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História Distúrbio - Capítulo 10


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Notas do Autor


KKKKKKKKKKK quebrei a promessa.
gomen.

Capítulo 10 - Fim de jogo


 

DISTÚRBIO 

Capítulo 10 - Fim de jogo

 

— N — 

 

Não consegui dormir naquela noite, fiquei o tempo todo pensando em minha relação com Gaara, as coisas que ele havia dito, as coisas que Iruka havia me dito... Mas tinha outra coisa que tirava meu sono: Sasuke. Não havia tido notícias dele desde que pulei da janela, a falta de informações estava me matando. Se ele estava solto na clínica, provavelmente tinha conseguido fugir, isso me assustava. Não estava afim de esbarrar com ele em qualquer esquina, muito menos que ele resolvesse fazer uma visitinha surpresa.

 

Céus! Por que aquilo estava acontecendo comigo? Eu não suportava mais aquilo, era uma dor dilacerante, corroia-me. O pior de tudo era saber que eu não podia fazer nada, estava indefeso e sem minhas memórias.

 

Ah, as lembranças.

 

Eu sabia que elas poderiam me ajudar, mas como? Como eu poderia recuperá-las? E aquelas vozes... Se elas fossem o que Sasuke ouvia, ele tinha toda a razão do mundo para estar perturbado. A cada vez que eu fechava os olhos, era como se eu estivesse de volta aos corredores da clínica, ouvindo-as sussurrando em meus ouvidos.

 

— Naru? — ouvi a tão conhecida voz do Sabaku me chamar, fazendo-me ficar com o coração apertado.

 

Eu não estava preparado para falar com ele, para ouvi-lo dizer que me amava novamente. Era coisa demais pra mim, problemas demais e nenhuma solução.

 

— Gaara, eu não posso falar com você — suspirei, fechando os olhos para não encará-lo na porta de meu quarto.

 

— Não podemos ficar assim, temos que resolver as coisas — ele disse, dando alguns passos para frente.

 

— Já está sendo difícil demais para que eu aceite, ainda mais lidando com essa situação com Sasuke, então não insista, por favor.

 

Tomei coragem para olhar em seus olhos, deixando algumas lágrimas escaparem.

 

— Só queria dizer que eu preferia ter te conhecido em outra situação — ele suspirou, deixando meu quarto em seguida.

 

Fechei meus olhos, respirando fundo.

Eu ainda não sabia o que fazer em relação a Gaara, minha cabeça estava confusa, eu não sabia o que pensar. Nunca havia se passado pela minha mente aqueles tipos de pensamentos com meu próprio irmão, era loucura.

 

Foi então que tudo fez sentido. Lembrava-me perfeitamente da vez que Sasuke havia insinuado que eu e o Sabaku tivéssemos alguma coisa. O Uchiha sabia de muito mais do que eu imaginava.

 

Eu precisava achá-lo.

 

Precisava ajudá-lo.

 

Levantei-me de minha cama com lentidão, por mais que eu estivesse com pressa. Os cortes e as dores não me ajudavam muito.

 

Fui até meu guarda-roupa e peguei uma calça jeans, vestindo-a com dificuldade, enquanto sentia o tecido raspando em minhas feridas. Coloquei uma camiseta e uma jaqueta de couro, então calcei meus pés com o tênis. Fazia frio naquela manhã, parecia que uma grande tempestade estava por vir.

 

Desci as escadas com cuidado, sentindo minhas pernas doerem, mas eu tinha que aguentar, tinha que ignorar a dor e ir atrás de Sasuke. 

 

— Naru? — ouvi a voz de iruka. Virei-me para encará-lo na porta da cozinha. — Vai a algum lugar? Você não está em condições...

 

— Desculpe, tio — o interrompi. — Eu preciso ir, muitas vidas estão em jogo e eu sei que posso ajudar, não posso perder tempo.

 

Dito isso, simplesmente saí de casa, sentindo o vento gelado em meu rosto, vendo o céu se escurecer.

 

Mas, ao colocar os pés na rua, eu sabia exatamente para onde ir.

 

— S —

 

Havia passado a noite em claro, ouvindo aquelas vozes sussurrando em meus ouvidos, mandando-me matar Naruto.

Ele me torturava, machucava-me, fazia-me sentir dor para que eu pudesse atacar, porém eu simplesmente não conseguia.

Inventava desculpas para não invadir a casa.

Eu sabia que ele acabaria morto por minhas mãos, mas a ideia de fazer isso me matava aos poucos. Eu não era um assassino, nunca fora, só estava fazendo aquilo por libertação.

Só queria ter minha vida de volta, queria voltar no tempo e nunca ter entrado naquela maldita casa, nunca ter brincado daquele maldito jogo e nunca ter feito aquela maldita pergunta.

 

“Mate-o”.

 

“Logo”.

 

“Faça isso”.

 

“Liberdade”.

 

Ele sussurrava cada vez mais, minha cabeça doía, era como uma explosão.

Dez anos.

Dez anos aguentando tudo aquilo, aguentando aquele monstro em minha cabeça.

Desde meus quatorze anos que eu não tinha mais uma vida. Eu estava cansado!

Foi então que eu o vi saindo de casa, o rosto machucado e mancando. Naruto parecia determinado, um tanto quanto perturbado. 

 

“Vá!”.

 

Então eu simplesmente senti qual deveria ser o meu caminho.

 

— N — 

 

Estava determinado, nada poderia me parar. As pessoas passavam por mim e me olhavam em choque, como se estivessem surpresas por me ver daquela forma; machucado, destruído. Mas eu simplesmente não me importava, não daquela vez.

Estava na hora de tudo aquilo ter um fim. A noite anterior foi o estopim. Não tinha mais forças para combater o que quer que fosse aquela perturbação, tinha certeza que a alma sensata de Sasuke também não. Eu sabia que estava na hora de descobrir o que estava acontecendo. Era hora de me lembrar de tudo, por mais que pudesse ser doloroso.

 

Se eu poderia sair vivo?

Não sei.

 

Ainda não sabia exatamente com o que estava lidando, então não podia ter certeza se ficaria tudo bem. Tinha plena consciência de que era perigoso e eu poderia me machucar ainda mais, porém qualquer coisa seria melhor que aguentar o Uchiha tentando me matar todos os dias.

Minha cabeça rodava, meus machucados me importunavam, era difícil andar. No entanto era meu dever fazer aquilo, nada poderia me impedir. Era algo que vinha de dentro, um sentimento forte e que não podia ser distinguido. Algo como uma mistura de força, medo e obrigação.

Então, após longos minutos de caminhada, eu avistei a casa. O lugar onde tudo havia acontecido dez anos atrás.

 

Ela estava completamente destruída. Não apenas pelo tempo, mas também por vândalos. Algumas pichações se estendiam nas paredes do lado de fora, a grama estava alta no jardim, as janelas estavam quebradas e as paredes rachadas. A pintura, aparentemente antes branca, estava completamente suja e descascada.

Se estivesse de noite, com certeza seria uma cena assustadora.

 

De repente, assustei-me com um vulto passando em minha frente. Senti a mesma sensação em minhas costas, então me virei, não encontrando nada.

As coisas já haviam começado a ficar ainda mais estranhas.

 

Meus pés não obedeciam aos meus comandos de continuar andando e entrar na casa. Eu ainda tinha medo, muito medo. Não fazia ideia do que encontraria lá dentro, do que poderia acontecer. Mas eu tinha que entrar, tinha que descobrir os motivos para tanta loucura.

 

“Entre.”

 

Aquela voz soou novamente em meus ouvidos, fazendo-me voltar a ficar aterrorizado. Um calafrio percorreu meu corpo, então abracei a mim mesmo. Minha boca começava a tremer, eu estava apavorado. 

No entanto tinha que continuar.

Mesmo relutante, comecei a andar pela grama alta, engolindo em seco a cada cinco segundos. Minha respiração estava acelerada e eu sentia meus olhos começando a se encherem de lágrimas. Eu estava desesperado e sozinho, meu temor aumentava a cada segundo.

 

“Continue.”

 

Droga! Por que eu ouvia aquelas vozes? Por que aquilo estava acontecendo comigo?

 

Por favor, Deus, ajude-me.

 

Ao chegar em frente à porta, meu estômago começou a revirar. Eu sentia arrepios e mais arrepios, mal me aguentava em pé. Algo me dizia que eu tinha uma grande possibilidade de desmaiar a qualquer momento, e não seria legal que isso acontecesse ali dentro.

 

Empurrei a porta de madeira com cuidado, ouvindo-a ranger. O som ecoou por todos os lados, já que estava tudo completamente vazio e em silêncio.

Lá dentro estava escuro, como se fosse noite. Nem luz do dia havia para que entrasse ali. As nuvens ficavam cada vez mais carregadas e o céu mais escuro, não havia dúvidas de que começaria a chover muito em breve.

 

Forcei meus pés a darem passos para frente, entrando na grande sala empoeirada. Assim que o fiz, a porta se fechou sozinha atrás de mim, fazendo um grande estrondo e alguns quadros que estavam pendurados nas paredes caíram com o impacto.  

Tentei abri-la novamente, mas estava trancada.

 

Sem chances de saída.

 

— Olá?! — gritei, sentindo minhas mãos tremerem. — Tem alguém aí?

 

Olhei para todos os lados, vendo que tudo continuava em silêncio, quieto.

Até um dos vasos cair e se quebrar.

 

— Eu não sei quem você é ou foi — engoli em seco. — Mas, por favor, deixe-me em paz. Deixe Sasuke em paz. Nós não temos culpa de nada.

 

Outro vaso quebrado. 

 

“Você vai morrer.”

 

As vozes soaram como mil facas em meus ouvidos, fazendo com que eu sentisse uma pontada no estômago.

 

— Por quê? — atrevi-me a perguntar, desafiando. — Eu não me lembro de nada, não sei o que aconteceu naquela noite! Já não basta ter arrancado minhas memórias? — gritei com raiva, então comecei a sentir um forte vento contra mim, fazendo-me cair no chão.

 

Então, como mágica, imagens do passado começaram a aparecer em minha mente.

 

Eu estava em casa, discutindo com Gaara porque ele não queria que eu saísse com ele naquela noite. Era meu último dia na cidade e ele havia me proibido de ter um pouco de diversão.

 

Lembrava-me da raiva que senti, lembrava-me de decidir ir atrás dele. E foi exatamente o que eu fiz. Fui atrás de Gaara, ele estava com Sasuke e mais quatro pessoas, todos eles rindo e bebendo. Sabia que se chegasse perto eu iria me ferrar, então continuei observando de longe.

 

Acompanhei-os até a casa, vi-os entrar. Escondi-me na grama e fiquei olhando tudo por uma das janelas. Eles se sentaram no chão da sala e começaram a jogar o famoso jogo do copo. Naquele momento, lembro-me de ter achado ridículo.

 

Eu não escutava muito bem o que eles diziam, mas pude saber exatamente qual foi a pergunta feita pelo Uchiha. 

 

— As pessoas da cidade falaram que esta casa é assombrada, disseram que alguém havia morrido nesta casa. Quem matou você? Foi uma mulher?

 

Não tinha alcance para ver a resposta para a qual o copo se moveu, mas o que eu vi depois foi muito pior. Todos os outros cinco foram forçados a fechar seus olhos, as janelas começaram a se mover rapidamente com o vento forte que se instalava. Algumas luzes ligavam e apagavam. Coisas eram jogadas contra a parede. Sasuke estava com os olhos arregalados, como se estivesse em choque.

 

Então eu vi. O espírito de um homem apareceu ao lado de sasuke então ele se transformou em fumaça, essa que entrou pelas narinas do moreno. Ele parecia sufocado, sua barriga não se mexia com a respiração. Eu estava imóvel, completamente sem reação. Minhas mãos tampavam minha boca, impedindo-me de gritar. Não queria que aquela coisa me notasse.

 

Porém foi em vão. Assim que a possessão de Sasuke terminou, seus olhos se tornaram assassinos, perturbados.

E ele olhou diretamente para a janela em que eu estava.

Seus olhos se fixaram com meus e eu pude ver a raiva crescer ali. O uchiha se levantou de onde estava, os objetos da casa se moviam pelo ar, mas nada o atingia. Eles abriam espaço para que Sasuke passasse.

 

A última imagem em minha mente foi de uma forte luz me atingindo, então eu estava na delegacia, com Gaara me xingando por tê-los seguido. E eu não me lembrava do ocorrido com Sasuke na casa, simplesmente esquecera.

 

Meus olhos se abriram com tudo, então eu enxerguei o teto da casa. Tudo estava calmo novamente, como se nada tivesse acontecido.

 

Tentei me levantar, porém minha perna doía. Olhei em volta, parecia noite ali dentro. Lá fora começava a trovejar e relampejar. Comecei a escutar barulhos estranhos, como se alguém estivesse se aproximando. A chuva começou a cair de uma vez, forte e arrasadora.

 

— Quem está aí? — gritei, começando a me arrastar pelo chão, indo de encontro até a parede da escada e me encostando ali, encolhendo-me.

 

“Morra.”

 

— Pare!

 

Escutei o barulho de várias coisas de vidro sendo quebradas, assustando-me. Quando percebi, as lágrimas já escorriam pelo meu rosto, mas eu não chorava por querer, simplesmente acontecia, era incontrolável.

 

— Naruto! — ouvi uma voz rouca chamando, eu sabia que era de Sasuke.

 

Encolhi-me ainda mais no canto, tampando minha boca. Ele não podia me encontrar, não podia me ver. Ele havia tentado me matar, eu não podia arriscar ficar cara a cara com o mesmo.

 

— Naru... — sua voz estava cada vez mais próxima, parecia calma, não tinha o tom maldoso de sempre. Ele estava diferente, mas não sabia se era enganação ou verdade.

 

Eu tinha minhas lembranças de volta, mas o espírito não o havia deixado, não seria tão fácil assim. Não podia ser.

 

— Ele não está aqui. Está tudo bem, Naruto, você pode sair.

 

Lembrava-me daquele jeito suave de falar, eu ouvia todos os dias quando ele trabalhava na cafeteria. As risadas que ele dava com Gaara, o jeito que sempre desviávamos o olhar um do outro... Ele era meses mais velho que eu, éramos da mesma escola, estávamos sempre na cafeteria, mas nunca havíamos nos falado.

Eu me lembrava. Lembrava-me de achá-lo atraente, bonito e aparentemente simpático. Lembrava-me de ter vergonha quando ele me olhava.

 

Ele me olhava.

 

Sim, agora todo o passado estava claro em minha mente. Todas as lembranças apagadas estavam de volta, exatamente todas. Eu só não conseguia entender o real motivo para que elas tivessem sido apagadas.

 

— Sasuke — disse um pouco baixo, mas alto o suficiente para que ele pudesse escutar.

 

Comecei a me arrastar pelo chão de novo, começando a sair de onde eu estava. O uchiha se virou para me encarar, então correu em minha direção e se abaixou em minha frente, olhando-me por inteiro.

 

— Você está bem? — seus olhos demonstravam preocupação. Ele não estava possuído, não naquele momento.

Mas até quando estaria daquela forma?

 

— Onde ele está? — perguntei, começando a chorar compulsivamente. — Eu não aguento mais, não aguento mais — disse, tampando meus ouvidos e fechando os olhos com força. 

 

— Não sei onde está, não sei quando vai voltar. Ele nunca me deixou, Naruto, não sei o que está acontecendo — Sasuke me abraçou, deixando-me chorar em seu ombro.

 

— Ele está brincando conosco, Sasuke — consegui dizer, olhando em seus olhos. — Agora eu me lembro de tudo o que aconteceu naquela noite, lembro-me de todos os momentos em que já estive com você.

 

— Eu sempre me lembrei, Naru, sempre. Mas ele não me deixava sentir, não permitia que eu me importasse. Todas as consultas... Era como se eu estivesse morto, meu verdadeiro espírito estava preso, enquanto ele falava aquelas coisas, torturava-me fazendo-me inútil.

 

— Precisamos acabar com isso — suspirei.

 

— Eu se... — Sasuke não conseguiu terminar de falar, seu corpo foi jogado para longe do meu, batendo contra a parede, fazendo várias coisas caírem no chão.

 

“É a minha vez.”

 

Tentei me levantar novamente, apoiando-me no que tinha pela frente. Minha perna ainda doía, mas consegui me manter de pé. Sasuke estava desmaiado, mas eu não conseguia ir até ele, era como se tivesse algo me bloqueando.

 

Então eu tive que assistir a imagem dele se contorcendo em minha frente. Ele havia acordado, estava sofrendo, com dor. Ele gritava, tentava se livrar daquilo, porém nada podia ser feito.

 

As lágrimas rolavam sem parar por minhas bochechas, eu gritava para que aquilo parasse, implorava.

E foi a minha vez de ser jogada contra a parede.

 

A dor em minhas costas era dilacerante, eu mal conseguia respirar, era como se estivessem enfiando uma faca em mim.

— Sasuke.. — consegui sussurrar,

estendendo minha mão, como se daquela forma eu fosse conseguir alcança-lo.

 

“Vingança.”

 

Um urro de dor de Sasuke me fez fechar os olhos com força. Eu estava sofrendo junto com ele. Cada grito era como uma facada em meu peito. Era insuportável vê-lo daquela forma.

 

— Por favor, pare! — usei toda a força que eu tinha para gritar, enquanto o choro compulsivo não me deixava. 

 

E tudo se acalmou novamente.

 

O moreno estava praticamente desmaiado, eu apenas conseguia ver seus olhos piscando com dificuldade. Ele olhava diretamente para mim, seus olhos imploravam por ajuda, mas também me diziam para correr.

 

— Corra — um gemido rouco e baixo escapou de seus lábios.

 

— Não vou te deixar — disse, esforçando-me para me mover.

 

Eu o amava, sabia que sim.

Por isso não podia corresponder a Gaara.

Meu coração já amava alguém, apenas não se lembrava.

 

A chuva caía forte lá fora, os trovões eram fortes, altos. Estava tudo escuro, não havia iluminação na casa.

Ainda com dor, arrastei-me novamente pelo chão. Sasuke parecia estar a uma distância maior que a real. Eu sentia as pontadas, sentia o medo percorrendo minhas veias. O uchiha estava perdendo os sentidos, eu tinha que fazer alguma coisa.

 

— Por favor, fique acordado — implorei mais para Deus do que para ele.

Finalmente consegui chegar até ele, então coloquei sua cabeça em meu colo. Ele estava mole, não conseguia se mover, apenas seus olhos não desviavam dos meus.

 

Então a porta da frente foi aberta com tudo, fazendo-me temer pela minha vida e pela de Sasuke. Uma sombra se instalou ali, eu não podia ver de quem era. Meu coração se acelerou, minhas penas bambearam. Minha única reação foi ir mais pra trás com Sasuke em meu colo.

 

A pessoa começou a andar em passos lentos, eu mal conseguia respirar, tinha medo e estava com raiva, no entanto também me preocupava com o homem em meus braços.

 

E eu consegui reconhecer a sombra, mas não acreditava que era aquilo mesmo que eu estava vendo. Meus olhos se arregalaram, entrei em desespero. Não sabia se me sentia aliviado ou se ficava ainda mais com medo.

 

— Tsunade-san? — sussurrei, vendo-a se aproximar ainda mais.

 

— Essa briga não é de vocês — ela disse com uma voz nada dócil.

 

— O que está acontecendo? O que você faz aqui? Do que está falando? — perguntei, tampando o rosto de Sasuke, trazendo-o para mais perto de mim.

 

Tudo começou a se agitar novamente. Coisas eram atiradas nas paredes, as luzes piscavam, um barulho horrível começou a nos atormentar.

 

“Ela é a culpada.”

 

“Ela me matou.”

 

“Assassina.”

 

Pela expressão no rosto de Tsunade, ela não conseguia ouvir o que eu ouvia. Ela ainda não sabia o que eu sabia.

 

Então tudo aquilo estava acontecendo por causa dela. Ela era a culpada, a assassina da história. Dez anos atrás Sasuke havia perguntado se uma mulher havia matado o antigo morador da casa, então ele pagou por aquilo.

 

Pagou por uma coisa que ela tinha feito.

A raiva começou a tomar conta de mim, eu estava furioso. Dez anos de sofrimento para Sasuke, todas as minhas lembranças apagadas, tudo por causa daquela mulher.

 

Falsa, ordinária.

 

Ela se fazia de amiga, dizia querer ajudar Sasuke, mas na verdade sempre soube o que estava acontecendo e só tinha medo de ir para a cadeia.

 

Devagar, retirei o uchiha de meu colo e o coloquei no canto, protegido.

Usei toda a raiva que eu tinha para me levantar, ficando frente a frente com Tsunade. Eu me segurava para não voar em cima dela, mas sabia que perderia uma briga, eu estava muito mal.

 

— Por que você o matou? — perguntei, rangendo os dentes. Ela parecia surpresa com minha pergunta.

 

— O que você sabe?

 

— O que ele me disse! A culpa disso tudo é sua, somente sua. Você o matou, agora eu e Sasuke estamos sofrendo, por que ele quer vingança!

 

— Não é bem assim, Naruto... — ela começou a dizer, mas um barulho alto vindo do andar de cima nos assustou.

 

Tsunade foi jogada ao chão, enquanto eu fui arrastado até ir de encontro com a parede. Um clarão apareceu diante de meus olhos, então eu não estava mais naquela casa. Estava apenas fisicamente, mas minha mente vagava novamente pelo passado.

 

Não sabia em que ano eu estava, mas com certeza era muito tempo atrás. Eu estava diante daquela mesma casa, mas ela era bonita, recém-pintada, o jardim era bem cuidado e o sol do dia fazia com que a paisagem ficasse ainda mais bonita.

 

Eu sabia o que estava acontecendo, aquele espírito estava me mostrando o que havia acontecido com ele.

De repente, eu estava dentro da casa, na cozinha. Tsunade preparava o almoço, tudo estava normal, até que ela tirou um pequeno potinho de seu avental, então despejou o líquido que tinha ali dentro na comida.

 

Algum tipo de veneno.

 

Minutos depois, ela levava um prato farto para a sala de jantar, onde um homem jovem e bonito lhe aguardava. Ela sorriu para ele, como se nada de mais estivesse acontecendo. Então Tsunade se sentou ao lado dele, vendo-o apreciar a comida envenenada.

 

Não demorou muito para que o homem começasse a tossir. Não havia água por perto e Tsunade nada fazia, apenas sorria enquanto o via se debater, perdendo o ar, morrendo aos poucos.

 

Estava de volta à casa abandonada, vendo a loira tentar se levantar, mas sendo impedida por uma força maior.

 

Ela era mesmo uma assassina.

 

Olhei para o lado, vendo que sasuke tentava se mover. Ele estava se recuperando, mas ainda não tinha forças suficientes.

Eu, por outro lado, já conseguia me mover. Aquele seria o fim, tinha certeza daquilo. Era a última noite de sofrimento para todos, no entanto não tinha certeza se todos nós sairíamos vivos dali.

 

— Por que eu tenho que morrer? — sussurrei para mim mesmo, mas eu sabia que ele me ouviria.

 

“Você sabia demais.”

 

— Eu ainda sei.

 

“Mas agora meu verdadeiro alvo está aqui.”

 

— E quanto a sasuke?

 

“Só preciso dele para uma última missão.”

 

Bastou que ele dissesse isso para que sasuke gritasse de dor. Então eu vi novamente a fumaça entrando por seu nariz. Ele estava sendo possuído, talvez pela última vez. 

 

O uchiha se levantou como se nunca tivesse se machucado. Ele andou pela sala, ignorando minha presença. Ele só tinha olhos para tsunade, aquele olhar assassino de sempre. Eu já sabia o que iria acontecer ali, mas nada poderia fazer para impedir.

 

Se era para ser o fim, então iria deixar que ele fizesse.

 

sasuke pegou um pedaço de madeira que estava no chão, então foi em direção à tsunade, sorrindo com vitória. Ela estava jogada no chão, não tinha forças para levantar. No entanto, antes que sasuke pudesse matá-la, ela o encarou.

 

— Eu amava você, Jiraya — choramingou, tentando se levantar, mas foi inútil. — Eu realmente te amava, mas você não soube valorizar. Trocou-me por aquela vadia, você me traiu! Você merece estar morto — ela cuspiu aquelas palavras, então eu vi a raiva crescer no corpo de sasuke.

 

Ele não hesitou ao levantar aquele pedaço de madeira no ar, então o desceu com rapidez e força até o peito de tsunade. Ela arregalou os olhos, então seus movimentos começaram a cessar, enquanto o sangue vivo escorria e manchava o chão.

 

De repente, o corpo de sasuke foi ao chão, enquanto eu via a fumaça sair de dentro dele, subindo, então desaparecendo quanto chegou ao teto.

 

A chuva começou a cessar no mesmo instante, pelas janelas eu podia ver que as nuvens davam espaço ao sol.

 

Havia acabado.

 

Finalmente era o fim.

 

Estávamos livres.

 

Meus olhos correram em direção ao corpo desmaiado de sasuke, então me forcei a levantar e correr até ele. Eu não sentia mais dor alguma, nem dos machucados da noite anterior. Era como se eu estivesse anestesiado. 

 

Anestesiado de amor.

 

Ajoelhei-me ao lado do moreno, então peguei sua cabeça e novamente ele estava em meu colo. O sangue sujava sua roupa branca da clínica, mas ele parecia bem. Ele estava vivo e parecia finalmente descansar após aqueles dez anos de tormenta.

 

Minha cabeça desceu até a sua, então eu juntei nossos lábios em um selinho. Sentia-me na necessidade de fazer aquilo, era a sede de dez anos falando por mim.

 

Seus olhos começaram a se abrir aos poucos, como se meu beijo tivesse sido o suficiente para despertá-lo. Era até engraçado que tudo aquilo tivesse acontecido para que acabássemos terminando com um típico final clichê.

 

— Acabou? — ele perguntou. O som de sua voz rouca me causava os melhores arrepios já sentidos por mim.

 

— Acabou — sorri, abaixando-me para dar um beijo sua testa. — Estamos livres. Você está livre.

 

— Naru..— ele sussurrou, fazendo-me olhar diretamente em seus olhos. — Eu sempre te amei.

 

 

Eu também, Sasuke. Eu também. 

 

 

 

 


Notas Finais


fav se gostaram, comentem qualquer coisa.
me esperem, ainda haverá mais uns dois (??) cap para enfim, haver um desfecho de “distúrbio”.


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