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História Do Outro Lado do Jardim - Capítulo 22


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Capítulo 22 - 21 - Do Outro Lado De Uma Mentira.


Fanfic / Fanfiction Do Outro Lado do Jardim - Capítulo 22 - 21 - Do Outro Lado De Uma Mentira.



Vamos logo, Jungkook! — o conde chamou antes de entrar na carruagem para se sentar ao lado da esposa. Eram para ir na manhã seguinte, contudo o Jeon I achou melhor irem no mesmo dia. 


Jungkook encarou o outro lado do jardim, havia outra carruagem lá e não era de Lorde Min ou qualquer outra pessoa da família Min. A carruagem pertencia à realeza, era uma carruagem ducal e Jungkook sabia bem a quem ela pertencia. 


Estava angustiado, seu lobo estava inquieto e isso nunca fora um bom sinal. Encarou a porta da casa ao lado, deveria ir? Não era como se pudesse optar por ficar, era uma obrigação e Jungkook jamais fugiria delas. 


Entrou dentro do espaço e sentou-se de frente para os pais, ambos com distância significantes entre si, isso já não surpreendia ou incomodava o Jeon II. 


— Ficaremos na baronia, não é uma casa ruim. — a alfa comentou quebrando o silêncio, segurando-se para não se chacoalhar tanto com os movimentos da carruagem. 


A casa da baronia na qual pertencia os Jeon era apenas uma propriedade passada para Jeon  porque a família antiga, prima de segundo grau do homem, havia dado a luz a somente meninas, desse modo, a casa deveria passar para a figura parental masculina mais próxima, no caso, Jeon I. 


— Certo. — respondeu apenas. 


— Você sabe a responsabilidade que é ter um condado inteiro, não é, Jungkook? Principalmente o condado do Sul, o mais rico da província. — Jungkook encarou o pai. 


— Sei, pai. — limitou-se a responder, contudo, ficar em silêncio o deixava ainda mais angustiado. Não sabia dizer o que era e o motivo, mas estava o atormentando e ainda que sentisse em seu interior, não parecia o pertencer. — Por que um de vocês não volta para o condado? Eu o receberei em minha casa. 


Aquela família não tinha a melhor convivência, o conde e a condessa não se amavam, também nunca demonstraram amar Jungkook, contudo o filho não era um apático, era reservado, não interagia com os próprios pais, mas não era apático, sabia que aquela separação seria melhor para ambos e se viveu todo esse tempo com eles dois, poderia viver por mais anos com somente um deles. 


— Você vai construir sua família em breve, já entramos em acordo. — aquilo era raro e por isso Jungkook confundiu-se. 


— Ainda assim, não retirarei o convite. — ditou por fim, era sua palavra final e seus pais entendiam bem. 


•♡• 


Jimin se trancou em seu quarto, ainda que Taehyung tivesse descoberto tudo, não parecia ter adiantado muita coisa; Jimin seria vendido já que o casamento aconteceria e pior que tudo isso, o seu futuro esposo o queria consigo daqui quatro dias. Taehyung impôs isso. Sequer se importou com as vontades de Jimin. 


Quatro dias. 


Duas malas grandes. 


Jungkook estaria indo embora da baronia? Se Jimin fosse para o ducado em quatro dias e Jungkook não cumprisse sua promessa em voltar no dia seguinte, tudo estaria feito, Jimin estaria nas mãos de outro alfa. 


O ômega chorou, em silêncio e sobre sua cama, não era justo, achou que Taehyung jamais pudesse fazer alguma coisa assim, o alfa pareceu tão sincero ao pedir desculpas… Como poderia levar aquilo adiante? 


Aquilo era tão grande e sufocante, ela como chuva torrencial, primeiro caía um pingo aqui e outro ali, e em seguida, do nada, molhava tudo sem avisos. Jimin se sentia molhado, ou melhor, estava ensopado e afogando-se lentamente. 


Estupefato. Jimin de súbito ficou estupefato, o choro oprimido à força o rasgava a garganta, a coluna ficou ereta, estava empertigado, seus olhos eram de alguém que havia acabado de sofrer uma epifania letal. 


De repente, os conceitos e padrões da sociedade tornaram-se obsoletos, as palavras de Yoongi serviram como motor e a mente de Park Jimin buscou a saída para todos os seus problemas, ainda que impudente e recorrida como evasão. Sua válvula de escape e talvez, sua real liberdade e autonomia. 


Fugiria. Fugiria com o conde Jeon, viveriam juntos, esconderiam juntos, claro, mas seriam felizes juntos. 


Ficou de pé, correu até seu baú de madeira e pegou a única maleta que tinha. Não era muito grande, mas caberia algumas peças de roupas. Não tinha um won[1], não tinha ideia de como sobreviveria, se Jungkook fugisse, é provável que este não tivesse dinheiro também, mas nada faria aquele ômega mudar de ideia.  


Jogou algumas peças de roupas na maleta, pegou alguns pergaminhos, folhas, tinta e pena. Lembrou-se de guardar um par de botas, não cabia muito e por fim, guardou um lençol branco. Aquilo não cobriria o frio, mas ao menos serviria um pouco. 


Com outro lençol, amarrou a alça da maleta, abriu sua janela e com um pouco de dificuldade, desceu a mala até o chão para que esta não fizesse barulho. Não olhou para trás, escapuliu por sua janela, o coração batia tão forte que o ômega o sentia em sua garganta. Enrolou o lençol na mão e pegou sua mala. Atravessou o jardim, sequer se deu conta de que toda a casa dos conde Jeon estava escura. 


Ao lado da janela do alfa Jungkook, Jimin engoliu a seco. Estava ficando frio demais, ou era o nervoso que o sucumbia. Pegou uma pedrinha e atirou como fizera de outra vez. 


— Jungkook! — chamou, mas o chamado era mais como um sussurro, digno de alguém que vai fugir. Ninguém respondeu. — Jungkook-ssi? Por favor! — arremessou outra pedrinha. Seu coração iria explodir. Seus joelhos tremeram. — Por favor… — sussurrou em súplica, a voz embargada e os olhos ardendo. Aquilo era sua única oportunidade de viver de maneira digna, ainda que fosse má julgada pela sociedade. —  Jungkook? — tentou mais uma vez, mas era improvável que alguém escutasse. 


Jimin forçou-se a se mover, caminhou com pressa e correndo perigo até a frente da casa Jeon, subiu os degraus e segurou firme a aldrava gelada. Bateu com força. Precisava ver Jungkook, não importava se os pais deste o atendesse, daria algum jeito, droga! Jimin só precisava estar com Jungkook. 


— Pois não? — quando finalmente a porta fora aberta, não era Jungkook. 


— Jungkook! Eu preciso ver o Jungkook. 


— Ele não está. A família Jeon foi embora para o condado do Sul essa tarde. — era o mordomo, com aquele mesmo ar de petulância.


Não, aquilo não poderia estar acontecendo agora, não agora. Jungkook havia prometido, não é? 


Ele...ele me prometeu, ele- Não… Por favor, você também não, hyung


— Ele foi embor-


— Park Jimin, volte agora para cá, ou será castigado com uma boa surra de vara! — Jimin estremeceu ao ouvir a voz alta de sua mãe, suas mãos congelaram, seu corpo arrepiou-se. 


E assim, seus joelhos não foram capazes de sustentar seu corpo, sua mente não foi capaz de suportar a pressão, então os olhinhos molhados de Jimin escureceram e a última coisa que sentiu, foi sua cabeça batendo forte contra o algo duro. 





[1] Moeda Sul Coreana. A Coréia do Sul ainda não existia na época na qual a fic se passa, então eu coloquei o nome da primeira moeda Sul Coreana desde sua independência do Japão. Houve algumas mudanças, mas até hoje, a moeda de lá ainda é o Won. 




Notas Finais


Até!


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