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História Doce perfume( MadaSaku, NaruSaku) - Capítulo 19


Escrita por: MissJellyfish__

Notas do Autor


Boa leitura queridos ❤

Capítulo 19 - Vento que antecede a chuva


Encolhida no lugar que escolhera como leito, Sakura sentia o sol fraco na face. A claridade causava um incômodo nos olhos e ocorpo estava dolorido graças a posição incomoda na qual acabara adormecendo... Gemendo baixinho, pôs-se sentada a tempo de flagrar o pai passar apressado rumo a saída. Pouco depois, Ino projetou-se ali.

-- Sakura, você dormiu aqui? --

A mais velha tinha uma expressão confusa no rosto, os olhos claros passeavam pela irmã caçula de camisola amarrotada e cabeleira bagunçada.

-- Parece que sim... Ai... --

Com esforço, Sakura levantou-se dali. O corpo sendo protegido pela manta... O cheiro de Naruto ainda estava ali, isso a fazia querer sorrir mesmo dolorida.

-- Você esta arruinada e tem pouco tempo para se arrumar. --

-- Pouco tempo? Eu não me lembro de ter nada marcado para hoje. --

A jovem fez careta ao pensar em um possível compromisso. Sentia-se preguiçosa. Sua vontade era passar o dia em sua cama, apenas com a camisola e cabeleira solta. Queria ocupar sua imaginação com a fuga precoce.

-- Preciso que me acompanhe até um lugar... --

-- Desculpe Ino, mas estou sem energias hoje... --

-- Vamos para residência dos Uzumaki. Preciso ver a senhora Kushina e a menina que acolhem. --

Ino cochichou o local onde desejava visitar. Não podia deixar-se ouvir... Não após o escândalo de Naruto. Se a família descobrisse, ela e a irmã teriam problemas.

-- Nós vamos até lá escondidas? --

Sakura perguntou com a voz baixa. Queria evitar a euforia em seu interior, porém o corar nas maçãs da face lhe denunciavam.

-- Sim. Disse a mamãe que iríamos a igreja... O melhor é que ela aceitou que fossemos apenas nós duas. --

-- Sozinhas? --

-- Zack tem estado ocupado, e como o templo não é distante mamãe não viu perigo. --

Ino sorriu animada, enquanto a irmã deixava que os olhos se perdessem distraídos. Naruto não queria encontra-la antes da fuga, ele temia levantar suspeitas...

-- O que faz aí parada? Vá ficar apresentável antes que nossa mãe mude de idéia. --

Sakura pareceu despertar ao ouvir a voz excitada da irmã. Seguiu então, apressada até as escadas, e depois para o quarto.

Retornou pouco depois. Trajando um vestido de aspecto leviano e chapéu nas mãos. O cabelo ainda mantinha o aspecto bagunçado, mas, mesmo assim belo, caia como cascata sobre a costa e busto. Ino lhe aguardava na porta principal, os pés batendo freneticamente no piso de madeira e os braços cruzados.  Já havia se despedido da mãe, que naquela manhã parecia distraída demais.

Lado a lado, as irmãs seguiram unidas pelas ruas. O movimento de pessoas era escasso, a maioria ainda tentava recuperar-se do temporal selvagem da madrugada. Havia também os receosos, que, admirando os céus, flagravam o sol mergulhando entre nuvens cinzentas, de aspecto carregado. Não havia dúvida. Logo mais a chuva voltaria a cair.

As jovens não pareciam acuadas com os sinais que antecediam a chuva, estavam envoltas demais em uma eufórica realidade limitada. Pareciam distraídas, mas os olhos estavam atentos quando espiaram ao redor uma última vez antes de desviarem da rota que as levaria até a igreja... Coradas pela excitação do perigo, seguiram rapidamente até a livraria dos Uzumaki. Ali decidiram se separar...

A caçula adentrara o recinto após o sussurrar da irmã "Vá, eu sei que quer vê-lo... Tem apenas alguns minutos para isso." E, logo fora abraçada pelas prateleiras lotadas de livros... A mais velha caminhara alguns passos a mais, até ser acolhida no interior da modesta e bela residência de Kushina e Minato.

-- Senhorita Ino, que surpresa vê-la. --

A matriarca de feições alegres curvara-se brevemente para sua visitante.

-- Desculpe vir sem avisar. Mas não queria guardar as notícias que tenho. --

Kushina pareceu alegrar-se mais. Assim como Ino, aguardava ansiosa pelo desfecho daquele caso.

-- Por favor, sente-se. Farei um chá... --

Fez menção de deixar a jovem mulher para direcionar-se até a cozinha, porém fora impedida. Ino lhe encarava eufórica.

-- Não é necessário, senhora. Minha visita aqui tem que ser rápida. --

As duas mulheres sentaram-se, e, por meros segundos, permitiram que o silêncio possuísse toda a simplória sala.

-- E a menina, onde esta? --

Ino perguntou enquanto buscava a mocinha com os olhos.

-- Dormindo... A pobrezinha passara toda a madrugada acordada, a tempestade lhe atormentara demais... --

Kushina encarou as próprias mãos que descansavam sobre o colo. Sentia-se envergonhada, impotente perante aquela situação.

-- Não fique afoita, senhora... --

A jovem loira levou seus dedos até os da mais velha, seu desejo era apenas transmitir conforto.

-- Veja, recebi uma carta de meu amigo. Em poucos dias ele estará aqui para examinar a menina. --

A senhora de longa, e pesada, trança vermelha passara os olhos azuis pelo papel. Lia com atenção as palavras escritas pelo homem que apresentava-se como Shikamaru Nara.

-- Oh, isso é ótimo... Pouco cristão de minha parte, mas não posso deixar de sentir-me aliviada. --

-- Tudo bem, senhora. Este é um direito seu... No mais, fora extremamente bondosa acolhendo aquela pobre alma. Não tenho certeza se outra pessoa o faria... --

Ino percebeu quando a mulher deixara um longo suspiro escapar. Não a culpava pelos sentimentos que possuía, ela estava consciente do fardo que era cuidar de alguém com espírito tão abalado, tão frágil.

-- Senhora Kushina, tudo que lhe peço é que redobre as atenções até a vinda de meu amigo. Como pode ler, ele teme que a menina atente contra sua própria vida. --

-- Não se preocupe, colocarei meus olhos atentos de mãe sobre ela. Eu continuarei cercando-a com meus cuidados e carinho... Sabe, apesar de todo o fardo dos surtos, eu me afeiçoei verdadeiramente... Para mim, aquela menina é preciosa como família. --

A Uzumaki deixara que um sorriso ameno desenhasse seus lábios, e, apertando os dedos finos de Ino junto aos seus, prosseguiu:

-- Senhorita Ino também tornara-se importante para mim... --

-- Obrigada senhora. Significa muito saber que sou digna de seu carinho... É uma mulher amável, preciosa... Mas agora devo ir. Não quero levantar preocupações em casa. --

Sem muitos receios, e, aproveitando da intimidade presente na breve conversa que tiveram, Ino envolvera Kushina em um abraço amigável que não tardara a ser retribuído...

... Pouco distante da sala tomada pelo aconchego entre companheiras, Sakura escondia-se junto do amante na parte mais afastada da pequena livraria. Onde, observados apenas pelos muitos livros, deixavam que os corpos se colassem e amassassem enquanto as línguas moviam-se em uma dança frenética, molhada. Ofegavam e perdiam o ar aos pouquinhos, mas não tinham vontade de interromper o beijo apaixonado. O suor também ameaçava escorrer pelos corpos febris, resultante da aura densa que os rodeava.

-- Sei que não deveria vir vê-lo, você aconselhou a não faze-lo... --

Sakura afastou os lábios dos de Naruto, os olhos ainda fechados enquanto arfava com dificuldade. Ele estava prensando-a contra uma firme prateleira de madeira escura, colocando uma prazerosa pressão contra seu corpo.

-- Tudo bem... Eu iria te enviar uma carta, mas já que veio até mim posso entrega-la pessoalmente. --

O homem beijou o delicado queixo da moça, logo permitindo-se deslizar para o pescoço. Ele pode senti-la arrepiar, pode ouvir o suspiro pesado que a mesma deixara escapar.

-- N-não faz assim... --

Murmurou manhosa enquanto Naruto distribuía beijos molhados em seu pescoço. Algo naquele ato, unido a pressão do corpo másculo colado ao seu, trazia de volta a sensação calorosa em seu ventre, o incômodo pulsar no local que escondia-se entre as coxas.

-- Não gosta? --

O Uzumaki encarou-a, confuso. Os olhos azuis pareciam pegar fogo, as bochechas sustentavam um rubor febril.

-- Não, não é isso... --

Sakura mal encarava-o, mas ele a notava apertar as coxas uma na outra. Sua companheira era inexperiente, não entendia os sinais de seu próprio corpo, ao menos por enquanto...

-- Naruto, meu tempo aqui... Acho que já tenho que ir... --

Ela acariciou a face alheia com um misto de carinho e pesar. Não queria ter de abandonar aquele rapaz, nem seus beijos molhados.

-- Poxa, mal aproveitamos... Mas então tem algo que preciso lhe dizer. --

-- O que? --

-- Irei viajar por dois dias. Quero estudar uma rota para tomarmos nos primeiros momentos, estes serão cruciais... Não quero falar mais sobre, não aqui... Então leve minha carta consigo. --

Tirou do bolso um envelope surrado, e, devagar deixou os lábios tocarem os de Sakura uma última vez... É claro que poderia ter usado dos minutos que passaram embolados  para aflorar os planos que tinha, mas temia que alguém acabasse ouvindo-os. Além do mais, queria te-la em seus braços para compartilhar nada mais que carinho antes de partir em sua brevíssima jornada.

-- Por favor, cuide-se. --

Sakura escondeu o envelope sob o modesto decote do vestido. Seus olhos brilhantes focando aquele rosto bonito por um segundo antes de partir...

Fora da livraria o ar estava frio. Ino lhe esperava com semblante calmo enquanto o vento que antecedia a chuva fazia seu vestido esvoaçar...

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Tsunade ainda parecia distraída enquanto servia a mesa para o almoço, acompanhando-a estava Karin com seu ar lívido. Naquele momento, eram observadas pela criada, que assustada, tinha a impressão de estar encarando dois fantasmas.

-- S-senhora Tsunade. Me deixe fazer isso. --

Tomou a iniciativa de tomar o prato que a patroa segurava de maneira estática, assim posicionando-o na mesa.

-- Senhora Karin, esta pálida demais. Por favor, sente-se e descanse. --

Agora auxiliava a jovem mulher de cabeleira ruiva a sentar-se. Mais aliviada, notara a matriarca da família também tomar um lugar à mesa.

-- Eu vou servi-las. --

Com olhar complacente sobre as senhoras da casa, servia pacientemente um prato após o outro. Ela havia escutado a porta se abrir, e, logo pode sorrir com a presença alegre das moças solteiras na casa. Aquelas jovens eram as responsáveis por trazer a vida ali.

-- Eu vou terminar meus afazeres, agora. Com licença. --

Aliviada, sentiu que podia deixar sua distraída senhora e a filha.

-- Como foi a oração? --

Karin perguntara com a voz rouca, a palidez dava ao rosto um tom quase amarelado, mas ela esforçava-se para sorrir tanto quanto evitava o prato a sua frente.

-- Foi normal. --

Ino respondera já sentada em seu lugar, os olhos percorriam a comida ali servida.

-- Mamãe, a senhora se sente mal? --

Carinhosa, Sakura fora até sua mãe. Os dedos tentavam diagnosticar uma possível febre.

-- Não querida, estou bem. --

Tsunade depositara um beijo casto na mão da filha. Os olhos castanhos piscando freneticamente indicavam que havia libertado-se do transe.

-- Tem certeza? --

-- Oh sim, é apenas preocupação. Estou tendo de correr com os preparativos do casamento de Ino. --

Tendo o matrimônio citado, a segunda filha dos Kato fizera careta enquanto Sakura se deixara empalidecer ao pensar nos planos de fuga.

-- Nós ainda nem sabemos a data. --

Ino tentou rebater, suas mãos ocupadas em cortar um pedaço de carne.

-- Mas sabemos que será em pouquíssimos dias. Seu pai neste momento se encontra com o senhor Sabaku para decidirem-se sobre isso... Sei que nós duas percebemos a pressa que seu noivo tem. --

Karin sorriu tristonha com a melancólica sina que a cada dia cobria mais a irmã.

-- Papai me disse que vovó e vovô estarão aqui, e tia Shizune também. --

Ajeitando os óculos, pode notar a mãe engasgar com a água que esforçava-se para engolir.

-- Seus avós tem a obrigação de carregar Shizune para onde vão, pobrezinhos... Ah, mas como fico aliviada em saber que nenhuma de vocês terá o mesmo destino. --

Tsunade desdenhou da situação da irmã mais moça do marido.

-- Ela ainda pode se casar. É tão bonita... --

-- Sakura, querida, rapaz algum vai querer uma mulher com seus trinta e poucos anos de vida... O erro de Shizune foi ser seletiva demais, sempre afastando os pretendentes... Mas talvez algum viúvo, ou homem mais maduro a deseje. Quem sabe. --

A mais velha ali deixara os olhos perderem-se no alimento que esfriava em seu prato. Ela tentava disfarçar, mas era notável o incômodo que lhe possuía a voz sempre que citava a cunhada. Karin, mais ousada e experiente, notava o leve rubor que Tsunade insistia em tentar esconder. Sua mãe deixava a postura vacilar quando o assunto era Shizune Kato... Seu instinto dizia que havia um passado tumultuado ali...

Após as palavras duras da matriarca, o silêncio pesou completamente sobre a mesa... Lá fora, a chuva começava a cair com força...








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