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História Do You Dare? - Capítulo 27


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Capítulo 27 - Barcelona, Parte II


Acordei com uma música vindo do andar de baixo e Raquel não estava ao meu lado, só havia vários travesseiros e o meu próprio reflexo me encarando no teto – Eu me perguntava por que eu aceitei deixar a decoradora colocar espelhos em todos os tetos do quarto -. Porém, eu não possuía do que reclamar, a experiência com aqueles espelhos no teto na noite passada, havia sido única. Os lençóis possuíam o cheiro de Raquel e eu fiquei alguns segundos apenas com os olhos fechados lembrando da noite passada, apesar de ainda estar magoado com ela, eu não queria perder mais nenhum minuto brigando ou surtando por causa de coisas irrelevantes. Nós havíamos perdido mais de vinte anos, por causa de um orgulho bobo. Fui até o banheiro e assim que abri o chuveiro senti o contato com a água fazer minhas costas arderem.

Dessa vez, Raquel tinha pegado pesado. Eu também havia pegado pesado com ela.

Quando terminei, vesti uma calça moletom e fui para o andar de baixo. Raquel estava na cozinha passando café, ela possuía o rádio conectado ao celular e escutava uma das músicas de uma das cantoras que ela gostava. Usava uma de minhas camisas e rebolava na frente da pia sem saber que estava sendo assistida. Ela dançava ao ritmo da música e eu não conseguia retirar os olhos da forma com que seus quadris se moviam. Ela parecia muito livre e feliz, e eu gostei de vê-la assim.

. Cheguei por trás dela e a abracei.

- Bom dia, amor. - Ela disse, segurando minhas mãos que estavam em sua cintura.

- Bom dia, amor. Dormiu bem? - Perguntei e ela me olhou de lado sorrindo.

- Muito bem. Porém, meu corpo inteiro dói. - Disse e eu ri, ela estreitou os olhos para mim, fingindo raiva. - Temos que relembrar que somos um casal de quarenta anos e não um casal de adolescentes. - Disse e eu sorri ainda mais.

- Onde dói? - Massageei seus ombros. - Quer uma massagem?

- Tudo dói. As coxas, os músculos dos braços... Olha, sinceramente... - Ela disse com um olhar apreensivo, mas depois riu. A virei para mim e a beijei devagar na boca. - Nada dói em você? - Perguntou e eu neguei com a cabeça. - Sério?

- Sério. A única coisa que dói são minhas costas por você ter enfiado suas unhas nela. - Disse e ela revirou os olhos, colocando as mãos sobre meus ombros.

- Eu estava com tantas saudades, sabe? - Disse me olhando nos olhos. - Não só do sexo, mas de você, da gente... Eu acho que não posso mais viver sem o que construímos. - Sorriu e eu coloquei seus cabelos para atrás de seus ombros.

- Quem está emocionado agora? - Perguntei e ela me deu um tapa no ombro.

- Você não vai dizer que sentiu minha falta? - Perguntou, tombando a cabeça para o lado. Ela estava tão bonita, era até difícil tirar os olhos dela.

- Eu pensava em você todos os dias. No que você estaria fazendo... até senti falta das nossas brigas matinais na R&M. - Dei de ombros e ela sorriu, virou-se de costas novamente e alcançou uma frigideira.

- O que quer comer? - A olhei sugestivamente e ela gargalhou. - Não sei, amor. Quer ajuda em algo? - Perguntei sério e ela negou com a cabeça me empurrando pelos ombros. - Senta. - Pediu para que eu sentasse em um dos banquinhos perto do balcão da cozinha. Obedeci e ela sorriu como uma criança animada. - Quero que você aprecie meus dotes culinários. - Disse feliz e eu sorri também.

- Eu ainda estou surpreso que você realmente sabe cozinhar. Achei que fosse histórias do Andrés quando ele disse que você era um talento raro na cozinha.

- O que eu não sei fazer, Sérgio?

- Engraçado, o corpo do ser humano é setenta e cinco por cento água e o seu é setenta e cinco por cento ego. - Disse e ela me jogou um guardanapo enquanto ria.

- Eu não sou egocêntrica. Só admito que sou boa em muitas coisas. - Deu de ombros e olhou o jardim pela janela com admiração. - Eu amei o seu jardim. Na verdade, eu estou apaixonada por essa casa. - Revirou os olhos, com um sorrisinho nos lábios.

- A gente poderia esquecer Madri e vir morar aqui. - Disse e ela sorriu.

- Às vezes tenho vontade de fazer uma loucura assim. - Disse, mexendo em algo que estava na frigideira com uma colher. - Como essa que eu fiz, vir de Madri para Barcelona em uma Ferrari. - Riu, dando de ombros. - Sabe, nós nunca passamos um tempo sozinhos assim. Sem R&M, sem Andrés e Alicia infernizando. - Disse e eu sorri.

- Por falar nisso, como eles estão? - Perguntei e ela virou o rosto para me olhar.

- Enrolando para transar. - Disse e eu revirei os olhos.

- Não foi nesse sentido que eu perguntei. Eu não me importo com a vida sexual deles. - Respondi e ela gargalhou.

- Estão bem. Continuam obcecados em quem vai ganhar a aposta sobre o bebê... repenso todo dia se escolhi bem os padrinhos. No futuro eles vão fazer apostas como: “Se ele falar Madrinha primeiro, você me deve quinhentos euros”. - Revirou os olhos e voltou a focar na frigideira a sua frente.

- São nossos melhores amigos. - Disse e ela olhou para trás, sorrindo para mim. - E seu irmão.

- Tudo bem. Escolhi o Denver para ser padrinho da Elisa, então acho que está tudo certo. - Deu de ombros. - Terminei. - Veio para perto da mesa com uma jarra de suco e depois voltou para a pia para buscar a garrafa com café. Ela também tinha feito algumas torradas e panquecas... era bastante comida para duas pessoas.

- Acha que não fez comida demais para duas pessoas? - Perguntei e empurrei os óculos para trás.

- Três pessoas. - Disse apontando para a própria barriga.

- Tudo bem, três pessoas. Vou reformular a pergunta. Não acha que fez comida demais para três pessoas? - Perguntei e ela sorriu.

- Não, não acho. Eu estou comendo por dois e você é um homem com mais de um metro e oitenta, então... - Deu de ombros.

- Vem cá. - Pedi e ela veio até mim, parando na minha frente. Coloquei as mãos na sua cintura e levantei um pouco a barra da camisa que ela estava usando.

- Quer sexo de novo? Você não cansa? O papel de insaciável era meu. - Disse e eu ri.

- Não é isso, amor. Eu só quero olhar se as manchas de ontem saíram de seu corpo. - Ela sorriu e eu desci o olhar para analisar seu corpo que não possuía nem mesmo sinais das marcas vermelhas da noite anterior e eu respirei aliviado. - Eu pensei que tinha te machucado. - Acariciei seus quadris. Ela segurou meu rosto com as duas mãos.

- Você nunca vai me machucar. - Acariciou minha barba. - Você é o melhor homem que surgiu na minha vida, Sérgio. Você é incapaz de me machucar. - Sorriu de lado.

- Fui bruto demais na noite passada? - Perguntei e ela negou.

- Você só foi diferente... você possui muitas facetas. É capaz de ser um homem sério e focado, ao mesmo tempo que pode ser sensível em relação aos sentimentos e crianças... - Riu e a acompanhei. - E ao mesmo tempo, também pode ser um homem... - Mordeu o lábio inferior e respirou fundo. - Indescritivelmente bom de cama. Cheio de fantasias e malícias. - Acariciou meus cabelos, os bagunçando. - E se quiser ser assim novamente, eu não verei problemas... - Sorriu de lado. - É uma das coisas que eu mais amo em você. Você pode ser romântico, carinhoso, safado... e continuar sendo o mesmo homem.

- Dança um pouquinho para mim. - Pedi e ela sorriu.

- Como assim? - Perguntou e foi a minha vez de sorrir.

- Movendo os quadris como você estava fazendo quando eu cheguei. - Ela sorriu mais abertamente dessa vez e moveu os quadris no ritmo da música, segurei sua cintura e ela continuou se movendo. Colocou as mãos sobre as minhas e esticou o corpo para me beijar na boca. Nós rimos com a brincadeira e eu me abaixei para beijar sua barriga. - Não vejo a hora de sentir o nosso bebê. - Disse acariciando sua barriga levemente com a ponta dos dedos. - De sentir algum movimento... um chute... não sei... - Pousei as duas mãos em seu estômago. - Ouvir o coraçãozinho... - Sorri e olhei para cima, ela tinha algumas lágrimas nos olhos. - O que houve, Raquel? - Perguntei preocupado e ela negou com a cabeça enquanto sorria.

- É só que... você está tão apaixonado pelo nosso filho e ainda nem vimos o rostinho dele. - Sorriu de lado e eu sorri também.

- Você não sente o mesmo? - Perguntei e ela assentiu.

- Claro que sinto, mas é que é tão bom saber que meu filho irá ter um pai como você. - Tombou a cabeça para o lado, me olhando profundamente. - Agora eu preciso me alimentar porque ontem foi uma noite agitada. - Sorriu e foi sentar no banquinho ao meu lado. Seu semblante de desconforto foi visível e a busca por uma posição confortável também. Me senti culpado, mas alguns segundos depois ela riu.

- Algum... problema? - Perguntei e ela me olhou estreitando os olhos.

- Quando eu disse que estava tudo doendo, é literalmente tudo, Sérgio. Tudo. - Disse tentando não rir e eu acabei sorrindo.

- Acho que tem um relaxante muscular no armário. - Levantei e procurei entre alguns remédios que eu possuía no armário, encontrando a tabela de comprimidos. Entreguei a ela, mas logo tomei de volta.

- O que foi? - Perguntou ligeiramente confusa.

- Eu preciso ler a bula, você está grávida, pode existir alguma contraindicação. – Ela me olhou com desdém, ignorando completamente os meus cuidados, mas não deixei que ela pegasse a cartela de volta. Alcancei o papel da bula no armário e iniciei a leitura.

- Você é inacreditável... – Disse e apertou os lábios um no outro com um olhar de tédio.

- Só estou cuidando de você e nosso bebê. - Disse e ela sorriu maliciosa.

- Ontem não parecia muito preocupado comigo... - Ergueu as sobrancelhas sugestivamente.

- Raquel, depois eu fiquei preocupado. - Disse sério. - Eu até acordei de madrugada para me certificar se você estava bem...

- Mas na hora do tesão... - Mordeu o lábio inferior e eu a encarei sério, não estava achando engraçado. Voltei para a bula e percebi nas entrelinhas que não havia nenhuma contraindicação para grávidas ou lactantes. Entreguei a cartela para ela, que encheu um copo de suco e bebeu um gole para acompanhar o comprimido. - Pronto. - Disse sorrindo e eu sentei no banquinho ao seu lado. - Quer um morango? - Alcançou uma um morango que estava junto com as outras frutas na mesa. Ela levou a fruta para a boca e mordeu um pedaço certeiro, eu achei sensual. Não é que eu fosse um pervertido, pensasse em sexo o tempo todo ou qualquer coisa do tipo, mas é eu que era fascinado por Raquel. Qualquer coisa que ela fazia me seduzia, mesmo que fosse sem intenção. - Está tudo bem, Sérgio? - Perguntou e eu empurrei os óculos para trás, tentando sair de meus devaneios. - Não vai comer nada? - Indagou preocupada.

- Vou, vou sim. - Respondi e alcancei uma das torradas que estavam em um prato na mesa.

- A proposta sobre Palawan, que você me fez na França, ainda está de pé? - Perguntou e eu sorri. Ela sorriu também. - É uma ilha fantástica onde eu não precisaria usar sutiã por dentro das blusas e nem me preocupar com o lucro mensal da R&M. - Deu de ombros e eu ri.

- Seríamos muito livres, não é? - Perguntei e ela assentiu.

- Penso todos os dias em me mudar para lá. - Fez um biquinho com os lábios. - A gente iria transar o dia inteiro e nadar pelados. - Gargalhei e ela me seguiu. - Eu sei que você não nadaria pelado.

- Incrível como você me conhece. - Disse e ela sorriu.

- Nossas personalidades são muito diferentes... - Deu de ombros.

- Quando éramos jovens, eu sempre tive medo de aceitar suas investidas por conta disso. - Disse e ela sorriu. - Você era toda livre, bonita, sem pudores... eu era mais quieto, tímido, vivia nos livros...

- Você era a Mônica versão masculina. Por isso, acabaram namorando. - Riu. - Isso me machucou naquela época. - Disse e eu a encarei um pouco surpreso, Alicia havia me falado sobre aquilo, mas ainda era estranho ouvir de sua boca.

- Eu namorar a Mônica, te machucou?

- É claro, Sérgio. Eu era super a fim de ficar com você e você simplesmente resolveu namorar a minha irmã mais nova.

- Eu me sentia intimidado, com a Mônica era diferente.

- Então, você sempre quis aceitar minhas investidas... - Sorriu maliciosa.

- O que você acha? - Perguntei e ela deu de ombros. - Anos de tentação. - Disse e ela revirou os olhos.

- Não aceitou porque foi idiota. - Deu de ombros. - Por mim, você estava me comendo há muitos anos. - Sorriu sem mostrar os dentes e eu neguei com a cabeça em repreensão. - Você vai ao evento comigo hoje à noite, não vai? - Perguntou alcançando outro morango, dessa vez ela foi até o armário e procurou por chantilly, colocando um pouco em cima da fruta e sujando o próprio dedo. - É só umas horas e logo nós podemos voltar para casa, lógico que teremos que ficar para o leilão e tudo mais... - Colocou o dedo na boca e o chupou. - Algum problema, Sérgio? - Perguntou me olhando séria e eu fui até ela, mordendo um pedaço do morango que estava em sua mão. Segurei sua cintura com as duas mãos e ela sorriu, aproximando-se um pouco mais para me beijar na boca. Dei impulso a colocando sobre a bancada e a beijei novamente, ela abriu as pernas e me prendeu no meio delas.

Raquel colocou chantilly no dedo e o chupou novamente, em uma clara provocação. Segurei os dois lados de seu rosto e a beijei, sentindo o gosto dela com uma mistura de morango e chantilly. Ela passou a língua pelos lábios quando paramos nos beijar e eu sorri.

- Vamos entrar na banheira? - Perguntei e ela me olhou estreitando os olhos. - Sem intenção de sexo, Raquel. - Ri e ela riu também. Ela pendurou os dois braços em meu pescoço e eu a coloquei nos braços, a segurando pelas coxas e a levando para o banheiro do andar de baixo.

Quando a coloquei no chão, ela olhou ao redor impressionada.

- É ainda maior que o do andar de cima. - Deu de ombros e começou a desabotoar a camisa. Ela a tirou completamente e a pendurou em um ganchinho. Ela usava apenas uma calcinha de cor azul por baixo da camisa, que ela logo retirou sob o meu olhar atento em seu corpo. Raquel esticou os braços e prendeu os cabelos em um coque acima da cabeça. - Isso de sem sexo vai realmente dar certo? - Perguntou sorrindo e abriu a torneira da pia, a enchendo de água. Tirei a calça moletom que estava usando e logo depois os óculos, os colocando sobre a pia com cuidado e entrei na banheira, ela sorriu e entrou também, sentando entre as minhas pernas. - Me sinto naquela cena de “Pretty Woman” que eles estão na banheira. - Pousou as duas mãos em minhas coxas e eu sorri massageando seus ombros. Peguei um pouco de espuma na água e passei por suas costas, ela virou o rosto de lado e me beijou devagar.

- Estou tentando relaxar seus músculos. - Disse e ela riu. - Estou indo bem? - Perguntei e ela assentiu.

- Muito bem, Sérgio. - Disse e tombou a cabeça para o lado. - Você nem me respondeu naquela hora, se ia para o evento comigo. Estava mais interessado em me olhar comer morango. - Riu e eu desci as mãos para massagear sua cintura. Ela soltou um suspiro de satisfação.

- Então, você percebeu que me fez perder o rumo? - Perguntei e ela riu.

- Eu sempre consigo perceber as coisas no seu olhar, cariño. Quando está com raiva, magoado, feliz, com tesão... - Riu. - Não é que você seja um livro aberto, mas é que temos uma conexão diferente em nosso olhar. - Virou-se um pouco de lado para me observar. - Você já percebeu isso? - Sorriu de lado. - Quase como se pudéssemos “sentir” um ao outro. Nunca senti isso com ninguém. - Voltou a olhar para a frente. - Porém, o evento...

- É claro que eu vou para o evento, Raquel.

- Quero que saiba que vai como meu namorado e não como meu funcionário. Logo, as coisas mudam. Amanhã o nosso “romance” vai estar em todos as revistas da Espanha. - Suspirou entediada. - É sempre assim quando eu começo um relacionamento novo. - Deu de ombros.

- Espero que dessa vez seja o último. - Disse e ela riu.

- Depois que você apareceu na minha vida, eu não consigo mais me ver com mais ninguém. - Disse e depois respirou fundo. - Sérgio, você curte sadomasoquismo? - Perguntou e franzi a testa em confusão.

- O que? - Perguntei exasperado. - Não...

- É que... ontem você, fez de uma forma... que eu pensei que você estava me dando um sinal ou algum indício de que queria... não sei, tentar outras coisas? - Disse e eu neguei com a cabeça enquanto ria.

- Por que? Você gosta? - Perguntei e ela deu de ombros.

- Nunca pratiquei. - Riu. - Na verdade, você foi o único homem que eu confiei em me deixar amarrada durante o sexo e tirar fotos minha nua, e mandar fotos de sutiã para o celular dele. - Riu de forma nervosa e massageou a têmporas. - Nem mesmo quando fui casada. Nunca passou pela minha cabeça, deixar um homem fazer isso comigo, estava totalmente riscado da minha lista.

- E por que comigo você deixou te amarrar e tirar fotos? - Perguntei e ela me olhou de soslaio.

- Confio em você. Nunca confiei tanto... - Sorriu de lado. - Eu sempre fiz sexo, não era uma virgem antes de te conhecer, obviamente que não. - Riu. - Mas, as coisas que você faz comigo... - Voltou a olhar para a frente. - Só você fez. Como naquele dia na sala de conferências ou na noite passada... eu nunca deixaria outro homem fazer aquilo comigo. - Levei a cabeça para trás um pouco surpreso e engoli em seco. Naquela noite, eu nunca poderia imaginar que era a primeira experiência dela com sexo daquela forma. - Pode parecer pervertido, mas eu sempre tive vontade de me entregar totalmente com você, o sexo era a minha forma de me entregar... - Deu de ombros. - Mas também nunca imaginei que você era secretamente desse jeito.

- Eu não era... Não antes de você. Você me faz ficar daquele jeito, é um desejo insano que me faz te querer sempre de todas as formas e da forma mais intensa que eu conseguir. - Subi minhas mãos molhadas por seus braços e depois por seus ombros. Ela virou-se de frente para mim, consequente jogando água pelo chão do banheiro e me beijou na boca. Rimos entre os beijos e ela segurou meu rosto com as duas mãos, me olhando intensamente.

- Estamos bem “casados” assim. - Deu de ombros com um biquinho nos lábios. - Café da manhã juntinhos, banho sem sexo... - Sentou do outro lado da banheira me encarando e eu sorri.

- E? - Perguntei. - Pensei que estávamos nessa fase já que vamos ter um filho e... - Dei de ombros e ela me interrompeu.

- E se passarmos um dia bem doméstico hoje? - Perguntei sorrindo. - Fazendo atividades de casal. - Deu de ombros.

- Que tipos de atividade? - Perguntei e ela sorriu um pouco envergonhada, era muito raro ela estar daquele jeito.

- Cozinhar juntos, escutar umas músicas, ler um livro lá fora, tirar fotos com a sua câmera... - Deu de ombros e arrastou as mãos pela água com um sorriso inocente, quase infantil. Um sorriso puro. - Só aproveitar a companhia um do outro, passamos tanto tempo longe... - Mordeu o lábio inferior de forma nervosa.

- Tudo bem, vamos. - Sorri e ela assentiu, se movendo dentro da banheira para beijar minha boca.

[...]

Raquel estava na frente do espelho, passando nos lábios um batom de cor clara e debruçada sobre a pia do banheiro. Passei por ela e a dei um tapa na bunda, ela me olhou pelo espelho enquanto negava com a cabeça. Ela estava linda, usava um vestido longo preto com duas fendas nas coxas e um ligeiro decote entre os seios. Nas orelhas, ela usava brincos grandes de uma pedraria prateada e seus cabelos estavam totalmente soltos moldando seu rosto bonito. Ela estava muito bonita.

- Algum problema? - Perguntou me olhando pelo espelho enquanto eu estava parado a olhando, encostando na parede atrás de mim. Ela mordeu o lábio e riu de forma maliciosa.

- Nenhum problema, só estava admirando o quanto você é bonita. - Ela sorriu novamente e negou com a cabeça. Ela ficou de pé, totalmente ereta, e virou-se para me olhar. Cruzou os braços e me encarou.

- Como você se sente depois de um dia inteiro comigo totalmente sem sexo? - Sorriu de lado.

- Me sinto muito feliz, vejo cada dia mais que a nossa relação não é apenas sexo. - Sorri também e ela veio até mim, colocando as mãos na minha gravata para ajeitá-la. - E você como se sente?

- Tudo isso que você disse e só acrescentaria que também estou ardendo de tesão. - Disse e eu ri, a puxando para um beijo, mas ela desviou. - Sérgio, eu acabei de colocar um batom. - Repreendeu rindo e eu a puxei pela cintura, mudando nossas posições e a prensando contra a parede do banheiro. Ela me olhou confusa e eu aproximei minha boca de seu ouvido para sussurrar.

- Está tudo bem, eu tenho outros lugares em você que posso beijar. - Abaixei na sua frente e espalmei minhas duas mãos em sua bunda, ela possuía a boca entreaberta, mas não conseguia dizer nada. Eu amava quando conseguia a deixar sem palavras. Coloquei minhas duas mãos por dentro de seu vestido e a percebi sem calcinha. - Sem calcinha, Raquel... - Disse estreitando os olhos.

- O que eu te disse naquele dia na galeria? A calcinha marca o vestido. - Disse pausadamente.

- Então, como naquele dia, você está apenas com o vestido? - Perguntei e ela assentiu sorrindo. Levantei uma de suas pernas a coloquei sobre meu ombro.

- Nós iremos nos atrasar. - Comentou e eu olhei para cima para encará-la.

- Eu serei rápido. - Disse e me afundei entre as fendas de seu vestido, abrindo mais suas pernas e enterrando meu rosto entre elas, ela segurou minha cabeça com uma das mãos e puxou meu cabelo para trás. Deslizei um de meus dedos por seu sexo e a percebi totalmente molhada, abocanhei seu sexo e ela jogou a cabeça para trás gemendo.

- Sérgio, para. - Pediu, me puxando de volta. - Para... - Olhei para cima para encará-la e ela tinha o semblante cansado.

- O que foi, meu amor? - Fiquei de pé e a segurei com uma mão em sua cintura e outra em seu rosto.

- Estou... tonta. - Disse e se apoiou em um de meus ombros como se fosse desmaiar.

- Raquel... - Acariciei as maçãs de seu rosto com as pontas dos dedos polegares. Ela segurou um lado de meu rosto e sorriu, quase como em desdém da minha preocupação.

- É a gravidez. - Deu de ombros. - Os primeiros meses são assim, são bem chatos. Além disso, eu fiz bastante esforço na noite passada. Juntando os sintomas normais e o cansaço...

- A gente deve ir para o evento? Por que não ficamos em casa? - Perguntei ainda preocupado.

- Claro que devemos ir para o evento. É só esperar um pouquinho. - Respirou fundo e massageou um pouco o pescoço, tentando acalmar-se.

- Será que não deveríamos ir ao hospital? - Perguntei e ela negou com a cabeça.

- Não é preciso, Sérgio. - Acariciou meu rosto, enquanto mordia o lábio inferior. - Está tudo bem. - Sorriu. - Vamos para o carro? - Perguntou e eu sorri.

- No meu ou no seu? - Perguntei e ela sorriu mais ainda.

- Na minha Ferrari, claro. Porém, você dirige hoje... - Deu de ombros. - Posso ter uma tontura... - Acariciou meus ombros. Ela saiu andando na minha frente e eu respirei fundo, um fio de preocupação pairando sobre mim. Raquel olhou para trás e percebeu como estava. - Amor? - Perguntou rindo. - É só uma gravidez.

- Mas é que ontem eu te fiz fazer muito esforço, lembra? - Perguntei com certa culpa.

- Eu reclamei? - Perguntou e passou a língua pelo lábio inferior. - Vamos, Sérgio. Para com isso... - Veio até mim e me puxou pela mão, beijando minha boca levemente. - Quando a gente chegar... a gente aproveita bem a noite. - Passou os lábios pelo meu pescoço levemente, já acendendo meu corpo. A olhei sério em repreensão e ela apenas riu. - Vem... - Me puxou e nós descemos juntos até a garagem onde estavam o meu carro e o dela. - Espero que você tenha cuidado com o meu bebê. - Disse zombeteira referindo-se ao carro.

- Pode deixar, senhorita Murillo. - Abri uma das portas e apontei com a mão para que ela entrasse, ela agradeceu e entrou na Ferrari com um sorriso no rosto.

Saímos da casa e eu acelerei a Ferrari em direção a R&M Barcelona.

- Amor... pode acelerar mais, não tenha medo. - Acariciou minha coxa com as unhas.

- Raquel... - Repreendi.

- Mas, eu não estou fazendo nada. Você que leva tudo para o lado errado das coisas. - Mordeu o lábio inferior.

- Se encosta no banco e fica quietinha, por favor. É só o que eu te peço. - A olhei pelo espelho retrovisor e ela riu. - Estou vendo que vai me provocar esse evento inteiro.

- Vai gostar se eu provocar? - Moveu a mão para o lado interno de minha coxa e eu quase soltei o volante.

- Raquel. - A olhei sério.

- Desculpa. - Mordeu o lábio inferior e se afastou. - Acho que precisa aprender a fazer duas coisas ao mesmo tempo. - Piscou um dos olhos e eu neguei com a cabeça, pensando o que é que ela queria dizer com aquelas palavras.

Chegamos no evento e saímos do carro, sendo vítimas de milhares de flashes de câmeras, assim como na França, mas dessa vez tinha microfones também e uma multidão incontrolável. Raquel entrelaçou uma das mãos na minha e me olhou como se pedisse desculpa.

- Senhorita Murillo? Qual a razão de comparecer a exposição de joias de Barcelona esse ano? - Uma repórter japonesa perguntou.

- Amor. - Ela respondeu e sorriu para mim. - E curiosidade em relação ao evento, já que nos outros anos, eu só costumo ver por fotos.

- E a polêmica de Milão, possui algo para acrescentar em relação a isso? - Outra repórter de cabelos muito ruivos se aproximou. - Você realmente cortou todas as relações com a empresa italiana?

- Eu prefiro não falar sobre isso publicamente. - Sorriu de lado.

- E seu novo romance com um dos seus funcionários? É real? - Um dos repórteres perguntou, Raquel sorriu um pouco nervosa e assentiu para a surpresa de todos.

- Ele não é só meu funcionário e não é só um romance, ele é meu namorado, estamos oficialmente juntos. - Disse e mais perguntas foram feitas e mais fotos tiradas, quase não dava para entender nada.

- Há boatos de que a senhora está grávida, é verdade? Vem um novo herdeiro por aí? - Raquel arregalou os olhos, com certeza pensando quem havia vazado aquela informação e eu também fiquei perturbado com aquilo.

- É verdade, sim. - Disse e outra enxurrada de perguntas começou. Amanhã com certeza seríamos manchete de alguma revista.

Com ajuda de alguns seguranças, nós conseguimos entrar no evento.

- Quase não passamos da porta. - Riu e segurou minha mão com mais força. O salão da filiar da empresa estava muito bem decorado, com lustres no teto e muitas bebidas caras. Dava para enxergar de longe o quanto era um evento sofisticado.

Havia vários modelos de joias expostas dentro de vidraças e as cadeiras para assistir ao leilão eram organizadas por nome.

- Se você não estiver ao meu lado, eu processo o organizador. - Disse e eu ri.

- Você quer processar todo mundo. - Disse e ela deu de ombros.

- Que seja. - Um garçom passou por nós e ela esticou a mão para alcançar uma taça de champanhe, a parei no mesmo segundo.

- Ei, Raquel. - Disse com repreensão. - Nada de bebida alcoólica antes do beber nascer, lembra? - Perguntei e ela revirou os olhos com deboche.

- Engraçado, você faz o filho e eu que me ferro. - Sorriu cínica sem mostrar os dentes.

- Fiz sozinho, Raquel? - Perguntei e ela riu. - Você não estava reclamando quando eu fiz. - Ela revirou os olhos com deboche e suspirou.

- Vem, vamos para os nossos lugares. - Disse e eu assenti, a seguindo pelo salão. Ela foi diretamente para a primeira fileira de cadeiras, porém em uma delas só constava seu nome. Ela me olhou desacreditada.

- A minha deve estar nas fileiras de trás. - Disse e ela revirou os olhos em puro tédio.

- Você não vai para as fileiras de trás. - Continuou segurando minha mão fortemente. - Ei, você. - Ela acenou para uma mulher ruiva que parecia ser uma das organizadoras do evento. Ruivas no marketing eram algo comum naquela empresa.

- Raquel Murillo? - Perguntou e Raquel assentiu e depois sorriu simpática. Eu gostava do jeito em que ela conseguia manter autoridade sem ser mesquinha com os funcionários.

- Eu sei que as cadeiras foram mapeadas bem antes do evento acontecer, mas é que... eu queria estar ao lado do meu namorado. - Olhou para mim de relance. - E o nome dele não consta nas cadeiras da primeira fila. - Disse e a ruiva olhou para um papel que tinha em suas mãos que imaginei ser uma lista.

- Como é o nome do seu namorado? - Perguntou e ela sorriu.

- Sérgio Marquina. - Disse e a ruiva nos encarou por alguns segundos.

- O diretor do financeiro? - Perguntou.

- É. - Eu e Raquel confirmamos ao mesmo tempo.

- Ele pode ficar na cadeira ao seu lado. Vou mudar as placas. - Retirou a placa da cadeira.

- Obrigada. - Raquel disse e a moça seguiu para as fileiras de trás.

- Só você para fazer esse tipo de coisa. - Sentamos um ao lado do outro e trocamos olhares.

- Queria ficar lá atrás sozinho? - Perguntou e eu neguei com a cabeça, inconscientemente admirando seus lábios enquanto ela falava. - Eu estava pensando em te promover a diretor geral do financeiro. - Disse e eu arregalei um pouco os olhos, empurrando os óculos para trás. Raquel possuía milhares de filiares na Europa e América, ser diretor financeiro geral, me fazia diretor de todas elas. - Você vê problemas? - Perguntou.

- É que é um cargo bem alto e agora que estamos namorando, pode parecer que... - Empurrei os óculos para trás novamente.

- Eu sei. - Revirou os olhos. - Vai parecer que estou te dando vantagens por estar comigo e você está se aproveitando disso. Mas... Nós dois sabemos que não é verdade. - Disse e eu assenti. - Você merece esse cargo. Trabalha comigo desde que a R&M era praticamente um projeto e além de tudo, você é inteligentíssimo e leal. Eu não me importo com a opinião das pessoas, você sabe. Se quiserem achar, que achem. Sua consciência está totalmente limpa e isso é o que realmente importa. - Acariciou meu rosto com uma das mãos. Ela estava usando alguns anéis nessa mão, eu a achava ainda mais poderosa quando os usava. - E se você não fosse tão apegado ao financeiro, eu te promoveria a diretor junto comigo. - Disse e eu quase engasguei com a minha respiração. - Sérgio, eu, você e a Alicia que administramos a empresa. Isso não deveria te surpreender.

- Acho que o cargo de diretor geral está suficiente.

- Então, você vai aceitar? - Perguntou e eu neguei.

- Ainda irei pensar sobre isso. - Disse e ela assentiu. Raquel virou um pouco o rosto de lado e fez uma careta de desdém, revirando os olhos em seguida.

- Ela só pode ser onipresente. - Resmungou olhando na direção oposta e eu me estiquei para ver o que era.

Regina, a francesa.

Ela percebeu nossos olhares e sorriu provocante para Raquel, que correspondeu o sorriso da mesma forma, acenando para ela com deboche.

Eu tentei me controlar, mas acabei rindo.

- Isso, vai rindo. - Ela disse quando olhou para mim.

O leilão foi iniciado e Raquel revirou os olhos em completo tédio, ainda mais quando o apresentador citou seu nome para agradecer sua presença e uma luz branca sobre ela. O olhar dela dizia “Que inferno”. Os lances eram muito altos e ela apenas olhava para as unhas pintadas de vermelho e sorria quando alguém dizia o nome dela.

Raquel sorriu e lambeu o lábio inferior enquanto olhava para a minha boca. Eu estava me controlando para não a agarrar ali mesmo, na frente de todos. - Eu sei o que está pensando. - Disse e eu pousei a mão em sua coxa, ela desceu o olhar para baixo no mesmo segundo, mas voltou a olhar para mim.

- O que eu estou pensando? - Subi um pouco mais a mão. Pelo escuro e pela atenção das pessoas totalmente voltadas para o evento, era impossível alguém perceber o caminho que a minha mão estava fazendo em sua coxa descoberta pela fenda do vestido. Ela engoliu em seco e empurrou minha mão, me olhando com um sorriso de lado.

- Teremos todo o tempo do mundo para isso. - Acariciou meu pescoço com uma das mãos, indo diretamente passar as mãos pela minha nuca.

- Teremos todo o tempo do mundo para isso. - Repeti suas palavras e empurrei sua mão.

O último modelo foi leiloado e nós seguimos para o meio do salão onde havia uma pista de dança. Alguns casais se aglomeraram para dançar a música romântica que estava tocando no salão e Raquel me puxou pela mão para nos juntar a eles.

- Raquel, eu não danço em público. - Reclamei, mas coloquei minhas duas mãos em sua cintura.

- É só uma dança, cariño. - Sorriu e colocou os braços sobre meus ombros, aproveitando para acariciar meus cabelos com as mãos.

- Você é tão bonito. - Disse enquanto sorria e me guiava entre alguns passos. - Essa música é sexy, você não acha? - Perguntou passando as unhas pela minha nuca.

- A acho romântica também. - Comentei e ela sorriu, encostando a cabeça em meu peito, apenas sentindo o ritmo da música.

- Seu coração está acelerado. - Ela comentou, balançando-se no ritmo da batida sensual que a música possuía.

- Eu ainda fico nervoso perto de você, mesmo que não seja uma novidade estar perto de você. - Disse e ela sorriu me olhando. - Sabe... antes de você, minha vida era comum. Eu saía para as festas que Andrés me arrastava... namorava uma mulher que não tinha metade da sua personalidade e ainda assim me traiu... e agora, eu estou aqui com você. Você me enlouquece... te amar é como não ter expectativas, entende?

- Como assim, não ter expectativas? - Perguntou.

- É como se você sempre estivesse pronta para me surpreender. Quando eu pensei que nunca mais iria ver você, Raquel, você apareceu de Ferrari em Barcelona. Sei lá, que mulher faria isso? - Perguntei sorrindo e ela riu também. - Apenas, Raquel Murillo. - Disse e segurei seu rosto com uma das mãos.

- Eu não costumo me arrepender de absolutamente nada. O que eu fiz está feito... e não dá para mudar. Mas, me arrependo de não ter passado por cima do meu orgulho antes e ter ficado com você antes. - Disse séria. - Eu teria evitado tanta coisa, nós dois teríamos evitado muita coisa em nossas vidas. - Levei minha mão para o meio de suas costas e segurei uma de suas mãos, dançando com ela de forma diferente. - Teríamos evitado Albertos e Verônicas. - Deu de ombros.

- Mas não seríamos quem somos hoje, não é? - Perguntei e ela assentiu, soltando minha mão e me puxando para um beijo calmo. Vários beijos seguidos um do outro, sem nem mesmo se importar que a maioria das pessoas estavam nos olhando.

- Eu te amo... - Disse e eu a girei no salão, a abraçando por trás em seguida. - Por isso, eu não esperava. - Me olhou de lado sorrindo. A virei de volta e segurei firme sua cintura.

- Eu também posso te surpreender. - Disse e ela sorriu.

- Vamos... para a casa? - Perguntou, passando os lábios pelo meu pescoço levemente, distribuindo alguns beijos que logo me enlouqueceram.

- Vamos. - A segurei pela mão e nós saímos no meio do evento, desviando de várias pessoas. Até quase esbarrarmos em uma específica.

- Chérie. - Regina disse, cumprimentando Raquel. Ela tinha uma taça de vinho em uma das mãos.

- Você está obcecada com a gente? - Raquel perguntou e eu revirei os olhos.

- Com o que? Como vocês dizem aqui na Espanha, cariño? Por que eu estaria obcecada, cariño? - Raquel fechou o semblante na mesma hora e eu segurei sua mão ainda mais forte.

- Boa noite, Regina. - Disse e Raquel me olhou séria. Imaginei todas as maneiras que ela deve ter me matado em sua mente.

- Boa noite, chéri. - Sorriu e se aproximou me dando dois beijos na bochecha e eu repeti o gesto com ela, Raquel nos olhou desacreditada e saiu pelo salão, me deixando para trás. - Se quiser me ligar...

- Cala a boca, por favor. - Disse e saí do salão, indo para o estacionamento onde provavelmente Raquel estaria.

Ponto para mim. Ela estava encostada na Ferrari com os braços cruzados na frente do corpo.

- Já cansou de conversar com ela? - Perguntou irritada.

- Engraçado, você pode beijar seu ex, mas eu não posso falar com ela. - Disse e ela me olhou ainda mais irritada.

- Eu pensei que isso já era uma história superada. - Disse e eu a olhei com raiva, empurrando meus óculos para trás. - E a situação é bem diferente. Nós não estávamos juntos, e você nunca surtou com o Fabio. Já agora, nós estamos juntos e eu já surtei com ela. O que ela deve estar pensando agora? Hein? - Aproximou-se um pouco mais o corpo do meu. - Que eu sou apenas uma mulher surtada, grávida e traída.

- Então, você está preocupada com o que ela vai pensar? E o que o idiota do seu ex deve ter pensando de mim? Que eu sou um idiota e que a qualquer momento você vai correr para os braços dele, quando brigar comigo. Você beijou a boca dele, Raquel. Em poucos dias de separados, o quer que eu sinta? Eu apenas beijei a bochecha da insignificante e você simplesmente teve um surto muito maior do que o meu.

- Deve ser, por que eu te amo? - Perguntou séria. - Por que eu tenho medo de te perder? Por que eu não suporto a ideia de ter outra mulher tendo o mesmo prazer de estar ao seu lado? É por isso que eu surto. - Disse irritada, balançando as mãos no ar e em um tom de voz mais alto que o normal. - E eu nunca irei voltar para os braços do Fabio, Sergio. É um absurdo você pensar nessa hipótese, eu passei anos com o Fabio, tive uma filha e tudo, mas eu nunca o amei como eu te amo. Eu acho que eu nunca o amei, ele apenas estava lá e me apoiava. Nunca foi o que é com você, nunca foi essa paixão, essa loucura... - A interrompi, beijando sua boca e a prensando contra o carro. Ela correspondeu, com muita raiva, mas correspondeu. Levantei uma de suas coxas e rodeei em minha cintura, ela abriu a boca surpresa e gemeu entre o beijo, mas eu não deixei que parasse. Continuei a beijando, e a prensando contra o carro. - É assim, Sérgio? - Perguntou quando paramos. - Briga e me beija? - Seus lábios estavam vermelhos pela agressividade do beijo. Ela estava lutando para não sorrir, mas sorriu.

- Eu não pensei muito... só queria que você parasse de brigar. - Disse e ela sorriu ainda mais.

- Estaremos sempre brigando assim? - Perguntou rindo.

- Bom, nossa vida sempre foi brigar, não é? Brigávamos na adolescência, brigávamos na empresa, brigamos agora como um casal. - Riu. - Como o Andrés diz sempre: A linha entre o ódio e o amor é tênue. - Ela mordeu o lábio inferior.

- Vamos entrar no carro, quero ir para a casa. - Disse séria e como eu estava com a chave, desbloqueei o carro e ela abriu a porta, entrando e sentando em um dos bancos, fechei a porta e dei a volta indo para o seu lado, o lado do motorista, fechei a porta e ela estava com os braços cruzados, olhando para a frente.

- Raiva? - Perguntei.

- Ódio. - Ela respondeu.

- Hum. - Disse de volta e girei o volante para começar a sair com o carro do estacionamento. Quando chegamos na rua ela começou a olhar pela janela, olhando as ruas coloridas de Barcelona. Ignorei e continuei seguindo com o carro, até sentir a mão dela correndo por minha coxa, a mão passeando devagar para um território bem perigoso. A olhei pelo retrovisor e ela continuava olhando pela janela. Ela finalmente virou o corpo em minha direção e sorriu, colocou as duas mãos em minha coxa e eu não entendi o que ela estava fazendo até ela abrir meu cinto e em seguida o zíper da calça, eu já estava ficando excitado apenas por imaginar o que ela iria fazer. - Raquel? - Perguntei, mas ela não me deu atenção. Apenas terminou de abrir o zíper, abaixou parte da boxer que eu usava e segurou meu membro já ereto em uma das mãos. - Raquel... você vai nos matar.

- É só você se concentrar na rua e me deixar fazer o resto. - Disse e eu apenas fiz o que ela mandou, ela arqueou o corpo em minha direção, colocando o rosto bem perto de meu colo. Ouvi ela dar um risinho e abocanhar meu membro em seguida, engoli em seco com a sensação, tentando manter o controle do carro.

- Que inferno, Raquel. - Resmunguei e ela levantou o olhar para me observar enquanto me chupava. Ela moveu uma das mãos na base enquanto mantinha a boca na ponta. Minha respiração já estava completamente descontrolada e eu não sei como ainda estava conseguindo dirigir ou ter algum pensamento racional com aquilo que estava acontecendo. Ela passou a mover a boca um pouco mais rápido, junto com a mão. Ela soltava alguns gemidos enquanto fazia e eu tentava me concentrar nas ruas de Barcelona e não no prazer que estava sentindo. Ela rodeava a língua, alternava entre chupadas leves e outras mais longas, mantinha a mão parada, depois em movimento contínuo. Parecia que o tempo não passava e nós não chegávamos em casa. Acelerei um pouco mais a Ferrari e ela praticamente enfiou as unhas em minha calça, enquanto continuava. Senti meu orgasmo cada vez mais próximo e segurei sua cabeça, como um aviso, ela apenas gemeu um “hum” e continuou. Acelerei um pouco mais o carro e em seguida, gozei em sua boca. Ela se desvencilhou de mim devagar e voltou a sentar no banco, passando as costas da mão nos lábios. Chegamos na frente da minha casa e eu só conseguia respirar muito nervoso enquanto ela ria de meu desespero. Ela tomou da minha mão o controle que abria a garagem e apertou o pequeno botão, levantando o portão e em seguida, eu acelerei o carro, entrando dentro da garagem. Saímos do carro, após ela apertar no botão do controle para abaixar o portão e eu conseguir fechar parte da minha calça, e entramos na casa em total silêncio.

- Sérgio, você... - Ela começou, mas eu a interrompi, a virando de costas para mim e contra uma parede de vidro. Ela apoiou as mãos no vidro e depois virou o rosto para mim, ela tinha um sorriso um pouco surpreso e eu segurei uma de suas coxas com força.

- Alguma coisa ainda está doendo em você? - Perguntei e ela negou com a cabeça.

- Nada. - Respondeu e afastei suas pernas com um dos pés, abrindo o botão e o zíper da calça. Movi minha mão de seu pescoço para seus seios e em seguida para seu sexo, confirmando se ela estava excitada o suficiente.

Joder, é claro que ela estava.

A penetrei em uma investida só e ela gemeu de prazer, forçando as mãos no vidro.

- E aí, está realizando sua fantasia de me foder contra paredes... de vidro? - Perguntou e eu sorri, passando a boca por sua nuca e começando a me movimentar dentro dela. Coloquei uma de minhas mãos por cima da dela e mordi seu ombro desnudo, aumentando a força e a velocidade com que entrava e saía de dentro dela.

- Por que você não cala a boca, Raquel? - Perguntei e ela riu. Ela tinha a capacidade de fazer sexo e rir ao mesmo tempo. Juntei seus cabelos em uma das minhas mãos e puxei, tirando a minha outra mão de cima da sua e indo em direção ao meio de suas pernas, acariciando seu clitóris. Ela abaixou a cabeça e começou a gemer baixinho. Saí de dentro dela e a virei para mim, ela me olhou confusa, mas eu a empurrei contra a parede novamente e levantei uma de suas pernas, voltando a penetrá-la. Ela fechou os olhos e jogou a cabeça para trás, um gemido intenso escapou de sua garganta e eu sorri.

Quem estava rindo agora?

Ela colocou as duas mãos em minhas costas, me puxando para ela e eu continuei investindo, vendo seu corpo se movimentar pela força e ouvindo seus gemidos que se tornavam cada vez mais desesperados. O bom é que eu não possuía muitos vizinhos perto. Aproximei meu rosto do seu e a beijei na boca com certa fúria, ela gemeu ainda mais alto e levantou um dos braços para cima, tentando se segurar em algo que não existia.

- Me fode, Sérgio... - Pediu e eu obedeci. - Com vontade, do jeito que só você sabe fazer. - Sussurrou e mordeu o lábio me olhando. - Do jeito que eu gosto.

Filha da puta.

Intensifiquei meus movimentos e ela voltou a fechar os olhos, encostando a cabeça no vidro atrás dela. Ela apertou seus músculos internos e eu gemi junto com ela pela sensação.

- Eu... - Começou, mas eu a interrompi com um beijo, a sentindo se contrair ainda mais e chegar ao orgasmo. A segui quase no mesmo segundo, eu só estava esperando que ela chegasse. Ela apoiou as mãos em meus ombros e continuou parada tentando recuperar a respiração normal. Saí de dentro dela e ela abriu os olhos sorrindo. - Vamos... - Me puxou pela gravata e me beijou levemente. - Superar nosso recorde da noite passada? - Perguntou e eu a olhei sério.

- Raquel, você está grávida... - Disse com certa repreensão.

- E daí? Você pode fazer devagar. Com carinho... - Disse com certo deboche.

- Você não gosta devagar. - Disse e ela riu.

- Só vamos estrear cada cômodo da casa, cariño.

Dei impulso com ela no meu colo e segui para a varanda.

Ela não queria estrear cada cômodo da casa? Pois bem, iríamos.



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