História Dois lados (Camren) - Capítulo 3


Escrita por:

Postado
Categorias Camila Cabello, Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Allyson Brooke, Camila Cabello, Camren, Dinah Jane, Dois Lados, Fic Camren, Fifth Harmony, Lauren Jauregui, Normani Kordei
Visualizações 327
Palavras 4.664
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, FemmeSlash, Ficção Adolescente, LGBT, Literatura Feminina, Orange, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Ouçam River - Bishop Briggs
Demons - Imagine Dragons
Ao decorrer da leitura

Paz no coração e vamos lá.

Capítulo 3 - Eu odeio você


Fanfic / Fanfiction Dois lados (Camren) - Capítulo 3 - Eu odeio você

O despertador assustou a latina que se virou emburrada para o lado, ela se espreguiçou e abriu os olhos, os raios de sol adentraram o quarto pela persiana fechada. Ela se levantou e espiou pela janela, a maldita câmera ainda estava direcionada a sua janela. Bufou entrando no banheiro e tirando a roupa.


O banho foi rápido e ela saiu enrolada na toalha, abriu totalmente a persiana e não se importou em desfilar pelo quarto somente de lingerie, se Lauren Jauregui queria desafiá-la, ela mostraria que não tinha medo de uma porcaria de câmera, mesmo que suas imagens pudessem ir parar em algum site pervertido.


Colocou uma camiseta branca com uma estampa básica e arrumou o cabelo em forma de duas orelhas, a camisa xadrez amarrada na cintura completava o look, pegou a bolsa e uma jaqueta jeans, está gelado para um dia de verão. Seus pais estavam tomando café e ela se limitou a tomar uma xícara de leite puro, abriu a porta de casa e colocou os óculos de sol. Dinah que morava na rua de trás estava a sua espera na calçada e sorria largo para a amiga.


-Bom dia, Chancho - disse animada e Camila não entendia como alguém podia estar tão animada logo pela manhã. Quando ela só desejava dormir até o meio dia.


-Péssimo dia, DJ - apontou para a janela de Lauren - Está vendo aquilo? Estou em algum tipo de reality show maluco, do Arizona para o mundo - disse fazendo com a mão uma faixa imaginária e Dinah revirou os olhos pelo drama.


-Aquela é a câmera? - disse com desdém e a latina assentiu - Camila, me poupe, aquilo é mais velho que a minha avó, aposto que ela está rindo de você até agora, nem deve funcionar.


Camila cerrou os olhos pensando sobre e a porta da frente se abriu. Lauren saia com sua postura inabalável, ela as encarou e Dinah sorriu simpaticamente acenando, ela franziu o cenho. O pai da garota estava parado a porta.


-Como vai, senhor J? - a maior disse educada e Michael apenas sorriu.


-Bem, Dinah e você? Bom dia, Camila - Lauren revirou os olhos, simpatia exagerada para o início da sua manhã - Lauren, o jantar é às sete, chegue cedo.


Ela quis rir alto, e a regra das seis?


-Estou ansiosa pelo sanduíche da Beth, uhul - fingiu animação e encarou as garotas, Camila a olhava com desprezo, o homem negou fechando a porta, a filha estava cada dia mais arredia. Não sabia mais o que fazer para mudar aquilo - Querem uma carona? - perguntou olhando para elas.


-Não!


-Claro!


Responderam juntas e Camila queria jogar Dinah na frente do primeiro carro, a olhou brava e ela empurrou a amiga sem delicadeza em direção a caminhonete de Lauren.


Fez a latina entrar primeiro ficando na porta, Camila respirava fundo e Lauren parecia se divertir com isso, olhou a garota de cima a baixo e sorriu, ela estava diferente hoje, não parecia mais uma caipira.


-E então, Lauren, está gostando da cidade? - começou casualmente, Lauren riu anasalado achando graça daquilo.


-Meu sonho de vida morar aqui..? - disse dando espaço para Dinah dizer seu nome.


-Dinah Jane, Dinah. - repetiu pausadamente e Lauren assentiu - Mas pode me chamar de DJ - Camila cerrou os olhos, somente os amigos a chamavam assim - E essa criatura que fala pelos cotovelos é a Chancho - Lauren encarou Camila meio assustada, que tipo de nome era aquele?


-Meu nome é Camila - explicou emburrada.


-Na verdade.. é Karla Camila - a latina atingiu a amiga com uma cotovelada, detestava o primeiro nome - Kaki para os íntimos - riu e Camila estava a ponto de jogar a garota do carro em movimento.


-Meu Deus, Hansen, cala a boca! - Lauren parou o carro decidindo não se meter na breve discussão, mas se divertindo com a mesma, havia gostado de Dinah, ela era leve e divertida, elas a olharam com uma interrogação nítida na cara.


-Eu já volto, vou comprar um café - Camila fez uma careta, não gostava de café e nem entendia como alguém tomava aquilo.


A garota saiu do carro e Camila se virou ameaçadora para a amiga.


-Se você falar mais alguma coisa pra essa garota, eu juro por deus, DJ.. eu te jogo desse carro - a maior levantou a mão com uma cara inocente e Camila fechou a cara, era óbvio que ela iria dizer algo, era a Dinah ali e ela a conhecia bem.


-Eu achei ela bem simpática - Lauren estava no caixa pagando o café, Camila olhou para ela que sorria - Gostei dela.


-Vai se ferrar, DJ, você trocou duas palavras com ela - a latina disse baixo, Lauren voltava para o carro e ela se calou.


A garota tomou um longo gole de café e gemeu em satisfação, ou aquele café estava muito bom, ou ela estava realmente precisando daquilo, Dinah arqueou a sobrancelha sussurrando um “Sexy” que Camila fez questão de ignorar.


-Você mora há muito tempo aqui, DJ? - ela estava realmente interessada.


Dinah se ajeitou no branco.


-Eu e a Mila nascemos aqui praticamente, Camila é latina e eu polinésia.. - mesmo Lauren ignorando completamente a presença da garota, Dinah fazia questão de incluí-la ao assunto - Mas já nascemos com a bota nos pés - disse rindo e Lauren soltou a primeira risada sincera do dia.


A risada era quase infantil, rouca e sincera, Camila a olhou e ela tinha os olhos fechadinhos ao rir, era até fofo, desviou os olhos quando Lauren virou para o lado.


-Acho que eu também - disse levantando o pé e mostrando o coturno. Ela estava com uma calça jeans rasgada e uma camiseta preta, o casaco por cima era largo, ela estava largada e ainda assim continuava linda - Entregues e vivas - disse ao chegarem.


Dinah riu e abriu a porta, todos as olhavam curiosos.


-Nossos minutos de fama chegaram, Mila - Lauren tirou o casaco e jogou o cabelo em seguida, saltou do carro sem deixar de encarar a latina saindo do mesmo, ela estava séria e aquilo só a instigava mais - Obrigada pela carona.


-Sempre que precisar - Lauren respondeu educada andando em direção a Veronica que estava parada na entrada com algumas garotas, aparentemente ela era melhor em fazer amigos do que ela.


Camila suspirou mais uma vez, estava irritada com a amiga e suas atitudes.


-Ei, Jauregui - Lauren olhou para trás - Nossa mesa é a dos fundos, no almoço - explicou devido a cara de dúvida que Lauren fazia, ela sorriu e acenou.


-Eu desisto de você!


Camila passou pela entrada negando com a cabeça, deixando Dinah para trás, ela não tinha noção mesmo.


Lauren ficou olhando as garotas entrarem, alguns garotos olhavam para elas com caras convencidas e nojentas, viu o momento que um garoto colocou o braço sobre o ombro de Camila e beijou a bochecha dela. Desviou os olhos para a garota a sua frente, ela estava sozinha agora.


Veronica cerrou os olhos e olhou na mesma direção que ela olhava antes.


-Hummmm.. eu sinto esse cheiro daqui - disse encenando e Lauren fez uma careta.


-Que cheiro? - disse confusa olhando para os lados. Não sentia cheiro nenhum.


-Esse cheiro de couro, sapatão - respondeu sacudindo a sobrancelha e se divertindo com a cara de brava que Lauren fazia. Veronica era ótima e Lauren tinha adorado conhecer a garota, mesmo que não dissesse isso.


-Você é ridícula, Veronica!


-É, mas eu sou sagaz também, achou mesmo que poderia esconder isso de outra sapa? - riu divertida e Lauren adentrou o colégio sem olhar para ninguém - Eu esqueci de pegar o seu número ontem - mudou de assunto, Lauren não ia falar nada sobre a sua sexualidade mesmo. Mas também não negou, e isso bastava.


-Eu não tenho mais celular - contou -  Castigo.. se mudar para o mato, lembra? - Veronica abriu a boca meio chocada. Não achava que fosse tão rígido assim.


-Computador? - indagou esperançosa e Lauren negou - Credo, seu pai é-


-Militar - completou comprimindo os lábios e encarando o corredor repleto de gente a olhando - Chato, cheio de regras, antiquado, eu posso continuar..


-Acho que entendi - respondeu pensando em algo e logo sua mente se iluminou - Seu castigo inclui não sair de casa?


-Com certeza inclui - bufou - Por quê? - se virou olhando para a garota que tinha um sorriso malicioso nos lábios, Lauren conhecia bem aquela cara, usava muito e via muito em Lucy, sua amiga de farra em Miami.


Veronica abriu o armário pegando alguns livros. E sorrindo de lado.


Lauren avistou a garota da biblioteca, ela sorriu de lado ao passar por elas.


-Porque tem uma festa na sexta, eu tenho um carro, permissão para ir e só preciso de uma boa companhia - explicava fechando o armário, se virou para Lauren - E também tenho uma identidade falsa, posso conseguir uma pra você..


A garota olhou para ela como se ela fosse iniciante nesse mundo, Lauren pegou a bolsa e tirou de lá sua própria identidade falsificada, colocou em frente ao rosto de Veronica que riu.


-Acha que está lidando com quem, Iglesias!? - riu guardando o documento - Estava com saudade de quebrar algumas regras, você me pega às dez.


-Vai pular a janela? - perguntou curiosa e Lauren negou como se aquilo fosse loucura.


-Se é pra sair, que seja pela porta da frente!


As sextas Michael assistia jogo na tv e sempre acabava dormindo no sofá da sala, aquilo seria fácil como roubar doce de uma criança. Lauren se animou, a adrenalina fazia seu corpo funcionar, queria dirigir em alta velocidade, mas seu carro não passava de 80 km/h. Queria beber um bom whisky, mas seu pai não tinha nenhum tipo de bebida em casa, queria fazer qualquer coisa que a deixasse mais próxima de si mesma, mas ali não conseguia, era como cair aos poucos e deixar seus pedaços pelo caminho.


De uma forma ou de outra, Lauren se obrigava a mudar e se adequar a sua nova vida e isso era péssimo, ninguém entendia que a garota só queria ser livre e não viver em uma jaula disfarçada de lar.


Jack, o marido da sua mãe, sugeriu que ela fosse para a Europa, mas Michael mais uma vez acabava com a sua vida arrastando a garota para aquele fim de mundo. Foi difícil pra ele, ver a filha chamando outro homem de pai, sendo tudo que ela não era com ele, por isso ele insistiu tanto em levá-la e pela primeira vez, Clara não se opôs, mesmo que temesse isso, Mike era o pai e tinha esse direito.


Lauren revirava o suco sentada no refeitório, via Dinah e Camila sentadas do outro lado, mas elas não estavam só, decidiu ficar com Veronica ali. O problema era que seus olhos insistiam em encarar a latina que sorria de uma forma fofa.


-Eu não acredito que tá afim justo dela - Lauren desviou os olhos e os pousou em Veronica que negava com a cabeça - Ela não é o tipo de garota.. pra você.. - disse cautelosamente e Lauren arqueou a sobrancelha.


-Por que diz isso? - colocou as mãos juntas e sorriu falsamente para a garota - Qual seria o meu tipo segundo você? - disse debochada.


-Primeiro porque a fila de garotos atrás dela é enorme, ela é toda perfeitinha, presidente do Grêmio e.. - disse levantando o dedo - Ela vai à igreja aos domingos - decretou fazendo Lauren rir baixo.


Ela não acreditava em estereótipos, sempre acreditava ter algo mais e tinha, com certeza a latina tinha, ela só não sabia o que.


-Perfeita demais.. até parece falso - disse olhando diretamente para Veronica que arqueou a sobrancelha.


-O que quer dizer? - indagou.


-Que eu vou descobrir o lado podre dessa garota, afinal todos temos um e quando você é assim - indicou com a cabeça - A coisa tende a ser bem surpreendente.


-Você é louca - riram e ela deu os ombros.


-Talvez, ou talvez eu seja a mais lúcida desse lugar todo.


Camila ouvia sem muito ânimo Cold contar sobre o jogo passado, achava aquilo um saco, mas sorria falsamente. Dinah fazia gestos com a mão simulando vômito e ela segurava a risada.


-Sou o mais rápido do time - dizia orgulhoso - E ainda fiz o ponto da vitória.


Ela não entendia nada de futebol, sua cabeça estava longe e ela não pretendia entender de qualquer forma.


-Oh, incrível, Cold - disse animada - Eu preciso ir até a sala de música resolver umas coisas do grêmio com a DJ - mentiu - Nos vemos depois - ele abriu a boca para protestar, mas a garota já estava longe grudada em Dinah. Estava desde o outro ano tentando algo com ela e nada, nenhum charme parecia suficiente para ela - Céus! Ele é muito chato - disse no corredor, rumavam para o auditório de teatro.


Dinah concordou freneticamente.


-Dispensa logo ele - disse pela milésima vez e ela negou.


Entraram olhando para os lados ali, não havia ninguém no corredor, pelo menos não alguém que elas vissem, Lauren franziu o cenho olhando as garotas entrando ali.


-Ainda não - disse retirando a jaqueta e a blusa que estava amarrada na cintura e jogando no chão do palco. Treinava seus passos de dança ali, era sossegado e ninguém entrava no local sem uma apresentação, era perfeito e acústico - Coloca River - pediu se aquecendo no palco e a amiga fez o mesmo subindo em seguida.


A melodia soou arrepiando o corpo da latina, ela amava dançar e essa música era como eletricidade para seu corpo.


Lauren entrou silenciosamente e se encostou na porta, elas estavam distraídas no palco. Aproveitou para ir até a última fileira e se sentou camuflada pela escuridão.


Seu queixo foi ao chão olhando as garotas, elas dançavam sensualmente e em uma sincronia assustadora. Não era como líderes de torcida, era muito além, o olhar de Camila mudava, ela olhava para a platéia vazia como se estivesse seduzindo fantasmas e a garota tinha certeza que todos estavam hipnotizados assim como ela estava.


Ela não conseguia sequer piscar, era como perder segundos preciosos de um belo espetáculo.


-Eu sabia que tinha algo - disse a si mesma.


Camila deslizava pelo palco e sorria de uma forma sacana para Dinah. O corpo dela se movia agilmente, conhecia cada passo daquela coreografia e conhecia também aquele palco como a palma da sua mão.


-Está perfeito - Dinah disse secando o suor da testa e prendendo o cabelo em um coque alto.


Camila ajeitava o cabelo respirando fundo.


-Mas vamos ensaiando todos os dias até sexta - avisou e Dinah concordou, sabia que a garota era muito paranóica e tudo tinha que realmente sair perfeito - Precisamos ir. - olhou no celular e pegou os casacos.


Lauren se encolheu no branco escondendo o cabelo que era o que a denunciaria ali, as garotas saíram apressadas e ela esperou alguns segundos para andar até a porta, temia ficar trancada ali.


-Até que enfim achei vocês - Camila estava parada do lado de fora e se assustou com a voz da garota, ela andava graciosamente em direção a ela.


-Aqui não, Keana - Dinah avisou e ela ignorou se aproximando da latina que mordia o lábio encarando a garota - Droga, alguém pode ver.


-Isso torna tudo mais interessante - disse antes de selar os lábios de Camila em um beijo leve, mas intenso, a garota enfiou a mão por entre os fios de cabelo dela, a língua se movia em sincronia e seu corpo logo foi encostado bruscamente na parede.


Camila soltou um gemido baixo e sorriu.


-Não faz isso - disse empurrando a garota e ajeitando a roupa, sua boca estava vermelha, Dinah as encarava com tédio - Alguém pode ver essa merda.


-É.. temos uma reputação a manter, Ke.. - disse andando lada a lado com Camila e ela.


Lauren colocou a cabeça no corredor surpresa pelo que viu, não havia mais ninguém ali. A coisa só melhorava, quantas coisas mais Camila escondia?


-A reputação de vocês está intacta - garantiu sorrindo e dobrando o corredor em outra direção, tinham aulas opostas - Mila? - disse andando de costas - Te espero na minha casa hoje.


Camila negou e recebeu uma piscadela em resposta. A garota sabia que ela iria mesmo negando.


Dinah puxou a latina para a próxima aula, entraram segundos antes do professor, um coroa bravo que não tolerava atrasos.


Sentaram-se no local de sempre e o homem começou a aula, explicava sobre a segunda guerra mundial quando a porta se abriu, os olhares se voltaram a garota de cabelos platinados parada a porta.


-Com licença, eu posso entrar? - perguntou educada e o homem assentiu com cara feia.


-Não toleramos atrasos aqui, senhorita Jauregui - disse em forma de aviso e ela revirou os olhos indo para o fundo da sala.


-Vocês não toleram nada e isso não impede que aconteçam.


-O que disse? - o homem perguntou alto e ela se virou sorrindo, tinha dito baixo.


-Que história é a minha matéria favorita - disse irônica e ele apertou o maxilar, sabia da fama dela.


Ele ficou quieto e ela seguiu sentando ao fundo, Seu olhar pousou em Camila e ela analisou a garota com expressão doce. Quem iria imaginar?


A latina olhou por cima do ombro e viu Lauren escrevendo algo, parecia ser o mesmo caderno da outra noite.


Ela tinha uma expressão concentrada e o cenho franzido, era atraente.


Ninguém podia negar isso.


Os garotos a olhavam muito e Camila revirou os olhos, eles eram uns idiotas.


-Odeia né!? Aham - Dinah disse acusativa e ela se virou para a frente.


Ela não disse nada, preferia não entrar nesse mérito.


[...]


A mesa estava posta com o jantar nela, Lauren desceu as escadas praticamente obrigada.


-Você pediu isso em algum lugar? - disse ao sentar-se à mesa com o pai.


Ele negou colocando habilmente um pedaço do bolo de carne para ele e Lauren o parou antes que ele pudesse fazer o mesmo com ela.


-Você não vai comer? - perguntou confuso e ela suspirou.


-Eu sou vegetariana, pai!


Ele abriu a boca confuso e um pouco envergonhado.


-Desde quando?


-Desde os meus doze anos - disse rindo anasalado, seria cômico se não fosse trágico o pai não saber algo tão simples, mas tão importante assim - Mas é óbvio que você não sabia disso - acusou - Como poderia?


-Desculpa, filha.. eu realmente não sabia disso, mas eu posso preparar uma salada, algo assim - se levantou e ela fez o mesmo.


-Corta essa, papai - pegou o suco e se serviu - Eu já comi no quarto, obrigada. - mentiu - Vou tomar um ar no jardim - disse e não deu tempo dele contestar. Saiu pela varanda e se jogou na grama - Inacreditável! - disse emburrada.


Esticada ali naquele chão frio ela se lembrou da latina e sorriu, ouvia Demons do Imagine Dragons e não acreditava ainda que tinha visto aquilo.


Na confusão toda da sua vida, ela não via nenhum motivo para sorrir e agora estava ali sorrindo como uma boba pelo simples fato de saber que a garota não era o que parecia, assim como ela. Ninguém nunca é, as pessoas usam máscaras, de proteção ou por opção.


Não era uma garota insegura, era apenas magoada, e isso vinha de muito tempo.


A porta da varanda se abriu e a luz chamou a sua atenção, Camila saiu distraída carregando o lixo, Lauren acompanhou seus passos e ela estacou ao ver a garota ali.


-Jergi - disse naquele tom debochado e Lauren ignorou, aquilo não a afetava mais, não vindo dela - O seu passatempo é ficar deitada na grama olhando o céu!? - disse divertida e Lauren riu discretamente.


-O seu com certeza é me atrapalhar nisso - disse séria e Camila deu os ombros.


-Touché! - jogou o lixo e se debruçou na cerca - Você não parece tão assustadora daqui - disse pensativa e Lauren olhou nos olhos dela.


-Você parece muito atraente daqui de onde estou - disse quase em um sussurro e Camila endireitou a postura na mesma hora assustada e ela riu - Eu te deixei sem palavras, uau.


-Você é muito abusada mesmo, garota - disse brava voltando pra dentro.


-Isso torna tudo mais interessante - repetiu as palavras de Keana, a latina parou por um momento, mas entrou sacudindo a cabeça.


Ela não se tocou do que Lauren falava, mesmo que o cérebro a jogasse isso na sua cara.


[...]


Lauren abriu a porta do corredor e espiou, tudo quieto, saiu com o coturno nas mãos, pisando leve no assoalho de madeira.


Passava da meia noite e ela queria sair dali, não importavam as consequências disso, estava cansada daquela rotina isolada de tudo e todos.


Desceu as escadas devagar e ao chegar na porta, abriu cautelosamente saindo, respirou fundo soltando o ar aliviada. Tinha sido fácil demais.


A caminhonete fazia muito barulho e ela não conseguiria sair com ela sem acordar o bairro inteiro. Colocou o coturno e puxou a touca sobre o cabelo, usava um casaco comprido e isso ajudava no disfarce.


Queria apenas andar sem rumo, sozinha e sem hora pra voltar.


Seguiu o caminho oposto ao que usava para ir ao colégio, tinha uma velha praça ali, ela adentrou olhando para os lados e subiu na casinha onde ficava o escorregador, tirou o cigarro que estava escondido nas coisas dela desde que chegou e acendeu logo.


A fumaça entrando era como uma anestesia ao corpo, era uma morte lenta e prazerosa, fechou os olhos sentindo o êxtase que fumar causava. Sentia falta disso.


Deitou a cabeça sobre o braço e suspirou soltando a fumaça lentamente. Relaxou totalmente.


O barulho de pássaros fez a garota despertar, ela abriu os olhos minimamente e sentou assustada, já estava dia e ela estava ali, não sabia quanto tempo fazia, estava sem relógio e se praguejou por isso.


Que tipo de castigo ganharia agora?


Não poderia ficar sem mais nada, o pai já havia tirado tudo mesmo.


Desceu calma demais para alguém que estava na situação dela, e caminhou para casa, algumas pessoas a olhavam curiosas, suas roupas não eram muito comuns para o local.


Ao chegar em frente a casa, ela entrou com o ar arrogante no rosto e sem culpa alguma.


-Lauren! - Michael disse vindo até ela a passos largos, estava com o telefone na mão - Ela está aqui - disse e Lauren soube quem era - Depois conversamos, Clara.


Desligou sem paciência para a falação da mulher e encarou a garota com desgosto.


-O que foi? - disse quase ingenuamente e ele cerrou os olhos.


-Como você pôde fazer isso? Onde estava com a cabeça? - gritou e ela não se abalou - Onde estava?


-Olha, pai, talvez eu estivesse na minha cama uma hora dessas, se eu fosse uma garota normal e não uma prisioneira nesta casa - ele levantou o dedo apontando para ela - Eu não tenho nem a porra de um celular - disse alto.


-Olha essa boca - retrucou - Acha que fazendo tudo errado vai ter as coisas de volta? A vida não é assim, Lauren - respirou tentando manter a calma e ela riu sarcástica.


-Então me fala como é a vida, papai! Me fala todo o seu conhecimento sobre como viver, e eu sugiro que comece por abandono paternal, disso você entende bem.


-Você está sendo injusta comigo - berrou e ela engoliu em seco, nunca tinha visto o homem assim - Você não sabe o que está dizendo!


-O que eu sei é que eu passei a porra da minha vida toda sem você e não é agora que eu vou precisar disso - gritou ainda mais alto - Alguém que não sabe sequer que a filha e vegetariana e faz uma porcaria de bolo de carne! Para, você nunca vai ser meu pai, você deixou esse cargo há muito tempo.


Ele estava vermelho e sua veia saltada. As respirações aceleradas deixavam o local ainda mais pesado. Ele segurava as lágrimas assim como ela.


-Onde você tava? - gritou novamente e ela deu as costas - Se você fizer isso de novo eu vou-


-Vai o que? - ela se virou pronta para brigar mais ainda com ele - Me mandar embora? Seria muita sorte a minha. Eu odeio esse lugar. E eu odeio você.


Ele ficou ali parado vendo a garota correr escada acima e não conseguiu ir atrás. O estrondo da porta o fez fechar os olhos. Ele não tinha coragem de dizer tudo que estava entalado na garganta, foram anos assim e agora não podia simplesmente despejar toda a merda sobre a garota.


-Merda! - socou a parede e saiu batendo a porta.


Camila estava na janela e ouvia tudo, os gritos eram bem nítidos, viu Michael sair de carro e Lauren encostada na porta. Ela estava com a testa na madeira e chorava de raiva.


-Vai pro inferno - sussurrou e jogou um porta papel na parede.


Ela andava pelo quarto com a mão sobre a boca, abafando o choro e Camila via aquilo com o coração apertado. Não imaginava as coisas fossem tão ruins assim.


Lauren colocou as duas mãos sobre a cabeça jogando o cabelo para trás, ela olhou para a câmera na janela e golpeou a mesma fazendo com que caísse lá embaixo.


Camila pulou levemente assustada, agradecendo por seus pais terem saído mais cedo naquela manhã. No mínimo iriam pedir uma ordem judicial para manter a garota longe de Camila.


Ela respirou fundo e não via mais Lauren, que havia entrado no banheiro. Ela engoliu em seco o pensamento sobre as besteiras que alguém poderia fazer na hora da raiva.


-Meu Deus - disse abrindo a porta e correndo escada abaixo - Puta que pariu - dizia tentando abrir a porta com as mãos trêmulas, correu até o jardim do lado e alcançou a porta rapidamente, socava a madeira um pouco descontrolada - Lauren? - chamou e nada.


Lauren estava no banho colocando toda a raiva pra fora, a água gelada caía sobre suas costas e ela respirava fundo. Se assustou com as batidas na porta da frente.


Fechou o chuveiro e ao ouvir seu nome franziu o cenho. Se enrolou na toalha e desceu molhando todo o piso.


-Lauren? - ouviu seu nome mais uma vez e abriu a porta sem olhar.


Camila estava com a mão levantada e pronta para bater mais uma vez, Lauren a olhou assustada e ela abriu a boca sem saber o que dizer.


Ela parecia bem, nem mesmo o olho estava vermelho mais, nenhum sinal de choro e Camila não soube onde enfiar a cara.


-O que faz.. aqui? - perguntou bem confusa e a garota estava muda - Tá precisando de algo? - disse tentando fazer com que ela falasse.


A latina desceu o olhar pelo corpo dela enrolado na toalha, os pingos de água ainda estavam escorrendo pelo rosto de Lauren e se perdiam na toalha. Ela esperava uma resposta da latina que pensava em algo pra dizer e não vinha nada.


-E-eu.. eu - disse e se calou olhando pro lado - Eu vim.. pedir açúcar - disse alto demais e Lauren franziu o cenho - Isso.. pedir açúcar. É isso - confusa e atropelando as palavras ela não soou nem um pouco convincente.


-Açúcar? - perguntou para ter certeza e ela assentiu - Ok.. - abriu espaço para Camila que entrou e fechou a porta.


Só no meio do nada assim pra alguém vir pedir açúcar na sua porta com tanto desespero, riu do pensamento.


Camila analisava a casa.


-Aqui está - Lauren disse estendendo um pote para ela que ficou olhando aquilo sem pegar - A açúcar - insistiu.


-Oh, claro. Obrigada - agradeceu com  a língua coçando.


-Tá tudo bem com você, Camila? - perguntou meio preocupada.


-Está, tudo ótimo - disse rapidamente - Como você está? - devolveu meio casual.


-Bem - Lauren disse fazendo uma careta meio incomodada, ela sempre estava bem - Eu preciso me arrumar agora - olhou para o relógio que marcava mais de sete e meia.


-É.. sim, eu já vou, obrigada pelo.. açúcar - balançou o potinho e saiu quase correndo dali. Entrou em casa e bufou - Açúcar, Camila! Sério?


Lauren negava subindo as escadas, pessoas dali eram muito, muito estranhas, eles provavam isso a todo momento.


02/08/17 - Devido ao alto nível de açúcar no sangue, as pessoas aqui tendem a ficar estranhas, mais que o normal. Cortar açúcar de cardápio. Dia 7 de 365.


Anotou ainda sem entender a garota ter ido com tanto desespero pedir açúcar. Mal sabia ela que Camila teve um surto de preocupação e que aquilo era a prova, ela não odiava Lauren e nunca iria.




Notas Finais


Acho que já deu pra perceber que a Lauren é daquele tipo que apanha mas não deixa a marra sair, ela é assim, é natural dela essa força, porque ela é uma sobrevivente.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...