História Do avesso - Capítulo 11


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Categorias Em Família
Personagens Clara Fernandes, Francisca Proença Fernandes, Luiza Fernandes Machado, Marina Meirelles
Tags Ação, Adolescentes, Amizade, Amor, Lesbicas, Lgbt, Romance, Suspense, Violencia
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Palavras 6.357
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, LGBT, Literatura Feminina, Orange, Romance e Novela, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Querem que eu volte a postar duas vezes por semana?
Relevem os erros.
Boa leitura.

Capítulo 11 - Passado


– Shh! – Clara colocou o dedo sobre os lábios de Marina a calando.

Elas passaram a manhã toda se esforçando para não matarem aula apenas para ficarem juntas, o que para ambas foi um terrível processo, uma vez que estavam todo tempo querendo se beijar, se tocar, se morder.

Na opinião de Flávia, elas estavam apaixonadas. Na opinião de Vanessa, elas eram duas ninfomaníacas. Na opinião de Gisele, elas eram almas gêmeas. Na opinião de Luiza, elas estavam se amando e na opinião de Manuela, elas ficarem juntas era algo inevitável. No fundo, estavam todas conformadas e felizes com aquela situação, mas temiam pelo que podia acontecer.

– Acho que minha mãe chegou.

– Mas ela não devia estar no escritório?

– É, ela devia, mas às vezes ela sai cedo – explicou – e ela não pode nos ver assim.

Marina fez cara de confusa e parou para analisar a situação em que se encontravam. Marina pressionava Clara contra a parede da cozinha e as roupas das duas já estavam totalmente bagunçadas, o pescoço dela estava tão marcado quanto o de Clara. Ela sorriu ao chegar à essa conclusão e se afastou um pouco de Clara que gemeu em protesto.

– O que foi? Foi você quem disse que devíamos parar. – disse.

– Esquece isso, sua insuportável – revirou os olhos e saiu caminhando na direção da sala.

– O que você vai fazer?

– Ver quem é, é lógico. – respondeu e Marina riu a acompanhando.

Elas caminharam calmamente para porta da casa de Clara e quando chegaram ao local, chegaram à conclusão de que não era ninguém. Suspiraram e se sentaram no sofá. Clara sentou no colo de Marina que riu da sua atitude um tanto quanto desesperada.

– Vai com calma, mocinha – brincou mordendo o pescoço de Clara que suspirou.

– Me poupe, Meirelles, sei que você está doida para me levar para cama. – provocou e Marina mordeu com ainda mais força seu pescoço.

Fernandes gemeu e puxou o cabelo de Meirelles.

– Não me provoca, Clarinha. Até agora você só conheceu o meu lado delicado – sorriu.

– Acho que eu necessito desesperadamente conhecer o outro lado.

Marina riu concordando e puxou a garota para um beijo agressivo. A língua de Marina explorava a boca de Clara sem delicadeza, ou sutileza alguma e Clara adorou esse beijo.

 Se dissesse que não amava aquele beijo estaria sendo mentirosa, Marina era terrivelmente boa em tudo o que fazia mesmo que jamais fosse admitir isso, não em voz alta.

Elas quebraram o beijo e Clara encarou Marina, estreitando os olhos quando viu a garota correr na direção da caixa de som do local. Ela ia questionar, mas antes que o pudesse fazer, ouviu as batidas de S&M invadir o local, automaticamente, sentiu sua excitação aumentar ainda mais.

– Vem. – Clara pediu, segurando a mão de Marina que se deixou ser arrastada para o quarto da garota.

Quando elas chegaram ao quarto de Clara, Marina a empurrou contra a porta e tomou os lábios da garota em um beijo devastador. Marina segurou firmemente os pulsos de Clara em cima da cabeça da garota contra a porta, Clara gemeu no meio do beijo e tentou tocar Marina que não permitiu.

As batidas do coração de Clara estavam terrivelmente descompassadas e o único som que se ouvia, além da música que continua tocando, era dos gemidos e suspiros de ambas as garotas que se beijavam e brigavam pelo controle da situação.

Marina afastou seus lábios e mordeu os de Clara descendo os beijos para o pescoço da garota. Ela lambeu toda aquela extensão e logo se livrou do vestido que Clara usava.

– Quem estava mandando eu ir com calma? – riu mordendo o próprio lábio o que fez Marina sorrir maliciosamente.

A garota aproximou seu rosto do de Clara e deixando o vestindo da mesma cair de sua mão, puxou Clara pela nuca e a beijou mais uma vez, só que dessa vez de uma forma ainda mais agressiva.

Ela mordeu com força o lábio inferior de Clara e desenhou o superior com a língua. A garota gemeu e ela sorriu satisfeita. Lá embaixo a música continuava rolando e estava alta o suficiente para elas e toda a vizinhança ouvir.

– Você já foi mais irritante. – Marina provocou Clara que sorriu incrédula.

– Cale a boca, Meirelles – exigiu – você ainda não viu nada, não sabe o quanto eu posso ser irritante quando quero.

– Ah, está me dizendo que em três anos, eu não consegui provar da sua raiva, Fernandes? – ergueu uma sobrancelha e Clara assentiu colando seus lábios.

Mesmo que as mãos de Clara estivessem presas contra a porta, uma coisa era certa, ela quem dominava aquele beijo. A língua dela duelava com a de Marina e ela conseguia arrancar gemidos da garota com esse simples, mas intenso contato.

Clara surtia efeitos em Marina que nenhuma outra garota jamais conseguiria surtir em toda uma vida. Ela era diferente, linda, irritante, estranha, bipolar, sincera e acima de tudo, ela era parte de Marina, ela havia se tornado parte e isso não era recente.

Elas passavam a maior parte do tempo discutindo e se beijando, Luiza julgava aquilo no mínimo cômico, na verdade todas as amigas delas achavam aquela situação estranhamente complicada.

Elas discordavam de tudo, eram diferentes demais, mas mesmo assim, não conseguiam se afastar. Era como se tivesse um imã puxando-as para perto uma da outra.

Quando Clara tirou totalmente o fôlego de Marina, ela quebrou o contato de seus lábios e riu cinicamente. 

Marina abaixou a cabeça, buscando ar e quando conseguiu encontra-lo, fitou Clara e a puxou para cama.

Clara riu quando Marina a jogou na cama sem nenhuma delicadeza. Era mesmo possível que a doce e romântica Marina fosse aquela predadora? É claro que era. E Clara se arrependeu amargamente por duvidar disso.

– E você, Clara? – perguntou aleatoriamente. Clara a encarou, confusa.

– Eu o quê?

– Você acha mesmo que provou da minha raiva?

Clara parou para pensar.

– Tenho certeza – sorriu de canto.

Marina riu e sentou na cintura de Clara que por puro reflexo, tentou se afastar de Marina, apoiando-se com os cotovelos na cama. Marina arqueou o corpo um pouco mais para aproximar seus rostos, os lábios de Clara já estavam inchados e vermelhos. A garota suspirou no momento em que uma das mãos de Marina segurou o seu queixo com delicadeza e ao mesmo tempo com força.

– Eu acho que não. – sussurrou ferozmente.

– Não estou nem aí para o que você acha – riu debochada e sentiu as unhas de Marina descerem rasgando a pele de seu pescoço – ai, porra!

Marina riu gostosamente e tomou os lábios de Clara em um beijo mais suave, delicado, lento, lento o suficiente para deixar a garota ainda mais excitada.

– Marina, não jogue esses joguinhos comigo – ordenou quebrando o beijo – eu não sou as garotas que você está acostumada a ficar.

– Não mesmo – concordou. Seus olhos brilhavam de pura luxuria. – e é por você ser diferente que eu ainda estou aqui nesse quarto te aturando.

Elas riram juntas e Marina encarou Clara por alguns segundos. Ela era mesmo diferente, era bem mais especial.

– Na verdade você está aqui porque diferente das suas amiguinhas eu sei te satisfazer de verdade. – disse convencida e Marina revirou os olhos.

– Não se ache tanto, Clarinha. – retrucou e uniu seus lábios em mais um beijo quente.

Conforme Marina ia intensificando o beijo, o corpo de Clara ia cedendo e se jogando no colchão. Clara estava entorpecida pelo cheiro de Marina e não havia como negar que ela jamais se acostumaria às reações que um único beijo, toque ou olhar de Marina lhe causavam.

Quando lhes faltou ar, Marina imediatamente desceu os beijos para o pescoço de Clara, fazendo um trajeto do pescoço à clavícula, seguindo para o colo da garota que gemia baixo.

– Marina, eu exijo que você pare com isso agora e tire essa porcaria de roupa. – Clara resmungou e Marina riu.

Ela era mesmo impossível. Marina estava morrendo de tesão e a garota ainda assim conseguia lhe encher a paciência. Só podia ser Clara mesmo para conseguir tudo dela com tanta facilidade.

– Pode tirar. – sorriu e se afastou de Clara que sorriu satisfeita.

Marina usava apenas um short curto e uma regata transparente. Clara logo se livrou das duas peças e passou a mão por toda a pele que encontrou descoberta. Marina gemeu quando as unhas de Clara rasgaram a pele de sua coxa.

– Clara, você não presta mesmo. – comentou e tornou a beijar cada milímetro da pele de Clara que se contorcia toda vez que a língua de Meirelles tocava sua pele.

Clara passou as pernas ao redor da cintura de Marina que passou a morder os locais que beijava. Ela sabia exatamente como deixar uma garota excitada e Clara teve certeza disso na noite em que não resistiu à tentação e dormiu com ela.

 Marina era intensa demais e até nesse aspecto a sua intensidade ajudava muito.

Quando Marina a tocava, ela sentia todo o seu corpo incendiar, era como se Marina pudesse revirar ela, era como se tudo fosse ampliado, o que ela sentiria com uma pessoa qualquer, ela sentia em dobro com Marina, se duvidar até triplo.

Marina segurou o rosto de Clara e a beijou deixando toda a sua paixão evidente naquele beijo. Ela nunca, nunca, beijaria uma garota com paixão, ela odiava compromissos, só que não tinha como explicar aquele beijo com Fernandes.

Talvez fosse o fato de Clara a conhecer há muito tempo, ou não. A questão é que com Clara, ela não conseguia evitar que seu lado romântico, delicado, doce, gentil e amável surgisse. Era algo inevitável, era puro, involuntário e acima de tudo, era sincero e isso a assustava porque ela sabia que aquilo era amor de verdade.

Marina se livrou do sutiã de Clara e a garota fez o mesmo com ela. Elas se encararam e riram. A risada das duas era a coisa mais gostosa de se ouvir, era uma mistura divina, até mesmo os anjos as invejariam com tamanha pureza naquelas risadas. Mesmo que os olhos estivessem entregando a malícia do momento, a risada das duas era algo muito singelo.

Os cabelos castanhos de Clara estavam espalhados no colchão e Marina teve certeza que aquela imagem se tornara sua favorita. Meirelles acariciou o rosto de Clara que fechou os olhos e suspirou com o contato.

Clara se agarrou aos cabelos de Marina e a fez se deitar de vez sobre seu corpo quando sugou lentamente um dos seios da garota que gemeu alto e mordeu o próprio lábio fazendo uma cara que Clara considerou a mais sexy que já vira na vida.

Enquanto Clara chupava os seios de Marina, revezando ora num, ora noutro, Marina mordia e beijava o pescoço da garota deixando o local cheio de marcas.

Clara sentiu necessidade de tocar Marina e pediu que a garota se senta-se. Marina o fez sem pestanejar, pela primeira vez, ela não fez nenhuma piadinha sádica, o que surpreendeu Clara.

Marina sentou-se como Clara havia pedido e deixou a garota se livrar da última peça que ela ainda usava, mas ao contrário do que Clara pensou – que estava no comando – Marina não deixou ela toca-la.

– Marina, eu... – tentou protestar, mas Marina a beijou nos lábios rapidamente.

– Silêncio!

Ela assentiu e assistiu Marina se ajoelhar diante dela na cama. A garota fez ela se deitar e se livrou da calcinha de Clara jogando-a para um lugar qualquer. Meirelles subiu pelo corpo de Clara depositando beijos e mordendo todos os lugares que tanto desejou por um grande tempo e nunca pôde se dar ao luxo de admitir isso.

A música já havia acabado, mas Marina fez questão de informar Clara que ela repetiria até que alguém fosse lá e a fizesse parar. Clara riu com esse comentário.

Marina beijou todo o corpo de Clara e quando alcançou o rosto da garota a beijou nos lábios, um beijo muito provocante, enquanto uma de suas mãos apertava o seio de Clara a outra deslizou para a bunda da garota apertando firmemente. Clara riu e quebrou o beijo.

– Você é muito safada, Marina! – protestou dando um tapa no ombro de Meirelles que riu.

– Ah, até parece – disse indignada – Clara, fala sério! Olha só para a nossa situação – se afastou minimante de Clara que concordou sorrindo – se estamos nessa situação é porque queremos.

– E como queremos! – acrescentou Clara, fazendo Marina rir.

– Depois eu sou a safada... – debochou.

Clara revirou os olhos e voltou a unir os seus lábios.

 Marina meteu uma perna no meio das de Clara, que sentiu a coxa da garota roçar contra o seu sexo que já estava terrivelmente molhado.

Marina não aguentou o desejo que estava dominando todos os músculos de seu corpo e desceu com os lábios para o sexo de Clara que gemeu quando sentiu a ponta da língua garota passear pelo local e provar do sabor de toda aquela extensão.

Ela ameaçou penetra-la, mas não o fez. Clara gemeu alto e Marina riu abafado sentindo o próprio sexo pulsar. Ela estava sendo muito má, de fato, mas sentia uma certa necessidade de provocar Clara.

Clara passou as pernas ao redor do pescoço de Marina que subiu com os lábios pela barriga da garota e mordeu o local passando a língua logo em seguida. Fernandes estava excitada demais, tão excitada que era capaz de ela mesma acabar com a tortura em que se encontrava. E ela já estava quase o fazendo quando sentiu um dos dedos quentes de Marina a invadir sem dar aviso prévio.

Ela gemeu alto e deixou suas pernas caírem no colchão novamente. Marina deixou seu dedo trabalhar por ‘’conta própria’’ enquanto ela beijava e lambia os seios de Clara que gemia descontroladamente.

Clara enfiava as unhas com força nas costas de Marina e deixava-as descer arranhando a pele, se fosse um pouco mais profundo com toda certeza conseguiria fazê-la sangrar. Já as unhas de Marina simplesmente desciam arranhando a lateral do corpo de Clara sem prestar muita atenção no que estavam fazendo.

O dedo de Marina aumentou o ritmo com que estocava Clara e ela colocou um dedo a mais, fazendo a garota gemer alto e entrecortado.

Marina desceu os lábios para a barriga de Clara e ficou brincando ali por um pequeno período, até ela decidir trocar os dedos pela língua. Meirelles retirou os dedos do sexo de Clara que arfou e levou um deles aos próprios lábios, bebendo o liquido que havia ali, o outro ela deu para Clara que prontamente chupou.

– Boa menina. – divertiu-se recebendo um tapa forte no ombro.

– Vá à merda, Marina. – retrucou, tentando controlar o ritmo de sua respiração.

– Eu vou, mas aí vou te deixar passar vontade – ameaçou.

Clara revirou os olhos e parou para fita-la.

– Eu posso chamar alguém para terminar o seu trabalho. – provocou em um tom cínico e sexy.

– Duvido que esse alguém seja tão bom quanto eu. – rebateu convicta.

Clara sorriu e assistiu Marina descer o rosto na direção de seu sexo. A língua de Marina passeou pelo lugar e logo a penetrou fazendo-a tornar a gemer.

Os dedos de Clara dessa vez se agarraram ao lençol de seu quarto enquanto Marina brincava com seu sexo da pior forma que poderia, ou da melhor, ela ainda não sabia dizer que misto de sensações era aquele.

Quando Clara chegou ao ápice do prazer, Marina sorriu satisfeita e bebendo todo o prazer dela, se aproximou da garota selando seus lábios em um beijo lento e calmo.

 Outra coisa que Marina estranhava muito, se ela fosse para cama com uma garota qualquer, ela jamais a beijaria depois de um orgasmo, mas com Clara tudo era tão diferente e bom que ela nem se importava.

Clara sentiu o próprio gosto nos lábios de Marina e sentiu a sensação de que definitivamente queria ouvir que pertencia aquela garota.

– Minha vez! – disse quebrando o beijo.

Marina sorriu e negou beijando o nariz da garota que fez bico.

– Ainda não acabei.

– Mas, Mari...

– Mas nada. – cortou – eu ainda não acabei.

Clara bufou e assistiu Marina sentar-se sobre sua cintura. Ela sentiu a raiva sumir no momento em que Marina colou seus sexos. Elas gemeram juntas e Marina começou a rebolar contra o sexo de Clara que fez o mesmo.

As mãos de Marina foram direto para os seios de Clara que pousou suas mãos na cintura da garota apertando o local com força.

Elas rebolavam em perfeita sincronia. Os lábios estavam entrecortados, deixando alguns gemidos rebeldes e insistentes saírem de seus lábios que estavam vermelhos por conta dos muitos beijos que trocaram.

Clara queria sim estar no comando, mas aquilo com toda certeza era tão bom, ou melhor, quanto.

 Ela gostava sim de Marina quando eram mais novas, mas o máximo que imaginou foi um beijo, alguns dias de amasso. Nunca imaginou que iria para cama com Marina. Não do jeito que estava indo.

Elas só haviam ficado duas únicas vezes, mas essas únicas duas vezes foram o bastante para ela se pegar apaixonada pelo jeito com que ela a dominava na cama. A Marina implicante era bem mais divertida e satisfatória na cama, Clara diria até que os pontos que ela não ganhava nas discussões, ganhava na cama.

Logo Clara chegou ao ápice do prazer e Marina também o alcançou. Elas gemeram, e Clara, vendo que Marina estava em um momento de fraqueza, inverteu as posições, bebendo todo o liquido de Marina que gemeu e apertou os olhos.

– Você não desiste nunca – Marina sorriu tentando normalizar a respiração – sei que sou gostosa, mas você devia ir com mais calma.

– Está falando de calma a sádica filha da mãe que me deixou toda marcada. – sorriu e escalou no corpo de Marina unindo seus lábios – acho que você mordeu com muita força.

Ela fez careta de dor e Marina arregalou os olhos preocupada.

– Eu te machuquei, amor?

Clara demorou alguns segundos para processar tal informação. Amor? Ela tinha a chamado de amor? Céus, ela não podia acreditar naquilo, era bom demais para ser verdade. Só podia ser um sonho. Essa era a única explicação aceitável para tal situação.

– Clara! – Marina a sacudiu – eu estou falando com você, eu te machuquei?

– Não – sorriu conseguindo voltar para a realidade – eu estou bem.

– Me desculpa é que você me deixa louca e...

– Marina, cala a boca! – Clara riu e Marina a encarou confusa – você acabou de me chamar de amor.

Marina parou para pensar e quando se deu conta de tal ato, riu e colocou as mãos sobre o rosto que esquentou consideravelmente.

Clara se jogou ao lado de Marina e elas permaneceram em silêncio. Marina entrelaçou suas pernas. Clara colocou sua mão no meio da cama e Marina entrelaçou seus dedos, elas se encararam virando calmamente para o lado e sorriram de uma forma linda, uma forma daquelas que você sabe que pode chamar a pessoa que ama do jeito que quiser.

Amor!

Palavra linda. Uma palavra linda, mas muito poderosa.

 Marina tinha em mente que as únicas pessoas e um único animal que ela havia dito que amava eram sua mãe, seu pai, Clara e seu cachorro.

 A garota nunca disse que amava Vanessa, ou que amava Gisele, ela sempre achou o amor algo importante demais para considerar qualquer amor um amor.

Ela amava sim, todos os seus amigos, mas isso não chegava nem perto do que sentia pelo seu pai, ou pela sua mãe, com eles, ela tinha uma ligação única e nem mesmo quando sua mãe foi embora para outro país com a intenção de virar uma modelo famosa, o elo não conseguiu se quebrar.

Uma vez uma amiga dela, Ana, havia dito que o amor é uma coisa que liga duas pessoas que se amam, que é como uma aliança e que ele nunca é quebrado, não importa o que aconteça desde que o amor esteja presente, e ela se lembrava também de aquela garotinha linda dos olhos azuis brilhantes lhe dizer que não deve existir rancor onde já existiu amor.

Marina acreditava nela, mas ouvir aquilo horas depois de sua melhor amiga ter lhe partido o coração não fora fácil. Marina chorou semanas no colo de Ana antes de criar coragem e voltar para escola.

Ela voltou duas semanas depois. Estava determinada a ignorar Clara, mas tinha um problema: Clara foi a pessoa que ajudou ela quando cortou o pé e levou cinco pontos, parece pouco, mas para uma Marina alérgica a vários anestésicos e o pai não autorizando usarem nenhum nela, toda vez que a agulha entrava e saía de sua pele era uma dor diferente, mas Clara estava ao seu lado. Segurando sua mão com força.

Clara foi a garota que lhe ajudou quando Scarllet – sua mãe – lhe abandonou para seguir seus sonhos. Scarllet não abandou-a no estilo de ir embora e negar a existência da filha, mas com o tempo, o relacionamento dela e de seu pai esfriaram e ambos decidiram pôr um fim no casamento. E então sua vida ficou assim, Diogo lá e Scarllet ainda mais longe.

Clara foi a menininha que a ajudou a montar um balanço e que cinco minutos depois, caiu com ela de bunda na grama verde da casa de Meirelles. Elas riram e fizeram bico ao contar para Chica como tinha sido humilhante, a mãe de Clara por sua vez, riu até sentir a barriga doer, e comprou dois sorvetes de chocolate com baunilha para elas como prêmio de consolação.

Clara foi a garota que dormiu na sua casa, na mesma cama que ela toda vez que ambas sentiam medo.

Clara foi a garota que mesmo depois de Marina ter jurado ódio e guerra, ajudou ela quando foi parar no hospital por ter cortado sua mão enquanto socava o espelho. Clara foi a garota que sempre lhe levou para casa depois das noites de bebidas e as vezes até mesmo em que usou drogas mais fortes.

Mas mesmo assim, Marina decidiu se afastar dela. Era mais prático, mais fácil e menos doloroso.

Sim, Clara era e sempre seria sua melhor amiga. Não tinha quem pudesse intervir por isso, nem mesmo uma intervenção divina conseguiria quebrar o elo que sempre existiu entre elas.

Era algo poderoso. Algo lindo.

Anos atrás

Marina estava bebendo atrás do ginásio com uma garota que havia conhecido quando ouviu os gritos de Clara. De início ela pensou que fosse apenas mais uma birrinha da patricinha da escola, mas quando parou para ouvir bem, reparou que a garota chorava.

– Fique aqui linda! – pediu selando seus lábios aos da garota rapidamente – se eu demorar, vá para casa.

– Posso te ligar? – sua voz aveludada soava receosa.

Marina sorriu, afinal, não era tão arrogante assim.

– Se você achar que pode – piscou.

Dizendo isso, ela jogou a garrafa de whisky no chão e correu para onde supôs ouvir os gritos de Clara.

Ao chegar ao local, ela viu a menina contra a parede e um garoto que ela não conseguiu ver o rosto por conta da falta de luz. O céu estava claro, mas a iluminação do local era a mínima possível, de onde ela estava só era possível ver o short e o tênis do garoto, o rosto era negado pela sombra que a pouca iluminação fazia.

Já eram mais de duas horas da manhã e como deram uma festa no colégio estava cheio de gente – não naquele local, é claro.

Clara gritou empurrando o garoto, mas o mesmo não moveu um centímetro. Marina ficou estática no lugar, esperando ver até onde ele ia, talvez só fosse um mal entendido, mas quando viu o filho da puta tirar o cinto e Clara se desesperar ainda mais, ela sentiu o sangue ferver.

– Seu maldito filho da puta! – rosnou – vai embora daqui, ou eu te mato agora mesmo.

O garoto pareceu hesitar. Segundos depois sussurrou algo no ouvido de Clara e riu saindo do local. Devia estar bêbado demais para discutir, ou talvez não quisesse problemas, mas o que Marina queria mesmo era socar a cara dele até ele sangrar e sangrar muito.

Marina assistiu Clara se jogar no chão em prantos e correu na direção da garota envolvendo-a em um abraço protetor.

– Tá tudo bem, Clara, calma. – sussurrou e Clara se permitiu chorar nos seus braços.

– Ele... Ele... – tentou falar, mas os soluços lhe impediram.

– Quieta – sorriu beijando-lhe a testa – vou te levar para casa.

– Obrigada... – buscou ar e limpou as lágrimas – não sei o que teria acontecido se você não tivesse chegado.

– Calma! Tá tudo bem. – afirmou apertando Clara contra si – vem, vamos no meu carro, vou te levar para casa. Eu prometo ligar para Luiza depois.

– NÃO! – gritou desesperada – não conta para ninguém, guarda isso só com você, por favor.

Marina assentiu e entendeu perfeitamente o lado de Clara. Aquilo já tinha sido humilhante o suficiente.

– Quem era ele?

– Não quero falar disso – respondeu deixando mais lágrimas cair – não quero pensar nisso. Foi horrível.

– Tudo bem, mas eu vou querer saber quem foi esse desgraçado. Clara, se você não contar é pior.

– Marina, é sério – insistiu – não quero falar disso agora. Por favor.

– Tá bem – assentiu – vem comigo.

Ela suspirou e ficou de pé, deixando Marina a guiar para o carro que estava no estacionamento da escola. Com toda certeza nenhuma delas iria esquecer daquela noite.

Presente

– Estou com fome, amor. – Clara deu ênfase a palavra fazendo Marina rir e sacudir a cabeça, deixando suas lembranças de lado.

– Eu também, coisinha. Vamos descer? Podemos fazer algo para comer.

– Ótima ideia – sorriu – amanhã vamos buscar a tia Helena, você vai comigo, não é?

– Claro. – assentiu saindo da cama – por que não?

– Mari... E a sua... Mãe? – perguntou receosa. Não sabia como Marina estava sobre aquele assunto.

– Ah! A Dona Scarllet está bem – sorriu calmamente – fico feliz por ela, não sinto mais falta dela.

Clara assentiu e ficou em silêncio até Marina jogar nela uma camiseta qualquer.

– Ei, não preciso colocar nada, sabia?

Marina riu e colocando uma camisa xadrez se aproximou de Clara unindo seus lábios.

– Eu digo que precisa – disse no intervalo do selinho demorado que Clara fez se tornar em um beijo quente.

As mãos de Clara foram direto para a nuca de Marina e ela arranhou o local até o ar se fazer necessário, então elas quebrarem o beijo.

– Chega! Põe logo essa camisa. – exigiu e Clara assentiu sorrindo maliciosamente.

Elas riram e desceram.

Depois de desligarem o som que continuava tocando foram, direto para a cozinha. Clara sentou-se no balcão e Marina fez dois sanduíches naturais entregando um para ela.

– Nossa, que rapidez. – brincou.

Marina apenas sorriu e caminhou para sala sendo seguida por Clara.

– Onde a Luiza se meteu? – Meirelles questionou realmente interessada.

– Tá com a Gisele – deu de ombros.

– Oh – riu – não creio nisso.

– Estávamos jogadas na minha cama há cinto minutos, é sério que você não acredita nisso?

– Ah, mas é diferente! – Marina tentou defender-se.

– Ah, claro – ironizou.

Marina riu e deu língua para Clara que a estapeou. Elas ficaram conversando sobre coisas amenas até Marina decidir ir embora, e quando ela criou forças para o fazer, Clara recebeu uma ligação de Vanessa a convidando para ir para uma festa, mas ela prontamente recusou.

Mesmo que ela e Marina não fossem namoradas, ficantes, ou nem tivessem um título ainda, ela não queria ficar com outras pessoas, e sabia que se fosse para uma festa no meio da semana, acabaria ficando com alguém. Ela era assim, não adiantava negar, ela gostava de Marina, mas sabia que ambas não resistiriam uma tentação.

Os sentimentos eram novos e reais, mas hábitos são hábitos e são extremamente difíceis de se mudar.

–//-

– Não acredito! Não acredito! – Luiza pulava e batia palminhas.

– Cacete, Luiza! Precisamos assistir à aula. – resmungou Vanessa.

– Ainda não começou – respondeu fazendo careta – quem vai com a gente?

– Vai ter jornalista chato e grudento? – Flávia perguntou encarando o caderno.

Ela terminava de fazer uma atividade de química com a ajuda de Vanessa e Marina.

– Possivelmente vai, mas...

– Ah, mas eu não vou mesmo! – respondeu de volta e Luiza revirou os olhos.

– Relaxa que eu vou – Vanessa sorriu e ajudou Marina a resolver uma questão que elas passaram horas para entender – terminamos essa maldição. Aleluia!

 

Elas riram e Marina fechou o caderno encarando Clara que a encarou de volta.

– Eu também vou – comentou Gisele – faz tempo que não vemos a tia Helena.

– Exatamente por esse motivo que vamos todas juntas para o aeroporto hoje, duas horas da tarde. – afirmou Clara – incluindo você, Flávia.

– Ah, mas eu não vou mesmo. – repetiu o que dissera minutos antes.

– Qual o problema dela? – indagou Marina.

– Frescura! – respondeu Vanessa.

– Beleza – Flavia revirou os olhos. Não aguentava mais aquela chatice – eu vou, mas só por amor a tia Helena.

As garotas riram e quem estava de pé sentou-se, assim que o professor entrou na sala. Ele deu um ''bom dia'' e começou a escrever.

– Clara. – Marina sussurrou e a garota que estava na frente dela a encarou de soslaio e sorriu.

– Fala.

– Eu passei a noite toda pensando em você – sorriu ao se ouvir. Estava sendo careta, ridícula.

– Eu também. Acho que estou me apaixonando pela pessoa errada. – respondeu e sorriu.

– Por que pessoa errada?

– Marina! Você vai se cansar de mim, facilmente. – suspirou com a própria resposta.

– Não vou não – afirmou – Clara você é diferente.

– Diferente como?

– Senhoritas! – a voz grave do professor interrompeu o diálogo – querem dividir o assunto com a gente?

Elas se encaram e Clara se virou para frente sentando-se corretamente.

– Não. Desculpa. – Clara respondeu.

– Pode continuar a sua aula. – acrescentou Marina.

O professor as encarou com tédio e voltou-se para o quadro. Vanessa e Luiza riram baixo e Clara deu dedo para as amigas.

Clara ficou pensando no que Marina havia dito ''você é diferente'' e não conseguiu chegar a uma conclusão.

 Ela não era diferente, quer dizer, elas tinham uma historia antes mesmo de se beijarem, ou irem para cama, mas mesmo assim, ela não via Marina com uma única pessoa. Soava estranho demais.

Quando a aula acabou, todas saíram para o refeitório, menos Clara e Marina. Marina segurou Clara pelo braço, elas se encararam e Clara sorriu de canto. Marina a puxou para a mesa do professor e uniu seus lábios em um beijo suave.

A língua de Marina acariciava a de Clara de uma forma tão suave e intensa que Clara logo perdeu o ar. Elas suspiraram e se encararam sorrindo.

– Você é diferente porque é uma menina linda... – começou e deixou seus rostos próximos. Sua mão segurava o cabelo de Clara de forma delicada – é sincera, surte efeitos em mim que nenhuma garota surtiria... Eu acho que não sei como dizer exatamente o quanto você é diferente, mas você é.

Ela fez uma pausa e Clara sorriu mordendo o lábio.

– É especial, eu mudaria por você – afirmou e seus olhos brilharam – o que eu disse naquele dia era verdade, eu estava sendo sincera. Mude por mim e eu mudo por você.

Clara sorriu abertamente e uniu seus lábios. Aquele beijo dizia bem mais que palavras. Elas estavam entrando em um tipo de acordo particular, algo só delas, não precisavam precipitar as coisas e ambas sabiam disso, mas as inseguranças existiam e não tinha como negar isso também.

– Pombinhas do amor! – Luiza apareceu na porta da sala e elas quebraram o beijo rindo – trouxe suco para vocês.

– Ótimo! – Marina pulou animada e foi até Luiza pegando as duas caixinhas – qual você quer, amor?

Amor! Amor de novo. Clara sentiu o coração bater muito mais forte, ela a chamou de amor na frente de Luiza? Ótimo! Elas estavam avançando.

– Amor? – estranhou Luiza – já estão assim?

Clara gargalhou e revirou os olhos teatralmente.

– Pois é – Clara deu de ombros – eu quero de maracujá, Mari.

Meirelles assentiu e pegou a pequena caixa, caminhando na direção de Clara. A garota sacudiu e furou a caixinha bebendo um pouco do suco logo em seguida. Fernandes riu e puxou a caixa da mão de Marina. Era como se fosse um mantra. Marina sempre bebia o suco de Clara antes de entrega-lo para a dona original.

– Bem, eu vou indo – Luiza disse fazendo careta. Não aguentava mais tanta melação – ah, e eu sugiro que namorem bastante agora, parem de conversar durante a aula, ou vão acabar ganhando uma bela suspensão.

As garotas riram e assentiram a contragosto. Ela tinha razão.

–//-

À tarde, todas foram para o aeroporto. Receberam Helena, Virgílio e depois de muito fugir dos fotógrafos e jornalistas, elas conseguiram chegar à residência Fernandes.

Helena conversou um pouco com as garotas e subiu para descansar. Clara e Marina ficaram na sala junto com as amigas que riam e conversavam sobre uma coisa qualquer.

– Não! – Luzia disse rindo.

– Sim! – rebateu Gisele.

– Não faz isso. – Gisele ameaçava pular em Luiza que ria de forma divertida.

Marina e Clara que estavam no sofá riram.

– Ridículo essa atitude de vocês de se pegarem na nossa frente – comentou Vanessa.

As amigas decidiram apenas as ignorarem e Clara e Marina, assim como Flávia e Vanessa, iniciaram uma conversa qualquer.

– Ei, Gisele! Pensa rápido! – Vanessa disse e jogou uma almofada na garota que riu e jogou outra nela de volta.

A guerra de travesseiro começou e elas começaram a gritar, a rir e a se bater. Clara iniciou a guerra batendo em Marina, logo, elas todas estavam numa verdadeira guerra, voava travesseiro para todo lado. Elas riram e quando se cansaram, pararam de brincar.

– Meninas! – Helena disse animada descendo a escada da casa de Clara – contem-me as novidades.

– Mãe, a senhora não devia estar descansando? – Luiza perguntou fitando-a calmamente.

– Não, meu amor, já descansei, minha vida é sempre corrida e eu quero conversar com vocês! – sorriu abertamente e se sentou ao lado da filha no sofá – o que eu perdi durante esse tempo? Clara e Marina já fizeram as pazes?

Elas riram. E assentiram.

– Até demais, só que não pense que agora elas concordam em tudo como antes. – alertou Vanessa.

– Então, as coisas mudaram mesmo – sorriu com a empolgação de sempre – e os namorados?

Todas caíram na gargalhada.

– Deixem eu me corrigir. – Helena riu ao notar o erro que cometera – e as namoradas? Luiza, alguma namoradinha?

– Tia, deixa eu te contar uma coisa. – iniciou Flávia – não conseguimos ter uma ''namoradinha'' temos muitas ''namoradinhas'', os meninos perdem para gente. – disse com evidente orgulho.

As garotas gargalharam e concordaram.

– Ela tem toda razão – comentou Marina.

– Razão? – Clara arqueou as sobrancelhas – no departamento temos muitas ''namoradinhas''? – fez aspas com dedos.

Todos pararam o que faziam para assistir aquela cena. Aquilo ia ser bom...

– Não! – respondeu prontamente. Ela não ia cair nessa. Sabia o que Clara queria ouvir para iniciarem uma discussão, mas se elas fossem discutir, ela teria a razão – eu disse no sentido de ganharmos dos meninos.

Clara estreitou os olhos, mas um sorriso malicioso continuou em seus lábios.

– E o Cadu, Clara? – Helena perguntou naturalmente e todas engasgaram.

Marina fitou Clara, esperando as reações da garota que não foram nem de longe as que ela esperava.

Clara baixou o olhar e logo depois encarou a tia de forma natural. Parecia existir uma barreira ao falar de Cadu. O sorriso malicioso que segundos antes habitava em seus lábios, deu lugar para um sorriso frio, beirou o neutro.

– Terminamos.

– Nossa, acho que o relacionamento de vocês foi o mais duradouro. – comentou e Marina sentiu o coração falhar uma batida.

É claro que ela lembrava de Clara com Cadu. Ela infelizmente teve que os ver juntos durante dois anos, até elas brigarem e Clara se isolar de muita coisa, o que achou estranho, uma vez que Clara amava ser a estrela da escola.

– Mas durou o tempo que tinha que durar. – Clara afirmou visivelmente desconfortável.

A garota passou as mãos sobre os cabelos e se aconchegou um pouco mais no sofá, esperando pelo próximo comentário. Sabia que Marina não estava gostando daquela cena.

– É, mas se bem que terminou de um péssimo jeito, a Clara amava o Cadu, mãe. – Luiza disse e Gisele a fuzilou com os olhos.

– Luiza! – Helena repreendeu a garota ao notar a cara que todas as garotas fizeram.

– Eu não amava, eu era apaixonada, isso é bem diferente de amar, paixão e amor são sentimentos bem diferentes, é uma pena que muita gente não entenda e não aceite isso. – cuspiu as palavras encarando Marina que não expressou sentimento algum.

E o silêncio se instalou no local, Helena chamou as garotas para subirem com ela. O pretexto foi mostrar os novos modelos de vestidos que ela pretendia lançar, mas todas ali sabiam que na verdade ela queria deixar Clara e Marina à sós.

Helena sempre sentiu um clima entre Clara e Marina, mas depois daquela cena, qualquer um deduziria o que estava acontecendo ali.

– Marina... Eu...

– Você nada, Clara. – cortou-a – eu não quero falar do seu passado. Prometemos que não íamos viver disso.

– Mas, Marina, eu quero deixar claro que no momento em que eu descobri o que ele fez com a gente, eu...

– Clara! Chega! – exigiu.

Clara ia relutar, mas seu celular começou a tocar em cima da mesinha de vidro no centro da sala a impedindo de o fazer. Ela encarou o nome de longe e revirou os olhos.

– Não vai atender? – Marina perguntou.

– Não quero falar com ninguém. Estou no meio de uma DR.

– Clara, não estamos tendo uma DR. – Marina revirou os olhos, impaciente – você quer explicar um passado que não me interessa.

– Tem certeza que você não se importa?

Marina sorriu de uma forma fofa e beijou Clara delicadamente.

– Tenho, amor. – Clara sorriu e uniu seus lábios um pouco mais.

– Absoluta?

– O que importa é o presente, o que você sentiu por ele não me importa, mas eu ficaria muito triste se você não sentisse nada por mim agora. – respondeu honestamente.

- Mas eu sinto, Marina. Sou apaixonada por você como nunca fui por ninguém em toda minha vida. – afirmou sincera.

Marina sorriu.

Elas se beijaram brevemente e Clara colocou o celular nas mãos o desligando.

– Não era ninguém importante. – garantiu e Marina assentiu.

Marina deitou-se sobre as pernas de Clara e suspirou ao sentir a garota mexer nos seus cabelos de forma carinhosa. Uma forma totalmente Fernandes, só ela sabia ser tão fofa e lhe causar tanta raiva ao mesmo tempo.

E ela estava prestes a entender um pouco mais de raiva.

 



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