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História Do I Wanna Know? - Capítulo 27


Escrita por:


Notas do Autor


O nome do capítulo deveria ser SAKURA LANÇOU A BRABA mas tudo ok hahahahahah

Capítulo 27 - If I Am Sad?


“Triste por te ver partir... Eu meio que esperava que você ficasse.”

(Arctic Monkeys — Do I Wanna Know?)



Dois dias depois...

FAZIA ALGUM TEMPO, ELA NÃO SABIA DIZER o quanto exatamente, que estava mordendo a ponta do polegar enquanto olhava para o notebook aberto em sua cama de solteiro. Seu corpo já não estava inquieto com a insegurança e a sensação de que estava fazendo algo errado, tal como já não era mais difícil manter os olhos fixos no vídeo sem desviar toda hora com vergonha.

Entretanto, ela também não estava realmente tranquila agindo como uma stalker.

Era um curto vídeo de um fã na primeira fileira do show em Miami da Dark Night, mas parecia ser a sentença de uma vergonha iminente.

Ela deveria ter ligado para Gaara — mesmo Naruto era aceitável, embora ela achasse que ele não perceberia a situação nem mesmo se ela fosse um elefante rosa na sala —, mas Sakura nunca disse que não era covarde e ligar para qualquer um deles implicava em ter que falar com eles, o que preferiu não fazer.

A qualidade do vídeo não era muito boa, e todos os outros que encontrara eram tão ruins quanto aquele. No entanto, a diferença entre aquele e os outros, era a distância; daquele ângulo, Sakura podia ver os integrantes da banda... mesmo que seu interesse estivesse apenas em um deles.

Sasuke estava com uma aparência muito boa, se ela ignorasse o fato de que a aparência dele era perfeita. Não parecia estar cansado, nem aéreo e os olhos não estavam vermelhos ou com sombras arroxeadas abaixo das pálpebras, como os dela estavam.

Ele estava bem.

E, tudo bem... O fato de Sakura ter passado os últimos dois dias olhando para o celular de minuto em minuto, esperando que ele ligasse ou mandasse uma mensagem, esperando qualquer sinal de que ele se importava com a sua ausência, não queria dizer exatamente que ela esperava que ele não tivesse o feito porque também estava sofrendo.

Esperar não era a palavra correta, querer talvez soasse mais aceitável.

Odiava ter esse pensamento pouco altruísta, e provavelmente nunca o diria em voz alta sem que soasse egoísta e horrível de sua parte, mas queria bastante que Sasuke também estivesse sofrendo porque, para início de conversa, ele havia começado toda aquela situação, então não era certo que ela sofresse sozinha.

Mas ele estava bem. Muito bem.

E ela estava feliz, sim, por ele não estar sentindo a mesma sensação de agonia que ela sentia em seu coração — ela não desejaria aquele sentimento nem para seu pior inimigo. Por outro lado, no entanto...

Não queria que ele estivesse aparentemente tão bem.

Sem falar que existiam outros sentimentos pelos quais ela estava passando. A saudade exasperada e a dúvida de que, talvez, só talvez, aquilo não fosse grande coisa. Ela não ligava para rótulos, nunca se importara com isso antes, por que deveriam dar nome aos sentimentos que tinham?

O pensamento sempre vinha acompanhado com a vontade de jogar tudo para o alto, orgulho e racionalidade, e viver sem se importar se um dia poderia mesmo receber reciprocidade de Sasuke.

Mas Sakura tinha sido criada para aceitar mais que migalhas, e sabia que na maior parte do tempo era muito difícil de lidar como pessoa, mas merecia bem mais, muito mais, do que viver de incertezas.

— Sakura, será que você pode... — a porta se abriu, mas Raiden parou de falar quando ela fechou o notebook velho e antigo e caindo aos pedaços com mais pressa que o considerado natural. — O que você estava assistindo?

Nada. — ela coçou atrás da orelha, sem jeito, porque Raiden estreitou os olhos e um brilho sagaz passou pelas íris verdes como um sinal de desconfiança. — O que você precisa?

Ele se aproximou devagar, uma postura desconfiada que teria sido muito engraçada, caso Sakura não estivesse tentando não chamar a atenção de Raiden. O cabelo meio castanho claro, quase loiro escuro, estava caindo numa onda para o lado de um jeito que a fez ter vontade de arrumá-lo, mas ela manteve as mãos no lugar.

— O que você estava assistindo? — perguntou mais uma vez, parando bem a frente de Sakura. — Era algo impróprio para menores?

O quê? Não! Eu não... — disse, rapidamente, mas então parou. — Espera aí. O que você sabe sobre isso?

— A senhora Roberts, nossa vizinha, fez a mesma pergunta para o filho dela, o Charles. — ele explicou, sentando-se ao lado dela na cama. — Como você tinha o mesmo olhar de susto que ele, eu achei apropriado fazer a pergunta.

Sakura comprimiu os lábios, forçando-se a não rir. Olhando cautelosamente para o rosto de seu irmão, parecido muito com o seu em quase todos os detalhes — tirando a boca grande, que ele tinha puxado de sua mãe —, ela ergueu uma sobrancelha.

— E eu posso saber como você tem conhecimento sobre o que os nossos vizinhos conversam?

— Eu sei de tudo. — ele declarou, com convicta satisfação. — Inclusive eu sei que você está casada com uma banda, sabia? A tia Shizune acha que eu não sei, mas eu não sou burro.

Sakura estreitou os olhos, mas não pôde evitar o sorriso.

— Bem, mesmo eu não poderia me casar com uma banda inteirinha, sabe? Eu seria presa por bigamia. — ela inclinou a cabeça, obtendo total atenção dos olhos espertos de Raiden. — Mas me considero muito amiga dos outros três. Casada mesmo, só com um deles.

Os olhos de Raiden brilharam, dessa vez, no entanto, continha bastante interesse no assunto.

— E eles te consideram muito amiga deles, também?

Sakura pensou nos outros integrantes da Dark Night por um segundo, sorrindo satisfeita quando disse:

— Acredito que sim. Eu até ajudo eles de vez em quando. — ela explicou, fazendo Raiden inclinar a cabeça com fácil interesse. Ela bufou um riso. — Outro dia eu te conto sobre isso. Você veio aqui me pedir algo, não?

Ele piscou, então pareceu se lembrar algo.

— Eu queria pedir para você me ajudar com o dever de casa.

Sakura o observou com bastante interesse, coçando o queixo lentamente.

— Tem certeza? — perguntou, e sentiu que seu olhar tinha, sobre ele, o mesmo peso que o olhar dele tinha sobre ela naquele momento. Quis rir, mas comprimiu os lábios e respirou fundo. — Eu não vou ficar só observando enquanto você faz tudo sem precisar da minha ajuda, como da última vez?

Ele se empertigou, pensando rápido.

— Não, porque dessa vez tem um dever muito difícil de matemática. É sério.

Raiden era ótimo em matemática. Na verdade, era muito bom em tudo, e não era à toa que era considerado um aluno prodígio em uma das escolas mais renomadas da Florida. O garoto era quase tão bom quanto ela era na idade dele.

Ah, o cérebro dos Haruno.

— Tudo bem, eu acredito em você. — ela acariciou a bochecha dele levemente, recebendo um olhar mal humorado e bochechas coradas como resposta. — Mas, e se a gente fizer outra coisa? Não tem nada que você goste de fazer no seu tempo livre?

Ele ponderou, os olhos alheios enquanto fazia isso. Depois, com as bochechas ainda coradas, ele balançou a cabeça em negativo, só que de um jeito incerto.

— O quê? — perguntou ela, com bastante interesse. — Não adianta negar, eu sei que você pensou em algo.

— Se eu te contar, você vai rir de mim.

— Eu nem sonharia em rir de você. — ela disse, usando um tom bem sério. — Você sabe que pode me contar qualquer coisa, não é?

Ele ainda parecia incerto, hesitando em falar. Sakura esperou pacientemente, até que ele suspirou baixinho.

— Eu gosto de dançar as coreografias do... BTS. — ele soltou, abaixando sua cabeça com vergonha e bochechas infladas. — Meus amigos na escola riram quando eu contei.

Sakura o encarou cheia de compaixão e um pouco de raiva, o que dizia muito sobre sua maturidade.

Bem, ela nunca fora realmente madura para a idade mesmo.

— Riram porque são idiotas. — ela resmungou, e Raiden ergueu os olhos, surpresos. — BTS é muito legal.

Você também gosta? — os olhos dele se iluminaram.

Sakura franziu os lábios, balançando a cabeça.

— Bem... Eu prefiro a Taylor Swift, você sabe, mas eles tem umas músicas boas. — ele se empertigou de novo, então Sakura sorriu quando um pensamento lhe ocorreu. — Ah, mas um dos meus amigos da banda, o Gaara, ele gosta muito, sabe até cantar as músicas em coreano e tudo.

— É sério mesmo? — felizmente, a pergunta veio seguida de olhos brilhantes de novo.

— Seríssimo! — jurou ela, muito satisfeita por arrancar aquela reação do irmão. — E eu também adoraria aprender algumas coreografias com você.

Raiden abriu um enorme sorriso, se levantando em um pulo e a pegando de surpresa com um abraço apertado.

— Eu senti muito a sua falta, Sakura.

Sakura sorriu, totalmente derretida pelo garoto a sua frente.


Duas horas depois, no entanto, ela estava jogada no sofá, respirando como se estivesse se afogando em pleno mar aberto.

Shizune, entregando uma garrafa de água em sua mão, soltou um riso baixo ao se sentar no outro sofá.

— Não é engraçado que a única pessoa que consegue te dobrar, é também a que está sob minha total responsabilidade? — ela questionou, mas Sakura estava ocupada esvaziando sua garrafa de água. — Talvez eu use isso a meu favor, qualquer dia desses.

O exercício não tinha sido realmente arrasador, mas Sakura era uma garota infelizmente sedentária. Não se envergonhava dessa característica em si mesma na maior parte do tempo, mas naquele momento ela não sentia exatamente orgulho.

— Eu nunca mais vou subestimar uma banda de k-pop na vida. Como eles fazem tudo aquilo e ainda cantam? — ela inclinou a cabeça para o lado, e só o movimento a fez gemer de exaustão. — Tenho a sensação de que estou pagando por algo.

— Pela ausência nos últimos meses? Talvez. — Shizune piscou, ponderando sobre o assunto. Muito próxima da janela, ela movimentou a cabeça, como se estivesse procurando algo do lado de fora. — Raiden não diria nem sob a sentença de ficar sem o seu videogame por um mês, mas ele é um pouco rancoroso. 

— Pois é, eu meio que percebi isso com esse show de tortura. — ela massageou a própria nuca, se erguendo do encosto do sofá. — O que está procurando?

Shizune virou o rosto em sua direção, então piscou quando raciocinou a pergunta.

— Eu? Nada, não. Eu só... — ela olhou para o lado de fora de novo, então encarou Sakura, com um semblante hesitante. — Você acha que existe alguma possibilidade de você ter sido seguida?

— De ter sido... — Sakura parou, fazendo uma pequena pausa quando percebeu sobre o que ela queria dizer. Então, se jogou de volta no encosto do sofá. — Ah, isso. Bem, não. Eu acho. Fui bem cuidadosa ao sair do apartamento, e geralmente eles só se importam comigo quando estou acompanhada de Sasuke ou dos outros integrantes, mas não posso ter certeza.

Shizune continuou olhando pela janela, segurando um copo de suco, mas mal o tocando. Ela parecia distante, pensativa, então bastante... incomodada.

— Não se preocupe, Shizune. — ela disse, usando um tom mais brando. — Eles não farão nada, a poeira já está baixando e muito em breve vou ser notícia velha.

— Mesmo depois de tatuar o autógrafo de uma estrela do rock na bunda? — ela se virou em sua direção, erguendo uma sobrancelha astuciosa.

— Argh, nem me lembre disso. — ela abandou a mão no ar, querendo muito afastar a memória de sua tatuagem.

— Se você não tivesse feito, não precisaria te lembrar, para inicio de conversa. — ela bufou, murmurando algo sobre ter virado a própria irmã então. Sakura quis rir, mas aparentemente ela estava reprimindo muito essa vontade aquele dia. — Mas não estou preocupada. Não com isso, pelo menos.

Sakura sabia que provavelmente deveria dar o assunto por encerrado, e que talvez se arrependeria mais tarde, mas perguntou:

— O que a está preocupando, então?

— Me preocupa, Sakura — ela parou, então, quando percebeu que estava se exaltando. Deixou o copo na mesinha de centro e se aproximou dela. — Me preocupa que você está aqui sozinha, sem o seu marido.

— Não estou sozinha. — ela murmurou, se sentindo uma garotinha emburrada. — Estou com você, com o Raiden... Estou até com o Kakashi, que sempre está por perto. Quero dizer... Ele está morando aqui?

— Não muda de assunto. Por que o Sasuke não está com você? — ela disse, firmemente, os olhos fixos no rosto de Sakura. — O que aconteceu entre vocês? Vocês... — ela hesitou, como se não pudesse externar o que tinha em mente, mas por fim suspirou. — Vocês terminaram? É isso?

— Nós não terminamos. — ela murmurou, mas sentiu que estava dizendo aquilo mais para si mesma, do que para Shizune. — E eu acho que deveria ser óbvio, não? Sasuke é muito ocupado, e nós não vivemos exatamente grudados. Eu tenho o direito de ir e vir, a propósito.

Uma mentira, é claro, porque quase não se lembrava de sentir a ausência de Sasuke antes daqueles dois dias — dois malditos dias sem ele. Mas Shizune pareceu levar em conta, porque, de fato, era uma justificativa bem plausível.

— É, sim, eu sei. — ela murmurou, desviando os olhos de chumbo pesado para outra direção. — Eu só que vocês sempre aparecem juntos nas fotos, e estão sempre sorrindo e conversando como se estivessem trocando confidências. Parece que são inseparáveis.

O fato de sua tia estar tão por dentro de sua vida não lhe chocava nem um pouco, mas ela ter dado tanta importância a forma como ela se relacionava com Sasuke a pegou desprevenida.

— As fotos são enganosas, você sabe que tudo depende do momento certo e de um ângulo bom. A mídia aumenta tudo. — mais uma mentira, e sentiu um pouco culpada, porque a percepção da tia estava completamente correta.

— É verdade. — ela se empertigou mais um pouco, com um semblante desconfiado. — E é claro que eu sei disso, mas eu conheço você, afinal de contas, eu tive grande colaboração na sua criação. E em todas as fotos você está...

— Eu estou...? — Sakura tentou, incentivando-a por pura curiosidade.

Shizune se mexeu inquieta, então perguntou:

— Você está apaixonada por ele, não está?

Sakura não conseguiu racionar direito antes dela continuar:

— Não precisa me responder, caso não queira, mas eu sei que está. — os olhos ficaram mais brandos, mais suaves e cativos e quando Sakura a olhou com olhos cheios de perguntas, ela sorriu. — Você tem os olhos do seu pai. E não só a cor, mas o formato também. E o jeito que você olha para ele... para o Sasuke... é o mesmo jeito que seu pai olhava para a minha irmã. E, eu juro, nunca encontrei uma pessoa tão apaixonada por outra como seu pai era pela sua mãe... até agora.

Sakura não fingiu pensar sobre o que Shizune estava falando. Estava farta de fingir, de usar máscaras, de enganar e esconder... Se aquela era a conclusão de Shizune, dessa vez, ela não tentaria dar uma justificativa mentirosa.

Ela ficou em silêncio por um bom tempo, encarando sua tia, mas já estava bem claro que Shizune não precisava de palavras que formariam desculpas esfarrapadas ou brincadeiras para sair do foco. Então, tudo o que fez foi se levantar e deixá-la sozinha, rumando para seu quarto sem qualquer pretexto de sair dele pelo restante do dia.

Talvez pelo restante da vida soasse bem dramático, mas totalmente satisfatório.


Apertou os olhos, os abrindo levemente quando tateou a mão pelo colchão em busca do zumbido irritante e insistente que a estava tirando do torpor do sono. Tinha dormido em algum momento depois de tomar um calmante, e a noite ainda estava escura, pelo que estava vendo do outro lado da janela.

Ela só queria dormir uma maldita noite inteira.

— Você não mandou a mensagem. — disse alguém, antes que ela pudesse xingar como saudação.

— O quê? — gemeu, com a voz levemente rouca de sono, pouco antes de sua mente registrar de quem era aquela voz.

Então, ela se levantou, rápido demais para não impedir a cabeça de bater no umbral da janela. A ideia de poder dormir vendo as estralas quando era uma adolescente aérea parecia bem inteligente, agora, no entanto, ela achava totalmente estúpida.

Esfregando o local da cabeça onde a região estava dolorida, ela disse:

Sasuke?

— Você não mandou a mensagem. — ele repetiu, a voz lenta e levemente arrastada, mas totalmente convicta. Havia um som baixo, uma música talvez, tocando de fundo.

— Que mensagem?

— Você disse que mandaria uma mensagem quando estivesse na casa da sua família. — ele explicou, mas em vez de um tom brando e condescendente, havia certa impaciência na voz dele. — Mas você não mandou.

Ela esfregou a testa, tentando não pensar em como era bom ouvir a voz dele. É claro que ela havia esquecido de mandar a mensagem, diante de todas as lágrimas e pensamentos depreciativos nos últimos dois dias, era a última coisa que se lembraria de fazer.

— Eu realmente esqueci, sinto muito. — ela murmurou, sentindo-se completamente desperta. — Mas eu cheguei bem. Eu... eu estou bem.

— Eu não estou bem.

Tudo bem, ela não esperava por aquela declaração brusca, então ficou em silêncio, porque não sabia exatamente o que dizer.

— Você foi embora.

— Sasuke, eu não... eu não fui embora. — se viu na obrigação de se defender, comprimindo os lábios para não atropelar as palavras com sua ansiedade. — Eu precisava de um tempo para pensar, só isso.

— Eu também achava... achava que precisava de um tempo para pensar. — ele disse e, embora ela pudesse compreender cada palavra, algo estava errado com sua voz e no sorriso amargo que ela sentira em cada palavra. — E, bem, eu tive mesmo bastante tempo para pensar. O único problema é que, desde que você foi embora, eu só consigo pensar que você não está aqui.

Algo em seu coração apertou e doeu forte, enquanto pensava no que dizer. Se sentia culpada por ter desejado que ele também estivesse sofrendo porque, bem... aquilo era demais.

Aquilo era um tipo novo de tortura.

— Você bebeu? — ela perguntou, baixinho, quase como se não quisesse mesmo saber.

Ele ficou em silêncio por um segundo, a música tocando onde quer que ele estivesse o único som incógnito na linha.

— Eu precisava criar coragem para te ligar. — ele soltou uma risada amarga, que vibrou mesmo nos ossos de Sakura. — É estúpido quando eu digo em voz alta, mas eu já não sou um completo estúpido? Tenho escutado a droga da Taylor Swift tem dois dias porque ela me faz lembrar de você... Isso não é estúpido o bastante?

Sakura percebeu, então, que a música de fundo de tratava, de fato, de Lover. Ela teria percebido facilmente antes caso a voz dele não fosse a única coisa que ela queria ouvir.

— Onde você está?

— Estou em um hotel. — ele soluçou baixinho, depois riu alto. — Hã... provavelmente mais perto de Naples do que Miami, que é onde eu deveria estar com a banda.

Ela xingou baixinho, tentando controlar a vontade de perguntar onde ele estava, porque tudo o que queria era estar com ele...

— Você deixou bem claro que eu não posso me apaixonar por você. — ela disse, com a voz mais cansada do que na noite anterior. — E também saiu na manhã seguinte só para me evitar. O que você quer de mim, Sasuke?

De novo, ele ficou em silêncio, então suspirou.

— Eu sou mesmo um idiota. — disse ele, mas a risada amarga ainda estava nas palavras. — Mas você fugiu na primeira oportunidade que teve, então não é tão diferente assim de mim.

— Eu não fugi.

— Fugiu, sim. — ele afirmou, bem certo do que dizia. — Você sempre faz isso quando não consegue lidar com a situação. Você foge, porque é mais fácil.

Sakura sabia que ele tinha razão, e não se orgulhava por não admitir, mas não era realmente uma pessoa com bom senso, para início de conversa.

— Se você conversasse comigo, talvez eu não fugisse. — sua voz estava carregada com certa raiva, e seus dedos apertaram o telefone com força. — Mas, quer saber? Eu não vou ter essa conversa com você por telefone, muito menos com você bêbado.

— Eu sinto sua falta. — ele disse, pegando Sakura de surpresa pela troca de assunto e pelo tom baixo e magoado em sua voz.

Deus, ele estava acabando com as estruturas dela.

— Sasuke...

— Eu tenho tido esses... sonhos sobre você. — ele interveio, e Sakura tentou ignorar o quão aparentemente ele estava quebrado, mas sem sucesso. — São sonhos ruins, Sakura. E toda vez que eu acordo, aliviado por ter sido apenas um sonho, eu me dou conta que você não está na cama e parece... parece que eles estão muito mais próximos de se tornarem realidade a cada dia que passa.

— Só se passaram dois dias.

— Eu sei, mas não consigo evitar essa sensação de que não serão apenas dias, que eu não vou te ver mais e eu detesto me sentir assim.

O silêncio pareceu a única resposta plausível a se dar, uma vez que Sakura poderia dizer que sentia o mesmo, que sabia exatamente como era a agonia de sentir aquela sensação.

Então, suspirou, totalmente exausta.

— Eu não sei o que você quer de mim, Sasuke. — ela murmurou, sentindo que estava dando voltas. — E acho que nem você sabe.

Mais uma vez, o silêncio pareceu ser o mais plausível entre eles. Sakura estava lutando para não ser insensata, para ser racional e não se embebedar dos seus sentimentos intensos por Sasuke.

Porque, ela sabia, se cedesse pisaria no próprio orgulho e pegaria um Uber para onde quer que ele estivesse. Fariam muito sexo, trocariam palavras apaixonadas e no dia seguinte...

No dia seguinte ela se odiaria, porque Sasuke provavelmente ainda teria as mesmas ideias erradas sobre não poder amar e ser amado e ela não poderia lidar com isso uma segunda vez sem ser completamente despedaçada no processo.

— A gente começou tudo isso da maneira errada, sempre pulando etapas e sempre... sempre agindo em função dessa... coisa... dssa química entre nós. — ela disse, tentando soar firme e não deixar que a ardência em seus olhos atrapalhasse sua função de fala. — Você precisa concordar que o mais correto a se fazer agora...

— Não termine. — ele disse, pela primeira vez, a voz firme e rígida. — Não termine o que pretendia dizer, por favor.

— Sasuke...

Estava sendo tão exaustivo manter os muros de proteção que ergueu ao redor de si mesma.

— Eu não quero... Nem sei se consigo... Ficar longe de você.

— A gente precisa tentar. — ela pigarreou, então tomou coragem para acrescentar: — Pelo menos até você decidir que quer falar comigo sobre tudo isso.

Ele ficou em silêncio, exatamente como a parte descrente de Sakura imaginava.

Mas se você decidir que quer falar comigo agora, eu juro, pego o primeiro carro que estiver disponível para chegar até você. — cada vez que falava, sua voz ganhava mais força e mais convicção. — Nós dormimos e amanhã, quando você se sentir à vontade, conversamos. E então daremos um jeito de resolver isso juntos.

Dessa vez, Sakura se permitiu ter um pouco de esperança, e quase sorriu ao terminar de falar. Mas com o tempo, o silêncio no outro lado da linha tratou de esmaecer seu sorriso, até seus lábios se tornarem numa linha rígida.

Ela balançou a cabeça, quase inconscientemente, quando soltou um baixo riso amargo.

— Tudo bem. Pense sobre isso. — ela disse, então respirou fundo. — Tenha uma boa noite, Sasuke.

— Sakura...

Mas ela não se deu tempo de escutá-lo, desligando a chamada logo em seguida. Algo dentro dela dizia que ele não retornaria a ligação, porque Sasuke era esperto demais para não entender que a situação estava completamente nas mãos dele.

Ela se deitou, cobriu seu corpo até a cabeça com a coberta e então deixou que as lágrimas caíssem.

Dessa vez, no entanto, eram de raiva silenciosa.



Notas Finais


Putz, o negócio tá ficando teeeenso mermão.

Sakura quer respostas, mas ela já percebeu que, embora Sasuke diga uma coisa, seus sentimentos dizem outra.

Só que, de fato, ninguém pode viver um relacionamento de incertezas, não é mesmo?

Como será que o Sasuke vai lidar com isso?

Eis a questão!

Só que né...

Ele que lute agora, tá tudo nas mãos dele.

Tô amando que tô conseguindo responder todos os comentários e, como sempre, vocês são incríveis demais.

Até a próxima, que pode ser muito bem amanhã hihihihih


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