1. Spirit Fanfics >
  2. Dois Opostos >
  3. Incapaz

História Dois Opostos - Capítulo 31


Escrita por:


Notas do Autor


Boa Leitura♥

Capítulo 31 - Incapaz


Harry POV: 

Pensar em Draco como um ser incapaz nunca fez parte dos meus pensamentos, já o considerei diversas coisas negativas, as quais acredito que sejam até ofensivas demais para serem pronunciadas em voz alta, mas nunca esses julgamentos ofensivos chegaram ao pensamento de Draco Malfoy ser uma pessoa incapaz, seja incapaz de realizar seus feitos ou atingir seus objetivos, tanto que eu posso ter achado Draco um covarde durante grande parte da minha vida, porém nunca pude negar que a força de vontade dele para realizar suas metas sempre foi demasiadamente alta, com isso nesse instante estar tendo que digerir a ideia que ele agora é incapaz de andar, está sendo uma das coisas mais difíceis que eu já tive que fazer na minha vida.


Foi extremamente difícil acreditar quando Hagrid me contou que eu era um bruxo, mais complicado ainda quando descobri que eu era o escolhido, e muito mais quando Dumbledore me contou que na verdade sempre fui o seu porco para abate, mas mesmo com todas essas situações absurdas, nada se compara as digerir essa notícia. Essa negação está acontecendo por vários motivos, o primeiro deles é que nos últimos tempos de convivência Draco provou para mim e acredito que até para si mesmo que ele nunca foi um covarde, porque um covarde não teria feito tudo que ele fez apenas para proteger sua família, um covarde não teria se auto suspendido da escola apenas para ser empático comigo, um covarde não teria aceitado ser torturado por horas apenas para me proteger. Foi a sua coragem que fez ele perder os movimentos, uma coragem que eu sempre duvidei que existia tirou dele o direito de andar para me dar o direito de viver.


O outro motivo para tamanha negação com certeza é o sentimento, o meu sentimento. Eu passei anos da minha vida lutando contra a paixão desenfreada que sempre senti por Malfoy e quando finalmente decido ceder a ela, quando finalmente me permito sentir de verdade sem ter ninguém para me dizer como e quando fazer isso, mais uma vez sou impossibilitado de sentir, da mesma forma que fui com meus pais, com Sirius, Remus. Eu sei que Draco não morreu assim como eles, mas é como se eu tivesse tirado um pedaço dele, uma parte dele que não sei se algum dia ele terá volta, posso amá-lo sabendo que a culpa de uma das maiores desgraças da sua vida é minha?


Não vou fugir como planejei há pouquíssimo tempo atrás, mas ao mesmo tempo não me sinto no direito de ficar, porque ficar significa aceitar que não consigo de protegê-lo e se sou incapaz de proteger o homem que amo, como posso ser capaz de proteger qualquer outra pessoa? Nesse jogo de capaz e incapaz, o verdadeiro incapaz sou eu e não Draco, é egoísta pensar em mim quando Draco é o foco de toda a situação nesse momento, mas preciso pensar em mim, porque se eu não tiver estabilidade mental para suportar a minha própria culpa, não terei estabilidade para dar a Draco o apoio que ele precisa, e eu preciso dar 100% de mim para ele.


- Harry, você está bem? – Ouço a voz de Rony nas minhas costas e acabo voltando a realidade após passar uma quantidade de tempo que eu não tenha ideia, sentado na cozinha em um absoluto silêncio dominado pelos meus próprios pensamentos. 


- Sim, estou. – Respondo seco e com uma resposta vazia, sem ênfase, sem verdade e com certeza sem emoção, porque toda ela está centralizada no furacão que minha mente se encontra nesse momento.


- Você sabe que mentir para mim é mais difícil do que eu comer menos de cinco coxinhas no almoço, não é? – Acabo sendo obrigado a deixar um riso escapar pelos meus lábios e chega a ser estranho a sensação de um sorriso em meio a todo esse caos.


- Draco não está bem. – Afirmo depois de alguns minutos em silêncio, sendo envoltos apenas por risadas que aos poucos foram cessando.


- Bom, levando em consideração que ele foi amaldiçoado de umas dez formas diferentes, isso não é surpreendente. 


- Draco está paraplégico, Rony. – Pronunciar essa cruel afirmação em voz alta faz com que todas as dúvidas, todo o medo, a culpa, a mágoa, o nervosismo, tudo que eu estava acumulando em pensamentos confusos na mente, se transformam em lágrimas desesperadas, as quais não tenho nenhum tipo de controle e sinceramente? Eu não quero ter. 


Descrever a sensação que sinto nesse momento é quase como descrever uma pessoa com falência múltipla dos órgãos, porque nesse instante eu sinto como se tudo em mim estive falindo, apodrecendo, desmoronando, Draco não merece isso, não depois de tudo que ele já passou.


- Eu deveria estar no lugar dele, Rony. – Sinto quando levanto jogando a cadeira contra os armários da cozinha, mas é como se meus movimentos fossem completamente involuntários, eu não tenho mais nenhum controle sobre mim mesmo, me sinto perdido, como se tudo tivesse finalmente perdido o sentido. 


Eu esperava por esse momento desde da primeira vez que vi Voldemort, esperava pelo momento em que lutar pelo bem maior perderia o sentido, quando meu próprio bem estivesse destruído. Quando Cedrico morreu, eu me perguntei quantas pessoas ele mataria, quanto tempo demoraria até que salvar o mundo, não seria o suficiente já que eu estaria completamente perdido. Solto uma risada falsa e forçada ao perceber que no fim não foi Voldemort que deu a cartada final para minha queda, mas sim o seu fiel servo que me destruiu no momento que levantou a varinha para Draco, Voldemort me repartiu em pequenos pedaços, todavia Lucius destruiu a última parte de mim que permanecia viva, posso dizer que Tom destruiu sete horcrux minhas e Lucius a última. 


- O salvador do mundo bruxo, o grande Harry Potter, incapaz de desviar de um feitiço, se eu tivesse tido um pouco de atenção, se tivesse antecipado os movimentos de Lucius, eu poderia ter ajudado Draco, poderia ter sido mais do que apenas um peso que ele teve que defender. 


Eu consigo escutar a voz de Rony, mas ela parece distante, indecifrável, tudo que eu ouço são os gritos de Draco, enquanto meu corpo não me deixava levantar para ajudá-lo, eu o ouvia gritar, ouvia-o definhar, mas não fiz absolutamente nada, porque eu sou um incapaz.


- Quantas pessoas morreram por minha culpa, Rony? – De uma maneira turva consigo ver Rony abrindo a boca e ergo a mão em contradição. – Não me diga que não foi por minha causa, mas pelo Mundo Bruxo, elas morreram porque acreditavam em mim, acreditavam que eu podia salvar a todos. 


Uma risada falsa e descontrolada escapa dos meus lábios quando termino de gritar a última frase. 


– Na verdade eu fui a ruína deles, salvei milhares de pessoas que não sei o nome, mas deixei as pessoas que eu amava morrer, enquanto estava lá, intacto, protegido por aqueles que se sacrificavam por mim. 


É difícil afirmar em qual momento um vaso apareceu em minhas mãos, mas assim que tomo conhecimento dele sobre meu domínio, não é complicado decidir jogá-lo contra a parede, sorrindo ao vê-lo se estilhaçar.


– Destruição e cacos. – Aponto para os cacos de vidros espalhados no chão. – É isso que eu sou para as pessoas, as suas destruições onde só sobram cacos, cortantes e vazios. 


Pego um dos cacos na mesma mão que usei antes para socar a parede no banheiro e o pressiono contra a minha pele sentindo por alguns segundos ela se rasgar e o sangue pingar no piso branco, antes de sentir os braços de Rony me puxarem para trás, me firmando contra si, tentando impedir que eu faça mais alguma besteira.


- Sangue é tudo que eu vi nos últimos anos, sangue que foi derramado por minha culpa. – Me desprendo no contato de Rony, me escorando na pia, adentrando o cabelo com os dedos feridos. – Agora é a perda de movimento das pernas e amanhã? E depois? Quanto tempo vai demorar para Draco ser apenas mais um sangue nas minhas mãos?


É muito rápido os movimentos que se sucedem do momento que sinto o toque de Rony no meu ombro, ele me virando para si e o tapa que se choca contra a pele do meu rosto. O objetivo do tapa com certeza não é compreensível, mas é o suficiente para fazer os meus gritos cessarem e eu simplesmente desabar no chão, deixando finalmente as lágrimas falarem mais alto que os gritos.


- Harry, tudo que você disse é uma grande baboseira. – Abro a boca para argumentar contrariamente, mas Rony leva a mão até minha boca, a forçando a permanecer fechada. – Você salvou o mundo bruxo, e as pessoas que morreram nesse caminho não se sacrificaram por você, se sacrificaram pelo que amavam, Remus e Tonks se sacrificaram por Ted, para poderem salvar o filho deles de um futuro cheio de trevas. Snape se sacrificou por Lílian, para poder sentir que finalmente ganhou o perdão dela, Dumbledore se sacrificou pelo mundo que ele amava mais tudo, seus pais se sacrificaram não pelo salvador do mundo bruxo, mas pelo seu único filho. Sirius se sacrificou não pelo eleito, mas pelo filho do seu melhor amigo. 


Rony agarra meu rosto, me fazendo olhar fundo nos seus olhos, fazendo com que eu veja as lágrimas que se formam em seus olhos com a nome que eu sei que ele vai dizer agora. 


- Fred morreu por Jorge, Percy, Gina, mamãe, papai e eu. – As lágrimas que escorrem dos seus olhos, enquanto me sacode são tão verdadeiras que chegam a doer. – Ninguém morreu por você, o sangue não está em suas mãos.


- Rony, eu... – Tento falar, mas engasgo nas palavras, nos soluços e nas lágrimas, com isso Rony volta a falar, ainda firmando meu rosto fixo no seu.


- Uma guerra sem destruição não é uma guerra, nada pode voltar a ser igual, não podemos juntar os cacos e os colar do mesmo jeito que estavam antes de se quebrar, mas os cacos como você disse, podem ser reciclados e construir novas coisas. 


Sinto meu corpo que até então tremia quase como algum tipo de espasmo, começar a se controlar aos poucos, assim como as lágrimas começarem a se tornar mais tranquilas.


- Harry, se formos falar de cacos, você é a maior caco de todos, porque foi você que teve que carregar o peso de a maioria das pessoas que amou partirem, mas você está aqui reciclado, com uma nova embalagem que foi entregue pelo correio a Draco idiota Malfoy. 


Acabo deixando um riso nasalado escapar, enquanto Rony também acompanha meu riso, parecendo se tranquilizar ao me ver mais calmo.


- O que eu quero dizer é que Draco não morreu, você não morreu, e enquanto vocês ainda puderem quebrar e se reciclar, continuem vivendo. Eu posso morrer amanhã, Hermione também, Gina, Neville, você, Draco, todos vamos e podemos morrer a qualquer momento, você não pode viver pensando quando os cacos não vão mais conseguir se reciclar, viva pensando em viver, somente viver.


- Mas como viver com isso? – Tento explicar com gestos toscos a paraplegia de Draco e fico aliviado quando percebo que Rony conseguiu entender.


- Isso é fácil, vivendo, juntos. 


- Como assim?


- Você conviveu com todo esse peso até hoje, porque não estava sozinho, nunca esteve, mas Draco esteve, você quer saber como enfrentar isso? Não o deixe sozinho, porque a solidão em meio ao caos, é a única coisa que não pode ser superada, o resto se dá um jeito. 


- Obrigado Rony, muito obrigado. - São as únicas palavras necessárias e cabíveis para tudo que Ron disse, ainda sinto meu corpo tremer e as lágrimas caírem dos meus olhos, mas agora elas parecem serem aceitáveis e não como antes que eu parecia não ser merecedor delas.


Rony envolve meu corpo em um abraço, deixando seus dedos acariciarem meu cabelo, enquanto me encolho contra ele, como se todos meus problemas pudessem se resolver em simplesmente ficar ali e respirar, não esquecer, mas aceitar. Não sei bem explicar quando foi que Gina e Hermione entraram na cozinha, mas elas meramente se sentam no chão junto conosco e também se envolvem no abraço, me acolhendo em silêncio nos seus braços, sem perguntar nada, sem questionar e sem acusar, elas unicamente estão aqui e silenciosamente afirmam isso com um simples abraço. Não estou sozinho e isso é o suficiente para lembrar que não, eu ainda não estou perdido. 


- Será que se Draco visse esse momento carinhoso ele ficaria com ciúmes? – Rony fala fazendo com que quebremos o silêncio composto apenas de soluços sendo invadidos por risos levemente frenéticos.


- Sério que você está perguntando isso? – Respondo, me afastando de si para olhar em seu rosto enquanto sigo dando risada.


- Vai Harry, você precisa admitir, ver Malfoy com ciúmes seria muito engraçado, dava para colocar no livro de coisas que Malfoy faz quando está com você que eu preciso lembrar de tirar foto e rir pro resto da minha vida. 


- Olha nessa eu sou obrigada a concordar com ele, ver Malfoy com ciúmes seria hilário e satisfatório. – Gina afirma dando risada também e recebendo um "toca aqui" do irmão.


- Tenho que dizer que seria quase melhor do que socá-lo. – Hermione é a última a falar, retirando ainda mais risadas de todos nós, fazendo com que nos recordemos do valioso soco que Mione deu em Draco no dia que voltamos no tempo.


- Eu ainda prefiro socá-lo, mas não vou estragar o momento. – Rony afirma, recebendo um soco delicado de Hermione, enquanto Gina ri e se diverte com a cara do irmão.


Estar sangrando, sentando no chão, com o rosto inchado de tanto chorar, com vários cacos de vidro no chão e uma cadeira presa no armário, todo esse caos parece completamente anulável com eles ao meu lado, porque eu sei que por mais que tudo esteja uma tremenda bagunça, eles ainda estão aqui, da mesma forma que eu sempre estarei aqui para Draco, porque somos dois cacos que só vão se reciclar, juntos. 


Draco POV:


Depois de muito choro e abraços, Zabini avisou que tinha combinado de mandar um patrono para o hospital para ver como Pansy estava e desceu até a Sala de Estar, sendo seguido por Goyle que disse que ia descer junto para ver se conseguia descobrir alguma coisa. Por alguns momentos permaneci parado, olhando para o teto, esperando que eles voltassem ou que Harry voltasse, mas agora já estou verdadeiramente farto de ficar deitado, então decido que está na hora de levantar da cama e dar uma arejada nos meus pensamentos.


Assim que tento colocar a perna direita para baixo, a sensação de impotência foi completamente inexplicável e ao mesmo tempo horripilante, envio os sinais do meu cérebro mandando a minha perna se mover, fazer alguma coisa, mas esta permanece imóvel, como se não fizesse mais parte do meu corpo. Retiro as cobertas desesperadamente, olhando para minhas pernas, com medo que elas tenham sido amputadas por algum motivo e eu não tenha visto, mas elas ainda estão aqui, consigo vê-las, tocá-las, mas não consigo senti-las, não consigo fazer com que elas se movam, é como se elas simplesmente não existissem. 


Tento levantá-las, usando toda minha força para que elas façam um movimento sequer, qualquer movimento, movimentar o calcanhar, mexer a ponta dos dedos, mas nada, ela não se move do lugar, permanece estática, indiferente aos meus comandos, é nesse pequeno milésimo de segundo que eu tento mais uma vez movê-la e ela continua parada que o desespero invade meu corpo por completo. Sinto meu peito se encher e se esvaziar numa velocidade surreal, enquanto lágrimas se formam nos meus olhos, mas as seguro, não posso chorar, não devo chorar, porém o medo é tudo que consigo sentir agora, diferente das pernas. 


- Mãe? – Chamo com a voz tremula, sentindo como se toda minha autonomia tivesse ido por água baixo e eu fosse a criança indefesa que eu nunca pude ser. – Harry?


Chamar por Harry foi quase involuntário, é um pedido um pouco mais desesperado do que o pela minha mãe, eu preciso de Harry. 


- Querido, o que foi? – Narcisa pergunta assim que adentra o quarto e é ainda mais desesperador a maneira como ela congela ao lentamente percorrer os olhos pela coberta afastada das minhas pernas, e o medo que possivelmente está estampado nos meus olhos.


- Draco, o que houve? Está tudo bem? Ouvi você... – Ele ia continuar a frase, mas corta seu comentário na mesma rapidez com que o fez.


Harry olha lentamente para cada detalhe da situação da mesma forma que Narcisa fez anteriormente, mas ele parece extremamente mais desesperado que ela. Ao mesmo tempo que Harry me observa, observo ele também, consigo ver seu rosto inchado, seu cabelo bagunçado e seus olhos vermelhos, existem duas opções para sua aparência depreciada, ou ele usou drogas ou estava chorando e levando em consideração que estou falando de Harry Potter, o certinho, provavelmente estava chorando. Meu olhar rapidamente desliza para o sangue que escorre de sua mão esquerda, enquanto ele a segura contra seu corpo como se estivesse sentindo dor, com isso é de imediato que retruco a sua pergunta, por conta do machucado que acabo de ver.


- O que houve com sua mão? Você está bem? 


- Não foi nada, e eu perguntei primeiro. – Ele retruca, fazendo com que eu revire os olhos, mesmo estando completamente desesperado. 


- Por que eu não consigo mexer minhas pernas? Foi algum tipo de anestesia? Ou poção para dor? – Pergunto tentando parecer despreocupado, mas minhas mãos tremem sobre a minha barriga, com medo que a resposta seja a mesma que está passando pela minha mente.


Harry e Narcisa se olham, com tanto medo quanto eu, parecendo nervosos e aflitos e esse curto olhar de despreparo entre eles, confirma minhas dúvidas e faz com que o medo, se transforme em pavor e a vontade de chorar engula meu peito com toda a sua força. Eu não posso chorar, não devo chorar.


- Eu...perdi... – Tento falar, mas as palavras morrem na minha garganta, parecendo assustadas, como se usá-las as tornassem mais reais. – Os movimentos... da perna... não é?


- Draco, eu... – Harry começa a falar, se aproximando da cama, mas Narcisa o impede, se aproximando primeiro e sentando-se ao meu lado, levando a mão aos meus cabelos, mas não como uma carícia, mas sim uma distração para si, uma atitude para lhe gerar mais coragem.


- Sim... Draco, eu sinto muito. – Ela fala e realmente quando a confirmação vem, parece bem mais autêntica do que quando estava apenas na minha mente, agora ela é real.


Agarro a coberta com os dedos, tentando controlar o frio e o tremor que invade meu corpo, assim como tento manter as lágrimas secas nos meus olhos, impossibilitando-as de sair, isso não pode ser verdade, é como viver um ciclo de um pesadelo sem fim, onde Lucius faz parte de todos. Lembro da primeira vez que chorei em sua frente, eu tinha oito anos e havia acabado de torcer meu braço enquanto brincava com Theo de alguma brincadeira besta que nem me recordo mais, sempre brincava quando meu pai saía, porque era o único momento que minha mãe me deixava ser um pouco mais uma criança do que uma máquina, mas ele chegou mais cedo e eu estava todo sujo de lama, chorando enquanto os elfos domésticos cuidavam do meu braço, Lucius simplesmente agarrou o meu braço torcido e o girou, mesmo depois de ouvir o estalo dele quebrando, ele ordenou que eu parasse de chorar "Repita comigo, eu não posso chorar, não devo chorar" porque um verdadeiro Malfoy nunca chora, nem mesmo sozinho em seus aposentos, quanto mais eu chorava, mais ele torcia meu braço. 


Não sei bem em qual momento eu consegui segurar o choro, mas depois de repetir "eu não posso chorar, não devo chorar" milhares de vezes, em algum instante cravei minhas unhas na minha própria perna, tentando descontar ali o que não podia ser descontado em lágrimas, foi nessa hora que Lucius finalmente soltou meu braço quebrado, e quando minhas pernas falharam ameaçando cair, ele agarrou meus ombros, fazendo com que eu olhasse fundo nos seus olhos "Um Malfoy não fica aos pés de ninguém" e saiu, deixando ali alguém que nunca mais conseguiu ser uma criança. 


Harry não diz uma única palavra ao atravessar a cama e sentar ao meu lado oposto a Narcisa, ele puxa minha cabeça contra seu peito, fazendo com que eu deite nele, mesmo com tantas roupas sobre a sua pele por conta do frio, o calor que ela emana ainda é perceptível e reconfortante, mas não o suficiente para fazer o desespero e o pavor saírem do meu quarto, não posso estar vivendo isso, não agora, quando finalmente viver me parece aceitável.


Desde a primeira pessoa que Voldemort me fez torturar por suas ordens, viver me pareceu ser um privilégio que eu não merecia, nunca mereci, como alguém tão incapaz de nutrir sentimentos pelas pessoas pode ter o direito de viver no mesmo mundo de pessoas que morrem umas pelas outras. Mas desde o momento que Harry reapareceu na minha vida, as coisas tem feito mais sentido, tudo que sempre foi perdido e nublado, pareceu finalmente clarear, não posso perder o sol agora, porque viver nas sombras já não faz mais sentido, depois que você aprende a viver, reaprender a ser uma pessoa morta por dentro, é quase como se estilhaçar contra um chão ou uma parede, ser destruído em pequenos cacos. 


Harry volta a me pressionar contra si, acariciando meus cabelos, enroscando seus dedos nos meus fios, deixando delicadamente a mão deslizar algumas vezes para meu rosto, enquanto sua mão sua firma na minha cintura, ao mesmo tempo em que faz movimentos circulares na minha barriga. 


- Narcisa... – Harry fala com delicadeza e não é difícil perceber que esse é um pedido para que ela nos deixe alguns minutos a sós. 


- Volto em alguns minutos. – Ela responde ao dar um pequeno aperto no meu braço, como um lembrete mínimo que ela ainda continua aqui, ainda não foi embora e desistiu de tudo.


A sensação de voltar as sombras continua a me invadir, sinto como se fosse engolido por uma grande onda que poderia dizimar todos no mundo todo, mas ela quer acabar somente comigo e acredito que vai conseguir e com muito sucesso.


Lucius conseguiu, finalmente me trouxe de voltaao seu inferno




Notas Finais


Oi gente, então eu considero esse capítulo muito importante para história, eu sempre digo que eu considero esse cap importante, mas eu realmente considero esse muito valioso porque é um momento onde você realmente vê como o Harry se importa com o draco e o quanto o Draco confia no Harry, porque mesmo quando ele descobre que que tá paraplégico e ele tem essa reação depreciativa e nervosa porque ele realmente tem razões para isso, mesmo assim ele confia no Harry deixar, ao ponto de deixar ele se aproximar, se sentir a vontade na presença do Harry, então fica notavel importância que ele tem para o Draco, e isso vai ficar ainda mais claro do próximo Cap.

Também a gente consegue ver como o Harry realmente foi quebrado durante a guerra bruxa, em vários momentos da históri o Harry cita que ele foi muito machucado, que ele ficou mal com tudo e você percebe que ele carrega uma culpa pelas mortes das pessoas que morreram durante a guerra, mas nesse cap ele joga para fora todo sentimento que ele tem acumulado dentro dele, e dá para perceber que ele tem essa culpa dentro dele, então é muito importante para uma coisa que eu sempre quis deixar muito claro é que o Draco não é a única pessoa que precisa de ajuda. Eu li muitas Fanfics que tratam o Draco como a pessoa que precisa de ajuda e o Harry como Salvador, mas eu queria que nessa Fanfic vocês pudessem ver que que o draco, não é o único machucado, que ele não é o único que precisa de ajuda que ambos precisam de ajuda e eles vão ser a ajuda um do outro.

Espero que tudo tenha ficado bem claro para vocês, enfim digam o que vocês acharam desse cap, qual foi a parte que vocês mais gostaram, etc.

Beijo da tia Lu


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...