História Doce lar (Fillie) - Capítulo 30


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Categorias Stranger Things
Personagens Personagens Originais
Tags Caleb, Fillie, Finn, Gaten Matarazzo, Iris, Maddie, Millie, Noah Schnapp, Sadie
Visualizações 83
Palavras 1.761
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Esporte, Ficção Adolescente, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 30 - Bônus- Paixão a primeira vista


Finn

— Mãe — atendi sem empolgação ao ver o nome dela aparecer na tela de meu iPhone.

— Você precisa vir jantar conosco hoje — ela ordenou.

Contraí a mandíbula ao perceber o tom maldoso.

— Desculpa, não posso — rebati.

— Então mude seus planos, droga! Os Apatow virão, e você precisa estar aqui para podermos falar sobre o noivado, definir detalhes, organizar tudo de uma vez por todas.

— Tenho treino. O técnico tem feito dois treinos por dia. — Silêncio do outro lado da linha.

— Venha hoje à noite, Finn — ela por fim disse, as palavras tomadas de ira.

Parei de repente no caminho à frente do prédio de Humanas. Eu já estava atrasado para uma merda de aula introdutória por causa de uma reunião do time, e agora a megera estava me enchendo por causa daquele maldito noivado.

Senti que minha tolerância com sua atitude estava prestes a acabar.

Apertando a ponta do nariz, eu me concentrei na sensação relaxante do sol quente de verão em minhas costas, me acalmando. Não adiantou porra nenhuma. Nada nunca adianta.

— Olha, tenho treino. Eu não vou.

Apertei o botão para encerrar a ligação, enfiei o celular no bolso da calça jeans e entrei no prédio, tentando deixar que o ar que soprava do ar-condicionado esfriasse a raiva que me consumia de dentro para fora. Meu sangue mais parecia lava derretida tomando meus músculos – uma força impossível de deter. Mas eu a aceitei, até a recebi de bom grado – era um lembrete constante de que eu precisava me livrar daquelas pessoas do inferno.

Abri a segunda porta com tudo, ouvi a madeira bater contra a parede e atravessei os corredores vazios, com a pressão crescendo em meu peito a cada passo quando pensava em me casar com Iris.

A maldita Iris Apatow.

Meu Deus, eu transei com ela duas vezes no ensino médio e, por uma idiotice, uma vez no primeiro ano da faculdade, e ela age como se fôssemos almas gêmeas, apaixonados. Nem sei se ainda tenho a capacidade de amar alguém. Isso não existe mais em mim há muito tempo.

Meu telefone vibrou de novo. Eu não olhei; eu sabia que seria meu pai exigindo que eu fosse. Minha mãe devia ter apelado para a força.

Maldito.

Eu atenderia e ele diria que minha recusa era “inaceitável, moleque!”. Depois, ele me ameaçaria, me chantagearia, diria quanto ele e minha mãe me odiavam e se arrependiam por terem me criado.

A mesma coisa de sempre.

Virei no corredor, punhos cerrados ao pensar que teria que me sentar ao lado de Iris durante a meia hora seguinte, preso em uma sala, sem ter como me livrar de suas garras. Eu estava muito puto. Eu simplesmente não podia me sentar ao lado daquela piranha agarrada em meu braço, como se eu fosse um ursinho de pelúcia, roçando minha perna, tentando me deixar duro o suficiente para eu me render e trepar com ela depois da aula.

Nunca. Mais. Vai. Rolar. Meu pau murchava só de olhar para ela. Ela acha que é gostosa, com aquele cabelão, peitos de silicone e lábios vermelhos. Mas só consigo ver um maldito louva-a-deus.

Caminhei com a cabeça baixa em direção à sala de aula e então ouvi. A merda da risada de Iris. A risada que parecia mil gatos sendo esganados… 

Lenta e dolorosamente, um a um.

Não me orgulho do que fiz em seguida.

Canhão Wolfhard, quarterback do Crimson Tide, esquivou-se para a direita e se escondeu atrás de uma escada, saindo da mira de Iris.

Encostei na parede branca e fria quando vi um movimento rápido. Uma garota, que levava um calhamaço, virou correndo, murmurando sozinha, olhando o relógio, com os cachos castanhos no topo da cabeça, óculos de aros pretos e os sapatos mais chamativos que já vi.

Laranja neon. Meu Deus.

Não consegui conter uma risada ao ver o pacote todo. Quase toquei meus lábios para ter certeza de que eu estava sorrindo mesmo.

Quando foi a última vez que sorri? Ou melhor, quando foi a última vez que sorri por outro motivo que não fosse ver algum idiota que eu havia derrubado no chão?

Eu estava balançando a cabeça sem acreditar quando dei uma espiada no corredor e vi Iris observar a garota, com olhos desconfiados e sorriso maldoso, e se virar para dizer alguma coisa para as amigas. Fiquei tenso e de repente quis proteger a morena confusa.

Não consegui tirar os olhos dela. Ela parecia dramática soprando os cabelos despenteados da frente dos óculos de lentes grossas, andando depressa pelo salão comprido, com os sapatos de plástico rangendo no piso ladrilhado a cada passo apressado.

Eu estava muito atento à cena. E percebi tarde demais que Iris estava aprontando alguma coisa. Vi quando ela bateu o ombro no da garota ao se cruzarem, fazendo com que todos os papéis que carregava caíssem no chão.

Fui tomado pela fúria.

Iris sempre tinha sido uma piranha do mal, mas vê-la fazer aquilo com a garota inocente me deixou mais do que puto.

Iris disse algo à menina no chão – não consegui ouvir –, mas a morena não olhou para ela, manteve a cabeça baixa, ignorando o que eu acreditava ter sido uma esnobada maliciosa.

Por que me meti naquilo, não sei. Imagino que tenha sido devido às muitas pancadas que levo na cabeça no futebol.

Saí de onde estava me escondendo e fui até onde elas estavam para mandar Iris sair dali, mas cheguei atrasado. Ela já tinha ido para a aula. Quando me aproximei, a morena se abaixou para pegar os papéis, e quase dei um gemido alto, já que meu pau resolveu ganhar vida.

Porra.

Que bunda.

Uma bunda perfeita e arredondada.

Logo ajeitei meu pau dentro da calça e tentei pensar em algo que me acalmasse. Noah de calcinha e sutiã. Noah de tanga. Na verdade… abri um sorriso safado… Iris chupando meu pau… Com isso, murchei como uma bexiga esvaziada.

Passando as mãos pelos cabelos, parei atrás da garota, evitando olhar para a bunda dela dentro daquele macaquinho com aquelas pernas compridas e bronzeadas que eram incríveis e me davam vontade de pegá-las para que envolvessem meu corpo.

Porra, meu pau endureceu de novo.

Abri a boca para ver se ela precisava de ajuda, mas ela disse a si mesma “Cretinos de merda!” e se levantou, deixando os óculos caírem, e a armação pousou ao lado dos meus pés.

O tempo parou, e, como ele, meus pés.

O que era aquele sotaque? Inglês, talvez?

Independentemente do que fosse, foi a coisa mais excitante que ouvi em toda a minha vida.

Antes que eu conseguisse me conter, dei uma risada alta para aquela voz bonitinha que tinha dito um palavrão. Vi que ela parou, congelada ao me ouvir atrás dela. Abaixou a cabeça, com as costas curvadas, e o suspiro que ela deu disse tudo.

Fracasso puro.

Eu me abaixei, peguei seus óculos e então, segurando seu braço, a virei de frente para mim.

Porra.

Olhos castanhos e grandes, lábios rosados e carnudos, pele levemente bronzeada e o rosto um pouco corado – ela era incrível.

Eu precisava dizer algo, qualquer coisa, para não ficar parecendo um esquisito, sentindo aquele cheiro de baunilha na pele dela.

Quem é essa garota?

— Está enxergando agora? — murmurei, e ouvi minha voz meio grossa. Isso aí, Finn, comece a rugir para ela.

Ela estreitou os olhos e olhou para a frente, com os lábios entreabertos. Os olhos atrás dos óculos enormes analisaram cada pedaço de meu rosto.

E pronto: chega o momento em que ela vê que sou eu, Finn “Canhão” Wolfhard. Isso me irritaria e eu ainda faria papel de otário.

Um dia comum.

Ela me observou normalmente e então… nada.

Pegando os papéis de minhas mãos, ela tentou ir embora. Não me reconheceu, não jogou charme, só… correu para se livrar de mim depressa.

Mas o que…

Fiquei me perguntando por um momento se ela não sabia quem eu era. Mas… não, estávamos no Alabama. Ela estava na Universidade do Alabama. Todo mundo conhecia meu rosto, não importava se eu gostava disso ou não.

Sem me dar conta, segurei seu braço.

— Ei, você está bem?

Ela não olhou para a frente.

— Estou.

Nada.

Ainda não olhava nos meus olhos. Ainda não me reconhecia.

— Tem certeza? — insisti… sem saber por quê.

Eu vi pelos ombros dela… Ela estava irritada. E seus cílios compridos e escuros tocaram sua face e, logo em seguida, ela olhou para mim com os olhos cor de caramelo. Perdi o fôlego e não conseguia mais me mexer.

— Você já teve um desses dias em que tudo se transforma em um maldito pesadelo?

Inglês britânico. Porra, muito sensual.

Aquele sotaque e seu modo claro de se expressar me deixaram sem ação.

— Estou tendo um agora, na verdade.

Ela relaxou os olhos e suspirou.

— Então somos dois. — Ela esboçou um sorriso e riu.

Meu coração fez algo inédito.

Ele sentiu.

Sentiu algo… indescritível.

— Obrigada por parar para me ajudar. Foi muito gentil da sua parte.

Aquele sentimento me fez voltar à realidade. Gentil? Acho que não.

Ela me observou, esperando pacientemente por uma reação.

— Gentil não é a palavra que as pessoas costumam usar quando se referem a mim.

Observei seus lábios se entreabrirem de novo, arfando, um pouco chocada. Eu tinha que sair dali depressa, para longe dela, e parar de agir como um imbecil.

Eu me afastei sem olhar para trás, percebendo que aquela tinha sido a conversa mais longa que eu tivera com alguém em muito tempo… e não tinha envolvido nenhum assunto relacionado ao maldito príncipe do petróleo do Alabama ou ao próximo grande astro do futebol.

Havia algo de diferente nela, algo… misterioso. Como se ela não estivesse nem aí para o que os outros pensavam dela, como se não estivesse envolvida em todo o falatório sobre futebol.

Quase como se eu estivesse observando de longe, minhas botas abruptamente pararam e olhei para trás. Ela ainda estava no mesmo lugar, e então se virou e me olhou nos olhos.

— Eu me chamo Finn — falei, quase involuntariamente, de uma vez.

Vi seus cílios descerem, tocarem as lentes dos óculos, e, quando voltaram a subir, um sorriso tímido transformou o seu rosto.

— Millie.

Acenei com a cabeça e passei a língua nos lábios, observando-a totalmente, e então voltei para a sala de aula.

Millie.

A inglesinha Millie.

Porra. E lá se ia meu coração normalmente frio ousando sentir algo outra vez.




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