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História Dois Mundos, Uma História - Capítulo 6


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Notas do Autor


Oi, oi, meus amorecos! Vocês estão bem? Espero muitíssimo que a resposta seja positiva, mas caso não, minhas mais sinceras melhoras! Se quiser conversar sobre algo, envie uma mensagem. Trago mais um capítulo dessa história, espero que gostem e boa leitura.

Capítulo 6 - Sempre te esperarei.



POV LION

— Será que eu terei sempre de te salvar? Idiota... - Não estou acreditando que ele está vivo, que ele está me abraçando, que estamos conversando! Eu estou tão feliz, não há palavras para expressar como estou feliz em reencontrá-lo. Que saudades! Estou cheio de perguntas, não quero sair desse abraço nunca.

— Onde esteve todo esse tempo? Pensei que tinha morrido... - Disse, tirando minha cabeça, infelizmente, do pescoço de Miles e ele fazendo o mesmo, mas não tirei os braços de cima do ombro do outro.

— Eu não me lembro muito bem o que aconteceu, apenas acordei no meu quarto e meu tio estava do meu lado, rezando. Eu estava sem ferimentos, minha cauda estava estranha e eu não conseguia nadar direito... Depois de perguntar ao meu tio o que aconteceu, ele disse que me achou de baixo de várias pedras e que estava quase morrendo esmagado, até que ele as tirou de mim e me levou à minha casa. Perguntei a ele quantos dias eu estava apagado e ele falou... Ele falou que eu estava assim há quatro anos e meio. - Ao ouvir isso, comecei a chorar, o que fez Miles parar de falar e me olhar. — Por que está chorando?

— É-é culpa minha, d-desculpe, eu sou um inútil, se eu soubesse nadar você poderia ter saído de lá e não entraria em coma por quatro anos, me desculpe... - Eu sou um idiota, ele então estava vivo todo esse tempo e eu estava sofrendo com sua falsa morte. Mas, ao mesmo tempo, que bom que estava vivo. Céus, quatro anos apagado?

— Não é culpa sua, pense, se você tentasse ajudar, morreria. Alguma pedra cairia em cima de você e simplesmente acabaria afogado. Pelo menos estou vivo e você também! - Disse ele sorrindo, e que saudade desse sorriso.

— E...O que você fez depois de acordar?

— Bem... Eu comecei a tentar nadar novamente, depois de uns dois meses consegui e fui procurar por você em todo lugar, fui até Águas Claras milhares de vezes e tentava te achar, mas você nunca estava lá, e assim foi indo... Mas hoje foi diferente, eu senti você me chamando e vim para cá porque senti uma movimentação anormal nesta parte da praia... E ACHEI UM LOUCO QUASE MORRENDO!! SÉRIO É A SEGUNDA VEZ, TENHA MAIS CUIDADO! VOU TER QUE TE SALVAR TODA SANTA HORA?!

Depois dele falar isso comecei a rir e ele também, que bom que nada havia mudado. Ainda somos os mesmos idiotas de seis anos atrás. Quando acabamos de rir, ficamos nos encarando e vi que seus olhos verde-água haviam clareado, estavam mais bonitos. Seus cabelos parecem que ficaram mais rosa e sua mexa loira tinha ficado branca. Suas sardinhas aumentaram, não o tamanho, mas a quantia, que agora desciam até seu ombro. Ele continua com a pele clara de antes e macia, o cheiro do mar ainda estava em seu corpo. Tão fofo. Do nada, ele corou e virou o rosto para o lado, um pouco abaixado. Juro que nessa hora queria aperta-lo e não largar nunca.

— Vai continuar me comendo com os olhos ou quer uma foto que dura mais? - Perguntou ele, sendo sarcástico. É, realmente ele não havia mudado seu jeito.

— Cala a boca, idiota. - Falei desviando o olhar para o mar.

— Você precisa sair do mar. - Ele falou voltando a me encarar.

— Por que?

— Pode pegar um resfri...ado? É essa a palavra?

— Sim, - disse sorrindo — mas você só fica doente se o tempo estiver frio. Porém, obrigada por se preocupar... Aaah, então parece que você se preocupou comigo, é isso mesmo? Mas isso é uma evolução! - Falei brincando, mas parece que ele não entendeu a brincadeira, pois me olhava sério.

— Então eu nem me preocupei se você perdesse o oxigênio enquanto eu nadava para aquela maldita caverna com você nas costas? Eu não me preocupei quando você se afogou? Não me preocupei a ponto de jogá-lo para a superfície antes de ser atingido pelas pedras? Não me preocupei quando você estava ai se afogando por causa de uma simples e indefesa alga?

Depois dele falar isso, senti uma pontada no meu coração. Ele sempre se preocupou comigo e eu faço essa brincadeira sem sentido e idiota. Como sou um tolo.

— Me desculpe, acho que falei algo sem sentido algum... - Falei abaixando os olhos. — E, a propósito, aquela alga não era indefesa. - Miles pegou meu queixo e o ergueu para nos olharmos diretamente.

— Não se preocupe, eu sei que foi uma brincadeira, mas as vezes você não pensa, né. - Falou Miles sorrindo e acariciando meu cabelo molhado. - Vai, sai da água porque senão você vai acabar se afogando de novo.

Me rendi e obedeci, sentando na areia. Miles saiu da água sentando do meu lado e colocando as mãos para trás para apoiar seu corpo... Magro, meio rosa nos ombros onde tinhas suas sardinhas fofas e cinzas. Depois de um tempo, notei que ele estava olhando para mim por cima de seus ombros e parei na mesm hora de olhar seu corpo, começando a encarar seu rosto. Ele começou a olhar meu corpo e senti meu rosto esquentando cada vez que seus olhos desciam.

— Você está bonito. - Disse ele voltando a olhar para meu rosto. — Está mais alto, eu acho. Desculpe, é que não dá para eu ter uma ideia, já que não consigo ficar "em pé". Mas seu cabelo ficou mais bonito e seu rosto amadureceu. Entretanto, continua fofo. - Disse sorrindo. Não, Miles, você que é fofo, e como é.

— Ah, Obrigado. - Eu disse olhando para o mar e tentando não reparar em Miles me observando.

— E como foi sua vida? Me conte tudo, até mesmo os mínimos detalhes, tudo, tudo, tudo! - Notei que ele era a única pessoa, ou melhor, o único ser que gostava de saber como me sinto e como foi meu dia. O que acabou me impressionando, será que ele era meu único amigo verdadeiro?

— Minha vida... Ah, depois daquele desastre eu fui pra casa e não voltei ao mar, nunca. Começou a me dar pavor, pavor de nunca rever você, o meu primeiro amigo, porque toda vez que via o mar, me fazia lembrar de você... Mas enfim, minha mãe casou com um homem e conseguiu um trabalho decente. Depois de um tempo, conseguimos mudar de casa. Entrei em uma escola e tem uma garota, Sophia, que gosta de mim. Sério, ela não desgruda, que saco! Bem, acho que é isso. Opa, já estava esquecendo, o novo marido de minha mãe tem um tio meio estranho, Sidd. Ele vive dizendo que sereias não existem e me tira do sério.

— Ah, se tivesse um jeito de eu tirar essas caudas e ir pra casa desse marmanjo ai, ele iria ver o que é bom pra tosse. - Falou com um olhar estranho. - Mas só isso? Pensei que tinha mais coisas acontecendo no seu mundo. Que coisa chata...

— Falou o peixe que ficou adormecido por quatro anos e meio. Isso sim é que é vida, hein. Dormir, e dormir, e dormir. - Então ele começou a rir e eu observava a risada dele, tão doce e verdadeira. Depois, quando parou de rir, olhou pro mar e eu fiz a mesma coisa.

— Como o tempo passou, né... - Falou o garoto peixe.

— É, passou muito rápido. Você não sabe o quando eu sofri com sua "morte". Sonhava todos os dias desses seis anos com você, sonhei que estava tentando te ajudar mas sempre falhando, sempre faltando algo e sempre usando uma técnica diferente.

— E conseguiu no final?

— Não...

— Entendo, foi porque a última lembrança minha que você obteve foi eu sendo esmagado por aquelas rochas, mas não se preocupe, que na próxima vez que sonhar, você me salvará, pois agora sabe que estou vivo. - Falou sorrindo. Eu senti muita vontade de o abraçar e não me contive. Colei nossos corpos, sentindo sua respiração e ouvindo os batimentos do seu coração.

— Está carente? - Perguntou Miles, colocando seus braços em minha cintura e eu em seu colo. Sim, eu estava sentando na cauda de Miles e ele estava me segurando pela cintura. Parecíamos um casal, até que ele voltou a falar. — Ei, não se preocupe! Eu estarei aqui sempre que precisar. Não terá mais pavor do mar, né? Porque caso ainda tenha, podemos marcar de ir ali na rua, na frente de todos e começarmos a dançar que nem uns retardados... Se eu tivesse pernas iria para todos os lugares contigo, juro.

— Será que não tem como você ter pernas? Isso seria totalmente demais! Vou procurar quando chegar em casa. - Parei de abraçar ele e comecei a encará-lo. Sorri e me assustei quando ele me puxou para abraçá-lo novamente. - Acho que não sou eu quem está carente.

— Eu senti saudades do seu abraço. - Após ele falar isso, me apertou ainda mais, fazendo nossos corpos ficarem super colados. Quase não conseguia respirar, aquele peixinho era forte. Tinha horas que me surpreendia de tanta fofura, se vissem ele na rua iriam querer roubá-lo de mim.

— Eu também senti muita saudade. - Falei o abraçando também.

Ficamos assim por algum tempo até notarmos que isso estava estranho. Vendo isso, paramos o abraço e olhamos um para o outro por um longo tempo. Já estava ficando escuro e sabíamos disso, mas não queríamos sair deste lugar, queríamos ficar aqui, juntos.

— Você sabe que está ficando de noite, né? - Ele perguntou.

— Sim.

— Sua família não fica preocupada?

— Sim.

— Hum... E não quer ir embora?

— Não. - Falei sorrindo e ele me retribuiu o sorriso.

— Eu também não quero ir. - Ficamos esperando algo para falar, até que me lembrei de uma pergunta séria para fazer a Miles.

— Miles...

— Sim?

— Eu descobri que você estava vivo por causa do meu pai. Ele me enviou um link no celular que tinha uma foto da sua cauda, ou seja, os cientistas tem câmeras em algumas áreas do mar. Você por acaso passou por algum lugar famoso nessa praia? - Ele colocou a mão no queixo e seus olhos reviraram, o que significava que ele estava pensando... Eu acho.

— Ah, sim... Sabe aquele lugar que tem várias pessoas comendo alguma coisa? - Ele apontou para um restaurante chamado "MistacSalan" ao lado esquerdo de onde estávamos, era longe.

— Fala do restaurante MistacSalan? - Perguntei e ele me olhava confuso, acho que não sabia o que era restaurante e muito menos esse nome estranho.

— É acho que sim... Aquele lugar que as pessoas comem. - Quando ele não entende as coisas fica muito fofo. Ah, que saco! De todo jeito ele é fofo.

— Ah, então você estava lá? Por que estava lá? - Ele me olhou como se falasse "ué, não é meio óbvio?".

— Eu estava procurando você, né. Pensei que qualquer hora você precisaria comer, então fui lá, mas você não estava, pra variar. - Falou caindo para trás e me deixando em cima sentado em sua cauda. Miles colocou suas mãos nas minhas e começou a brincar com elas. Isso era estranho, ninguém nunca tinha brincado com minhas mãos. Aliás, eu não deixava as pessoas me tocarem muito. Resolvi parar de pensar e falei sério:

— Você não pode mais ir naquela área. Lá tem câmeras. Se você for pego novamente, ferrou.

— Tá, não vou mais lá. Até porque não tenho mais o que fazer naquele lugar. - Disse, ainda brincando com minhas mãos e fechando os olhos. - Ah, e como seu pai soube? Seu pai é cientista por acaso?

— Sim.

— QUE?! E VOCÊ NEM ME FALA? - Disse ele abrindo os olhos e levantando rapidamente, ficando muito próximo de mim, digo, muito mesmo. A cena até que foi engraçada, nós dois ficamos vermelhos nas bochechas ao mesmo tempo e depois rimos. Olhei que já estava a noite e eu tinha que voltar. Ao meu parecer, Miles também viu isso. Ficamos tristes, nos encarando com olhares desanimados.

— Então... Vou ter que ir, e você também. - Disse ele, tristemente.

— Infelizmente.

Logo após eu falar isso, ele segurou minhas mãos e apenas ficou pensativo, rapidamente me olhando. Nos abraçamos e não aguentei, beijei sua bochecha. Miles corou violentamente e vez o mesmo ato. Parecíamos um par de namorados apaixonados.

— Então... Você vem aqui amanhã? - Perguntou ele.

— Claro que sim, você vem também, né? - Ele concordou com a cabeça e fui saindo de seu colo com dificuldade, pois estava escorregando muito.

— Está difícil aí?

— U-um pouco. - Depois de falar isso, acabei caindo em cima dele. Miles caiu sob a areia. Nossas testas coladas, senti seu cheiro novamente e me afastei um pouco, acariciando seus cabelos. Miles sentindo o carinho, fechou os olhos, corando levemente. Olhei sua boca rosada um pouco aberta, eu não sei se iria conseguir me segurar... Ele então, abriu os olhos e eu corei na mesma hora. Não seria uma boa ideia eu beijá-lo agora. Céus, que pensamento é esse?

Comecei a sair de cima dele e ele ficou com uma expressão diferente.

— O que foi? - Perguntei a Miles.

— Você vai mesmo voltar, né? - Disse ele sentando.

— Sim, eu juro. Não fique assim, eu volto. Mas é para você voltar também!

— Eu vou voltar, sempre estarei aqui.

— Quem vê pensa que é fofo.

— Hahaha, quem vê pensa que você é um homem de palavra.

— Ei, mas eu sou!

— Eu sei, só estou brincando. - Disse ele, tentando voltar ao mar.

— Quer ajuda? - Perguntei olhando o esforço dele.

— Sim, por favor.

Peguei Miles no colo e o mesmo me olhou assustado. Eu estava carregando ele no estilo princesa e entrando no mar novamente, me molhando. Logo depois de colocá-lo nas águas, voltei para a areia e o olhei, ele estava triste e preocupado.

— Ei, eu vou voltar, já disse! Me espere aqui às 15:00, tá?

— Tá. Até amanhã, Lion. Cuide-se. - Disse ele sorrindo. Não aguentei e fui até o mar novamente ao encontro dele, quando fiquei diante de Miles. Ele me olhava com uma expressão confusa e antes de falar qualquer coisa, coloquei sua franja para trás e beijei sua testa.

— Eu sempre voltarei para vo-- Enquanto falava, ele me abraçou fortemente. Foi um abraço rápido, mas que significava muito.

— E eu sempre te esperarei. - Disse Miles, soltando o abraço.

Após esse acontecimento inesperado, sorri e fui andando para a areia. Antes de ir para casa, o olhei mais uma vez e ele fez uma careta mostrando a língua. Depois disso, ele mergulhou e vi sua cauda batendo na água. Então, finalmente me virei e fui.

Enquanto caminhava, comecei a me perguntar se isso não era um sonho. Quando cheguei, pelos deuses! Quase levei uma surra, porque Edgar não devia ter me deixado sair já que minha mãe queria conversar sobre minhas notas baixas. Depois do sermão, fui para meu quarto e comecei a rir.

— Por que está rindo? - Aiden apareceu do nada no meu quarto, me assustando, de novo. Isso me estressa.

— Reencontrei uma pessoa que eu amo. - Disse na lata, logo me dando conta que esses sentimentos realmente são verdadeiros. Eu amo Miles.

— Você ama seu amigo, admitiu.

— E você ama o seu, então cala a boca.

— A mãe está falando se você quer vir jantar. - Ele falou e eu concordei mexendo a cabeça para cima e para baixo. - Então vamos.

Quando cheguei na mesa de jantar, havia lasanha, pepinos, arroz, batatas torradas com requeijão em cima, milho e ervilha, tomate com azeitonas, panquecas e suco de acerola natural. Aquilo parecia estar uma delícia. Comi tão rápido que acabei engasgando e tive que ouvir mais um sermão para comer devagar.

Quando acabei, levei o prato e o copo sujo para a pia e como não era meu dia de lavar a louça, fui para o notebook para pesquisar como sereias ficam com um par de pés. Achei muitos sites que diziam o tal do beijo de amor verdadeiro, mas não acho que seja verdade. Tinham alguns que falavam que após beijar uma sereia, ela vira humana até a lua cheia. Quando ela volta a ser sereia, não funcionará o beijo por 5 dias, fazendo então ela voltar ao mar. Será que é isso mesmo? Eu teria de beijar Miles? Mas ele teria de sentir a mesma coisa que sinto por ele... E infelizmente essa não é a realidade, eu acho

Só de imaginar Miles aqui na superfície seria um sonho. Eu o mostraria a todos que conheço. Isso seria demais.

Quando saí do notebook, tomei um banho, pois ainda estava cheirando mar e coloquei um pijama. Após tomar banho, escovei os dentes e fui deitar. Tive medo se sonhar com Miles morrendo, mas sabia que estava tudo bem, pois agora, sei que o peixinho está bem e o melhor, a minha espera.


Notas Finais


Foi isso. Os capítulos estão curtos, pois estou retirando MUITA coisa desnecessária que tinha na história, como por exemplo, a enorme raiva que Lion sentia pelo mundo e modificando alguns personagens, mas os próximos serão mais detalhados. Até a próxima!


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