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História Doce Rendição - Capítulo 29


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Notas do Autor


Olaaaá, meus amores! Tudo bem com vocês? :D

1) Apareci pra trazer mais um capítulo quentinho pra vocês! Muito feliz por ter todos vocês aqui, favoritando, comentando, acompanhando! E muito feliz também por estar desenvolvendo essa história com tanto carinho! Espero que gostem do capítulo e, por favor, comentem! Comentários são extremamente importantes pra mim e me dão muita força pra continuar! A opinião de vocês é muito especial!

2) Não esqueçam de favoritar a história, se acharem que ela merece. Isso também é muito importante pra mim!

3) Quero deixar meu muito obrigada a todos que favoritaram a história: marshmelowx, yixingtop, helen_crixx, nailond, eyejiminsmile, sherlock224b, hoseok778, UniSemCornio, Ka42, jesusmochimochi, nonamenomind, PamySolinski, Qsp, JBbreno, D3nil, deusadanalise, Yagura_yo, dark145, Jungkook1unico, Biah_Brito, xxuxuulia, Uma_Taezinha, ghbji098, baby_chimchim54, parkjihyo2 e __Sweet-girl__.

4) E quero deixar também o meu muito obrigada a todos que comentaram no capítulo passado: Tomato_Bia, My_Girl_Cute, Lovelysadly04, Beadiangelo33, JP00, Icestanho20, algummehelpa, damonhale3, Luto_ando, 7Spirit7, laurafreire87, Soneleesunny, MariihC09, NicoNami, Jeffreyy, Lost-dreams, Evakforever, MariihC09, Dona_Mari, carlavdiniz, RedBlue25, joaonez e Mapa.

5) Me sigam no instagram @vanessaldanha ! Estou sempre por lá e sempre respondo as mensagens que vocês me mandam! Vou adorar vê-los por lá! Mesmo que o insta seja privada, eu sempre aceito vocês!

Capítulo 29 - Um bocado de amor.


[Sob o olhar de Arthur]

Era engraçado como a Gabriela não perdia o semblante libidinoso nem quando me acordava fazendo cafuné em forma de carinho. À medida que fui abrindo meus olhos aos poucos, ainda meio sonolento, vi seu sorrisinho pra mim. Acabamos dormindo no motel mesmo, até porque não tínhamos motivo, nem hora, pra voltar pra casa. De vez em quando fazíamos isso, dormíamos juntos, especialmente nos dias que eu não tinha apresentação à noite. Às vezes ela ia pra minha casa, às vezes eu ia pra dela, às vezes íamos pra um motel.

— Bom dia, dorminhoco. — Me deu sorrisinho. Como um hábito, era ela quem sempre acordava primeiro. Eu já estava acostumado a ser acordado por ela. Na verdade, nós já estávamos acostumados. Durante os três anos de sexo, inevitavelmente acabamos criando uma intimidade que ia além do lado carnal. Uma amizade, eu diria.

— Bom dia, Gabi. — Também sorri e, logo depois, bocejei, coçando os olhos. — Pediu o café? — Perguntei. Sim, nós realmente tínhamos construído um relacionamento ao ponto de eu já estar acostumado com o fato de acordar e saber que ela tinha providenciado nosso lanche, porque era assim sempre, ela acordava mais cedo, porque não gostava de dormir até tarde, e pedia o café.

— É claro... — Deu uma risadinha e apontou com o queixo na direção de uma mesinha que ficava ao lado da cama. — Do jeito que você gosta. — Levantou-se da cama, ainda vestindo somente a lingerie, e se aproximou da mesa onde estava a comida. Pegou uma bandeja já posta e levou pra mim. — Ovos, queijo, geléia, torradas. Ah! Também pedi pra capricharem no capuccino porque sei que tu é viciado. — Com uma risadinha, me entregou e sentou ao lado.

Meu sorriso foi orelha a orelha. Nada melhor do acordar assim.

— Maravilhosa... Obrigado. — Levei minha mão ao seu rosto, puxando-a para um beijo na boca. — Servida? — E baixei o olhar para a bandeja. — Vamo, come comigo. — Sorri, mesmo com a cara ainda meio amassada de sono. A dificuldade de acordar de manhã era uma das poucas coisas que não mudaram em mim da minha adolescência pra cá.

Enquanto a gente lanchava, Gabriela ligou a televisão do quarto em um canal qualquer. Percebi que estava no noticiário da manhã. Naturalmente, comecei a assistir.

“Ações criminosas de divulgações de fotos íntimas continuam assolando o meio das celebridades em Portugal e na Europa. Depois de famosos como Carlos De La Peña, Ruth Gonçalves e Ester Vlasak, a vítima da vez foi Paola Aledo. Imagens de conteúdo pessoal foram divulgadas nas redes durante os últimos dias. A polícia acredita que o envolvido seja um paparazzi anônimo, mas ainda não conseguiu identificar um possível suspeito. As autoridades, no entanto, seguem mobilizadas nas investigações.”

Foi o que o repórter falou.

— Nossa, que galera sem noção... — Gabriela comentou, balançando levemente a cabeça em negativo. — Ficar divulgando foto íntima alheia só pra fazer o mal. Espero que peguem o responsável e o prendam. Ninguém merece ser exposto desse jeito.

— Concordo total. — Respondi. — Eu sei o quanto foi complicado pros meus pais no auge da fama, quando tiveram que lidar com todo o assédio do público. Nunca aconteceu isso de vazar algo íntimo deles, mas imagina se tivesse acontecido? Tudo teria sido ainda pior.

— Sim, claro, imagino. — Concordou. — A fama tem seu lado bom, mas... Também tem umas coisinhas ruins. Fica de olho viu? — Virou o rosto pra mim, erguendo uma das sobrancelhas. — Você tá ficando cada vez mais conhecido. O pessoal já te para na rua. A tendência é só aumentar.

Balancei levemente a cabeça com o seu comentário.

— Eu só quero passar longe de polêmicas e coisas do tipo. Só quero ser reconhecido pelo trabalho bem feito da banda e ser respeitado por isso. De resto... — Ergui brevemente uma das sobrancelhas pra ela, encarando-a com um olhar um tanto arteiro. — Eu faço tudo por debaixo dos panos. Escondido. — Com um sorrisinho sacana, levei meus lábios ao seu pescoço, dando uns beijinhos por ali.

— Mas transar toda noite com uma, duas ou três pessoas diferentes, ao mesmo tempo, depois de cada show, não vai te ajudar a passar longe de polêmicas... — Deu uma risadinha tão sacana quanto o meu sorriso.

— Ah, eu também não preciso virar um monge, né? — Brinquei.

Ela riu. 

— Tu não presta mesmo... — Meneou a cabeça, sorrindo, e, afastando a bandeja de café da manhã que estava sobre a cama, me puxou para cima dela. — Mas eu gosto disso. Eu gosto muito. — Me beijou com vontade. — É bom correr uns riscos às vezes... — Deu uma risadinha, entre um beijo e outro, e continuou aquilo que seria nossa foda matinal antes de irmos embora.

XxXx

Depois do café e da transa, não demoramos muito a ir embora do motel. Apenas tomamos um banho e saímos juntos rumo ao Hangar. Eu tinha marcado com o pessoal da banda para fazermos um ensaio, já que teríamos uma apresentação à noite, enquanto Gabriela acompanhou até lá, porque, bom, ela era a dona e precisava cuidar de algumas coisas do negócio. Era curioso o quanto o Hangar tinha se tornado importante para nós dois nos últimos três anos.

Logo que chegamos, estacionei a moto em frente à casa de show e entrei junto a loira. O pessoal da limpeza, como de costume, estava dando uma geral no lugar, e, para minha completa satisfação, Ariella, Tom, Yan e Brad já estavam lá me esperando, exatamente na hora a gente tinha combinado. Curti, porque não gostava muito de atrasos. Pelo menos esse era um dos pontos que eles eram responsáveis e não me faziam passar raiva.

Gabriela passou por eles, dando um rápido bom dia e um breve sorrisinho, e seguiu para o escritório do Hangar. Tinha educação o bastante para dizer um “oi”, mas não era de dar muita trela para a maioria das pessoas. Apenas para aquelas que ela achava interessante de uma alguma forma. De fato, a loira tinha uma personalidade um tanto peculiar por ser convencida em certa medida. Mas eu gostava disso nela. Deixava-a mais charmosa.

— Olha só quem chegou... — Brad, com ar zombeteiro, disse, após Gabriela se distanciar deles e eu me aproximar. — O dono e proprietário do Hangar! Sortudo da porra!

Mesmo depois de três anos, Brad e Tom nunca superaram o fato de eu ter transado com Gabriela. Na verdade, eles não superavam o fato de, mesmo depois de três anos, eu ainda estar transando com ela. E o lance de termos chegado juntos, só comprovava que tínhamos dormido juntos também. Porém, não era inveja, nem da nada do tipo. Talvez admiração. Eles também gostavam de zoar com isso. Diziam que eu era o dono e proprietário do Hangar por estar transando com ela.

— Não vem de conversinha pro meu lado que eu ainda tô puto contigo por causa do Mustang... — Alertei em tom de brincadeira, mas, logo depois, sorrindo, lhe dei um abraço, segurando sua nuca e bagunçando seus cabelos.

Cumprimentei os outros também. Tom já estava sentado, segurando o baixo, pronto para tocar, enquanto Ariella e Yan ainda continuavam vivendo naquele mundo cor de rosa, que pelo amor de Deus! Típico de pessoas que tinham acabado de começar um namoro.

— E então...? — Assim como eles já estavam sentados, também me sentei em um dos bancos para fazermos uma pequena reunião e começarmos a passar o som de logo mais à noite. — Como estamos com as ideias para o nosso primeiro álbum? — Perguntei. — Organizou aquelas letras iniciais na pasta do drive como eu tinha te pedido, Tom?

— Sim sim, chefe... — O “chefe” foi em tom de brincadeira, mas o restante não. — Fiz tudo do jeitinho como você tinha falado. Só que uma das partes mais importantes, que é dar um final pra elas, a gente ainda não fez... — Deu um sorrisinho meio amarelo.

— Pois é, temos que fazer. — Respondi. — Algumas gravadoras já tão começando a entrar em contato comigo, querendo ver o nosso trabalho original. O público já tá pedindo também. Tá na hora da gente crescer e começar a tocar músicas nossas.

— Cara, a galera já tá começando a me parar na rua pra pedir foto e autógrafo... — Yan comentou. — Não é, amor? — Virou para a Ari, que balançou um sim com a cabeça, muito entusiasmada.

— Sim! — A cacheada confirmou a mim. — Amigo, imagina só como vai ser quando a gente começar tocar músicas nossas e gravar nosso álbum com uma produtora... — Suspirou sonhadora. — Vai ser irado!

— É, vai ser muito bom. — Concordei. — Mas pra isso a gente precisa trabalhar né? — Dei um sorrisinho meio forçado. — Comecei a escrever aquelas letras, mas preciso que vocês me ajudem com ideias pra que gente consiga terminar e mandar pras gravadoras que já tão entrando em contato. Beleza?

— De boa, patrão. — Brad respondeu, enquanto os outros balançaram um sim com a cabeça.

— Ótimo! — Sorri. — Então, bora começar logo o ensaio que mais tem apresentação! — Levantei do banco para pegar o microfone, enquanto cada seguiu para o seu respectivo posto. Porém, quando estava voltando para me sentar novamente, algo me chamou atenção.

O Hangar era rodeado por grandes janelões que, à noite, quando estava funcionando, ficavam fechados, pois o local era climatizado. No entanto, como o pessoal da limpeza estava dando uma geral por lá, os deixaram abertos. E foi por isso... Foi exatamente por isso... Que eu vi na parte de fora, do outro lado calçada, um homem. Não pude reconhecê-lo pelo rosto, pois estava de boné e óculos escuros, mas tinha uma câmera na mão, apontada pra mim.

Inevitavelmente franzi o cenho.

Aquilo era um paparazzi tirando fotos minhas e da banda?

 

[Sob o olhar de Daniel]

— Meu Deus do Céu! — Disse, enquanto encarava Henrique e Gisele boquiaberto. — Eu quase não consigo acreditar... — Dei uma risadinha incrédula. — Sério, quanto tempo eu dormir?

— Ai querido, você dormiu aproximadamente três anos. — Bianca respondeu com ironia. — Mas, olha, a gente tinha te avisado pelas videochamadas né? Então, não era como se você já não soubesse.

— Eu sei, eu sei... — Balancei um sim com a cabeça, mesmo que meu semblante ainda estivesse pasmo. — Só que pessoalmente é diferente, se liga? Gisele e Henrique namorando! — Dei outra risadinha incrédula. — Quem diria... — Sorri.

Sr. Smith tinha me dado dois dias de folga para que pudesse me reestabelecer em Lisboa, até os nossos treinos voltarem com uma preparação intensiva para as olimpíadas. Hoje era meu segundo dia de folga e eu achei por bem que não teria nada melhor que rever pessoalmente meus amigos da época do colégio. A saudade deles também estava grande.

Já era fim de tarde, quase noite, quando eles chegaram lá em casa para me visitar e relembrar os velhos tempos. Conversa vai, conversa vem, mesmo que ainda tivéssemos um contato frequente pelas chamadas de vídeo, nada se comparava a vê-los pessoalmente. Especialmente, quando eu dava de cara com Gisele e Henrique namorando!

— Esses três anos mudaram muitas coisas mesmo viu... — Comentei. — Até tu tá namorando, palhaça! — Brinquei com a Bianca, mencionando o jeito como a gente se chamava há três anos. Palhaço e palhaça. — Cadê tua namorada? — Perguntei.

— Ela foi hoje pra faculdade... — Respondeu. — Tá perto de se formar. Então, tá uma loucura pra ela. Mas, ela ficou de me encontrar mais tarde, pra gente sair pra  algum lugar... Nós quatro podíamos aproveitar isso pra dar um rolê, né? Porra, a gente tá precisando! São três anos!

— Verdade, Bia, super apoio! — Gisele falou. — A gente precisa relembrar os velhos tempos! Além do mais, olha que chique... Agora nosso melhor amigo é famoso e nós vamos sair com uma super celebridade! — Em tom de brincadeira falou e deu uma risadinha, fazendo com que todos rissem também.

— E a gente vai pra onde? — Henrique perguntou.

— Hum... Deixa eu ver... — Bia, pensativa, se pronunciou e passou alguns segundinhos em silêncio, até que... — Ah! Já sei! — Levantou o dedo indicador, com um sorriso de orelha a orelha. Todos nós ficamos atentos para saber o que ela ia falar. — Eu tive uma ótima ideia! — Continuou e virou o rosto para mim. — Desde que você foi embora e o seu irmão começou a fazer sucesso com a banda, essa cidade respira rock! Sério! O Hangar se tornou o melhor point de Lisboa pra sair à noite! É top demais! A gente podia ir pra lá!

Meu irmão?

Senti certa tensão se instalar em mim somente por ele mencionar o Arthur.

— Hangar? — Perguntei com um sorrisinho um tanto forçado, tentando disfarçar a maneira como eu tinha ficado apenas por ela ter falado sobre ele.

Confesso que eu desconhecia esse lugar chamado Hangar. Antes de eu ir embora, já tinha ouvido falar nele, mas nunca tinha pisado lá. Talvez, porque não era bem o tipo de festa que eu costumava frequentar na minha adolescência. Não conseguia nem imaginar direito como essa casa de show tinha se tornado popular em Lisboa por causa do Arthur e da banda. Ainda era um pouco surreal pra mim, quando eu pensava que ele tinha se tornado uma pessoa tão... Diferente.

— Ai, acho massa! — Gisele falou toda entusiasmada. — A gente pode ir pra lá sim! Eu, o Henrique e a Bianca já fomos pra uns shows dele lá no Hangar, e foi incrível! Zero defeitos! Inclusive, eu vi no Instagram do Hangar que a banda do Arthur vai tocar hoje à noite lá! Olha que perfeito! Dá certinho!

O quê?

Arregalei brevemente os olhos.

Apesar de eu sempre ter ficado um tanto curioso para saber com eram esses shows do Arthur, já que eu nunca tinha o visto em ação e não conseguia imaginá-lo fazendo esse tipo de coisa, ainda não sabia se era uma boa ideia ir até lá.

Sei lá.

E se ele me visse? 

E se ele pensasse que eu mal tinha chegado em Lisboa e já estava o perseguindo?

— Ah... É...? — Infelizmente, não estava conseguindo disfarçar bem o meu jeito meio inseguro sobre a possibilidade de ir a esse tal Hangar. — Cês tem certeza que querem mesmo ir pra lá? — Dei um sorrisinho meio amarelo.

— Claro... — Bianca ergueu uma das sobrancelhas, como se estivesse estranhando a maneira como eu tinha questionado. — Por que não iríamos? Você não ia gostar de ver seu irmão se apresentando? — Seu tom de voz demonstrava o quanto seria óbvio eu gostar de vê-lo cantar, porque, enfim, ele era meu irmão.

Encarei os outros que também me observavam com o mesmo semblante que a Bianca, e foi aí que eu acordei. Pisquei os olhos repetidas vezes, como se estivesse tentando recobrar minha consciência, porque eu estava dando muita bandeira. Sim, eu estava. E eles nem ao menos sonhavam sobre os problemas que eu e ele tínhamos um com o outro.

Ah o teatro... Esse teatro não era só diante dos nossos pais.

Era diante da sociedade inteira também.

— É lógico... — Soltei uma pequena risadinha pelo nariz. — Eu vou adorar vê-lo.

XxXx

Era por volta das dez horas da noite, quando nós colocamos os pés no tal Hangar. Buscamos a namorada da Bianca, que se chamava Michelle, e depois fomos pra lá no carro do Henrique. O local estava tão cheio que dava para perceber isso já da calçada. Do lado de fora mesmo as pessoas já se amontoavam. Algumas fumavam e bebiam, outras conversavam de um jeito bem entusiasmado com os colegas, enquanto esperavam na fila do ingresso o momento para entrar.

Mesmo antes de ver a parte de dentro, eu já conseguia ouvir em certa medida o som de rock que emanava lá. Cada toque era uma acelerada que o meu coração dava. Eu nem mesmo conseguia descrever a maneira como eu estava. Era uma mistura de nervosismo, com excitação, ansiedade, medo. Sei lá. Na verdade, eu nem sabia o motivo de estar sentindo todas essas coisas. 

O medo talvez fosse por ser reconhecido por ele. Não sabia se ele ia gostar de me ver lá, embora no fundo meu subconsciente me confirmasse que, não, ele não ia gostar de me ver. O nervosismo e a ansiedade eram por não saber o que encontraria lá, se ainda tinha algo do Arthur que eu conhecia ou se estava totalmente diferente mesmo. E a excitação... Bom... Também era justamente porque eu não sabia o que ia encontrar.

Na verdade, eu ainda nem sabia o que diabos eu estava fazendo lá. Não era do meu feitio dar moral para uma pessoa que só me evitava. Meu evitou por três anos. Eu não deveria ser o otário que ficava indo atrás. Mas, bem, eu estava dando moral mesmo a ele por estar indo ao local onde fazia apresentações? Sei lá. A única coisa que eu tinha certeza era de que eu jamais pisaria nesse lugar se meus amigos não tivessem dado a ideia. Eu também não queria estragar o rolê, até porque seria extremamente estranho se eu recusasse ir a um local onde meu próprio irmão estava se apresentando.

Pra eles, estava tudo bem entre nós. Então, seria estranho.

Eu não tinha escolha. Não tinha pra onde correr. 

Era o jeito aceitar. O tal daquele teatro que eu vivia há um século.

— Ei... Que cara é essa? — Bianca perguntou a mim, dando uma risadinha, segundos antes de pagarmos a entrada. Já estava chegando na nossa vez da fila.

Passei as mãos no rosto tentando disfarçar e...

— Ah, não é nada... — Sorri, procurando parecer desinibido. — É só que faz tempo que não vou a uma festa como essa. Na verdade, acho que nunca fui a uma festa como essa. — Ri um pouco.

— Tudo tem uma primeira vez. — Com piscadinha de olho, a negra me respondeu.

Não demoramos muito a entrar depois que pagamos o ingresso. Logo, eu já me via dentro daquele lugar que fazia jus ao seu nome Hangar, porque era um verdadeiro galpão imenso. Cheio de gente. Haviam pessoas sentadas em mesas, outras pé dançando, bebendo, fumando. Sim, aquele espaço era encoberto por uma nuvem de fumaça, graças a quantidade de gente com cigarro. Eram alternativos, roqueiros, tatuados, pessoas que se vestia naquele estilo grunge, como nas fotos da internet.

Acompanhei Bianca, Gisele e Henrique, enquanto caminhávamos fazendo praticamente um reconhecimento do local. Nisso, acabei percebendo que algumas pessoas começaram a me olhar. Na verdade, muitas pessoas começaram a me olhar. E, mesmo com o som alto, eu podia ouvir burburinhos e fazer leituras labiais do tipo: “aquele é o Daniel Tremblay?”, “o nadador famoso?”, “ele não é irmão do Arthur?”.

Pois é, tinha muita gente olhando pra mim. Eu percebia tudo, porque eu também estava olhando para elas. No entanto, quando entrei o bastante, o som começou a ficar cada vez mais nítido, assim como a voz do cantor também. Aquela voz... Foi aí que eu parei e caí em si mesmo... Aquela voz, por mais diferente que estivesse, eu ainda reconhecia. E não somente minhas pernas pararam de caminhar, como meu coração também parou de bater, quando me vi próximo ao palco e identifiquei quem estava cantando.

You need cooling

(Você precisa se acalmar)

Baby, I'm not fooling

(Garota, eu não estou brincando)

I'm gonna send, yeah

(Eu vou mandar sim)

You back to schooling

(Você de volta à escola)

A atenção que eu estava dando para as pessoas que me olhavam foi totalmente desviada pra ele. Única e exclusivamente para ele. Meu queixo, provavelmente devia estar estar batendo lá no chão, enquanto ele cantava algo que, buscando lá nas gavetas da minha memória, parecia ser Whole Lotta Love do Led Zeppelin. Arthur tinha mudado demais sim, mas aquilo pra mim foi ápice de todas as mudanças. Eu nunca tinha o visto daquele jeito.

Way down inside

(Lá no fundo)

Honey, you need it

(Querida, você precisa disso)

I'm gonna give you my love

(Eu te dar o meu amor)

I'm gonna give you my love

(Eu vou te dar o meu amor)

Definitivamente, ele não parecia em nada com o Arthur de três anos que eu conhecia. Era outra pessoa, não somente pelas roupas e pelas tatuagens, mas, principalmente, pelo jeito de ser. Aquele Arthur dominava o palco como ninguém, como se tivesse nascido pra isso, quando, na verdade, antigamente, ele não queria nem participar do coral da escola. Aquele Arthur mexia com todos os elementos do palco e com o público, como um verdadeiro cantor profissional de rock.

Wanna whole lotta love

(Quero um bocado de amor)

Wanna whole lotta love

(Quero um bocado de amor)

Wanna whole lotta love

(Quero um bocado de amor)

Wanna whole lotta love

(Quero um bocado de amor)

Arthur andava de um lado para o outro, se mexia, pulava, cantava com a alma e não parecia sentir um pingo de vergonha. Estava tão, mas tão seguro de si... Enquanto eu... Só conseguia admirá-lo feito um abestado. Por mais diferente que ele estivesse e por mais magoado com ele que eu ainda me sentisse, acabei constatando, nesse exato momento, que algo não tinha mudado mesmo depois de três anos: o jeito como ele me hipnotizava quando cantava ou tocava. Merda. Era mais forte que eu. Sempre foi mais forte que eu.

You've been learning

(Você está aprendendo)

Baby, I been learning

(Garota, eu fui aprendendo)

All that good times

(Todos os bons tempos)

Baby, baby, I've been yearning

(Garota, garota, que eu tenho saudade)

Se abaixou brevemente para pegar do chão, próximo ao apoio do microfone, uma garrafa de Vodca que ele bebericava vez ou outra, enquanto cantava. E, no exato instante em que ele abriu os olhos depois do gole, viu a movimentação do público lá embaixo com relação a mim. Ainda cantando, porque ele parecia não perder a pose nunca, o percebi buscando com o olhar qual era o verdadeiro foco da movimentação. Meu coração acelerou. Droga, ele ia me descobrir, ia acabar me vendo lá.

Way, way down inside

(Lá no fundo)

Honey, you need it

(Querida, você precisa disso)

I'm gonna give you my love

(Eu vou te dar o meu amor)

I'm gonna give you my love

(Eu vou te dar o meu amor)

Dito e feito: entre uma busca e outra, nossos olhares inevitavelmente acabaram se cruzando. Prendi a respiração com tamanha tensão. Ele, por sua vez, continuou cantando. Porém, percebi que dentro de alguns segundos, exatamente os segundos que passou me olhando meio surpreso por me ver ali, os níveis de sua extroversão que, outrora, estavam elevadíssimos, agora baixaram um pouco. Eu não fazia ideia do que estava passando pela sua cabeça, mas pelo jeito como me encarou no instante seguinte após a surpresa por ter me visto, eu tive certeza que ele não gostou nem um pouco de eu estar “ofuscando” em certa medida o seu show, já que os burburinhos eram sobre mim.

Wanna whole lotta love

(Quero um bocado de amor)

Wanna whole lotta love

(Quero um bocado de amor)

Wanna whole lotta love

(Quero um bocado de amor)

Wanna whole lotta love

(Quero um bocado de amor)

Fechou o semblante e passou a me encarar com certo ar de superioridade, enquanto continuava cantando. A música, no entanto, já parecia estar acabando. Por isso, virou-se em direção a própria banda e fez um sinal com a mão, como se tivesse pedindo para que eles aumentassem alguma coisa ou elevassem o nível dos instrumentos musicais. A banda, então, começou a entrar em uma batida crescente, como se pudessem explodir a qualquer momento. Nesse instante, muitos dos que me olhavam desviaram sua atenção para o palco. Mas, foi quando Arthur tirou a blusa que cem por cento das pessoas olharam para ele. 

You've been cooling

(Você tem se acalmado)

Baby, I've been drooling

(Garota, eu tenho babado)

All the good times

(Todos os bons tempos)

Baby, I've been misusing

(Garota, eu tenho abusado) 

A galera foi a loucura e eu fiquei em choque com a atitude. Ainda ouvi duas garotas gritando ao meu lado algo como: “Puta que pariu, que gostoso! Ele sempre faz isso!”. E, então, como se não bastasse, na última parte daquela música do Led Zeppelin que falava de uma “garota”, ele fez algo que eu jamais pude imaginar: pulou do palco, foi pra galera do “front stage” e puxou justamente uma garota para lhe dar um beijão.

Não era só um beijo... Era o beijo! Arregalei os olhos, sem acreditar naquela cena, porque o Arthur que eu ainda tinha na minha cabeça jamais faria isso. A galera foi à loucura outra vez, assobiando e aplaudindo, e eu fui ao inferno. Não era só sentimento de surpresa que eu sentia, era mais alguma outra coisa que eu não sabia explicar para mim mesmo. Mas, definitivamente não era um sentimento bom.

Way, way down inside

(Lá no fundo)

I'm gonna give you my love

(Eu vou te dar o meu amor)

I'm gonna give you

(Eu vou te dar)

Every inch of my love, gonna give you my love

(Cada centímetro do meu amor, vou te dar o meu amor)

Ofegante após o beijo e ainda abraçando a garota, cantou a última estrofe olhando pra ela. Involuntariamente, dei dois passos pra frente, tentando ver aquilo melhor, porque não parecia real. Só que mais irreal ainda foi quando eu vi a garota... 

Meus olhos dobraram de tamanho.

Aquela era a... Gabriela?!

Wanna whole lotta love

(Quero um bocado de amor)

Wanna whole lotta love

(Quero um bocado de amor)

Wanna whole lotta love

(Quero um bocado de amor)

Wanna whole lotta love

(Quero um bocado de amor)

Eu não estava entendendo absolutamente nada.


Notas Finais


1) E entaaaão, meus amores, o que vocês acharam do capítulo? Primeiro de tudo, gostaria de dizer que vocês devem ficar atentos a todos os detalhes do capítulo, porque daqui pra frente vocês vão montar tipo um quebra-cabeça com a história rsrs. Booom, esse capítulo teve Art falando sobre a banda gravar músicas originais, teve Dan reencontrando seus amigos da época do colégio e por fiiiimmmm... Teve Dan vendo Art se apresentar! Deus do Céu! O que foi isso, mia gente? Daniel finalmente descobriu que o Arthur está envolvido com a Gabriela, a menina que ele pegou anos atrás hahahaha, e ficou tão perdido! Tá entendendo nada rsrsrs. O que vocês acham que vai acontecer? Comentem! Me contem tudo o que acharam! Os comentários de vocês me motivam demais a continuar!

2) Música do Capítulo (Whole Lotta Love - Led Zeppelin):
- Versão original: https://www.youtube.com/watch?v=Q0utAHY3xo4
- Versão que eu imagino um pouco o Art cantando rsrs: https://www.youtube.com/watch?v=KlJvMzmq0ZI

3) Não esqueçam de favoritar a história, se acharem que ela merece. Isso também é muito importante pra mim!

4) Me sigam no instagram @vanessaldanha ! Estou sempre por lá e sempre respondo as mensagens que vocês me mandam! Vou adorar vê-los por lá! Mesmo que o insta seja privada, eu sempre aceito vocês!

5) História concluída:
Jogada de Mestre: https://www.spiritfanfiction.com/historia/jogada-de-mestre-8493517

Muitíssimo obrigada a todos que leram e até o próximo capítulo!


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