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História Dois lados da moeda; - Capítulo 1


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Notas do Autor


Oioioi

Aqui essa história era algo fodidamente angst a princípio, seria um hanahaki onde o Chuuya esquecia o Dazai e se apaixonava por outra pessoa (pode entrar Tsujimura) masmasmas me imploraram pra não fazer então eu tirei todo o hanahaki da história.

Então, é isso mesmo, passem raiva com o Dazai e protejam o Chuuya, alimentem um animal de rua e se protejam do corona.

Boa leitura!

Capítulo 1 - Lado um;


Fanfic / Fanfiction Dois lados da moeda; - Capítulo 1 - Lado um;

A sensação de ter morrido era sufocante.

Dor ao respirar, dor mesmo estando deitado sem se mexer, dor dor dor dor dor dor. Tudo doía, seu corpo parecia ter sido triturado diversas e diversas vezes. 

Ou talvez desmontado e remontado rapidamente de forma desleixada, não colocando as partes retiradas nos lugares certos.

O corpo inteiro de Chuuya latejava. Cada pequena parte de seu corpo padecia de uma dor angustiante, ridícula e torturantemente excruciante. Chuuya imaginava que até suas moléculas sofriam agora com os efeitos da ira divina.

A sensação de que ele tinha sido atropelado por cem caminhões seguidos era gritante, mas Chuuya preferia que fosse o caso.

Certamente ser atropelado seria melhor do que as consequências de usar corrupção.

Mas o pior provavelmente era a merda da dor em sua cabeça, seu crânio parecia ter se rachado ou diminuído. Pensar doía como o inferno e Chuuya não queria imaginar a dor que sentiria ao tentar se mexer.

Afinal, foram anos sem recorrer a essa artimanha, e mesmo quando mais novo isso derrubava Chuuya por horas, ou dias dependendo da quantidade de tempo que Dazai demorasse para o anular.

Chuuya lentamente abriu os olhos para perceber estar anoitecendo. Estava realmente tão frio assim ou era só ele? Seu corpo tremia tão fortemente e Chuuya achou que iria vomitar todos os seus órgãos. Ele com certeza poderia ter vomitado os seus órgãos.

Há quantos dias ele estava jogado ali, sozinho naquela merda de clareira destruída? A luta contra Lovecraft poderia muito bem ter ocorrido ontem ou semana passada.

Chuuya estremeceu ao perceber que poderia facilmente ter se passado um mês. Embora seu cérebro gritasse que não deveria ter se passado mais do que dois dias, afinal, Mori não deixaria seu executivo mais forte e segundo no comando desaparecido por tanto tempo sem colocar alguém para o procurar.

Isso sem contar sua ane-san. Ela ficaria extremamente preocupada, não ficaria? Ela iria colocar metade da Port Máfia atrás dele.

Ou, ao menos, era o que Chuuya queria pensar. É o que não doeria tanto, porquê ser descartado por mais alguém importante para ele certamente iria o destruir...

Mas não iria o surpreender. Afinal, todos descartam Chuuya uma hora ou outra, ele estava acostumado a sensação. Mas... estar acostumado não diminuía a dor.

Entretanto, ele não teria como saber se havia sido descartado pela máfia ou há quanto tempo estava ali com exatidão até chegar na sede da Port Máfia, afinal.

Porque Dazai o havia abandonado de novo. E inferno, como ele era burro por ter achado que Dazai levaria seu corpo desacordado ao ponto de extração combinado. Era pedir de mais? Chuuya não merecia nem mesmo a compaixão de Dazai depois de quase morrer para salvar a maldita cavala de merda? Chuuya era tão insignificante assim para Dazai? Ele era tão descartável e substituível?

Chuuya já estava cansado disso. Já estava cansado de sempre ir socorrer Dazai sem pensar duas vezes e nunca receber ao menos um maldito obrigada por isso. Estava cansado de sempre ajudar a cavala e ser abandonado sozinho depois que ele não era mais útil ao moreno.

Estava cansado de sempre ter seu coração partido e sua confiança esmagada pela pessoa que outrora jurou que iria proteger Chuuya de qualquer coisa. Pela pessoa que jurou que ambos sempre seriam um.

Chuuya estava exausto. Chuuya estava esgotado. Chuuya estava na porra do seu limite.

Mas ele já deveria saber que seria assim, não deveria? Porra, o conhecimento sempre esmagou seus pulmões com toda a força da gravidade que ele manipula livremente. Chuuya certamente era uma grande merda idiota por ainda permitir acontecer.

Porque era tão óbvio, translúcido como vidro, a verdade sempre foi esfregada na sua cara, todo santo dia, a todo e qualquer minuto, segundo e milissegundo do dia desde o maldito momento em que ambos se conheceram.

E mesmo que Chuuya quisesse acreditar no contrário. Mesmo que Chuuya tentasse com toda sua força de vontade acreditar no contrário. Mesmo que Chuuya mentisse para si mesmo todos os dias, nada mudaria a verdade.

E a verdade é que Dazai nunca ligou minimamente para Chuuya. Dazai nunca fez questão nem ao menos de tentar! E isso não é uma surpresa, Dazai sequer pensava em Chuuya quando o mesmo não estava a frente de seus olhos.

Não, risca isso. Chuuya sabe que é mentira, Dazai pensa nele quando precisa o usar em algum plano ou jogo de merda.

O demônio prodígio não tinha sentimentos, não era isso que ane-san vivia lhe falando?

Mas para seu benefício próprio, Chuuya nunca acreditou na baboseira de que Dazai não tinha nenhum sentimento dentro de si, era óbvio para o executivo que Dazai tinha, que Dazai se importava com algumas pessoas.

Apenas não com Chuuya.

E Chuuya sempre soube disso. Sempre soube que todos os gestos de Dazai eram falsos, ele sempre soube que todas as ações de Dazai não tinham significado algum, eram vazias. Ocas. 

Ele sempre soube que o sorriso que Dazai lhe dava ao anular corrupção era apenas uma artimanha inegavelmente inteligente para manter sua preciosa peça de xadrez sempre ali disponível para a próxima vez a ser usada. Por quê, que modo melhor de garantir a vitória de seu jogo do que brincando com os sentimentos de Chuuya?

Que melhor modo de manter Chuuya fielmente preso a trela de Dazai do que quebrando Chuuya toda vez em que se viam? Oh, Chuuya conseguiria listar diversos métodos melhores, mas aparentemente não tão bons e eficientes para Dazai quanto o usado atualmente.

Chuuya inclusive sabia que a maldita frase que Dazai sempre falava baixinho, repletas de gentileza e orgulho, talvez com uma pitada de amor e admiração, ditas apenas para Chuuya ouvir, eram falsas. "Descansa parceiro", mas dê que parceiro Dazai sempre falava? Certamente não Chuuya. Nunca Chuuya. Jamais Chuuya.

Não Chuuya porquê para Dazai, Chuuya era uma peça descartável. Não Chuuya porquê para Dazai, soukoku era um compromisso vazio.

Não Chuuya porquê para Dazai, Chuuya não era nada além de um fantoche, um fantoche poderoso, é verdade, mas ainda assim um mero fantoche. Não era nada além da sua preciosa arma secreta. Nada além da merda da rainha do seu ridículo jogo de xadrez.

E por isso Dazai ainda mantinha Chuuya preso a sua trela, para que mais ninguém além de Dazai usasse Chuuya. Por quê só Dazai poderia, não era? Só Dazai controlava corrupção. Só Dazai o traria de volta, mas até quando? E qual o preço para isso?

O preço que somente Chuuya pagava.

Seu corpo todo gritou quando ele usou seus braços para tentar se levantar, conseguindo apenas ficar levemente inclinado devido a dor que corria por si. Se mexer machucava demais e um gemido sofrido saiu de seus lábios. Chuuya respirou algumas vezes, não muito forte para não doer ainda mais.

Chuuya sentiu a bile subir garganta acima e a travou em sua boca. Ele não poderia vomitar agora, ele não saberia lidar com a enorme quantidade de sangue que ele sabia que sairia de sua boca.

Respirou fundo algumas vezes para acalmar seu estômago, para diminuir a sensação de quebra e ausência dentro dele.

O que é claro que não funcionou, ele ainda queria vomitar, ele ainda se sentia um pedaço nojento de merda que foi limpado às pressas da sola do sapato de Dazai. Chuuya queria gargalhar, mas se negava a abrir a boca com medo de literalmente vomitar seus órgãos. 

Chuuya se achava o idiota mais estúpido do mundo inteiro, por quê que tipo de babaca masoquista se apaixonaria por um bastardo manipulador que sempre o descartava sem pensar duas vezes? Sem uma palavra de despedida?

Olhou ao redor da clareia e viu que no chão ao seu lado repousava seu casaco dobrado e seu querido chapéu. Ele não entendeu o significado disso, por quê Dazai perderia seu tempo para encontrar suas coisas e as deixar por perto?

Algo dentro de sua cabeça gritou que Dazai estava zombando dele de alguma forma irritante que só faria sentido ao moreno. Mas nada disso importava agora, porquê Chuuya precisava levantar e voltar pra casa.

Mesmo que ele ainda não soubesse como fazer nenhuma dessas coisas.

Depois de contar até dez, ele sentiu uma fodida dor subir por sua coluna ao se forçar a sentar, o grito de dor estava travado em sua garganta junto a bile que insistia em não o abandonar. Vagamente, ele viu suas mãos trêmulas agarrarem suas coisas e as puxarem para perto de si, o grande casaco encontrou lugar em suas costas, e ele ficou momentaneamente feliz ao colocar o chapéu em sua cabeça.

Chuuya usou as mãos enfraquecidas para servir de apoio ao se impulsionar para ficar de pé, o maxilar ainda travado para não soltar um grito de dor ou vomitar sangue no mato.

Ele tentou se estabilizar de pé quando sentiu suas pernas falharem, felizmente não o levando ao chão novamente, ou Chuuya achava não ser capaz de levantar uma segunda vez. Não tão cedo, pelo menos.

Tudo rodava e sua barriga ardia e latejava. Ao abaixar os olhos percebeu que sua roupa estava banhada de sangue. Oh, droga arahabaki, qual a parte de seu corpo essa merda de deus havia danificado agora?

Mas não faria diferença, sangrando ou não, com dor ou não, magoado ou não, traído ou não, Chuuya teria que voltar a máfia ainda essa noite.

Chuuya tinha que ir para sua casa.

Chuuya tinha que chegar a sua ane-san.

E depois...

Depois, Chuuya tinha que se livrar de seu miserável "dono". E pensar nisso foi tão estranhamente reconfortante, Chuuya enfim seria livre. Verdadeiramente livre.

Oh, soava bem aos seus ouvidos.

Chuuya sorriu sozinho enquanto levava as mãos trêmulas em direção a garganta, arrancando a gargantilha que estava grudada ao seu pescoço desde que Dazai lhe presenteou quando eram mais novos.

Porque ele confia cegamente em Dazai, porquê ele deixa sua vida nas mãos de Dazai sem pensar duas vezes, que ele sabe que essa situação continuará acontecendo até que inevitavelmente Dazai o coloque em um cemitério. 

Então, pelo seu bem, Chuuya não podia mais permitir... Chuuya não queria sua ane-san chorando em cima de uma caixa de madeira. Chuuya não queria que o pequeno Akutagawa voltasse a guardar tudo para si por não ter mais ninguém em que confiava a compartilhar seus medos.

Chuuya observou o couro preto brilhar em suas mãos e em um impulso de coragem e amor próprio, a soltou no chão.

Ele começou a andar sem olhar para trás, do mesmo modo que Dazai sempre fazia com ele.


Notas Finais


Bom, eu não acho que Chuuya reagiu bem ao acordar sozinho e com dor. E sinto que ele ficou profundamente magoado com o inútil do Dazai de merda.


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