1. Spirit Fanfics >
  2. Doce Feito Limão - Romance Gay >
  3. ...ele escolhe um apelido

História Doce Feito Limão - Romance Gay - Capítulo 5


Escrita por: e bowzer


Capítulo 5 - ...ele escolhe um apelido


Fanfic / Fanfiction Doce Feito Limão - Romance Gay - Capítulo 5 - ...ele escolhe um apelido

Anotado no caderno em minhas mãos estava todas as aves que havíamos observado. Não mais que quinze, cada uma com suas peculiaridades. Dos mais variados tamanhos e cores. Quando a professora propôs a atividade achei que seria algo chato, mas agora, ajudando o Garoto Azedo com a pesquisa, tinha se tornado divertido. Foi uma ótima distração do caos que está minha casa, por isso, ficar longe de lá por um tempo está me fazendo bem. Sentado naquela pedra, no meio do bosque, era como se eu pudesse respirar novamente.

Minha mãe, como uma pessoa intensa que é, não consegue parar de falar mal dos pais da Bárbara. Se ela achar uma oportunidade para xingar o senhor Frost, não desperdiçará. Meu pai tenta amenizar as coisas, pedindo para que ela se acalme, pois não era assim que as coisas seriam resolvidas. Mas conhecendo minha mãe como a conheço, aquele assunto ainda há de render bastante. Os Frost são meio que um gatilho, cite o nome de um e veja minha mãe dissertar durante três horas sobre o quão ruins são na hora de criar a filha.

Eu não saio ileso, mesmo que o ódio maior seja pelos pais de Bárbara, minha decisão também me colocou na lista de reclamações. Tentei conversar com ela, dizer que aquela era minha escolha, porém, minha mãe não estava engolindo aquela história, dizendo que estavam me coagindo a falar bobagem, me obrigando a acabar com a minha chances no futuro, o que é um pouco dramático. Uma gravidez não impede ninguém de realizar seus sonhos, ou impede? Pensar naquilo me deixava avoado, incerto com tudo o que estava acontecendo. O que era bom, caso eu estivesse lidando bem com tal situação aí sim seria um problema.

"Minhas escolhas", tais palavras grudaram em sua cabeça, rodando em loop. Eram realmente minhas escolhas? Sempre me  perguntava isso, desde a noite do jantar. Ainda não sabia o porquê de estar indo pra frente com aquele plano. Eu tinha a intenção de sair desse problema todo, ou tenho. Mas ainda não sei o porquê de estar nesse problema em primeiro lugar, afinal de contas não é meu. Quem causou tudo isso foi Bárbara, se ela não tivesse transado sem camisinha, talvez um Frost júnior não estivesse crescendo dentro de sua barriga.

Porém, não podia botar toda a culpa nela, poderia ter pedido ajuda para minha mãe, ela saberia como resolver aquilo sem que nada de ruim acontecesse para ambos eu e Bárbara. Mas como sempre, resolvi ir pelo caminho difícil, mesmo que eu não soubesse o motivo. Eu não estava apaixonado por Bárbara, disso eu tenho certeza, muito menos quero criar uma criança no fim do mundo que é essa cidade. Mas mesmo sabendo de tudo isso, uma causa para eu ter me metido nessa enrascada ainda estava faltando.

Poderia ter ficado preso naquela espiral de incertezas durante o dia todo, mas uma voz encharcada de tédio invadiu minhas orelhas, me tirando do transe em que eu estava.

– Ei, bocó, acho que deu por hoje, conseguimos encontrar aves o suficiente para o trabalho – informou ele, enquanto ainda observava as copas das árvores com seu binóculo.

– Bocó, sério? Quantos anos você tem, cinco? – perguntei de forma retórica, vendo-o levar sua atenção para mim.

– Você prefere o que, Girafa de Jaqueta ou Jogadorzinho? Vou te dar esse poder de escolha – sugeriu, voltando a usar o binóculo pendurado em seu pescoço.

– Nem sou tão alto – retruquei franzindo o cenho – Eu tenho uma altura bem comum para um rapaz da minha idade.

– Talvez te chame de Arrombado – soltou no ar, me olhando de canto de olho, esperando para ver minha reação.

– Se continuar assim vai começar a ferir meus sentimentos – falei enquanto fingia uma cara triste, o garoto azedo apenas revirou os olhos por trás das lentes do binóculo.

– Não sei se sabe, mas essa é a intenção – ele tinha um sorriso ladino desenhado em seu rosto, usando um tom debochado na voz. 

– Aí está o Garoto Azedo que eu conheço, hoje demorou para mostrar sua acidez, até pensei que estava doente – falei enquanto folheava o caderno em minhas mãos, verificando se estava tudo certo com as informações iniciais.

– Dá pra parar de me chamar assim? – pediu, crispando os lábios – Ah, um Pardal-Francês logo ali – anunciou, apontando para uma árvore próxima.

– Quando você me explicar o porquê de seu mal humor constante – respondi simples, enquanto anotava a nova informação no caderno.

– Não é da sua conta – rebateu de volta, ainda usando os binóculos, parecendo não querer olhar na minha direção, fugindo das perguntas.

– Então não vou parar de te chamar de Azedinho – ameacei, ouvindo o som do ar invadindo seus pulmões após uma longa inspiração, parecia buscar por paciência.

– Azedinho? Essa é nova – disse ele, voltando a olhar para mim com um sorriso maroto.

Foi quando percebi a burrice, tinha usado o diminutivo, coisa que provavelmente tinha soado íntima até de mais pro gosto de ambos. Não sabia para que lado ele levaria aquele apelido, pois parecia ter saído de minha boca com carinho. Enquanto minhas bochechas iam ficando vermelhas, fui tentando contornar a situação, na tentativa de explicar o motivo do apelido, comecei a dizer.

– Sabe, você é pequeno… e azedo… achei que combinaria – falei de forma lenta, gesticulando com bastante com as mãos, apertando os lábios entre as pausas, esperando que ele não levasse o apelido tão a sério, pois nem deveria. 

– Eu não sou pequeno, você que é grande demais – retrucou dando de ombros, ainda usando o seu binóculo, provável que  estivesse evitando olhar para mim.

– Eu tenho um tamanho comum – rebati, fechando o caderno para guardá-lo na mochila repousada do meu lado, sentindo minhas bochechas deixarem de ficar quentes.

– Se você for um poste, talvez – disse o Garoto Azedo, sorrindo de verdade pela primeira vez desde que nos encontramos no início da tarde.

– Como você é engraçado – comentei, sorrindo junto a ele, para logo continuar – Falando sério agora, parece mais tenso, igual na semana passada, quando surtou comigo lá na sala.

– Não tenho culpa de você ser inconveniente – falou simples, ficando em silêncio por alguns segundos, enquanto eu esperava ansioso por uma explicação, foi quando ele levou sua atenção para mim – Que cara alegrinha é essa? Não vou contar nada.

– Por favor, me diga, posso te falar algo vergonhoso do meu passado em troca, vai te dar várias ideias para apelidos – incentivei, vendo ele ficar pensativo, tentado com a proposta feita por mim.

– Nunca lidei com alguém tão insistente como você antes – falou por fim, voltando a desviar o olhar.

Depois de alguns minutos em silêncio, olhando para as grandes árvores, ele teve tempo de pensar bem. Se decidindo bem e esperando que não se arrependesse, Virando novamente na minha direção, pode ver minha cara de "nunca te pedi nada". Respirando fundo antes de continuar.

– Tá, ok, vou contar, mas sem mais perguntas depois – assim que acenei com a cabeça ele fez uma pausa, se sentou numa pedra grande perto de mim, e olhando pros lados incerto, começou a dizer – Fui na psicóloga, me dei conta de algumas coisas não muito agradáveis e fiquei estressado, foi isso.

– Então semana passada ele deve ter se atrasado por causa de sua sessão de terapia, certo? – pensei comigo mesmo, sem perceber que havia dito aquilo em voz alta.

– O que eu disse sobre mais perguntas? – relembrou ele, me olhando sério.

– Ah, desculpa – pedi sorrindo sem jeito.

– Mas sim, naquele dia eu tinha ido na psicóloga, está tudo resolvido com os professores, eles sabem que se me atrasei foi por um bom motivo – explicou mesmo assim, para um silêncio se instalar logo depois. Ficamos nos encarando por alguns segundos, esperando que alguém continuasse com a conversa. E com minha curiosidade sendo atiçada, pude não deixar de perguntar.

– Mas e então… Qual foi a coisa que se deu conta? – indaguei com um sorriso ladino estampando meu rosto.

– Acha mesmo que irei contar isso para você? Fique grato pelas coisas que falei, pois foi caridade da minha parte – se levantando, pôs o binóculo pendurado em seu pescoço dentro de sua mochila, a colocando nas costas depois, estando pronto para ir. Olhando para o céu, percebeu que nuvens cinzas começaram a se formar, indicando que o clima estava prestes a ficar bem ruim – Vamos... Logo, logo a chuva vai começar e não quero perder o progresso que conseguimos aqui.

– Não vai querer ouvir minha história vergonhosa? – perguntei confuso, também me levantando de onde estava sentado, checando algumas coisas em minha mochila enquanto acompanhava o garoto que ia em direção a saída da floresta.

– Você já é vergonhoso por si só – respondeu debochado, sem se dar ao trabalho de se virar para ver minha cara sorridente.

– E o Garoto Azedo ataca novamente – falei me segurando para não dar risada, era impressionante o quanto ele tentava me ofender, falhando miseravelmente todas as vezes.


Assim que abri a porta da frente, consegui ouvir a voz do meu pai. Sentado no sofá da sala com seu tablet, provavelmente assistindo alguma receita nova que iria treinar. Meu estômago se revirava em antecipação, sabendo que passar um tempo no banheiro seria certo. 

– Como foi a observação de pássaros? – indagou o homem, ajeitando o óculos que escorria pelo seu nariz.

– Nada demais, pensei que seria tediante, mas por incrível que pareça, foi um pouco divertido – comentei, pendurando minha jaqueta atrás da porta e guardando minhas chaves na caixa sobre a mesa do hall.

– Parece feliz, acho que a dedetização da escola e esse dia de folga te ajudaram a melhorar o humor – disse ele.

– Não só isso, uma certa pessoa ajudou.

Andando até onde meu pai estava, deixei um beijo em sua cabeça, indo na direção da cozinha logo depois. Procurando por algo para comer, abri a geladeira, vendo alguns legumes, uma melancia, os restos do almoço de hoje – que me fez ter lembranças ruins – e uma caixa de chocolate. Nada daquilo me interessava no momento, sendo uma pizza congelada aquilo que eu buscava encontrar ao abrir a geladeira. Entrando na cozinha com seu salto alto, a advogada da família começou a vasculhar os armários, parecendo assim como eu não encontrar o que procurava. Fechando a geladeira, me virei em sua direção, logo perguntando.

– O que está fazendo? – com isso, ela olhou pra mim, terminando de verificar o último armário da cozinha.

– Estou atrás do número da pizzaria nova que abriu, soube que hoje tem promoção – explicou ela, se encostando no mármore da bancada, cruzando os braços sobre os peitos enquanto me olhava nos olhos.

– Você deve ter guardado junto dos outros – sugeri, a vendo negar com a cabeça.

– Já procurei lá, não tem nada – informou, tirando sua atenção de mim e a levando para o homem que adentrava o recinto.

– Como assim pizza? Ainda sobrou bastante do almoço, está dentro da geladeira, podemos requentar e comer tranquilamente – propôs meu pai, não muito feliz de nós estarmos negando sua comida.

– Pai, a essa altura já deveria saber, o senhor não é um bom cozinheiro – falei de forma sincera, não sendo a minha intenção ofender, porém, ele deveria aceitar aquilo.

– Dessa vez nem ficou tão ruim – disse indo até a geladeira e tirando as sobras de dentro dela. Por fora não parecia a pior das refeições, não tendo uma aparência feia. Dessa vez não estava queimado, porém isso não significava muita coisa vindo de uma refeição do Papai.

– Querido, você já faz de tudo dentro dessa casa – minha mãe falou, sua voz num tom carinhoso fazendo o mais velho sorrir – Nós sabemos que se esforça para aprender, mas não é necessário, podemos pedir comida pelo delivery – disse vendo o marido acenar cabisbaixo, cerrando os olhos, ela conseguiu achar o que procurava, debaixo da fruteira, um papel com o número da pizzaria residia – Vou pedir uma pizza pequena, acho que vai alimentar tanto eu quanto o Andrew.

– Como assim só vocês dois? Onde eu fico nessa história? – perguntei com o cenho franzido, incerto se queria ou não receber uma resposta.

– Se você consegue decidir que vai casar no fim do semestre, também pode pedir sua própria comida – comentou simples, como se não fosse nada, tentando me atiçar para uma discussão.

– Querida… – meu pai tentou intervir, acabar com a conversa ali, mas já era tarde, a advogada tinha acendido o fósforo, deixando a pólvora pronta para explodir.

– Como é que é? – indaguei num tom desafiador, podia adorar minha mãe, mas ela já estava passando dos limites.

– Talvez ir a um médico também seja uma boa ideia, cuidar dessa sua audição – debochou rindo na minha direção, sabendo o que estava fazendo.

– Você não pode estar falando sério – eu estava embasbacado, algumas poucas discussões haviam acontecido, mas nada como aquilo, deixar de pedir comida para mim não era uma piadinha.

– Sabe como marcar uma consulta, não sabe? Se consegue escolher a mulher com quem vai se casar nos seus plenos dezoito anos, uma consulta não será nada – ela já não se importava mais, a única coisa que queria era me cutucar até eu falar algo que não deveria, provavelmente que eu estava sendo coagido pelo Senhor Frost.

– Gente, não é assim que se resolve as coisas – falou meu pai, gesticulando com as mãos, pedindo para que nós nos acalmemos.

– Seu filho é cabeça dura, e pelo que parece, burro também – minha mãe não estava satisfeita, ela não pararia até conseguir o que queria, chamo isso de instinto de advogada.

– Imagino a quem ele deve ter puxado – disse meu pai, pelo seu tom de voz dava para perceber que não falou aquilo por mal, mas os ânimos já estavam aflorados, então levar o comentário na esportiva não iria acontecer.

– O que está insinuando? – perguntou a senhora Westen, agora usando seu tom desafiador direcionado ao meu pai, com olhos semicerrados em julgamento.

– Pai, não se mete – pedi, não querendo ser grosso de forma intencional, saindo com aquela entonação sem querer.

– Veja lá como você fala com seu pai – advertiu Éster, lançando um olhar nem um pouco amigável para mim.

– Isso não vai nos levar a lugar nenhum – disse meu pai, sendo o único sensato dos três discutindo na cozinha.

– Vai sim, me levar até o quarto, estou cansado, podem comer o que quiserem – falei num momento de raiva, começando a dar as costas.

– Não vire as costas para mim garoto – alertou minha mãe, aquilo era uma ordem, uma ordem que eu não estava afim de obedecer.

– Filho, não faz isso, não somos assim, nossa família não é assim – dava para perceber a tristeza na voz de meu pai, porém, já estava feito.

– Aparentemente agora somos – respondi simples, caminhando até os primeiros degraus da escada – Depois como alguma coisa, perdi a fome – falei ainda no andar de baixo, antes de começar a subir até o andar de cima.

A discussão continuou lá embaixo, podendo ser ouvida por mim. Que ótimo, tinha feito mais uma cagada, causado um problema no casamento de meus pais. Eles tinham razão, o que eu estava fazendo era burrice. Qual era a necessidade de aceitar a proposta de Bárbara? Eu não queria cuidar do filho dela, muito menos ser o marido. E naquela noite eu dormi sem nada na barriga, me sentindo horrível e sem nenhuma mensagem do Garoto Azedo, mensagem essa da qual esperei atento. E foi como continuei a noite inteira, com a cabeça presa nas palavras de mais cedo. "Agora somos assim…"



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...