1. Spirit Fanfics >
  2. Do You Wanna Dance? >
  3. There Are Worse Things I Could Do

História Do You Wanna Dance? - Capítulo 8


Escrita por: e dudandthesurtos


Notas do Autor


E no meio de tanto caos e tanta guerra, lá vamos nós com mais um capítulo rs
O de hoje tá mais feliz que o último!
FIQUEM EM CASA E LAVEM AS MÃOS, DO YOU WANNA DANCERS!!!!!!!!!!!!!!

amamos vocês, e um beijo especial a Paola que faz aniversário hoje!!

Barcelona&Cannes

Capítulo 8 - There Are Worse Things I Could Do


> Raquel? Pode falar agora?< 

 

Ela respirou fundo lendo a mensagem no celular bloqueado. Menos de 24h atrás tinha tido um dos piores dias de sua vida pessoal e profissional, e não sabia se ainda estava totalmente curada do cansaço e da tristeza do dia anterior. Sabia que Sergio estava tentando compreender a situação e mais ainda, vindo a chamar para conversar na melhor das intenções. Ele tinha sido delicado o bastante de passar o dia inteiro em sua sala sem ficar a olhando ou tentando forçá-la a qualquer coisa. 

 

> Oi. Sim. Pode falar <

 

Ele não respondeu de imediato.

 

> Nós tínhamos um combinado e eu jamais descumpro promessa alguma. Tudo o que eu mais quero nesse momento é ser seu amigo, e saber que você vai ficar bem. Tenho certeza que as meninas apenas comentaram, e que isso não vai se repetir enquanto eu estiver aqui. Me dói saber que te magoei de alguma forma, mas realmente espero que você entenda que eu jamais passaria por cima de acordo nenhum que tenhamos feito, ainda mais um que coloque a carreira de alguém em risco. Sei o quanto você preza pelo trabalho, e que não há motivo algum para que você se sinta mal nessa empresa apenas por ter se envolvido, ainda que casualmente, com alguém.<

 

Raquel sorriu fraco ao ler aquela mensagem. Sentiu que realmente podia confiar nele. Também demorou um pouco para responder; sempre que digitava tentava achar as palavras certas, mas não parecia conseguir. 

 

> Obrigada. <

> É difícil, sabe? < 

>Trabalhar no mesmo lugar que você, ter que aguentar olhares e fofocas pelas costas só porque dormi com um cara que acabou sendo da mesma empresa que eu.< 

> Mas acontece. <

> Sei que não foi sua culpa, e agradeço demais por você estar me dando o espaço que eu preciso.< 

> Porque eu realmente preciso dele < 

> E sei que posso contar com você <

> Obrigada por ser meu amigo, Sergio <

 

Ele sorriu, igualmente aliviado e relaxou os ombros. 

 

> Obrigada você por me deixar ser. Espero que fique tudo bem. Vai me dando notícias, pode ser? <

 

Agora ela sorriu do outro lado da outra tela. 

 

> Ok. <


 

Logo após o almoço, Sergio chamou Monica e Ágatha em sua sala. As duas já suspeitavam do que aquela conversa se trataria, mas preferiram fingir que não já que seu chefe era uma caixinha de surpresas. Monica encostou a porta ao entrar e perceber que Sergio estava sentado em sua mesa encarando a janela que dava para a rua. 

 

"Eu chamei vocês aqui porque… bom, porque estou com uma situação bem delicada nas mãos." As duas engoliram a seco quando ele as encarou. "Uma funcionária não está se sentindo bem nessa empresa e nesse andar porque aparentemente alguém começou uma fofoca de que estamos juntos ou o que for. Não preciso dizer o quão injusto e sem cabimentos isso é, certo?" Ágatha preferia que ele estivesse gritando ao conversar naquele tom calmo com os olhos magoados. "Por Deus, vocês sabem o quão rápido e injustamente a carreira de uma mulher pode mudar dependendo de com quem ela se envolve ou deixa de envolver. E se eu e Raquel nos envolvemos de uma forma não profissional, e isso só diz respeito a nós dois. Não quero saber quem disse ou deixou de dizer o que, quero apenas lembrá-las que além de minhas subordinadas eu considero vocês duas, de certa maneira, mais que colegas de trabalho, e me dói saber que não foram capazes de respeitar meu espaço e tampouco o dela."

 

Monica tentou pedir desculpas, mas Sergio a interrompeu com as mãos.

 

"Não quero desculpas, quero que vocês a entendam como funcionária da PM, colega de trabalho e acima de tudo minha amiga. E só. Somos amigos. E mesmo que não fosse assim, vocês deviam ter sido mais sensíveis quanto a esse assunto. " 

 

As duas assentiram, e Ágatha saiu da sala completamente arrasada. 

 

"Tem dedo do meu irmão nisso, não é?" Sergio suspirou se sentindo cansado só de pensar.

 

Monica concordou e se aproximou da mesa em que ele estava sentado.

 

"Eu vou… vou resolver isso. Me desculpe, Sergio, de verdade."

 

Sergio se levantou e foi ficar perto da janela, e ela se aproximou de novo. Ali dentro, ele era seu maior amigo. Se conheciam há mais de 10 anos, ele esteve com ela em todos os momentos, o viu ser promovido, ele a ajudou quando mais precisou. Monica sabia exatamente a sensação horrível que ele carregava no peito, e mais ainda, a que Raquel tinha no dela. Ter a vida sendo motivo de fofoca da Piñero Marquéz era uma amostra grátis do inferno, ainda mais quando isso envolvia uma segunda pessoa.  

 

Ela estendeu a mão e segurou a dele, forçando-o a olhá-lo. 

 

“E, se você ficar mal também, por algum motivo… Pode vir falar comigo, ok?”

 

"Obrigada, Monica. Sabia que podia contar com vocês." Ele disse sorrindo fraco, e ela saiu da sala.

 

Agora era hora do mais difícil: falar com Andrés.

 

Aproveitando que o chefe tinha saído de sua sala, Monica foi até Ágatha, que continuava encarando o computador em sua frente com cara de perdida. 

 

"Tá, tá, já sei. Já sei como a gente pode consertar as coisas." Monica disse, a tirando do transe. 

 

"Matando a Silene?" 

 

As duas riram baixo. Realmente, aquilo ajudaria. Mas não.

 

"O Sergio saiu, vamos lá na Carpa chamar a Raquel pra almoçar com a gente amanhã… a gente paga um almoço pra ela e se explica, pede desculpas..."

 

Ágatha sorriu. "É, pode ser… pode funcionar… será que ela vai topar?"

 

"Bom, só tem um jeito de descobrir, né?" Monica respondeu, e Ágatha se levantou.

 

Era a hora universal do cafézinho, então nem Suárez nem Antoñanzas estavam em suas posições, enquanto Aníbal permanecia alheio em seu mundinho, e Raquel estava concentrada no que fazia enquanto mordia a tampinha de uma caneta. As duas outras mulheres se aproximaram com cuidado, e se fizeram presentes limpando a garganta. De relance, Ágatha pode ver que o telefone dela estava desbloqueado, com a conversa aberta com 'Sergio Marquina'.

 

"Oi, Raquel. A gente pode conversar um segundinho?" Monica quebrou o gelo. 

 

Raquel suspirou e olhou a pilha de documentos em sua mesa. "Eu estou mega atolada..." Ela disse com certa preguiça.

 

"Então que tal no almoço amanhã? Por nossa conta, 13h no Fidelis, aqui embaixo." Ágatha propôs e Raquel suspirou de novo. Não estava nem um pouco com vontade de aceitar, mas sentiu algo dentro de si falando que elas estavam ali por um bom motivo.

 

"Ok, tudo bem." Ela respondeu simplesmente e as duas outras sorriram.

 

"Ótimo! Nos vemos amanhã então! Até!" Monica disse se despedindo e Ágatha fez o mesmo.

 

"Até... " Raquel respondeu forçando um sorriso e voltando à papelada.




 

Uma das coisas que Sergio Marquina mais odiava sobre a Piñero Marquéz era o sétimo andar. Provavelmente porque tudo naquele lugar era comandado e tinha o jeito de Andrés, ou talvez porque era cheio de cores, coisas tecnológicas que ele não sabia dizer o que eram e todos se vestiam como se fossem dali para o Fashion Week de Milão a qualquer momento. O fato era que lá estava ele, na frente da sala de Andrés que ainda estava em reunião com seu time. Não demorou menos de 5min para que a porta se abrisse, e um Andrés de Fonollosa saísse sorridente e bem disposto como sempre.

 

"Hermanito! A que devo a honra de sua visita ao meu humilde paraíso corporativo?" Ele provocou e Sergio teve vontade de socar a cara dele. 

 

"Andrés você tem um minuto?" Sergio perguntou com os dentes quase rosnando.

 

"Para o meu irmãozinho? Sempre! Entra, entra!" Andrés o deixou passar para sua sala e ele não pestanejou.

 

"Quer uma balinha, uma água…? Acabei de ganhar esse saco aqui do RH, eles compraram mais daqueles pirulitos chup-chups e-"

 

"Para de dizer besteira Andrés! Cala a boca e senta. Agora." Sergio disse, deixando a raiva transpassar em sua voz e o irmão apenas levantou as mãos como quem diz que está se rendendo.

 

"Eita, o que houve, Profe? Problemas no paraíso do oitavo andar? Ou com a Vice-Diretora?" 

 

Por muito pouco Sergio não o socou na cara. E Andrés percebeu. O engenheiro ajeitou os óculos com rapidez, tentando controlar a respiração.

 

"Você não tinha o direito, Andrés. E eu não estou falando em relação a mim. Uma coisa é ficar que nem um idiota tirando sarro da minha cara, mas você não podia ter exposto a mulher daquele jeito…”

 

O mais velho suspirou. Silene não fazia nada de modo discreto. 

 

“Poxa, se acalme, ninguém vai te culpar por estar com ela, na verda-”

 

“Ninguém está com ninguém, Andrés” ele o cortou “E mesmo que estivesse, não é da sua conta. E definitivamente não é nada profissional mandar sua estagiária ao meu andar para arrancar essas informações só porque não consegue nada da minha boca.” O irmão mais velho permaneceu quieto, de cara fechada. Sergio aproveitou para continuar. “Essa fofoca acaba hoje” ele bateu um dedo na mesa, assinalando “E tudo o que quiser saber sobre isso, me pergunte. E se eu não responder, é porque não lhe diz respeito. A sua atitude constrangeu uma funcionária e eu não vou permitir isso”

 

Andrés engoliu um seco, levantando as sobrancelhas.

 

“Não é a primeira vez que vem brigar comigo por causa disso, se bem me lembro foi na situação de Arturo, não foi?” ele se apoiou na mesa “Se sente especial fazendo isso, irmaozinho? Defendendo suas funcionárias e…”

 

“Quando te mandei calar a boca sobre Monica era porque a situação era toda muito delicada, ela procurou ajuda do chefe e eu dei isso a ela. Ángel não ajudaria em nada nessa questão, e você sabe. E, além do mais, eu sou o único aqui que posso mandar você calar a boca.

 

Andrés suspirou.

 

“Está bem. Calarei minha boca.”

 

“Obrigado.”

 

“Sergio?”

 

“Quê?”

 

“Está apaixonado, não está?”

 

Sergio se levantou e saiu batendo a porta, esvoaçando praticamente ao oitavo andar. O amava mais que tudo, mas era muito difícil. Muito difícil.





 

Quarta-feira - 13h11

 

"Raquel! Que bom que você veio!" Monica exclamou, sorridente. Ágatha também abriu um sorriso que fez Raquel ficar levemente grata por realmente ter ido ao almoço.

 

"É, eu consegui descer a tempo..." Ela respondeu um pouco sem graça. Não tinha muito o que conversar com as meninas.

 

As outras duas entenderam a sensação se entreolharam. Não havia maneira certa de fazer aquilo, mas estavam, de todo coração tentando. 

 

"Eu trabalho na PM faz 11 anos e 7 meses." Monica começou. "Desde esse tempo conheço Sergio o bastante pra dizer que ele é um ótimo chefe e uma ótima pessoa. O que aconteceu foi que nós, de uma forma extremamente egoísta e terrível, comentamos sobre uma situação a qual não tínhamos propriedade ou direito nenhum de comentar. Eu, Monica Gaztambide, tenho certeza que se fosse comigo eu não ia gostar, e por isso te peço desculpas. De verdade. E espero que você possa me perdoar algum dia." A loira disse a encarando, e Raquel assentiu.

 

"Nós nos deixamos levar porque… bom, nos conhecemos há muito tempo. Somos amigos há muito tempo. Conhecemos Sergio desde, nossa, muitos anos, e em todos esses anos nunca vimos nosso amigo tão feliz. Pra te ser sincera até ontem tínhamos uma teoria que o Profe era virgem! Ok, eu nunca acreditei nisso porque né, mas enfim. Não quero te justificar a fofoca com essas razões mas sim te pedir desculpas. Isso não vai mais acontecer e eu realmente quero que sejamos amigas daqui pra frente porque tenho certeza que você é uma pessoa sensacional!" Ágatha terminou e Raquel sorriu de lado. 

 

"Eu… ai é muito bom saber que vocês puderam vir e conversar comigo. Está sendo bem difícil trabalhar aqui, por todos os N motivos que eu tenho, mas é, com certeza estar nesse ambiente quase dominado por homens o tempo todo me abala bastante. É só que… eu achei que estivéssemos nos aproximando sabe? Dançamos juntas nas festas - e gente eu raramente danço - vocês são mulheres, sabe? Temos que nos unir! Já basta o meu estagiário me odiar de graça, o Ángel me entupir de trabalho, e ainda tem toda essa situação com o Sergio… eu realmente não precisava desse burburinho agora, não mesmo." Ela contou e as outras duas ficaram quietas por um momento. Sabiam que tinham feito errado.

 

"Há alguns meses eu me envolvi com um cara chamado Arturo Román. Provavelmente você o conhece, ele é advogado e era quem sentava na sua cadeira antes." Monica engoliu a seco e Ágatha apertou sua mão. Raquel não fazia ideia do que vinha. "Ele era ótimo. Um profissional excelente, um cara bacana, mas… Deus, como era machista, um porco asqueroso… tudo de ruim. Ele ia até o café e passava horas fazendo charminho pra cima de mim, me falando coisas do tipo 'Monica, que coxas lindas, vai pra onde com essa sainha, gata?' E eu deixei levar. Até que um dia ele… passou do ponto." Ela respirou fundo de novo. "E foi a pior coisa que me aconteceu naquele lugar. A tentativa dele de-... de me estuprar em pleno banheiro feminino foi a coisa mais horrenda que me aconteceu. E a Carpa? Pff… Raquel ouvia tudo enojada. "Eu não estou te contando isso pra que você passe a mão na minha cabeça, Raquel, mas pra te dizer que eu sei o que é ter a reputação jogada aos ares nessa empresa por causa de um cara, e que o que eu fiz foi justamente ir contra os meus próprios princípios. Eu, nós, erramos muito feio em nos metermos na sua vida pessoal, e com todo o amor do mundo espero que você aceite as nossas desculpas."

 

Raquel ficou em silêncio, tentando absorver tudo. Ficou feliz de Monica ter confiado nela, e queria poder se abrir com elas também. 

 

"Eu não tenho amigos aqui. Eu entrei na Piñero Marquéz no dia seguinte de ter ficado com um cara incrível mas que descobri que trabalharia do meu lado… é muito difícil. É realmente muito difícil. O que eu e Sergio… vivemos… foi ótimo, mas eu não quero nada agora porque olha pra minha vida! Eu não consigo ter uma noite de sono tranquila porque meu chefe me dá 340mil coisas pra fazer, estou cercada de homens que ficam me comendo com os olhos e ainda por cima tenho que lidar com o fato de que eu dormi com um cara do meu trabalho!" As meninas a olhavam com atenção. "Eu não queria que isso acontecesse, mas enfim… agora já foi, já ficamos e agora estamos tentando ser amigos no meio desse caos. Eu só… eu preciso que alguma coisa na minha vida dê certo, e eu gostaria imensamente que fosse o meu trabalho porque eu ralei demais até chegar aqui." Ela suprimiu uma risada e limpou o canto do olho que teimava em deixar uma lágrima escapar.

 

Monica e Ágatha esticaram as mãos, apertando a de Raquel como quem diz 'estamos aqui' e sorriram. 

 

"Pode contar com a gente, gata!" Disse Ágatha.

 

"Estamos com você sempre." Completou Monica.

 

Raquel então sorriu de forma genuína. Finalmente conseguiu sentir que realmente não estava sozinha.

 

"Tá agora fala ai, o quão bom de cama ele é?" Ágatha disse quebrando o clima e fazendo as outras duas caírem na gargalhada. Raquel corou e mordeu o lábio inferior.

 

"Olha… não sou o tipo de pessoa que beija e conta, mas..." As duas a olharam curiosas. "Vamos dizer que Sergio é um homem bem… generoso. SÓ."

 

As três voltaram a rir. Aquele almoço ficaria para a história como um dos melhores que Raquel já teve na empresa.







 

Três semanas tinham se passado desde o almoço no Fidelis, e Raquel não podia estar mais feliz. As meninas tinham-na acolhido verdadeiramente, e já não via sua pausa para o café sem elas. Sergio até apareceu algumas vezes, e conversava harmoniosamente com elas. Raquel tinha que admitir que era inevitável, algumas vezes, olhar para ele e sentir um comichão no corpo. Várias vezes se pegava olhando para ele enquanto ele passava a sua frente pelo escritório, e seus olhos desciam de seus ombros largos até lá embaixo, e era impossível não se lembrar dele de toalha, recém saído do banho. Às vezes era involuntário morder o lábio e parar de respirar uns segundos quando lhe dava bom dia. Raquel sabia que ele sentia isso também, como no dia em que tinha ido almoçar com a equipe inteira do financeiro e suas mãos, sem querer, se tocaram: a descarga elétrica foi imediata. Mas a advogada estava fazendo o possível para se manter sã e nos trilhos de sua vida - e a amizade com Sergio estava dando certo, e as meninas nunca mais tocaram em nenhum assunto delicado. Chegava em casa sozinha, com seu vinho e suas almofadas, e tentava devagarzinho tornar-se a pessoa sorridente e radiante que um dia fora. E esta tentativa toda parecia refletir em todas as pessoas da PM, mesmo que em doses diferentes; A garota, Silene, até tinha sorrido para ela, um dia. Andrés a cumprimentava todas as vezes que vinham buscar Sergio para almoçar - e sem fazer piadas sarcásticas. Lidava com Ángel com a postura mais profissional possível em resposta ao comentário infeliz de não-vou-aliviar-pro-seu-lado. E, no mais, as brigas no andar nunca pareceram tão distantes. Nunca, em toda a história da PM, se via tanta tranquilidade entre os dois setores. Isto porque ninguém tinha cruzado aquela barreira com tanta classe quanto Raquel Murillo. Quem não parecia contente eram os homens da Carpa, que pareciam enciumados de terem os sorrisos de Raquel todos roubados para o outro lado do escritório. 

 

Suárez a observava lá do outro lado, e revirava os olhos toda vez que Gafitas se dirigia a ela e a fazia rir. Lembrava-se vagamente da festa de Ángel, quando tinha chegado perto dela e ele os tinha interrompido… Podia não ter sido nada, mas o jeito que ele a olhava agora, no café- Ah, aí sim tinha coisa. Não se deixou abater por aquilo no entanto, e conversou com Antoñanzas e concordaram que convidar Raquel para assistir o jogo do dia era super válido. 

 

Já havia passado das três da tarde, quando ele a foi até ela no café, onde     Raquel batia papo com Monica e Yashin. Quando o advogado se aproximou, as outras pessoas se afastaram e Raquel internamente gritou para que elas voltassem. Suárez sorriu a encarando e ela forçou outro de volta.

 

"Ai Raquel! Hoje a galera vai ver o jogo do Real lá no Hanói depois do trampo… quer ir?" 

 

Ela o encarou realmente surpresa. Sabia que eles também torciam pelo Real Madrid, mas em todo aquele tempo nunca tinha sido convidada para verem os jogos juntos…

 

"Hoje é a semi-final do Campeonato e aí combinamos de ver todos juntos… vamos, vai ser divertido, o Antoñanzas começa a xingar o Zidane depois da primeira cerveja!"

 

Raquel riu e mordeu o lábio inferior de forma involuntária enquanto pensava. Suárez tentou não encará-la mas não conseguiu. A verdade era que ele, assim como todos os homens da Carpa e da face da terra, a achavam irresistível.

 

There are worse things I could do

Than go with a boy or two

Even though the neighborhood thinks I'm trashy

And no good

I suppose it could be true

But there are worse things I could do

 

"Ok, pode ser. Mas não vou pagar cerveja pra ninguém, viu? Já basta no dia do batismo que saí de lá lisa!" Ela brincou, batendo de leve no braço dele e riu voltando ao seu posto. 

 

Suárez sentia como se tivesse ganho na loteria. Virou para onde estava Antoñanzas e levantou a mão como se vitorioso, e o amigo se levantou batendo uma palma que a assustou, antes de causar um monte de risadas na Carpa. 

 

Na Banda, o dia corria cheio de problemas - para variar. Sergio estava perdendo os cabelos porque teria uma reunião com seu chefe no dia seguinte, e não conseguia alcançar os resultados necessários no programa pré-orçamentário de jeito nenhum. Ágatha já estava na terceira aspirina e Yashin queria partir o computador com o próprio punho de tanta raiva que tinha daquele sistema. O diretor passou o dia inteiro trancafiado em sua sala, e achava que não iria sair dali tão cedo. 

 

"Monica, pode me trazer outro café, por favor?" Ele pediu ainda olhando o quadro branco e a secretária prontamente atendeu.

 

Quando voltou, Sergio já estava em sua mesa, fazendo pilhas com os gráficos 3D que tinha ganho de Andrés para ajudar na execução de cálculos. 

 

"Obrigado, Monica." Ele agradeceu no automático. "Ah! Mais uma coisa. Você sabe que horas a Raquel sai hoje?" Perguntou ainda mexendo nas peças que pareciam um grande jogo colorido de lego.

 

"Olha Sergio, pelo que eu entendi ela vai assistir futebol com os macho men da Carpa hoje. Por que?" Agora ela estava curiosa.

 

"Nada, só porque precisava de uma informação sobre um contrato do RPF e não consegui achar no meu arquivo." Ele desconversou. 

 

Monica apertou os olhos como quem diz 'aham sei' e saiu da sala. 

 

Nem dois segundos depois Andrés atravessou a mesma porta que a loira tinha acabado de fechar com um sorriso irritantemente caloroso no rosto.

 

"Serjão foca aqui! Salas de cinema com mini-bares acoplados em cada cadeira!" Ele disse com as mãos para cima como se apresentasse uma ideia genial. 

 

Sem nem desgrudar os olhos dos gráficos, Sergio resmungou. "Andrés não inventa moda. Não faz nem três dias que eu te mandei o orçamento para a nova campanha e você me vem com essa?!"

 

Andrés fingiu ficar ofendido. "Ai hermanito, ok, ok, foi só uma ideia, não está mais aqui quem falou… O que você tá fazendo?" Ele perguntou como uma criança curiosa e se sentou na frente do irmão.

 

Sergio bufou e rolou os olhos. "Trabalhando, o que acha que eu estou fazendo? Alguém tem que trabalhar nessa empresa..."

 

"E que bom que é você, porque eu estou no horário do café."

 

"Andrés você é patético."

 

"E você é um manézão bocó que fica aí brincando de lego enquanto a garota que você gosta tá do outro lado do corredor com os amiguinhos dela."

 

Sergio ajeitou os óculos o olhando com frieza. "Primeiro que ela está trabalhando. Segundo que eu não gosto dela. Terceiro que-"

 

"Ah quer enganar quem, se ela te pedir você deita no chão pra ela pisar, Sergio!" Andrés exclamou e Sergio rolou os olhos. Odiava quando o irmão tinha razão. "Ainda não entendi porque você ainda não chamou ela pra jantar..."

 

"Somos amigos, Andrés, e ela vai sair com a Carpa hoje para assistir ao jogo do Real Madrid com sei lá quem..." Agora foi a vez de Andrés rolar os olhos.

 

"Finalmente achei um defeito naquela mulher: torcer pro Real. Aquela droga de time… se não fosse por eles hoje meu Atlético de Bilbao tava lá firme e forte contra o Barça..." Ele suspirou. Olhou para Sergio e encontrou o irmãozinho com o olhar completamente diferente do compenetrado e focado Sergio de antes; ele parecia sonhando, encarando o nada. Era real: os dois sabiam que ele realmente nutria algo por Raquel Murillo. "Você totalmente assistiria futebol por ela, né?" 

 

Sergio o encarou e respirou fundo.

 

"Eu totalmente assistiria futebol por ela."





 

Depois de finalmente terminar de fechar um contrato daqueles que só aparece de vez em nunca, Raquel estava com o humor nas nuvens, o que pedia uma comemoração. Avisou aos meninos que iria encontrá-los direto no Hanói, porque precisava pegar sua camisa do time em casa. Trocou rapidamente de roupa, colocando a velha e enorme camisa do Real Madrid por cima da blusa de manga comprida que vestiu para trabalhar e prendeu o cabelo em um rabo. 

 

O bar estava um estouro. Quase 150 pessoas se espremiam para conseguir assistir ao jogo - que ainda iria começar nos próximos minutos - movidos a cerveja e muita gritaria. Raquel avistou a Carpa perto da televisão. Suárez e Ángel usavam a camisa assim como ela, enquanto Antoñanzas estava dos pés a cabeça do time do coração - óculos, peruca, bandeira…-.

 

"Oi gente!" Ela disse animada, os cumprimentando e se sentando entre Antoñanzas e Suárez. 

 

Os três a abraçaram felizes, e gritaram seu nome levantando as canecas no alto, a fazendo gargalhar. Claramente já estavam bêbados. 

 

"Raquelzita, coloca aqui no papel a sua aposta pro bolão! O Antonio disse que quem levar ganha cerveja de graça até o fim do mês!" Ángel disse animado a passando o papel.

 

"Carlos, desce mais 3 ai!" Suárez pediu gritando ao garçom que prontamente o atendeu. 

 

"Óh, hoje é por nossa conta ein!" Ángel disse e Raquel arregalou os olhos. "Bom, nesse caso… Carlos! Mais 2!" Ela pediu e todos comemoraram.

 

"Ai sim! DALE REAL!" Festejou Antoñanzas e todos levantaram suas canecas de cerveja em um brinde animado. O jogo ia começar. 



 

No final do primeiro tempo, Raquel já estava se sentindo alegre demais pela bebida - deu um gole generoso a cada vez que seu time recuperava a posse de bola. Nos meninos, então, nem se fala: Antoñanzas quase vomitou de nervoso quando o goleiro perdeu um pênalti e Suárez subiu na mesa para comemorar o segundo gol do artilheiro; de modo geral os três estavam adorando a companhia de Raquel, achavam engraçadíssimo como ela xingava os jogadores como um marinheiro e no minuto seguinte virava para dentro sua caneca de cerveja em comemoração a um gol. Durante o intervalo as pessoas do bar começaram a dançar e, no fundo de toda a gritaria e comemoração, ela pode ouvir uma voz que conhecia extremamente bem. Deu um gritinho de felicidade ao perceber que era Shakira, e não se aguentou: tinha que levantar e dançar! Mas sua consciência gritou mais alto ao perceber que provavelmente era a única mulher em um bar lotado de homens bêbados e desconhecidos. Se sentindo derrotada, abriu o celular no automático e abriu a conversa com Sergio. Ele não parecia estar online, mas uma força interior excepcionalmente avassaladora a invadiu gritando 'FALA COM ELE'. E assim o fez.

 

> Gafas vc não vai acreditar no que eu acabei de ver <

 

Raquel mandou e Sergio demorou um tempinho para responder - estava terminando uma apresentação que faria ao presidente do Financeiro no dia seguinte. Não conseguiu não sorrir ao ver que era ela. 

 

> O que foi? < 

 

Sergio respondeu e ela sorriu ao telefone.

 

> Colocaram Shakira pra tocar no meio do jogo!����< 

> Agora não sei o que fazer < 

 

> Inspetora! Mas você não pode! O que irão pensar da maior torcedora do mundo do Real Madrid?!<


 

> EU TO NUM BAR CHEIO DE HOMENS BEBADOS <

> A ÚLTIMA COISA QUE EU POSSO FAZER É REBOLAR <

 

Sergio sabia que aquela situação devia ser péssima, mas não conseguiu frear o sorriso ao ver o jeito que Raquel lhe descreveu a situação. Podia imaginá-la com a blusa gigante do time por cima de sua roupa de trabalho, os cabelos loiros presos atrás da da nuca e a caneca de cerveja cheia até a boca. Só não gostava de imaginá-la no meio de tantos homens.

 

> ����<

> Sinto muito por isso, Raquel <

> Aconteceu alguma coisa? <

 

> Não, por enquanto tranquilo <

> Só é uma preocupação constante <


 

> Eu só posso imaginar. <

> Mas fora isso, está se divertindo? <

 

> Siiim, bastante! Estamos ganhando!!!!!!!!!! <

> Se tudo der certo hoje ganho duas rodadas de graça <


 

Ele estranhamente conseguia ouvir as palavras que escrevia saindo de sua boca, como se falassem ao seu ouvido. 

 

> Gostaria de poder te acompanhar nessas rodadas <

 

Largou o telefone em cima da escrivaninha e rodou pelo pequeno escritório, sem saber se tinha exagerado na mensagem. Seu coração batia muito rápido e Sergio só quis voltar cinco segundos atrás antes de mandar aquela mensagem: estava se sentindo feito um adolescente. Seu medo era de atravessar a linha sem perceber e perder de vez aquele pouco espaço que tinha de interação com ela. Mal sabia ele que, do outro lado, Raquel sentia seu coração se aquecer ao ler aquela mensagem. Era caloroso demais, para ela, saber que Sergio continuava ali, apesar de tudo - e que ainda nutria aquilo por ela. Às vezes se sentia mal por estar gostando das minúsculas, quase ínfimas, insistências dele e não as impedir, mesmo que não as correspondesse pronta e completamente. Talvez fosse um pouco egoísta - mas agora estava bêbada e estava quase em abstinência dos braços dele sobre seu corpo. Tudo que queria era flertar com ele inocentemente.

 

 > Entendo sua vontade, cariño <

> Mas a verdade é que não te vejo nesse bar para assistir futebol <

> E duvido que alguém de respeito assista um jogo bebendo uísque <

 

Sergio agarrou o telefone e leu de uma vez tudo, e caiu na gargalhada, aliviado. Ela estava entrando na brincadeira - ainda bem. 

 

> Posso te surpreender, Inspetora. < 

 

Ela demorou um pouco para responder.

 

> Eu já disse que adorei esse apelido? <



 

> Não disse, mas eu podia adivinhar. <

 

> Sergio <

> Vai começar o 2 tempo<

> Te chamo quando acabar <


 

> Claro <

> Avise quando chegar em casa <


 

> Ok<



 

Já no Uber, depois de recusar de todas as maneiras as tentativas de carona de Suárez e Ángel, Raquel tirou da bolsa o telefone e abriu a conversa com ele. Sergio estava no escritório, lendo, quando o celular vibrou em cima da escrivaninha e ele se tropeçou para se levantar e pegar. Era ela.

 

> A caminho de casa!!!! <

> E NA FINAL DO CAMPEONATOOOOOOO <


 

> ������<

> E nada disso seria possível sem sua melhor torcedora. <

> Fico muito feliz! <

 

Raquel sorriu e se ajeitou no banco de trás do carro para mandar uma foto sorrindo e apontando para o símbolo do time na camisa que usava. Sergio sorriu com a espontaneidade da foto, e logo recebeu outra em que ela mordia a camiseta. Quis dizer que ela estava linda. Estonteante. Maravilhosa. Praticamente uma deusa. E queria pedir que ela mudasse o curso da viagem e viesse até sua casa. Mas já estava ganhando muito mais do que devia - e sabia que era por causa do álcool que ela tinha ingerido. Não faria nada que sabia que ela fosse se arrepender pela manhã.

 

> Fica mais difícil perder quando a torcedora é tão fiel. <

> E amorosa. <

> Azar dos times que jogarem contra você. < 

 

> Pois eu acho o mesmo <

 

Raquel desceu do carro e caminhou até a porta do prédio com o telefone em mãos. Subiu as escadas ainda pensando no que mandar para ele. Não queria de jeito nenhum que a conversa acabasse.

 

> Estou em casa <


 

> Que bom!! <

> Agora descanse e celebre a sua vitória, Inspetora. <

 

Raquel entrou em casa e fechou a porta, se apoiando ali. Olhou para o teclado várias vezes. Olhou da foto de perfil de Sergio até o seu nome e o “online” ali debaixo. Viu as mensagens anteriores e escreveu uma sem pensar muito. Encarou a mensagem escrita. 

 

Quer vir comemorar aqui comigo?

 

Raquel achou que tinha parado de respirar. Não era o álcool que falava, muito menos só seu corpo. Queria que ele viesse e a embalasse em seus braços, para dormir aconchegada. Sentiu vontade da companhia dele - sabendo, logicamente, aonde isso daria, e sentia-se quase como desesperada. Mas sabia que fazer aquilo era desobedecer suas próprias resoluções internas; uma batalha interna se iniciou na mente embriagada e carente de Raquel Murillo. Sabia que já fazia muito tempo desde que tinham estado juntos a última vez - depois de seu “batismo”, ela bem lembrava. Fazia tempo, não era constante, estava tudo bem… Será? Raquel sentia que chamá-lo não era uma decisão só física. Queria que ele viesse e ficasse a noite toda, lhe acordando de manhã com cheiro de café passado e beijos estalados em sua pele. Queria fumar enquanto era observada por ele. Queria vê-lo sair do banho e secar os cabelos perto dela. 

 

Sabia que o desejo vinha mais do coração do que do meio de suas pernas. Por isso, apagou a mensagem rapidamente, antes que pensasse em se arrepender, e respondeu, simplesmente:

 

> Obrigada!! <

> Nos vemos amanhã <

> Boa noite!�� <

 

> Boa noite, Raquel. <

> Durma bem. <

 

Jogou o telefone no sofá e mordeu o lábio enquanto olhava para o nada. Tinha tomado a decisão certa, sim. Era só se controlar mais algumas vezes até que aquilo sumisse. 

 

I could hurt someone like me

Out of spite or jealousy

I don't steal and I don't lie

But I can feel and I can cry

In fact, I bet you never knew

But to cry in front of you

That's the worse thing

 


Notas Finais


reitero e digo que nao respondemos todos os comentarios mas lemos absolutamente TUDO então é importante comentar pra gente saber oq vcs tao achando, ok?
qualquer coisa só xingar nois na dm @marquininha ou @barcaythesurtos
ou mandar aquele ccat pq ne ngm é de ferro
beijos


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...