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História Divergência de Destinos - Capítulo 12


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Notas do Autor


Fala, povo!
Mais um dia de capítulo, hein? O que vem achando da história? Estou muito feliz que as visualizações estão sempre subindo, então espero que estejam gostando tanto quanto eu!!
Na quarta, Yudi finalmente apareceu de novo e Aoi parecia nervosa que os dois guardam um segredo... O que será que esses dois estão escondendo? Algo me diz que vamos descobrir já já hehehe
O que importa é que a Tríade voltou! Então, sem mais delongas...
Boa leitura, meus amores :3

Capítulo 12 - Capítulo 12


Já chegando no terceiro andar, All Might tinha um sorriso que chegava aos olhos, com o garoto parecendo feliz com a animação do herói.

-Devemos fazer silêncio... - dizia o herói, orgulhoso - Não sabemos se ela está...

-MAS QUE MERDA VOCÊS DOIS ESTÃO FAZENDO?! SE NÃO ME DISSEREM AGORA...! - eles ouvem os gritos de Aoi, com os dois correndo na direção do quarto.

-Que barulho todo é esse? - grita o adulto, batendo a porta.

Tora suspira, aliviada, fazendo um joinha na direção do pai.

-Sempre com o melhor timing, grande herói... - ela parecia aliviada.

Aoi, no entanto, cruza os braços e vira o rosto, irritada.

-Tsk, salva pelo gongo... - diz ela, estralando a língua.

-Não devia estar descansando, mocinha? - ele briga, na direção de Tora - Que reunião é essa agora? Não é hora de pensar em trabalho!

-Ah, mas não é trabalho não. - diz a filha, rindo baixinho - Acredite se quiser, é reunião de família. - ela mostra a língua para a mais velha, com ela respondendo da mesma forma, mas a caçula pega a mão do irmão - Valeu, Yu-nii...

Ele sorri em resposta.

-Tudo que importa é que está a salvo. - o mais velho beija a testa da caçula - Já vou indo então.

-Hm, tome cuidado. - ela assentia, sorridente.

-Sempre. - ele faz carinho na bochecha dela.

Aoi o olhava, séria e fingindo desinteresse.

-Eu também...

-Nem pense nisso. - ele nem permite que a irmã termine a frase - Conto com você para cuidar da Tora.

A mais nova sorri, concordando com o mais velho e Aoi suspira, contrariada.

-Eu que sou a líder sabiam? - ela tinha uma feição emburrada e os braços cruzados.

-Tá, tá. - ambos dão de ombros, com Yudi saindo depois de beijar a testa de Aoi.

Tora nega com a cabeça, sorrindo. Depois, ela olha na direção do pai.

-Você chegou cedo. - ele sorri e beija a testa da filha.

-Trouxe visitas.

-É, eu vi. - ela revira os olhos - Tem gente aqui também. - ela aponta para a porta e Torino entra - Ele já me deu a bronca do século por causa da missão... - ele bate na cabeça dela - Ai!- ela faz bico

-IDIOTA! - ele bufa, cruzando os braços - Quando eu peço informações, não quero dizer que quero que entre no ninho das vespas, sabia? - ele semicerra os olhos - Você é igualzinha ao seu pai.

-Quantas vezes eu tenho que falar que era o jeito mais eficiente. - ela ainda tinha a mão na cabeça - Ai, doeu...

O pai ri baixinho.

-Que bom que brigou com ela, sensei.

Ela parece indignada.

-E eu achando que você ia ficar do meu lado. - ela bufa, emburrada, mas acaba lembrando do assunto inacabado, se virando para o pai - Porque trouxe ele?

Ele ergue uma sobrancelha, cruzando os braços.

-Posso saber o que tem contra o jovem Midoriya?

Ela olha para as mãos, parecendo contar, antes de mostrar o número três para o adulto.

-Você tem três chances pra adivinhar. - ele revira os olhos, mas ela sorri de forma maldosa - Bom, pelo menos eu posso me divertir um pouco... - Torino dá um peteleco na testa da garota - AI!

-Já falei pra não tocar no garoto. - diz ele, voltando a se sentar, sério.

-Não preciso tocar para... - ele faz de novo e ela bufa - PARA COM ISSO!

-Tora, não finja que não percebeu o valor dele... - ele semicerra os olhos, sorrindo - Aoi nos disse que tem seus olhos nele desde o festival esportivo.

-Pra saber que ele não era digno. - ela vira o rosto, emburrada - Não sei como o pai te arrastou pra essa loucura também... - ela faz bico.

-Preferia o Mirio? - pergunta o herói aposentado, apenas para cutucar.

-Você sabe quem eu preferia que fosse. - ela responde mais brava que antes.

-Eu queria que fosse possível. - All Might pega a mão da filha.

-Já eu, acho melhor dessa forma. - Torino cruzava as pernas, apontando na direção da garota - Porque não quer conhecê-lo antes de julgar, Tora? - ele cruza os braços - Medo?

-E porque eu deveria conhecê-lo? - ela aceita o desafio, ignorando a parte do medo e fazendo o veterano rir.

-Porque quero que o treine. - ela parece ter sido pega desprevenida - Não mostre esses olhos vermelhos para mim. - ela apenas fica mais ereta - É perfeito! Você conhece o One for All melhor que qualquer um, com exceção de seu pai. Se uníssemos as duas formas de treinamento...

-Você espera... - ela diz, lentamente apontando para a porta - Que eu treine... ELE?!

-E porque não? - ele dá de ombros - Não é como se não estivesse curiosa. - ele ri - Além disso, vocês dois tem muito que aprender.

-Nem morta. - diz ela, virando a cara.

-Pense no assunto, meu amor. - Al Might acariciava uma das mãos da filha, que o lança um olhar irritado.

-A ideia foi sua, não foi?

-Eu... - ele suspira - Preciso de ajuda, Tor. Não pode fazer isso por mim?

-Sem olhar de cachorrinho pidão. - ela o olha com firmeza, mas acaba suspirando - Minha resposta continua sendo não, mas... - ela coça a nuca - Eu vou pensar.

-Já é melhor que nada. - ele sorri, olhando para a porta e para ela de novo - Pode ser boazinha?

-Tenho que prometer? - ela diz, sem paciência.

-Tor. - ele a repreende e ela revira os olhos.

-Tá, tá... - ela gesticula "tanto faz" - Juro que não entro na mente dele. - ela fica emburrada - Mas só porque o médico mandou...

O pai sorri e beija a testa da menor, abrindo a porta e revelando um Deku extremamente nervoso.

-To-Toshinori-san! - ele diz, todo vermelho.

Ela revira os olhos, levando a mão à testa.

-Pra que tão nervoso? Eu não mordo, sabia? - ela ri levemente, mas, ao perceber que Torino a olhava, ela limpa a garganta - Entre, herói Deku.

-Mais simpática que o previsto... - murmura o herói, com feições vitoriosas.

-Não finja que isso é uma coisa boa. - o pai, em compensação, parecia nervoso - O que ela está tramando...?

-Tora parece carrancuda, mas sabe bem como ela é. - ele ria - Principalmente quando está de olho em alguém. - ele assente, tranquilamente - Ela reconhece, só não aceita isso.

-Acha mesmo...? - o grande herói parecia surpreso.

-Ei, vocês dois! - ambos olham na direção da garota, que os olhava, impaciente - Querem meu relatório ou o que?

-Se sente bem para fazê-lo? - pergunta Torino.

-Honestamente? Eu só não entro na mente de todo mundo aqui para me liberarem por conta daqueles malditos jornais. - ela espreguiça - Ah, que pena que é chato ter que entrar nas mentes de todas as cidades. - o grande herói se senta ao lado da filha e analisa seu rosto de perto - Papai?

-Tigresa, é você e está tentando me enganar? - ele diz, sério, mas em tom de piada.

Ela revira os olhos, afastando as mãos dele enquanto ria.

-Engraçadinho! - ela suspira - Meu ponto é que já posso sair, estou ótima.

-Ainda vai ficar. - Torino nega com a cabeça e ela bufa - Mas tentarei convencer o médico a liberá-la amanhã, pode ser?

-Melhor que nada. - ela dá de ombros, mas seus olhos brilhavam com determinação - Querem as informações? - ambos olham na direção de Deku e ela dá de ombros - Ele pode ficar.

O pai parece surpreso, mas Torino apenas sorri, assentindo.

-Tudo bem então... - ele pega o relatório de Aoi resumido - Peguei a maior parte das informações com Aoi, mas... - ele a lança um olhar sério - Tora, porque protegeu Chisaki? - ele semicerrava os olhos - E porque incluiu seu irmão nisso?

Ela apenas faz bico, olhando para cima, sem parecer nada surpresa.

-Você sabe sobre isso, é?

-Você defendeu aquele MONSTRO?! - Deku se levanta da cadeira, surpreso e nervoso - Sabe o que ele fez com Eri-chan?

-É por isso que deixei o Tomura destruir um de seus braços. - ela tinha um olhar sombrio, ignorando o garoto e olhando na direção do mestre - E dou a minha palavra que ele irá apodrecer na Tartarus... - ela tinha feições orgulhosas - Depois que fizer uma coisa pra mim.

-Filha... - All Might tinha um olhar sério - Salvou Chisaki porque quer usá-lo?

-E porque mais seria? - ela diz, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo - Eu entendo que seria arriscado demais pedir a Eri e eu jamais faria isso. - ela olha na direção da janela - Mas se for por um bem maior... Estou disposta a usar um monstro.

-O que seria importante o suficiente para recorrer a Chisaki? - o pai pergunta.

Tora olha na direção de Torino, que semicerra os olhos, indicando que sabia o que ela pretendia. A garota sorri.

-Ele não foi o único que pensou em formas de me manipular quando nos vimos pela primeira vez. - ela suspira, pegando o copo de água ao lado da cama - Eu calculei o momento ideal para agir depois do chamado de Gran Torino, prevendo que ele acabaria se envolvendo com a União. - ela dá de ombros novamente - O resto, vocês já sabem.

-Não pode ser... - o pai parece perceber, mas ela apenas continua bebendo sua água, calmamente - Você vai...

-Retribuir um antigo favor... - ela tinha feições tristes, olhando o pai - Não se preocupe, papai, eu não faria nada a não ser que tivesse 100% de certeza que daria certo. - ela se vira para o mestre - Torino? - ela semicerra os olhos - Achou Gigantomachia?

-Então você sabia o nome dele... - ele diz, não tão surpreso.

-Tomura manteve fundo, mas consegui achar... - ela tinha olhos levemente frios.

-Estava exatamente onde disse que estaria, mas... - ele suspira, negando com a cabeça - Não consegui capturá-lo. - ele coça a nuca - Era ou ele ou Kurogiri.

Ela suspira.

-Entendo... - ela falava baixo, mas assentia - Fez uma boa escolha.

-E Tomura? - ela parece tensionar o corpo todo - Como ele chegou a All for One? - ela tinha os olhos voltados à janela, ainda em silêncio - Tor?

-Agora, eu não sei se era uma boa o garoto estar aqui... - ela responde, olhando na direção de Deku.

-Confio nele, Tor. - diz o pai, sério.

-Tudo bem, mas não foi o que eu quis dizer... - ela suspira - É pesado, pai. - era vez de All Might tensionar - Bem pior do que eu esperava.

-Tora... - o pai começava a tremer.

-Se eu pudesse escolher nunca ter visto... - ela nega de novo, olhando para Deku - Mas se acha que aguenta. - ela pisca, calmamente - Ninguém vai julgá-lo se sair. - ele apenas ajeita a coluna, com ela suspirando - Tudo bem, então... - ela se vira para Torino - Começou com o cachorro... - os dois heróis recuam - Depois a irmã... - o queixo de Tora tremia - Depois a mãe... - ela leva a mão à testa - Essas foram as mortes que ele não queria ter causado.

All Might parece relutante, então Torino dá um passo à frente.

-E o pai? - Tora apenas o olha com muita raiva - E Kotarou, Tora?

-Você quer dizer... - ela olha, sem vida, para o mestre - A primeira morte que ele realmente quis causar? - ela sente um vazio no peito - A morte que o fez se tornar... - ela sente ânsia, colocando a mão na boca e respirando fundo antes de continuar - Aparentemente, ele tinha raiva de heróis... - ela tremia, pondo a mão na testa - E descontava no próprio filho... - todos parecem congelar de surpresa e ela coça a nuca - Foi ruim... Bem ruim.  - ela coça a testa - Não sobrou ninguém depois disso. - ela tinha os olhos sombrios novamente - Não sabe quanto tempo ficou perdido até... Que ele o encontrou.

-Tenko... - All Might leva a mão à boca.

Tora percebe a confusão no rosto de Deku, mas volta a olhar o mestre.

-O nome veio logo em seguida e as mãos no rosto dele... - ela tem um calafrio - São as mãos das mesmas pessoas que tentaram chegar até ele, mas ele matou... - os olhos dos três se arregalam e ela sorri para Deku - Você é mais forte do que eu esperava.

-Então está confirmado? - ela volta a olhar Torino - Ele é mesmo Tenko?

-Infelizmente. - ela confirma, olhando para o maior herói - Pai, esqueça da ideia insana de salvá-lo. - ele recua, mas ela o olha, decidida e irredutível - Não há nada naquela mente que valha a pena proteger.

-Tora... - ele diz, coçando a testa.

-Você tem certeza? - pergunta o mestre, igualmente decepcionado.

-Mesmo sabendo de tudo, estava pronta para matá-la eu mesma, nem precisava da Tigresa. - ela suspira - Pai, ele é perigoso. Um psicopata. - ela tinha nojo na expressão - Aquele garoto que ele foi um dia... - ela fecha os olhos, negando - Eu diria que foi a primeira pessoa que ele matou.

Ele é neto da mestra do papai. Deku a olha com surpresa, encontrando os olhos de Tora sobre ele, mas com uma calma compreensiva. Pela sua cara, parecia que não sabia.

-All Might... - sussurra o herdeiro, olhando para o maior exemplo de justiça.

A primeira vingança de All for One para quebrar seu espírito... A voz surge novamente em sua mente.

-Primeira...? - ele sussurra.

-Sei que quer tentar salvá-lo... - ela ignora a dúvida atual do garoto, voltando a alertar o pai - Mas ele vai apenas matá-lo sem piedade. - ela aperta os lençóis com força - Foi pra isso que All for One o criou.

-Mais alguma coisa? - All Might parecia incapaz de falar, então o mestre fez a pergunta.

-O sucessor na produção de nomus. - os três voltam a olhá-la - Um doutor... - ela tinha os olhos fechados, tentando pegar o máximo de informação em sua mente - Não sei nada sobre ele porque Tomura tinha instruções vagas de como achá-lo, mas... - ela assente, abrindo os olhos - Acho que sei como encontrá-lo e será meu próximo passo.

-Não quero que se meta com a União por um tempo. - rebate Torino, irredutível.

-Não quero que me trate como fraca, Torino. - retruca ela, igualmente afiada.

-Não estou. - ele diz, simplesmente - Suas ordens que mudaram. - ele olha os papéis, anotando algumas coisas - As receberá ao final do dia.

-Entendido, Torino-sensei... - ela se curva de leve, mas o olha, com olhos de felino - Mas esse médico. - o herói aposentado a olha, sério - Ele é meu.

-Conhece ele? - Torino semicerra o olhos.

Ela apenas desvia os olhos na direção da janela.

-Sobre os Yakuza... - diz ela, tão séria quanto antes.

-Lá vem ela mudando de assunto. - ele ria, revirando os olhos.

Ela o surpreende, quando também ri em resposta.

-Ah, mas é algo que te interessa... - ela olha na direção de Deku, surpreendendo o rapaz - A menina. Eri... - ele quase dá um pulo, mas Tora se vira na direção dos adultos - Ela é neta do líder de Shie Hassaikai que veio antes de Chisaki.

Os três parecem, novamente, surpresos.

-Como você sabe que ela era neta do líder original, Tor? - pergunta o pai, com a voz baixa pela surpresa.

Ela fica cabisbaixa.

-Eu conversei com ele... - ela diz, baixinho.

-Usou demais de Controle Absoluto, não usou? - ele tinha olhos preocupados e ela assente.

-Foi uma das coisas que me ajudou a manter o personagem... - ela se recosta na cama, com a mão na testa - Além de eu estar sem meu freio preferido. - ela ri, olhando, séria, para frente - De qualquer forma, Eri é a neta dele. O coroa era contra tudo que o Chisaki queria... - ela parecia ter tristeza no rosto - Ele achava que era errado se unir aos vilões e... Bom... - ela dá de ombros - Terminou com ele em coma e Chisaki como novo líder, mas essa parte vocês já sabiam. - a porta se abre novamente, com Nezu aparecendo - Sensei? - a garota parecia surpresa.

-Parece que terminou o relatório, então cheguei em boa hora. - ele dizia, com um sorriso gentil.

Ela curva a cabeça, em sinal de respeito.

-Contei tudo a Nee-san essa manhã antes dela ir para a U.A. e ela disse que ia escrever tudo e deixar na sua mesa até amanhã.

Ele assente e olha em volta.

-E onde está o resto da Tríade?

-Nee-san provavelmente caçando o Yu-nii. - ela ri, gesticulando para que não se incomodassem - Logo ela desiste, sabe melhor que qualquer um que Yu-nii é um mestre em se esconder.

-Por isso que pediu que ele escondesse Chisaki? - ele semicerra levemente os olhos.

Ela apenas o olha, sorrindo.

-Eu vou devolvê-lo. - diz simplesmente.

-Eu sei que vai. - ele estava calmo, fechando os olhos - E sei que é porque está com pressa para ter alta e, por isso, vim com uma proposta.

-Proposta? - ela ergue uma sobrancelha, curiosa.

-Vim ver a pequena Eri e saber a situação dela. - ele olha na direção dos demais adultos - Peço que os dois me acompanhem e... - ele se vira para o jovem - Midoriya-kun? - ele sorri novamente - Pode ficar de olho em Tora por um segundo?

-D-Diretor, não sei se... - ele começa a gesticular em negação, freneticamente.

-Vocês se preocupam demais. - ele ria, se virando para a garota - Tor, já voltamos, tudo bem?

-Traga informações de Eri para nós dois, sensei. - diz ela, simplesmente.

-Mas é claro. - termina ele, antes de sair, seguido por All Might e Gran Torino.

Um silêncio pesado se instala, com Tora bebendo um gole de água.

-E-Eu... - ele diz, nervoso e evitando olhá-la nos olhos - Obrigado...

-Eu sei o quanto você se preocupa com ela, então não foi nada demais. - ela diz de olhos fechados, mas olhando para ele em seguida - Não precisa ter medo de mim.

-Eu nunca tive medo de você. - ele diz, baixo, mas confiante.

Ela ri ironicamente, mas aparentando certa tristeza.

-Isso é mentira.

-Talvez tive medo da Tigresa, mas... - ele coçava a nuca e ela olha, curiosa, na direção dele.

-Então sabe sobre isso é? - ela ergue uma sobrancelha.

-Desculpe eu... - ele tenta se justificar.

Tora apenas sinaliza para que ele pare.

-Não, não. - ela estava calma e reflexiva, olhando para a janela - Eu soube que estuda Individualidades, não é? - ela sorri para ele, ainda mais ao perceber que ele estava vermelho - Minha Individualidade, hã? - ela pensa um pouco - Chamam de Controle Absoluto... Entro na mente das pessoas quando tenho meus olhos vermelhos e domino o que quiser de suas mentes quando emito minhas sombras. - ela faz uma demonstração rápida, com ele se recolhendo de leve assim que ela as emite - O efeito negativo... - ela hesita, engolindo em seco - Além da exaustão é a... - ela dá de ombros - Você sabe.

-O que ela é? - ele pergunta, baixinho.

-Eu não sei... - ela responde, quase tão baixo quanto ele - Até eu tenho medo dela às vezes. - ela suspira - Do que ela pode fazer... - Tora olha a própria mão, mas o lança um olhar de soslaio irritado - Pergunte o que veio perguntar se não eu entro na sua mente com médico deixando ou não.

Ele recua com a violência, mas... Sabia que podia não ter outra chance como aquela...

-Porque...? - ele pergunta tão baixo, mas a faz olhar, atenciosamente, na direção dele - Porque eu?

-Queria que fosse o Mirio? - ela imita Torino, que fizera a ela exatamente a mesma pergunta mais cedo.

-Quero saber... Porque não você? - ele diz, receoso, mas confiante.

Ela fica alguns segundos em silêncio, rindo depois disso.

-Nossa, achei que ia demorar para fazerem a pergunta certa. - ela o olha novamente, com os olhos semicerrados - Tem mais, não tem?

Ele fica mais sério ainda, colocando as mãos na frente do rosto.

-Na noite que foi para a União... - ele olha para ela, vendo que a garota começava a se sentir desconfortável - Você disse que estava "quebrada"...

Ela semicerra os olhos.

-Achei que não tivesse ouvido isso...

-Nem todos ouviram. - ele esclarece.

-Comentou com alguém?

-Não.

-Ótimo. - ela olha para a janela novamente - Eu... Não posso dizer tudo. - ela apertava os lençóis com força - Só saiba que não posso... Que não pude que... - ela suspira pesadamente, ficando mais tempo em silêncio - Falhei. - sua voz saíra ainda mais baixa.

-Difícil de acreditar. - ela ri com o comentário - Toshinori-san... - ele tenta se aproximar, mas ela se afasta.

-Eu aviso quando o Sensei der notícias de Eri. - ela não o olha, apenas respira fundo - Preciso ficar sozinha, saia.

-Toshinori-san, eu...

-Está tudo bem, Midoriya... Eu só... - ela leva a mão à testa - Estou cansada.

Ele tenta dizer mais, mas logo percebe que era a forma errada de abordar a tigresa. Ela era mais complicada do que o previsto, por mais que já fosse infinitamente mais fácil chegar até ela. Ele suspira, se levantando.

-Espero que melhore logo... - diz uma última vez, antes de deixar o quarto.

Já no corredor, o garoto suspira fundo, com uma risadinha chamando sua atenção.

-Pegou ela em um momento ruim...

-Aoi-san?! - ele dá um pulo e ela sorri, mesmo que um pouco triste.

-Quer dar uma volta, Izuku?

 

A mais velha acompanhava o garoto de volta a escola a passos calmos e ritmados. Tudo na pose da heroína remetia à força e autoconfiança de Aoi. O garoto julgou isso como esperado, principalmente da líder da Tríade.

-Me desculpe, mas... - ela quebrava o silêncio, piscando para ele e gesticulando um pedido de desculpas - Ouvi o final da conversa.

-N-Não falávamos nada demais! - ele fica nervoso, mas volta a olhar para frente - É só que... - ele suspira, cabisbaixo - Eu... Disse alguma coisa, não disse?

-Disse. - ele se encolhe com a confirmação, mas ela coloca uma mão na cabeça dele para acalmá-lo - Mas não tinha como saber, então não se culpe tanto, baixinho.

Ele sorri, mas volta a murchar.

-O que aconteceu com ela? - ele pergunta, com olhos baixos.

-Não é história minha para contar. - ela diz, mais séria e com voz contida - Só saiba que One for All é muito importante para ela... - ela suspira - E que foi preparada a vida toda para o poder.

-Então porque...?

-Izuku... - Aoi o interrompe - Esse é um trauma muito grande da Tora. - ela tinha olhos tristes, sorrindo no mesmo tom - Mas tenho certeza que ela irá contar quando estiver pronta. Dê tempo a ela.

Ele respira fundo, desanimado.

-Eu... Eu entendo... - ele coça a nuca - Aoi-san... - ela o olha, curiosa - Temos outro problema...

-Problema? - ela questiona, atenta - Que tipo de problema?

-Acho que ela me odeia...

-É bem possível. - ela diz, com um sorriso conformado.

-Aoi-san... - ele fica ainda mais cabisbaixo - Eu já sabia, mas depois de você confirmar...

Ela ri docemente, tocando o ombro do menor.

-Mas não vai durar, não se preocupe. - ele ergue os olhos e ela volta a sorrir - Ela é muito ligada a Sho-kun, sabia?

-Todoroki-kun? - ele pergunta, levemente surpreso.

-Ele mesmo! - ela exclama, animada - São amigos de infância e eram inseparáveis. - ela tinha um brilho nostálgico no olhar - Velhos tempos...

-Ele tinha dito algo sobre Toshinori-san quando ela chegou... - murmura o garoto, pensativo.

-Eles eram como irmãos! - ela ria de novo, o olhando com um brilho no olhar - Ela viu a briga de vocês no festival esportivo, sabia? - ele empalidece e ela se preocupa - Ah, não pense que ela irá matá-lo por aquilo! - ela começava a rir, logo ficando mais séria - Foi ali que o interesse dela em você surgiu.

-I-I-Interesse?! - ele começa a tremer - Em... Em MIM?! - ele questiona, suando e apontando para si mesmo.

Aoi morde o lábio inferior para evitar gargalhar. No entanto, a líder da Tríade respira fundo, olhando para o céu azulado, que começava a dar sinais de um crepúsculo limpo.

-Sabe, Izuku? - ele a olha, curioso - Tora tem uma ligação com o poder do tio Might que nunca vi antes... - ele fica surpreso e o sorriso de Aoi some por um segundo - O que torna compreensível que ela o odeie por tê-lo, mas... - ela ri, olhando para ele novamente - Algo nessa história ainda me faz pensar que talvez haja uma conexão entre vocês também...

-Conexão...? - isso talvez explicaria o sonho... Explicaria a preocupação que Deku sente em proteger a garota... - Por causa do poder?

Aoi ergue uma sobrancelha, interessada.

-Também já pensou nisso então? - ele fica mais vermelho que um tomate e ela ri alto - Ah, isso vai ser bem interessante de se ver! - ela se espreguiça, com os braços em direção ao sol - Tora trabalhando ao lado do herdeiro do tio Might! - ela girava livre, tomando uma pose ofensiva - Vocês vão ser uma dupla invencível!

-Uma dupla... - ele diz, sorrindo, mas fica cabisbaixo - Duvido que ela aceitaria...

Aoi sorri maternalmente e toca o ombro do mais novo.

-Como eu disse, dê tempo a ela, Izuku. - ela pisca para ele - Pode parecer uma tigresa, mas Tora não passa de um gatinho. Vai ver.

Ele sorri mais confiante e se curva levemente na direção da mais velha.

-Muito obrigado por toda a ajuda, Aoi-san. - diz ele, determinado.

Ela ri baixinho de novo, com os olhos brilhantes ao imaginar o futuro promissor daquele pequeno herói.

-Definitivamente vai ser incrível ver o que a união de vocês dois pode formar. - ela estiva o punho na direção dele - Estou ansiosa para se tornar o maior herói de todos.

-Hm! - ele encosta o próprio punho no dela - Vou me esforçar ao máximo!

 

Tora ainda estava sentada na cama olhando o crepúsculo pela janela, quando ouve a porta abrir.

-Sensei... - diz ela, deitando no travesseiro.

-Quanta melancolia em um quarto tão pequeno... - ele olha em volta - Mandou ele embora?

Ela gesticula para que ele a deixasse em paz.

-Ele faz perguntas demais. - ela volta a olhar o diretor - Cadê o papai? E Torino?

-Seu pai está conversando com o médico a respeito do nosso acordo. - ela ri baixinho - Seu mestre foi embora por saber que estava bem. Disse que tinha coisas a resolver.

Os olhos de Tora ficam sombrios.

-Fugiram, não é? - ela diz, séria.

O diretor semicerra os olhos.

-Como sabe...?

-Eu imaginei... - ela suspira, olhando a janela - Twice e Toga... - ela semicerra os olhos - Trabalhei com eles durante a infiltração. - ela o olha, tão séria quanto antes - Alguém saiu ferido?

Ele assente e ela estrala a língua, virando o rosto.

-Devia ter deixado Aoi cuidando deles. - ele diz, cabisbaixo.

-Ela não ia aceitar me deixar sozinha aqui. - ela ri, respirando fundo - Além disso, foi bom para vermos que tem mais contatos do que prevíamos... - ela percebe que ele a olhava com preocupação - O que foi?

-Juraram vingança, Tor. - ele tinha a voz fria - Eles estão atrás de você.

Ela o olhava com uma calma predatória.

-E porque parece surpreso? - ela dá de ombros - Sabíamos que isso ia acontecer, não?

-Mesmo assim... - ele apertava os punhos.

Ela vê o nervosismo do diretor com uma calma incomum.

-É o que o papai tá resolvendo? - ela pergunta, simplesmente.

-É sim... - ele suspira, levando a mão à testa - Vou ter que recorrer ao plano B.

-Plano B? - ela o olha, confusa, mas dá de ombros - Eu sei que vou para a Montanha encontrar a mamãe.

-Não vai não. - ela o olha, indignada dessa vez - Vai estudar na U.A.

A garota apenas congela, piscando três vezes antes de quase pular da cama.

-COMO?!

-Você vai ser uma aluna. - ele responde, sorridente.

-Com um alvo nas minhas costas?! - ela aponta para as próprias costas.

-Motivos duplos para ser uma de nossas alunas agora! - ela escancara a boca de surpresa - Os vilões ainda tentarão vir atrás de você, seja por vingança ou por medo de vazarem a informação que recebeu, pois não sabem quanto você sabe. Além de eu ainda a querer como protetora dos primeiranistas. - ele sorria inocentemente - Você vai ficar Tora.

-Isso foi um pedido? - ela tinha um olhar irritadiço e indignado.

-Não. - ele responde, pegando alguns papéis da pasta que carregava - Afinal, eu tenho a autorização de ambos seus responsáveis para isso. - ele balança duas folhas para ela - Você pode ser uma heroína profissional, mas ainda é menor de idade. - ele sorri para o papel da frente - E já está matriculada na U.A.

-Há, peguei na mentira. - ela diz, vitoriosa e cruzando os braços - Você não pode ter falado com a mamãe. Ela tá numa missão muito secreta, sabia?

Ele ri e ela volta a olhá-lo, mais preocupada que antes.

-Mesmo com essa carta assinada pela líder da Legião Lupina, um dos maiores pilares das Sombras?

A garota salta em sua direção.

-Mentira! - ela arranca o papel da mão dele, fazendo-o rir - Porque ela não tá respondendo minhas mensagens e... - ela olha mais de perto - Pera, isso é da época das inscrições? - ela olha para ele, incrédula - Do INÍCIO DO SEMESTRE?!

Ele dá de ombros.

-Ela me avisou que estaria em uma missão por um tempo e resolvi me adiantar.

O barulho da porta bate e All Might entra na sala.

-Missão? - ele parecia confuso, mas logo sorri - Ah, estão falando da Myrna?

-Papai, socorro! - Tora salta na direção do pai, agarrando-o pela cintura e lançando um olhar furioso para o diretor - O sensei quer me prender numa prisão horrível e fria!

Ele apenas olha na direção de Nezu, que sorria triunfante.

-Contou a ela sobre a matrícula? - um assentir e ela o olha com indignação.

-Traidor! - ela cruza os braços, emburrada.

-Ora, Tor, pois eu acho que vai adorar a U.A.! - ele exclama, animado - Teremos até um festival cultural em breve, sabia?

-Papai, eu quero ir com a mamãe. - ela tinha um olhar completamente entediado.

O grande herói pinça a bochecha da filha.

-Pare de falar como se fosse um divórcio. - ela esfrega a mão na bochecha machucada, com feição irritada - Sabe onde sua mãe está? - ela abre a boca, mas ele aponta para ela - Não responda. - ela revira os olhos - Eu mesmo falei com ela e combinamos que era hora de conviver com pessoas que não seus primos. - ele ergue uma sobrancelha - Até eles concordam.

-Bando de traidores, nesse caso... - ela murmura, se deitando na cama, com um bico gigantesco.

-Isso vai fazer bem pra você, Tor. - o pai se sentava a seu lado, com a mão na cocha da menor - Eu vou estar lá, de qualquer jeito.

-Mas... - ela tenta.

-Mas nada e esse assunto foi encerrado. - diz o pai, calmo e com um sorriso. 


Notas Finais


...
A tigresa é bem traumatizada, não é? Os segredos de Tora... Sua possível ligação com Deku...
O que acham? Alguma teoria?
Porque All Might escolheu um herdeiro que não sua própria filha? O que o fez ir atrás de Deku?
Segredos, segredos e mais segredos... E agora, ela vai ser uma aluna! O que nos espera daqui pra frente com essa tigresa de olhos vermelhos?
Ansiosos para quarta? Porque eu estou!
Fiquem bem, meus queridos! E, como sempre...
Vá além!
Plus Ultra!


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