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História Doce Fogo - Capítulo 16


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Notas do Autor


Espero que se divirtam. Esse é um dos capítulos que eu mais gostei de fazer na FanFic.

Capítulo 16 - De volta para casa


Fanfic / Fanfiction Doce Fogo - Capítulo 16 - De volta para casa

Acordo às 5 horas. Todos os dias demoro para levantar da cama, mas hoje não. Hoje levanto assim que o despertador toca. É dia de voltar para Seul.

O quarto de hotel que eu estive nos últimos dias era muito confortável, mas eu já desejava muito minha casa.

Me ponho de pé, sinto algumas cãibras na panturrilha e coxa, manco bem devagar até a Janela, afasto muito pouco a cortina e olho para fora. As armys já estão na porta do hotel nos esperando passar.

Desde que Zuliáh me ensinou a receber os gritos de amor da Army como fontes invisíveis de força, passar pelos fãs se tornou a atividade que eu mais gostava na turnê.

Tomo banho e finalmente posso calçar um tênis confortável e vestir algo que não seja um figurino. Os sapatos de ontem cortaram um dos meus calcanhares bem próximo das bolhas que já estavam lá. Minhas unhas também estavam encravadas por causa daqueles sapatos apertados que usei na última entrevista. A figurinista disse que eu precisava usar aquele Armani. Era o modelo de sapato mais desejado do momento.

Meus joelhos também não estavam bons. Nem o pescoço. E com certeza depois do voo até a Coreia os músculos da minha lombar estariam inflamados.

Mas o que mais me atrapalhava era a minha saúde mental. Odiava quando essa ondinha depressiva chegava. Durante o dia estou sempre cercado por muitas pessoas querendo me tocar, falar comigo, saber tudo sobre mim, desde a minha comida favorita até as minhas memórias mais íntimas. A noite, tudo é silêncio no quarto, nenhum toque, nenhum movimento. São nesses instantes que os pensamentos ruins chegam. A mudança é muito brusca. Me faz mal.

- Annyeong, jungkook, posso entrar? - Era Bin Shi, meu assistente pessoal entrando no quarto interrompendo meus pensamentos..

- Entre Bin Shi, hoje é dia de voltar pra casa! - Eu disse aliviado.

- Sim Jungkook, hoje dormiremos em casa. Já arrumei a maior parte das suas coisas, e também sua documentação para os voos. Só preciso terminar de ajeitar as suas coisas pessoais. Já escolheu seu outfit para o voo ou quer que eu chame alguém da equipe de figurinistas pra te auxiliar? - Questionou Bin Shi, que já tinha seus 40 anos.

- Não precisa, vou assim mesmo. - Respondi sem muita animação.

- Vamos pelo menos passar um BB cream e escolher alguns acessórios. Você recebeu muitos presentes nessa viagem, precisa aparecer nas fotos com, pelo menos, algum. - Bin Shi argumentou.

- Vou usar esse relógio rolex e esses brincos aqui então. - Gosto de usar presentes enviados pelos fãs, quando posso escolher.

- Perfeitamente. Mais alguma coisa que eu possa agilizar para você antes do voo? Carregar a bateria do seu celular ou do seu notebook, limpar sua máquina fotográfica, por exemplo? - Continuou o assistente.

- Está tudo certo, só quero que você marque um horário com o fisioterapeuta para amanhã de tarde. Estou sentindo muitas dores. - Confidenciei.

- Não se preocupe, já vou ajeitar tudo. Vou perguntar ao médico esportivo qual remédio posso te dar para viajar melhor. Também vou colocar a apostila de inglês na sua mochila pra você estudar durante o voo, se quiser. - Finalizou Bin Shi.

Às vezes eu me sentia um inútil vendo alguém resolver tudo pra mim. Sem ele eu não conseguia achar meu nariz, parecia que até lia meus pensamentos como naquele momento em que falou da apostila. Como ele sabia que eu planejava estudar inglês no voo?

Por causa dessa eficiência toda eu entendia muito pouco o funcionamento básicos das coisas. Não sabia fazer um check-in no aeroporto sozinho ou marcar uma consulta. Eu sou muito tímido e sempre pedia a ele para falar por mim. Além disso ele tinha noções básicas de espanhol e inglês. Eu não precisava abrir a boca.

“Será que Zuliáh vai querer ficar comigo quando descobrir que sou tão incapaz?”. Refletia.

Como Bin Shi tinha acesso a tudo que era meu, eu imaginava que ele já tinha percebido meu envolvimento com Zuliáh mas não ousava tocar no assunto.

Depois do café da manhã, fizemos a última aparição em público da turnê. As Armys americanas gritavam palavras que eu não entendia. Eu recebia aquilo como se estivesse tomando um banho de sol. RM falou com alguns jornalistas e depois nos dividimos nos carros que nos levariam ao aeroporto de Miami, onde eu troquei minha primeira mensagem com a minha brasileira.

“Como estará ela? Será que sofreu muito por eu não ter respondido aquele áudio? Será que ela ainda está empregada na Big Hit? Será que ainda vai querer olhar na minha cara?”. Eu pensava nisso o tempo todo.

Depois de toda aquela enrolação na sala de embarque, finalmente sentei na minha poltrona na primeira classe ao lado de Jimim. Mai atrás estava Bin Shi com outros assistentes, ele havia acabado de me dar uma injeção de relaxante muscular. Eu precisava muito daquilo.

Jimin estava em um dia bom. De todos nós ele é o mais temperamental, quando fica triste nada desamarra a cara dele. Começamos o voo conversando sobre os melhores momentos da viagem, rindo dos micos, avaliando os nossos erros de execução na coreografia, rindo de como os ocidentais se vestem e comem e diversos outros assuntos.

- Amanhã eu vou cagar na minha privada Hyung, já pensou nesse luxo! - Jimin disse sorrindo e compartilhando esse sonho de consumo. Para nós, ficar em casa, quietos, era o que nos fazia suspirar. Não porque não gostávamos da nossa profissão, mas porque a parte difícil era muito difícil.

- Isso sim é um grande luxo! - Concordei inclinando a cabeça para trás e fechando os olhos.

- Já sabe o que vai fazer a respeito de Zuliáh? – Perguntou Jimin bem baixinho se aproximando de minha orelha

- Será que é seguro falar disso aqui? - Falei olhando para todos os lados.

- Tranquilo, acho que só nós dois estamos acordados ainda, todo mundo está morto de cansado. - Replicou meu amigo.

- Penso o tempo todo em Zuliáh, estou mesmo apaixonado por ela hyung, não sabe a falta que me faz conversar com ela. Tive que apagar as mensagens e o áudio que ela disse que estava apaixonada por mim. Só pude escutar aquelas palavras uma única vez antes de apagar. Tenho medo do que possa acontecer com ela por minha causa. - Desabafei.

- Pobre Jungkook… Isso não é fácil mesmo. Os dois estão apaixonados. - Concluiu Jimin.

Respirei muito fundo.

- Quero ficar com ela, não vou abrir mão disso. - Falei bem baixo mas bem firme.

- O que pretende fazer? Sabe que ao menor sinal de namoro entre vocês ela nunca mais encontrará emprego na Ásia.- Advertiu.

- Minha brasileira adora olhar o mar. Vou comprar uma casa de praia em Busan pra ela morar escondida perto da minha família. Assim ela pode deixar de trabalhar e ficar em casa descansando para me receber nos dias que eu puder encontrá-la. Vou cuidar bem dela mesmo de longe. - Falei de supetão.

- Quer fazer dela sua Gisaeng? (Explicação: gisaeng é a mulher coreana treinada desde jovem nas artes da dança, do canto e da conversação para entreter os fregueses do sexo masculino. Eram também prostitutas na Coreia antiga.). Acho que esse não é o estilo de Zuliáh. - Falou Jinim erguendo as sobrancelhas.

- É claro que não é, mas se ela está apaixonada por mim como diz, vai aceitar. Assim como foi com Jin Hyung e sua namorada americana. - Falei com firmeza, mas temendo que Jimin estivesse certo.

O barulho da turbina do avião começou a me perturbar, de repente fiquei com medo de encontrar Zuliáh. O remédio começou a fazer efeito me deixando meio lerdo.

Cumprindo a agenda, o cinegrafista levanta e começa a fazer filmagens dentro do avião. Eu detestava aquilo. O que tem de interessante dentro de um avião para mostrar para as pessoas? É o lugar mais tedioso do planeta!

Para fugir de possíveis abordagens do cinegrafista eu inclinei minha poltrona no máximo, coloquei meus fones de ouvido, e comecei a ouvir minha play list de músicas brasileiras românticas. Isso era o mais próximo que eu podia estar de Zuliáh.

“Aigoo! Que vontade de chegar em casa” - Suspirei.


Notas Finais


Comentem, estou curiosa para saber a opinião de vocês.


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