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História Doces Mentiras Amargas Verdades - Livro I e II - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Capítulo 03 - O Quase Acidente


Fanfic / Fanfiction Doces Mentiras Amargas Verdades - Livro I e II - Capítulo 3 - Capítulo 03 - O Quase Acidente

 

Assassino de Diane Smith condenado a 45 anos de prisão.

Manchete do New York Times do dia 12 de março de 2013.

Há um mês, Charles Wolfgang declarou-se culpado em audiência pública pelos delitos de homicídio qualificado, tortura e abuso sexual, o que gerou uma redução em sua sentença.

A juíza penal o condenou a 45 anos de prisão a Charles Wolfgang pelo estupro e assassinato de Diane Smith datados de 24 de dezembro de 2012 no Central Park, em Nova York.

Charles Wolfgang aceitou sua responsabilidade na violação, tortura e morte da vítima de 28 anos. Apesar de ouvir o relato dos fatos sobre a forma na qual assassinou sua ex-companheira de trabalho, o réu tapou os ouvidos enquanto o procurador da 320° lia a acusação.

O homem pediu perdão ao País, mas os familiares de Diane Smith não acreditaram em seu Ato de Contrição. Seu advogado pediu a redução para ¾ da pena, ou seja, que lhe condenassem a 35 anos. A defesa de Wolfgang apresentou a apelação por considerar que a pena foi muito alta, um "erro" da juíza, pois não levou em conta o fato do réu declarar-se culpado...

"Valen, deixa de lado essas notícias que irá lhe deixar velha... relaxa". – Escutou a voz de Guillermo que entrava numa das divisões exclusivas do restaurante e lhe arrancava o jornal. Seu olhar parou na manchete. "Outro?" – Perguntou deixando-se cair no assento.

"Sim, o caso do estuprador filho da puta está encerrado, é claro que estão apelando para que tenha redução de sentença". – Grunhiu Valentina com raiva pelo pouco profissionalismo que demonstrava seu colega, se é que poderia chamar isso de profissionalismo.

"Mas com 45 anos de prisão são suficientes". Expôs o moreno lançando o jornal sobre a mesa. "Estou certo de que darão sua calorosa recepção". Recostou-se na cadeira soltando uma gargalhada malévola.

"Não Guille, 45 anos não são nada, espero que que peguem pesado com esse cara, sei que não devo me envolver tanto nos casos mas sinto impotência porque estou apelando para que o condenem por 60 anos, é o mínimo que ele merece, temos que cumprir a lei. Porque as sentenças devem ajustar-se a lei, segundo o seu grau de delito. Ou eles estão loucos ou estão vendidos, acredito que mais pela segunda opção".

"Valentina, se a juíza já tomou uma decisão, respeite-a e deixa de querer ser a salvadora da pátria, você não é Deus, não procure problemas. Esse homem pode criar represálias contra você".

"Definitivamente não sou Deus, poque se eu fosse, esses parasitas não existiriam, e não tenho medo, nem dele e nem de ninguém... já está falando como o tio León, deixa de paranoia". –Falou de má vontade agarrando o menu.

"Não é paranoia, em três anos você ficou obcecada e mandou para a prisão 22 tipos diferentes de criminosos, não descansou até conseguir. É arriscado o que faz, deveria deixar de lado a procuradoria e trabalhar apenas como assessora, assim não se envolveria tanto".

"É o meu trabalho e eu gosto do que eu faço... O que vai pedir?". – Perguntou desviando o olhar para o cardápio".

"Peça qualquer coisa... estou faminto e tenho que voltar ao escritório". – Suspirou Guillermo. "Estou louco por umas férias, juro que meu pai se aproveitou porque estava no meio de uma reação para aceitar a posição". – Acrescentou com a voz cansada. "Mas agora que já encerrou esse caso, deveríamos ir no final deste mês para Amsterdam, sozinhos por um fim de semana, Guetta tem show no The Sand".

"Não quero Guille, 8 horas é muito para regressar no dia seguinte... vamos chegar mais cansados. Não. Desisto".

"Valen, se não tens trabalho, vai dar tempo. Deixarei tudo preparado e ficaremos lá por uma semana".

"No caso que tenhamos uma semana, me parece uma excelente ideia, preciso me distrair um pouco". – Disse-lhe sorrindo, mudando completamente o semblante por um mais relaxado e sereno, parecendo instantaneamente muito mais jovem.

*********

Em outro lado dos salões exclusivos do restaurante Adour, se encontrava Juliana Valdés, almoçando com Johny Corona, presidente da Elitte, a agência publicitária mais exclusiva do continente americano. Ela o conheceu numa reunião na semana anterior, então ela não hesitou em fisgá-lo, sua agência era uma plataforma indispensável e exclusiva para promover seus desenhos, se conseguisse que esse homem e sua agência patrocinassem sua loja, teria o dobro do sucesso que conseguiu até o momento.

"Juliana, não trabalhamos como uma agência de publicidade comum, contamos com métodos e  estilo próprio, isso nos fazem diferentes, inclusive somos clientes da Elitte, fazemos nossa própria publicidade, o que nos faz conhecer verdadeiramente o que funciona, o que não e com números reais, já vemos de primeira o impacto de cada ação que fazemos". – Falou Johny com segurança, mirando-a nos olhos antes de fazer uma pausa para beber um pouco do seu vinho.

A jovem o imitou tomando sua taça enquanto se deleitava com o sabor doce e envelhecido da bebida. Dedicou-lhe um olhar sedutor, desses que nunca falham. Seu propósito era que Johny Corona fizesse sua publicidade, já que ser uma pequena empresária e contar com o apoio da Elitte asseguraria seu sucesso, o único inconveniente era que estava certa que os honorários da prestigiosa agência estavam muito acima do alcance da sua conta bancaria, mas claro, não de suas próprias habilidades.

Corona era um homem interessante, bonito, elegante, inteligente e mesmo que se mostrasse seguro, percebeu um sutil nervosismo que lhe causou apenas com o movimento de seus olhos, além disso, a marca da aliança de casamento, evidenciava que a havia retirado como se ninguém soubesse que era casado e vivia com sua esposa e filha.

Talvez tenha que fazê-lo se sentir mais seguro e achar que pode me enganar, jogarei seu jogo, Johny. – Pairava enquanto saboreava o vinho.

"Nós focaremos principalmente no público A, para que ele duplique e triplique, preferencialmente orientando os clientes que optam pela qualidade acima de qualquer outro fator e por isso que limitamos bastante nossos clientes... — tagarelava até que ela interveio.

"Como no meu caso Senhor Corona, ofereço qualidade, mas sou pouco reconhecida, tenho que lutar para que levem em conta meus desenhos, vocês escolhem os clientes com anos de trajetória, eu sei que esse é meu caso". Lhe disse e deixou claro que era perfeitamente consciente de suas condições na negociação. Logo mexeu o cabelo com suavidade.

Os olhos de Corona foram cativados pelos movimentos de sua mão e desviou seu olhar percorreu os longos cabelos escuros que agora repousavam sobre a curva de seus seios.

"Porém Juliana, não descartamos, não limitamos... acredito que tudo é possível. Você não acredita?". – Lhe perguntou com tom desafiante.

Juliana sorriu com indiferença.

"Acredito que você pode fazer o possível, Senhor Corona". – Pontou e levantou sua taça brindando.

"Tudo depende Senhoria Valdés..." – Respondeu ao ver como Juliana levantava uma sobrancelha, agora era ela que o desafiava. "De quanta qualidade possui, primeiro precisamos comprovar". – Deixou no ar com segundas intenções suas palavras. "Como compreenderá, a missão da Elitte é oferecer qualidade, se seus desenhos são exclusivos, pode contar conosco como agência publicitária".

"E quais são suas garantias, Senhor Corona?". – Perguntou fixando seu olhar nos lábios do homem, tratando de ser mais evidente possível. "Quais meios utilizarão para promover meus desenhos e minha loja?".

"A Valdés, o Grupo Elitte lhe oferecerá publicidade online, inclusive o design da página web, anúncios em blogs, posicionamento nos sites de busca, publicidade nas redes sociais, uma revista virtual, spots em meios massivos, já sabe que poucos segundos no ar podem conseguir um sucesso absurdo. Também proporcionamos as estratégias mais convencionais e tradicionais, mas que fazem parte da difusão em massa, como banners, flayers, outdoor, adesivos e estampas em diversas peças de brinde, chapéus, camisetas, toalhas e qualquer outro que queira, claro, representa um investimento milionário". – Parou, dedicando-lhe um olhar significativo.

"Evidente senhor". – Concordou Juliana, esfregando uma mão contra a outra. "Só me importa o melhor, não importa quanto tenho que investir... minha marca é nova no mercado, não sou tão ingênua para não ser consciente do custo dos serviços da Elitte que corresponde a uma soma que ainda não tenho nas minhas contas, por isso estou aqui Senhor Corona, para negociar".

Johny sorriu fascinado com sua voz e com a intenção direta das suas palavras.

"Gosto de apoiar talentos empreendedores como o teu Juliana, estou certo de que eventualmente chegaremos a um acordo, vamos nos reunir na próxima semana, te mostrarei algumas propostas da equipe criativa e começaremos as negociações". Fixou seu olhar nela, enquanto passava a língua nos lábios, comemorando antecipadamente um triunfo que na verdade não estava garantido.

"Claro Senhor, não sabe o quanto lhe agradeço". Sorriu Juliana encantada. "Gostaria de ficar um  pouco mais, porém tenho uma entrega pendente".

Johny se levantou e puxou a cadeira ajudando-a a levantar-se.

"Não se preocupe, faça a entrega... depois poderá me agradecer". – Murmurou aproximando-se do seu pescoço. "Vou levá-la até sua loja". – Disse-lhe com ar autoritário.

"Não precisa senhor, Beltrán está me esperando, por favor termine seu almoço". – Olhou-o com falsa inocência e encaminhou-se para o estacionamento.

Beltrán esperava Juliana no estacionamento. Ela havia cumprido sua promessa de buscar lhe em Las Vegas quando conseguiu estabelecer seu negócio. Havia passado apenas 3 anos, entretanto com seu empenho havia conseguido posicionar-se num nível importante, no entanto, sonhava com mais, sua meta era ser reconhecida na Europa e estar no mesmo patamar que os grandes da indústria.

Beltrán continuava desempenhando o papel de protetor, um aliado incrível que compreendia e apoiava tanto suas metas quanto seus meios. Como tinham acordado, ele esperava que descesse e lhe desse o sinal. Ele a viu nas escadas e ela indicou com um gesto rápido que ligasse para seu telefone.

Jonhy Corona ainda pensava na sedutora e charmosa Juliana quando escutou o som do celular, desviou seu olhar e viu o aparelho no chão ao lado da cadeira que ela ocupava minutos antes. Sem pensar, o recolheu e abandonou sua mesa, sabia que poderia alcançá-la no estacionamento.

**********

O Lamborghini Aventador J cor Scarlet tinha um design impactante e inovador, não tinha teto ou vidros – nem sequer o dianteiro -, limitando a dona a usá-lo apenas nos dias apropriados, não era apenas um automóvel, era um símbolo, um típico brinquedo dos poderosos.

A majestosa joia pertencia a Valentina Carvajal, um presente que ganhou de seu tio León no mês de fevereiro, a maior das surpresas. Ele o havia dado não apenas porque existia somente uma dúzia destas poderosas máquinas no mundo, mas também pelo que representava e pela mensagem que desejava transmitir a Valentina. O Aventador, como outros Lamborghinis, havia sido batizado em homenagem a um valente touro espanhol, um animal que León admirava e cuja tenacidade queria ver recriada em sua sobrinha.

Seu recente adquirido brinquedo a esperava no estacionamento do Adour.

"Esta noite nos vemos no Webster Hall". – Informou Guillermo antes de sentar-se nos elegantes bancos de couro de seu Lexus LF-A Concept prateado — "Vou me trocar no escritório". — Adicionou enquanto ligava o carro.

"Está bem". – Concordou Valentina. "Nos vemos lá, qualquer mudança de planos, me avise, por favor".

Apoiou sua mão direita sobre a porta do Lamborghini e, com a graça entrou em um salto no automóvel acomodando-se ao volante em um movimento fluido.

"León tem um infarto se vir você fazendo isso". — Brincou Guillermo entre risadas, conforme dirigia em direção à saída.

Valentina ligou o carro e rugiu o motor com força fazendo eco no estacionamento, do comando do volante ligou o som e um rítmico baixo elétrico interrompeu o silêncio, notas eletrônicas dançando acompanhadas por guitarras agudas ensurdeceram o ambiente e uma melódica voz ressoou entre as paredes de concreto, advertindo de não chegar perto demais, não conquistar nada até estar seguro de poder assumir o perigoso desafio dos lugares inundados de pânico.

Valentina sorriu, lambeu os lábios e por puro capricho, com o comando do cambio no neutro, pisou no acelerador fazendo rugir seu bebê Scarlat.

**********

Juliana andava lentamente, dando tempo para que Corona a alcançasse, e enquanto se aproximava de seu automóvel onde Beltrán a esperava, escutou a música que ressoava no lugar, além do incômodo som do escandaloso motor. Franzindo a testa, ignorou o ruído retumbante, perdida em seus próprios pensamentos, planejando mentalmente cada movimento que daria em alguns minutos quando se encontrasse com Johny.

Respirou fundo preparando-se para iniciar o espetáculo e numa fração de segundos seu coração se deteve, paralisando todos seus reflexos, suas pupilas se dilataram aterrorizadas ao ver um desportivo vermelho se precipitava sobre ela, não conseguiu nada além de fechar os olhos e esperar o golpe.

Tudo aconteceu muito rápido. O som dos pneus ao frear bruscamente e ranger com estridência, o grito de Beltrán abafado pela música alta e seu coração batendo violentamente contra seu peito. Com o ar escapando por sua boca, abriu os olhos e deu de cara com um rosto impassível por trás de lentes Ray Ban Aviador. A mulher se mostrava inalterada com a mandíbula tensionada enquanto Mathew Bellamy gritava que o fogo estava em seus olhos.

De repente, a música foi pausada, o carro deixou de ronronar e tudo foi possuído pelo desconcertante silêncio. Beltrán havia ficado petrificado, Juliana tão pouco conseguia mover-se, estava colada no lugar, detida pelo pânico enquanto tremia dos pés a cabeça. Seus olhos estavam congelados na mulher a sua frente e o medo se mesclou com algo desconhecido secando sua boca, fazendo sua respiração ficar pesada, o terror anterior havia sido desprezado pelas sensações perturbadoras entre seu peito e seu ventre, um estremecimento nascido diretamente do bronzeado e esculpido rosto que, mesmo sob as lentes, dedicava-lhe um olhar imóvel, poderoso e asfixiante.

"Juliana!" – Gritou correndo. "Você está bem? O que aconteceu?". – Johny lhe perguntou tirando-a da sua bolha de pânico e excitação em que se encontrava.

"Nada..." Piscou várias vezes e o desconcerto e a confusão se transformaram numa ira feroz. – "Nada, apenas essa imbecil que quase me atropelou!". – Gritou enfurecida e golpeou com força desmedida o capô do Lamborghini, estava aborrecida e o coração batendo errado. A mulher continuou imóvel, apenas por brevíssimos segundos a viu retorcer as mãos sobre o volante.

Para sua total surpresa, a endemoniada música voltou a estremecer o estacionamento e o motor do carro rugiu novamente.

"Quem você pensa que é?". – Voltou a golpear o capô e uma aguda dor subiu desde seu pulso até seu cotovelo. "Não tem a decência de sair daí?". – Gritou sentindo o rosto esquentar pela raiva.

A irritante mulher sacudiu a mão lhe pedindo em silêncio que saísse de seu caminho. Suas mãos tremeram enfurecidas, queria quebrar a cara dela em pedaços.

"E se eu não sair daqui?!" — Gritou mais uma vez — Vai passar por cima?

"Juliana, fica calma". – Johny tentou acalmá-la. "Já passou, deixa as coisas assim, é evidente que é mais uma estupida mimada que gasta a fortuna de seus pais". – Segurou-a pelo braço e ela sacudiu-se para se soltar. Furiosa, golpeou novamente o carro sem se importar com a dor aguda em sua mão.

A mulher moveu ligeiramente a cabeça, como se deixasse de olhá-la para ver Corona, era impossível ter certeza de que ou quem a olhava através daquelas lentes que brilhavam como espelho. E antes de que ela voltasse a golpear o carro, a mulher moveu a marcha e o veículo deslocou-se fazendo-a se desequilibrar alguns passos para trás.

"Quem essa idiota pensa que é?" – Beltrán saiu de sua letargia e em três passadas largas colocou-se do lado da porta da arrogante mulher.

Beltrán estalou os dedos disposto a arrancá-la do carro pelo pescoço, mas antes que pudesse fazer algum movimento, duas caminhonetes pretas e blindadas saíram praticamente do nada, estacionando bruscamente atrás do Lamborghini. Dois homens tão altos como Beltrán saíram sem aviso e, dentro, outros dois sujeitos do mesmo tamanho continuavam ao volante dos veículos intimidadores.

"Está bem..." — Bufou Juliana temendo pela segurança de seu amigo — "Vamos, Beltrán". — Puxou-o por um dos braços e direcionou um olhar fulminante a desconhecida, jurando que as coisas não ficariam assim.

Johny a tomou pelo pulso aproximando-se dela e Juliana abriu a boca contendo um gemido.

"Tem certeza de que está bem, Juliana?" — Perguntou lhe acariciando a bochecha.

Nesse momento o Lamborghini arrancou a uma velocidade que, com certeza, não era permitida dentro do estacionamento deixando no ambiente a vibração do motor, as notas de rock alternativo e um maldito sabor de derrota que ela jamais havia conhecido. 

**********

AUTORA LILY PEROZO – AUTORA DA HISTÓRIA

ADAPTADA POR AAMJV1998

TRADUZIDA POR ESILENCIOOO e @LetrassLivress

 



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