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História Divine - Capítulo 6


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Notas do Autor


Pessoal, esse capítulo é um pouco pesado e relata algumas situações de bullying, então compreendo se não quiserem ler.
Obrigada pela atenção!
Boa leitura! ^.~

Capítulo 6 - Proteção


Fanfic / Fanfiction Divine - Capítulo 6 - Proteção

(Sesshoumaru)

 

Lembro-me de ver Kimi e Onilé passando dia após dia na toca que era de Kannon buscando respostas para tantas perguntas que a jovem deusa deixou depois que partiu. Infelizmente eu não pude ajudar nesta faze, pois meu acesso e o de qualquer outro morador da floresta foram terminantemente proibidos depois da ascensão. Isso não me impressiona, a traição e banimento dos anciões e seus cúmplices era demais para as mulheres confiarem seus segredos novamente a quem quer que seja.

Depois daquela carta eu passei anos me perguntando o que aquilo significava exatamente. Será que eu sentiria algo? Eu buscava o que? Kannon deixou uma pista? Ela sabia de algo? Por que eu? Ela me disse que eu nasci por um motivo, ela me deu uma missão? Ou eu sempre tive uma missão?

Eu preciso acreditar que a deusa tinha um bom motivo para abandonar a todos, ela não poderia ser tão irresponsável a ponto de jogar tudo para o alto e sumir. E acima de tudo, ir embora sem deixar nenhuma resposta e milhares de perguntas.

Em um mês eu precisei planejar, organizar e colocar em prática um plano para fazer essa  jornada ter algum sucesso. Como melhor farejador e rastreador, além de ser o atual oficial general do exército hibrido, busquei alguns dos meus subordinados do mundo externo para me auxiliarem com os costumes locais. Eles me trouxeram roupas típicas, objetos eletrônicos para comunicação entre nós em nossa forma humana, dinheiro, mapas e outras coisas que para mim, sinceramente são absurdas.

Jaken, que começou a me seguir fielmente quando ascendi como protetor da floresta, insistiu em viajar comigo e por mais que eu dissesse não, ele fez as malas e foi atrás com a ajuda da minha mãe. Então dei a condição para que ele fizesse tudo que eu mandasse e se mantivesse silêncio durante a viagem, assim eu não o deixaria para trás.

 

 (...)

 

- Senhor Sesshoumaru... Espere por mim senhor Sesshoumaru.... – O sapo corria atrás de mim em sua estranha forma humana.

- Ande logo Jaken! – Eu estava com pouca paciência para qualquer um nas ultimas semanas.

- Me perdoe senhor Sesshoumaru, mas eu gostaria de perguntar uma coisa!

- Seja breve!

- Estamos andando há quase seis semanas, mas o que exatamente estamos procurando? – Jaken tentava me acompanhar, mas ele não era nenhum pouco alto, se tivesse algo próximo a um metro e meio já era muito.

- Eu não sei! – Eu disse sinceramente, infelizmente.

- Como assim? Estamos procurando alguém?

- Eu não sei! – A pergunta insistente começava a me irritar.

- Uma coisa?

- Não sei!

- Um lugar?

- Você é burro Jaken? – Parei de andar aquele momento e o cara quase bateu em mim.

- N-não senhor Sesshoumaru, mas é que o senhor é tão incrível, fico pressionado por não saber! – Não obtendo resposta minha, o híbrido continuou. - Mas se o senhor não sabe o que procura, porque viemos para perto desses humanos imundos?

- Jaken, qual foi a condição para que te trouxesse comigo?

- Me perdoe senhor Sesshoumaru!

Apesar de o Jaken ficar me importunando com essas perguntas sem respostas, é bom ter ele por perto, distrai minha mente dessa peregrinação absurda pelo mundo em busca de algo desconhecido.

Os dias passavam muito rapidamente, devo admitir que conhecer esse lugar não era de todo ruim, mas os humanos eram completamente insuportáveis fazendo do começo da viagem tudo ser extremamente irritante e complicado. Na floresta há vários híbridos das mais diversas espécies, mas nós vivemos em harmonia já que nos dividimos e cada um vive em seu respectivo habitat. O mundo humano por sua vez é tumultuado, eles vivem como formigas desorganizadas, são sujos e arrogantes, falam mais do que devem e não desgrudam desses celulares que parecem mais uma maldição do que uma evolução.

Deixando um pouco as reclamações, que são várias, de lado. Nós começamos nosso caminho observando o mapa do mundo humano e seguindo a ordem que os países foram representados, eu resolvi iniciar as buscas pelo Alasca, depois Canadá, Estados Unidos e assim por diante.

Eu não imaginava que era tão difícil fazer essas buscas sem usar minhas habilidades. Eu não posso voar, porque não é natural a seres humanos, não posso nem correr na rua sem um bom motivo, porque me chamariam de louco e muito menos tomar minha forma animal ou a policia me caçaria. Pelas deusas, como esse lugar é complicado, felizmente eu tenho o auxilio dos híbridos que patrulham pelo planeta e infelizmente, em todos esses anos, nenhum deles encontrou alguma pista que pudesse nos dar uma resposta sequer sobre algo para restaurar o equilíbrio do mundo ou a barreira da floresta.

 

(...)

 

Hoje faz nove meses que eu procuro por algo nesse maldito planeta, eu não sei se é possível alguém ter maior fracasso na vida, enntão acredite eu estou tendo e me sinto incapaz. Acabamos de chegar ao Brasil e eu tenho passado noites em claro pensando que talvez eu não devesse ter saído da floresta. Quanto mais eu penso nisso a angustia me consome e sinto como se essa parte dentro de mim que quer desistir me enfraquecesse de um jeito estranho, não é como se eu perdesse as forças, é mais profundo e parece me machucar. E é justamente por causa dessa sensação que eu sigo firme nessa jornada, pois eu me lembro todos os dias que meu povo pode perder tudo.

- Que lugar é esse senhor Sesshoumaru? – Jaken perguntava.

- Pelo que a internet diz, esta é uma unidade de conservação brasileira de proteção integral aqui do Tocantins. – Disse, repetindo exatamente o que eu tinha lido.

- Parque Estadual do Jalapão. – Jaken falou em voz alta ao ler a placa.

- Aqui tem um cheiro familiar!

- Bom, aqui na placa diz que tem uma espécie de deserto, cachoeiras e uma densa vegetação, talvez te lembre o cheiro da nossa terra!

- Não, não é isso, é um cheiro mais específico!

Eu adentrava o parque, andava como se estivesse hipnotizado, mas na verdade era concentração para não perder aquele cheiro que estava fraco e se não estivesse tão impregnado na minha mente, eu o ignoraria. Passei pela guarita dos guardas florestais e comecei a andar mais devagar, um pouco mais a frente vi uma garotinha de costas brincando num riacho entre as plantas com a mãe.

O cheiro com certeza vinha da criança, ela tinha os cabelos brancos e cacheados, a pele negra reluzia lindamente com os raios de luz que passavam pelas folhas das arvores e ao me aproximar, pude notar que a garotinha apresentava algumas manchas brancas nas pernas.

- Boa tarde senhor, precisa de alguma coisa? – A mãe da criança se pronunciou ao me ver chegar perto olhando a criança.

- Desculpe o incomodo, eu vim conhecer o local com meu amigo e acabei vindo parar aqui! – Eu falei, tentando não parecer um pedófilo.

- Você parece comigo!  - Disse a menina.

Eu não percebi, mas a criança de olhos azuis claros e levemente avermelhados me encarava. A voz infantil dela era familiar também, mas era estranho já que eu não tenho contato com nenhuma criança e sinceramente, até evitava. Eu então olhei para a mãe e ela deu um leve sorriso, permitindo que eu me aproximasse da bela menina. Então fiquei há poucos passos de distância, ajoelhei em minha perna esquerda e observei cada detalhe do rosto infantil.

- Como se chama criança? Eu sou Sesshoumaru!

- Cecilia, mas pode me chamar de Cicy. – A menina sorria e seus olhos mostravam muita curiosidade.

- Oi Cecy, seu cabelo é muito bonito! – Falei imaginando que ela se referia a cor incomum dos nossos cabelos entre os humanos.

- Parece com o seu... – Ela falava tocando os próprios cachos, a mãe olhava tudo atenta, mas parecia tranquila. – Mamãe, viu? Um dia eu vou crescer e ser bonita como ele! – Ela parecia animada, mas a mãe tinha cheiro de tristeza.

Eu me levantei e caminhei até a mulher que buscava esconder o marejar com a ponta dos dedos, fiquei ao seu lado e a esperei se acalmar. A palma branca das mãos morenas se encontrava completamente molhada e seus olhos não se desviavam da filha.

- Porque ficou triste senhora? – Perguntei, precisava de mais informações.

- Não é nada demais... – Ela tentava esconder, mas a voz saia embargada.

- Eu sei que não me conhece, mas mesmo sendo um estranho, posso ajudar apenas a ouvindo.

Eu tentava passar calma, sabia que precisava aprender a conversar com os humanos quando comecei a busca e dessa vez, diferente de todas as outras vezes que tentei, eu realmente tinha interesse e tive êxito em passar essa sensação. A mulher se afastou um pouco, numa distancia onde ainda pudesse enxergar a filha e se sentou num banco de troncos de madeira cortado.

- Ela é tão pequena, tão linda e amável, mas o mundo parece rejeitá-la.

- Por que diz isto?

- Ela nasceu com piebaldismo. Essa condição afeta a pigmentação em algumas partes do corpo, por isso ela tem todo o cabelo branco, algumas manchinhas na perna e os olhos avermelhados. Mas as pessoas desse lugar não entendem, dizem que ela é feia, maltratam e dizem que é amaldiçoada. – A mãe chorava muito, não conseguia esconder mais a dor. – Hoje na escola, jogaram suco no uniforme dela e gritaram que ela não deveria existir. Ainda bem que ela tem um colega na escola que a tirou do pátio, ajudou a se limpar e levou até a direção para me chamarem. Se não fosse por isso, algo pior poderia ter acontecido. – Os soluços a faziam parar de falar as vezes. – Por mais que eu tenha tentado intervir, não sei mais o que fazer, ela não quer sair de mais um colégio!

- E como ela tem lidado com isto?

- Ela é muito sensível, mas também é otimista e diz que com o novo amigo dela, ela consegue passar por tudo.

 - Cecilia é uma garota realmente especial.

- Temos certeza disso desde o dia em que ela nasceu. Foi como um aviso dos céus!

- Como assim?

- Ela nasceu no dia que o céu e o mar se tornaram um só...

- Há onze anos?

- Sim, você também viu?

- Quem não viu?  - Eu sorri, mais para disfarçar meu espanto.

- Bom, eu preciso entrar. Logo Kouga, meu filho mais velho deve chegar da escola e preciso preparam o almoço.

- Você mora aqui?

- Sim, meu marido é guarda-chefe daqui.

- Entendo, tenha um bom dia então!

- O senhor também, obrigada por me ouvir! – A mulher disse mais calma e seu cheiro agora não carregava tanta tristeza.

- Não há de que, vou ficar torcendo por esta mocinha, ela tem algo grande na vida dela, tenho certeza!

- Você é muito gentil! – Vi a mulher sorrir. Devia estar feliz por ver alguém estranho aceitando a filha.

A mulher foi até a criança, ajudou-a a se levantar e saíram. Jaken que nos observava de longe veio até mim preocupado. Era raro quando eu me propunha a conversar com algum humano e dessa vez eu estava estranhamente calmo.

- O que conversava com a humana senhor Sesshoumaru?

- Ela tem cheiro de alecrim e rosas brancas. – Falei, ignorando o comentário de Jaken.

- O que isso quer dizer! – Ele disse sem entender.

- Eu sei o que o cheiro dela me fez lembrar!

- O que?

- Kimi!

- Sua tia? Como você lembrou do cheiro dela? – Perguntou, pois já fazia quase onze anos que ela tinha morrido e todas as suas coisas foram queimadas.

- Eu tinha uma forte ligação com ela, por isso me lembrei. O que significa que não saímos nessa busca de nada, precisamos avisar aos outros hibrido. Eu encontrei a deusa do céu!

- Mas senhor, se essa garota é mesmo a deusa do céu, precisamos leva-la para a floresta!

- Não, ela deve crescer entre os seus, ter uma infância normal. – Este foi um dos erros que os anciões cometeram e eu não vou repetir. – Essa era a vontade das deusas e ninguém irá descumprir!

- Compreendo senhor! – Disse o hibrido percebendo seu erro.

- Chame um dos híbridos que estiver mais próximo, ele vai se mudar para cá, precisamos de alguém perto para protegê-la!

- Sim senhor Sesshoumaru, farei isso imediatamente! – O velho sapo saiu saltitante com a ordem recebida.

Kannon realmente é muito ardilosa, típico de uma raposa! Por algum motivo, eu ria dessa merda toda, eu estava aqui correndo feito um idiota atrás de uma pista e a deusa conseguiu até mesmo encobrir os renascimentos.

Espera... Se ela encobriu isso, todas as deusas só podem ter nascido no mesmo dia.

- Jaken!

- Sim senhor Sesshoumaru, estou mandando mensagens para os híbridos, deseja mais alguma coisa?

- Eu quero que cada um deles de um jeito de descobrir quem nasceu no dia 31 de maio de 1996 pelo calendário gregoriano.

- Sim senhor Sesshoumaru! – Jaken parou por alguns segundos refletindo sobre esta data. – Não é o dia que as deusas morreram senhor?

- Sim!

- A jovem loba branca nasceu neste dia senhor Sesshoumaru! – Falou o velho sapo, lembrando de algo que eu não tinha conhecimento.

- Que loba branca?

- Ayame, entre os lobos senhor! – Ao dizer isto, percebi que ele não tinha afinidade suficiente com a deusa da terra para ter percebido seu cheiro e isso começou a me preocupar. – Vou mandar um voltar para a floresta avisando! – Quase saindo de perto de mim apresado.

- Não, não sabemos se é realmente ela!

- Como desejar senhor!

Eu o intervi de passar esta informação, pois na realidade eu não queria que os híbridos a trancassem como já fizeram um dia. Deveria se manter anônima, pelo menos mais um pouco. Eu também preciso de mais informações, tenho certeza que Cecilia é a reencarnação de Kimi, mas só sei disso porque éramos muito próximos desde crianças.

Eu talvez consiga descobrir quem é a nova encarnação de Kannon porque sempre senti sua presença inconfundível, mas ainda tenho dúvidas porque a deusa do submundo pode ter feito algo para que ficasse mais difícil encontra-las. Eu encontrei Cicy ao acaso e posso não ter essa mesma sorte com as outras duas. Também preciso ter cuidado, pois humanos não são confiáveis, mas híbridos podem não ser também.

 

 

Iwata-Shi – Shizuoka – Japão (Touga)

 

- Senhor Taishou? – Dizia o humano do outro lado do telefone.

- Pode falar Kaneki.

- Algumas pessoas estão começando a procurar por crianças que nasceram em 1996, acredito que possa ser youkais.

-Evite a todo custo de descobrirem que elas estão no Japão!

- Sim senhor! – O homem finalizou, desligando em seguida.

Suspirei, já era hora dele ter começado a procurar, mas sinceramente eu gostaria que ele tivesse demorado mais. Izayou terminava de enxugar a louça e se sentou a minha frente, apoiando os braços sobre a mesa.

- Sesshoumaru começou a procurar! – Disse, um pouco pensativo.

- Você acha que ele já sabe dos renascimento?

- Se não souber, desconfia!

- Você sabe onde estão as outras? – Ela perguntou curiosa, por mais que soubesse do nosso mundo, eu tentava não entrar em detalhes.

- Não, só sei da Rin porque Kannon me mandou cuidar dela.

- Você não achou estranho Kannon renascer na própria filha? – Iza falou e a frase parecia diminuindo o volume a cada palavra, como se não quisesse que a deusa ouvisse. Era fofo o jeito dela.

- Sim, mas quem sou eu pra questionar uma divindade? Ela me deu dois filhos e salvou InuYasha, eu faria qualquer coisa que ela me pedisse! – Eu disse isso, mas por dentro havia milhões de questionamentos.

- Entendo, só queria saber o que ela tinha em mente! – Eu também, pensei, mas não consegui manter a boca fechada.

- Quem não queria? Desde que ela chegou ao mundo humano e nos procurou, tudo pareceu metodicamente planejado! – Eu acabei falando mais do que devia e mais irritado do que achava que estaria.

- O que quer dizer com isso?

- Que as deusas não ouçam, mas você achava que Kannon amava o Henry? – Já tinha começado não é, então vou falar.

- Está duvidando dos sentimentos da deusa? – Iza questionou um pouco incrédula.

- Não, não é que eu estou duvidando, mas eu não acho que fosse amor sabe? Quer dizer, eu acho que ela o amava, mas não um amor de mulher sabe, seria mais como um amor de amigo, companheirismo... – Eu tentava me explicar, mas parecia que só me afundava mais.

- O que te fez chegar a está conclusão?

- Ela, bom... Você nunca pensou que as coisas aconteceram perfeitamente demais?

- Ah, sim, mas pensa na gente. Nos conhecemos numa cafeteria aleatória, numa cidade enorme e cheia de pessoas como é Tokyo, não tinha mais vaga em mesa alguma e você pediu para se sentar comigo. É algo perfeito demais para ser verdade!

- Eu entendo o que você quer dizer, mas ainda não estou convencido! – Ela tentou dar um exemplo, mas a situação da deusa era bem mais especifica, não sei se isso se enquadraria como algo parecido com o que aconteceu entre mim e Izayoi.

- Bom, independente do que achamos, nossa missão com a deusa do submundo ainda está em andamento! – Ela disse, se referindo a proteção de Rin.

- Eu sei, já pedi a meus informantes para atrapalharem Sesshoumaru, ainda não é o momento de encontrar Rin e nem Kagome, afinal, se ele encontrar Kagome, vai achar a Rin, então precisamos esconder as duas.

- Mas não era para protege-la até Sesshoumaru encontra-la?

- Mas ela ainda é uma criança, precisa viver como uma criança!

- Você acha que ele a levaria para a floresta?

- Eu não sei, talvez sim!

- Ela não dava nenhuma resposta não é?

- Isso me dá mais raiva, nós temos que fazer tudo isso e não recebemos nenhuma resposta!

- Não seja tão pessimista, quando eu era ignorante, eu esperava uma resposta dos deuses pelo acaso. – Ela se referia a sua vida antes de me conhecer e não ter o conhecimento que a deusa nos deixou. – Pelo menos você sabe pra onde vão suas perguntas, mesmo que não receba uma resposta!

- Você sempre sabe o que dizer Izayoi e é tão sensata!

- Nem tanto, me casei com você esqueceu?

- É verdade, foi uma tolice e tanto!

Nós nos inclinamos na mesa para nos beijar, minha esposa sempre me animava e essa tranquilidade dela era o que me acalmava.

- Ei vocês dois, parem de se beijar tanto! – Inuyasha falou ao chegar na cozinha, estava pronto para sair e encontrar alguns amigos.

- Inuyasha, nós somos casados! – Disse o obvio.

- Vocês deveriam preservar seu filho, isso sim! – Foi para a pia pegar um pouco de água.

- Vamos mudar de assunto!

- Ah ta...

- Pare de chamar Rin de raposa, nós já te avisamos aquela vez no jantar! – Reclamei, ele parecia que não me ouvia nos últimos meses.

- Eu sei, mas é difícil de ignorar! – Eu e Izayoi nos entreolhamos, parece que o cheiro de Rin estava mudando e eu não percebi.

- Se o Sesshoumaru aparecer, ele pode reconhece-la pelo cheiro da raposa dela. – Pensei, mas meu pensamento saiu alto demais.

- Sesshoumaru, meu irmão? Ele está vindo? – Inu me olhou pasmo, não conhecia o irmão e pareceu nervoso com a informação dada sem intenção!

- Sim e não...

- Poderia ser menos claro? – O garoto agora estava irritado.

- Tenha respeito com seu pai Inuyasha! – Iza o podou.

- Desculpe senhor!

- Ele está procurando pelas deusas! – Tive que explicar.

- Então ele está atrás da Rin!

- Sim!

- Que bom, esse era o plano da deusa não era? – A deusa gostava do Inuyasha e eram muito próximos quando ele era criança, me admira ele lembrar do que a deusa lhe disse.

- Sim, mas está muito cedo ainda!

- Eu era pequeno, mas se lembro bem, essa nunca foi sua função! – Agora sua postura era firme e jogava na minha cara as reais ordens de Kannon.

- Você é muito jovem para entender!

- Não, você só quer ser importante mais um pouco, lamenta todos os dias por não estar comandando na floresta e não quer que tirem a única coisa que te dá importância! – Inuyasha é jovem, não entende as coisas ainda e tira essas conclusões absurdas.

- Inuyasha, saia daqui, está de castigo! – Falei exaltado, batendo os punhos na mesa e trincando o vidro.

- Tanto faz! – Inuyasha saiu do cômodo irritado.

- O garoto tem dezesseis anos e acha que sou egoísta e prepotente? – Falei, expondo minha indignação a Izayoi.

- Há cicatrizes ocultas em suas costas Touga. Você é um bom homem, mas possui falhas como qualquer ser que anda sobre esta terra! – Iza se levantou também e saiu da cozinha, me deixando sozinho.

Eu permaneci em silêncio por algum tempo, pensava sobre o que ouvi. Será que eu ainda me ressinto por ter sido destituído de meu cargo de general e ter sido renegado pelos híbridos? Já faz tantos anos. Com meu olhar perdido no trincado da mesa, eu observava o piso cinza emborrachado da cozinha por trás e eu não me lamentava, eu não sou como os antigos anciões.

 

(Rin)

 

Já é fevereiro, em duas semanas termina o ano letivo nesse país. Essa manha eu acordei com os ombros pesados e os músculos doloridos, tomei um banho quente, escovei e sequei meus cabelos com o secador. No quarto eu peguei uma calça jeans, tênis de solado grosso, uma camiseta de gola alta e mangas longas, uma blusa de moletom fina, um casaco corta vento com pelos no capuz, um cachecol grosso com fios nas pontas e um protetor de orelhas fofinho. A porta do meu quarto abriu enquanto eu pegava minha mochila.

- Rin, querida, Kagome e Sango chegaram! – Meu pai me avisou e saiu.

Vesti minhas luvas, peguei o bastão de alumínio e desci as escadas. Eu tinha esquecido que Kagome precisava chegar cedo na escola hoje.

- Bom dia pessoal! – Eu consegui ouvir as meninas conversando com meu pai na porta de casa.

- Atrasada Rin, eu tenho que fazer a limpeza da sala hoje! – Kagome disse me repreendendo.

- Não se preocupe querida, como a Kagome me avisou ontem, eu fiz um lanche extra para você tomar de café da manha já que eu sabia que não sairia da cama mais cedo! – Papai era sempre muito atencioso, eu não poderia pedir um melhor!

- Obrigada papai!

- O tio Henry é o melhor, ele fez lanche para nós também! – Falou Sango.

- Obrigada papai, vamos então meninas?

- Vamos, obrigada tio Henry!

- Obrigada tio Henry! - Kah se despediu, dando um beijinho no meu pai.

 Nós três saímos da casa, a Kah pegou sua bicicleta e fomos para a escola.

- Kohaku não vai hoje à escola? – Perguntei, já que o mal humorado sempre nos acompanhava.

- Ele não quis sair mais cedo, gritou comigo e eu não tive paciência para insistir! – Sango suspirou, parecia chateada. – Eu não sei se ele vem mais tarde!

- Não tem problema, estamos nós três aqui e pelo menos hoje não tem ninguém para ficar reclamando! – Kagome falou, tentando quebrar o clima pesado.

As coisas pareciam ter piorado entre Sango e Kohaku desde que eu cheguei. Por causa disso, até tentei há uns meses atrás me afastar dela, não queria que minha amiga sofresse, mas ela me convenceu que de nada adiantaria. O irmão dela é muito ciumento, manipulador e julgava as minhas atitudes como se eu fosse um ser de outro mundo. Ele com certeza não gostava de mim e fazia questão de me humilhar sempre que podia e quando eu estava com Sango ele maneirava, nos deixando em paz por um tempo.

- É isso ai garotas, vejo vocês à tarde! – Kah falou assim que chegamos na escola secundária e saiu correndo na bicicleta logo em seguida!

- Gostei do casaco Rin, você fica linda de vermelho! – Sango disse quando adentrávamos os portões.

- Ah, obrigada! – As palavras de Sango eram sempre gentis, com certeza ela é a melhor pessoa que conheci no Japão.

Entramos no hall, trocamos nossos tênis pelas sapatilhas e fomos em direção às escadas. Nós estudávamos no segundo andar, sempre subíamos vinte e três degraus e andávamos trinta e três passos para chegar na porta da sala. Entrava pela porta dos fundos, ia até o meu armário, guardava minha mochila, o casaco mais pesado e tirava os acessórios. Depois andava até a primeira janela e me sentava na primeira carteira.

Eu troquei de lugar depois do primeiro dia de aula, pois ficava mais fácil para mim e Sango pôde me acompanhar, como eu me tornei muito amiga dela, sempre que ela tinha dificuldade nas aulas, eu a auxiliava e vice-versa.

Nós duas abrimos as janelas da sala vazia para ajudar quem faria a limpeza do dia e nos sentamos para comer, meu pai preparou mochi com molho shoyu e açúcar, um pouco de arroz e kinkan. Estava delicioso, Sango levou chá verde para bebermos.

- Ontem o Kohaku brigou de novo! – Sango comentava baixinho comigo.

- O que ele fez dessa vez?

- Eu não sei, mas parece que foi com alguém do oitavo ano!

- Porque ele sempre se mete em briga?

- Por que é idiota, acha que nunca vai acontecer nada com ele porque todos na sala o protegeriam!

- Ele até pode ser querido, mas não acho que todos na sala o ajudariam na hora da verdade! – Falei sinceramente, afinal muita gente podia sentir medo ou ser falsa.

O dia tinha começado bem, as cortinas da sala de aula balançavam com brisa fria do inverno e o cheiro do mar parecia um pouco mais forte hoje. Depois de comer, lavamos nossas marmitas e ao guardar pude ouvir Harumi e suas amigas chegarem, elas limpariam a sala e colocariam as flores no vaso do professor.

- Ah, vejam só quem está aqui! – Harumi riu com deboche. – Bom, pelo menos quase todas podem ver!

As amigas dela a acompanharam na risada, mas não falaram nada. Guardaram os materiais nos armários e foram buscar as coisas para iniciar a limpeza.

- Não fale nada San.

- Como você sabe que eu ia dizer algo?

- Você sempre diz! – Só a ouvi rir baixinho.

Harumi era uma garota com a voz bem aguda, era um pouco irritante quando falava muito alto, mas pelo que San e Kohaku falavam, ela é muito bonita. Tem o cabelo curto castanho claro e os olhos bem escuros, baixinha e magra. Pelo que eu entendi, ela parece ser o padrão de beleza dos japoneses.

As garotas limparam a sala e as mesas, exceto a minha e de Sango. Harumi colocou algumas flores de cravos no vaso e os outros alunos começaram a chegar logo em seguida.

- Bom Sango, parece que o Kohaku não vem hoje! – Harumi entrou na sala falando isso.

Sango segurou minha mão com força e eu pude ouvir alguns passos e cheiros misturados atrás da menina. Eu podia identificar pelo perfume que eles exalavam como sendo Hideki, irmão mais velho de Harumi que não deveria estar nessa sala, Takashi, Miura, Yuna, e Seiko, alguns amigos dos dois. A nossa sala estava quase cheia, mas mesmo com um pouco de dúvida, as vozes logo me deram certeza e eu sentia o cheiro de medo vindo de Sango.

- Hoje seu irmão não está aqui para te defender fofinha! – Harumi falou para San.

- AHHH, SOLTA O MEU CABELO!!!! – Sango gritou, eu senti sua mão que estava agarrada a minha ser puxada bruscamente.

Eu sei que desde antes da minha chegada a essa escola, a minha amiga nunca foi muito popular e Harumi não gostava dela porque Kohaku foi defendeu a irmã quando a idiota debochou dela numa das aulas por causa da dislexia. E como Kohaku sempre foi muito popular, ela não conseguia fazer nada além de pequenas implicações, infelizmente depois que eu cheguei tudo começou a piorou.

- Você vem comigo! – Hideki segurou meu braço e me arrastou para fora da sala junto com a minha amiga.

Eu não consegui falar nada, estava assustada e mesmo sabendo que as pessoas da sala me rejeitavam, eu não conseguia acreditar que nenhum deles se moveu, não fizeram nada para impedir o que estava acontecendo. Eu sentia raiva, medo e remorso de eu ser um dos motivos por estarem agredindo Sango e tentava de todos as formas resistir e tentar ajuda-la, mesmo não sabendo como.

Eles nos carregaram até o terceiro andar que era o lugar mais vazio, pois ficava a biblioteca, sala de computação, artes e musica. Pararam no banheiro, sabia disso pelo cheiro característico de lavanda. Nos jogaram no chão e abriram as torneiras, em poucos segundos as pias estavam cheias e a água batia no chão, molhando nossas roupas.

Os alunos que estavam juntos dos irmãos, chutavam a água que respingava em nosso rosto. Eu estava com as mãos apoiadas no chão, sentia meus cabelos pesarem pela água.

- Vamos tirar isso aqui!

 Harumi falou, retirando minha blusa de moletom. Ouvi Sango protestar, acho que estavam retirando a blusa dela também. Senti alguém atrás de mim que usou o pé para me colocar completamente no chão, me molhando e pressionando meu peito. Eu não conseguia respirar direito pela pressão que faziam no meu peito e a água que queria entrar com o ar no meu nariz.

Eu queria gritar e chorar, mas não queria permitir que o desespero consumisse minha mente, eu precisava achar um jeito de pedir ajuda e sair dali, precisava ajudar Sango ou dar uma chance para ela fugir.

- Porque está fazendo isso Harumi?- Perguntou Sango nervosa.

- Eu posso ordenar a situações por acontecimento, ordem alfabética ou de prioridade. Qual você prefere Sangozinha? – ouvi  um grunido baixo de dor, eu não sei o que estava acontecendo, mas não era bom!

- Ela não precisa de motivo San, ela só faz isso por prazer! – Eu falei, tentando tirar a atenção da minha amiga. – AHH.... – A pessoa que me segurava ao chão apertou a pisada.

- AHH, sua nojenta! – Harumi resmungou após um grito. – Hideki, ela me mordeu! – Continuou indignada.

- Segurem ela!

Ouvi Hideki ordenar, era ele quem me segurava e com isso me soltou, deixando meu corpo fraco ao chão. Alguns passos ecoavam pelo banheiro indo na direção da Sango e ela grunhiu mais uma vez, sendo puxada, pois senti a água se movendo na direção dela.

- Você é uma bárbara, igual seu irmão idiota! – A voz de Hideki estava mais grave, ele também cheirava a raiva. – Não dá pra chegar nele, mas você é fácil e sua amiguinha é um brinde especial!

- O que meu irmão fez p...

San parou de falar, um barulho duro e seco que não ecoou. Minha amiga começou a chorar, eu sentia o cheiro da lágrima e da dor que a preencheu, junto com o medo.

- SOLTA ELA, PARE COM ISSO...

Eu estava revoltada, movia meus braços com os punhos fechados em todas as direções, eu precisava fazer eles pararem. As lágrimas já não se continham mais dentro de mim. Eu me sentia impotente e mais fraca que em qualquer outro momento da minha vida, mas a Sango precisa de mim, ela só tem a mim e ela merecia todo meu esforço.

- Segurem essa ceguinha, ela está descontrolada! – Falou Harumi, rindo da situação.

O mais velho dava outro soco na minha amiga. Takashi e Yuna vieram me segurar, eu acertei de leve o corpo dos dois, mas eles apenas riram e seguraram meus braços. Nesse momento  o som da água caindo no chão começou a  parecer mais distante.

- PAREM, LARGUEM ELA!!! PAREM... – Eu gritava, mas apenas ouvia os risos e me sentia mais fraca. – Por favor... Parem...

O final, quase saiu num sussurro, minha cabeça pesava tanto que meu queixo encostava no peito. Foi a primeira vez que eu percebi como minhas roupas estavam geladas e encharcadas, eu sentia muito frio só que meu corpo estava quente. Meu coração batia descompassado e muito rápido, todo aquele momento parecia ter entrado em câmera lenta, a pressão dos dois que seguravam meus braços já não pareciam mais relevantes, pois eu conseguia quase ver dentro de mim o ar que entrava na minha respiração e podia sentir meu corpo vibrar por inteiro com a dor percorreu a espinha.

- O QUE TA ACONTECENDO COM ELA? – Takashi gritou assustado.

A voz dele saiu abafada e depois disso eu apaguei.


Notas Finais


O que estão achando de tudo?
Até o próximo capítulo. Bjs!

E pra quem me segue, sim, eu uso minha data de aniversário porque eu gosto e porque é mais fácil de lembrar quando eu estou escrevendo, assim minimiza os erros quando vou falar dos eventos ou estações.


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