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História Domart Desire - Capítulo 7


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Notas do Autor


Oi, meus amores. Me perdoem pela demora, mas está aqui. Aaaah eu amei escrever esse cap demais❤️❤️

Capítulo 7 - Tum.Tum


Fanfic / Fanfiction Domart Desire - Capítulo 7 - Tum.Tum

                       Pov: Narrador

 O clima de Londres nunca fora um dos mais estáveis, sempre oscilando entre as chuvas torrenciais e os dias ensolarados. Akane descobriu, por conta própria, que resolver um enterro, o leilão de uma casa, e a doção de móveis e roupas, demandava muito mais tempo e paciência do que ela suponha. E era ainda mais difícil com condições meteorológicas tão instáveis.

 Aquela, ela contou desligando o telefone, já era a terceira vez que o carreto remarcava a transferência dos móveis de sua antiga casa para a igreja de São Miguel, negando-se a fazer a mudança por conta do fim do mundo que tinha forma de chuva.

 Resmungando, se afundou no sofá marrom da enorme sala de estar, observando pelo canto do olho Watari soltar uma risadinha.

 - Esperava mesmo que alguém fizesse a mudança nessa chuva?

 - Não... - mordeu o lábio, vendo ele erguer as sobrancelhas - Okay, talvez só um pouquinho. Mas nem está chovendo tanto assim!

 Como se suas palavras fossem ofensivas demais ao clima, um trovão estrondoso sacudiu a casa e a violência dos pingos dobrou de fúria.

 Akane soltou um “Ah, qual é!” em protesto, mostrando a língua para o senhor que não conseguiu prender uma gargalhada, tremendo os ombros compulsivamente.

 Ela observou seu divertimento a suas custas por alguns segundos, e seus cantos dos lábios se repuxaram para cima involuntariamente. Com alegria, percebeu que as semanas passaram mais rápido do que imaginava, que a dor do luto ainda era avassaladora e esmagadora - mesmo que já fizesse uma semana que as despesas do enterro tinham acabado, e não era mais preciso ficar vendo os recibos com o remetente da funerária e se lembrando do motivo -  mas, entretanto, ela tinha um pai.  Tinha a quem se apoiar sempre quando soluçava ao escolher quais lugares as roupas de sua mãe seriam doadas, tinha alguém que lhe fazia rir e ria da maioria de suas palavras, junto com a amizade e respeito que florescia nesse tempo.

 Concluiu, naquele instante, que gostava realmente de Watari. E mesmo que não o chamasse de pai, sentia-se sortuda por ter alguém como ele nesse posto. Percebendo que agora estava emocionada, piscou varias vezes, desviando os olhos do grisalho e disfarçando o nó na garganta com uma tosse.

 - Amelia me disse que vai fazer um bolo de banana ótimo, ela acredita que combina com chuva. Vou pedir que te entregue um pedaço assim que acabar - com simpatia, ele deu um tapinha amistoso no joelho da filha, levantando-se da poltrona - Tenho uma reunião com Roger via Skype, vou estar no escritório 1 se precisar de mim.

Por ainda estar com a garganta embargada, Akane apenas sorriu com gratidão e assentiu, deixando que ele se retira-se.

 Amelia, a empregada da casa que havia retornado de suas férias, apenas alguns dias após se mudar para a casa de Watari, era uma confeiteira de mão cheia.  E por ter Ryuzaki, um viciado em açúcar assumido, como patrão, viva achando pretextos para entupir todos de doces e quitutes.

 Ryuzaki... só o nome já fazia o embargamento em sua garganta virar uma gagueira constrangida. Desviou os olhos, como se alguém pudesse ler seus pensamentos, e se afundou mais no sofá, tentando desviar o foco da lembrança dos olhos negros e a boca pálida do rapaz.

 Aquilo era loucura. Ryuzaki deveria ter seus vinte e poucos anos, e com certeza era um cara extremamente inteligente, por que iria se interessar em uma adolescente prestes a entrar na faculdade?. Se lembrou da vez em que Watari disse que Ryuzaki era uma figura de muitíssima importância em seu ramo de trabalho. Que isso ocupava todo o seu tempo, e portanto não era para se preocupar se não o visse com frequência.

  Que beleza, um Workaholic gato que não dava o ar da graça de sua presença!  Era melhor continuar com sua apaixonite pelo Ian Shomehauder.

 A chuva lá fora continuava a todo vapor, transformando o habitual céu límpido das três da tarde em uma verdadeira camada cinzenta de tempestades e trovoadas. O que era uma lástima, porque Akane queria muito acabar com todo o processo das doações dos móveis, e começar a visitar as faculdades.

 A segunda ideia na verdade fora de Watari, em uma de suas conversas com a garota. Explicou que planejava a ingressar na faculdade assim que suas férias de final de ano acabassem, e que até lá iriam procurar a que ela mais gostasse. Recebeu a notícia em um compilado de choque, descrença e gratidão, arrancando dela soluços altos.

 - Isso... é a coisa mais gentil que eu já ouvi - foi o que lhe disse, antes de arremessar os braços em torno do pescoço do mais velho e o abraçar com força - Ah, obrigada! Obrigada! Eu nunca pensei que fosse fazer isso.

 - Não tinha planos para a faculdade? - conseguiu buscar a voz, em um misto de emoção paternal e o fôlego que voltou ao seus pulmões por Akane estar o abraçando forte demais.

 - Não tínhamos como pagar uma faculdade presencial, então eu já estava acostumada com a ideia de fazer uma dessas faculdade online - meneou os dedos.

 A loira sorriu com a perspectiva do seu futuro, mesmo sem ter a mãe do lado, ela era extraordinariamente grata pelas pessoas que a vida lhe colocou em seu caminho.  O dinheiro deles não era a coisa que a deixava feliz - claro que era bom saber que podia ter mais opções - mas a verdade era que era grata por ter amor.  Amelia era carinhosa e gentil, o tipo de mulher que sempre fazia os outros ficarem confortáveis. Watari era bondoso e cheio de virtudes, sempre tinha um sorriso doce para dar e parecia gostar de ser seu amigo. Até o chofer e segurança deles eram simpáticos.

 E tinha Ryuzaki... que mesmo despertando seu coração em uns bons ritmos mais rápidos, era acolhedor, e as poucas vezes que se encontraram, fez questão de lhe fazer se sentir em casa. Em um suspiro, ela fechou os olhos, apreciando a sensação de gratidão e bem estar, esquecendo por alguns segundos do buraco que a perda da mãe deixou em seu peito.

 Como a chuva não dava sinal de parar, e as redes sociais estavam em monotonia, se levou do sofá e rumou para a biblioteca, sorrindo com a perspectiva de terminar a leitura sobre a biografia de sua escritora favorita. Já que a correria das últimas semanas não lhe deixavam tempo para suas leituras.

 Abriu a grande porta da biblioteca ao tocar a maçaneta, procurando com a mão esquerda em seu celular alguns livros na internet que poderia comprar. Talvez Watari a deixasse usar uma prateleira da biblioteca para colocar alguns livros. Nem se fosse a menorzinha de todas, seria incrível de qualquer forma. Distraída na tela, fechou a porta atrás de si e apenas olhou de relance para os corredores entre as estantes esguias, seguindo por entre um deles. 

 Depois de procurar alguns minutos na categoria de romance em seu celular, achou uma história que valia apenas ser comprada, algo sobre uma mocinha do século dezenove que tinha que viajar até a Grécia para encontrar o pai perdido, e ia contar com a ajuda de um pirata sexy e arrogante que a levaria em seu barco em troca de uma boa quantia de dinheiro.  Ambos teriam que ignorar a atração entre si e o desejo de matar um ao outro.

 Era esse! Era exatamente isso que sua sede de leitura precisava! Piratas gatos, mar aberto, mocinhas valentes e o clima absurdo de desejo do “eu te quero mas não posso”. Isso ai! Já que sua vida amorosa ia só ladeira a baixo, tinha que se contentar com a Srta.Becker o pirata Sr.Trevor. 

 Bloqueou o celular e o afundou no bolso de trás de sua calça jeans, voltando a atenção para a estante e logo encontrando a biografia.  Rumando para as mesas com poltronas, se perdeu tão fundo em seus devaneios sobre piratas sexys de 1,90 de altura, com seus corpos bronzeados e mar salgado, que quando deu de cara com a figura esguia e pálida de Ryuzaki, do outro lado de uma das mesas. Colocando um livro sobre ela ao lado de diversos que já estavam abertos, acompanhados por uma xícara de café, ela soltou um gritinho assustado e pulou dois passos para trás.

 - Ah, meu Deus! - colocou a mão no coração, recuperando-se do susto, o olhando com o rosto vermelho de vergonha por tê-lo atrapalhado em algo que claramente parecia importante. - Eu sinto muito! Não vi você ai. Estava tão entretida no celular que não reparei e...

 Lawliet apenas pendeu levemente a cabeça para o lado, a olhando com tranquilidade, descendo a atenção para o livro em suas mãos e novamente para as bochechas coradas pela vergonha.

 Ele a tinha visto entrar, com os olhos concentrados no celular e os lábios delicados contraídos, como se estudasse algo importante. Tinha visto seus pés se esticarem para alcançar um livro, e reconhecido que o exemplar em questão era o mesmo da última vez que se encontraram na biblioteca.

 Ela gostava de romances. E não tinha um único sequer desse gênero naquela maldita biblioteca gigantesca. Se repreendeu por isso, deveria ter mandado comprar livros do gênero que ela gostava da última vez que reparou no que lia. Ninguém deveria ter apenas um livro para ler.

  E aquele lugar as vezes parecia um mausoléu, lotado de páginas que com certeza eram maçantes e exasperantes para ela. Não era cavalheiro de sua parte tentar fazê-la se sentir em casa, quando não tinha um único volume se quer naquela maldita biblioteca que ela gostasse.

-... Eu não queria te atrapalhar, Watari me disse que você tem um trabalho importante e... - Ah, sim, ela ainda continuava a falar. Não parara sequer um segundo desde que o encontrou. Se desculpava por coisas sem sentido, algo sobre não querer incomodar, sobre não ter conseguido terminar a leitura e gostar de ler. Também falou sobre Amelia fazer algum bolo, algo relacionado ao tempo e também sobre como estava mortalmente envergonhada por não ter o visto.

 Mas ele riu. A única coisa que Akane não pensou que ele faria.  Lawliet a achou tão inocente, tão graciosa com as bochechas envergonhadas, o pequeno tamanho e os grandes olhos carameladas arregalados de preocupação, que ele não conseguiu se conter. Não era possível que aquela garota tão pequena conseguia falar tão rápido e se sentir tão acanhada em sua presença.

 Mas o divertimento deu lugar a alguma coisa a mais. 

   Tum tum. Tum tum.

 A reação dela ao seu riso, o modo como os lábios rosados se arquearam em graça, como os olhos se suavizaram e uma mexa do cabelo cor de alabastro deslizou pelo seu ombro nu, desviando da alcinha da blusa, fez seu coração dar uma ponta.  Que mesmo fraca e insignificante, o fez sair imediatamente do seu tupor e o lançar novamente ao controle do seu ser.

 - Você está rindo de mim - ela murmurou, se divertindo também.

- Não consegui evitar. Mas queira me desculpar - acompanhou seu leve sorriso, dobrando a mesa em que estava e puxando uma cadeira para ela - Queira se sentar. Do contrário do que pensa, não está me atrapalhando, faz tempo que estou aqui.

 Voltando para seu outro lado da mesa, sentou-se novamente, vendo a figura pequena se sentar a sua frente e repousar o livro no mármore.

- Sério? Que bom que não ficou irritado - Akane sorriu novamente.

 Lawliet já tinha estabelecido um perfil para ela. Era do tipo de garota meiga e energética, que sempre tinha um sorriso para dar ou algo engraçado para dizer. Percebeu que ela fazia as pessoas se sentirem únicas e importante quando as dirigiam aquele sorriso, não que isso acontecesse com ele, mas gostava de como sua presença dava um quê de cor e vitalidade em tudo a sua volta.

 - De modo algum - respondeu, acomodando os pés sobre a cadeira.

 Observou seu rosto se retorcer em dúvida ao flagrar seu modo de se sentar, piscando aqueles grandes olhos e o logo os subindo para os seus.   Ela não tinha o visto muito para perceber seus costumes, e da última vez que sentara a sua frente, quando o chamou de Sherlock, duvidou muito que ela tivesse reparado em suas pernas em cima do sofá. Com todo aquela vergonha e agitação que sentiu com as panquecas, era óbvio que ela estava aérea sobre muitas coisas, tentando demonstrar que não estava incomodada com seu fracasso na cozinha.

 Mas ali, Akane de fato reparou em seus joelhos dobrados.  Ele já estava preparado para a chuva de perguntas, ou o silêncio julgador que a maioria das pessoas davam. Elas tinham sempre duas opções, ou perguntavam sobre seus modos pouco convencionais e questionavam sua sanidade, ou ficavam quietas e o olhavam com expressões que claramente demonstrava que estavam pensando em qual manicômio ele deveria ter saído. Mas, em ambos os casos, as pessoas continuavam incomodas com ele.

 Lawliet não se incomodava com quaisquer dessas coisas, só era cansativo responder as mesmas perguntas e causar incômodo nas pessoas. Mas, contra todos as suas estatísticas e probabilidades, Akane soltou um risinho doce e o olhou com tanta simpatia e igualdade, que Ryuzaki sentiu que pudesse despencar da poltrona. 

 Tum tum. Tum tum. 

 Aquela garota ensandecida estava sorrindo para seus modos? Olhando para si como fossem iguais e ele estivesse se portando como ditava a etiqueta inglesa?

- Você não saiu para almoçar? - Ela perguntou, abrindo o livro na página em que estava o marcador e levantando novamente queles grande olhos para ele - Não está com fome? 

 - Amelia trouxe a refeição aqui - buscou o fio de voz que tinha, organizando os pensamentos e os enfileirando em uma planilha em ordem de importância - Estou bem.

 Akane sorriu, novamente aqueles sorrisos doces, e se recostou na poltrona, acomodando-se melhor. Concluiu que ela nunca puxava uma conversa como o padrão da sociedade, não esperava interação mútuas, nem perguntas para dar continuidade. Akane apenas dizia o que sentia, não esperava  participação ou um monologo de perguntas e repostas padrões.

 E foi exatamente por isso, que seu interior reagiu a ela com graça e se pegou dizendo

 - Você já almoçou?

 Então, ela sorriu de novo, abaixou o livro e se endireitou para o responder com entusiasmo, como se a rainha da Inglaterra a tivesse perguntado algo.

   E Lawliet sentiu, mesmo que tivesse exilado e banido esse sentimento no segundo em que o reconheceu, que seu destino havia sido selado naquele instante e que sua vida acabara de começar.

 Tum tum. Tum tum

 

 



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