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História Do You Dare? - Capítulo 11


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Notas do Autor


Olá cariños kkkk❤ antes de tudo queria agradecer vocês por cada comentário, favorito e visualização nessa fic. Eu fico muito feliz de verdade que vocês gostam dessa história. Bom, espero que gostem do capítulo e me digam o que acharam💕

Capítulo 11 - Desencontros


Eu sempre fui um grande admirador da beleza contida em uma fotografia. São momentos eternizados que a qualquer oportunidade se pode observar e literalmente viajar de volta para aquele momento. Fotografias são como pequenas memórias em que se pode tocar, são como pontos de vista trazidos para a realidade e transformados em papel.

Era um domingo à noite, e eu estava sentado em minha cama com a minha câmera nas mãos, olhando cada foto que Raquel havia tirado de mim e até de nós dois. Aquelas fotos eram como um atestado de aquilo tudo aconteceu e não foi um delírio momentâneo da minha cabeça. Eu havia mesmo transado com Raquel Murillo, ela esteve realmente em minha cama e até tirou fotos daqueles momentos.

As fotos que pioravam meu sofrimento, com certeza eram aquelas que ela havia tirado de mim distraído e sério, porque eu lembrava de sua risada, a forma como ela jogava a cabeça para trás e o mundo parava por alguns segundos, e aquilo realmente me enchia de saudades dela. Respirei fundo e desliguei a câmera, eu não precisava de mais lembranças que me faziam querer chorar. Raquel não merecia que eu chorasse por causa dela.

Uma parte de mim queria ligar para Raquel e gritar com ela por me colocar naquela situação, e a outra parte queria desabafar tudo o que estava acontecendo com alguém. Só que eu apenas poderia falar sobre aquilo com Andrés, mas na situação em que eu me encontrava, ele não era a pessoa indicada para ouvir sobre meus “acontecimentos” com Raquel. Se eu o ligasse, ele iria querer saber quem era a misteriosa mulher e eu não estava pronto para confessar que era uma das irmãs dele. Então, preferi colocar um disco de vinil na vitrola e passar aquele domingo à noite apenas na companhia de música e vinho.

Eu me sentia relativamente babaca por ter dito tanta coisa para ela no dia do jantar em sua casa, mas eu precisava dizer aquilo antes que eu me engasgasse com as minhas próprias palavras. Eu estava lutando cada dia para não me apaixonar por Raquel e ela parecia que queria que isso acontecesse. Pois tomava atitudes inesperadas e depois esfregava na minha cara que tudo era apenas sexo e que nunca iríamos além disso. Era irônico como meu coração havia sido quebrado duas vezes em um período tão curto de tempo, de duas formas tão diferentes, por mulheres tão diferentes. Primeiro foi a Veronica, depois foi a Raquel. Só que apesar de tudo, eu não senti a falta de Veronica quando tudo acabou e com Raquel, eu estava a ponto de passar por cima do meu orgulho e digitar seu número no telefone. Eu nem sabia o que iria dizer se ela atendesse, talvez algo como “Esquece o que eu disse e vem aqui, vai ser a última vez, eu prometo”. Eu sabia que ela iria vir e sabia que não seria a última vez. Meu corpo sentia falta do dela e eu estava disposto até mesmo em ser o grande cafajeste que ela tanto queria, que transa e a esquece. Era como se eu tivesse enfeitiçado por ela.

Depois da nossa briga, na empresa nós voltamos a nossa relação normal. Ódio repentino e brigas no meio do expediente por nenhum motivo que parecia válido. Parecia que havíamos retornado ao começo de tudo. Por diversas vezes, eu esperei que ela fosse para minha sala e me dissesse algo. Que pelo menos comentasse o que havia acontecido naquele dia em sua casa, mas ela nunca apareceu, ou ao menos me ligou. Era nítido, que ela não sentia a minha falta. O problema nisso, é que eu sentia a dela.

[...]

Eu já havia bebido metade do uísque em meu copo enquanto esperava Alicia chegar no bar. Havíamos combinado de sair para conversar, já que segundo ela, fazia séculos que isso não acontecia. O que não era tão verdade, nós havíamos parado de sair desde que a loucura com Sergio havia começado, o que não era tanto tempo assim. Eu só estava com certo receio de estar bêbada e com ela, porque eu sabia que falaria sobre tudo o que estava acontecendo com riqueza de detalhes. Além de tudo, eu já havia percebido o quanto ela estava desconfiada de minha relação com Sergio e como minha melhor amiga, Alicia sempre sabia do que estava acontecendo comigo, então não foi uma grande surpresa quando ela começou a me enviar indiretas – muito diretas – Sobre mim e Sergio. Um cara sentado em uma mesa distante de onde eu estava, já estava me secando há cerca de quinze minutos e eu perguntava aonde é que estava Alicia. Alcancei o celular dentro da bolsa e última coisa que havia dela, era uma mensagem com o seguinte conteúdo: “estou chegando, me espera e pede uma bebida forte”. Uma melodia junto com a voz encantadora de Lana Del Rey tocava no bar, e eu reconhecia a música, era “Cherry”.

   Love

   I said real love, it's like feeling no fear 

 When you're standing in the face of danger

 'Cause you just want it so much

  A touch

 From your real love

It's like heaven taking the place of something evil

And lettin' it burn off from the rush

A letra da música me lembrava de Sergio, da noite na biblioteca em que ele disse que pela primeira vez queria encarar o perigo, que queria se arriscar... e eu me odiei por lembrar disso.

Darlin', darlin', darlin

I fall to pieces when I'm with you, I fall to pieces

My cherries and wine, rosemary and thyme

 And all of my peaches (are ruined)

A música continuava tocando e eu estava a ponto de pedir para alguém desligar. Eu não queria estragar uma música tão bonita por pensar em Sérgio.

 Love, is it real love?

It's like smiling when the firing squad's against you

 And you just stay lined up

 Yeah

É, eu estava me apaixonando. Uma música estava me fazendo querer chorar. Eu conhecia essa situação, e eu não gostava dela.

- Boa noite, cariño. - Alicia chegou sorridente, mas seu sorriso se fechou quando observou o meu olhar de poucos amigos. Ela usava um vestido vermelho destacando ainda mais a cor de seus cabelos ruivos que estavam presos em um rabo de cavalo apertado. - O que aconteceu, Raquel? Quem te irritou tanto assim? - Revirei os olhos em desdém, ela mal havia chegado e já havia começado um interrogatório.

- Senta aí e pede uma bebida. Está vinte minutos atrasada. - Resmunguei apontando para o banco ao meu lado.

- Parece que eu marquei essa saída no tempo certo, hein? Você precisa mesmo encher a cara. - Zombou de minha situação e eu sorri.

- Você não imagina o quanto.

- Hum. Dessa vez não é a empresa que está te estressando. Na R&M ainda está tudo sobre controle. Ainda. - Disse com sarcasmo e eu continuei com a expressão fechada. - Ah, Raquel. Você sabe, a exposição está chegando e nenhuma bomba explodiu na nossa cabeça. Ainda. - Sorriu.

- Você parece querer a empresa pegando fogo, Alicia. - Disse com certo tédio. Eu tinha plena consciência de que aquela exposição todo ano era uma grande dor de cabeça. Sempre acabávamos tendo um problema com contratos, com planilhas... O desfile foi até mudado de país depois de uma quebra de contrato com a empresa italiana.

- Obviamente que não, chefinha. - Brincou e eu revirei os olhos. - Mas, você não acha um pouco estranho essa calmaria? Nenhum investidor enchendo sua cabeça... Geralmente, nessa época do ano, nós estamos a ponto de surtar. Até meus doces você come e fuma um cigarro atrás do outro sem cessar.

- Eu surtei hoje com o Sergio. - Dei de ombros.

- Você sempre surta com o Sergio, não é uma novidade. Você surtava com ele até pelo telefone quando ele ainda trabalhava em Barcelona. Você surtava com ele até por e-mail. Os finais dos seus e-mails para ele, eram como: “Saudações, Marquina. Agora refaça essa planilha antes que eu a enfie em você sabe onde”.

- Você acha que eu exagero com ele? - Perguntei querendo outro ponto de vista sobre as nossas brigas que não fosse o meu próprio.

- Às vezes você tem razão, porém às vezes não tem. Não dá para saber. - Deu de ombros.

- Eu sou uma chefe péssima. - Afundei o rosto entre as mãos.

- Claro que não. Não é porque você é minha amiga e minha chefe, mas você faz um ótimo trabalho e é preciso alguém com seu pulso para manter aquela empresa em ordem. Você sabe, se depender da Ágata, Denver, Silene e Macarena, eles transformam a empresa em uma boate. - Brincou e eu apertei os olhos tentando tirar aquela imagem da minha cabeça.

- Isso me anima bastante. - Sorri. - Porém, nós fazemos um bom trabalho, como as mulheres fodas que nós somos. - Ela acariciou minha mão por cima da mesa. - Eu não faria nada sozinha.

- Muito obrigada, eu sei que eu sou a sua funcionária mais brilhante e competente. Você deveria até me promover a funcionária do mês. Funcionária do ano, na verdade. - Revirei os olhos e ela sorriu debochada, soltando a minha mão. Percebi que ela mascava um chiclete, e eu me perguntava como Alicia ainda não havia desenvolvido diabetes. Ela estava sempre com algum doce na boca, não importava o momento ou a hora. - Agora, vamos ao assunto que está te incomodando.

- Adivinha. Confio nas suas habilidades.

- Eu já sei, foi Sergio Marquina. Estou certa? - Assenti e ela bateu palmas no ar como se houvesse feito uma brilhante descoberta. - Eu estou louca para você me contar o que está acontecendo entre vocês ou pela sua cara, estava acontecendo... porque aquela tensão sexual... eu conheço tensão sexual de longe.

- Estava acontecendo sexo. Muito sexo. - Disse desanimada e ela gargalhou jogando a cabeça para trás.

- E era tão ruim assim para você falar com esse desânimo, Raquel? - Apoiou o rosto com uma das mãos.

- Ruim? Era maravilhoso. - Sorri e ela correspondeu o gesto maliciosamente. Ela me encarou por vários segundos e eu já havia entendido sua intenção. - Vai, pergunta. Eu sei que você quer perguntar.

- Você me conhece tão bem, Raquel. É tão incrível. - Virou-se para o barman e pediu um uísque assim como eu havia feito. Voltou a virar-se para mim e sorriu novamente. - Um pouco de suspense, tudum, tudum. - Ela balançou as mãos fechadas em punhos como se tocasse um tambor e me olhou debochada apontando os dois dedos para mim. - Como ele é na cama? - Revirei os olhos. - Tem pegada? Tão bom quanto seu ex?

- Melhor. - Ela abriu a boca em descrença e depois sorriu. - É o melhor que já tive, Alicia. Ele me deixa louca... - Mordi o lábio inferior. - Completamente louca.

- Minha nossa, o Marquina com aquela carinha de bobo, hein? De bobo não tem nada. - Ri e ela me acompanhou. - Mas por que você está triste com isso? Pra mim era tudo o que você queria. Foder bem e ser feliz.

- Eu te odeio tanto... - Neguei com a cabeça. - Era tudo o que eu queria, até o Sergio querer colocar sentimentos no meio disso tudo. Nós tivemos uma pequena briga na minha casa, ele pediu para que eu parasse de misturar as coisas... e eu realmente estava misturando as coisas.

- Deixe-me adivinhar o desfecho dessa linda história. Você quebrou o coraçãozinho solitário do Marquina. - O barman trouxe o copo de uísque e ela bebeu um gole. - Por que fez isso, Raquel? Você é doida para transar com aquele homem desde que você era só uma virgem inocente de dezessete anos. - Bebeu mais um gole do uísque e fez uma careta. - Quer dizer, nem tão inocente assim.

- Você sabe porque eu fiz isso.

- Ah, não, Raquel. - Revirou os olhos com certa indignação. - O Sergio não é o Alberto. Você lembra quando você começou a namorar o Alberto, eu fui a primeira a te avisar que ele era um grande filho da puta. Mas, o Sergio não...

- Como você sabe que ele não é um grande filho da puta? Como você sabe se ele não vai socar a minha cara na primeira briga que tivermos? E me fazer sentir pequenininha como se...

- Raquel. - Ela alcançou minha mão por cima da mesa e interrompeu minha fala, meus olhos encheram de lágrimas na mesma hora. - Você foi casada com o Fabio por anos. Ele te maltratava ou te batia? - Perguntou mesmo já sabendo a resposta e eu neguei com a cabeça. - Por que motivo você acha que o Sergio vai te machucar?

- No fundo, eu não acho que ele vá me machucar, não fisicamente. Eu só tenho medo do que eu sinto. A última vez que eu me senti assim, você sabe como acabou e com o Fabio era fácil porque eu gostava dele, mas não sentia essa loucura, essa paixão... O Fabio era como o meu melhor amigo.

- Um amigo bom de cama.

- É. - Concordei e ela riu.

- Você é realmente uma safada. - Brincou e eu bati em seu joelho de leve.

- Só que com o Sergio é diferente, ele não é só um amigo bom de cama. Eu me sinto tão bem com ele, o quero o tempo todo... - Bufei. - Penso nele o tempo todo, e já era assim antes mesmo de transarmos. Eu estou quase obcecada. Nunca foi assim antes...

- O caso é grave... - Me olhou com uma ligeira preocupação no olhar. - E por que não diz isso para ele?

- É que... Eu só tenho medo de amar intensamente demais e ele virar isso contra mim, sabe? - Ela assentiu. - Isso aconteceu quando eu me entreguei demais para o Alberto e ele me mostrou que era o maior filho da puta do mundo.

- Eu entendo o seu medo. - Me olhou profundamente. - Eu sou uma mulher e eu entendo, porém, você não é mais aquela adolescente que o Alberto fazia o que bem entendia de você. Você é uma mulher. Já se passaram anos, Raquel. Você evoluiu... como dizia aquele filósofo lá... que um rio não é o mesmo...- Fez uma careta de quem estava forçando a memória e eu ri com diversão.

- Heráclito. - Sorri ao lembrar do nome do filósofo que havíamos estudado no ensino médio. - Nós não podemos entrar no mesmo rio duas vezes, porque com a água tudo flui, nada permanece.

- Isso mesmo, você é um gênio. Que cérebro maravilhoso. Faça muitos gênios com o Marquina. Vocês vão ter crianças prodígios. - Se esticou para me roubar um selinho e eu ri. - O rio é como você, Raquel. É como nós. Você não é a mesma... e se gosta mesmo dele, vai atrás dele. Não tenha medo do que possa acontecer. E se ele te magoar eu me candidato a cortar as bolas dele e tenho certeza que o Andrés também se candidata. Não vai faltar pessoas para acabar com o Marquina.

- Ainda tem o Andrés. - Coloquei as duas mãos no rosto. - Ele vai querer matar o Sergio se descobrir o que fizemos... e também vai querer me matar por ter magoado o melhor amigo dele.

- É, ele vai sim... com toda certeza vai. E fizeram muitas vezes? - Sorriu maliciosa.

- Alicia. - Repreendi.

- Desculpa, eu não consigo me controlar. É que é o Sergio, ele é tão fofo e não imagino ele transando.

- Você se surpreenderia bastante. Nossa, ele vira outra pessoa.

- Raquelita, agarra esse homem. Eu estou pedindo. Na verdade, eu estou mandando.

- Não, ainda tem o fato dele ter namorado a Mônica e eu sou a chefe dele... Isso é tão complicado.

- Ele ter namorado a Mônica é irrelevante. Eles namoraram uns meses aqui em Madri, depois ela foi fazer faculdade nos Estados Unidos, como a grande burguesa que ela sempre foi e eles praticamente se comunicavam por pombo correio. Quando ela voltou, eles terminaram. Eles eram duas crianças que achavam que poderiam namorar. Era o casal mais sem química que já conheci, até hoje eu me pergunto se aquilo não foi um delírio das nossas mentes. - Terminou de dizer e eu já estava rindo continuamente. - Eu falei alguma mentira, Raquel?

- Mesmo assim, Alicia. Mesmo que estiveram separados a maior parte do tempo que estiveram juntos, me machucou quando eles começaram a namorar.

- Agora, chegamos ao núcleo do problema. Você ficou magoada por ele escolher a Monica e não você. - Revirei os olhos. - Assume vai.

- Eu não vou assumir nada.

- Nem precisa. Seu olhar diz tudo, Raquelita. - Eu a encarei séria e ela bufou.

- Chega, eu quero mudar de assunto.

- Eu não quero, estou amando esse assunto. - Sorriu cinicamente.

- Você sempre adora falar da minha vida amorosa. Mas, nunca quer falar de você e o Andrés, não é mesmo? - Ela revirou os olhos e bufou.

- Não existe nada entre mim e o seu irmão. Mas, existe entre você e o Marquina. - Sorriu. - Dá uma chance para ele e para você mesma, Raquel.

- É melhor não.

- É realmente incrível a forma como você nunca escuta os meus conselhos. - Ironizou. - Você evitaria muitos problemas se apenas me escutasse.

[...]

Eu nem acreditei em mim mesma enquanto encarava o meu reflexo pelo espelho do elevador. Me encostei na parede metálica que estava gélida e suspirei. Eu estava ligeiramente bêbada. Na verdade, eu estava muito bêbada. Dava para constatar pelos tropeços que eu dei para chegar até ali, no prédio onde morava Sergio. Meu vestido estava parcialmente bagunçado, assim como os meus cabelos. Passei as mãos pelo tecido, o colocando no lugar certo, puxando a barra para baixo, e fiz o mesmo com meus cabelos, penteando os fios com meus próprios dedos.

Era muita coragem da minha parte estar ali. Me faltava um pouco de vergonha também. Depois de ter o ignorado a semana quase inteira e só falado com ele sobre planilhas, ali estava eu. Alcoolizada e batendo em sua porta.

- Eu senti sua falta. - Disse assim que ele abriu a porta. Seu semblante foi uma mistura de surpresa e confusão. Ele estava sem camisa e usava uma calça moletom de cor azul. Estava sem óculos e seus olhos estavam um pouco vermelhos. Ele parecia ter chorado. - Eu senti muito sua falta, cariño. - Me joguei em seus braços e ele me segurou com um dos braços e com o outro, ele fechou a porta.

- Você está bêbada, Raquel. - Eu levantei minha cabeça que estava em seu ombro e o olhei séria.

- Eu sei, hoje eu descobri que eu gosto de você. - Disse com certa dificuldade. - Na verdade, foi durante os últimos dias.

- Você gosta de transar comigo. - Disse sério e eu ri.

- Também. Gosto muito, mais do que deveria. - Ri mais e ele revirou os olhos.

- Você é inacreditável. - Disse em tom de repreensão e eu parei de rir.

- Não fica bravinho, por favor... – Enlacei meus braços em seu pescoço e ele continuava com o semblante estritamente sério. - Você fica tão lindo bravinho. Fica bravo, vai.

- De 0 a 10. O quanto você bebeu?

- 8? – Mordi o lábio inferior. - Uns copos de uísque, mas foram poucos. Bebi tequila também. - Expliquei e ele suspirou em cansaço.

- E vem para a minha casa. - Disse como se não acreditasse na própria constatação. Eu vou ligar para o Andrés para ele vir te buscar. - Ia sair de perto de mim, mas parou. - Se eu ligar para o Andrés, ele vai querer saber porque você está aqui. - Desviou o olhar do meu. - O Andrés não é burro e eu realmente não preciso de uma briga com o meu melhor amigo, por causa de você. - Voltou a olhar para mim e foi a primeira vez que percebi seu semblante abatido. Ele parecia cansado e até um pouco bêbado, seus poros praticamente exalavam o cheiro de vinho. Chegava a ser sexy.

- O que aconteceu? - Perguntei segurando seu rosto em minhas mãos.

- Você aconteceu. - Disse magoado e eu o soltei.

- Eu não entendi bem o que você quis dizer.

- Claro, metade do seu sangue deve estar virando álcool.

- Então, você não acredita quando eu digo que gosto de você? Eu senti sua falta, senti mesmo.

- Você apenas diz isso, porque está bêbada, carente e sentindo falta do seu brinquedinho para sexo. - Eu abri a boca um pouco desconcertada por suas palavras. - Por que você não me diz isso sóbria?

- Porque não tenho coragem.

- Viu? - Perguntou sério e empurrou os óculos para trás. - Isso só reforça minha teoria. - Olha, Raquel. Eu não me envolvi com ninguém depois da Veronica. Justamente porque eu estava com medo desse sentimento, e aí você apareceu na minha vida de novo... - Desviou o olhar. - Eu me arrependo de ter saído de Barcelona.

- Se arrepende? - Perguntei magoada e ele desviou o olhar do meu. Mordi o lábio inferior sentindo algumas lágrimas se formarem em meus olhos. - Eu... - Apertei a minha bolsa ao lado do corpo tentando absorver aquilo. - Se arrepende de tudo o que aconteceu? - Ele permaneceu calado e eu assenti. - Me desculpa ter vindo aqui. - Engoli em seco. - Eu... não sei o que eu estava pensando. - Ri nervosa e olhei para o teto querendo que as minhas lágrimas voltassem para o lugar de onde vieram. Eu não iria chorar. Meus olhos eram orgulhosos demais para chorar por aquilo. - Eu vou embora. Eu nem mesmo deveria ter vindo aqui.

- Não vai não. Não nesse estado. - Me olhou ligeiramente preocupado. - Dorme na minha cama, eu durmo no sofá.

- Sério? - Perguntei desacreditada. - No sofá?

- É uma maneira respeitável de tratar uma mulher que eu não tenho nada. - Ri irônica e ele permanecia impassível.

- Você é um idiota.

- Talvez eu seja. - Sorriu irônico e eu odiava quando ele fazia aquilo. Ele havia se comportado da mesma maneira na manhã seguinte após nossa primeira transa e uma parte de mim odiava aquele Sergio, a outra parte achava muito atraente.

- E um babaca também. - Continuei o insultando e ele apenas sorria.

- Talvez eu seja. - Ajeitou os óculos novamente e me olhou de cima a baixo. - Agora, vamos para a cama. - Disse sem preâmbulos.

- Para a cama? - Perguntei erguendo uma sobrancelha.

- Nossa, você fica ainda mais engraçadinha bêbada. - Sorriu, mas logo voltou ao seu semblante sério. Dei um passo para a frente, mas tropecei, quase caindo por cima dele. - Vem. - Me puxou com as duas mãos na cintura.

- Amo quando você me pega assim. - Sorri provocante e ele revirou os olhos, me guiando para dentro de seu quarto. Sentei em sua cama e ia deitar, mas ele me puxou pelos pés e eu sentei novamente.

- O que foi? - Perguntei um pouco perturbada pela atitude repentina dele.

- Acha que vou deixar você deitar na minha cama, em meus lençóis limpos, com esses saltos? - Se abaixou na altura de minhas pernas e retirou os saltos que eu usava.

- Você realmente se arrepende, Sérgio? - Perguntei novamente e ele parecia mais concentrado em meus saltos.

- Eu não quero falar sobre isso com você bêbada. - Disse sério e eu assenti.

- Talvez amanhã, quando você estiver sóbria. Aí poderemos falar disso. Aí poderemos ver se você continua com essa opinião ou apenas me relembra que eu sou apenas seu brinquedinho para sexo. - Bufei.

- É o que você se considera?

- É o que você me considera. Você sempre deixou claro. - Cruzei os braços ao redor do corpo, geralmente era o meu mecanismo de defesa em uma briga séria. Todas as vezes em que eu estava sozinha com um homem e ele aumentava por mínimo que fosse o tom de voz comigo, eu automaticamente lembrava de Alberto e cruzava os braços na frente do corpo. Eu apenas me limitei em assentir em concordância.

- A culpa não é minha se você se apaixonou.

- Tem razão. É por isso que eu acabei com aquela situação antes que ela piorasse.

- Acabou? Eu pensei que você apenas quisesse que eu fosse um pouquinho menos carinhosa e pouquinho mais filha da puta. - Disse com certo tom de deboche na voz. - Eu não acho que aquilo acabou.

- Acho que está na hora em que você deve ir dormir, Raquel. - Olhei ao meu redor e vi a câmera dele jogada sobre a cama.

- Você sentiu minha falta? - Perguntei acariciando de leve seu queixo, ele fechou os olhos como se desfrutasse da carícia por alguns segundos.

- Não vem ao caso, o que eu sinto não é relevante agora...

- Apagou nossas... - Mordi o lábio inferior. - Fotos? - Ele respirou fundo e me olhou com descontentamento.

- Não apaguei. Não tive coragem. Abaixou o olhar.

- Viu? Não acabou, cariño. - Ele não me respondeu absolutamente nada e apenas levantou do chão. Me deitei entre seus cobertores e afundei nos travesseiros. Em seguida, fechei os olhos sentindo seu cheiro entre os lençóis. Nós não poderíamos acabar com o que nem mesmo havia começado.



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