História Doki Doki Literature Club: Ryan's Story - Capítulo 58


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ddlc, Doki Doki, Doki Doki Lc, Doki Doki Literature Club
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Hentai, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 58 - Despedidas e Reencontros


Fanfic / Fanfiction Doki Doki Literature Club: Ryan's Story - Capítulo 58 - Despedidas e Reencontros

Sexta-Feira, 9:40 da noite.

Funeral de Sayori.

Aquela pessoa não poderia estar ali...

-O que foi? Vai continuar me encarando como se fosse uma paisagem paradisíaca ou o que? Eu sei que sou bonito, mas, por favor, cara... –Disse aquela pessoa com um leve sorriso, porém não consigo definir se aquele sorriso é cínico ou apenas por charme.

Aquele indivíduo... Já havia muito tempo que não o via. Enquanto observava-o a me encarar de volta, noto suas características físicas apenas para ter certeza de que realmente se trata dele.

Ao olhar, noto cada uma de suas características e feições, sua pele albina, assemelhando-se à visão de um fantasma, adquiria um pouco de brilho com a luz, seus cabelos igualmente brancos estendiam-se levemente sobre seu rosto, formando uma pequena franja, ele estava utilizando uma mera blusa branca, estampada com um por do sol em uma praia, e com os dizeres “Havana” escritos sobre a mesma, utilizando uma calça de cor vinho e sapatos cor acinzentado. E a característica mais marcante, seus olhos bicolores, em tons de vermelho e azul bem distintos... Aquele jeito despojado e personalidade descuidada... Sim, era ele de fato.

-Cast ...? –Pergunto, extremamente surpreso com aquela possibilidade.

-Parabéns, você ganhou um milhão de dólares!... E aí, cara. Já faz um tempo. –Disse ele, estendendo a mão para um cumprimento.

É realmente uma surpresa ver Cast naquele local, aceito o cumprimento, porém no momento em que vou tocar sua mão, ele puxa-a.

-Você não mudou nada... –Digo-o, após o feito realizado.

-E parece que você também não, com esta sua cara de virgem solteiro! –Cast ri um pouco ao falar isto.

Eu já havia esquecido toda aquela realidade. Cast havia viajado para os Estados Unidos há três anos, e eu realmente pensei que ele não voltaria ao Japão. Estudamos juntos por bastante tempo durante o ensino fundamental, tempo o suficiente para tornarmo-nos amigos próximos.

Mas uma pergunta ainda me incomodava... O que estaria ele fazendo ali?

-Só uma pergunta- -Cast me interrompe neste momento.

-O que eu estou fazendo aqui? Olha... Fazem umas duas semanas que eu voltei, e... Pois bem, digamos que a ex-namorada do meu irmão me forçou a vir... A TV noticiou o caso de Sayori, com todo aquele blá-blá-blá de que a geração atual é infeliz e você sabe o resto... –Ele disse.

A mídia noticiou o caso de Sayori?!

-O caso foi televisionado...? E o Mike conseguiu uma namorada? –Pergunto, em curiosidade.

-É, conseguiu sim... O nome dela é Jackie, e como você já pode perceber, ela também não é do Japão... Eles namoraram por um tempo, e... E... Ryan... Você não assiste televisão? Seu alienado! –Ele responde, em risos.

Pude perceber que ele havia hesitado ao ter de contar a respeito do término de seu irmão.

Cast Madrazzo Cravache é nativo do Japão, contudo, seus pais são de nacionalidades distintas. Seu pai, Castro Madrazzo, veio dos EUA, enquanto sua mãe, Rose Cravache, é Francesa.

-Por tocar no assunto... O que aconteceu entre você e a Kira após o fim do ano? Lembro que vocês começaram a namorar naquela época. –Pergunto, em curiosidade.

Cast respira fundo, fecha os olhos e logo os abre novamente.

-Eu tive de viajar para o outro lado do mundo, como você sabe, e com o tempo, nosso contato foi tornando-se cada vez menor, fomos esquecendo um do outro com o passar do tempo... –Ele diz.

-Mas você não tentou procurar por ela quando voltou? –Pergunto.

-Eu tentei, porém descobri que ela não mora mais aqui... Pela informação que consta, ou seja, vizinhança, ela mudou-se há um ano e meio... E convenhamos de que ela há de estar bem melhor agora... Ele responde, em um suspiro pesado.

-Entendo... –Respondo em confirmação.

Neste instante, escuto a voz de Monika a aproximar-se.

-Ryan, você quer um pouco de chá? –Monika trazia em suas mãos um copo plástico com chá, que, devido á sua cor e aroma, presumivelmente deveria ser de canela.

Monika e todas as outras se aproximaram de mim e Cast.

-Oh, boa noite! Qual é seu nome? –Monika pergunta educadamente ao notar Cast.

-Ah, oi! Meu nome é Cast. –Ele responde de modo despojado.

Cast ignora Yuri e Jéssica, e troca olhares com Natsuki por alguns segundos, erguendo sua sobrancelha esquerda ao encará-la.

-O que foi? –Natsuki pergunta.

-Nada de mais! Só te encarei porquê você me encarou também. –Cast responde.

Monika então se manifesta novamente.

-É um conhecido seu, Ryan? –Monika pergunta para mim.

-Ele é um amigo de longa data. –Respondo.

-Jéssica acha que ele é assustador... –Jéssica agarrou-se ao braço de Monika e escondeu-se em suas costas.

Não haveria como negar aquilo... O olhar sério de Cast, levemente obscurecido por sua franja curta, gerava uma sensação ameaçadora à primeira vista.

-Ele é bem legal, Jéssica. –Respondo.

-Nah, não se incomode! Eu não ligo. –Ele responde.

Yuri é a única que aparenta não estar dando a mínima para Cast.

-E então Ryan, qual delas é a sua namorada? –Cast pergunta diretamente.

Todas as garotas, inclusive Yuri, que até o presente momento estava apenas de corpo presente na conversação, agora se manifesta. Elas todas olham para o lado, envergonhadas, menos a própria Yuri, que sorri levemente ao escutar o comentário.

-Então é aquela alta de cabelos roxos? Entendi! –Disse Cast, não se incomodando com a ambientação.

Neste instante, a face de Yuri se enrubesce e ela corre para longe de nós.

-Ah, não era ela... –Ela revoga sua suposição.

Estou preocupado com a imagem que as garotas haviam de ter formulado de Cast... Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele logo olha para mim e em seguida para o caixão.

-Ah! Entendi! Era a Sayori, não é? –Cast pergunta, ao olhar para o caixão.

-Era sim... –Respondo após um tempo.

-Eu sempre soube que ela gostava de você. –Ele responde, com um sorriso levemente compreensivo.

-Uh? Como assim? –Pergunto, em curiosidade.

-Ela me contou, ué! E ainda por cima me deu um aviso... –Ele responde.

-Aviso? –Pergunto ainda mais curioso.

-“Se afaste do meu Ryan!” Foi isto que ela disse... Cara... Nunca irei esquecer aquele olhar... Ela me encarou de uma maneira... Como se me quisesse morto da pior forma possível! –Cast respondeu.

De fato Sayori odiava Cast... Conhecemo-nos no ensino fundamental, durante o 7º ano. Um professor recomendou que eu ajudasse Cast com os estudos em uma matéria em que o mesmo não era tão bom. De início, pensei que seria apenas uma simples monitoria estudantil, porém conforme o tempo passava, tornávamo-nos mais próximos e em pouco tempo éramos amigos. Sayori não gostava de Cast pelo fato de ela pensar que eu pararia de brincar com ela para andar com ele. Com o tempo, expliquei para Sayori que não iria abandoná-la, e ela passou a aceitar Cast em nosso circulo de amizade, porém ela nunca de fato aprendeu a gostar dele, mantendo sempre uma ponta de desconfiança sobre o mesmo.

-Ela odiava você... –Me recordo daqueles tempos, com certa tristeza.

-É, eu sei... –Ele responde.

As garotas apenas observavam nossa conversação.

-Ryan, o chá está esfriando... –Disse Monika.

-Oh! Obrigado Monika! –Respondo ao aceitar o chá. Por alguns momentos, eu havia esquecido que elas estavam ali.

Neste instante, Natsuki se manifesta.

-Vou checar como Yuri está. –Disse ela.

-Ah, faleaà sua amiga que pedi desculpas. –Falou Cast, ao ver Natsuki indo a caminho de Yuri, que estava sentada em uma cadeira, se encolhendo em timidez.

Natsuki olhou friamente para Cast.

-Cale a boca! Fale isso você! –Disse ela, enquanto se dirigia á Yuri.

Cast apenas saltou os ombros e fechou os olhos, em sinal de ignorância.

-Natsuki possui um temperamento um tanto curto... Nos perdoe por isso... –Disse Monika.

-Tanto faz. –Disse ele, em resposta.

Então, percebo que Monika tenta se entrosar em nossa conversa.

-E então Cast... Desde quando vocês se conhecem? –Monika estava um pouco envergonhada ao tentar puxar assunto com Cast.

-Ah, na verdade, já faz um tempinho. Desde o 7º ano. –Cast respondeu de forma direta.

Monika então respondeu com um sinal de confirmação.

-Tudo bem... Ryan, vou prestar minhas solidariedades á família. –Monika então se retirou, indo em direção ao caixão.

Fico um pouco preocupado, pois Monika aparenta pensar que está incomodando.

-Ei, o que acha de sairmos um pouco daqui? Sabe, tomar um pouco de ar. –Sugeriu Cast.

Olho para as garotas por um momento antes de considerar a decisão. Não queria deixá-las sozinhas, porém...

-Tudo bem, vamos. –Respondo.

-Beleza. –Disse Cast enquanto se dirigia á entrada do pequeno edifício.

Antes de sair, olho pela última vez a cena que se passava. Monika conversava com Mina, sentada à seu lado. Yuri havia de fato sumido de vista, assim como Natsuki. Já Jéssica, esta encarava estaticamente ao corpo morto de Sayori... Aquilo, de certa forma, me preocupava...

Saímos do prédio da funerária, e já do lado de fora, noto o movimento de veículos cada vez menor naquela região. Por mais que duas avenidas principais estivessem próximas, o tráfego era realmente muito pequeno. Ao olhar para meu celular, logo percebo a motivação.

-10:30 da noite... Já está ficando bem tarde. –Digo.

-Já está com sono? Segure as pontas, pois desperdiçaremos uma madrugada inteira neste lugar. –Cast responde.

Ele estava certo. Ainda haveria uma vigília pela madrugada, na qual as pessoas mais próximas do falecido vigiam por sua alma... Como estou acostumado a dormir bem cedo, meus olhos já haviam começado a pesar.

-E você não está com sono? –Pergunto.

-Nah, meu horário é 2:00 da madrugada, às vezes até mais! –Ele responde.

-Isto explica estas olheiras... –Respondo.

Cast possuía olheiras, não tão profundas, porém que se tornavam mais visíveis em decorrência da palidez de sua pele.

-Uma vez acostumado, você simplesmente se adequa. -Ele responde.

Logo, começamos a discutir sobre os mais variados assuntos enquanto sentados em um banco feito de concreto que se situava no exterior da funerária, inclusive um pouco sobre o passado.

-... E então o Mike morreu... Quem mandou o estúpido do meu irmão exagerar na bebida...? -Cast tentava sorrir, contudo, pude sentir um forte pesar em sua voz e expressão facial.

Por Cast, soube que Mike havia morrido há um ano... Ele estava dirigindo sob efeito de álcool...

-Minhas solidariedades, Cast... -Respondo.

-Tudo bem... Não tem problema... -Ele responde, hesitante.

Eu havia esquecido completamente do copo de chá que Monika havia me entregado, e ao tentar experimentar, o mesmo estava frio e tinha um gosto não muito agradável. Cast estava contando uma história a respeito de um curso de teatro que ele frequentava na América.

-... E então ela me chamou e eu pensei “por que não?” E resolvi tentar... Lá, a primeira coisa que eles fizeram foi tentar pintar meu cabelo... Nem sequer perguntaram meu nome! –Disse ele, com uma leve risada.

Foi então que Natsuki aproximou-se nós.

-Finalmente consegui encontrar você! –Disse ela.

-Uh? O que foi, Natsuki? –Pergunto um pouco estonteado com o que foi dito antes por ela.

-Eu procurei por você em todos os locais possíveis dentro da construção... –Natsuki estava ofegante, e falava com dificuldade.

-O que foi, Natsuki?! –Pergunto agora realmente preocupado.

-É a Jéssica... –Natsuki falou entre tentativas de capturar o ar.

Jéssica? A princípio, não consigo pensar em nada, porém sinto uma sensação de frio a gelar a espinha ao lembrar-me do fator chave.

Eu havia sentido! Eu sabia que algo do tipo poderia potencialmente ocorrer!

-Oh não... Cast. Vou ter que correr! –Aviso enquanto me preparo para sair.

-Espera aí, eu vou com você. –Ele diz.

-Okay... Natsuki fique aqui e descanse! –Digo enquanto eu e Cast pegamos distancia.

As pessoas participantes dos velórios que ocorriam na construção poderiam pensar que sou um louco, porém a segurança de Jéssica é mais importante.

Ao chegarmos ao local, noto um alvoroço de pessoas desesperadas no local onde Sayori estava sendo velada. Ao entrar, percebo a cena que presumi ver. Jéssica estava em crise...

Monika estava segurando-a enquanto ela gritava e esperneava. Todos no local estavam com medo e afastavam-se de Jéssica.

Logo trato de tentar ajudar, indo em direção a ela e tratando de acalmá-la.

Com um pouco de esforço, seguro Jéssica em um abraço e cantarolo uma canção em seu ouvido em tom baixo. Em algum tempo ela se acalma, e então resolvo dirigir-me a Monika.

-Monika, ela tomou seus remédios corretamente? –Pergunto á Monika.

-Sim... Eu administrei corretamente... –Disse Monika.

-Então o que aconteceu? –Pergunto.

-Eu não sei... Mas acho que deve ter sido choque emocional ou algo do tipo... Ela não saiu de perto do caixão em nenhum momento, e do nada... Isto aconteceu! –Respondeu Monika.

Pude perceber que Monika não sabia como agir, devido à insegurança em suas palavras.

Jéssica se acalma completamente após o ocorrido, e começa a chorar enquanto ainda é segurada por mim.

-Acho que você está certa, Monika... –Digo.

Jéssica deveria estar triste pela morte de sua amiga, e esta grande emoção acabou por pressionar seu psicológico já fragilizado por suas doenças, levando-a a uma crise.

-Vamos leva-la para fora daqui. –Digo.

Jéssica e Sayori, inicialmente, nunca foram muito próximas, contudo, a amizade entre ambas havia crescido rapidamente... Jéssica já havia desenvolvido profundos laços com sua preferida colega de leitura...

Enquanto levávamos Jéssica para o lado de fora, Cast apenas observava sem interesse.

-O que há com a garota? –Ele pergunta, desinteressado.

-Ela tem alguns problemas mentais... –Respondo, porém dizer aquilo de forma tão direta foi capaz de deixar-me um pouco desconfortável, como se estivesse sendo ofensivo.

-Hm. Essa sua galera é esquisita... –Cast apenas fecha os olhos e põe as mãos nos bolsos enquanto andamos.

Ao sairmos, Jéssica senta-se no banco de concreto e respira um pouco. As crises são cansativas, e não apenas mentalmente. Sento-me ao lado de Jéssica.

-Está se sentindo melhor? –Pergunto á ela.

Jéssica então olha para baixo, como uma criança confrontada por seus pais em decorrência de uma brincadeira.

-Desculpa... Todos ficaram com medo... Jéssica estragou tudo... –Jéssica disse.

-Não foi por intenção, okay? Eu sei que não foi... Todos nós sabemos que não foi. –Sorrio enquanto toco seu nariz.

Jéssica logo muda de humor, sorrindo com a brincadeira.

-Você quer alguma coisa? –Pergunto a ela.

Neste instante, ouve-se um som estranho.

-Acho que alguém está com fome! –Monika, que estava ao nosso lado, diz.

Neste momento, olho para o celular e confirmo, 0:37 da madrugada. Havíamos jantado propriamente antes de sair, porém já havia mais de 5 horas que não comíamos nada... Jéssica deve estar realmente com fome!

-Vou sair e ver se encontro algum restaurante aberto. Vou conseguir algo para você, Jéssica! –Digo, com um sorriso para reafirmar.

Enquanto vou em direção á meu carro, percebo Cast a me seguir.

-Sabe de uma coisa? Você daria uma ótima babá! Digo... Quem olha para você pensa que é ameaçador e sério... Mas você foi até fofinho naquele momento! –Ele diz, balançando a cabeça em confirmação levemente.

-Obrigado... Eu acho...? Você também vem? –Pergunto, visto que ele havia me seguido até ali.

-Quero ver se você sabe mesmo dirigir. –Responde ele, logo abrindo a porta da frente e ocupando o espaço do passageiro.

Cast também possuía conhecimento automotivo, logo, ambos conseguíamos dirigir bem.

Ocupo o espaço do motorista e logo dou a partida no veículo.

-Você tem noção de para onde estamos indo? –Pergunta ele.

-Não, mas temos duas avenidas justo ao lado. Devemos de achar algo. –Respondo.

Dou partida no carro e logo nos pomos à estrada.

Logo após sair da rua da funerária, Cast lança uma pergunta.

-Como você as conheceu? –Perguntou ele.

-As garotas? Digamos que foi destino. –Respondo.

-Destino? –Pergunta ele novamente.

-Sinto que aquele dia em que resolvi bater na porta daquele Clube de Literatura mudou minha vida completamente. –Respondo.

-Oh, então vocês são um Clube de Literatura? Eu sinceramente nunca imaginei você sendo tão sociável assim, especialmente com garotas! –Disse ele, em um tom um pouco mais elevado.

Logo Cast liga o rádio, como sempre sem a permissão do proprietário, que no caso sou eu.

Em uma rádio qualquer ele havia sintonizado, e nela tocava “Happy” de Pharrell Williams.

Huh, because I'm happy/
Clap along if you feel like a room without a roof/
Because I'm happy/
Clap along if you feel like happiness is the truth/
Because I'm happy/
Clap along if you know what happiness is to you/
Because I'm happy/
Clap along if you feel like that's what you wanna do/

Decido desligar o rádio.

-Ué... –Cast falou, em reclamação.

-Preste atenção na natureza da situação, Cast... Sayori morreu, e quando os outros morrem você fica de luto! Você não toca músicas alegres e nem cantarola no carro... Você senta e chora! –Digo, quase dando uma aula á respeito de sentimentos para Cast.

-Tudo bem, tudo bem... Não se pode nem mais ser feliz nesta vida... –Cast recosta-se no banco.

Olhando para Cast com aquela feição de emburrado, não consigo manter autoridade e digo.

-Tudo bem... Ligue isto. –Digo, perdendo a autoridade.

Cast preencheu seu rosto com uma feição de vitória e ligou em outra rádio de música estrangeira. Nela tocava “Game of Love” de Daft Punk.

-Essa é boa! -Ele diz.

E sob este som, e alguns outros, procuramos pelas avenidas próximas. Todos os estabelecimentos estavam fechados, com exceção de um, e foi neste em que resolvemos parar.

-É sério? Comida Chinesa? –Perguntou Cast, em menosprezo.

O local tinha sua pompa, contando com uma fachada com diversas janelas de vidro, tornando possível a visualização do interior. Não havia muitas pessoas, apenas um casal ocupava o ambiente.

-É o que temos. –Respondo.

-Eu não vou pedir... –Ele diz.

-Você veio porque quis! –Respondo, fechando a porta do carro.

Dirigimos até 1:23... Espero que não estejamos fazendo com que esperem muito.

Cast pôs as mãos em seus bolsos e me acompanhou.

Ao entrarmos no estabelecimento, fomos direto rumo ao balcão. O cheiro do que aparentava ser camarão preenchia o ambiente com um aroma consideravelmente agradável. Logo aproximamo-nos de um atendente.

-Com licença senhor... –Digo, porém surpreendo-me com a pessoa que encontro.

O senhor que estava á nos atender era ninguém mais além do pai de Akemi...

-Pois nã- Você... Você é o Ryan, não é? –Ele diz de modo surpreso.

-Sim... Sou eu. –Respondo igualmente surpreso.

Cast estava ali apenas como espectador, e observada toda a cena.

-Mas como o mundo é pequeno! O que faz por aqui a esta hora da madrugada? –Ele pergunta amistosamente.

-Bem, é uma situação complicada... –Digo.

-Faça seu pedido, e enquanto preparo tudo, pode me contar! –Ele diz de forma compreensiva.

Troco olhares com Cast por alguns segundos.

-Vá em frente, não vou querer nada. –Cast diz.

-Muito bem... Vou pedir alguns camarões, duas porções de refogado de cogumelos e outras duas de lámem, por favor. –Digo, pois havia pensado nas outras garotas também.

-É para viagem? Irá querer alguma bebida? –Pergunta ele.

-Bem... Por favor, nada que seja alcoólico ou a base de saquê. –Digo.

Ele anota os pedidos e lava suas mãos, logo após indo em direção á uma verdadeira e bem equipada cozinha localizada no fundo do balcão, permitindo que todo o preparo dos alimentos fosse visto.

-Tudo certo... Agora pode explicar o que o trás aqui? –Ele pergunta enquanto esquenta uma grande panela com água e separa quantidades de massa para lámem.

-Bem, como eu disse é uma situação complicada... Estamos no enterro de um conhecido que morreu de forma trágica... Suicídio. –Evito entrar em detalhes sobre quem é Sayori e que papel ela ocupava em minha vida.

-Nossa... Eu imagino como deve ter sido difícil... –Disse ele.

Pude sentir uma ponta de emoção em sua fala, visto que ele havia perdido sua filha há pouco tempo.

O silencio reina entre nós por alguns minutos após isto, e enfim ele mesmo trata de quebrá-lo.

-Pode parecer uma pergunta ruim, mas... Você deu uma olhada naquelas coisas que entreguei no outro dia? –Ele pergunta.

-Olhei apenas o caderno, ou melhor, consegui apenas olhar no caderno. Quanto ao diário... Não tive coragem para olhar... –Respondo.

A aquela altura da conversa, Cast já estava longe, ocupando uma cadeira de uma mesa vazia, olhando algo em seu celular.

-Sinto muito se fiz a coisa errada... Sinto que não deveria ter posto todo aquele peso em suas costas... –Ele diz, referindo-se à grande carga emocional que aqueles objetos carregam.

-Não se preocupe! Olhar aquele caderno foi uma experiência para se guardar. –Respondo.

Enquanto olhava para as panelas de macarrão á ferver, o cheiro dos cogumelos á gratinar tomava o ambiente.

-Sabe de uma coisa? Antes de conhecer você, Akemi nem pensava em cozinhar... –Disse ele.

-Como? –Pergunto curioso.

-Fiquei surpreso quando ela chegou á casa e importunou a mim por quatro dias seguidos para que a ensinasse a cozinhar... Ao perguntar o motivo, ela não quis contar, pois estava com vergonha. A primeira coisa que ela aprendeu a fazer foram biscoitos, admito que ficaram um pouco crus na primeira vez, porém com o tempo ela melhorou e eles ficaram maravilhosos! –Disse ele com um sorriso leve no rosto.

Ao escutar aquilo, lembro-me de algo.

-Houve um dia em que encontrei uma vasilha com biscoitos dentro de minha bolsa... Eles eram de chocolate, se não me engano... Nesta vasilha havia um pequeno pedaço de papel escrito “para que você continue se esforçando” ou algo do tipo. –Respondo.

Neste instante, ele ri.

-Minha filha era mesmo uma figura! –Disse ele enquanto ria.

Após aquela conversa, logo os pedidos ficaram prontos.

-Muito bem, tudo isto resulta em 2172,88¥ (Iene(s) é a moeda Japonesa, e este valor é equivalente á aproximadamente 73,45 reais). –Ele diz.

-Sem problemas. –Retiro o dinheiro de minha carteira, em forma de duas notas, uma de 1000 e outra de 2000 ienes.

Pego meu troco.

-Muito obrigado! –Digo.

-Não há de que! E, é claro, eu não lhe disse meu nome ainda, me chamo Quon! –Disse ele, com um sorriso tímido no rosto.

-É um prazer, senhor Quon! Mas espere... Este não é um nome tipicamente Japonês... –Digo.

-Ah, é claro! Na verdade, eu não sou Japonês, mas sim Chinês! –Disse ele.

-Por isto a ideia do restaurante? –Pergunto.

-Exatamente! Quando me mudei para o Japão com a mãe de Akemi, que é naturalmente Japonesa, a única coisa que sabia fazer era cozinhar, então decidi manifestar meu conhecimento cultural em gastronomia neste lugar! Mas e você, Ryan? Não aparenta ser japonês. –Disse ele.

-Na verdade, eu sou brasileiro... Em maioria... Porém, como vivi literalmente minha vida inteira no Japão, sou naturalizado como um. –Respondo.

-Entendo! Devo dizer que seu caso é bastante excepcional, visto que dificilmente latinos adentram o Japão! -Ele diz.

-Bem... Minha família teve sua sorte... -Respondo.

-Compreendo... Comigo também foi assim!... Pois bem, vou parar de tomar seu tempo, Ryan! Obrigado pela preferencia! –Disse ele.

-Até alguma outra ocasião! –Aceno para ele.

Olho para Cast, que me estava sentado na cadeira.

-Já acabou? –Ele pergunta.

-Vamos. –Respondo.

Ao sair do estabelecimento, Cast pergunta.

-Quem é Akemi? –Ele pergunta.

-É outra longa, triste história. –Respondo, entrando no carro e deixando a comida no banco de trás.

-Me conta no caminho de volta... –Disse ele, entrando no carro.

Assim que Cast entra, um silencio toma o veículo.

-Eu sei que você está louco para ligar isto... Ligue logo! –Me refiro ao rádio do carro.

Cast liga a rádio e sintoniza em outra rádio, desta vez, de legítima música japonesa.

Não demorou muito até voltarmos para a funerária. Logo estaciono o carro e ambos descemos. Ao sair, eram 2:15, e demoramos cerca de mais 15 minutos para retornar.

-... Então o que você está me dizendo é que você foi um completo babaca por não ter lido a carta que aquela garota escreveu com tanto amor e carinho, com sentimentos que ela nutriu platonicamente por três anos inteiros...? É... Você não presta, Ryan... -Cast diz, em mistura de ironia e reprovação.

Apenas relevo o comentário da maneira que consigo, ao respirar profundamente e fechar os olhos.

Monika e Natsuki continuavam no banco de concreto, conversando e brincando com Jéssica.

-Ainda bem que vocês chegaram! Já estávamos ficando sem ideias para entreter Jéssica enquanto a comida não chegasse. –Disse Monika.

-Andamos consideravelmente e encontramos apenas um local aberto... Que sorte! –Digo.

Ambos eu e Cast segurávamos dois pratos embalados para viagem. Distribuo os meus para Monika e Jéssica.

-Não precisava gastar seu dinheiro comigo, Ryan... –Disse Monika ao receber o pacote que continha cogumelos refogados.

-Pensei que vocês também poderiam estar com fome. –Respondo.

Jéssica comemora ao receber lámem, batendo palmas e sorrindo.

Cast, que também possuía em suas mãos dois pacotes, entrega um deles a Natsuki, sem sequer dizer uma palavra, apenas trocando olhares.

Natsuki aceita silenciosamente a refeição contendo o lámem.

Havia sobrado um pacote, o que seria para Yuri, porém não a vejo no funeral há um tempo.

-Alguma de vocês sabe onde Yuri está? –Pergunto, ao notar por sua falta.

-Realmente... Na ultima ocasião em que a vi, ela entrou no banheiro... –Natsuki disse.

-No banheiro? O que ela poderia estar fazendo ali por tanto tempo? Estaria se sentindo mal? –Suponho que Yuri há de ter se sentido mal para estar no banheiro por tanto tempo.

Neste instante, uma figura conhecida fala de longe.

-Pessoal... –Era Yuri, que se aproximava de nosso grupo.

-Yuri, onde você estava? –Perguntou Natsuki.

-Eu estava... Procurando vocês... –Disse ela.

-Por este tempo inteiro? –Perguntou Monika.

-É que são tantas pessoas, que me senti um pouco desnorteada... –Respondeu ela.

-Ansiedade Social... –Respondeu Monika.

-Eu estava com medo de perguntar para as pessoas... –Yuri diz, puxando gola de seu suéter como se estivesse com calor.

O rosto de Yuri estava levemente molhado com suor e ela tentava afogar as mangas e a gola de seu suéter.

-Você está bem, Yuri? –Pergunto.

-Sim... Agora que estou do lado de fora, sentindo vento fresco, ficou bem melhor... –Ela responde.

Neste instante, Cast entrega em minhas mãos o último embalo com comida.

-Cuide disso você mesmo... Isso é contigo... –Disse ele.

Assim, entrego-o a Yuri.

-Oh... Obrigada Ryan... Não precisava... –Disse Yuri, recebendo a refeição.

-Pensei que você poderia estar com fome, Yuri. –Respondo.

Yuri sorri gentilmente ao receber a refeição.

-Mas o que fez vocês demorarem tanto? –Perguntou Monika.

Neste instante, Cast se impõe no diálogo.

-Por alguma coincidência do destino, o “tio do lámem” conhecia esse “cabeça oca”, e eles ficaram trocando ideia por um bom tempo, sobre uma tal de Akemi... –Disse ele.

Neste instante, Monika e Natsuki se entreolham, Yuri não diz nada, e Jéssica, não estando a par da situação, apenas encara a todos com curiosidade.

-Entendo... Uh... Tudo bem, então... Vamos comer? –Sugeriu Monika, tentando se desvencilhar do tópico.

Jéssica já estava impaciente com toda aquela conversa e queria comer logo. Então, distribuo os hashi e as bebidas.

-Vocês não vão comer nada? –Monika pergunta.

-Estou bem assim, obrigado. –Falo por mim.

-Faço apenas duas refeições por dia, não preciso de mais que isso. –Cast diz.

-Duas refeições? –Pergunto.

-Apenas as principais, almoço e jantar. Talvez eu pegue um copo com chá. –Ele responde.

Após aquele diálogo, olho para Yuri, e logo vejo que ela não aparentava estar bem, pois o suor em seu rosto apenas aumentava em quantidade, e começava á correr por sua face.

-Yuri, você está sentindo-se mal? –Pergunto, ao ver seu estado.

-Muito quente... –Ele diz enquanto tenta se afogar a gola do suéter mais uma vez.

-Estas roupas não estão mesmo ajudando você... –Digo enquanto penso em algo.

Após pensar um pouco, consigo criar alguma ideia coerente em minha mente.

Rapidamente retiro a blusa preta social que estou utilizando por cima, agora apenas com a acinzentada comum, e entrego-a a Yuri.

-Vá se trocar, Yuri. –Digo á ela.

Yuri então desvia o olhar de mim.

-Mas Ryan... É... É a sua blusa... –Ela diz, timidamente.

-Este calor não está lhe fazendo bem! Você tem que usar algo mais ventilado. –Digo á ela.

Yuri hesita.

-Não é hora para ser tímida, considere isto como um favor de amigo! –Digo á ela, com um sorriso.

-Um favor... De amigo? –Ela pergunta.

-Sim. Pode ir! –Respondo.

Com um pouco de argumentação, Yuri segura a blusa em suas mãos e vai em direção a parte interna do edifício.

Neste momento, Cast se manifesta novamente.

-Ele é sempre assim ou age desta forma apenas para pegá-la?... Sinceramente, eu não conheci o pequeno Ryan assim... –Cast perguntou a Monika, referente a minha atitude.

-Ryan considera Yuri como uma amiga, e faz o que puder para ajuda-la, em suma, ele é assim mesmo! –Monika respondeu, em um curto sorriso.

Pude perceber que Cast forçou-se a manter seriedade após escutar o argumento de Monika.

Em algum tempo, Yuri chega, agora utilizando a blusa que lhe emprestei, obviamente com todos os botões fechados, porém em comparação com seu suéter, aquilo era bem mais arejado.

-Como está se sentindo, Yuri? –Pergunto.

-Bem melhor... –Ela responde, timidamente.

Yuri segurava seu suéter.

-Posso guardar seu suéter? –Pergunto.

Yuri timidamente em entrega o suéter dobrado, que estava úmido com seu suor. Guardo-o em meu carro.

O banco de concreto possuía espaço o suficiente para que todos conseguissem sentar-se. Natsuki comia educadamente, por estar em ambiente público, Monika estava com um olho na comida, outro em sua prima, esta que literalmente comemorava com o lámem que estava comendo.

Cast começou a afastar-se.

-Aonde vai, Cast? –Pergunto á ele.

Então ele vira-se para mim.

-Vou buscar um copo com chá, por quê? Tá afim de uns biscoitos de água e sal? –Ele pergunta, em tom de brincadeira.

-Então, pode trazer! –Rebato, em tom de brincadeira.

-Eu trarei mesmo... –Ele diz.

Em pouco tempo, vi Cast retornando com dois copos de chá, e acima de um deles, havia alguns biscoitos.

Cast literalmente atira os biscoitos, e, de alguma maneira, nenhum deles se separa da pilha enquanto pleno voo...

-Quando aprendeu a fazer isso...? –Digo enquanto seguro os biscoitos.

Ele então me entrega o chá.

-Truque legal, não?... Pois é... Não tente me ler! –Ele diz, referente ao fato de que nunca o levo a sério.

Chá quente é de fato bem melhor. As garotas acabam de comer em algum tempo, e gastamos cerca de uma hora conversando. Ao olhar para o celular, noto o horário.

-3:58. –Digo.

O movimento na rua agora é quase nulo, com exceção dos carros e algumas pessoas a pé que iam a suas casas ao fim dos velórios, ainda assim, havia alguns poucos em vigília, assim como nós, que continuariam no edifício até o nascer do sol.

-Essas cidades ficam mesmo paradas durante a noite, em? –Perguntou Cast.

-E como era por lá? –Pergunto em curiosidade.

-Também não era diferente, apenas um pouco mais movimentada do que isto. –Ele diz.

-Entendo... –Respondo.

Cerca de meia hora depois houve a oração da vigília, na qual oramos para a alma de Sayori, para que fosse salva, visto que a crença comum é de que suicidas vão direto ao inferno... Aquela ideia é realmente cruel...

-Minhas solidariedades, senhora Mina... –Disse Natsuki.

-Sayori era uma grande amiga de todas nós... –Disse Monika.

-Jéssica gostava da amiga Sayori... Jéssica vai sentir falta... –Disse Jéssica.

-Minha Sayori era uma boa garota... Tinha tantas amigas! –Disse Mina enquanto tornava a chorar.

Eu estava ao lado do caixão, e lá, seguro a mão fria de Sayori, suspirando pela última vez, dizendo a Sayori o último...

-Eu te amo... –Digo enquanto seguro a mão fria de Sayori.

Após fechar os meus olhos, reafirmo minha palavra e solto sua mão, olhando em seu agora pálido rosto pela última vez... Rosto perfeito manchado com maquiagem em pó e mirra.

Olho para Cast, que, aquela altura, já deveria estar no quinto copo de chá consecutivo... E continuava apertando o botão na parte superior da tampa da garrafa para encher seu copo mais uma vez! O chá quente descia faringe abaixo como se fosse apenas água.

Yuri estava comendo alguns biscoitos enquanto sentada em uma das cadeiras do local.

Resolvemos fazer companhia á família de Sayori para o resto da vigília. Jéssica em especial estava literalmente batalhando contra o sono, tentando manter seus olhos abertos a todo o custo para orar por Sayori, porém, por fim acabou cedendo, e dormiu encostada ao braço de Monika.

Amanhã seria o enterro de Sayori, a cerimonia do adeus definitivo.

Continua.


Notas Finais


Ninguém deve estar compreendendo nada...

Se não, voltem um pouco na história...

Eu (TheMultiversal) fiz um.collab com o NextBroadcast, "emprestando" o personagem dele para essa história... Podem esperar muito do Cast!


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