História Do Not Believe His Lies - Malec - Capítulo 3


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Categorias As Crônicas de Bane, Os Artifícios Das Trevas (The Dark Artifices), Os Instrumentos Mortais
Personagens Alexander "Alec" Lightwood, Isabelle Lightwood, Kieran, Magnus Bane
Tags Gay, Lgbt, Malec, Shadowhunters, Tmi
Visualizações 147
Palavras 2.600
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Ficção, Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Saga, Suspense, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Chapter III


 A vida de Magnus sempre foi um pouco conturbada. Sempre gostou de se virar sozinho, mas acabou perdendo seu último emprego. Não se importou muito na hora, pois tinha economias que podiam aguentar até ele arrumar algo novo. Mas agora, com Alec daquela forma, estava quase agradecendo por estar sem emprego.

Por mais que Alec ralhasse dizendo que não precisava de ajuda e que podia se virar sozinho, Magnus sabia que não era verdade. E, apesar de ter de ficar ali, queria ficar ali. Queria ajudar Alec, queria cuidar dele, queria ficar ao lado dele.

Mas Alec estava mais fechado, aceitava ajuda mas parecia relutar a qualquer toque que recebesse. Magnus não entendia, não entendia o porquê de ele estar assim, não fazia ideia de quando isso começara.

Ainda era o Alec que ele conhecera, ainda havia calor naqueles olhos azuis. Mas ele parecia tão distante, como se tudo nele estivesse recuando do mundo e os olhos ficando cada vez mais gélidos. Magnus queria impedir aquilo, queria segurar Alec pela mão e não deixa-lo cair em um abismo frio, mas não via como segura-lo sendo que ele parecia não querer ser segurado. Mas a parte mais difícil era que Magnus também parecia estar prestes a cair de um precipício, preso apenas por um fio que poderia se romper quando ele menos esperasse.

Ficou vagando na lembrança do dia que ele e Alec começaram a namorar. O café, o beijo, o frio cortante, e a felicidade que emanou em seu peito.

Uma parte daquela noite que ele não revelou a Alec foi a noite cheia de malícia que tiveram.  Mas não chegaram a transar naquele dia. Magnus acabou decidindo não contar sobre as partes quentes nem sobre as brigas, muito menos os motivos das brigas, para Alec pelo menos por enquanto. Talvez fosse injusto, ou até egoísta, mas sabia que não era a hora certa.

— Magnus? — a voz de Alec levou Magnus de volta para o quarto de hóspedes do apartamento, de volta para realidade.

Ele piscou freneticamente e encarou Alec, que estava encostado no batente da porta, mas apoiando um pouco do peso na muleta que Magnus havia ido buscar no hospital e que quase precisou discutir com um enfermeiro para consegui-la. Alec havia amado, pois permitia que ele fizesse ainda mais coisas sozinho.

Alec estava com alguns papéis enroscados na tipóia — um jeito criativo de carregar coisas, deve-se acrescentar —, que logo Magnus percebeu serem fotos.

— Está tudo bem? — Magnus perguntou se sentando na cama.

Assentindo, Alec entrou lentamente no quarto e foi quase se arrastando até a cama — ainda não estava acostumado com a muleta.

Ele se sentou de frente para Magnus, mas no outro lado da cama.

Tirou as fotos da tipóia e colocou entre eles, escorregando-as na direção de Magnus.

As sobrancelhas de Magnus se juntaram e ele pegou as fotos. A primeira foto era de Alec e Isabelle abraçados, gargalhando um para o outro. A segunda era de Alec e Isabelle mais novos, com seus pais, Maryse e Robert Lightwood, atrás deles. A terceira era de Alec, Kieran e mais algumas pessoas sorrindo usando becas e segurando seus diplomas no alto.

— Essas foram as únicas fotos que eu encontrei no meu quarto — Alec disse calmamente, se mexendo desconfortável. — Acredito que deveria ter algumas a mais no meu celular, mas como você disse que ele ficou estraçalhado por conta do acidente... Enfim, pensei que encontraria fotos de nós dois.

Uma sombra passou pelo rosto de Magnus e sumiu tão rápido quanto apareceu. Ele se ajeitou na cama também e ficou olhando cada uma das fotos, como se esperasse que alguma coisa anormal fosse acontecer.

— Nós nunca fomos fotogênicos — Magnus disse calmamente.

Alec assentiu lentamente, voltando a olhar para as fotos sobre a cama. Ele levou a mão até a foto de seus pais e suspirou passando a ponta dos dedos por ela.

Deveria ser terrível não lembrar dos próprios pais e nem tê-los por perto para tentar se lembrar.

— Isabelle se parece tanto com a nossa mãe — Alec comentou de repente, comparando as duas primeiras fotos.

— Verdade — Magnus disse com um sorrisinho pequeno, cruzando as pernas. — Sua mãe era muito bonita...

Surpreendentemente, Alec abriu um sorriso e concordou com a cabeça, encarando as fotos com lágrimas nos olhos, o que fez o coração de Magnus apertar.

No instante seguinte Alec estava encarando a ultima foto, franzindo o cenho para tentar reconhecer os rostos mas sem obter êxito.

— Essa é sua formatura da faculdade — Magnus explicou. — Foi lá que você conheceu o Kieran.

— Faculdade de que? — Alec perguntou, mas sem nem ao menos olhar para Magnus.

— Arquitetura — Magnus deu de ombros. — Vocês se formaram há poucos anos, mas nenhum dos dois conseguiu exercer a profissão ainda. Você provavelmente deve ter alguns desenhos seus em algum lugar.

Alec suspirou e juntou as fotos, voltando a colocá-las na tipóia. Magnus franziu o cenho.

— Você está bem? — Magnus perguntou cauteloso, se forçando a resistir o ímpeto de tocar o ombro dele.

— Estou, eu só quero ficar um tempo sozinho — Alec se apoiou na muleta e se levantou com uma careta dolorida.

— É claro — Magnus suspirou pesadamente, abraçando o próprio corpo. — Eu, hum, vou aproveitar e vou até o meu apartamento pegar umas roupas. Não vou demorar.

Já de pé, Alec assentiu com um sorriso pequeno.

— Tudo bem, pode demorar o quanto precisar. Não quero que você fique preso aqui — disse ele, em um tom sereno.

Magnus simplesmente sorriu. Ficou observando Alec sair do quarto lentamente, e assim que ele sumiu no corredor, Magnus se afundou na cama, apertando as mãos sobre os olhos.

Poucos minutos depois ele já estava de pé, colocando um casaco e pegando seu celular, sua carteira e as chaves do carro no criado mudo.

Antes de sair, passou pelo quarto de Alec e observou pela porta aberta. Ele estava absorto em seus pensamentos, encarando as fotos que havia encontrado e mais alguma coisa que Magnus não esperou para ver o que era. Não queria atrapalhar Alec, então simplesmente saiu em silêncio.

* * *

Após revirar seu armário o máximo que podia com uma única mão, Alec finalmente conseguiu encontrar uma pasta cheia de desenhos que ele logo notou, com um sorriso, que eram rascunhos de plantas.

Ele voltou para a cama e suspirou pegando uma das folhas desenhadas de dentro da pasta. Se deitou e começou a encarar suas fotos e o desenho.

Aquilo eram provas de que realmente havia uma vida a qual ele não lembrava, a qual ele tinha apenas pequenos e vagos vislumbres que não o ajudavam em nada.

Duvidava que se tentasse desenhar uma planta obteria êxito. Meramente conseguiria segurar o lápis.

Na pasta também havia desenhos aleatórios. Uma flor aberta bem elaborada, um rosto que ele não demorou para reconhecer que era de Isabelle, e um desenho inacabado que parecia dois rostos de perfil, um olhando para o outro, como se estivessem prestes a se beijar.

Alec deixou os desenhos de lado e voltou a olhar as fotos. Deu um sorrisinho triste ao ficar encarando sua foto com Isabelle. Quase sem perceber, levou a mão até sua tatuagem, o que estranhamente lhe trouxe alívio.

Queria tanto que ela estivesse ali, seria tudo tão mais fácil, tão mais leve. Não que estivesse sendo ingrato com Magnus, mas o fato era que não se lembrava dele, mas tinha uma lembrança remota de Isabelle, e ela era a única pessoa que poderia contar a ele sobre sua família.

Alec começou a encarar a foto de seus pais com mais intensidade, como se esperasse que eles dissessem alguma coisa.

Magnus dissera que eles haviam morrido num acidente de carro, o que deixou Alec ainda mais assombrado, pois foi um acidente de carro que tirara sua memória e quase tirara sua vida também.

Sentia suas mãos suando tanto contra a foto quanto contra o gesso. Seus olhos queimavam, mas como fazia desde que acordara naquele hospital, reprimiu suas lágrimas. Já estava vulnerável demais, chorar só o deixaria ainda mais, e estava tentando evitar isso. Tinha uma necessidade enorme de se sentir impenetrável, mas tinha a sensação de que nunca conseguira de fato.

Pensou em Magnus lhe contando sobre o primeiro encontro deles. Aquele cara que fingia irritação quando entendiam seu nome errado na cafeteria não parecia nada com ele. Alec se sentia vazio, e aquele cara era totalmente cheio de vida.

— Não seja idiota — murmurou para si mesmo, apertando os olhos.

Ele se virou para o lado, abraçou suas fotos e seus desenhos, e acabou dormindo.

Sonhou com Isabelle, com Magnus, um emaranhado de cenas e coisas que Alec nem mesmo entendeu. Só conseguiu distinguir uma gargalhada gostosa e contagiante, um abraço, um sorriso... um beijo.

Depois disso, tudo virou uma escuridão confortável.

* * *

Magnus voltou para o apartamento de Alec totalmente distraído com a música que ecoava em seu fone de ouvido.

Passou no quarto de hóspedes apenas para guardar a mochila e caminhou em passos lentos, ainda prestando atenção na música, até chegar no quarto de Alec.

A porta continuava aberta, mas Alec não estava mais olhando para as fotos. Ele dormia tão serenamente, mas Magnus sentiu um pânico repentino ao lembrar dele no hospital, inconsciente.

Afastou o pensamento e tirou os fones antes de entrar no quarto. Se sentou na beira da cama, sorrindo enquanto observava Alec roncar baixinho, com um maço de fotos e folhas entre o peito e o braço bom.

Parecia um verdadeiro anjo. Os cabelos negros estavam tão adoravelmente bagunçado que Magnus não conseguiu resistir ao ímpeto de enfiar os dedos entre eles.

E ficou lá, fazendo carinho nos cabelos de Alec enquanto o observava dormir. Se perguntou se ele estava sonhando, ou até mesmo tendo vislumbres de seu passado — se é que isso era possível.

Nem sequer notou quando Alec acordou e surpreendentemente aceitou o carinho.

— A quanto tempo está aqui? — Alec disse com a voz sonolenta, fazendo Magnus pular da cama assustado.

— Meu Deus! — ele murmurou respirando fundo. Alec teve que evitar uma risadinha. — Desculpe, eu...

— Está tudo bem — Alec bocejou e se sentou na cama. — Eu gostei.

Magnus deu um sorrisinho pequeno e voltou a se sentar na cama enquanto Alec colocava todas suas folhas meio amassadas para o outro lado.

— Eu encontrei uma coisa — Magnus declarou calmamente.

Alec o olhou curioso e Magnus enfiou a mão no bolso interno do casaco que usava e tirou uma foto, entregando para Alec.

O moreno arqueou uma sobrancelha. Era uma foto dos dois. A foto capturava especificamente o rosto deles. Estavam um olhando para o outro de uma forma intensa, tão próximos que pareciam que estavam prestes a se beijar.

Alec tremeu. Ele se virou para onde estava suas folhas e pegou o desenho inacabado, levantando-o na altura da foto, que voltara para a mão de Magnus.

— Acho que eu estava tentando desenhar essa foto — Alec anunciou com um sorrisinho, queria saber como ficaria o desenho depois de pronto. — Isso quer dizer que eu deveria ter uma cópia dessa foto, não?

— Hum, deve estar perdida em algum lugar — Magnus brincou abaixando a foto e o olhar.

Alec continuou encarando aquela foto. Deveria estar calor no dia em que ela fora tirada, pois ele estava com um boné virado para trás e dava para ver que Magnus estava de regata.

Eles se olhavam de um jeito tão intenso que chegava a ser perturbador.

— Onde foi essa foto? — Alec perguntou lentamente.

— Foi um dos dias mais incríveis que eu passei com você — Magnus disse com um sorrisinho melancólico.

Alec se ajeitou na cama para ouvir, como uma criança esperando que os pais contem uma história antes de dormir.

Era um dos primeiros dias de verão, e Magnus estava realmente muito satisfeito com isso. Adorava o calor, adorava não precisar usar cinco blusas por dia, e adorava poder aproveitar mais com Alec.

Eles estavam prestes a fazer dois anos de namoro, então resolveram fazer um piquenique. Depois de quase ter um infarto ao ver Alec tão maravilhoso usando um boné com a aba para trás, Magnus finalmente voltou em si e entrou no carro.

Eles saíram da cidade, procurando um lugar ermo e arejado para que pudessem ficar. Uma música animada ecoava dentro do carro, e tanto Magnus quanto Alec cantavam e gargalhavam felizes.

Magnus estava usando óculos escuros — ele simplesmente não conseguia dirigir em dias ensolarados se não estivesse usando óculos escuros — mas Alec conseguia ver perfeitamente os olhos dele brilhando tanto quanto o sorriso.

Alec continuava cantando, alterando o olhar do namorado para a estrada, procurando algum lugar interessante, até que finalmente encontrou.

— Olha, amor — ele disse apontando e Magnus parou o carro, olhando para onde o namorado apontava.

Era uma colina não muito alta, nem muito íngreme, perfeita para eles.

Eles foram de carro até a encosta, depois tiraram as coisas do porta malas e foram andando.

Subiram a colina de mãos dadas, revezando para levar a cesta, por mais que Magnus insistisse que poderia levá-la sozinho.

Por fim, chegaram ao topo em poucos minutos, e Magnus estendeu a toalha para que pudessem deitar. Deixou a cesta de lado por ora e abraçou o corpo de Alec contra o seu, encarando as nuvens no céu.

— Nem acredito que nós já vamos fazer dois anos de namoro — Alec murmurou encarando Magnus em vez das nuvens.

— São os dois primeiros de muitos — Magnus sorriu e virou o rosto para Alec, beijando-o lentamente nos lábios.

Alec retribuiu o beijo, colocando uma das mãos no rosto dele, acariciando a bochecha com os dedos. Quando se afastaram, ficaram se encarando por longos segundos.

— Eu amo tanto você — Magnus sussurrou.

— Eu também amo você — Alec respondeu com um sorriso e selou seus lábios nos de Magnus mais uma vez antes de se levantar.

Os dois ficaram sentados, comendo e rindo até do vento. Nem sequer viram o tempo passar. Quando notaram, o sol já estava se pondo ao longe, deixando o céu com um tom alaranjado.

— Meu Deus, perdi a noção da hora — Alec murmurou ajeitando o boné.

— Vem cá, vamos tirar uma foto antes de ir — Magnus disse sorrindo, já segurando o celular na horizontal.

Alec assentiu e se aproximou dele. Tiraram fotos sorrindo, fazendo careta, sérios, mas a preferida de ambos foi uma em que estava se olhando bem próximos. Depois que tiraram a foto, Alec se jogou para frente e beijou Magnus mais uma vez.

A foto estava de volta a mão de Alec, ele ficou olhando para ela por um tempo a mais e desviou o olhar como se não conseguisse mais encarar aquilo.

— Esse dia... — balbuciou ele. — Deve ter sido ótimo.

— Foi mesmo — Magnus disse com um olhar melancólico.

— Eu posso ficar com a foto? — Alec questionou baixinho. — Quero tentar terminar o desenho.

— É claro — Magnus sorriu. — Está com fome? Vou fazer algo para comermos.

— Estou — Alec admitiu sorrindo fraco. — Bem, obrigado pela foto.

— Sem problemas.

Magnus suspirou pesadamente e logo saiu do quarto, olhando uma última vez para Alec segurando a foto.

As lembranças daquele dia eram tão boas, pena que não podiam apagar o que havia acontecido depois.


Notas Finais


hummm
xx


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