1. Spirit Fanfics >
  2. Do You Wanna Dance? >
  3. Addicted to You

História Do You Wanna Dance? - Capítulo 6


Escrita por: e dudandthesurtos


Notas do Autor


Holaaa, como estão?
Esperamos que bem, levando em conta que já faltam 11 dias pra estreia da parte 4 - e vamos de fogo sangue e labareda, né?
Bom, trazemos mais um pouquinho de DYWD pra vocês, dessa vez beeem quente e beeem gostosinho. Estamos amando a recepção de vocês cada vez mais e estamos contentíssimas que continuem acompanhando
Dessa vez, o capítulo teria que ter duas músicas pra abarcar tudo que precisavamos dizer, então no título temos a memorável Shakira né (já perceberam que toda vez que é música dela o capítulo é um estouro rs) e, também, Matematica de la Carne, do moço Rayden.
Aproveitem e comentem muito muito muito

Beixooos
Barcelona&Cannes

Capítulo 6 - Addicted to You


Sergio nem teve tempo de se sentir mal quando acordou naquela sexta feira. Tinha quase varado a noite pensando sobre Raquel, e em como provavelmente tinha sido um idiota em mostrar o mínimo de sentimentos mais específicos a ela quando pediu para que ela ficasse. Tinha passado daquela linha que eles tinham criado. Como podia ter sido tão estúpido?

Olhou-se no espelho do banheiro. Já não era mais jovem, e nunca fora o homem mais atraente do mundo - e tampouco o mais charmoso. No entanto, desde que Raquel tinha aparecido essas tinham deixado de serem questões urgentes e hiper relevantes. Exceto, talvez, pela sua idade. Estava velho e já um tanto cansado de alguns aspectos de sua vida - sobretudo, a solidão. Sabia ser sozinho e sabia gostar disso - seu trabalho e sua estante de livros comprovavam isso. Todo ano uma viagem para algum local incrível onde passava pelo menos um mês conhecendo e estudando cada aspecto possível da região. Conhecera muito de vários lugares, sempre com um interesse em aprender mais e se aprofundar mais. No entanto, suas relações pessoais eram muito complicadas. Mesmo com seu irmão, a quem amava completamente, era difícil: Andrés tinha se casado 4 vezes, e todos seus divórcios tinham sido escandalosos, coisa que desagradava o irmão mais novo. Seus pais tinham falecido há muito tempo, circunstâncias da vida. E Sergio permanecia ali, sozinho, sem mulher nem filhos, mas uma carreira sólida da qual se orgulhar. 

 

E nunca, em hipótese alguma, era dado a casos de uma só noite com desconhecidas. O aniversário de Ángel tinha sido um deslize, uma fissura em sua rotina, e, de tanto se fechar em seu próprio casulo, precisou se abrir completamente à mulher com quem adormeceu naquela noite. E o acaso a trouxe de volta, decerto finalmente lhe dando uma chance (como ele imaginava). Finalmente sua hora tinha chegado, até que enfim! Mas vê-la ir embora daquele jeito no dia anterior - aquilo foi o maior choque de realidade de todos. Era a prova que ele precisava para saber que acaso ou força-maior nenhuma intercedesse a favor dele, nunca. Era só mais um homem com uma vida pessoal mediana - o clichê de workaholic sem ninguém para amar. Não estava chateado com ela, jamais. Raquel não tinha culpa de ter tropeçado sem querer nele - com todos esses problemas que dificilmente seriam resolvidos. O que ela queria estava claro e ponto! - ele aceitaria. Por mais um pouquinho de amor, por mais uma dose dos beijos dela que pareciam fazer esquecer o pobre coitado que ele achava que era. 

 

Assim, quando se arrumou naquela manhã de sexta-feira com o terno azul que deixava para usar nas conferências mais importantes e nas apresentações mais difíceis, Sergio respirou fundo e lembrou-se do dia anterior - não de sua decepção, mas do flerte na hora do café, e no sorriso que ela abriu quando achou graça em vê-lo olhando para ela. E daquele momento em que seus olhos e bocas estavam super próximos e ele se sentiu extremamente sortudo, ainda que absolutamente vulnerável. Decidiu que preferia qualquer coisa que viesse dela do que aquele nada que tinha sido sua vida no último ano. Ia querer qualquer detalhe para que ficasse contente ao sair para trabalhar de manhã, qualquer coisa que não fosse sua satisfação intelectual. Assim, quando pisou na Piñero Marquez e a viu, rindo de uma piada que provavelmente Ángel lhe contara, Sergio sorriu junto. Ela lhe acenou poucos segundos depois, e ele correspondeu com o mesmo sorriso aberto. E quando sentou-se à sua mesa, não tinha conseguido parar de sorrir e começou a ansiar pela noite que viria. Se tudo desse certo, ficaria com ela mais uma vez - e isso já lhe era grande coisa.



 

O Hanói continuava o mesmo de duas semanas atrás. Raquel chegou quase que carregada por seus companheiros de trabalho, que cantarolavam o hino do Real Madrid a plenos pulmões sem nem ainda ter ingerido uma gota que fosse de álcool. Em mais de 20 anos de amizade, Raquel nunca tinha visto Ángel tão alegre. Os três a levaram até a mesa no fim do bar, o lado do jogo de dardos, onde, numa noite há duas semanas, ela tinha namorado Sergio pelo olhar. Ela tentou não pensar naquilo agora, porque em alguns minutos ele estaria entrando por aquela porta com o resto de seus companheiros de banda. Aliás aquilo também veio como uma surpresa; os três advogados tinham levado o convite que ela tinha feito 'ao inimigo' muito bem. Antoñanzas até brincou - por Deus Raquel esperava que ele estivesse brincando - que iria chamar Yashin para uma queda de braço. 

 

"Ok, a primeira rodada é minha mesmo, então vamos de que, Estrella?" Raquel anunciou se levantando para ir até o bar. 

 

Os três assentiram e ela foi até Antonio, o velho e conhecido barman.

 

"Quatro Estrella Galicias por favor!" Ela pediu e o senhorzinho prontamente a entregou quatro canecas de cerveja. Quando se virou para voltar a mesa, pode sentir olhares não muito confortáveis de seus colegas sobre seu corpo. São um bando de caras idiotas que estão na seca há muito tempo. Seu pensamento foi cortado por um barulho estridente vindo da porta, revelando mais quatro figuras que adentravam o Hanói. Primeiro a mulher que ela associou ser Ágatha, depois a secretária de Sergio e enfim Yashin. As mulheres vieram logo abraçá-la e ela rapidamente deixou as cervejas na mesa antes de cumprimentá-las direito.

 

"OI!" As três disseram ao mesmo tempo fazendo Raquel sorrir. "Que bom que puderam vir! Sentem-se, a gente tá ali perto do negócio de dardos. Querem cerveja?" 

 

"Ai sim, por favor!" Ágatha exclamou com as mãos no ar.

 

"Nossa é tudo o que eu preciso depois de mais um dia de 'Sim ele está', 'Não Andrés, ele não vai te atender' e 'Ágatha, sala do Profe agora'."Disse Monica. As duas mulheres também riram e Raquel tentou ignorar o sentimento caloroso que lhe subiu quando ouviu a secretária dele o chamar de 'Profe'. Definitivamente mais sexy que 'Gafitas', ela pensou.  Como se seus pensamentos gritassem em um megafone, Sergio apareceu ao seu lado, com aquele terno azul lindo e a barba espessa alinhadíssima. Nossa, Raquel estava a base de pular no pescoço dele e- ugh. 

 

"Oi." 

 

"Oi." 

 

Raquel sorriu um pouco sem graça e ajeitou uma mecha do cabelo atrás da orelha por ele. Quem visse de fora não tinha ideia de que 24h antes os dois estavam transando como dois alucinados. Sergio ajeitou os óculos, igualmente tímido, e sorriu a mirando nos olhos.

 

"Cerveja?" Ela perguntou com uma das sobrancelhas levantada.

 

"Não, obrigado. Não sou muito de cerveja..."

 

"Ah, verdade. Você é o cara do uísque, né Gafitas?" Ela sorriu e ele a acompanhou. "Ou devo dizer… Professor.

 

Sergio sorriu de forma maliciosa. 

 

"Hoje é seu batismo da Carpa e você está me chamando de Professor?" Ele provocou e ela mordeu o lábio. Nossa, o nome ainda ficava mais sexy quando ele falava.

 

"Bom, pode-se dizer que minha lealdade está com os meus companheiros, mas… não faz mal ter contatos, hm?" 

 

Sergio sorriu de novo. Ela estava ainda mais bonita que no dia anterior com sua blusa branca e um terninho cinza. Pensou em elogiá-la, mas sentiu que seria uma das formas de quebrar alguma pedra na muralha que tinham estabelecido.

 

"Um uísque duplo, por favor." Ele pediu ao barman, que prontamente o atendeu. Raquel entendeu o que ele tinha feito.

 

"Eu vou voltar pra mesa e-"

 

"Ah, claro, claro, sim. Já vou também." Sergio respondeu com um sorriso leve, e Raquel marchou de volta ao grupo - que agora não tinha mais quatro, mas sim sete pessoas - que ocupava duas mesas ao lado do jogo de dardos. 

 

Sergio a observou ir tentando ser o mais discreto possível. O que aquela mulher estava fazendo com ele? Respirou fundo e virou de uma vez o uísque recém preparado, já pedindo outro e ganhando mais um tempo a sós. Não achava nem um pouco saudável beber daquela forma, e tinha plena noção das consequências, mas, bem, era o que podia fazer para se manter alheio e o mais longe possível de estragar seu combinado com Raquel.



 

"Não e vocês não sabem do melhor de tudo: ele ainda conseguiu ser dispensado pelo RH depois de ter recontratado uma mulher da distribuição que tinha vindo fazer check out!" Contou Antoñanzas já depois de algumas cervejas fazendo todos rirem. 

 

Yashin quase engasgou com sua bebida e Sergio achou graça, mas apenas sorriu de lado balançando a cabeça. Não gostava de fofocar sobre os outros funcionários de seu andar, especialmente se não fossem da Banda. Todos estavam se dando incrivelmente bem - o que Sergio julgou ser mérito da luz interna de Raquel -, e iam para a quarta rodada de cerveja. Em um impulso patrocinado pelo álcool, Raquel colocou a mão na coxa de Sergio, primeiro como um apoio e depois começou a fazer um carinho de intenção duvidosa. 

 

Debe ser el perfume que usas

O el agua con la que te bañas

Pero cada cosita que haces

A mi me parece una hazaña


 

Ele sabia que ter se sentado ao lado dela seria um risco, mas no final, valeria a pena. Raquel parecia estar distraída, agora rindo de uma anedota que Ágatha contava gesticulando impetuosamente. Pode notar a curva linda que era o sorriso dela, a forma como seus dentes brancos ficavam a mostra trazendo ainda mais luz ao seu rosto. 

 

"Lembra, Profe?" Seus pensamentos foram cortados pela voz de Ágatha. 

 

"Hã? Sim, claro, claro." Toda a mesa riu, fazendo Sergio corar. Raquel sempre o achava uma graça quando ficava vermelho.

 

"Olhando assim nem parece que é o mesmo Gafitas que passa o dia inteiro gritando pelo oitavo andar..." Ángel provocou, encarando Raquel. Eles não fazem ideia… ela pensou, divertida. 

 

"É aí que vemos a diferença da cafeína pro álcool, senhoras e senhores..." Respondeu Ágatha, com todos rindo mais uma vez. 

 

"Ih Sergio, então se prepara porque seus cafés vão chegar batizados com uísque daqui pra frente..." Monica brincou de novo, agora Sergio conseguiu gargalhar. Aquele sorriso era tão lindo, e, talvez por ser raro, Raquel o achava uma preciosidade. O jeito como ele apertava os olhinhos, como ele ficava tímido mesmo querendo se soltar…

 

"Ágatha vamos de pista?" Monica sugeriu olhando a loira e ela sorriu.

 

"SÓ SE FOR AGORA, LOIRA!" Ágatha se levantou e Yashin lançou um olhar para que as duas encarassem Raquel, que continuava sentada entre Ángel e Sergio.

 

"Raquel você quer vir com a gente?" Monica perguntou, e todos os homens a encararam. 

 

"Eu… pois sim, vamos!" Ela disse após pensar um pouco. Depois de uma semana de trabalho exaustiva, nada melhor que dançar depois de algumas cervejas. 

 

"Vamos! Dale!" Ágatha exclamou puxando Raquel pela mão, e as três seguiram até perto de onde ficava um rádio em forma de jukebox, acompanhadas por palmas animadas e assovios dos colegas que permaneceram na mesa. 

 

Sergio voltou a se sentir desconfortável. Primeiro porque estava "sozinho” com Yashin no meio de toda a Carpa, além do fato de ter Raquel dançando Shakira mais uma vez a menos de 1 metro de si sem poder fazer nada. Terminou seu uísque nervoso, juntando os dedos esperando que algum deles começasse a falar todas aquelas bobagens de homem hétero que ele não sabia como agregar ao assunto. Não demorou muito para que Suárez começasse.

 

“Ôh cara, viu o jogo do Real na quarta-feira? Nossa eu juro que quase tive um infarto.”"

 

“Nem me fala… aquele último lance? Puta merda, quase caí duro.” Antoñanzas entrou na dança, seguido por Ángel.

 

“E a defesa do Aréola? Por Deus, coisa de doido… Não é, Sergio?” A pergunta o fez levantar os olhos do copo vazio de uísque. 

 

“Perdão?”

 

“O jogo do Real na quarta-feira. Foi foda pra caralho né?” Ángel repetiu em tom explicativo. 

 

Yashin teve vontade de afundar na cadeira. Sabia que aquilo não iria dar certo, o Professor odiava futebol e não tinha a menor paciência para aquilo.

 

“Ah, sim… realmente impressionante…” Ele tentou desconversar, mas não conseguiu. Antoñanzas começou a rir e Suárez foi junto. Chegava a ser quase patético. 

 

“Não sabia que torcia pelo Real, Gafas." Ángel se debruçou na mesa, dando mais um gole de sua cerveja. 

 

“Eu… bem, na verdade não. Não acompanho futebol, mas ouvi na rádio os resultados da partida.” Mentiu. Soube os resultados por Andrés, que tinha ficado furioso ao saber que o Atlético de Bilbao - seu time - iria ter que enfrentar o atual campeão, Real Madrid. Os três advogados disseram um ‘ahhhh’ de entendimento em uníssono. 

 

“Imaginei…” Sussurrou Ángel. “Você gosta de algum esporte? Ou só se lá… golfe, nado sincronizado, essas coisas bem masculinas…?” Ele disse rindo e Sergio suspirou já ficando sem paciência.

 

“Não acompanho quase nada de esportes.” Ele respondeu com audível irritação. “Vou até o bar. Com licença.” Sergio respondeu, e todos os homens da mesa menos Yashin, esperaram que ele saísse da mesa para gargalhar. 

 

Sergio conseguiu escutar um “Claro que ele não vê futebol, porra, deve passar o dia todo atrás de uma mesa fazendo continha e surtando.” vindo da mesa. Já não se importava mais com aquilo, depois de 12 anos trabalhando no mesmo ambiente que aqueles trogloditas que só sabiam falar de mulheres, futebol e política. Pelo que notou, Yashin também parecia estar de saco cheio, então sinalizou com os olhos que ele o seguisse, e ele assim o fez. Os dois ficaram no bar e viraram dois copos de uísque cada um. Quando sentiu sua cabeça doer, Sergio parou e se afastou. Pagou a conta, já sabendo que não tinha condições de consumir mais nada e foi ao banheiro. Não conseguiu esconder um sorriso descontraído ao voltar àquele cenário. Da última vez que esteve ali, ou melhor, no banheiro feminino, ele tinha beijado e provado da mulher mais incrível que conhecera desde então. Uma sensação de vazio o invadiu por não ter Raquel em seus braços naquele momento, poder beijá-la, sentir seu gosto… Lavou o rosto e as mãos rapidamente, tentando voltar à sobriedade. A água gelada sempre ajudava, mas agora se sentia completamente perdido sem poder apagar os pequenos focos de incêndio que surgiam por seu corpo apenas ao lembrar dela. Você tem que parar com isso, Sergio… ele pensou, saindo do banheiro. Mal pisou para fora do toilette e deu de cara com Raquel dançando de um jeito hipnótico, mexendo os quadris e cantando junto a alguma música que ele não conhecia. Pode notar gotículas de suor no rosto dela enquanto dançava com as meninas, e desejou imensamente ir até lá, a puxar para si e sentir-la contra seu corpo. Os pequenos incêndios se transformavam aos poucos em queimaduras de terceiro grau, impossíveis de apagar. Sergio se sentiu paralisado quando percebeu que tinha sido pego em flagrante por Raquel, que o encarou com a boca entreaberta, respirando descompassada e os olhos penetrantes cor de café. Ela logo se virou, saindo da pista e indo até a mesa para pegar algo em sua bolsa e sair pela porta, provavelmente indo fumar. 

 

Não foi surpresa alguma para Raquel quando sentiu uma mão encostando na sua e puxando-a. Virou-se sabendo que Sergio estaria ali, pronto para um beijo - e assim se deu. Nenhum dos dois estava mais aguentando aquela tensão quase palpável na mesa do bar, e, para Raquel, beijá-lo foi mais inebriante do que qualquer bebida alcóolica. Sentiu sua língua quente em contato com a dele, e aquele gosto de uísque que ela já tinha provado outras vezes. Sergio a puxou pela cintura e a apertou o corpo contra o seu, encaixando o corpo miúdo dela no meio de seus braços. Suas bocas se abriram várias vezes, como em pequenos gemidos, e só se largaram quando o ar faltou. Raquel abriu os olhos e o encarou de perto, com os lábios inchados e a respiração pesada. Aquele homem a levaria à loucura.

Passou o nariz sobre o dele, e os dedos sobre sua barba. Estava decorando o rosto dele com seu tato, já que a luz no espaço era pouca. Caso nunca mais tivesse perto dele daquele jeito, gostaria de se lembrar de todas as maneiras possíveis. Sergio, por sua vez, mantinha-se parado com os braços ao redor dela, ciente de todas as reações do corpo dela, assim tão próximos. Se ela deixasse, ele descobriria tudo sobre ela. 

 

Sergio, desta vez, puxou o beijo. Agarrou o rosto dela entre as mãos e a puxou, depois deslizou as mãos pela cintura novamente, e passaram levemente sobre seus quadris. Raquel até puxou os cabelos dele de leve quando sugou seu lábio inferior com certa força. Beijaram-se até faltar o ar de novo, e descansaram com uma testa contra a outra, olhando-se nos olhos. 

 

Me besaste esa noche

Cual si fuera el ultimo día de tu boca

Cada que yo me acuerdo

Yo siento en mi pecho el peso de una roca

 

Era oficial: Sergio estava viciado em Raquel. Faria qualquer coisa para ter uma migalha dela que fosse. Iria se considerar vitorioso se ela lhe fizesse a mais banal das coisas. E hoje, com esses beijos, sua sexta-feira estava ganha. Mas, já que estava ali, não custava pedir mais um pouquinho. 

 

"Quer escapar desse bar de novo?" Ele disse contra a boca dela.

 

Raquel sorriu e levantou a cabeça para ele.

 

"Você tá brincando com fogo de novo, Gafitas, cuidado."

 

"Não tenho medo de me queimar em você."

 

"Eu não estava falando de mim." Ela apoiou as mãos nos ombros dele enquanto fazia um gesto com a cabeça em direção à mesa.

 

"Inventamos uma desculpa..."

 

"Não acho que vamos conseguir enganar ninguém dessa vez." Ela sorriu, se soltando. "Volta lá, vou num segundo."

 

"Aonde vai?"

 

"Fumar." 

 

Sergio não iria desistir. O nível de álcool em seu organismo lhe tirava tudo, inclusive seu amor próprio. Saiu atrás dela até a porta do bar. 

 

Raquel riu quando o viu.

 

"Sergio, de verdade, vão nos ver" Ela disse, tirando um cigarro da bolsinha e o acendendo.

 

"Mas não estamos fazendo nada." Apoiando-se na parede, Sergio parecia um personagem de filme de mafioso: lindo, sedutor e bem vestido.

 

"Mas vão desconfiar, oras, você nem fuma" Ela riu.

 

"E qualquer coisa eu digo que comecei a fumar, oras." Ele disse a imitando.

 

"Ninguém vai acreditar nessa, cariño."

 

Ele riu.

 

"Sergio" Ela chamou, séria, virando para ele e colocando a mão livre sobre seu peito.

 

"Hm…"

 

"Precisamos parar. Sério."

 

Ele a olhou, confuso.

 

"Eu não entend-"

 

"É só que… Não conseguimos esconder, é isso. "

 

Raquel tragou do cigarro.

 

“Eu acho que não… Mas você não ajuda, também” ele sorriu, malicioso, prestando a atenção na mão dela que agora subia ao seu pescoço.

 

"Não sei, acho que só fico preocupada de descobrirem."

 

"Por quê?"

 

Porque daí seria algo. Existiria algo. 

 

"Eu preciso desse trabalho, e preciso que esse ambiente seja bom livre de qualquer preocupação" ela soltou a mão do corpo dele e se encostou de costas na parede.

 

"Ok, eu…" Ele respirou fundo "Eu posso ir embora, e se você quiser conversar mais tarde, estarei em casa."

 

“Olha” Ela tragou de novo e soltou a fumaça lentamente “Se eu for pra sua casa nesse estado que eu tô, a última coisa que a gente vai fazer é conversar.”

 

Sergio riu.

 

“Vamos fazer o seguinte…” Ele colocou as mãos nos bolsos e ficou à sua frente “Eu vou parar de beber por hoje, e sugiro que faça o mesmo para evitarmos, bem, motivos para falarem de nós.” Raquel mordeu o lábio. Adorava quando ele surgia com uma boa solução.  “Vou para casa e você me encontra lá. Podemos conversar quando você chegar, ou…”

 

“Amanhã de manhã?” ela riu, e ele a acompanhou.

 

“Isso só vai depender de você, Raquel” ele soltou, desinibido, graças ao álcool que corava suas bochechas e viajava alucinado por suas veias. 

 

“Você tá ficando atrevido, Professor

 

Ela disse enquanto ele se afastava e entrava de novo no bar, e Raquel permaneceu com um sorriso bobo enquanto terminava seu cigarro. 

 

Son tus manos de hombre

El olor de tu espalda

Lo que no tiene nombre

Lo logra tu mirada

 

Quando ele se levantou e anunciou que iria embora, Raquel se despediu olhando no fundo de seus olhos. Era engraçado como pareciam que compartilhavam o segredo mais divertido do mundo. Ágatha e Monica se entreolharam, lembrando do que houve duas semanas atrás, em que Sergio tinha ficado bêbado como nunca e deixado que Raquel - àquela época, ainda uma desconhecida - se esfregasse nele enquanto dançavam. Elas se lembravam disso como ninguém. Andrés sabia só que tinham ido embora juntos. Os homens da carpa não sabiam de nada. Era engraçado que, mesmo com diferentes percepções de como aquela relação tinha se dado, todos puderam notar o jeito diferente que Sergio se dirigiu a ela antes de ir embora. E absolutamente todos - todos - entenderam o que Sergio Marquina tinha ido fazer num happy hour. 

 

Raquel tentou disfarçar ao máximo, pedindo duas garrafas de água e ficando super à vontade com as meninas que a faziam se sentir mais do que bem vinda. Ángel que parecia incomodado, afinal, era um batizado da Carpa - mas estava feliz que Raquel estivesse feliz e, finalmente, de volta à sua vida.

 

Uma hora e meia depois, decidiram que iriam embora. As meninas se ofereceram para dividir um Uber antes que qualquer um dos homens oferecesse uma carona. Raquel arregalou os olhos e aceitou, mas disse que precisava ir ao banheiro antes. Precisava mandar uma mensagem a Sergio para certificar-se que ainda estava acordado. O banheiro feminino era o mesmo em que, duas semanas atrás, tinha estado com ele. Ela riu quando entrou e logo lhe mandou uma mensagem.

 

> Acordado? <

 

E não demorou mais que cinco segundos para que ela visse que ele digitava.

 

> Sim. <

> Ainda vai vir? <

 

Ela sorriu, imaginando-o deitado na cama, aguardando que ela aparecesse.

 

> Vou, estamos saindo <

> Vou demorar um pouco mais porque vou dividir um Uber com as meninas, ok? <

> Eu iria andando, mas não quero que desconfiem de nada... <

 

> Claro, sem problemas. Te espero. <

 

...
 

Raquel levantou as sobrancelhas para ele quando ele abriu a porta de seu apartamento. Ele estava sem os óculos. A camisa cinza do pijama estava alinhada - ele passava até os pijamas? - e sua calça preta tocava o chão e seus pés descalços. Ela fingiu decepção.

 

“Ah, não, eu queria você de terno” Ela choramingou enquanto Sergio ria, puxando-a pela mão para que entrasse no apartamento. Fechou a porta e sentiu as mãos dela correndo sua cintura, até virá-lo e prensá-lo ali, beijando-o delicadamente.

 

“Raquel...” Ele sussurrou contra a sua boca “A conversa…”

 

Ela riu contra sua boca, deixando um beijo rápido antes de se afastar levemente.

 

“Sim, a conversa...” Ela parecia bastante sóbria e lúcida. “É que isso tá ficando muito constante e-”

 

“Constante não é casual.” ele sussurrou, fechando os olhos e a beijando de novo.

 

“Isso.” Os olhos dela também se fecharam. 

 

“Então essa é a última vez?”

 

Raquel e Sergio sussurravam um contra a boca do outro, os corpos colados e as mãos que, delicadamente, tentavam tirar as peças de roupa que os separavam. Tudo muito lento e sóbrio: ambos queriam aproveitar cada segundo.

 

“Acho que sim” Raquel lambeu os lábios dele “É melhor assim.”

 

“É melhor?”

 

“É melhor.”

 

Nenhum dos dois sabia mais como ainda conseguiam falar quando só queriam se beijar. E quando se beijaram, Raquel sabia que aquela tinha que ser a última vez mesmo. Porque, se não, iria querer beijá-lo para o resto da vida, de tão bom que era. Sergio puxou a cintura dela contra seu corpo, abrindo a boca para ela buscar sua língua. 

 

Raquel deixou que ele a empurrasse contra a parede e colocasse uma perna entre as dela. Ele estava tão cheiroso, por Deus! Sergio não conseguia largar sua boca para buscar qualquer outro lugar - precisava senti-la ao máximo. De repente, sentiu-se embriagado novamente. Esperá-la tinha sido uma tortura, mas que estava valendo mais do que a pena. O tecido do pijama dele tocou as pernas descobertas de Raquel e ela gemeu baixinho quando sentiu que já começava a ficar mais do que excitada. Mas, desta vez, estava sem pressa. Soltou a boca dele e sorriu, encarnado-o à sua frente, completamente entregue. Seus lábios estavam inchados e seus olhos quase fechados, e Sergio tinha as mãos paradas na cintura dela. 

 

“Você está linda nessa roupa…” Ele beijou sua bochecha, indo em direção ao pescoço e, em seguida, à orelha. “Quando eu te vi naquele bar eu quis te roubar na hora.”

 

Ela riu, querendo ignorar todos os elogios que vinham dele. Não podia deixar que ele cruzasse aquela linha. Mas, nossa, ele também estava tão lindo antes.

 

“E você tava tão gostoso naquele terno, não acredito que tirou.” Ela puxou os cabelos dele para que ele a olhasse nos olhos. Ele sorriu, puxando o lábio inferior dele aos seus.

 

“Bom, quando eu quiser chamar sua atenção, vou usá-lo.”

 

“Só se quiser que eu te ataque no meio do escritório.”
 

Sergio levou uma de suas mãos aos seios dela, arrancando-lhe um gemido.

 

“Quando quiser, Raquel.” Ele sussurrou para depois beijá-la novamente e colocar a mão entre a blusa dela, já com alguns botões abertos, à esta altura. Raquel achou que poderia pegar fogo ao sentir o toque dele. Não demorou muito para que ele a soltasse e a puxasse pela mão até o quarto. Raquel ia observando seus ombros largos e seus passos rápidos, e bastou cruzarem o batente da porta para que ela o puxasse para outro beijo. Não tinha a desculpa de que estava bêbada desta vez. O beijo dele era alucinante e ela queria poder ficar grudada ali o máximo de tempo possível. Sergio sorriu entre os beijos - desta vez, ela parecia estar gostando de todo e cada segundo, assim como ele. Sentiu-se poderoso. 

 

Afastou-se dela para desabotoar-lhe a camisa até embaixo. Raquel não o ajudou, pelo contrário: deixou que ele fizesse todo o trabalho de se virar com os botões e puxar o tecido para fora da saia. Olhava para ele, delicado e atencioso, e quis dizer alguma coisa bonita que o fizesse sorrir. Sergio tirou a camisa dela, tocando-lhe os ombros desnudos e depois sua cintura fina, apertando-a delicadamente enquanto a trazia para mais um beijo molhado.

 

Raquel puxou a camisa dele pelas costas e deslizou as unhas pelo peito já desnudo dele, descendo uma mão lentamente ao meio de suas pernas. Sergio já estava excitado, e prendeu a respiração por um segundo quando ela o acariciou por cima do pijama. Beijou-a novamente, abraçando-a e deslizando o zíper de sua saia para baixo, ao mesmo tempo que ela empurrava sua calça e sua cueca para o chão. Sergio desceu beijos pelos ombros dela, lambendo-a até o colo e o meio de seus seios. Raquel arfou em resposta à respiração quente dele contra sua pele: iria derreter a qualquer momento. Ele tirou seu sutiã e lambeu levemente cada mamilo, ficando de joelhos e indo em direção ao seu sexo. Raquel agarrou seus cabelos e empurrou-o contra si. Ele sorriu quando olhou para cima e encontrou os olhos dela, sedentos. Talvez fosse a visão mais bonita que tinha visto em toda a sua vida. Puxou os sapatos de salto alto dos pés dela, e ela finalmente pôde sentir o chão.

Deixou-se admirar por um tempo e puxou a calcinha dela para o chão, sem tirar os olhos dela. Raquel sorriu antes de gemer alto quando ele afastou as pernas dela e a lambeu lentamente, provocando-a. 

Sergio não se demorou ali, se levantando rapidamente e a puxando para um beijo. Caminhou de costas até sentar-se na cama com ela em seu colo. Raquel agarrou os cabelos dele e aprofundou o beijo, sugando-lhe o lábio com força. Empurrou-o para o colchão e começou a se esfregar sobre ele, mordendo o lábio inferior quando percebeu que ele fechava os olhos e gemia, baixo.

 

“Raquel…” Ele chamou, segurando os quadris dela e puxando-os para cima “Senta aqui no meu rosto.”

 

Raquel achou que fosse explodir. Não conseguiu nem responder enquanto engatinhava, meio trêmula, sobre ele, até abrir as pernas e sentar sobre seu rosto. Sergio agarrou os quadris dela e se deixou afogar no sexo de Raquel, lambendo-o todo. Sugou com vontade e começou a ouvir os primeiros gemidos descompassados de Raquel, que se segurava para não começar a rebolar sobre o rosto dele. Sergio levou um dedo até seu clitórios e começou a estimulá-lo. Raquel jogou a cabeça de lado, tentando aproveitar de todos os jeitos o prazer que aquela cena lhe proporcionava. A luz não era muita, e vinha só lá de fora, entrando pela janela. Mas ela pôde ver os olhos fechados de Sergio se abrirem quando ele parou de usar o dedo e agarrou-lhe mais forte a bunda, passando a fazer movimentos constantes com a língua em seu ponto mais sensível. Ela passou a ter alguns espasmos involuntários e teve que lutar para não cair. Sergio segurava suas coxas com força, impedindo-a de se mover, a fim que ele acertasse o ponto certo.

 

Raquel sentiu seu corpo aumentar de temperatura e seu rosto corar, e seus tremores ficaram mais constantes. Sentia que iria cair a qualquer momento, por isso se inclinou para frente e apoiou uma mão no colchão. Sentiu medo de estar sufocando ele, mas Sergio não parou o que fazia até que ela tremeu da cabeça aos pés e gemeu alto e fino. Raquel não aguentou nem um segundo depois do orgasmo e saiu de cima dele, deitando-se no colchão. Respirava com dificuldade e sentia seu corpo trêmulo ainda quando ele voltou a beijar-lhe o ventre, mordiscando sua pele. O corpo dela poderia brilhar de tanto calor que emanava de si, e ela sorriu quando puxou-o para cima dela e arrancou-lhe um beijo molhadíssimo. Sergio não queria que aquela noite acabasse por nada. Estava viciado. Era essa a palavra. Poderia tê-la quantas vezes fosse, mas jamais se cansaria. Jamais se cansaria da sensação do seu beijo molhado e do jeito que ela mordia seu lábio inferior toda vez que queria uma desculpa para olhá-lo nos olhos. Ela, novamente, o fez, mas não disse nada. Só o olhou e sorriu, ajeitando-se debaixo dele para que ele estivesse no meio de suas pernas. 

 

Sergio começou a esfregar-se sobre ela, e Raquel só fechou os olhos de deixou que ele fizesse qualquer coisa que quisesse com ela. Posicionou seu membro na entrada encharcada dela com uma das mãos e começou a provocá-la. Raquel abriu os olhos e viu que ele olhava encantado para o corpo dela. Ela não aguentou a espera e levou sua mão à dele, forçando-o a encaixar-se nela. Raquel se deliciou com o gemido discreto dele, e enganchou as pernas na cintura dele quando ele começou a estocar devagar. Sergio levou uma das pernas dela até seu ombro e começou a estocar mais rápido. Raquel passou a gemer mais alto e agarrou os cabelos dele. Sergio fechou os olhos, procurando se controlar e não acabar com a última oportunidade que tinha de ficar com ela daquele jeito. Diminuiu o ritmo e tirou a perna dela de cima de seu ombro, trazendo-a para um beijo profundo. Raquel agradeceu àquilo - seus músculos sempre doíam depois daquela posição, já não era nova o suficiente. Largou a boca dele e sorriu.

 

“Posso pedir uma coisa?” Ela disse em um sussurro malicioso.

 

“O que quiser.”

 

“Fica de pé.”

 

Sergio levantou a sobrancelha, saindo lentamente de dentro dela e se pondo no pé da cama. Raquel se virou e ficou com as mãos e joelhos na cama, de costas para ele. Virou a cabeça, sorrindo.

 

Vem.” Ela pediu mordendo o lábio, e Sergio riu, passando a mão no rosto.

 

Ele se posiconou atrás dela, colocando um pé apoiado na cama e penetrou-a com delicadeza. Sergio não gostava muito daquela posição, mas quando ela gemeu alto, ele sabia que ela estava aproveitando cada segundo. E isso foi suficiente para que ele tentasse aproveitar também. Mais forte! Ele a ouvia pedir, e não podia se negar a realizar qualquer que fosse o desejo dela. Concentrou-se para aguentar mais daquilo, e precisou diminuir o ritmo, mas Raquel passou a se movimentar de encontro a ele e Sergio podia jurar que entraria em combustão a qualquer momento. Não sabia o que mais o inebriava - a sensação de estar dentro dela, os sons, os cheiros… - Ele só sabia que aquilo era muito mais do que ele jamais conseguiria sonhar em ter. Começou a gemer também quando tocou-a o clitóris com um dos dedos e as paredes dela se contraíram sobre seu membro. Raquel sentia que estava vindo de novo, e choramingou.

 

“Sergio, calma, deixa eu deitar.” Ele saiu de dentro dela e a observou deitar de costas,  com as pernas abertas, esperando-o. Mas Sergio não cobriu seu corpo com o dele de imediato, mas deitou-se ao lado dela e lhe roubou um beijo enquanto levava sua mão direita ao sexo dela, estimulando-a novamente. Raquel contraiu os músculos de novo. Ele continuou os movimentos constantes com os dedos em seu clitóris e introduziu um em sua vagina. Bateu o dedo dentro dela, tocando-lhe por dentro e proporcionando uma sensação sem igual à Raquel. Ele sentiu que ela estava quase chegando a um orgasmo novamente e, só assim, deitou-se sobre ela e a penetrou. Começou a estocar rápido, aumentando a fricção entre seu membro e o clitóris sensível dela. Ela agarrou as costas dele e arranhou sua pele. Sergio gemeu, sabendo que teria cicatrizes no dia seguinte. Não diminuiu o ritmo até que a sentiu se contrair sobre ele e começar a gritar e tremer. Ele sorriu, fechando os olhos e sentindo-a tremer sob seu corpo. Raquel respirava com dificuldade, mas levou a mão ao rosto dele e o fez abrir os olhos. 

 

“Não se controle, cariño. Vem comigo.” Ele sorriu e fechou os olhos, começando a estocar mais vezes e a ouvindo gemer bem fino, ainda muito sensível do recente orgasmo. Sergio se derramou nela segundos depois, agarrando o corpo dela como se fosse sua única boia num mar em tempestade. Respirou descompassado no ombro dela, descansando. Raquel acariciou seus cabelos e encheu seu pescoço e ombros de beijos. 

 

Sergio sorriu, ainda recuperando o fôlego. Céus, o que era aquela mulher e o que ela fazia com ele… Ele levou uma mão ao rosto dela, em um carinho, e Raquel a mordiscou com um sorriso travesso. 

 

“Raquel…” Ele disse com a respiração ainda descompassada. 

 

“Sim?” Ela respondeu cínica, traçando beijos pelo pescoço dele, deixando algumas mordidas suaves. Quando chegou ao peito dele, sugou entre seu busto deixando outra marca. Sergio passou as mãos pelos braços dela em um carinho, gostando de senti-la ali por cima dele depois daquele sexo maravilhoso que foi literalmente de tirar o fôlego. Queria poder ficar daquele jeito para sempre; ela em seus braços, o cabelo bagunçado, as bochechas rosadas, um sorriso travesso no rosto. 

 

Raquel não estava para brincadeiras. Sentiu Sergio a puxar para que se deitasse em seu peito, mas negou, subindo até seus lábios e puxando o inferior para que ele a olhasse atentamente. Com uma das mãos, ela arranhou lentamente a parte de dentro de sua coxa, o causando arrepios. Com a outra, voltou a acariciá-lo em seu membro, o fazendo murmurar com os olhos fechados. 

 

“Raquel…” Ele disse de novo, com um tom mais forte de alerta e a respiração começando a se embaralhar.

 

“Diga, Sergio.” Ela respondeu agora descendo com mais beijos por seu abdômen, sem parar de masturbá-lo.

 

Sergio abriu os olhos e se sentou de repente na cama, não acreditando no que seu corpo gritava que estava acontecendo. 

 

“Você- Deus, Raquel…” Foi interrompido por um gemido saindo de seus próprios lábios quando a sentiu descendo mais ainda os beijos e se posicionando entre suas pernas abertas.

 

Ela sorriu de lado, extremamente satisfeita com a sensação inigualável de poder e mordiscou o interior de sua coxa, o fazendo suspirar alto já ansioso pelo que vinha a seguir. Ele tentou levantar o torso para enxergá-la melhor, mas ela o empurrou com a mão livre.

 

“Shh… Relaxe, Professor.” E ele fez exatamente o contrário. Seu pênis já estava dolorosamente duro de novo, esperando ansiosamente por mais toques dela. Raquel deu-lhe mais um sorriso cheio de malícia antes de levar os lábios até onde tocava, o fazendo gemer de forma rouca e fechar os olhos por dois segundos antes de abri-los de novo ainda muito ansioso e excitado para dizer qualquer coisa.

 

Uma das mãos dela estava cravada em sua coxa, enquanto a outra acarinhava seus testículos e ela o chupava com maestria, sem nunca desgrudar-lhe os olhos. Sergio se sentiu maluco, como se, enfim, todo o seu corpo fosse entrar em combustão. Sem saber muito como reagir além de gemer toda vez que a sentia envolver seus lábios em sua glande, levou as mãos aos cabelos loiros desembaraçados em um carinho sensual, no mesmo ritmo dela. Sem tardar 5min, Raquel abaixou sua sugada e o colocou inteiro em sua boca em uma tacada só. É isso, Sergio pensou atônito. Não iria aguentar muito mais do que aquilo, e deixou Raquel saber ao puxar-lhe de leve os cabelos, a fazendo sentir um calor no meio das pernas. Não havia sensação que pudesse descrever o quão gostoso Sergio ficava quando se entregava ao prazer. Surpreendentemente para ele, voltou a arranhar a coxa dele com a ponta das unhas enquanto focava seus movimentos apenas na glande, e foi o que bastou para que Sergio gozasse em sua boca, chamando seu nome com rouquidão. O que tinha sido aquilo?! 

 

Raquel se levantou da cama charmosa, indo até o banheiro e limpando a boca e as mãos com um lencinho antes de voltar a cama e deitar-se sobre Sergio, que ainda recuperava o fôlego. Ele a buscou pelos lábios, dando-lhe um beijo com doçura e calma, com ela percebendo que também estava cansada depois de uma noite agitada como aquela. Se acomodou no peito dele, com cabeça entre seus ombros, e o ouviu sussurrar um “'boa noite” calmo antes de finalmente adormecer.


 

Sergio acordou e ela já não estava na cama. Levantou-se logo, buscando sua calça do pijama no chão e notando, felizmente, que as roupas de Raquel ainda estavam espalhadas por ali. Seguiu até a cozinha e lá estava ela, com a camiseta dele, os cabelos presos e fumando um cigarro na janela. Poderia acordar daquele jeito todos os dias.

 

“Bom dia” Ela sorriu assim que o viu

 

“Bom dia” Ele respondeu, bocejando. 

 

Raquel sentiu um calor diferente atingir seu peito: poderia vê-lo acordar daquele jeito todos os dias daqui para frente - e isso era um perigo.

 

Depois de um café agradável, Raquel sabia que o momento da conversa tinha chegado. Puxou-o pela mão da cozinha até o quarto, onde se sentaram na cama um de frente para o outro, de pernas cruzadas. Ela respirou fundo, sabendo que tinha que ser a primeira a começar.

 

“Eu queria primeiro pedir desculpas. O jeito que eu fui embora na outra noite foi meio… Grosseiro?” Ela estreitou os olhos 

 

“Não tem problema, eu que entendi errado os limites disso, tá tudo bem.”

 

“Mesmo?”

 

“Sim, de verdade. Às vezes você fica e às vezes você vai, e tudo depende de como a sua vida está no momento. Eu entendo e respeito, não tem que me pedir desculpas.” 

 

Raquel sorriu e deu a mão a ele. Sergio achou que fosse explodir com esse toque. Arrumou os óculos, nervoso, e ela não conseguia acreditar que aquele homem era o mesmo homem com quem transava daquele jeito. Quantas versões dele existiam espalhadas por aí?

 

“E eu acho que a gente se dá muito bem de vários jeitos, e que às vezes pode parecer que existe algo a mais aqui, mas eu deixei minhas intenções bem claras pra você no começo e não quero que um mal entendido ou algo mal conversado acabe com essa boa relação, sabe? Principalmente no trabalho. Você é uma pessoa muito engraçada e inteligente, Sergio! Mesmo. Eu me divirto horrores com você.”

 

“Não é assim que você descreveria um colega, penso eu…”

 

E ela riu, soltando a mão dele e cobrindo o rosto com as mãos.

 

“É, talvez a gente não consiga voltar pra fase de colegas. Mas e… amigos? E realmente levarmos a coisa do casual a sério...”

 

Sergio sentiu o rosto corar. Ela não queria uma relação próxima com ninguém, isto era claro, mas queria ser amiga dele? Há muito ele não sentia ternura ou um apreço imediato por alguém - mas por Raquel isto era quase palpável. E saber que ela estava disposta a criar qualquer vínculo com ele, mesmo que fosse de amizade, já o contentava. Sergio sorriu.

 

“Nós vamos conseguir fazer isso?”

 

Raquel jogou a cabeça de lado. “É, eu espero que sim. Prometo me comportar.”

 

“Mas…” Começou ele, baixinho, tentando esclarecer tudo. “Qual é o limite dessa coisa casual?”

 

“Não sei, na verdade. O que me deixou com um pé atrás é que esse casual que combinamos tem se tornado constante, Sergio. Eu não quero essa responsabilidade agora, e te fui sincera desde a nossa primeira conversa naquele restaurante. O problema é que todas as oportunidades que nós temos nós acabamos na sua casa, e não faz nem 15 dias que eu trabalho na PM. Eu sei onde isso vai dar e eu não quero, e preciso que você entenda e que esteja tudo bem pra você, também.”

 

“Está tudo bem, sim, e eu entendo. De verdade.” Ele forçou um sorriso ao se dar conta que nunca tinha estado na casa dela nesses últimos tempos. Ela não tinha aberto um caminho até sua vida: Raquel sempre vinha até ele e ia embora. Sem querer, já estava entre as coisas dele, e ele nem sequer sabia onde ela morava, ou se tinha uma estante de livros em casa, ou se tinha um bicho de estimação. Ele não sabia quase nada - estava no escuro. E ela estava dando-lhe uma outra alternativa até sua vida, ainda que não fosse a que ele tinha imaginado. “Então… Só de vez em quando mesmo?”

 

“Sim, e nunca em dias seguidos.”

 

“Ok, posso aceitar suas regras.” Ele disse, sorrindo. Estava aceitando os termos dela, esperando que ela viesse até ele. “Então ontem não foi a última vez?”

 

Raquel estreitou os olhos, percebendo o tom brincalhão que ele tinha na voz.

 

“Não foi, Gafitas, mas vai demorar para acontecer de novo.” Ela disse firme, e Sergio pôde jurar que sentiu um tom de desapontamento sair em sua voz.

 

“Estarei esperando ansiosamente.” Ele debochou.

 

Raquel deu um tapa no braço dele, arrancando-lhe uma risada. Sergio Marquina seria um ótimo amigo mesmo.

 

“E eu gostaria que isso ficasse entre a gente.” Ela mudou o tom “Sei que provavelmente seu irmão e o pessoal do seu lado sabe do dia do aniversário, mas…”

 

“Sim, certo, não contei sobre as outras vezes e não contarei agora.”

 

“Obrigada” Saiu quase que num sussurro. “De verdade, obrigada por entender.”

 

Sergio assentiu, olhando para os olhos cor de café em que gostaria de poder se afundar.

 

“Não precisa agradecer por isso.”

 

Um silêncio um tanto incômodo se estabeleceu naquele quarto, deixando-o particularmente nervoso.

 

“E agora?” Ela riu

 

Sergio gargalhou, aliviando-se um pouco.

 

“Não sei, acho que não é indicado te chamar pra dançar no meu escritório de novo, certo?”

 

Raquel tombou a cabeça para o lado, apoiando uma mão no rosto dele.

 

“Definitivamente não, cariño.” Ela se levantou e buscou suas roupas no chão. “Dançar não ia ser uma boa ideia.”

 

‘’Raquel antes de ir, posso te perguntar uma coisa?” Raquel tirou os olhos de suas roupas e o encarou.

 

“O que foi?”

 

“”Qual o melhor disco do ABBA?”"

 

Ela sorriu de lado e respirou fundo tentando pensar. “É difícil ter que escolher um… mas acho que Souper Trouper… porque?” Ela continuou a sorrir, intrigada.

 

“Nada eu só… precisava saber por onde começar.”


Ela entendeu, e lhe deu um último sorriso, voltando a se arrumar. E quando ela atravessou a porta dele para ir embora, Sergio sentiu que o vazio dentro de seu peito diminuíra. Estava tudo resolvido. Aquela noite não tinha sido a última, afinal. Para Raquel, a mesma sensação estranha fazia morada em seu peito. Escolheu seguir a cabeça em detrimento do corpo e… bom, agora precisava se segurar firme em sua decisão e não dar meia volta e pular nos braços de Sergio. Restava esperar pela segunda feira, quando fosse vê-lo de novo, para testar essa nova configuração de amizade. Ele se jogou na cama e sentiu o cheiro dela nos lençóis, lembrou-se da noite anterior e sorriu. Mas disse para si mesmo que era tudo só uma emoção passageira e que estava perfeitamente contente em ser só amigo de Raquel Murillo.


Notas Finais


ai eu preciso saber o que ces tao achando de tudoooooooooo ai pfv gente comenta ai


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...