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História Domart Desire - Capítulo 8


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Capítulo 8 - Candys


                            Pov: Narrador

 O temporal lá fora não dava trégua, ricocheteava furiosamente os pingos nos telhados e janelas, fazendo os galhos das árvores tamborilarem compulsivamente nos vidros. Era uma visão pavorosa quando se tinha fobia de tempestades, mas Akane apenas se acomodou melhor na poltrona de couro marrom, quase ronronando pelo conforto que elas propunham.

  Ergueu o olhar minimamente pela vigésima vez, em um intervalo de - ela suponha - vinte minutos, para o rapaz a sua frente. 

 Ryuzaki estava concentradíssimo, passando os olhos rapidamente nas intermináveis linhas de um livro grosso, como se desvendasse todos os seus segredos.

  Ele era uma coisa e tanto, cercado pela luz cinzenta da tempestade atroz, vindo das grandes janelas vitorianas. A boca pálida era carnuda quando vista de perto, e ganhava um quê de rosado ao constrastar com a meia luz avermelhada de um dos corredores de prateleiras. O cabelo negro rebelde reluzia, dando personalidade ao maxilar reto e o nariz fino, demarcando ainda mais as bochechas esticados nos ossos e deixando sua aparência tão máscula, que Akane prendeu a respiração. 

 Aquilo era doideira! Ele era tão lindo que parava seu coração uns bons dois ritmos. 

 Ryuzaki não era como os piratas fortes e maliciosos que dirigiria os pensamentos momentos atrás, nem era parecido com os viloens cheios de charme que a arrancavam suspiros nos filmes.

 Ele era quieto, prático, taciturno e centrado. A blusa de manga comprida demonstrava que não escondia muito músculos, mas a maneira como o tecido se grudou no bispes dele quando puxou a cadeira para ela, dizia que de fraco e franzino ele não tinha nada. 

 Com a mente tão ausente de decoro, seus olhos seguiram seus pensamentos e abaixaram para os bispes e correram para suas mãos brancas. Os dedos alvos e esguios repousavam nos joelhos dobrados, e um desejo de senti-los percorrer seu rosto e envolver sua nuca, a tomaram de forma avassaladora. 

 Akane mal percebeu a respiração começar a falhar, a boca entreabrir e uma arfada baixinha escapar quando - como se ele lesse seus pensamentos, ou fosse teste do destino para ver até que ponto ela conseguia se segurar, antes de cometer alguma loucura - Ryuzaki levou a mão esquerda a boca, repousando o polegar ao lábio inferior. E como se não bastasse para sua sanidade, aquela maldita boca beijável se entreabriu, o filete de espaço deu visão ao pedaço da carne rosa de sua língua, e então desceu os dentes para o polegar, mordiscando a pele.

 Akane arfou mais alto e Ryuzaki olhou para ela.

 - Está tudo bem? - Ah, aquela voz.

 - S-Sim... Por que não e-estaria ? - Se remexeu na poltrona, desviando os olhos dele imediatamente e voltando para o livro, procurando a palavra “madressilva” na qual tinha parado.

 - Parece inquieta - Akane sentia o olhar dele queimando sobre si, e naquele momento era como se Ryuzaki soubesse de todos os seus pensamentos mais impuros. E isso a deixou com rosto quente e avermelhado.

 Droga! Droga! Será que ele percebeu que ela o encarava intensamente?

 Pior, será que conseguiu enxergar a curiosidade nos olhos dela?

 Pior ainda, será que sabia exatamente o que estava passando em seus pensamentos depravados?!

 - Está envergonhada de novo - aquela maldita voz ressoou mais uma vez, a deixando apavorada com possibilidade dele acertar em que águas seus pensamentos estavam nadando.

 - Eu?! - conseguiu achar a voz, o olhando de supetão - Que ideia! Eu... fico com esse tom aqui o tempo todo. É super normal, sabe? Dizem até que é uma condição genética e... - Ela parou, não porque percebeu o quão ridículo era seu argumento, mas porque o rapaz começou a dar aquele sorriso, igualzinho o qual deu quando riu dela, e foi quando percebeu que estava novamente falando de mais. 

 Fechou a boca, mais constrangida impossível. Mas Ryuzaki apenas aumentou o sorriso, como se não conseguisse evitar. Então abriu a boca para falar algo e...

 - Patrão, eu fiz um bolo espetacular... - Amelia entrou porta adentro, com uma grande bandeja de prata em mãos, carregando um generoso pesado de bolo, alguns bombons e pequenos docinhos de coco - Ah, querida! Você está aqui, eu estava mesmo a sua procura.

 A mulher que já aparentava ter seus cinquenta e poucos anos, sorriu verdadeiramente para ambos. Depositando a bandeja no espaço vago na mesa deles, começou a distribuir os pratos em frente a Ryuzaki e retirou a travessa.

 - Obrigado, Amelia. Tudo parece ótimo - o moreno desviou sua atenção, voltando-se para a senhora e sorrindo.

 - Bolo de banana combina com chuva, era o que minha mãe sempre dizia - se virou para Akane - Vai querer descer, querida? Ou prefere comer aqui?

 Quando abriu a boca para responder, sentindo-se aliviada pela presença reconfortante da senhora, Ryuzaki não lhe deu chances:

 - Akane irá me acompanhar. Pode trazer um prato para ela, por favor?

 Como é que é?!

 Chocada, a garota olhava de um para o outro, percebendo um sorrisinho pincelar os lábios da senhora e ela concorda de prontidão.

 - Claro - e se retirou.

 Encarou Ryuzaki, cujo puxava o bolo para si, e esticava o prato com docinhos na direção dela, depositando em sua frente.

 - Amelia é a melhor confeiteira que conheço - comentou, fechando alguns livros e os colocando de lado - Prove os de coco.

 Ainda estarrecida com tanta informação, a garota piscou diversas vezes. Forçou o braço direito a sair do transe e pegou sua sugestão, levando os lábios o quadradinho branco.  

 Lawliet não tirou os olhos dela, acompanhando milimetricamente seus movimentos. Teve que controlar a respiração ao sentir o estômago se retorcer, quando a ponta da língua dela lambeu o canto do lábio sujo, pela raspas de coco. 

 Ele tinha percebido o olhar de Akane sobre si, todas as 21 vezes. 

 Achou graça nas primeiras, mas isso despertou sua curiosidade depois da décima. 

Por que você me olha tanto assim?

  Concluiu, nos três primeiros olhares, que ela estava apenas curiosa sobre seus modos e por isso o olhava tanto. Mas a possibilidade foi descarada quando a fitou no vigésimo nono olhar, e pegou sua atenção dirigia diretamente para seus lábios, que estavam relaxados pelo clima gélido que tanto apreciava.

 Não era para seus joelhos, para suas vestes amarrotadas, para sua olheiras fundas ou seus pés descalços, o que eram sempre os alvos da atenção das pessoas. 

 Mas sim para sua boca. Especialmente para seus lábios.

 E ela não o olhava com dúvida, estranhamento ou pena. Mas sim com algo mais causticante, mais vivido e caloroso. Era quase paupável.

 E quando ela arfou. Arfou, santo Deus!. ele teve que descobrir o que era aquilo em seus olhos.

 Lawliet não era muito de compreender as emoções alheias de todos a sua volta. Na verdade, não se interessava por quaisquer sentimentos de terceiros ou como desenvolver sensibilidade a eles e a desvenda-lós. 

 Achava, na maior parte do tempo, irritante como todos exigiam uns aos outros que entendessem suas emoções sem precisar verbaliza-las.

  Mas de todas as reações e emoções que estudou no rosto de todos por anos, em tentativas de tentar compreender a sensibilidade emocional das pessoas e acertar suas reais intenções - cuja a segunda coisa ele era magnificamente bom - Lawliet nunca vira aquilo. 

 Olhares tão intensos e reações físicas tão marcantes, e como se fosse palpável a ardência que continha naquela arfada.

 E foi por isso que não podia deixá-la partir, não quando estava prestes a descobrir a origem daquelas reações.  Não quando as bochechas se avermelharam em uma graciosa vergonha, e seu constrangimento de ter sido apanhada a fez gaguejar.

 Akane era uma charada tão fascinante que Lawliet precisava desvendar.

 

 

 



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