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História Dominância - (Imagine Kim Namjoon - RM) - Capítulo 16


Escrita por:


Notas do Autor


eu não me sentia confortável de postar esse capítulo ontem, desculpa
mas tá aqui hoje, semi revisado, quase atrasado e pronto <3

Boa leitura e até as notas finais!

Capítulo 16 - Capítulo XV - Por enquanto


Zia tinha dormindo a tarde e a noite toda sem interrupções, o sono acumulado havia finalmente findado. Depois de acordada ficou curtindo a preguiça esperando o sol aparecer, bocejando e virando de lado, aproveitando o resto do calor da cama e o frio matutino da vila, mas quando o sono já não voltava e o sol parecia já dar as caras, ela se levantou, fez seu próprio banho e arrumou-se. Teria um dia nada bom, sabia disso só por estar onde estava e só por ter que encontrar quem precisava encontrar, então que começasse logo aquele dia, o quanto mais rápido saísse para trabalhar, mais rápido seriam evitados os encontros indesejados com sua anfitriã.

— Princesa? — a serva a chamou depois de bater à porta. — Está acordada?

— Pode entrar! — mandou Zia, ainda estava sentada à penteadeira juntando os cabelos e os imaginando mais curtos, talvez quem sabe uma franja.

— Vim preparar seu banho e avisar que a esposa líder decidiu que o desejum de cada um será no quarto.

— Já tomei meu banho — disse, virando-se para a ômega serva. — Pode trazer meu desejum, por favor? — A serva assentiu e virou-se para buscar a comida, não demorou muito e logo voltou com a bandeja cheia de pequenas vasilhas, antes mesmo de se afastar o suficiente para pedir permissão para sair, ouviu da princesa: — Você já cortou cabelo alguma vez?

— Ham? — Zia ficou a encarando, esperando que entendesse a pergunta por si só. — Ah, sim! Sou eu mesma que corto o cabelo dos meus filhos — respondeu afoita.

— Hum! Tem filhos? Parece tão nova para ter filhos.

— Me tornei de um alfa cedo — a serva explicou, e não entendeu a expressão da princesa ao ouvir sua resposta, ela tinha um ar de conformidade mixado a decepção.

— Ah. — Me tornei de um alfa. Zia não conseguiu evitar lamentar ouvir isso. — Bem, pode cortar o meu? Vou apenas terminar o desejum.

— Claro, eu posso sim. — Como diria que não podia? Era uma princesa pedindo!

Zia entregou a tesoura a serva e pediu que cortasse como ordenava; primeiro todo o cabelo e então uma franja curta. O cabelo dela sempre ficava ondulado nas pontas quando crescia, mas por algum motivo ao ser cortado ficava um liso quase reto, ainda mais usando os xampus e condicionadores corretos. Olhando para o cabelo cortado amarrado sobre a penteadeira, logo depois conferindo o resultado muito bom do corte, Zia se perguntou, num claro momento de bagunça interna, se seu noivo gostaria de cabelos curtos, e ela esperava sinceramente que não.

As pontas não ficaram retas, mas Zia já esperava por isso. A franja ficou alta, o que era bonito e tradicional, decidiu que aquele dia deixaria ele solto para aproveitar do corte recém-adotado. Agradeceu a serva pelo trabalho e dispensou-a, não demorou muito e logo estava andando em direção ao quarto de Hwasa, até que a porta do quarto do casal líder abriu e Michan apareceu, Zia respirou fundo ao parar onde era a porta do quarto de Namjoon, e por esse motivo a alfa disse:

— Nem pense em chamar meu filho.

— Eu não tinha pensado — Zia respondeu, olhando de lado para a porta do herdeiro e sorrindo de lado ao retornar o olhar para a mulher. —, mas agora que você falou, eu estou.

— Pensei que ia me livrar de você ontem quando seus pais vieram aqui, e, pelos deuses, eu quase gritei de felicidade! — admitiu ao mesmo tempo que se aproximava da ômega. — Por que você ficou? — perguntou entre dentes, parecia rosnar. — Por que ainda está aqui? — Michan não pôde fazer tais perguntas no dia anterior por estar mais preocupada com seu filho do que com a permanência de Zia, mas agora a vendo tão bem e andando ainda pelos corredores da sua mansão, simplesmente não conseguia seguir o pedido de seu marido, tinha que situar aquela ômega antes que morresse engasgada com aquilo na garganta.

— Não estava à mesa ontem durante o almoço? Não assistiu o chilique que sua filha deu? — Zia perguntou, fingindo-se.

— E desde quando uma alfa faz um chilique e você imediatamente baixa a cabeça para obedecer?

— Sempre! — Zia respondeu rápido, completando em seguida: — Basta me ser conveniente.

— Quer saber? Eu sei que não devo projetar em você a raiva que sua mãe me causa somente por existir, e eu até poderia fingir que te suporto e não te olhar com desprezo toda vez que cruzamos nossos olhares — Michan parou e respirou fundo, encarando o fundo verde nos olhos avelãs.

— Mas? — Zia insistiu. A alfa puxou a respiração e deu passos para mais perto, ficando próxima ao ponto de perceberam ainda mais a diferença de altura entre elas; a alfa era maior.

— Mas se você pensar, sequer uma vez, em se jogar para cima do meu filho e atrapalhar o destino dele, eu juro, Zia, em nome dos deuses, que você terá uma vida muito amarga. — A ameaça era séria, a presença agressiva de Michan explicitava isso, ela parecia querer fazer Zia se comprimir em si mesma com aquela raiva tão marcante a rodeado.

Mas Zia já tinha aprendido a lidar com alfas, ainda mais uma como Michan.

— Você tem medo de Namjoon fazer o que Namhei não teve oportunidade, não é? — perguntou sorrindo, provocando. — Largar tudo por uma ômega?

— Medo? Não! Eu estou preparada para isso se acontecer. Eu sinto é pena da ômega imbecil que concordar com o desvairamento do meu filho — a alfa respondeu. — E se quiser ser essa ômega tonta, minha querida, vá em frente! Mas saiba que eu farei da sua vida uma coisa miserável, e você vai se arrepender para sempre por ter desviado meu menino do caminho dele.

— Não é desvio quando ele vai sozinho — Zia corrigiu, mantendo a pose. — Eu não desvio ninguém de nada, não tenho poder ou vontade de fazer isso. Se seu filho decidir mudar o próprio rumo, a culpa não será minha.

— Sua ou não, é você que vai receber cada consequência.

Zia lufou um riso sem humor. Michan poderia até tentar botar banca, mas em cima da princesa ela não faria esforço suficiente capaz de romper qualquer tranquilidade que fosse, Zia era mais preparada para aquilo do que se podia imaginar.

— Que seja — a Jung deu de ombros, falando depois do silêncio. —, eu nunca fugi de nada, porque fugiria depois da sua ameaça?

— Porque eu não estou falando como esposa líder, estou falando como mãe. E meu último aviso como mãe é: se afaste dele! — Zia observa a respiração controlada e os ombros tensos de Michan. A princesa sabia o que significava Namjoon renunciar o compromisso com a alfa Woo, e sabia do que mais ele deveria renunciar em conjunto. Michan deveria ter muito medo para acreditar que seu filho faria aquilo, desistir de tudo só por uma ômega, ainda mais uma que está comprometida por palavra com alguém.

— Me afastarei do seu filho, Michan — Zia confessou, assentindo levemente e até ostentando um tom sem afronta alguma. A alfa lhe encarou com desconfiança, mesmo que o negar de cabeça dela parecesse minimamente real. — Mas não posso fazer nada se ele vier atrás de mim.

Michan apertou o punho, não podia esbofetear a cara cínica daquela ômega metida com força o bastante para jogá-la no chão, devia desconfiar dela. A esposa líder respirou fundo quando ouviu os passos de seu filho do outro lado da porta, não passou muito tempo e Namjoon a abriu com uma expressão de confusão ao ver ali em frente sua mãe e Zia juntas com expressões hostis cada uma.

— O que estão fazendo aqui? — Namjoon perguntou. Acordou do sono leve sentindo a presença de sua mãe por perto, ouviu vozes e não pensou duas vezes antes de se levantar e ir ver quem eram.

— Nada demais — Zia respondeu, ainda encarando a esposa líder, e a fim de sair dali logo, virou-se para Namjoon e cumprimentou: — Bom dia, herdeiro. Hoje não vai nos ajudar em nada, está com o pé machucado e é preferível descanso ao esforço. Hwasa eu e resolveremos tudo. — Voltou a encarar Michan. — Com sua licença, esposa líder. — A princesa nunca era tão educada de tal jeito.

Zia reverenciou cada um antes de desviar da alfa e ir até o quarto de Hwasa, bateu à porta e avisou, do lado de fora mesmo, que esperaria por ela na sala de entrada, e que quando terminasse o desejum fosse imediatamente para lá. Hwasa estava comendo e avisou que iria logo, assim Zia virou-se indo em direção as escadas, se afastou sem sequer olhar para os dois alfas ainda à porta.

Para Michan, o maior problema era Zia perto demais de Namjoon, mas isso não significava que ela não se importasse com Hwasa também, apenas não era sua prioridade. Michan não confiava em Zia, tinha alguma coisa arteira beirando a perversidade no jeito dela, no olhar, no falar, até no andar, considerava, sim, a ômega perigosa, por conseguir coisas que não devia, como, por exemplo, entrar numa discussão política de ataque a uma aldeia entre líderes, chefes de exército e um herdeiro e sair da sala de Namhei com toda a pompa de uma considerada patente alta. Conseguir fazer Namjoon desistir de seu futuro posto de líder parecia bem possível agora, para Michan, caso eles não se afastassem, como ela não queria isso, precisava agir.


 


 

[…]


 

— O que achou? — Zia perguntou para Hwasa, e com paciência esperou que a alfa terminasse de provar o repolho fermentado.

— Já está muito bom, daqui a nove dias ficará ainda mais gostoso! — respondeu, pegando do repolho temperado.

— Escolhi chá de romã, chá de yuja e suco de limão, além dos vinhos. — Zia riscou um dos anotados na lista que escreveu em sua caderneta, era o último a ser conferido e encerrava a visita à cozinha responsável pelas comidas da comemoração.

— Eu mandei incluir algumas comidas também. Sabe o pão de ovo? É uma delicia! — Hyejin levou a boca uma uva preta e se deliciou com o sabor doce, cuspiu fora o caroço e pegou mais algumas.

— Sei sim — a ômega respondeu. — Fez bem. São variedades de comidas interessantes, mas vai sobrar bastante, acho que sequer precisa pedir rolinho de canela…

— Mas rolinho de canela é tradição da nossa vila — Hwasa alegou.

— Você pediu muita comida!

— Não vai sobrar! O povo estará lá, Zia.

— Se insiste. — Deu de ombros, não tinha pedido os rolinhos antes por conta daquela longa lista que Hwasa tinha feito de encomendas, mas queria sim os rolinhos de canela.

As duas andavam juntas pela vila a horas, tinham ido até as costureiras responsáveis pela confecção de roupas e máscaras das danças para a comemoração e confirmaram que o serviço delas já estava na etapa final, passaram na casa de cartas e se aliviaram ao receber as respostas de uma dupla de irmãos cantores e uma cantora para a noite garantindo a presença cada, depois confirmaram a produção de comidas, as que precisavam ser fermentadas já estavam em seus devidos potes e quantidades, e os ingredientes já se viam na cozinha conjunta que Zia mandou montar para tudo ser preparado num lugar só.

Havia uma apresentação que vestia duas cores que eram escolhidas a partir das cores que as estrelas brilhavam do céu, as cores escolhidas para homenagem naquele ano foram a rosa e a azul, então agora só precisavam ir até o espaço de ensaio da apresentação dos dançarinos que vestiriam tais cores para conferir como estavam.

Durante todo o percurso e todo o tempo andando lado a lado, Hwasa e Zia não falaram muita coisa, apenas um elogio sobre o corte de cabelo da ômega aqui e um agradecimento ali, mas nada sobre a forma grosseira que a alfa se comportou no dia anterior. Zia não esperava uma retratação vinda da Kim e muito menos exigiria uma, alfas eram grosseiros, ela não pediria para eles deixarem de ser, apenas seria grosseira igualmente. Em contrapartida, Hwasa tentava encontrar coragem e as palavras certas para pedir desculpa e explicar-se, pois sim, havia uma explicação de sua atitude, mas ela nada conseguia dizer e formar, não tinha esse costume.

Sentaram-se uma ao lado da outra para conferir o recomeço do ensaio da dança em Rosa e Azul. Hwasa com os pés cruzados e mãos repousadas sobre o colo, enquanto Zia tinha uma das pernas sobre a outra e também sobre o colo – e a julgar pela pose ereta e concentrada das duas mulheres, qualquer um que as visse poderiam jurar que pareciam duas herdeiras em um passeio de visitação, que possuíam naquele momento uma coisa em comum: a altivez. E tal postura da princesa adicionada à postura da herdeira fizeram com que os bailarinos se entreolhassem e engolissem o nervosismo ao saberem que eram julgados pelos olhares tão afiados. Ainda mais o olhar da ômega.

O som do instrumento de cordas em seus primeiros toques já as encantou, ele era perfeito para empolgar e estimar a atenção dos espectadores. Os movimentos já partindo de uma velocidade rápida conseguiam, apesar da empolgação dos passos, manter uma delicadeza, ainda mais com bailarinos e coreógrafos tão eficientes e empenhados. Elas sorriram, aplaudiram e afirmaram estarem encantadas com os passos que se encaixavam na dança moderna, unindo clássico com o novo, isso tranquilizou o pessoal e as duas puderam então seguir com a programação do dia.

— Podemos almoçar num restaurante da vila? Prefiro comer em um lugar que não tenha ninguém me encarando como se eu fosse uma barata — Zia pediu e justificou. Sentia um oco em sua barriga de tanta forme, comeria três tigelas de arroz aquele dia. Mas como era meio-dia, os restaurantes estariam lotados e demoraria para servirem-se, mas tudo bem, melhor enfrentar a fome do que os olhos de Michan.

As duas estavam na área central da vila, onde ficava o comércio fervoroso, ali tinha vários lugares para se ir. Hwasa assentiu e ficou com aquele pedido justificado de Zia na cabeça, ao escolherem o lugar onde comeriam, a alfa decidiu falar alguma coisa:

— Peço desculpas pela minha mãe, Zia — Hwasa disse virando-se para encará-la com uma expressão de pesar, mas diferente do que esperava, Zia lhe respondeu com uma expressão duvidosa e silêncio, como se achasse aquilo contraditório. Hwasa entendeu bem o porquê. — E quero pedir desculpa por mim mesma também — enfim pediu. — Saiba que teve um propósito aquele comportamento, porque não sou de dar vexame assim mesmo sendo mais revoltada que meu irmão.

— Que propósito? — a ômega indagou.

— Fazer você ficar! — e a alfa respondeu com tom de obviedade.

— Por quê? — perguntou voltada totalmente para Hyejin.

— Porque se você fosse agora meu irmão ficaria um saco de suportar pelo resto dos dias.

— Hwasa-

— Ele gosta de você, e eu entendo ele em parte — interrompeu a ômega. — Considere um presente para os dois.

— E por que seria um presente para mim? — Um presente para os dois? A Jung até queria não mostrar certa timidez por ouvir aquilo da alfa e tentou disfarçar com uma falsa interrogação, mas nada conseguiria esconder mesmo que tentando a rigor.

Hyejin lançou um sorriso para Zia, e a última citada não gostou nada! Era como se debochasse, como se soubesse de coisas e não aceitava que a ômega fingisse que não as sabia também.

— Tempo a mais antes de subir no altar com meu priminho não é um bom presente? — perguntou, rindo ao mentir tão deslavadamente e saber que Zia aceitaria a mentira porque não queria que ela dissesse a verdade. — Eu só precisava causar um escândalo para que você se sentisse coagida a ficar, e parece que deu certo… — Riu negando, espremeu os olhos e se aproximou para falar baixinho: — Embora eu ache que você não tenha ficado pela minha tentativa e sim por outra coisa, ou pessoa, quem sabe? — perguntou sugestiva, fazendo Zia negar sem querer falar daquilo.

— Eu vou querer peixe, e você? — fugiu. Era muito óbvio que Zia tinha ficado também por Namjoon, mas ela não admitiria isso.

— Também! — afirmou.

O almoço foi bom, de direito a risadas e às duas cumprimentando os vilões com conversas extensas. Ao terminarem seguiram para o campo onde seria a comemoração, observaram a estrutura das arquibancadas e conferiram as barras de proteção que havia na diferença de altitude do campo, ele era desigual e alguém poderia facilmente rolar de lá de cima e bater em alguma pedra em baixo, definitivamente não esse não era um dos desejos de nenhum dos organizadores.

Ainda era bem cedo da tarde quando Zia e Hwasa perceberam que não teriam nada para fazerem além de sentarem-se e assistirem os homens e mulheres trabalhando, mas foi o que fizeram até chegar um novo carregamento de materiais. Hwasa ficou surpresa quando Zia lhe chamou para o quarto de troca de roupa dos trabalhadores e mandou-a vestir um dos macacões pendurados para o serviço, porém fez o que foi pedido e passou o resto da tarde carregando caixas e sacos junto da ômega. No caminho de volta para a mansão as duas conversaram sobre a expressão dos vilões ao verem elas apanharem tudo e guardarem na tenda assim como eles faziam.

— Eu achei que você apenas sentaria em uma das arquibancadas, cruzaria as pernas e gritaria “Andem com isso, falta apenas tantos dias para a comemoração!” — Hyejin disse, quando entraram na mansão e andaram em direção às escadas.

— Pelos deuses, Hwasa! Você, como herdeira, deveria saber que um bom líder sempre se coloca na linha de frente ao seu povo, e o que você fez foi mostrar seu lado líder — Zia respondeu, subindo o primeiro degrau.

— Eu sequer sou herdeira de verdade! Não tenho porquê mostrar meu lado líder — respondeu, com um sentimento amargo que não conseguia abandonar.

— Então vai se casar em nome da vila? — Zia perguntou, percebendo somente agora que nunca ouviu falar de Hwasa ser prometida a alguém, ou ter um casamento já previsto pelos pais, talvez ela tivesse a mesma sorte que sua tia Nina.

— Jamais! Além de ter que abrir mão da minha paixão eu terei que abrir mão da minha liberdade também? — perguntou, deixando Zia curiosa em relação a paixão que ela abriria de mão. — Se meu irmão assumir a liderança eu meto o pé daqui e vou embora — confessou seu plano, não via riscos em contar a Zia. Virou-se para a ômega e parou seus passos, a ômega subiu um degrau ainda antes de parar. Hwasa lhe sorriu de lado e continuou: — Vou viver na ilha Jeju! Ouvi dizer que lá estão os melhores puteiros do país.

Zia gargalhou com a fala da alfa, negou a cabeça sem tirar os olhos da expressão sorridente mas nada vacilante ou contraditória dela. A Jung cruzou os braços e perguntou a imitando:

— Vai se esbaldar ou esbaldar alguém?

— Dependendo do alguém: um pouco dos dois. — Zia riu de novo, dessa vez mais contido.

— Você é louca!

— Até o talo, doce ômega, até o talo! — Hyejin concordou, começando a rir.

— Doce! — Zia soltou, debochando. Subiu alguns degraus, parou e voltou-se para Hwasa novamente. — E se ele não assumir? — perguntou, encarando a alfa e esperando uma resposta responsável da parte dela.

Hyejin abriu a boca para responder, mas soltou o ar e olhou para trás, Zia virou-se e encarou por segundos demais Namjoon, ele estava em pé no começo da escada, esperando que elas subissem. Zia baixou o olhar e então encarou de novo a outra Kim.

— Então será adeus às casas de diversão de Jeju. — Deu de ombros, subindo o restante dos degraus. — Está melhor? — perguntou ao irmão, ele assentiu.

— Ficaram ocupadas o dia todo! Tinha tanto assim para fazer? — Namjoon perguntou. Cruzou os braços e encarou Zia, que retribuiu o olhar.

— A princesa não quis voltar para mansão, então almoços por lá e ajudamos os trabalhadores — Hwasa respondeu, e então recebeu o olhar do mais velho.

— É, e agora eu estou imunda! — a ômega se pronunciou. — Vou para o quarto. Até mais!

Os alfas apenas assentiram para ela, mas Zia sequer viu, virou-se antes mesmo do até mais e foi em direção ao seu quarto. Hwasa esperou o som de porta fechando para só então virar-se para seu irmão e perguntar:

— Não resolveu isso ontem?

— Resolver o quê? — Namjoon revidou usando um tom grosseiro. Ele estava irritado, sua feição fechada e maxilar travado diziam bem isso. Hyejin negou ao ver tão claramente o ciúme dele, sabia que provavelmente o irmão se dava conta disso e agora estava pensando o quanto ela era fura-olho.

— Nada! — respondeu, a fim de provocar mesmo! — Quer saber? Eu passei o dia todo com ela, e eu percebi algo: parece que o cheiro da Zia fica mais doce quando ela está alegre de verdade, a presença dela exala melhor, já percebeu?

— É o quê? — Namjoon lhe encarou ainda mais irritado.

— Pois é! — ignorou-o. — E sabe, agora que vocês brigaram, e você se recusa a tomar jeito de alfa — Hwasa sorriu, ao passo que falava pausadamente como se quisesse prolongar a frase e fazer o irmão entender muito bem sua intenção: —, eu vou ter que tomar em seu lugar! — virou-se de repente para dizer em direção ao ouvido dele.

— Eu não vou perder minha paciência com você, Hwasa! — Namjoon fechou os olhos procurando tranquilidade, logo abriu para encarar a expressão da irmã.

— Então toma peito, porra! — a alfa exclamou, não muito alto para não chamar atenção, e se aproximando de vez novamente. — Como você vai governar se sequer uma ômega você consegue encarar?

— Ela está comprometida com o nosso primo! — ele lembrou-lhe.

— Fala como se você se importasse quando nós dois sabemos que você não se importa! Está com raiva porque ela aceitou o noivado, isso sim! Admite, Namjoon!

— Estou mesmo! Estou sim! Eu poderia entrar naquele quarto e gritar umas boas verdades na cara dela, mas eu não vou fazer isso porque também tenho meu orgulho! Se depender de mim ela casa com Seokjin e não nos falamos! — fez birra, cruzando os braços.

— Então por que caralhos você a fez ficar?

Namjoon se calou, encarou a irmã por pouco e depois desviou para qualquer lugar, só não queria que ela lesse nos olhos dele o maldito motivo deprimente e patético que o fez praticamente pedir – com palavras distintas – que ela ficasse.

Namjoon só a queria por perto, por mais que o tempo para isso fosse curto e tão insuficiente que o deixava angustiado precipitadamente. Fazia tão pouco tempo, mas ele já estava tão acostumado a sentir ela ali ao redor, a tê-la tomando espaço e marcando, não território, mas sim presença, fosse tentando ser indiferente e não conseguindo mais, fosse com seu sorriso pequeno ao lhe ouvir falar alguma besteira, ou quando pedia inocente demais até mesmo para sua personalidade que ele lhe comprasse rolinhos de canela… Namjoon só a queria por perto, nem que por alguns dias, mesmo que em silêncio.

— Eu esperava mais de você — Hwasa confessou, porque por mais que seu irmão não quisesse que ela visse o seu motivo, ela via ao reconhecer tal tão bem.

— E é você quem está me falando isso? — ele perguntou, jogando de volta, a encarando tão igual como nunca conseguiu.

— É, sou eu. — Hwasa se aproximou do irmão, havia uma diferença muito clara de altura entre os dois e ela colocou as mãos nos ombros dele ainda assim, só para enfatizar o contato visual. — Porque ela vai casar com o beta, e você com a alfa, e eu vou embora. Já que essa desgraça toda vai acontecer, ao menos se dê o luxo de aproveitar poucos dias ao lado da única pessoa que você já se apaixonou. E sem arrependimentos.

Hwasa bateu leve na bochecha esquerda do irmão, mas fez um estralo até alto. Ela se afastou dele e andou em direção ao próprio quarto. Namjoon ficou ali parado, moveu-se somente pelo impacto curto da mão da irmã em seu rosto. O alfa fechou os olhos e respirou fundo. Ele não assumia causas que sabia que se arrependeria depois, e se a condição era sem arrependimentos, não poderia fazer muita coisa a respeito além do que sentia que devia.


 


 

[…]


 

Zia tinha acabado de liberar a ômega responsável por lhe ajudar de seus serviços dizendo que não sairia mais do quarto e não precisaria atendê-la mais por aquele dia. Sentou-se à penteadeira e por ali ficou durante um tempo, respirando fundo e encarando seu próprio reflexo.

Havia um sentimento de fracasso morando em Zia. E misturado a ele estava a tristeza que às vezes lhe abatia sem aparentemente um motivo. Enquanto encarava seu reflexo, agora com um novo corte de cabelo, tentava expurgar todo pensamento da mente para poder somente se enxergar, sem dizer a si mesma qualquer palavra carinhosa, acolhedora ou de apoio. Não queria – nem conseguia – abastecer a si mesma de esperança, então não tentaria.

Durante a tarde trabalhou pesado para tentar trocar aquele sentimento de fracasso pelo de cansaço, mas era o mesmo que trocar um por um multiplicado por dois. E apesar de toda essa aura para baixo que lhe tomava posse vez sim, vez sempre, aquela vez era mais séria por ser somente uma coisa que lhe incomodava:

— Futura esposa líder da Kim do Oeste — sussurrou para si mesma.

Tudo em que conseguia pensar era em quando afirmou para seu pai que se casaria. Em troca de quê? De quinhentos soldados.

Mas não estava pensando isso só porque Namjoon apontou tal coisa como seu preço, não! Pensava porque sentia que era exatamente isso e se sentia péssima em saber que o resto da sua vida ia se resumir àquilo: a quando concordou em se juntar a outra pessoa apenas por soldados, mesmo que isso signifique uma vitória e um sossego para seu povo.

Num mundo perfeito, Zia estaria simplesmente pronta, nem triste e nem feliz, apenas pronta para casar-se e honrar sua vila. Ela teria filhos saudáveis, daria a eles uma educação correta e amorosa, seria uma boa esposa e uma boa nora. E mesmo odiando as aulas de etiqueta, a princesa aprendeu a ser uma dona de casa, sabia cozinhar, costurar, remendar, etiqueta à mesa, músicas de ninar, histórias para dormir, sabia os estudos principais da biologia, religião, artes e dos números. Zia até sabia se maquiar e andar com os tamancos altos! Tudo fruto da bagagem que a ômega precisa ter.

E não é que achasse ruim ter que aprender cada uma dessas coisas, talvez um pouco chato, verdade, mas o incômodo vinha mais do que representa do que o que de fato é. Porque Zia não se achava grande coisa apesar das atitudes nada comuns para uma ômega, ela se considerava aquilo que era: uma pessoa espirituosa e com virtude e que não queria ser classificada, pois odeia ser posta em uma definição pronta e por isso faz por onde ter a sua própria. Só que agora sentia como se futuramente teria uma etiqueta invadindo sua existência, a moldando e a redefinindo.

— A esposa de alguém — disse, dando o título da etiqueta. — E sequer é um alguém que eu queria.

Baixou a cabeça e franziu o cenho quando teve de espantar a imagem de Namjoon para colocar a lembrança de Sang em seu primeiro pensamento, ergueu o olhar e encarou seu reflexo, percebeu seu assombro ao pensar primeiro no alfa em vez de seu noivo falecido. Não era possível estar sentindo algo superior por Namjoon ao que sentiu por Sang… não, não era!

E como estava tarde para alguém cansada como ela ficar acordada, Zia levantou-se da cadeira à penteadeira e se direcionou a cama, puxou o lençol para deitar-se e tratar de reavaliar seus pensamentos descontrolados. Sentou-se no colchão desforrado e ficou encarando a janela ao lado direito, respirou fundo e tentou tranquilizar sua culpa interna. Culpa por pensar primeiro em Namjoon, exatamente.

Sang foi seu primeiro amor, e durou tanto tempo! E por mais que soubesse que estava, sim, tendo sensações novas provocadas por Namjoon, Zia não podia aceitar que a imagem dele viesse antes da de Sang, porque esse sentimento não podia ser diminuído pelo que estava sentindo agora. Embora, pensando bem, essa não era uma diminuição, pois Zia não estava anulando o seu amor pelo beta falecido ou o esquecendo, sequer colocando a paixão pela alfa a cima de tudo que sentiu pelo beta, estava apenas sendo coagida a seguir em frente por conta desses sentimentos.

Namjoon era como um sinal de que ela podia gostar de alguém de novo, se apaixonar, amar e ser retribuída como fora antes. Era uma nova oportunidade, uma oportunidade completamente irritante que não parava de fazer perguntas, tinha uma presença tão gostosa, uma voz tão encantadora e aquelas covinhas intrometidas perfeitas! Que sabia muito bem como fazê-la rir e logo em seguida se estressar, mas tinha o olhar mais doce que já viu um alfa possuir! E parecia tanto com o olhar que Kwam dava a Neia, que perceber isso quebrava Zia inteira por saber que Namjoon era uma oportunidade que não poderia aproveitar. Eram tantas circunstâncias a impedindo daquilo.

A ômega encheu o pulmão de ar e se levantou num pulo, virou-se e puxou mais ainda a coberta, levantou a perna direita para deitar e parou com ela no ar quando sentiu a presença justamente daquele alfa irritante parada em frente a sua porta. Ela olhou para a entrada do quarto e baixou a perna devagar, não acreditava que ele tinha ido até seu quarto, e por isso esperou que a presença fosse embora ou se afastasse, mas Namjoon continuava ali, ela sentia! Então deduziu que ele queria conversar, apenas estava sem coragem para bater na madeira e chamá-la, e se fosse isso mesmo, ela não deixaria ele ir sem tentar.

Zia andou até porta e abriu-a de supetão, causou até um pequeno susto em Namjoon que não esperava por isso, estava de fato tentando reunir o máximo de coragem para bater à porta, e era tão ridículo aquilo – ridículo um alfa ter que reunir coragem para falar com alguém – mas, a cima de ridículo, o conflito era real.

Os dois ficaram se encarando sem falar nada. O raciocínio deles estava em velocidade similar; lento, apenas Namjoon que pareceu despertar e, fazendo uma carranca de irritação, entrou no quarto antes que Zia pedisse que fizesse isso, passou por ela e esperou ouvir o som da porta sendo fechada para poder a encarar. Ficaram se encarando em silêncio novamente.

— O quê? — a Jung perguntou baixo, não entendendo a expressão séria dele. Namjoon abriu a boca e desistiu de falar, aproveitou para respirar fundo e formular uma frase decente antes de começar.

— Eu vim só para pedir uma coisa. — Zia assentiu ao ouvi-lo, impulsionando que continuasse. — Eu quero que fale a verdade e seja sincera comigo pelo menos uma vez!

— Sobre o quê?

— Na montanha, quando você acordou daquele pesadelo… — Zia relaxou os ombros, mas não por se tranquilizar ao ouvir aquela menção, mas sim por saber bem qual era a questão. — Os seus olhos ficaram verdes, veias saltaram no seu rosto! Não foi uma ilusão minha, não foi?

Zia não podia contar… mas Namjoon estava zangado, sentia só pela presença dele tentando deixar claro. Ela ficou calada, baixou rapidamente e minimamente o olhar para o chão, mas logo encarou os olhos de Namjoon. Ele esperou ouvir uma resposta de Zia, mas parecia estar difícil falar.

— Responde, Zia! — exagerou na altura da voz.

— Não grita comigo! — repreendeu.

— Então responde! — insistiu.

Depois de respirar fundo, Zia encarou Namjoon à altura e respondeu.

— Não foi ilusão. — Ouvir a fala dela causou uma sensação tão estranha em Namjoon, ele sentiu ruir uma parte da confiança que tinha em Zia, a mesma confiança que o deixou ir sem medo até os redores da aldeia Choi, que fez com que ele acreditasse nas palavras anteriores dela que pareceram tão sinceras quando ditas, a confiança nos olhos ômega.

— Mas você concordou quando eu achei que era — falou, e mesmo a frase não sendo uma questão, a entonação dele foi, esperava a confirmação dela.

— Sim.

E assim veio.

O Kim sabia que confiança era uma coisa muito cara para se dar a qualquer um, tinha preços, as vezes, que custavam muito mais do que ouro e prata e qualquer tecido de seda, mas Zia tinha aquela dominância, aquela razão e superioridade… era mesmo impossível

— Eu achei até que estava ficado louco — confessou. — Rezei para a deusa Vida ontem e tudo que consegui pedir foi uma explicação sobre aquilo, mas tudo que eu mesmo me dizia era: “você está ficando louco!”

— Me desculpa…

— Eu sonhei com isso ontem! Acordei desesperado mais ainda do que quando você me atacou- aquilo me assustou demais!… — o Kim até conseguia sentir, agora, os batimentos do seu coração só de lembrar do medo.

— Desculpa, Namjoon!

— Zia, você… — Namjoon respirou fundo, tinha medo de confirmar sua teoria. — Você é uma mãnia? — Zia baixou a cabeça e negou lentamente.

Quando um racional abria mão de sua essência e do conforto da passagem do sozo em troca de poderes celestiais, esse racional começava a ser considerado uma aberração, pois ele não tinha mais sua essência, não tinha mais ligação real com as estrelas. Ser um mãnia significava perder todo seu interior essencial e se tornar apenas um corpo vivo. Isso acontecia quando um racional fazia um pacto com um deus e o deus em questão aceitava, qualquer deus e qualquer racional poderia fazer esse pacto, o que o deus ganhava com isso era uma essência devota pela eternidade, enquanto o racional ganhava certas habilidades de poder.

Há muitos anos não se ouvia mais histórias sobre os mãnias pois, primeiro, eles tornaram-se existências horrendas ao ver de outros racionais que eram devotos e achavam uma afronta sem perdão o abrir de mão de sua ligação com as estrelas — que eram os regentes do universo —, segundo, toda grande guerra tinha a influência de algum mãnia poderoso por trás, e muitos desafetos e sacrifícios de vida ocorriam nos lugares em que algum mãnia passava por perto ou estavam em, então, a partir dessa conexão, os racionais devotos, aqueles que passavam sua vida cuidando dos templos dos deuses, perceberam que um mãnia perdia toda e qualquer noção de empatia ao longo de sua vida, quanto mais um mãnia vivia, mais ele se tornava indiferente e poderoso. Os deuses também notaram isso e os pactos começaram a diminuírem drasticamente, junto com as aparições dos deuses no mundo racional.

Namjoon acreditou na negação de Zia, mas, infelizmente, não por estar com sua confiança nela restaurada, e sim porque mãnias possuíam marcas claras de seu pacto no corpo, como os olhos em forma felina e estrias fininhas no rosto que eram difíceis esconder.

— Então, por quê…? — Namjoon perguntou.

— Você talvez nem acredite em mim, Namjoon — Zia disse, decidida a contar a ele. —, mas antes que eu conte, eu posso pagar a minha dívida? — peguntou se aproximando do alfa, o franzir no rosto dele expressava confusão.

— O quê?

— Você me pediu um beijo ontem — lembrou-o, tocando de leve no peitoral do alfa, alisando o tecido gostoso do pijama dele. — Me deixa dar o beijo, depois eu respondo.

Namjoon não sabia o que responder, dizer não para ela era loucura, mas simplesmente dizer sim lhe tiraria a urgência das informações que queria, por isso ele apenas ficou quieto, encarando Zia sem querer perder qualquer reação. O alfa sentiu a mão esquerda da princesa se arrastar de seu peito até por trás do seu pescoço, o leve puxão o impulsionando a se aproximar fez metade do caminho da boca dele até a dela, a mão direita estava em seu ombro, também fazendo caminho para o pescoço, mas apenas para repousar ali. Zia ficou sobre as pontas dos dedos e ergueu bem a cabeça para encerrar o espaço extra entre os lábios, era mais baixa que ele e conseguia sentir isso bem agora. Porém, quando o beijo iniciou, o braço direito de Namjoon finalmente lhe agarrou a cintura e facilitou a união, Zia sentiu-se quase ser erguida e perder o contato com o chão, a mão esquerda dele não lhe prendeu o cabelo, ou os dedos lhe seguraram a nuca pela raiz, melhor!, sentiu um toque tão carinhoso em sua bochecha, suavemente fez com que ficasse ali, com as pontas dos dedos tocando o cabelo enquanto o dedão lhe acariciava.

Não foi apressado o beijo, não foi rude, muito menos possessivo! Namjoon foi cuidadoso e carinhoso, indo contra o que Zia imaginou que seria caso o beijasse – e sim, ela imaginou, mas na imaginação ele era mais exigente e controlador, o que acabava até retraindo um pouco a ômega, mesmo que no fundo soubesse que seria maravilhoso mesmo assim, e pelos deuses, se aquele era o gosto do beijo dele, que nunca lhe faltasse dívidas para pagar. Era calmo, mas não deixava de ser intenso, conseguia sentir o braço forte lhe apertando, a necessidade que não parassem, o som era de um respiro ofegante e a sensação gostosa da língua dele tocando a sua lhe fazia soltar sons que não estava mais acostumada com. E a presença, de raiva foi para uma lascividade deliciosa.

E o beijo era assim intencionalmente porque Namjoon não queria assustá-la. Zia era tão estressada com a dominância de um alfa e até onde ela ia, que mostrar a ela que poderia ser mais do que uma distinção era o melhor a fazer. Mas não é que estava se contendo, apenas não havia motivo para apressar aquele momento, queria sentir as unhas curtas lhe arranhando a nuca, a mão direta dela lhe apertando o braço, os dois coladinhos e movendo-se de acordo com o beijo, ouvir os estalos e suspiros cada um, só para, em caso do próximo passo ser difícil demais, ter o que lembrar.

Ele desceu a mão do rosto dela para a cintura, se afastando delicadamente. Zia fechou os olhos e baixou a cabeça, sentiu os lábios molhados de Namjoon tocarem sua testa e deixar ali um beijo, logo ela abraçou-o, segurando-se nele e tocando o rosto em seu peito, puxou o ar forte pelo nariz, aspirando o perfume tão bom do alfa, sentiu outro beijo no topo da sua cabeça, uma emoção estranha lhe correndo o corpo. O calor da princesa era tão bom que o herdeiro poderia ficar abraçado a ela a noite toda, mas a má distribuição de peso fez com que a perna de Namjoon doesse e ele tivesse que se agarrar com força em Zia para não cair, um som dolorido lhe escapou e a ômega tratou de se afastar, mesmo que segurando ainda seus braços.

— Sente-se na cama — ela pediu, o ajudando, mesmo que não fosse preciso.

Namjoon sentou-se escorado na cabeceira com as duas pernas estiradas, Zia foi para o outro lado da cama e sentou-se sobre as próprias. Continuaram em silêncio durante um tempinho, o suficiente apenas para a vergonha leve ser identificada e calmamente deixada de lado.

— Foi um beijo maravilhoso — Namjoon admitiu, encarando os próprios dedos brincando com o forro da cama. —, mas não vai escapar da pergunta, princesa — concluiu, a encarando enfim.

— Droga! — Zia brincou, tentando tirar-lhe um sorriso e ficando tranquila ao conseguir ver tão belas covinhas nas bochechas do seu objeto de paixão.

— Por que seus olhos ficaram daquele jeito? — Namjoon insistiu.

— Meus olhos mudam de cor e veias saltão abaixo deles quando eu estou com as emoções à flor da pele, seja de alegria, raiva, cansaço ou… qualquer emoção forte — Zia enfim respondeu, e encarou fixamente os olhos de Namjoon que lhe encaravam em troca.

Ele aceitou aquilo, tinha visto com os próprios olhos, então respirou fundo e fez a questão de novo:

— Se você não é uma mãnia, então por que isso acontece?

Zia também respirou fundo, desviou o olhar e reuniu coragem para começar.

— Já leu sobre a única herdeira celestial? — a princesa perguntou de repente, então houve um silêncio curto novamente após a pergunta, Namjoon encarava Zia esperando pacientemente toda explicação que ela fosse lhe dar. — Conhece a descendente direta de Natureza? A amante de Guerra e afilhada da Morte? — continuou. Nesse momento teve de desviar do olhar dele, não queria ver a expressão surpresa e duvidosa que o alfa ergueu, mostrando que já conseguia prever algo. — Ou como os meus tios me chamam: Flora?

— Flora? — Namjoon repetiu, mantendo o contato, procurando o olhar dela e recebendo de volta. — Você é a reencarnação da semideusa? É isso que está dizendo?

— Exatamente — confirmou. Zia negou leve quando Namjoon expeliu ar pela boca e ficou mais ainda surpreso. — Por isso que Yoongi me chamou de Flora, porque ele sabe, assim como meu pai, irmão e minha mãe. Assim como Sang sabia e o Jimin sabe — concluiu, esmorecendo mais ainda uma reação dele.

Namjoon ficou em silêncio completo, paralisado na posição que estava, com os olhos vidrados na imagem incomodada da ômega e expressão levemente desconfiada. Ele buscava um traço de mentira no olhar dela, qualquer um, mas não encontrava, e o leve tremor dos lábios junto dos olhos desviantes entregavam o receio feminino.

Ninguém tinha registro do nome oficial da semideusa na sua primeira encarnação, na escritura que falava de seu nascimento dizia que ela apenas era uma semideusa e vivia como deusa e racional, mas nada que revelasse seu nome, até especulavam ser Flora, mas tinham tantos outros nomes que especulavam ser também, que era difícil acreditar em qualquer história… mesmo que fosse Zia contando dessa vez.

— Você não está acreditando… — a Jung falou, e o Kim continuou sem responder. — Tudo bem, eu entendo, mas agora que eu comecei, vou terminar e você vai ter que acreditar, então deixa eu te mostrar uma coisa!

Zia levantou-se da cama e andou até o lado que ele estava, parou em frente a ele, encarou bem os olhos atentos de Namjoon e, sem vergonha alguma, puxou para cima o vestido pijama que usava, tirou e jogou na cama, cobrindo as pernas do alfa, ela respirou fundo e tirou a bermuda larga de tecido fino que usava também, ergueu um pé e depois outro, para então jogar a peça sobre o pijama. Namjoon ficou surpreso com aquilo, tentou não ser idiota e passou o olhar pelo corpo ao todo.

— Olhe para mim — pediu. —, pode olhar. Eu nunca estive em uma guerra, Namjoon, como você disse na montanha, mas olha as cicatrizes que eu tenho. Olha essa — apontou para a maior cicatriz em sua barriga, de perto conseguia-se ver um leve relevo, a cor de pele era mais clara e o tamanho era exagerado. —, é onde ela termina, agora veja onde começa. — Virou-se, mostrando a outra parte, e Namjoon abriu bem os olhos ao identificá-la, pois lembrava daquela de quando Zia levantou-se nua da banheira que dividiram na aldeia Kamo e a viu pela primeira vez. — Eu não tinha essas cicatrizes quando criança, elas foram aparecendo de acordo com o tempo, como se fossem sinais de nascença que não nasceram comigo. Meus pais achavam muito estranho, e eu fui examinada a cada nova cicatriz, até que eu simplesmente parei de prestar atenção nelas.

Namjoon a ouvia, mas, ao mesmo tempo, observava as marcas na pele bronzeada. Zia possuía uma cicatriz fina na lombar que não dava para ver de longe, apenas ali de perto que Namjoon conseguia enxergar e reconhecer como sendo o corte de uma jim-kum. Mais acima tinha mais três parecidas, e quando Zia virou-se ele continuou olhando e conseguiu ver uma igual a lombar na cintura dela pouco antes de fixar o olhar na cicatriz grossa quase ao meio da barriga.

— O pesadelo… a mulher que morreu empalada-

— Uma das mortes de Flora — ela o interrompeu. Suspirou cansada, sabendo que seria uma conversa muito longa aquela e estava bem longe de acabar. Pegou o vestido novamente, e enquanto o vestia, falou: — Em uma das suas encarnações a Flora veio no corpo de uma alfa. Nessa ela se chamava Ahri, mas adotou o nome dado por Natureza. — Andou até o outro lado da cama para sentar-se. Zia odiava aquela história. — Ela nasceu herdeira de uma vila da província vizinha, só que era a mais nova de quatro irmãs, as chances eram mínimas, mas ela soube dar um jeito e tomou a liderança. Quando líder, Flora junto de seu exército avançaram contra uma aldeia vizinha, que era o único território que impedia a vila dela de ter uma parte do litoral do Sul. Ela pôs a baixo a aldeia inteira! Matou quase todos os aldeões, até mesmo os que não estavam guerreando. A ordem era tirar todos de suas casas e matá-los, deixando apenas os menores de quinze anos.

“Quando Flora achou que tinha vencido, a noiva dela, que lutava ao seu lado em todas as guerras desde o afirmamento de compromisso, enfincou uma lança forjada estilo tradicional nas costas de Flora, e a outra ponta de ferro da lança ela fincou no chão. Então o corpo desceu da ponta até metade do cabo, e a dor era tão agoniante, que sequer gritar ela conseguia, queimava todo o corpo dela, pinicando, agulhadas fortes na carne morrendo. O céu naquele dia estava nublado, com nuvens muito carregadas… a última coisa boa que sentiu antes de morrer foi um pingo de chuva em sua bochecha. Flora amava tomar banhos de chuva”.

Namjoon não teve palavras para dizer imediatamente ao ela terminar, ficou encarando a moça como se esperasse magicamente alguma coisa para falar. Ele conhecia algumas histórias de Flora, mas a única oficial era que ela nasceram forte, saudável e linda como as mães e vivia como semideusa, nada além disso, e agora, encarando Zia depois do que ela falou e mostrou como prova, tudo que o Kim tinha a fazer era tentar extrair o que fosse parar chegar a uma conclusão verdadeira.

— Você tem lembranças das suas vidas passadas? — Namjoon perguntou, prestando atenção no franzir enjoado de Zia.

— De algumas mortes — ela respondeu, desfazendo a careta de nojo. —, e de alguns momentos que marcaram a essência.

— Mas… é impossível! — Racionais não podiam ter lembranças de suas vidas passadas, pois tais memórias influenciariam muito nas decisões da vida que está sendo levada.

— Não para uma essência amaldiçoada — Zia contra-argumentou, dando de ombros e se preparando para mais uma parte obscura da história.

— Como assim? — Namjoon se endireitou, curvando-se um pouco mais para ela.

— Flora possuía um certo poder por ser filha de uma deusa, ela podia controlar algumas coisas na natureza igual faz a deusa Natureza, não era tão forte quanto a mãe, mas era mais forte que qualquer racional — Zia começou a falar depois de um respiro longo. — Porém, desde sua primeira encarnação que os celestiais perceberam que Flora havia nascido com uma essência malvada. Toda vez que morria e voltava ela provocava algum conflito ainda maior, toda vez! As vezes não importava se grande ou pequeno, ela simplesmente queria ver ao seu redor pegando fogo!

Zia fraquejou a voz quando viu o olhar de dúvida de Namjoon e ele se escorando de novo na cama, desviando seu olhar do dela, a princesa previa o que aconteceria depois disso e não estava preparada para vê-lo com medo de si.

— Então — ela continuou. —, depois de algumas vezes assistindo a perversidade de Flora, Natureza pediu ajuda às irmãs para controlar a própria filha, a deusa Vida junto das deusas Morte e Equilíbrio tomaram uma decisão: quebrariam uma das regras e usariam o ciclo do Sozo para isso.

— O que elas fizeram? — Namjoon perguntou em seguida, num rompante de coragem para saber mais. Zia continuou com o olhar sobre ele, voltando a ser encarada pelos olhos de águia.

— Natureza selou a parte deusa da filha, a essência agora é incapaz de alcançar qualquer tipo de poder celestial que um dia já teve, isso foi permitido por Equilíbrio, que não puniu Natureza por modificar uma essência racional ao seu bel prazer, sendo que é proibido fazer. Vida e Morte a mandaram de volta, mas mesmo sem poder divino, Flora ainda tinha um grau de perversidade assustadora, então, quando ela morreu, Vida moldou sua essência na primeira imagem que possuiu lhe dando um corpo físico e a mantendo durante séculos sem uma reencarnação, deixou-a presa numa cela feita especialmente para ela. Durante esse tempo Morte mexeu em sua essência, e foi muito além do que o Sozo permite que ela modifique em uma existência. Equilíbrio fingiu que não viu nada disso para não ter que cumprir com sua justiça, deixou as irmãs do ciclo mudarem a sobrinha, e escolheu uma punição para o corpo seguinte que renasceria como Flora.

— Você? — Foi apenas um palpite que Namjoon fez.

— Exatamente. Eu sou a primeira reencarnação depois disso tudo — Zia respondeu.

— As punições são as cicatrizes? — ele perguntou, maneando com a cabeça na direção dela.

— E os pesadelos, e o corpo ômega…

— Como assim? — Zia se endireitou na cama antes de começar a responder:

— Flora odiava a hierarquia de distinções, ela era beta radical, e para ela “Se os betas são a maioria e se os betas fazem a maioria das coisas, então são os betas que merecem o título de patrões e líderes”. Em quase todas as reencarnações ela vinha no corpo de beta, menos as duas últimas. Ahri, sua última vez na terra, e a ômega que está te assustando com todas essas histórias — Zia queria sorrir, mas sabia que estava assustando Namjoon só por ver a expressão constantemente franzida dele.

— Você não está me assustando — disse, negando com a cabeça. —, eu apenas estou… — Namjoon deixou a frase morrer sem completá-la, Zia soltou um lufado de riso sem humor algum e concluiu por ele:

— Digerindo a informação? — Namjoon a encarou, ela terminou: — Minha família falou a mesma coisa quando eu contei.

— É muita coisa… — ele se defendeu, seu tom de voz era baixo e pedia compreensão da parte dela.

— Eu sei — concordou. Flora era cruel, os ouros racionais podiam especular o quanto quisessem sobre as vidas dela, mas somente os deuses e Zia sabiam quem foi Flora em cada encarnação. O que a ômega tinha contado até agora foi apenas o pior resumido, pois algumas coisas eram difíceis até de falar. — Se tiver qualquer pergunta, pode fazer, eu vou responder.

Namjoon assentiu e pensou um pouquinho, ele tinha sim uma pergunta:

— Por que se refere a Flora como se ela fosse outra pessoa?

— Porque ela é! — respondeu de cenho franzido, mais alto do que necessário. — Flora é outra pessoa, a essência é praticamente outra depois de tanta mudança feita! Eu não tenho nada dela! E eu não ligo para as coisas do passado dela. — Se havia uma coisa que Zia não aceitava era que a associassem com sua antecessora. — Eu não fiz nada do que ela fez e não farei, pois eu não sou a sádica de merda que ela era!

— Eu não disse isso! — Namjoon adiantou, tenso ao ver a reação explosiva de Zia e o quanto aquilo mexia com ela.

— Mas é o que está pensando! — Zia não queria acreditar que depois de tudo que ela falou da Flora e do que fizeram para contê-la Namjoon acharia mesmo que as duas eram similares, ou pior, a mesma pessoa.

— Não! Não, Zia! Eu estou pensando que é difícil ‘pra você ter esse peso sem nunca ter feito nada, isso sim — mentiu, procurando o olhar dela novamente.

— Mentira — ela o negou, encarando-o.

— Deixa isso, por favor! — Namjoon suspirou e tocou no ombro dela ao dizer. — Você não é essa Flora, você é a Zia, outra pessoa, eu tenho completa noção disso.

Zia quis dizer que não era isso que os olhos dele diziam, que a expressão franzida e desconfiada significava algo que ela não queria entender, pois se entendesse seria obrigada a odiá-lo por pensar isso dela. A princesa sentou-se de costas para o herdeiro, os dois ficaram em silêncio, Namjoon tendo consciência que para ele era difícil de ouvir tudo aquilo, mas para Zia era difícil de ter de viver sabendo de onde sua essência vinha e o que ela já fizera.

— Se você está selada — Namjoon recomeçou de mansinho, sem querer afetá-la mais. —, então por que seus olhos ganham outra cor e você fica com aquelas veias pulsando?

— Porque é um selo, e selos deixam escapar — ela respondeu, fechou os olhos e estralou o pescoço antes de ouvir aquele sonoro:

— Ah… — o “Ah” das possibilidades, diziam somente com um som o que a mente do falante tinha medo de perguntar.

— Pergunta logo, Namjoon — Zia mandou.

— Perguntar o quê? — Ele esperou que ela virasse.

— Se o selo se rompe. — Mas ela olhou apenas de soslaio para ele.

— Eu- — novamente, ele deixou a frase morrer, estava cansado daquele assunto, mas não conseguia deixar de lado o que ouviu. — Há como o selo se romper?

— Não sei. Um sentimento forte, talvez, tipo… a cabeça do meu noivo fora do corpo, quem sabe? Isso abala as estruturas de qualquer noiva, foi o que eu ouvi dizer — Zia olhou para trás e encarou o alfa, virou-se ao perceber a seriedade no olhar dele, como se não tivesse gostado de ouvir aquilo. — Se não aconteceu daquela vez, Namjoon, não acontecerá mais — afirmou com uma voz um tanto melancólica.

— Zia… — chamou-a, tombando de leve a cabeça, negando suavemente, repousou a própria mão na dela e encarou as duas mãos unidas enquanto sustentava uma expressão franzida.

— Eu não sou um monstro, Namjoon — assegurou, a voz ainda mais baixa, como se afirmasse aquilo mais vezes do que realmente necessário. — Eu não tenho culpa de nada disso, não matei ninguém, não destruí nada, nem ninguém. Eu não sou a Flora.

Namjoon ficou espantado, mas não era do mesmo jeito de antes, ele ficou espantado com a necessidade que ouviu na insistência de Zia. O alfa não sabia, mas aquele passado da sua essência mexia demais com o emocional de Zia, não foi fácil ouvir de seu pai que ele tinha medo de treiná-la não somente por ser ômega, mas conta do passado de sua essência, nem foi fácil quando percebeu que sua família ficou receosa ao saberem de tudo… Zia nunca esqueceria o olhar assustado de sua mãe toda vez que ela explodia de raiva, sempre alerta esperando alguma violência da parte da própria filha. Ser temida em vez de ser respeitada era o maior medo de Zia.

— Não! Não, Zia! Eu não pensei isso de você! Pelos deuses!, digo… esqueça isso! — se corrigiu. — Obrigado por me contar, é coisa demais para confiar a alguém assim, obrigado mesmo!

— Você acredita em tudo? — Zia o perguntou.

— Eu ainda estou digerindo, mas posso dizer que sim, que acredito — Namjoon deu um pequeno sorriso, assistiu quieto ela se sentar escorada na cabeceira da cama, as pernas dobradas e virada para ele, bem próxima. Com um suspiro lento, Zia perguntou novamente:

— Você tem mais perguntas não é?

— Um monte! — Namjoon respondeu, se ajeitou também na cama, arrumando a perna para que não fiasse dolorida depois. Zia pegou uma das almofadas da cama e fez uma elevação no tornozelo para que o sangue fluísse melhor. — Mas não quero perguntar sobre nada disso agora, senão eu vou explodir, e você também. Eu prefiro… — Ele esperou que ela se escorasse na cabeceira de novo para terminar: — ficar aqui deitado, do seu lado, ouvindo você me dizer que não vai se casar com meu primo mesmo.

Os olhos de Namjoon eram tão pidões naquele momento, combinavam perfeitamente com todos os traços de seu rosto. Zia quis gemer de dor só de ver, porque ela também não queria casar com o primo do Kim, não queria honrar aquele compromisso com o Oeste.

— Namjoon-

— Diz que não vai, por favor — o alfa pediu, segurando as mãos de Zia, encarando-a tão necessitado quanto o pedido velado dela de não ser vista como um monstro.

— Eu vou casar com ele, Namjoon. E nós dois estaremos aqui para assistir o seu casamento com a alfa Woo quando acontecer. — Namjoon desvia o olhar, larga as mãos dela e baixa a cabeça, se forçando a ter um autocontrole que não costumava ser preciso exercer, mas Zia se aproxima sorrateira, acaricia seu rosto, lhe encarando pela primeira vez com um puro carinho. — Mas podemos fingir que isso nunca vai acontecer, por enquanto.

Ele a encarou, espremeu os olhos em dúvida e soltou a pergunta de interesse:

— E sermos amantes, por enquanto? — Namjoon fez uma expressão lasciva.

— É, por enquanto — Zia sorriu de lado quando viu o sorrisinho pervertido do alfa.

— Com beijos e tudo mais? — ele perguntou de repente, atendo-se a esse detalhe muito importante.

— Existe outro significado de amante aqui na sua vila? — ela perguntou, rindo leve ao final.

— Eu vou te beijar, Zia — Namjoon avisou, olhos quase fechados e um sorriso largo que mostrava suas covinhas na bochecha. —, a noite toda, em todas as noites que eu puder — concluiu.

— Então beije — ela respondeu, a voz soando mais como sussurro do que qualquer outra coisa. —, mas comece agora porque o nosso por enquanto é curto demais, e eu quero lembranças para levar comigo e deixar com você.

Sem palavras para dizer, Namjoon acariciou novamente o rosto de Zia. Quando se beijaram, o contato pareceu mais certo do que poderiam explicar se tivessem que fazê-lo. Fazia um bom tempo que Zia não beijava alguém, Namjoon não tanto, mas também fazia algum, e o primeiro beijo deles sendo um com o outro foi tão bem encaixado, sem urgência, mas com necessidade, e a sensação parecia melhor a cada toque que, se possível, diriam que eram os melhores beijos dados em ambas as vidas, e tal possibilidade se tornava quase concreta levando em consideração o sentimento que nutriam em acordo.

E isso tornava doloroso pensar no por enquanto.


Notas Finais


gente... eu não tenho nota final não viu?
deixo os comentários para vocês falarem o que pensam desse capítulo e das revelações que ele trouxe

aproveito a dizer que FIZ O INSTAGRAM então sigam e podem mandar dúvidas nos comentários, eu respondo lá, juradinho!
Link do perfil: https://instagram.com/imorganiic?igshid=1nr7fll3ibyt7

me falem o que acharam, tá? Vou ler ansiosa e comentar nos stories do insta
bjs bjs e até o próximo!


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