História Dizimados - Capítulo 15


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adulto, Científica, Doença, Drama, Dramatic, Epidemia, Ficção, Horror, Lgbt, Misterios, Mortos, Mortos Vivos, Pandemia, Romance, Suspense, Terror, Thriller, Tortura, Zumbi, Zumbis
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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Ficção, Ficção Científica, Romance e Novela, Survival, Suspense, Violência
Avisos: Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 15 - Dizimados


De madrugada

- Marcel, acorda.

- Hã? Quem está... - Abre seus olhos calmamente - Diego, sinto sua falta cara. - Diz em um sussurro.

- Vou aproveitar que você está mole de sono e te dar um aviso: Cuidado com o pessoal do Samuel. Levante dessa cama e fique forte para essa noite, ela será um inferno.

- Como você tem certeza disso?

- Está começando a chover, levante!

(Diego Gamma - Pai de Jessica)


***


Em meio ao seu sonho, conquistado com muito custo, um funcionário, responsável pela supervisão das covas dos mortos, entra todo encharcado no quarto de Samuel, sujando a madeira com terra molhada.

- Senhor! - Entra tão rudemente que bate a porta na parede.

- É bom ter um motivo muito bom para entrar aqui - Ativa a lanterna do seu celular - Sujando a madeira com terra.

- A encosta onde fazíamos as covas para enterrar os mortos, acabou de ceder com a chuva, os corpos estão misturados com a lama e impedindo o acesso para a outra cidade.

- Então caso os infectados cheguem aqui...

- Eles não terão como passar e serão obrigados a vir na nossa direção. - Diz ofegante.

- Puta que pariu - Levanta-se as pressas, vestindo um roupão - Acordem todos os seguranças, temos trabalho!

***


- Não podemos perder tempo, leve sua mala até o carro! - Checa todas as saídas da casa, o transito na rua era muito intenso.

- Já é tarde, vamos deixar isso para amanhã de manhã. - Desce com sua mochila cheia de roupas até a sala - A noite é perigosa.

- Faça o que eu mando! - Limpa as lágrimas do seu rosto, indo em direção ao garoto, segurando-o pelos ombros. - Escute aqui Jonas, as coisas não vão melhorar, a cada segundo que se passa, a sociedade está menos civilizada, então POR FAVOR - O chacoalha bruscamente - Entre na merda daquele carro e me espere.

Engolindo a seco, ele abaixa sua cabeça, levando sua mochila nas costas.

- Sim senhor.

- Ei, pare de cochilar e fique de olho nela. - Samantha o cutuca.

- Ela está amarrada e amordaçada, não pode fugir.

- Se a Cinthia fugir, acabou para todos nós. - Ana a observa se debater.

Os três mantiveram a porta do armazém levemente aberta, observando a força com que a chuva caia.

- Que barulho é esse? - Pergunta Jonas, indo até a porta, vendo um grupo de homens caminhando para fora dos portões - Saindo nessa chuva?

- Quem? - Divide espaço com Samantha na fresta.

- Funcionários do Lessa, eu acho.

- Algo sério deve ter acontecido.

- Espero não afetar na nossa fuga.

- Acabei de pensar nisso.

***


De manhã


- Como estou? - Vira-se de frente para o seu namorado.

- Estranha. - Arqueia a sobrancelha direita - Por que decidiu pintar o cabelo de castanho claro? E onde achou uma tinta dessa cor?

- Primeiro: Não interessa. Segundo: Nesse lugar há muito mais do que você imagina, tem até camisinha neon.

- Isso é bizarro.

- Preciso de umas coisas para o meu cabelo - Põe um vestido balonê branco, extremamente delicado - Se o Samuel tiver, eu devo uma a ele.

- Ele é o tipo de cara que cobra com juros.

- Tudo bem, eu pago. - Pisca o olho esquerdo, sorrindo maliciosamente.

***


Na entrada da tenda médica, Samantha depara-se com Marcel caminhando lentamente de um lado ao outro.

- Por que está de pé a essa hora? - Nota que ele estava com fortes olheiras - Me parece exausto.

- E estou! Acordei de madrugada e não dormi mais!

- Algum motivo em especial? - Caminha em sua direção, o abraçando, envolvendo as mãos na cintura dele.

- Insônia, nada demais. - A beija - Quero conhecer a chácara, pode ser minha guia?

Suspirando longamente, Samantha o encara séria.

- Não vai dar, tenho um monte de coisas a fazer.

- A fuga será hoje? - Sussurra.

Ela apenas assente com a cabeça, caminhando para fora da tenda médica.

***


O portão principal estava aberto, com a energia elétrica desligada, alguns funcionários reforçavam as ligas de tensão e poucos militares faziam a segurança do local.

- Identificação! - Um soldado aponta o fuzil ao garoto.

- Diego Piterson.

- O que faz aqui?

- Quero saber onde o Samuel está.

- Saiu de madrugada com alguns homens, a cova dos mortos cedeu e estão tirando a sujeira da estrada.

- Qual a necessidade disso?

- A horda. - Cerra os olhos, encarando o garoto de cima a baixo - Ele ainda não voltou, sugiro que dê meia volta. Ninguém está liberado para sair.

- Muito obrigado. - Assente.

- Diego!

Procura pela voz que o chama, olhando até a entrada do armazém.

- Preciso te falar uma coisa! - Grita em direção a Samantha.

***


- Por que aquele portão está aberto?

- Estão reforçando a ligação elétrica.

- Aumentando a voltagem? - Sussurra, um pouco espantada.

- Sim, o Samuel saiu de madrugada com alguns homens, a cova dos mortos cedeu e estão limpando a estrada.

- Mas qual a necessidade disso?

- Os mortos, eles estão vindo, precisamos nos apressar.

- Acha que agora é a melhor hora para fazermos os últimos itens da lista?

- Melhor, impossível. A chave da cela do Tório está na última gaveta, no escritório.

- E as vacinas?

- Terá de procurar. - Retira uma cópia das chaves da chácara e entrega a Samantha - Boa sorte.

***


Com o fim das cinzas que caiam, os funcionários finalmente puderam trocar a água da piscina sem que seu trabalho fosse em vão. Miguel foi o primeiro a aproveitar.

- E ainda é aquecida. - Mergulha, sentindo o calor envolvendo seu corpo, como um abraço carinhoso.

A imagem turva de alguém parado na borda, o fez voltar a superfície, aproveitando para pegar fôlego.

- Bom dia.

- Oi. - Passa a mão no rosto, tirando o excesso de água - O que te traz aqui?

- Seu pai. - Cruza os braços.

- Sabe onde ele foi? - Balança a cabeça, espalhando algumas gotas de água do cabelo.

- Ele está tirando alguns mortos da estrada. - Agacha, ficando mais próximo a Miguel, que se apoiava na borda da piscina. - A cova feita pelos homens dele deslizou. A lama e os corpos estão impedindo a passagem.

- E daí?

- Talvez uma horda passe e se o caminho estiver bloqueado, virão na nossa direção.

Suspirando fundo, ele a encara, questionando o real motivo dela estar ali.

- Você não veio apenas me informar.

- Não, seu pai me deu a chave - Retira do seu bolso e chacoalha em sua frente - Quando voltar, ele falará com o Tório.

- Por que?

- Para ser sincera, devia apenas ter entrado e saído, nem contar eu podia.

- Se for assim, fique a vontade. - Mergulha para o fundo.

- Obrigada. - Diz, erguendo-se e indo até o interior da casa.

 ***


Alguns minutos depois


- Ei, saia dessa piscina. - Estala os dedos.

Miguel nada para a borda da piscina, olhando diretamente para a sua namorada, após passar a mão no rosto.

- Que, mudança, é essa? - Diz boquiaberto.

- Surpresa! - Sorri - Fiquei bonita?

- Sim, lógico, mas por que você fez isso? E seu cabelo está... grande.

- Eu SABIA que eles tinham mega-hair nesse fim de mundo.

- Qual a função deles terem isso?

- Talvez estivessem me esperando. - Morde o lábio inferior, ouvindo um barulho no interior - Seu pai chegou?

- Não, é a Samantha! Ele pediu um favor a ela.

- Como você é ingênuo. - Pega um taco de baseball ao lado da cadeira de praia, deixado por Samuel, e caminha em direção ao escritório.

***


Algo não estava certo, vasculhando as gavetas, não conseguia encontrar chave alguma da cela.

- Mexeu no que não devia.

A voz faz Samantha olhar para trás, vendo uma pessoa de relance antes de cair no chão pela pancada recebida na cabeça.

- Jessica? - Murmura desacordada.

- Errado, Miranda. - Guarda a chave da cela em seu sutiã - Disfarce, confere!

Fornecimento elétrico: Interrompido


***


De noite


- Chefe! Terminamos de limpar a estrada, o que faremos com os corpos?

- Deixe na vala da estrada, precisamos voltar! - Apoia a pá em seu ombro direito e caminha pela terra até a chácara.

- Senhor, os mortos! - Aponta para a horda no lado oposto.

Todos correm apressados.

***


No jardim, Marcel caminhava calmamente, segurando uma vela no pires.

- O que faz aqui?

- A Sam sumiu.

- O Diego me disse que ela pegaria a chave da cela do Tório e as vacinas. Depois disso estaríamos liberados para ir embora.

- E quando foi que ela avisou?

- De manhã, antes do café da manhã. - Andam até a entrada da casa e apagam a vela.

- Faltam uma hora para o jantar e nada dela, não acha isso estranho?

- Sim, eu sei, não podemos perder tempo, vamos entrar antes que o Samuel volte.

Cautelosamente, os dois abrem a porta da frente, que dava acesso a sala de estar, em direção ao escritório. Perto da grande mesa de madeira, Samantha permanecia desacordada no chão. Marcel corre em sua direção para ajudá-la, vendo um pequeno corte em sua testa.

- Alguém bateu muito forte nela. - Diz com os olhos cheios d'água.

- Vamos procurar o que falta e leva-la até o carro.

- Eu procuro a maleta e você a chave - Liga a luz de emergência do cômodo.

- Temos de ser o mais rápido po... - O vulto de alguém passando na entrada do escritório fez Ana parar - Procure a vacina, já volto.

- Não podemos atrasar - Ela o ignora - Volte aqui!

***


- Eu sei que te vi! - Diz com uma lanterna.

- Ana. - O sussurro a faz olhar para trás.

O feixe de luz ilumina uma pessoa e a partir daí, suas pernas enfraquecem, tendo de se apoiar na parede para se manter em pé.

- Jessica. - Sorri, passando a costa da mão esquerda em seu rosto, limpando as lágrimas que caiam - É você.

- Senti tanto a sua falta. - A voz torna-se embargada.

- Posso te abraçar? - Diz entre lágrimas.

- Que pergunta. - Indo cada uma de encontro a outra, uma sensação inesperada fez Ana dar um gemido baixo de dor. As duas se encaram por alguns segundos - Deve ser por isso que a mamãe não contou da existência da Jessica. - Retira a faca da barriga de Ana - Com certeza eu seria a malvadinha. - A empurra contra o gramado.

- Miranda. - Virando-se rápido, leva um taco de baseball diretamente no maxilar, perdendo o equilíbrio e caindo bruscamente no chão, estalando-o - As coisas ficam mais fáceis com você sendo a malvadinha - A luz da lanterna ilumina algo escuro dentro do sutiã da garota, Diego agacha para pegar.

- Diego? - Marcel ilumina o rosto dele, segurando uma maleta preta.

- Oi - Analisa a cena ao seu redor - A Miranda atacou a Ana e eu dei uma tacada na cara dela, precisamos fazer um curativo!

- Me ajude a transportar Samantha até o carro primeiro.

- Levar quem? - Diz com a mão na cabeça - Que dor!

- Samantha! - Marcel a abraça - Consegue andar sem problemas?

- Sim, claro, mas... - Divisa o corpo de duas garotas no chão - Meu deus, Ana! Precisamos fazer alguma coisa.

- Vamos leva-la até o carro!

- Homens, vejam o que está acontecendo! - Ouvem a voz de Samuel ao longe.

- Eu e Marcel a levamos até o carro e você distrai o Lessa, pode ser?

- Sem problemas. - Entrega a chave da cela.

***


Alguns minutos atrás


O frio de North Jordan incapacitava qualquer um de pensar claramente, os cavalos demonstravam agitação e o silêncio era agonizante. Samuel volta com seus homens pelo portão recém ligado na potência máxima.

- Vasculhem todos os cantos desse maldito lugar, vejam se há algo acontecendo! - Ordena, indo para o interior da casa - Não acredito!

Divisa o corpo de Miranda caído no gramado de olhos abertos e maxilar torto para a direita.

- Filhos da puta! - Corre para o interior - MIGUEL! MIGUEL!

***


- Pode parar de se debater, não vou te desamarrar! - Jonas ouve um barulho vindo na direção do armazém - Fodeu.

- Jonas? Está aí? - Sussurra uma voz conhecida.

- Quer me matar do coração Diego?

- Acalme-se, eu vim avisar para ficar só mais alguns minutos aqui. - Caminha para fora do armazém.

- Quando vou saber a hora de sair? - Pende o corpo para o lado, tentando ver melhor seu amigo.

- Acredite, você vai saber!

***


Os dois chegam ao estacionamento, carregando Ana com bastante cuidado.

- Abra a porta de trás. - A acomoda no banco - Fique aqui e cuide dela...

- NÃO! - O segura pelo braço - Eu vou tirar o Tório da cela, fique aqui com ela e eu não demoro.

- Mas está machucada!

- E você também. - Afasta-se dele, balançando a chave da cela - Fique aí, promete?

- Prometo. - Fecha a porta traseira da viatura, auxiliando Ana como pode.

***


- Eles não pediram distração? Lá vamos nós! - Diego destranca o cadeado da sala de geradores, correndo até o principal.

Geradores S.A - Bem-vindo


Carregando os protocolos de comando...


Digite a senha: ****


Deseja ativar o gerador principal? S/N


Deseja ativar o gerador secundário? S/N


Escolha a potência para funcionamento: 12% / 30% / 45% / 60% / 75% / 90% / 100% (Não recomendado)


Potência não recomendada ativada - Deseja ativar o modo de resfriamento? S / N


- Agora é só uma questão de tempo. - Respira fundo, digitando os comandos finais.

***


Abrindo a porta de madeira, Samantha retira a chave da cela, do seu bolso, girando a trava.

- Ei, Tório, acorda, precisamos ir.

- Não aguento ficar aqui! - Sussurra entre lágrimas

- Eu sei, estou te resgatando. - Levanta-se com ajuda de sua amiga.

O cômodo e toda a chácara, é iluminada com a volta da energia elétrica. Em meio a escuridão de toda região de North Jordan, o lugar se tornou um ponto luminoso extremamente atraente para qualquer sobrevivente, inclusive infectado.

- Tanta luz a essa hora?

- Isso tem cara de Diego, vamos!

***


- Vocês está me irritando agindo desse jeito! - Jonas revira os olhos - Pare com isso!

A luz do armazém ilumina toda a escuridão do local e o encanamento de água quente começa a ranger por cima das vigas de madeira.

- Algo me diz que o sinal é esse! - Espia o lado de fora - Tudo limpo, tchau! - Pisca com o olho esquerdo para Cinthia, correndo até a sala de geradores.

***


Alguns minutos depois


Erro de abastecimento - Sistema de desligamento automático com mau funcionamento:


Deseja desligar manualmente? S / N


Antes que Diego pudesse responder, o sistema começa a entrar em curto circuito, esquentando o teclado e soltando várias faíscas.

- Preciso fugir daqui! - O tiro de um revólver o faz abaixar e proteger-se - Samuel!

- Eu não tive tanto trabalho para organizar essa zona dos infernos para vir um idiota aleatório e estragar tudo.

Todo o abastecimento de energia elétrica superaquece e pega fogo, inclusive os geradores. Diego divisa a saída a sua direita e fica em dúvida sobre correr ou enfrenta-lo.

- Acabou, você perdeu!

- Do mesmo jeito que você não sairá vivo desta noite... - O rádio preso a sua cintura emite alguns sinais de seus subordinados.

- Senhor, na escuta? Câmbio.

- Operante, diga homem! - Mantém a arma na direção em que o garoto havia se escondido.

- Começou um incêndio generalizado aqui senhor! Precisamos partir em retirada.

- Peguem o que for preciso e fujam!

- Sim senhor, câmbio desligo.

No momento que ele insinuou guardar o rádio em sua cintura, Diego corre pela fileira mais exposta em seu campo de visão, acertando um tiro em cheio na sua perna esquerda.

- Agr! - Cai próximo a saída.

O calor começava a tomar conta do local, Samuel caminha devagar até Diego erguendo a arma em sua direção.

- Vamos repetir a frase? - Sorri cinicamente.

- Por favor, não me mate!

- "Do mesmo jeito que você não sairá vivo desta noite. " - Aponta o revólver em seu rosto e descarrega todo o pente.



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