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História Do You See Us? - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Capítulo 4


Eu não consigo me recordar muito do que aconteceu no sábado, mas sei que Júlia sumiu logo no início, assim como Miréia. A primeira puta eu sei que foi pegar algum macho, mas Miréia me deixou intrigado, ela não é de ficar com qualquer um, muito menos sumir nas festas, ela sempre está zoando, ou bebendo, mas dessa vez não, o que já me deixou preocupado. Eu não me lembro se vi Helena pela casa, mas se ela estava por lá era capaz de estar com o namorado.

Enfim, domingo de manhã eu acordei com uma puta de uma ressaca e alguns flashs nada coerentes.

Recordo-me de estar dançando, sem camisa, sobre a mesa da cozinha quando alguém veio e me pegou no colo. Lembro também que não conhecia metade das pessoas que estiveram na minha casa ontem, mas tem algo que não me foge o pensamento.

Eu havia beijado o meu melhor amigo, o Pedrão.

Como isso aconteceu? Claramente eu não me lembro, mas consigo nos ver deitados na minha cama, ele estava rindo de mim, de alguma coisa que eu falei.

" – Você é um idiota, Victor. – sua voz ecoou por toda a minha cabeça como música.

- Não sou, você que é. – resmunguei como uma criança birrenta, quase sem conseguir reconhecer minha própria voz de tão fina e esganiçada que a mesma saiu.

Porra. Minha cabeça latejava.

- Vou te deixar dormir agora. – o moreno murmurou, ameaçando levantar da cama.

- Espera. – segurei seu braço antes que o mesmo ousasse sair dali.

Droga, seu olhar decaiu sobre mim e era tudo uma pura confusão. Eu queria tanto fazer aquilo, eu iria fazer aquilo.

- Pedro. – murmurei o puxando para mais perto.

Sentei minha respiração descompensar aos poucos, meu peito subia e descia rapidamente conforme meu olhar era intercalado entre seus lábios róseos e suas íris escuras.

- Pedro... – murmurei outra vez, dessa vez mais perto, mais baixo, bem como um sussurro.

Sua respiração ricocheteou contra meu rosto. Ele também parecia nervoso, seus olhos estavam levemente arregalados, suas mãos estavam trêmulas sob as minhas.

Não contive um sorriso quando o senti abraçar minha cintura com seus dígitos gélidos.

- Só não vomita em mim, por favor. – o moreno pediu quando ameaçou aproximar-se mais um pouco e finalmente quebrar a distância entre nossas bocas.

- Não vou. – prometi antes de selar nossos lábios em um selinho.

Naquele momento, eu conseguia ouvir e sentir tudo com mais lentidão, até a música alta no andar de baixo se tornou inerte em meio a minha mente límpida. Seus lábios eram como seda, suas mãos me apertavam como se a qualquer momento eu pudesse desaparecer sob seu olhar, não que isso tivesse a menor chance de acontecer, eu jamais o afastaria.

Senti sua língua áspera percorrer a superfície da minha boca, pedindo passagem para ir de encontro a minha.

Nunca havia sentindo algo como aquilo, meu estômago fora revestido como uma geada, minha mente estava coberta por algum tipo de nevoeiro enquanto meu corpo se encarregava de sentir, apenas sentir. Sentir suas mãos, sua boca... Seu beijo.

Fora tudo tão rápido. De repente ele estava ali, me segurando, e do nada, completamente de uma hora para a outra, ele sumiu, evaporou como fumaça. Pensei que havia sido uma alucinação, mas nunca havia experenciando algo tão real. Ele esteve ali e, sim, eu beijei ele, o meu melhor amigo”.

Depois disso... Não consigo me lembrar de mais nada.

- Porra. – murmurei enquanto massageava minhas têmporas.

- VIADO. – uma vaca puta invadiu meu quarto, gritando, piorando minha dor de cabeça.

- Desgraçada. – joguei uma almofada em Júlia que gargalhava como uma hiena bêbada.

- E aí. – Miréia se jogou ao meu lado na cama.

- O que vocês querem? – perguntei entediado.

- Comida. – Miréia respondeu.

- O amor da minha vida. – Júlia se jogou ao meu lado, mais precisamente em cima de mim.

- Puta. – bati em seu braço.

- Sobre ontem a noite: acho que engravidei. – disse empolgada.

- Você bebeu? – perguntei sentindo seu hálito horrível de álcool.

- Vomitei. – deu de ombros.

- Também. – Miréia jogou o braço para cima, ela estava com uma cara péssima, na verdade, todos naquela cama estavam daquele jeito.

- E aí? O que aconteceu com vocês ontem? – perguntei enquanto enrolava os cachos de Júlia em um dedo.

- Vi o garoto que eu amo nos braços de outra, então me afundei na bebida e agarrei o primeiro que eu vi. – Júlia deu de ombros. Acho que já deu para entender o tipo de garota que ela era. – E... Ah! Lembrei! – exclamou. – Fiz um strip tease no meio da sala ontem.

Gargalhei.

- Estou orgulhoso de você, minha lady. E você, mirra? – questionei a Miréia. ‘Mirra’ era um apelido carinhoso que dediquei especialmente a platinada.

- Nada fora do normal.– respondeu monótona, dando de ombros.

Algo estava errado. Eu estranhei logo, sua cara não era das melhores.

- Aconteceu alguma coisa? – perguntei preocupado.

- Não. – respondeu rapidamente.

- Fala logo, Miréia. – Júlia pediu em um tom autoritário.

- Não aconteceu nada, porra. – seu tom de voz fora mais agressivo dessa vez, ela realmente não queria falar sobre aquilo.

- Tudo bem, calma. – murmurei pacientemente. – Vamos tomar café.

- Almoço. – me corrigiu.

- Uma da tarde, amor. – Júlia levantou-se me mandando um beijo no ar.

Elas levantaram juntas e saíram na frente, provavelmente iriam para a cozinha.

Sentei-me na cama, respirando fundo antes de criar coragem para levantar. Eu não queria encarar a casa, não queria encarar a bagunça que teria de arrumar, não queria encarar Pedrão amanhã, não queria levantar. O que eu iria fazer depois daquele beijo? Pior, como o faria? Pedro provavelmente não iria querer olhar na minha cara depois dessa noite.

Merda, a adolescência é mesmo um inferno.

Opa, crise existencial.

Partiu enfrentar a vida, putas e putos do meu coração.



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