - Tempos depois, o bebê malquisto nasceu. A mãe soube de sua desgraça quando um pio agudo se fez presente ao invés do choro de uma criança. As enfermeiras e cirurgiões não sabiam direito o que fazer com aquela “coisa” meio humana meio pássaro que acabara de nascer. Resolveram então seguir o procedimento e entregá-lo aos cuidados da mãe. Má ideia.

- Tira esse monstro de perto de mim! - O pai entrou na sala e apanhou seu filho indesejado. O homem olhou para o seu rebento com ódio na face, uma expressão estranha demais para o bebê, que havia acabado de nascer, entender. Desrespeitando a lei médica, o pai do mutante o levou até o seu carro e se desfez dele. Muitas quadras distantes do hospital, o pai jogou o bebê em uma grande lixeira. O lugar que ele achava ser o mais apropriado para aquele “monstro”.

Hoje. A viatura patrulhava os arredores do Distrito X com um mutante pássaro no volante e um oficial negro mais experiente no carona. Em três horas daquela tarde, Bill viu mais pessoas estranhas do que no resto de sua vida pregressa. Gente de toda a cor (literalmente), com formas extravagantes ou capazes de coisas impossíveis. - Antes de entrarmos numa missão preciso saber de uma coisa, Bico.

- Fale.

- Você é em primeiro lugar um policial ou um mutante?

- Em uma troca de tiros eu vou cobrir sua retaguarda, se quer saber. - Interrompendo a conversa da dupla, um pedido de ajuda se fez presente através de uma chamada de rádio. O endereço foi dito detalhadamente assim como a natureza da ocorrência. Briga de casal, nada que Bill já não tivesse lidado antes. Ou assim ele pensava. Muita gritaria e barulho foi ouvido saído de dentro da casa. Bill, que estava na frente, tirou sua arma do coldre já se preparando para o pior. A porta estava entreaberta e, antes mesmo de ver quem era o casal em guerra, Bill deu voz de ordem. O homem parecia ser o mais capaz por isso Bill deu muito mais atenção a ele. A mulher era só uma idosa com a pele muito ressecada e de corpo pequeno e mirrado. - Bill! Não dê as costas para ela! - O soco em sua coluna pareceu ter sido resultado de um atropelamento. O policial foi arremessado pelo impacto até o outro lado da sala, até se chocar contra uma parede.

Quase uma hora depois, Bill acordou deitado na maca de uma ambulância. - Que dor nas costas filha da puta! Alguém anotou a placa do carro?! - As expressões faciais de Bico eram difíceis de traduzir já que ele era mais pássaro do que homem. Mesmo assim, Bill teve a impressão de que seu colega achava graça do seu estado.

- As aparências enganam. - Disse Bico. - No Distrito X mais do que em qualquer lugar.

Sair para as outras áreas de Nova York só era possível com roupas grossas, que cobrissem as suas características mutantes. Devido a isso ele adorava dias de chuva pesada, onde todos os cidadãos da cidade pareciam andar a passos largos olhando para baixo. O dom do mutante de pele azul e cabelo punk grisalho era único, até mesmo entre os seus. O sistema digestivo de Larval era separado do seu corpo, na forma de duas larvas que ele batizou de Eany e Meany. Essas duas larvas comiam praticamente tudo o que viam pela frente e quando voltavam ao seu dono entravam em sua barriga para que ele pudesse receber os nutrientes que obtiveram. O pacote do seu dom mutante veio com superforça e regeneração rápida, mas nada de muito assustador se comparado com outros que também possuíam essas habilidades.

Em alguns casos raros, o gene mutante não se manifesta em uma criança filha de um casal mutante. Os pais de Agatha achavam que esse era o caso dela, mas tudo mudou quando a garota completou treze anos. Começou com uma falta de ar aflitiva que fez com que os pais da menina acreditassem que ela estava engasgando por ter colocado alguma coisa na boca. Após muito esforço o objeto que obstruía sua respiração foi expelido. Um ovo. - Meu Deus! - Exclamou a mãe. O casal tentou jogar o ovo fora, mas não conseguiram na primeira tentativa. O primeiro empecilho era a filha, que estava disposta a cuidar daquele ovo tal qual uma mãe cuida de um bebê. Aproveitando-se que Agatha demoraria na escola por causa de um trabalho escolar qualquer, o pai da menina jogou fora o ovo na primeira lixeira mais próxima da sua quadra.

- O que está fazendo?! - Perguntou o punk de pele azul. Larval.

- Não é da sua conta!

- Quando um homem descarta alguém da minha espécie como se fosse lixo, é sim.

- É só um ovo.

- Tem vida aí dentro, eu sinto. Vida mutante. - O pai de Agatha tinha medo de que o dom recém-despertado de sua filha a transformasse em uma máquina de botar ovos cheios de aberrações. Aberrações como aquele homem azul, em sua opinião. Entre os mutantes havia um nível de status social na qual os que tinham aparência humana se sentiam em melhor posição daqueles tidos como deformados. - Algo de poderoso nascerá desse… - O homem atirou o ovo no chão, mas em vez de matar a vida contida ali dentro, o ovo eclodiu. Um dinossauro aparentemente carnívoro, similar a um T-Rex, só que vermelho. Seu desenvolvimento parecia mais com magia do que com ciência, o dinossauro cresceu até a sua altura máxima em menos de cinco minutos.

- Está com fome, grandão? - O dinossauro parecia estar ciente de quem havia atentado contra a sua vida e respondeu a pergunta de Larval com um rugido. O pai de Agatha desesperado implorou pela misericórdia tanto dos homens quanto dos deuses até que o primeiro dente do dinossauro mutante atravessasse um ponto vital.

- Afrodescendente, aproximadamente um metro e setenta de altura, trinta e nove anos, homo superior, capaz de enxergar energia. Oquei. - Enquanto Bill anotava as características físicas do desaparecido, o seu parceiro, Bico, conversava com a esposa deste.

- Se a senhora tiver algo a dizer, a oportunidade é agora. - A mulher estava visivelmente envergonhada, mas, sabendo que aquela informação contribuiria com a procura do seu marido, ela contou.

- Faz um mês que minha filha cuspiu um ovo. Foi quando sua peculiaridade mutante se manifestou. Eu e meu marido temíamos o que aquele ovo traria consigo quando chocasse. Por causa disso o meu marido tentou se livrar dele, desde então ele desapareceu.

- Sua filha. Posso vê-la? - Bico foi levado ao quarto da criança. Ela se encontrava deitada em sua cama, ardendo em febre.

- Ela está doente desde que foi separada do seu ovo. - Disse a mãe. - Levei ela para quatro pediatras, mas nenhum deles soube tratar seu estado clínico.

- Ela deve ter alguma relação simbiótica com o ovo. Se a senhora me der licença, eu poderia…

- Claro.

Bico caminhou com cuidado em direção da criança para testar se ela teria medo de sua aparência. O rosto da menina era receptivo, algo com a qual o policial não estava habituado. Ele se ajoelhou para que seus olhos ficassem ao mesmo nível dos da criança e então começou um diálogo: - Oi, flor. Fase ruim essa que está passando, não?

- Fome.

- Quer comida? Posso mandar alguém trazer um…

- Eu, não. Ele.

- “Ele” quem?

A viatura corria em alta velocidade sendo guiada por Bico enquanto Bill usava o rádio. - Precisamos de apoio, estamos em busca de… - O policial humano teve que respirar fundo antes de continuar. Por um bom momento ele julgava aquela informação ridícula. Principalmente por ela não ter uma comprovação mais concreta do que um testemunho de uma criança febril. - Um dinossauro vermelho ou algo desse tipo. Puta que pariu, não acredito que falei isso mesmo. - Ao contrário do que Bill esperava, não foi escarnio que ele ouviu quando obteve uma resposta. Um endereço e um pedido de socorro. Ao chegarem no local, uma confusão de raios e gritaria encabeçada por uma fera que deveria estar extinta, mas que saiu do estômago de uma menina. - Que porra é essa?!

- Bill, você precisa saber uma coisa.

- O que é?

- Se essa criatura tiver mesmo uma relação simbiótica com a menina, o que tudo indica, nós não podemos matá-la.

- E como detemos um monstro de três andares? - Mexendo os braços como uma ave que bate asas, Bico voo até ficar alto o suficiente para chamar a atenção do monstro. - O que vai fazer, maluco? - O dinossauro assim que viu o homem-pássaro tentou mordê-lo. Fazendo de si uma isca, Bisco atraiu o gigante para onde queria. Quadras dali, na casa onde morava a “mãe” daquela criatura. O plano se desenvolvia como planejado até que Bico foi derrubado por um encontrão com o focinho do gigante escarlate.

- Não! - A mãe tentou impedir sua filha de sair de casa, mas a menina era mais esguia do que esperado. Ela e o policial temeram que o dinossauro abocanhasse Agatha, mas, ao invés disso, ele se agachou e abaixou a cabeça, como se em reverência. - O que… O que é isso?!

- Sinto muito, senhora. - Disse Bico. - Esse mons… O dino… Enfim, ele é parte de sua filha.

Fim de expediente, Bill arrumava a sua mesa e conversava com o seu colega enquanto este preparava o relatório do último caso. - Quer dizer que a menina é indiretamente responsável pela morte do pai?!

- Bem… É.

- Isso acontece…?

- “Com frequência”? As vezes sim.

- Tá certo. E como a garota vai ter uma vida normal com a companhia daquele bicho?

- “Normal”? Nenhum mutante tem esse privilégio. Quanto a Agatha, a mãe dela a matriculou em uma escola especializada em “crianças especiais” em Westchester.

Anos atrás, um bebê mutante chorava em busca do leite e calor materno que lhe fora negado. - O que temos aqui? - mãos azuis pegaram aquele rebento e o acariciaram. - Pobre coitado, tem gente que não merece ter filhos. - O punk azul já perdera a conta de quantos recém-nascidos de aparência única resgatou. Era comum humanos ou mutantes “bonitinhos”, despejarem suas vergonhas no lixo. - Um dia tudo isso vai mudar. - Disse Larval enquanto levava o bebê até o prédio abandonado que dividia com outros mutantes sem teto.

Ele tinha aparência normal, não precisava morar ali, mas, por ideologia, ele preferiu viver em um ambiente insalubre do que na casa confortável de seus pais humanos. Algo que já fez com que caísse na graça da maioria dos moradores. Claro que um dom telepático tremendamente persuasivo também tenha sido de grande ajuda. Esse punk não passava de um garoto, seu cabelo era tingido de roxo e raspado nas laterais. Sua camisa dizia: “Magneto tem razão”. - Acho que conseguimos unir uns cem a nossa causa. - Disse Quentin Quire.

- Cem mutantes contra bilhões de humanos? Mesmo nós tendo uma certa vantagem é impossível. Principalmente se você contar os sentinelas.

- Nós precisamos um líder.

- Magneto está morto. Só para constar.

- Esses grandes heróis nunca ficam mortos para sempre.  



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