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História Do Amor e Outros Tormentos - Capítulo 2


Escrita por: e whimsicalexile


Notas do Autor


oi, meus amores!!! aqui é a solar, tudo bem?
bom, eu estou muito feliz assim como a bel, pela recepção maravilhosa do prólogo. sério gente, obrigada pelos comentários, pelos favoritos, isso significa muito para a gente. estamos muito muito ansiosas com essa fic, honestamente eu me sinto honrada em participar dessa collab maravilhosa com a bel, que é uma mulher muito talentosa e que me inspira demais! amo uma tobirama stan.
e uma coincidência muito bacana; hoje é aniversário do tobirama, tchururu e como presente, tem uma aparição aguardada nesse capítulo. o aniversário é do tobi, mas o presente é pra vcs HAHAHAHA <3
vamos todas dar as mãos e agradecer por esse homem maravilhoso que kishimoto criou, amém
enfim gente, sem mais delongas!
uma ótima leitura para todos, mais uma vez muito obrigada, estamos muito muito felizes com essa fic e por vocês estarem conosco. :)
um beijão e até a próxima!!!

Capítulo 2 - Decisão Inevitável


— Pois é, até que enfim você apareceu. Pensei que você nunca viria me ver! — Disse Hashirama, em um tom animado, servindo a mesa e sentando-se de frente para Tobirama. 

O platinado apenas revirou os olhos e agradeceu pela comida, passando a degustá-la antes de responder o irmão. 

Hashirama, desde que eram crianças, sempre cumpriu fortemente com o papel de irmão mais velho. Não importava o quanto Tobirama pedisse para ele ficar mais tranquilo. Talvez por não concordar tanto com a criação autoritária de seu pai e compreender, desde cedo, a necessidade de mostrar ao mais novo que ele estava ali e de que ele não precisava ter medo de expor qualquer sentimento à ele. Como um… medo de que Tobirama se tornasse alguém tão frio e sem tato como o progenitor.

— Não seja dramático, apenas estou ocupado com os novos projetos que consegui pegar. — Falou após perceber que o irmão o olhava com certa expectativa, aguardando por uma resposta. — Finalizou, notando um sorriso de leve no rosto do irmão.

— Ah, então está correndo tudo bem com a empresa? Você não tem me dado muitas notícias… — Inquiriu curioso. Tobirama estava cada vez mais fechado sobre questões profissionais.

— Mais ou menos. Esses projetos são pequenos comparados ao que eu pretendia pegar — Resmungou um tanto chateado. — Semana passada perdi um projeto importante dos Namikaze. Ele me ligou cancelando de última hora e nem me explicou direito o motivo.

— Sério? — Indagou surpreso, percebendo o aborrecimento do irmão.

Tobirama apenas assentiu como resposta e voltou a comer, em silêncio. O Senju mais velho reparou no clima que perdurou na mesa, decidindo incentivar o platinado.

— Pode parecer que não, mas esses projetos pequenos podem ser divisores de água para você. Eles meio que… constroem os degraus para que você ganhe destaque futuramente. — Replicou dando uma pausa, apenas para prosseguir com o seu discurso. 

“Ah, não… Lá vem ele começar os seus monólogos de uma hora.” Pensou, fingindo interesse, enquanto ainda comia. 

— No começo da minha carreira eu optei por pegar casos menores e tal. Eles abriram alguns caminhos para mim, entende?. — Disse, dando um valor íntegro para aquela conversa. — Eu sei que no futuro, você vai perceber isso também. 

“O mesmo de sempre.” Por fora, ele apenas concordava com o irmão, mas internamente ele não aguentava mais. 

— Entendi, obrigado por se preocupar. — Respondeu curto, encerrando aquele assunto. 

A mesa fica em repleto silêncio, apenas sendo audível os barulhos dos hashis. Hashirama deu um longo gole de seu chá, recordando—se repentinamente de uma outra parte da vida de Tobirama que ele ainda não havia questionado. 

— E… você não está saindo com ninguém? — Perguntou simplesmente, como se nada fosse.

O platinado se engasgou na hora com o atrevimento do irmão mais velho. Sabia que o irmão conseguiria faltar com noção às vezes, mas continuava se chocando de vez em quando. E ele conseguia perder mais ainda o filtro com Tobirama. Justo com ele, que não gosta nem um pouco de falar sobre os âmbitos de sua vida, dirá a amorosa.

— Por que esse assunto tão de repente? — Indagou, cerrando o olhar meio desconfiado para o irmão, que sorria divertido. 

— Porque eu quero saber, oras. — Deu de ombros. — E quanto ao Kagami, o primo do Madara que trabalha com você? 

— Está vivo. — Respondeu seco, rezando para que isso não cedesse brechas para aquele assunto se prolongar. 

Hashirama riu da resposta do irmão. Entretanto, aquilo não seria o suficiente para lhe fazer desistir do assunto. 

— Sabe, eu gosto muito do Kagami. Ele me pareceu uma pessoa ótima das vezes que nos encontramos em reuniões da família Uchiha, apesar de ser um pouco doidinho. — Disse, reparando um breve sorriso de canto se formar nos lábios do irmão. 

Tobirama não negaria a amizade existente entre eles. Afinal, estudaram juntos e agora trabalham na mesma empresa também. Além de que seu irmão mais velho namorava um primo dele, é claro. Havia demorado para que Kagami conseguisse a amizade e confiança do Senju mais novo, por conta da personalidade mais reclusa. Porém, Tobirama mentiria se negasse que nutria afeto por ele.

— É, ele é mesmo interessante. — Respondeu, levando uma pequena porção de arroz à boca. — E concordo com a parte do doidinho também. Você acredita que ele me sugeriu terapia esses dias? — Falou inconscientemente.

— Hm?  — O mais velho inquiriu, fingindo surpresa e rindo logo em seguida. — Tem algo acontecendo que eu deveria saber?

A verdade é que já havia conversado com Kagami mais cedo, sabendo do que o irmão queria dizer.

— Não, Hashirama. — Respondeu. — Ele diz que para eu tirar o ‘peso dos ombros’ de vez em quando. — Finalizou, gesticulando aspas com os dedos.

— Você não havia me contado sobre isso....

— Ah, foi algo que ele citou uma vez, apenas. 

— Terapia, então? — Indagou, parecendo pensativo quanto aquela ideia. — Eu acho que é uma ótima sugestão. 

— Ah, por Deus, eu não tenho tempo para terapia. — Retrucou irritado. — Até porque não posso me arriscar a fazer uma terapia agora, sabendo que pode ocorrer de não ser cem por cento efetiva. 

Hashirama suspirou profundamente. Tobirama era bastante impenetrável em certos pontos. Quando ele possuía uma opinião concreta sobre algo, nada o fazia mudar. 

— Você nunca vai saber se não tentar. E a consulta pode ajudar a organizar as suas ideias, visto que está precisando muito. — Pontuou firmemente. — E se não gostar, é só parar, oras! Fazer terapia não significa que você seja um doido. 

Tobirama, por outro lado, apenas revirou os olhos, procurando terminar de comer o mais rápido possível. Não queria despertar a persistência de Hashirama. Esse já era um traço forte de sua personalidade e, depois que se formou em Direito, sabia ainda mais como discursar seu ponto de vista para as pessoas. Se continuasse naquela mesa, ele iria falar sobre o assunto o almoço inteiro. Por isso, quis reatar logo ao trabalho.

Quando terminou de comer, levantou-se carregando as louças sujas e as deixando na pia. Hashirama compreendeu que o irmão já iria embora e por isso, tentou insistir uma última vez: 

— Você vai pensar a respeito? — Perguntou. 

Assistiu o irmão virar-se diante a ele com uma expressão que o fazia acreditar que poderia concordar com ele. Entretanto, já deveria saber o ímpeto de Tobirama. 

— Não. — Replicou, com um sorriso sarcástico no rosto. 

Tobirama despediu-se do irmão e caminhou até a porta, pronto para ir embora do local. No entanto, quando estava prestes a tocar na maçaneta gélida, a mesma girou-se sozinha e a porta fez um rangido, indicando que alguém estava entrando na casa. 

Se pudesse escolher, não daria de cara com Madara nunca.

Cerrou o olhar diante da figura masculina que estava na entrada, que retribuía aquele ar conflitante na mesma intensidade. Hashirama que, até então, estudava os dois, riu baixo quando percebeu a carga elétrica que aqueles olhares trocavam. 

“Duas crianças”, era o que sempre pensava.

— Hm. — Foi tudo que o platinado conseguiu dizer ao passar reto pelo Uchiha, que o concedeu um breve espaço para que ele se retirasse. 

— Hm. — Madara retribuiu o mesmo dizer. 

Quando Tobirama estava aguardando a chegada do elevador, ouviu a porta atrás de si bater. Mas, apesar disso, conseguiu escutar a conversa entre os dois, parecendo falar sobre uma terceira pessoa que ele não conseguiu reconhecer. 

— Deu tudo certo com a instalação de tudo na casa dele? — Hashirama inquiriu para o namorado. 

— Sim. — Respondeu simples. — Parece que tudo já está nos conformes.

Um fio de curiosidade aguçou dentro da mente do albino sobre o que aqueles dois poderiam estar conversando. Porém, assim que as portas de metal se abriram, Tobirama entrou no elevador e, quando saiu do prédio, já havia esquecido sobre o assunto.

 

****

 

Alguns dias se passaram depois do almoço na casa do Hashirama e, naquele tempo, conseguiu alguns pequenos projetos que decidiu aceitar. Levou em consideração as palavras do irmão e procurou se atentar a eles o máximo que podia. 

Apesar de estar fazendo aquilo que estudou e gostava, não podia deixar de pensar o quanto aquela situação era extremamente monótona. Não se imaginava fazendo outra coisa, mas, de vez em quando, perguntava-se o que estava faltando para dar um pouco de cor à sua rotina. Sempre acabava dando atenção aos conselhos de Hashirama e sabia que o irmão se preocupava muito consigo. Também havia Kagami, uma amizade improvável mas que sempre conseguiu divertir o albino em seu dia-a-dia.

Logo, certo egoísmo preenchia a mente de Tobirama toda vez que cogitasse estar insatisfeito com sua vida. Não havia motivos para isso.

Mas… se conseguisse entender como tirar tantos pensamentos nublados de sua mente, talvez estivesse mais feliz.

Inconscientemente, havia aumentado mais ainda o ritmo de trabalho. Kagami, do lado de fora de sua sala, observava atentamente as ações do albino através de um espaço do vidro com a persiana levantada. Os dedos longos e ágeis ora moviam o mouse, provavelmente construindo algo nos programas especiais para projetos, ora rabiscavam algo rapidamente em sua prancheta de desenhos. Ele também estava atendendo muitas ligações. Kagami contou quatro.

Quando percebeu uma menor movimentação, o Uchiha decidiu dar um alô. Entrou na sala, sem bater e sem ao menos se importar com o olhar questionador que recebeu como resposta. 

— Oi, Tobi. O que você está fazendo?

— Estou trabalhando, senhor. E você? — Indagou um tanto sarcástico. 

O mais novo revirou os olhos, andando até a mesa e sentando-se sobre o tampo de madeira maciça.

— Você já viu que horas são? — Kagami perguntou, retirando gentilmente a lapiseira técnica da mão de Tobirama. Ele não escrevia nada, de qualquer maneira. — Já se passaram quase trinta minutos do fim do expediente e... você ainda está trabalhando. 

O Senju desviou o olhar para o relógio que havia na sala, constatando que o mais novo estava certo. Ficou um pouco surpreso com aquela situação. Nem ele havia se dado conta. 

— Eu só vou terminar esse último adendo, e… — Fora interrompido pelo Uchiha, antes que terminasse de falar. 

— Tsc. — Kagami balançou a cabeça. — Vamos, é sexta-feira. E olha o que eu trouxe, já que da última vez bebemos vinho.

Foi só então que o albino reparou na sacola que o moreno havia depositado em cima da mesa. De dentro, o Uchiha retirou duas latas de cerveja.

— Cacete, Kagami. A gente tá no escritório.

— Ah, para. Todos já foram embora. — Respondeu, andando até o sofá que havia recostado em uma das paredes da sala. — Vem logo.

 

****

 

O barulho metálico de mais uma latinha sendo depositada sobre a mesa de centro ecoou pela sala. Kagami voltou então à sua posição anterior: sentado de pernas cruzadas, com o tronco virado inteiramente para Tobirama. Este, por sua vez, estava completamente recostado no sofá, com a cabeça jogada para trás e de olhos fechados. Sua mão batucava em sua coxa em um ritmo aleatório.

— Acho que não bebemos tanta cerveja assim desde a época da faculdade. — O Uchiha quebrou o silêncio. — Lembra? Eu ganhava todas as competições possíveis relacionadas a quem conseguia beber mais.

Tobirama riu com as lembranças que o amigo proferia. Kagami reparou que suas feições estavam um pouco mais relaxadas, mas nada comparado à época em que Tobirama não havia tantas preocupações sobre os ombros. Reparou também no maxilar levantado e na cor avermelhada de suas maçãs devido ao álcool.

— É claro que eu lembro. Eu e Hiruzen tínhamos que te carregar para casa depois. — Respondeu, lembrando-se do outro amigo de seu grupo. Hoje ele era formado em Administração.

— A gente sabia como se divertir. — Kagami riu, cutucando a costela do amigo com a ponta do pé, tentando provocá-lo.

Tobirama olhou de soslaio para o moreno, rindo num sopro pelo nariz, por fim.

— Acho que desaprendi a me divertir. — Disse baixo. O tom embriagado era perceptível em sua voz.

O Uchiha revirou os olhos, recolhendo seu pé e movendo o seu corpo para a almofada ao lado de Tobirama. Começou a tirar alguns fiapos de sua camisa social e ajeitou a gola um pouco amassada.

— Deixa de besteira. — Retrucou, dedilhando de leve o ombro do albino.

— É sério. — Riu. — Sei das minhas obrigações como adulto, mas não consigo deixar de sentir essa sombra de cobrança que me persegue. 

“Ele deve estar muito bêbado para se abrir tanto assim'', pensou, rindo mentalmente.

— Não sei o que mais falar pra você, Tobi. — Respondeu. — Sabia que conversei com seu irmão?

O albino ergueu a cabeça na direção do amigo, abrindo os olhos avermelhados e curiosos para ele.

— Sobre mim? — Indagou.

— Sim. — Respondeu, deitando sua cabeça sobre o ombro de Tobirama. —  Ele me ligou porque estava te procurando. Sabia que ele também sente que você está se sobrecarregando mais? Só que… é algo fora do nosso alcance. — Riu lento, sentindo seu corpo formigar um pouco por conta da cerveja. 

Kagami lembra de ouvir de Hashirama que seu irmão era muito cabeça-dura. Riu num sopro pelo nariz. Lembrou-se da última vez que foram à cafeteria e Tobirama havia citado o nome de Hashirama e as questões que o rondavam sobre ele. Além disso, havia confidenciado mais nuances de sua insegurança para o Uchiha no mesmo dia, mais tarde, quando estavam juntos no apartamento do albino. Tobirama não havia percebido, pois estava um pouco grogue de sono, relaxando sobre o peito nu de Kagami enquanto este acariciava seus cabelos. Era incrível como mostrava-se vulnerável nessas horas. O mais novo perguntava-se quantas pessoas conheciam esse lado de Tobirama. Ou sequer se ele mesmo conhecia o Senju totalmente.

Kagami não fazia ideia do quanto Hashirama sabia sobre todas essas questões do irmão. Ou sequer se ele sabia de alguma coisa sobre toda essa cobrança interna que o albino tinha para com o nome de sua família.

— Ele achou interessante a ideia de algum tipo de terapia.

— É claro que achou. — Tobirama voltou a recostar sua cabeça no sofá, dando um gole na latinha que segurava. — Talvez…

Kagami o olhou atento, vendo-o respirar fundo. 

— Talvez? — Repetiu, na esperança de que o amigo continuasse.

— Talvez você possa apenas mandar uma mensagem para seu primo, perguntando sobre algum horário disponível. Repito: talvez.

Kagami sorriu, desacreditado. É claro que, para duas pessoas embriagadas, as palavras podem adquirir significados e intensidades totalmente diferentes da intenção verdadeira. Para o moreno, esse foi o aval completo: a permissão para o que estava prestes a fazer. Por isso, não tardou para que o Uchiha desse um toque em Izuna pelo celular...

 

****

 

O incessante toque vibrante fez com que o Senju despertasse no susto, abrindo os olhos rapidamente e deparando-se com a claridade do quarto. As cortinas transparentes dançavam por conta da corrente de ar, trazendo mais luz que o necessário.

Piscou algumas vezes, espantando as moscas volantes da visão, antes de sentar-se na cama para tomar alguns minutos valiosos para si. Era tudo que Tobirama precisava quando abria os olhos pela manhã; despertar aos poucos, sem nenhum incômodo ou ruído para atrapalhar a sua trilha de pensamentos. 

Entretanto, a existência de alguém insistente perturbou um pouco seus planos matinais. Suspirou profundamente, mergulhando a mão pelo colchão em busca daquele som irritante que ecoava do seu celular. 

Assim que o encontrou, trouxe à vista o visor, constatando chamadas perdidas do Hashirama. Estranhou a quantidade de ligações, procurando não levar a sério no momento. Considerava que fosse mais um dos surtos de "abandono fraternal" que o irmão possuía. Desde que se mudou, Hashirama se transformou em um irmão coruja completo. Sempre mandava mensagens e, quando Tobirama não as respondia, ficava triste pensando que foi esquecido. As ligações também eram recorrentes, pois o mais velho sentia muitas saudades do convívio que existia entre eles antes de cada um obter seu próprio espaço. 

Sempre foram muito unidos e, mesclado com aquele instinto que todo irmão mais velho possuía pelo mais jovem, Hashirama também era assim. Tobirama o compreendia, pois sentia falta do irmão também. Mas, às vezes gostava de ficar sozinho e de realizar as próprias atividades pessoais. Era um homem bastante caseiro e apegado à sua rotina. 

E aquele fato parecia chatear um pouco Hashirama, mas não consistia uma verossimilidade no sentimento. O Senju entendia que o irmão possuía o seu jeito único e introvertido que se expandia até em suas conexões virtuais. 

Depois de um tempo, sentado na cama, Tobirama decidiu levantar-se para tomar um banho. Deixou a água quente carregar todo o estresse diário que se concentrava em seus ombros, dando um toque mais relaxante. 

Suspirou extasiado, enxugando o rosto para aliviar a vista cansada e desligou a ducha, retirando-se do banheiro logo em seguida. Vestiu os trajes que acompanhavam o seu cotidiano no trabalho e sentou-se na cama novamente para calçar os sapatos sociais. 

Durante aquela pequena tarefa, o celular voltou a vibrar, fazendo o albino bufar irritado. 

Tomou o aparelho constatando que, mais uma vez, era Hashirama o ligando. Deslizou o botão para atender a chamada, respirando fundo no processo.

— Tobirama, pensei que não fosse me atender nunca mais. — Ouviu o irmão lamuriar do outro lado da linha. 

— O que aconteceu? — Inquiriu um pouco mal humorado. Fazia tempo que não havia que lidar com o seu irmão carente logo cedo. 

— Como assim ‘o que aconteceu’? Já está pronto? — Hashirama indagou, soando um pouco confuso. 

Assim que Tobirama terminou de calçar os sapatos, com certa dificuldade por estar usando apenas uma mão, soltou um suspiro lânguido, cruzando as pernas logo em seguida. 

— Sim, eu estou indo para o trabalho. — Proferiu, ouvindo alguns resmungos como resposta. Havia a existência de uma segunda voz na conversa paralela do outro lado da linha, na qual Tobirama reconhecia muito bem ser a do Uchiha. 

Não compreendia o que eles estavam falando de fato, mas não procurou se atentar. Desviou o olhar para o relógio no pulso e constatou que já estava na hora de sair de casa. 

— Hashirama, eu preciso desligar. — Murmurou, contornando a sobrancelha com os dois dedos em um gesto que, estranhamente, relaxava-o. 

— Me espera na portaria que eu já estou passando para te buscar. — Hashirama retrucou enquanto andava apressado pela casa em busca das chaves. 

Tobirama arqueou uma das sobrancelhas, estranhando aquele comportamento do irmão mais velho. Hashirama nunca o acompanhava até o trabalho, tampouco o levava. Então por que isso tão repentinamente? 

Como a resposta não viria sozinha, decidiu guiar-se até ela. 

— Por que você vem me buscar? Não estou entendendo. 

— Ah, Tobi, não finja que esqueceu. — Hashirama sibilou, estalando a língua no céu da boca. Aquela resposta trouxe mais dúvidas para o platinado, que estava prestes a refutar a respeito, mas o Senju mais velho interferiu novamente. — Sua consulta, às nove horas da manhã. Lembra? 

Tobirama ficou uns segundos calado, absorvendo aquelas informações novas. Consulta? Cruzou um dos braços, fitando um ponto característico do quarto com uma expressão caricata. Era como se o irmão estivesse diante dele. 

— Do que você está falando? — Inquiriu, começando a se irritar com aquele mistério rondando a verdadeira intenção do irmão. 

Ouviu-o bufar do outro lado da linha, murmurando algumas coisas desconexas. Provavelmente, estava desacreditado com a facilidade que o irmão mais novo possuíra para esquecer-se de um compromisso tão importante pela manhã. 

— Não se recorda nem da conversa que teve com o Kagami na noite passada? — Perguntou um pouco cansado, pensando que, talvez, aquele esquecimento fosse proposital. 

Do outro lado, Tobirama suspirou e procurou recorrer, aos fundos da sua memória, os acontecimentos daquela noite em questão. 

Lembra-se que estavam bebendo na sala, conversando sobre a época em que estudavam juntos. Recordam-se até de amizades antigas. Foi um momento até que agradável e saudoso para o gosto do Senju, servindo quase como um calmante para a bateria de projetos que estavam no seu encalço. 

Entretanto, nada do que se lembrava poderia ter relação com alguma coisa do que Hashirama estava dizendo. 

Por isso, soltou um murmúrio impaciente por não ter noção do que estava acontecendo. 

— Hashirama, me explica isso melhor. — Pediu. 

— Você é muito difícil... — Hashirama respirou fundo, concentrando toda a plenitude que poderia alcançar naquele momento. — Tem uma consulta marcada para você hoje. Como é a sua primeira vez e eu estou livre hoje, resolvi te acompanhar. 

Tobirama soltou uma risada baixa, desprovida de emoção. Na verdade, considerava que aquilo poderia ser alguma brincadeira de mal gosto que o irmão poderia estar fazendo. 

Mas Hashirama era alguém extremamente sério em certas questões, e a saúde, com certeza, era uma delas. Por isso, descartou essa possibilidade. 

— Consulta de quê? — Questionou cessando as risadas nervosas que saíam.

— Com seu psicólogo. — Hashirama respondeu simplesmente, como se aquilo não fosse nada demais. 

Entretanto, para Tobirama, aquela informação era algo totalmente novo. Arregalou as orbes escarlates em total descrença por não constatar uma invariabilidade nas palavras do irmão. 

O que reforçava a seriedade invejável que Hashirama portava. Quando e como ele havia determinado isso? Kagami tinha a ver com aquela loucura toda, por isso foi citado na conversa? 

Estava um pouco chocado, nem se dando conta dos minutos que passaram. Apenas ficou fitando um ponto qualquer no quarto, como se fosse algo realmente interessante de se entreter. 

— Quem mandou você marcar? — Questionou.

— Não fui eu quem marquei, foi o Kagami. E antes que você venha me falar qualquer coisa, Kagami me disse que você concordou com a ideia. — Respondeu calmamente. 

Mais uma vez, Tobirama encontrou-se perdido. Forçou ainda mais sua cabeça para tentar se lembrar do momento em questão.

O mesmo cenário retornou, lembrando que estava mais relaxado que o normal naquela noite na companhia do Uchiha. O álcool no organismo havia de fato liberado algumas camadas existentes ao redor de Tobirama. O clima ameno deve ter contribuído para isso também. O ponto chave em suas palavras veio tão sorrateiramente… e Tobirama, finalmente recordou-se do que havia dito aquela noite. Não conseguia acreditar que havia sido tão condescendente com aquela ideia jogada no ar. Na verdade, nem havia dado certeza para o amigo. Como um feitiço que Kagami lançou, apenas para ele cair e deu certo. 

— Merda. Aquela cerveja... — Praguejou, jogando-se de costas no colchão. 

Hashirama soltou um suspiro de alívio pelo irmão ter dado indícios de recordação. Durante aquele silêncio, manteve-se atento todo tempo no relógio da sala, constatando que faltavam trinta minutos para chegarem ao consultório. 

E, por isso, decidiu não prolongar mais aquela conversa no telefone. 

— É bom que você tenha se lembrado, finalmente. Eu vou parar para comprar algo para comermos no caminho e ‘tô passando para te buscar. Desça em dez minutos. — Hashirama disse, parecendo mais apressado que o normal. 

Tobirama ficou um tanto desnorteado com aquela agitação toda e, antes de refutar o irmão, o mesmo desligou o telefone, não lhe concedendo nenhuma brecha para defesa. 

Suspirou, passando uma das mãos pelas madeixas platinadas, praguejando internamente pelo péssimo uso de palavras que fez naquela noite. 

 

****

 

Assim como combinado, Hashirama encontrou-se com o irmão mais moço na portaria. Ele carregava uma sacola contendo a estampa de uma loja conhecida por vender onigiris. O Senju mais velho possuía um sorriso satisfeito nos lábios por estar diante do platinado, mesmo que este possuísse uma expressão contrariada no rosto. 

Ainda que o humor não estivesse dos melhores, já sentia-se bastante orgulhoso pelo irmão não ter se esquivado do pedido. Isso indicava que, mesmo que ele não quisesse admitir, poderia estar botando o mínimo de fé naquela consulta. 

Aproximou-se com a plenitude que combinava perfeitamente com ele, girando a sacola de plástico em um balanço sincronizado, como uma criança animada com o seu próprio doce. Tobirama por outro lado, parecia o pai bravo que estava prestes a dar sermão, por qualquer coisa. 

— Bom dia. — Cumprimentou com um sorriso. — Vamos? 

Tobirama soltou um resmungo como resposta, desviando o olhar do irmão por alguns segundos apenas para não se render à felicidade alheia dele. Mesmo com o silêncio, Hashirama o instigou a acompanhá-lo e, assim, o platinado o fez. 

Caminharam até a garagem do prédio, indo de encontro ao veículo de Tobirama que estava localizado naquele breu intenso que todo estacionamento possuía. Apertou o botão das chaves do carro, fazendo o alerta piscar, indicando onde o automóvel estava estacionado. 

Cada um entrou por uma porta, sentando-se nos respectivos bancos. Tobirama manobrou o carro e o dirigiu para fora da garagem. Observou o irmão de soslaio, vez ou outra, para acompanhar as feições faciais dele. Tobirama parecia disperso em seus próprios pensamentos. Porém, sua face se mantinha minimamente tranquila. 

Apesar daquela calmaria existir externamente, internamente o que acontecia era o contrário. 

Estava bastante nervoso e inquieto, teorizando nos possíveis acontecimentos que poderiam ocorrer naquele consultório. Nunca havia ido para uma consulta na vida, tampouco saberia se abrir com alguém que não conhecia. E, para piorar o seu frenesi instantâneo de pensar em coisas negativas, preocupou-se com o trabalho também.

Não podia deixar uma manhã passar em branco, sem se mostrar presente na empresa. E se alguma coisa desse errado? E se perdesse mais um projeto? Mesmo de manhã, os telefonemas poderiam não parar de tocarem em busca de serviços. 

E aquela serenidade que, até então, participava do rosto de Tobirama, contorceu-se em aflição por conta dos seus pensamentos. 

— Está tudo bem? — Questionou Hashirama, mesmo que já tivesse noção da resposta. 

— Estou preocupado com a empresa. — Murmurou quase em um tom mudo, abaixando o olhar rapidamente para constatar se havia alguma ligação perdida no celular. 

Procuraria ser cauteloso com o aparelho naquela manhã, para caso algum funcionário ou cliente o ligasse, ficasse a par de qualquer coisa. Mesmo que estivesse fora, ainda se manteria presente do seu jeito. 

— Tobi, fique tranquilo. O Kagami está lá e qualquer coisa ele vai nos avisar. Tente não ocupar a mente com isso agora. — Hashirama proferiu em um tom pacífico, tentando trazer a tranquilidade de antes no irmão. 

Entretanto, mesmo com a resposta, Tobirama não se convenceu. Aquele sentimento lhe afligia como uma pequena agulha, alfinetando ele a cada minuto que se passava. Procurava-se manter atento à rua mas, ainda assim, sua trilha de pensamentos o direcionava para um outro local. 

Procurou por alguns segundos aquietar a mente e relaxar. Ele possuía as suas dificuldades em relação à adaptar-se àquelas novas rotinas que lhe eram instauradas. Parte de suas celas eram mentais, mas ele tentaria. 

Com um toque acolhedor, Hashirama descansou a mão sobre o ombro do irmão, o fazendo olhar de canto para ele. Se deparou com um sorriso adorável nos lábios do outro, e uma mão estava sendo erguida, oferecendo onigiri. 

Tobirama formou um bico emburrado. Aproveitou o sinal fechado para tomar um bolinho de arroz para si. Hashirama pareceu contente com aquele cedimento e em seguida, aventurou-se com a comida que havia na sacola. 

— Cuidado para não sujar o carro. — Disse em um tom repreensivo, atentando-se às atitudes do irmão. Ainda que Hashirama fosse o mais velho dos dois e portasse formalidade, às vezes parecia uma criança animada com qualquer coisa. 

E quando estava se deliciando com onigiris, muitas das vezes deixava escapar um, sem qualquer pretensão de ser proposital. E como estava dirigindo, as chances disso acontecer aumentavam gradativamente.

— Eu sei, eu não vou sujar. — Hashirama retrucou, franzindo o cenho de apreciação por estar comendo um de seus bolinhos favoritos. 

— Por que decidiu vir comigo? — O platinado indagou depois que um silêncio fez-se presente no carro. Ainda que gostasse da presença do irmão e a considerasse importante, não apreciava a ideia de ser tratado como uma criança que precisa de acompanhante para tudo. 

— Eu já te disse, não? Não tenho nada para fazer hoje e, também, quero te dar apoio ao meu irmão favorito. Estou muito orgulhoso da sua decisão. — Respondeu com um sorriso no rosto. 

Tobirama revirou os olhos com aquele sentimentalismo exacerbado do moreno, franzindo o cenho logo em seguida pelo comentário. Ainda não estava muito de acordo com aquela ideia. 

— Claro que eu sou seu preferido. Eu sou o seu único irmão, Hashirama. — Respondeu, arrancando risadas do outro Senju. 

Após alguns minutos dirigindo, Tobirama finalmente chegou ao local indicado, estacionando em uma vaga propícia para isso. Clicou no botão para destravar as portas do carro e assim Hashirama retirou-se do veículo, pronto para caminhar até a clínica. 

Entretanto, quando constatou que o irmão permanecera dentro do carro, com os braços cruzados, riu baixo e girou os calcanhares de volta ao veículo, batendo na janela por fim. 

Tobirama ergueu o olhar para o irmão, aguardando para ver o que ele queria. 

— E então?

— Não sei se isso vai dar certo, Hashirama. — Pontuou firmemente, crispando os lábios com certa relutância no ar. 

— Como sabe disso? Ainda nem entramos… — Antes que terminasse de concluir sua frase, deparou-se com o irmão de cabeça baixa, parecendo nervoso. Suspirou profundamente, percebendo que aquela era mais uma camada a ter que lidar naquele momento. Não se lembrava da última vez que havia o visto assim. E a impaciência não o levaria a nenhum lugar. — Tobirama, eu sei que pode parecer medonho, mas é para o seu bem. Se você não gostar e realmente não se sentir confortável, podemos vir outro dia. Mas, por favor, dê uma chance ao agora. 

Tobirama mordeu os lábios levemente, desviando o olhar até o irmão. Hashirama possuía uma expressão tranquila no rosto, transparecendo que estava tudo bem. Não havia pressão, tampouco chantagem em suas palavras. Talvez, esses fossem uma das maiores qualidades que o mais velho possuía; compreensão. 

Ficou um tempo indeciso dentro do carro, pensando se deveria deixar para outro dia ou não. Mas, já estavam ali. Além de ter gastado combustível, não queria que aquela viagem fosse dada como perdida, apenas por conta de suas inseguranças. Mesmo que às vezes elas falassem mais alto, precisava se manter imponente. 

Afinal, assim como o seu pai sempre ressaltou na vida, ele era um Senju. Fraquezas como aquelas não eram bem-vindas. E aquele orgulhoso fogoso surgiu, trazendo um pouco do gás que ele precisava para sair do carro. 

Hashirama aguardou pacientemente, mesmo que o horário para ser atendido já estivesse no encalço deles. Depois de alguns segundos, Tobirama suspirou e abriu a porta do veículo. Hashirama arregalou os olhos minimamente, ficando satisfeito ao constatar que ele havia conseguido sair do carro sozinho. 

Os dois caminharam em direção a clínica, um pouco distantes um do outro, pois Tobirama andava com passos pesados, enquanto Hashirama o acompanhava tranquilamente. Assim que adentraram o local, o platinado supervisionou o lugar como um todo. 

O ambiente gelado, entrando em contraste com a sua pele e a enrijecendo pelo frio minimamente, as decorações milimetricamente arranjadas, chamando a atenção do arquiteto. 

Porém, um quadro em questão chamou bastante a sua atenção.

 

“Psicólogo.”

 

Aquela primeira palavra que carregava a profissão, o deixava bastante aflito. Fazia com que a sua mente nublasse e só se focasse naquilo, como se fosse a maior verdade do mundo. Entrando em contraste de que, essa era a realidade e não apenas mais um de seus devaneios. 

Ficara tão atento àquela palavra, que nem se deu ao luxo de olhar o nome do doutor que o atenderia. Suspirou, procurando o irmão pelo olhar e o encontrando na mesa da atendente, trocando algumas palavras com ela. Provavelmente relacionadas ao fato dele ser um paciente das nove, e que já estava ali.

Seguiu em direção até o sofá para se sentar, aguardando o irmão mais velho se resolver com a secretária.  

O platinado ficou uns minutos em silêncio, juntando as grandes mãos que estavam frias por conta da temperatura do local, procurando aquecê-las. Depois de uns minutos, Hashirama seguiu o irmão e se sentou ao lado dele. 

— Ele está terminando de finalizar algumas pendências e já te chama. — Hashirama repetiu as palavras que a mulher da recepção anunciou à ele, observando o platinado apenas fazer que sim com a cabeça, sem dizer nada de volta.

Os minutos foram se passando e com eles, toda a calma e autocontrole de Tobirama. Ele sentia-se mais nervoso que o normal, batendo o pé no chão extremamente ansioso e mexendo as mãos, sem saber onde enfiá-las ao certo. 

Não demorou para que Hashirama percebesse aquele comportamento atípico vindo do irmão, e quando decidiu brincar com ele, apenas para distraí-lo, a voz da secretária se fez presente no cômodo. 

— Tobirama Senju, você já pode ser atendido. Pode me acompanhar?

O albino levantou-se, arquejando de nervoso a cada passo que dava até o destino que o aguardava, seguindo a moça. Não se lembrava da última vez que ficara daquele jeito e por isso, detestava mais ainda aquela situação. 

No entanto, quando parou de frente a porta, percebeu que não tinha mais volta. Já estava ali, então não tinha o porquê recuar mais. Quando a secretária deu leves toques na madeira, sentiu suas mãos suarem frio.

— Pode entrar. — Ouviu a resposta sendo proferida do outro lado. 

Sentiu um arrepio forte correr pela sua espinha ao escutar aquela voz aveludada e gentil, porém firme, como se fizesse presente ali uma confiança que nem Tobirama imaginava. Era quase como se ele não conseguisse respirar. 

A atendente sorriu para Tobirama, dando espaço para que ele entrasse. Tocou na maçaneta, girando-a por fim e adentrando aquele local novo. Fechou a porta, trancando-a e se pondo a reparar no dono daquela voz. O olhar passeou de baixo para cima, acompanhando os trajes que aquele homem usava até a atenção calculada que ele possuía nos papéis que estava segurando. 

Quando seu olhar enfim encerrou-se nas orbes escuras do homem à sua frente, perdeu-se totalmente, principalmente quando os mesmos o encaravam de volta através do óculos de aro fino.

 


Notas Finais


quem mais sentiu a tensão sexual no ar? honestamente, eu não sei para onde me atiraria.
até a próxima \o


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