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História Do You See Us? - Capítulo 6


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Notas do Autor


De nada, Miréia.

Capítulo 6 - Capítulo 6


Acredito que enfrentar a adolescência e sobreviver seja um dos maiores feitos de nossos primeiros passos na vida adulta. Nós crescemos, caímos, rimos e choramos. Deveríamos aprender o que é certo é errado, mas fazemos questão e persistir no erro, persistirmos em sermos jovens loucos, mas do que isso adianta? Do que adianta toda essa merda? Um dia não nos lembraremos nem dos nomes das pessoas que estudamos juntos, então, que diferença faz agir como loucos atrás de atenção? Por que não podemos simplesmente ser nós mesmos?

Porra. O que eu ‘tô pensando?

Desculpem, ainda estou meio bêbada, não se importem com a minha pequena surtada e, por favor, caro leitor deitado em algum canto da casa, não se sinta mal pelos meus questionamentos sem cabimentos, eu ainda não sou uma filósofa renomada, e nem pretendo ser.

Eu passei o resto da semana reparando em Kaetano, o que é estranho, muito estranho. Por que eu repararia no garoto que adoro tirar sarro? Não faz sentindo.

Mas, caralho, ele era engraçado, sempre com uma piada diferente na ponta da língua. Mas precisa ficar esperto, e muito atento, na maioria das vezes ele não costuma falar muito, nem mesmo puxar assunto, na maioria das vezes que eu me aproximava ele sempre se encolhia dentro do próprio casaco, como eu disse, ele parecia ter medo de mim. Mas eu gostava de puxar assunto com ele, mesmo que fosse para discutir sobre o clima, ou sobre como as aulas eram chatas e como estávamos despreparados para enfrentar o resto do ano.

Sim, eu ainda não penso em desbravar o mundo.

Mas enfim, ninguém se importa com os meus pequenos deslizes.

Às coisas ficaram estranhas na casa de Victor, à começar pelo fato de eu odiei quando Júlia humilhou Kaetano na frente de todos. Todo mundo riu dele, eles riram com ela e juntos eles humilhara o garoto.

Fiquei me perguntando se era assim que ele me via, se era assim que todos se sentiam em meio a multidão quando eu decidia irritá-los.

Eu arrastei Júlia para longe dos garotos e a enchi de bebida, bem como fiz comigo. Estávamos tão loucas, dançamos sobre o sofá e gritamos os nomes de todos os componentes do The Mötley Crüe. Gritamos a letra de uma de suas músicas e eu juro, nunca me senti tão louca quanto naquele momento. Eu olhava a minha volta e sentia como se estivesse flutuando, todos ali estavam em câmera lenta e eu só conseguia pensar: bebe, bebe, bebe... Era isso, ou talvez fosse as vozes da multidão gritando, me pedindo para ingerir mais e mais álcool, até o momento em que eu não aguentasse mais e caísse desmaiada sobre a cama que me esperava no andar de cima.

- Ei! Vou ao banheiro. – pulei Júlia pelo cabelo, gritando no seu ouvido.

- O que? Ah! Tá! Vai lá. – gritou de volta, voltando a dançar como uma lacraia bêbada.

Fora inevitável não rir naquele momento.

Sai dali bebericando minha bebida, pegando o rumo do banheiro. Tinha uma fila imensa lá, mas foda-se, eu iria esperar. Me recostei na parede de frente para o banheiro, esperando pacientemente enquanto bebia mais do meu copo.

- Miréia. – alguém me gritou.

- Ah! E aí, cara. – bati na mão do garoto que me gritou, o cumprimentando brevemente antes dele voltar a caminhar com a namorada.

Geralmente era assim, as pessoas me abordavam, falavam e simplesmente saiam.

Chato, pois quase nunca elas ficavam.

Do que eu estou falando? Vocês irão entender mais pra frente, leitores.

- Olha ela aí! – putz! Chato pra porra, mas eu adoro esse garoto. – O que uma garota como você, faz num lugar tão legal quanto esse? – Francis me questionou, analisando-me de cima a baixo com um sorrisinho escroto na cara.

Apontei o dedo para ele, sorrindo sarcástica.

- Te faço a mesma pergunta, imprestável com nome de marca de sabão. – o garoto desfez seu sorriso, assumindo uma expressão raivosa rapidamente.

- Você é incansavelmente irritante. – o branquelo se irritava muito fácil, por isso eu adorava conversar com ele, ele sempre parecia irritadiço.

Fiz uma falsa feição de ofendida, espalmando minha mão no peito.

- Assim você magoa. – respondi revirando os olhos.

A casa estava pouco iluminada, com luzes de neon brilhando para todo lado, o som era abafado por músicas de letras idiotas e as pessoas pareciam pateticamente felizes e, olhar em volta, me divertia.

- O que acontece com você hoje? Vi você defendo aquele grupo de nerds agora pouco da sua amiguinha vadia. – o mesmo franziu o cenho, bebericando o líquido em seu copo vermelho.

Bufei, notando que, além da fila não andar, aquela conversa iria demorar.

Relaxei minha postura contra o gesso da parede, rodando o líquido quente no meu copo, ainda sem encarar o garoto a minha frente.

- Primeiro, só eu posso ofender os meus amigos, segundo... – suspirei, ignorando seu olhar de divertimento sobre mim. – Eu não sei. – dei de ombros, finalmente fixando nossos olhares. – Eu acho que não quero mais ser uma babaca o tempo todo.

Francis gargalhou.

- Você tem graça, me diverte saber que pessoas como você têm um coração. – respondeu jogando seu cabelo para trás com apenas uma mão. – Ninguém muda do dia para noite, Miréia. – murmurou saindo dali. – Uma vez babaca, sempre babaca, lembre-se disso quando formos conversar da próxima vez. – ele continuou falando sem parar de caminhar.

- Você é o meu melhor amigo, Francis. – gritei bem alto para que todos ali ouvissem.

O garoto mandou o dedo do meio para mim, ainda de costas, me fazendo rir amargamente.

O problema da droga do banheiro? Tinha um casal fodendo lá dentro, me até enjoou. Desisti de usar o banheiro, então voltei atrás de Júlia, mas a cachorra já tinha sumido também.

Respirei fundo antes de pegar o caminho da cozinha. Pretendia pegar outra bebida. Aquele lugar era o mais vazio no momento, mas o grupo dos nerds estava ali. Os três me encararam com certo pavor, me fazendo revirar os olhos em total tédio.

- Por que estão aqui? – questionei pegando uma garrafa de whisky barato.

- Nada. – ouvi a voz de João Guilherme, saiu como um sussurro diante a música ensurdecedora que tocava incessantemente.

- Hum... – assenti, bebendo do gargalo da garrafa de vidro. O trio continuava me encarando minuciosamente. – O que?

Eles negaram na mesma hora. Kaetano consertou sua postura, cutucando seus amigos.

- Já estamos de saída. – murmurou prestes a sair dali.

Dei um longo gole na minha bebida antes de fazer uma burrada.

- Espera. – pedi abruptamente. – Quero falar com você. – apontei para Kaetano, que me encarou perdido.

Meio trêmulo, ele despediu-se de seus amigos e veio até mim. Fiz um maneio com a cabeça, em um pedido silencioso para que ele me seguisse e o fez.

Passamos pela multidão, atravessando a cozinha e a sala, até chegarmos a escada. Estava o levando para o meu quarto na casa de Vitão, o lugar mais calmo no momento, eu espero.

- O que estamos fazendo aqui? – perguntou desconfortável assim que me viu fechar a porta atrás de mim.

Dei de ombros.

- Não ouviu o que eu disse lá embaixo? – perguntei óbvia, largando a garrafa em algum canto do quarto.

- Que queria conversar? – questionou incerto.

Bufei.

Mais lerdo que isso seria impossível de existir.

Ah! Não, espera, existia sim, eu.

- Então... Sobre o que quer conversar? – questionou sentando-se na cama forrada com um lençol de seda.

Caminhei na sua direção, sentando-me ao seu lado.

- Por que você é assim? – perguntei embriagada. – Droga! Por que com esse jeitinho meigo e esse olhar de quem está sempre perdido?

O garoto arregalou seus olhos, confuso.

- Eu... Eu... Não faço ideia do que responder. – sussurrou frugal, em um tom calmo, pura polidez.

- Porra, garoto. – murmurei bagunçando meus cabelos. – O que há de errado? Eu não entendo? Você vem me deixando confusa, já não consigo mais ser a mesma de antes e já nem tenho certeza se quero ser a mesma de antes. – não entendia minhas próprias palavras, minha língua estava embolada dentro da boca e minha voz saia quebradiça.

- O que...

Eu não deixei com que ele terminasse sua frase, avancei em sua boca com certa brutalidade, o pegando de surpresa com um beijo nada delicado.

Kaetano arregalou seus olhos, evitando me tocar ao máximo, intacto, sem conseguir ao menos retribuir o beijo.

Merda.

Será que eu trouxe a minha escova de dentes? “

Depois disso lembro-me que ele saiu correndo feito um louco desenfreado.

Caralho, beijei um virgem.

Foi engraçado e tudo mais, mas, eu estava realmente confusa, estava tudo tão estranho dentro da minha cabeça e... Dentro da porra do meu coração.

- O que aconteceu? – Júlia me abordou em algum momento enquanto arrumávamos a casa de Victor.

- Como assim? – perguntei me certificando de que não tinha mais ninguém por perto.

Estávamos recolhendo o lixo do jardim, acredito ser difícil aparecer alguém por ali.

- Anda, porra, desembucha, desgraça, tem alguma coisa errada e todo mundo sabe. – semicerrei meus olhos na sua direção, respirando fundo antes de tomar coragem e contar a porra da história.

- Eu estou confusa. – dei de ombros, recebendo um olhar tedioso da garota a minha frente, indicando que ela já havia entendido aquilo. – Acho que estou gostando de um nerd. – comprimi os lábios ao observar sua reação.

A rosada arregalou seus olhos, largando a vassoura e pá em suas mãos. Júlia abriu seus braços, negando com a cabeça.

- Não. – disse frívola. – Não mesmo, nada disso.

Como ela poderia negar algo que eu já negligenciava sozinha? Era absurdo.

- Júlia. – bufei.

- Nada disso, Miréia, não gostamos de nerds, não temos esse direito. Eles são... – a garota fez cara de nojo, repugnando a ideia. – Nerds. – abanou as mãos como uma patricinha mimada, que ela era, quando queria, devo dizer.

- Oh, desgraça! Eu ‘tô pouco me fodendo, já disse que as coisas estão confusas, caralho. – apontei o dedo em sua cara, largando a vassoura que a pouco descansava em minha mão.

- Você só deve estar bêbada. – murmurou risonha. – Anda, vamos...

- Como você quando tirou a virgindade daquele garoto? – debochei cortando sua fala. Enfim sua atenção veio até mim novamente.

- Aquilo foi uma... – a rosado se alto interrompeu, sorrindo maldosa. – Você disse que gosta dele? – dei de ombros. – Ótimo, vamos fazer uma aposta, quanto antes você se tocar de que isso não passa de uma piada, melhor.

Encarei-a com certo desdém, esperando que continuasse.

- Então...

- Vamos apostar o seguinte: o baile de recepção é daqui um mês. – seu sorriso apenas aumentava a cada frase dita. Assenti. – Te dou esse tempo, exatos trinta dias, para tirar a virgindade do nerd que você, supostamente, está gostando. – a garota não poupou as aspas com os dedos, mostrando que o negócio era sério, ou muito idiota.

- E o que eu ganho com isso? – perguntei ironicamente, cruzando meus braços.

- Você enfim vai se tocar de que isso não passa de uma bobagem passageira. – deu de ombros.

- Tá. – era plausível. – Mas e você?

- Além da humilhação de mais um garoto para a minha estante de corações partidos? – respondeu ácida.

Assenti.

Aquilo me incomodou, de certa forma. Éramos tão podres quanto, mas o que importa? Já estávamos naquele bote a muito tempo, nada seria capaz de mudar os erros que cometemos um dia, talvez nem nós mesmos.

- Fechado. – apertei sua mão com demasiada força.

Sentia como se estivesse apertando a mão do próprio diabo.

Droga, aquilo era maluquice, ou muita diversão. Das duas umas, de qualquer forma, foda-se, man.



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