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História Dogwalk - Capítulo 2


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Notas do Autor


Boa leitura! Espero que gostem!

Capítulo 2 - Caminhada numa manhã de Sábado


Era sábado pela manhã quando fui acordado com um certo peso nas costas, me empurrando sutilmente como se quisesse me chamar para fazer algo. Já havia me esquecido de meu compromisso de todos os sábados: Levar Marley para passear, coisa que ele adorava e nem sempre eu podia fazer graças ao trabalho. Quase sempre chegava cansado em casa com uma pilha de projetos para executar, e ele parecia entender aquilo perfeitamente.

- Wow, calma aí garotão... só mais dez minutinhos vai... - Disse com uma voz um tanto arrastada enquanto ouvia Marley dar indícios de que iria começar a latir, me levando a ficar sentado sobre o colchão quase que imediatamente. O relógio digital em minha cabeceira indicava dez da manhã, e ao olhar pela janela pude ver a brisa suave da manhã balançar as persianas de meu quarto enquanto os raios solares moldavam-se sobre o piso de mármore branco.

Ao pegar meu celular, pude ver algumas poucas mensagens como o habitual mas optei por responder apenas minha mãe, que havia me ligado algumas vezes mais cedo. Disquei seu número e logo coloquei o aparelho sobre minha orelha direita, erguendo-me da cama e começando a caminhar pelo tapete que cobria o centro do cômodo enquanto aguardava Dona Dina atender à minha chamada.

Já pararam para pensar como é estranho essa mania que tanta gente tem de ficar andando em círculos enquanto fala ao telefone? Por que não simplesmente ficar parado e focar em ter uma conversa de maneira normal e civilizada?

Fui despertado de meus pensamentos quando ouvi a radiante voz de minha mãe do outro lado da linha telefônica. Achava impressionante o modo como ela conseguia sempre ser amável, ainda que em plenas dez da manhã de um sábado.

- Oi mãe. - Disse em meu habitual tom de voz calmo e neutro.

- Meu filho! Que saudades eu estou sentindo de você! Como estás!?

Afastei um pouco meu telefone de minha orelha devido à empolgação de minha mãe ao ouvir minha voz e olhei meu reflexo no grande espelho do quarto, passando meus dedos entre meus fios loiros que já estavam quase batendo em meus ombros.

- Estou bem, e a senhora? Como vem passado?

- Oh estou bem também querido? Já levou o Marley para passear?

Outra coisa que havia me esquecido completamente de mencionar: Minha mãe é toda babona pelo Marley, me pede fotos dele todos os dias sem exceção e sempre me manda brinquedinhos de borracha para ele pelos correios. Se ela era daquele jeito com meu bichinho de estimação eu não queria nem imaginar como seria quando tivesse netos.

- Ainda não, acabei de acordar e vou sair com ele assim que me arrumar e tomar café.

- Ah sim! Bom, quase estava me esquecendo o motivo pelo qual te liguei mais cedo filho. - Pude ouvir alguns de seus dedos magros deslizarem por seus fios dourados que certamente cobriam sua orelha, pois o som de chiado próximo à entrada de som do aparelho de minha mãe se fez presente numa intensidade não muito forte. Assim como eu, ela havia o costume de fazer isso toda vez que estava pensativa ou concentrada.

- Sim? - Perguntei um pouco curioso acerca do que ela estava pensando em me dizer.

- Haverá uma grande reunião com todos da família Fritz aí! Infelizmente não poderei ir mas queria muito que fosse por mim meu filho! - Seu tom de voz doce e delicado mascarava quase que uma exigência para que eu comparecesse ao tal evento mencionado. Como eu sei disso? Conheço Dona Dina Fritz há 26 anos, e sei melhor que ninguém que aquele jeito meiguinho e delicado dela é a ponta do iceberg de uma mulher tão brava quanto uma leoa.

Vocês devem estar lendo isso e me chamando e louco por minha mãe sempre ser um doce de pessoa com todo mundo. Ah querido leitor, vocês precisam ver esses 1,68 de pura meiguice quando brava e contrariada, até o satanás tem medo.

Instintivamente dei um sorriso amarelo e voltei os olhos para Marley, que parecia entretido demais em brincar de rolar no tapete para me dar atenção. Sendo bem sincero, não queria nem um pouco comparecer àquela reunião familiar, até porque faziam mais de vinte anos que não via aqueles que iriam estar lá.

- Mãe, é que... - Tentei argumentar mas logo a mais velha interrompeu meu raciocínio.

- Ah filho, pode levar seu irmão se ele quiser ir! Sei que não tem muita proximidade com o pessoal de minha família mas queria muito que fosse ver sua bisavó Maria... ela gostava tanto de você quando era pequeninho filho e... como fui criada por ela queria muito que estivesse lá por mim... - O tom de voz de minha mãe deixou de ser animado e feliz como o usual e ganhou um ar mais melancólico e baixo. Meus avós, pais de minha mãe, morreram em um acidente de avião quando ela ainda era muito pequena o que a fez ser criada por sua avó, pessoa cuja era extremamente apegada. Infelizmente acabou saindo da casa dela quando tinha dezessete anos, já que havia passado em primeiro lugar numa renomada universidade no estado em que vive até hoje.

Ah, quase esqueci de falar de meu meio-irmão. Eren é fruto do segundo casamento de meu pai, sete anos mais novo que eu e está cursando direito. Desde que passei a morar na mesma cidade que ele nós dois nos aproximamos muito, apesar de discutirmos por literalmente qualquer coisa devido ao pavio inexistente dele. Ainda assim, não consigo me imaginar sem aquele pirralho.

Soltei todo o ar de meus pulmões ao ouvir a declaração da mais velha. Não havia como negar aquilo à ela, pois eu não seria desumano o bastante ao ponto de decepcioná-la daquele jeito.

- Tudo bem mãe, eu vou.

- Eba! Espero que se divirta lá e socialize com seus primos mais distantes! Você tem muitos com idades semelhantes à sua! Agora vai lá com o Marley que ele deve estar ansioso para sair e não esquece de me mandar foto dele mais tarde sim? Te amo filho!

- Também te amo, mãe.

Assim que a ligação foi encerrada, olhei para o teto e soltei todo o ar que inflava meus pulmões. Agora eu teria uma festa para ir e eu de verdade não estava nem um pouco afim, só faria aquilo porque se trata de minha mãe.

Não demorou nem dois minutos para que ela me mandasse a hora, data e local onde ocorreria a tal recepção, o que me fez enviar uma mensagem para Eren praticamente exigindo que ele fosse comigo por estar me devendo um grande favor. Ceder meu apartamento de motel para meu irmãozinho tem suas vantagens.

Rumei ao banheiro e tomei um banho rápido, logo vestindo bermudas confortáveis e uma camiseta lisa branca. Enquanto secava meus cabelos loiros completamente molhados, fui seguido por Marley até a área de serviço, onde estendi minha toalha e peguei seu saco de ração favorita para pôr em seu pote.

Enquanto preparava o café forte como gostava, Marley se deliciava com sua ração comendo-a como se sua vida dependesse daquilo.

- Calma aí garotão, se você quiser te dou mais. - Afirmei enquanto servia um pouco do líquido borbulhante em minha caneca do chewbacca, logo levando o recipiente à meus lábios e soprando-o sutilmente na esperança do mesmo esfriar logo. Infelizmente, acabei queimando minha língua no processo, coisa que já era comum devido ao meu vício na bebida desde o meu ensino médio. Ah, vão dizer que nunca se entupiram de café para virar a noite estudando para uma prova cuja vocês não entendiam bulhufas do assunto? Pois eu fazia isso direto.

Não me prolonguei muito tomando café e após escovar os dentes coloquei a coleirinha em Marley e segui andando com ele pelas ruas. Era engraçado que toda vez que usava o elevador de meu prédio na companhia dele, alguém entrava e o elogiava. Pior era que ele parecia entender a fala dirigida à si, pois ficava pondo a língua para fora e respirando de forma ofegante. Por sorte, naquela manhã não havíamos encontrado ninguém.

Passando pela portaria, cumprimentei Pixis, o porteiro de meu prédio que em plenas dez e quarenta da manhã já estava tomando um latão de cerveja. Sei que beber no trabalho não é permitido mas o estranho seria se o Pixis não bebesse.

Fui caminhando com Marley em direção à um grande parque situado a cerca de uma quadra de onde eu morava. O sol estava quente mas o leve vento frio parecia amenizar o calor excessivo por ele emanado, o que era maravilhoso para mim que odiava quando o tempo estava excessivamente quente.

Adentrei o parque junto à Marley e passei a caminhar com meu animalzinho pela asfaltada trilha de caminhada do mesmo, notei que o ambiente rico em áreas verdes e geralmente muito frequentado por pessoas de todas as idades nos fins de semana estava bem mais vazio que o usual, havendo apenas poucas pessoas correndo, andando de bicicleta, patins, skate... e lógico, a galera natureba que curte yoga. Sério, já tentei fazer esse negócio mais de dez vezes e sempre dá errado, deve ser porque sou inquieto demais para um esporte que exija tanta calma. Como aquelas pessoas conseguem fazer aquelas posições tão estranhas? Eles não têm coluna ou algo do gênero?

Enfim, estou desviando da história mais uma vez. Perdão caro leitor mas meu foco às vezes é bem difuso.

Enquanto caminhava com Marley, coloquei uma playlist aleatória em meus fones para ver se o tempo passava mais rápido e meus pensamentos fluíam enquanto realizava aquele trajeto. Deixei que meu amigo de quatro patas me guiasse para onde quer que ele quisesse ir e foquei meus olhos na paisagem abundantemente verde do local, mas ainda assim com fortes traços de urbanização da mesma. Como engenheiro, fiquei questionando o quão bem pensado fora a obra daquele ambiente para ter se obtido um resultado tão fenomenal. 

Acabei pausando meus fones ao ver que Marley estava parado à bem mais tempo que geralmente fica para fazer suas necessidades, então logo me dei conta do que estava acontecendo. Havia um outro golden retriever em sua frente, cujo estava cheirando meu cão e logo notei que os dois pareciam se entender bem. Pela coleira lilás com um pingente prateado em formato de coração com a letra "P" cravada bem no centro do mesmo, rapidamente deduzi se tratar de uma fêmea. Se havia coleira, isso queria dizer que aquela cadelinha possuía um dono mas... por que estava sozinha?

Não demorou nem dois minutos para que um ser de pele tão branca quanto neve e cabelos negros como a noite surgisse em meu campo de visão, abaixando-se na altura do cão que não era meu e abraçando-o. Era uma mulher, trajava um leve vestido branco com algumas pequenas flores azuis bebê estampadas no mesmo cujo as alças finas caíam bem em seus ombros magros.

Quando a mesma levantou-se, tomando a coleira do animal, meus olhos chegaram à arregalar-se e minha boca entreabrir levemente em surpresa devido ao que via. A jovem mulher de cerca de um e sessenta não deveria passar dos vinte e cinco anos, seu rosto era fino e delicado, com bochechas coradas e um nariz tão fino e arrebitado que mais parecia ter sido esculpido por um artista, sem contar com seus grandes olhos em um tom de azul tão vivo que se assemelhava à cor dos céus em seus dias mais quentes. Ela também pareceu ficar um pouco surpresa ao me ver, dando um passo para trás e logo soltando todo o ar de seus pulmões ao deixar seus ombros mais relaxados.

- E-Er.... você achou a Paradis! Obrigada! - Pronunciou com sua melodiosa voz, acompanhada de um sorriso. E que sorriso viu! Aqueles dentes brancos como pérolas e tão bem alinhados eram simplesmente perfeitos.

- Não deveria me agradecer, ele que a achou. - Me referi à Marley e logo pude ver a morena abaixando-se até ele e afagando sua cabeça com suas pequenas mãos. Ainda assim, o golden retriever parecia estar entretido demais com o outro ser de sua mesma espécie para dar atenção àquela moça.

- Muito obrigada Marley! Se não fosse você eu jamais encontraria minha Paradis! - Disse com um sorriso meigo para o animalzinho e logo levantou-se, voltando a me encarar. Ao fixar meus olhos naquela figura feminina tão delicada, eu parecia ver uma aura pura adorna-lhe, emanando uma energia pacífica e positiva para mim. - Parece que os dois se deram bem!

- É, verdade. - Arqueei o canto esquerdo dos lábios para ela.

- Bom, eu preciso ir. Foi um prazer conhecê-los! - A jovem disse, acenando levemente para mim e para Marley e logo seguindo seu caminho pelo parque na companhia de sua cadela. E eu? Eu fiquei lá parado, completamente estático com o que havia acabado de acontecer. Sem sombra de dúvidas havia visto uma das mulheres mais bonitas de toda a minha vida e nem sequer sabia seu nome.

Sabe aqueles crushs que você tem no ônibus que você sabe que nunca mais vai vê-lo em toda a sua vida e sua relação com a pessoa não passa de meros olhares e logo você o esquece? Pronto, eu poderia jurar que aquela seria minha relação com aquela mulher misteriosa com uma golden retriever chamada Paradis, então acabei não dando muita importância ao que aconteceu e segui com minha caminhada naquele dia.

Mas não foi bem isso que aconteceu. 


Notas Finais


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