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História Do Outro Lado do Jardim - Capítulo 23


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Capítulo 23 - 22 - Do Outro Lado Da Proteção.


Fanfic / Fanfiction Do Outro Lado do Jardim - Capítulo 23 - 22 - Do Outro Lado Da Proteção.



Quando Taehyung chegou na mansão Kim, seus pais estavam na sala do chá tomando chá com biscoitos. Era uma tradição o chazinho com biscoitos, mas a família Kim preferia se juntar perto do pôr do sol para fazer o ritual. 


Pisou fundo no piso de madeira, o barulho de suas botas demonstrava a arrogância de sua postura, a fúria estava transbordando, se alguém fosse esperto, não seria ousado para enfrentá-lo. 


Entraria naquela sala, jogaria toda a verdade na frente de seus pais, exigiria explicações e gritaria palavras de baixo calão para enfatizar ainda mais a raiva que explodia em seu peito, contudo interrompeu-se antes que pudesse atravessar o umbral de madeira escura e polida. Taehyung era um homem de boa honra e odiava mentiras, odiava a desumanidade e naquele momento, seus pais, juntamente aos de seus noivo, haviam conseguido despertar o que tinha de pior naquele alfa, algo que não existia em abundância, todavia ainda habitava o interior daquele híbrido. 


Cessou os passos porque era justo, achava justo ser recíproco, deste modo para Taehyung, agir pelas costas e por vontade própria parecia completamente cabível para a situação. 


Encheu o peito de ar e soltou com calma, não era um homem agressivo, não podia perder a cabeça e colocar tudo a perder, afinal, Jimin estava envolvido nisso, e se seus pais eram capazes de comprar uma pessoa, Taehyung supôs que eles eram capazes de tranquilamente machucar uma também. 


Abriu os olhos, sequer tinha notado ter fechado, encarou a entrada da sala e entrou, ganhando os olhares de seu pai, mãe e irmão. 


— Olha só quem chegou! Como Jimin está? — Taehyung encarou o irmão e perguntou-se se ele não sabia ou se aquilo era cinismo.


— Muito bem e muito ansioso para nosso casamento. E por falar nisso, gostaria muitíssimo de anunciar algo. 


— É mesmo? Que notícia boa, presumo. O que seria? Seu noivo emagreceu? — o alfa caçula se segurou com todas as forças para não lançar um olhar mortal para a mãe. 


— Vou certificar-me de que ele sempre se alimente bem o suficiente para enchê-lo, adorada mãe. Obrigado pela preocupação. 


— Já o defende como se fosse seu. 


— E ele não é? Vamos nos casar em breve, pai, passamos o seu cio juntos. Jimin é meu. — apertou o maxilar, sabendo o quanto aquelas palavras eram insípidas. 


— O que queria nos dizer mesmo? — Jin interveio, afinal de contas, se não o fizesse, seus pais não permitiria que Taehyung falasse. 


O alfa sucessor encheu o peito de ar mais uma vez, ajeitou a camisa de tecido seda e então ergueu a face séria e prepotente. 


— Daqui quatro desjejuns, Jimin e eu estaremos instalados em minha casa, eu já o decidi. — e continuou antes que seus pais pudessem o interromper: — Vou pedir aos empregados que arrumem minhas coisas, levarei elas ainda hoje. Se dão-me licença. 


Taehyung deixou a sala sem dar espaço para protestos, estava decidido, não deixaria ninguém o interromper. 


•♡•


Baronia 


Quando Jimin acordou, seus olhos automaticamente arderam. Reconheceu o dossel bem polido de sua cama, assim como o cheiro dos próprios forros. Ficou tonto, fechou os olhos com força quando um latejar forte tomou conta de uma das partes de sua cabeça, e por instinto, levou a mão até o local, resmungando baixinho quando tocou o hematoma. 


Não estava sozinho, algumas vozes soavam distantes, como se Jimin estivesse caído num poço escuro e pudesse ouvir vozes vindas da superfície. Elas não estavam se afastando, as vozes pareciam mais próximas a cada minuto de dor. Abriu os olhos rapidamente, erguendo a coluna ao se sentar sobre o colchão. 


Uma palavra. Ou melhor, um nome. 


Chanyeol. 


— Shiih, não faça esforço, o curandeiro disse que você pode sentir mais dores. — Choa soou submetida, ressentida. 


Há alguns metros, na janela do quarto, Jimin viu o irmão martelar grades de madeira, logo atrás, sua mãe supervisionava tudo com os braços cruzados sob os seios.


— O que estão fazendo? — a voz saiu esganiçada, apertou o lençol sob si em punhos fortes, mas de alguma forma, se sentia fraco. 


— Acordou? Já passava da hora! — a mulher encarou o filho sobre a cama, atravessou o olhar para Choa e em seguida, voltou a supervisionar o trabalho do filho mais velho. 


— Irão me manter como um animal puro?[1] Querem-me em um cativeiro? — esbravejou a pergunta sem se importar com modos. Choa o segurou pelo braço, mas sentia-se indigna de fazê-lo. 


Seu irmão estava ali em sua frente, sofrendo nas mãos de sua própria família. Choa questionou-se se todas aquelas aulas de piano, chá, costura, valiam à pena. No fundo, ela seria vendida assim como o irmão estava sendo, seria aprisionada e tratada como um animal puro se ousasse ir contra sua mãe e seu irmão mais velho, aquilo não parecia certo. Não fazia sentido. 


— Se você não estivesse estragando tudo, não precisaria viver preso. Você escolheu isso, Jimin, a culpa é completa e somente sua. — Chanyeol ditou num tom calmo, num tom de alguém que se sobressaiu perante os outros. Os olhos negros do alfa passou por Jimin, indo até Choa. — Espero que isso sirva para ti também, irmãzinha, em breve arranjamos um casamento decente para você. 


Jimin mordeu o inferior, as narinas dilataram, mas se negou a trocar mais uma palavra com aquela mulher e aquele homem. Eram desconhecidos para si, não era sua família mais. Poderia falar que Chanyeol era um covarde, um ganancioso, um monstro, mas não disse.


Estranhamente Jimin ouviu um barulho ecoar, era de algo se partindo, algo alto e forte. Naquele momento, ambos laços familiares que tinha com Chanyeol e sua mãe haviam se partido. 


— Somente irá até o jardim no alvorecer para tomar sol e somente o fará sob minha supervisão. Nada mais que três lufadas de ar contra a face e terá que estar de volta ao quarto, isso até os quatro desjejuns passarem e seu noivo vir buscar-te. — impôs autoritária. — Vamos deixá-lo sozinho agora. 


E assim, Jimin foi abandonado em seu quarto. 


•♡•


Foram batidas fortes que o fez acordar, Jimin não se sentia nenhum pouco disposto para se levantar, mas não teve outra escolha depois que sua mãe escolheu suas vestes e o obrigou ir para o lavabo. Durante esse tempo, Jimin não ditou uma só palavra e seus olhos, esconderam todos os gritos de sua alma. 


Lavou-se de maneira metódica, vestiu-se do mesmo modo, comeu somente o que o fora permitido e em seguida, foi levado para os jardins da frente, o mesmo jardim que conectava e separava Jungkook de si. 


Jungkook


Não esperou pelo alfa, até porquê, o combinado era de Jungkook voltar na manhã seguinte. Ainda que Jungkook tivesse ido no dia anterior, permaneceu na esperança de que ele voltaria no dia seguinte. 


Jungkook tinha que voltar. 


Jimin queria acreditar que o conde não o tinha abandonado, que o mordomo havia hiperbolizado a resposta. Jimin queria acreditar em Jungkook. 


Três lufadas, apenas três lufadas de ar e Jimin teve que voltar para casa. Durante todo o resto do dia, não abriu a boca para dizer nada. 


Mais 3 desjejuns e iria embora, foi pensando nisso que Jimin comeu seu café da manhã naquele novo dia. 


— Vamos para fora, Jimin, precisa corar um pouco mais. 


Quando atravessou a porta de sua casa, a primeira lufada de ar o acolheu, do mesmo modo que o entristeceu, só teria mais duas lufadas. Aquela regra era cruel, Jimin dependia dos eventos meteorológicos e esses eram totalmente incertos. 


Encarou as flores, de forma sinistra os jacintos haviam morrido, isso de um dia para o outro. Não era algo bom. O ensolarado estranhou, mas não ousou falar nada sobre. 


De pé e com as botas sobre a grama, decidiu sentir a textura contra sua pele. Tirou as botas, sua mãe ladrou algum sermão, contudo pouco se importou. Tocou os pezinhos na grama e encolheu os dedinhos como se estivesse sentindo aquela sensação pela primeira vez. 


Tirou o chapéu que sua mãe o tinha obrigado a usar, a peça ficava amarrada de modo que o sol coraria apenas as bochechinhas do ômega infeliz. Sua mãe ergueu a mão para o estapear e como se pudesse ver Taehyung em sua frente, a mulher retraiu-se. 


O ômega fechou os olhos, a face era aquecida pelo sol matinal, a grama molhada pelo sereno da noite fazia cócegas em seus pés, o cheiro da terra molhada entrava em seus pulmões e o trazia vivacidade de alguma forma. Então a segunda lufada de ar bagunçou os seus fios antes amassados, o dando um ar mais real e vivo. 


Jimin sentiu frio com o vento, mas a pele estava quente. Aquele era um contraste que jamais se tornaria enfadonho na vida do ômega. E então, a terceira lufada veio. 


Abriu os olhos na esperança de que magicamente Jungkook aparecesse em sua frente, mas ele não estava, não tinha ninguém em sua frente. 


— Vamos! — a sensação era de que Jimin era um cachorro com uma coleira no pescoço e sua mãe, a pessoa que controlava a guia para que o animal não fugisse. 


Deu as costas para Jimin e começou a caminhar em direção à casa, foi nesse momento em que os olhos de Jimin viu. 


Estava pronto para entrar dentro de sua casa quando captou a imagem que fez seu coração bater forte: sob um equino de pelagem negra e brilhosa, Jeon Jungkook segura as rédeas. A face imparcial, os cabelos bem penteados para trás e roupas que Jimin jamais tinha visto antes. Era as roupas de conde real. 


— Jungkook… — sussurrou, e manteve o olhar preso na imagem. Atrás da postura ereta do conde, havia uma carruagem e nas laterais alguns oficiais faziam escolta. 


— Jimin, você não ouviu? Eu disse para casa agora! 


Jimin deu um passo, em seguida outro ainda mais largo e quando se deu conta, estava correndo. Seus olhos estavam molhados, as lágrimas molhavam sua face quentinha, e seu coração batia tão forte… Jimin estava vendo sua felicidade. O conde havia voltado e quando este percebeu Jimin, arregalou os olhos numa súbita surpresa, sem pensar muito, puxou as rédeas para que o cavalo parasse de andar assim como todos atrás de si e desse modo, bateu as botas contra o solo e correu. 


Não entendia bem o porquê, mas correu. Apenas correu. Ainda não sabia, mas estava sendo movido pelo amor, o amor que ignora o mundo se preciso para estar com quem nos transborda. 


— Jungkook-ssi! — o ômega gritou até seus pulmões arderem, sua voz saiu dilacerada e desesperada. 


Jungkook voltou — repetia mentalmente. 


Jungkook era um conde, sabia de suas responsabilidades e sabia que sua postura deveria ser um pouco mais rígida agora, contudo, não pensou duas vezes antes de correr dispensando toda as condutas da sociedade até aquele ômega comprometido e o agarrar em um abraço forte e cheio de ânsia. Jimin estava em seus braços, mas os joelhos deste fraquejaram. Ajoelharam-se sobre a grama ainda mantendo os corpos unidos e na frente de toda aquelas pessoas, bem em frente os olhos da baronesa, Jimin chorou feito criança nos braços de outro alfa. 


Apaixonados e inconsequentes. 


— J-Jungkook, por favor, me leva embora desse lugar, eles me machuca aqui. 




[1] Não existem humanos puros nessa sociedade, somente os híbridos (no caso humano lobo) e os animais puros (os animais irracionais) 


Notas Finais


Meu twitter: @FullMoonvalent


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