História Dominations and Disciplines (Jikook ABO) - Capítulo 2


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Abo, Amor, Bangtan Boys (BTS), Boyxboy, Daddykink, Dominador, Gay, Jikook, Jimin Gravidinho, Jimin Ômega, Jimin Ômega Minus, Jimin!bottom, Jimin!uke, Jungkook Alfa, Jungkook! Alfa Lúpus, Jungkook!seme, Jungkook!top, Kim Taehyung, Kookmin, Mpreg, Passivamin, Possessivo, Sope, Submissão, Submisso, Yaoi, Yoonseok
Visualizações 179
Palavras 4.295
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drabble, Drama (Tragédia), Ficção Científica, Lemon, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hello, hello!
Obrigado a todos que favoritaram e que comentaram, vocês são demais mesmo. Amo cada um! <3
Bom, esqueci de citar no "capítulo" anterior, mas aqui Jungkook e Jimin terão algumas caractéristicas diferentes, principalmente, o Jimin. Espero que gostem.
Bom o capítulo acabou de ser betado, mas sempre passa algum errinho, então relevem ou me digam, okay?
Boa leitura, meus amores! <3

Capítulo 2 - I'm a prisoner to my decisions;


Fanfic / Fanfiction Dominations and Disciplines (Jikook ABO) - Capítulo 2 - I'm a prisoner to my decisions;

— Veja como seu comportamento é de um selvagem sem princípios ou educação. Nos olha com desprezo quando na verdade somos superiores a ele. Ao menos serve para cozinhar e cuidar da casa, mas dará trabalho. O que acha, amor? — A beta de beleza estonteante cuspiu as palavras, torcendo o nariz com a figura do ômega minus acorrentado e de expressão debochada.

— Certamente não seria uma boa escolha. Tenho problemas suficientes no trabalho pra lidar com uma criança mimada. Vamos, querida, deve haver melhores por aqui. — Seu marido, um alfa comum, balança cabeça em negação e imitou a careta da esposa. O casal se afastou e Park Jimin revirou os olhos, encarando as correntes em seus pulsos feridos.

Não fazia ideia de quantos dias estava usando aquela mesma roupa velha e encardida que pouco lhe aquecia. Correntes em suas algemas foram presas na parede e ele fora deixado lá como uma obra de arte em exposição que não agradava o público. O ômega analisou o ambiente em que estava e não reprimiu um suspiro. Havia vários ômegas que eram elogiados e não necessitavam de cordas em seus braços. De qualquer forma, muitos deles seriam vendidos para alfas que os maltratariam e não durariam muito tempo.

Para Jimin, pouco o importava seu destino, pois achava que sofreria de qualquer forma independente das circustâncias.

Seus músculos pesavam e seu estômago implorava por alimento. Já faz três dias que não era alimentado e ele sabia a razão disso. Quando os ômegas eram rejeitados nos leilões e ficavam no galpão por mais de duas semanas, suas refeições eram cortadas e passavam a maior parte do dia acorrentados à parede em condições sub-humanas.

Já faz quatro meses que Jimin estava ali.

— Ora, ora... — Aquela voz que tanto atormentava seus dias se fez presente e Jimin respirou fundo, cansado de toda aquela merda que tinha que aguentar quando tudo que precisava era de cuidado e alguém que o entendesse, por mais que achasse que nunca teria isso.

— Jack... — O ômega disse com desprezo no tom, lançando um olhar cheio de ódio ao homem que lhe maltratou e o prendeu nesse mundo. Jimin sabia que a culpa não era somente dele, já que haviam outras pessoas em jogo. Queria distância de todos. — O que você quer?

— Jimin, meu querido. Temos tanto a conversar, mas meu tempo é curto. Vou ser direto. — Abaixou-se em frente ao garoto, puxando o couro de sua coleira e aproximando suas faces. Park engoliu em seco. — Você está sendo um peso para meu bolso e eu preciso dar lugar aos novos minus. Ou sai daqui essa noite com um dono ou te jogarei na rua onde você não aguentaria uma noite sequer. Boa sorte.

Jimin pôde finalmente respirar quando o alfa o soltou e se retirou para organizar os últimos detalhes do leilão daquela noite. Sua garganta estava trancada e o coração palpitava com força. Não conseguia processar o que havia escutado, sua cabeça girava e não chegava a lugar algum.

O que eu devo fazer? Vou ser finalmente livre? Pra onde vou? Vou ficar bem? E se alguém me comprar? Seria pior que ficar na rua?

— Hey, Minnie.

O garoto piscou algumas vezes, virando a cabeça na procura da voz fraca conhecida da sua companheira, também uma ômega minus.

Jisoo chegou pouco depois de si e tornaram-se amigos, compartilhavam suas histórias e angústias. Ambos esperavam pelo dia que seriam livres e felizes com pessoas que os apoiassem. Ao contrário de Jimin, a ômega de cabelos negros e olhos castanhos ainda tinha resquícios de esperança no peito.

— Sim?

— Tudo vai ficar bem. Você vai sair dessa. Confio e acredito em você. — Garantio, acariciando seus pulsos marcados por correntes.

Jimin assentiu com um meio sorriso, baixando o olhar e deixando algumas lágrimas dolorosas e pesadas mancharem sua camisa. Não entendia o porque aquilo tudo acontecia consigo. Só queria uma vida simples e feliz, um lar aconchegante e estar rodeado de pessoas que o amassem. Não ser julgado e desprezado por sua classe, poder andar sem medo na rua, sem ter preocupação com abusos.

Por que? Por que não pôde ter uma vida assim? Por que a sociedade não o enxerga como um ser humano que também possui sentimentos e emoções?

Jimin só precisava de felicidade. Mal sabia ele que talvez houvesse uma pessoa especial que estava disposta a tirar toda sua amargura, ele só precisava deixá-la entrar em seu mundo e abrir seu coração.


[...]


Jeon Jungkook mexeu distraidamente a taça com vinho caro entre os dedos, observando o líquido balançar enquanto escutava as palavras do seu amigo e empresário, Jung Hoseok.

Os dois alfas lúpus estavam acomodados elegantemente no estofado confortável do sofá, presos em uma conversa interessante para o mais velho, que se tratava de algo que lhe favorecia.

O ambiente exalava masculinidade e poder, sendo preenchido apenas por alfas lúpus do sexo masculino: homens fortes, charmosos, poderosos e que eram capazes de amedrontar o mais forte dos alfas.

Tudo para eles vinha com dose dupla, como a força, altura, falta de controle. Possessivos até com pequenas coisas, irados e descontrolados. Possuiam uma presença imponente e personalidade forte, além de serem extremamente dominadores.

Eram mais selvagens, com o comportamento mais agressivo, além de serem mais másculos. Essa classe ocupava somente 4% da sociedade e não sofria preconceito e discriminação em razão de seu porte.

Durante o cio, que ocorria intensamente a cada dois meses, necessitavam de ômegas que suprissem suas necessidades durante uma semana inteira. Porém, não se trata dos tradicionais e sim, de ômegas minus.

Ômegas minus eram os submisso, de aparência mais delicada, com uma personalidade extremamente dócil e gentil. Apesar disso, eram acanhados e considerados a classe mais baixa e por esse motivo eram alvo de preconceito, sendo rejeitados até mais que os ômegas comuns.

Eles eram extremamente frágeis tanto fisicamente como emocionalmente.

Constituindo apenas 2% da população, eram treinados pra serem bons submissos desde o nascimento e leiloados como mercadorias quando eram julgados obedientes o suficiente para dar prazer aos alfas lúpus que disputavam pela compra de um.

Jungkook estava em evento de compras e vendas, um leilão. Seu cio aconteceria em três semanas e relações com ômegas comuns e betas não lhe davam o prazer completo. Jeon não queria contribuir com aquela merda que tratava pessoas como animais enjaulados, mas seu amigo insistiu e ele aceitou ir para se familiarizar com o ambiente e situação. Por hora, apenas daria uma olhada.

Ele precisava de um minus e talvez compraria um. Seria unir o útil ao agradável. Afinal, aqueles ômegas foram criados para essa vida. Ele cuidaria do seu minus e lhe daria todo o amor do mundo. Não poderia ser tão ruim assim e Jungkook não viu tantos pontos negativos em ter um garoto exclusivamente seu. Seu lado possessivo o agradeceria.

— Então, como estão as coisas com o Yoongi? — O homem mais velho dobrou a perna com o calcanhar sobre o joelho, dando atenção ao amigo que sorriu ao escutar o nome citado.

— Melhor impossível. O apresentei aos meus pais essa semana e ele, como o esperado, conquistou o coração dos dois com seu jeito apaixonante. Tem se comportado perfeitamente e estamos nos dando super bem.

Era adorável a forma como seus olhos deixavam com que o vazio fosse substituido por um brilho considerável. Um dentre os vários efeitos que um ômega minus é capaz de exercer sobre um alfa lúpus.

— Parabéns cara, espero que continue assim. — É tudo o que diz, acrescentando um tapinha amigável em suas costas.

Digamos que Jungkook não seja muito caloroso, mas ele está genuinamente feliz pelo amigo e suas conquistas.

— Eu arrisco em dizer que a melhor coisa que eu fiz nos últimos anos foi comprá-lo. Eu amo aquele garoto. — Um suspiro apaixonado deixa seus lábios úmidos e o alfa ao seu lado apenas assente, não compreendendo o sentimento de encontrar sua alma gêmea.

— Não esqueça de me convidar para o casamento. — Jeon brinca, repousando elegantemente a taça na mesa de centro e tirando um maço de cigarro do bolso de seu smoking.

— Bobagem. Você sabe que seria a primeira pessoa da minha lista. — Hoseok observou a forma como o outro levou o cigarro aceso até seus lábios e tragou profundamente com os olhos fechados e um sorriso ladino.

Família e amigos próximos não compreendiam o fato de Jungkook não estar em um relacionamento fixo. Com o rosto absurdamente atraente e um corpo do mesmo nível, deveria ser desejado por vários ômegas e de fato era. Possuia a altura média de um alfa lúpus — 1, 85 —, sua pele era bronzeada e marcada por diversas tatuagens pessoais. Consideravelmente magro, mas com bíceps trabalhados e dono de coxas torneadas e curvas exuberantes. O que mais recebia elogios era sua bunda durinha. Seu charme.

Seus olhos negros, lábios finos e traços naturalmente sensuais levavam mulheres e homens à loucura. Era duvidoso que ele optasse pela solidão.

A verdade é que ter relações com pessoas aleatórias não agradava o moreno como antigamente, que ansiava por uma relação onde tivesse alguém inteiramente seu e pudesse ser único para seu parceiro. Em outras palavras, o alfa ainda não encontrou alguém para dar sua mordida.

— Sendo assim, não tenho do que reclamar. — Agradeceu o gesto do outro alfa com aceno enquanto descruzava as pernas e segurava o cigarro aceso entre os dedos. — Então, me fale mais como isso funciona e o comportamento dos minus. São realmente bons?

— É incrível, Jungkook. Eles realmente dão conta do recado. Sabem perfeitamente como nos enlouquecer.— Hoseok deixou a taça em cima da mesa de centro e lançou um olhar significativo para o amigo. Ele entendia bem do assunto. — A maioria foi rejeitada pela família porque você sabe, ninguém quer um minus além de um lúpus. O preço varia de acordo com o ômega, mas no geral está em conta.

— O que diferencia o preço entre eles? — Jungkook questionou, interessado.

Apesar de ser destinado a se relacionar com um ômega minus, apenas agora teve a oportunidade de entrar em contato com esse mundo. Sempre foi um homem fechado para o mundo e até um pouco solitário. Se preocupava em apenas manter os vínculos atuais e não expandí-los. Além disso, ele não fazia ideia do que ocorria por trás desses leilões, ao menos sabia da existência deles algumas semanas atrás.

— Os mais dóceis e obedientes são mais caros, é claro. Fazem tudo o que um lúpus poderia querer e alguns até cozinham e arrumam a casa. Também há alguns minus que sofreram traumas no passado. Esses são ariscos, recusariam seu toque e não hesitariam em fugir na primeira oportunidade oferecida. São selvagens e por isso acabam sendo forçados a ter sexo com seu alfa. Esses são difíceis de se vender, mas há quem goste de um desafio. Isso você decide na hora de escolher.

— Isso é horrível, mas seria interessante lidar com um ômega indisciplinado...

Jungkook umideceu os lábios finos, passando a língua sensualmente por eles. Apagou o cigarro no cinzeiro sobre a mesa antes que algum segurança lhe incomodasse por estar fazendo algo proibido em um ambiente fechado, mesmo que houvesse um cinzeiro logo em sua frente. Ele nunca entenderia.

— Imaginei que seria do seu agrado. — Jung ofereceu um sorriso ladino após bebericar seu vinho. — Você pode comprar um essa noite.

— Deus... Você fala como se eles fossem um objeto. — Repudiou a maneira como o amigo de longa data se referia aos ômegas. A sociedade sempre os excluiu, tratando-os como seres inferiores. Jeon não gostava disso.

— Desculpe, é força do hábito. Yoongi me cobra essa mudança também. — Deu um sorriso amarelo e teria prolongado o assunto se não fosse interrompido.

— Boa noite, senhores. — Todos os alfas ali presentes seguiram seus olhos até o palco. — Sugerimos que todos sempre tenham o catálogo em mãos para ler as condições de venda descritas. Os ômegas minus serão anunciados um a um. — A voz grave de um alfa comum soou através dos autos falantes, cessando todas as conversas do ambiente.— Assim que algum de seu interesse for anunciado, basta levantar a mão acenando para os organizadores. Caso existam mais pessoas interessadas no mesmo ômega, inicia-se uma disputa para decidir quem dará o maior lance. — Deu uma pequena pausa antes de continuar. — Daremos início ao leilão após a leitura do catálogo anunciando um nome de cada vez.

As conversas voltaram, dessa vez em tom baixo. Jungkook e Hoseok dividiram o mesmo catálogo para analisarem os ômegas que seriam vendidos nessa noite.

Jeon folheou o catálogo onde continha uma pequena fotográfia de cada minus e um pequeno texto explicativo sobre sua personalidade e modo de viver.

— São todos fodidamente atraentes e aparentemente todos sabem cozinhar. Céus, me sinto péssimo por eles viverem dessa forma. — Estalou a língua no céu da boca e balançou a cabeça em negação.

— Eu sei que você é contra, mas pode melhorar a vida de um quando comprá-lo. Geralmente são tratados como animais aqui. Pense nisso.

Eles permaneceram em silêncio por alguns minutos até que o primeiro nome foi anunciado. Um garoto de estatura média foi levado por um alfa até o palco, vestindo um macacão branco e com a aparência assustada. Era como se temesse pele seu destino.

Na maioria dos casos, eles eram feitos de escravos sexuais para alfas doentes satisfazerem seus desejos. Era comum que algus minus não aguentassem a pressão e não resistissem, afinal, eram fracos e frágeis para os alfas brutos e isso era um dos motivos de sua quase extinção.

— Ele realmente não quer estar ali, estou certo? — Jungkook indagou com as sobrancelhas franzidas e a risada abafada do amigo é ouvida.

— Nenhum deles quer.

Toda situação faz o alfa ponderar. Ele não seria capaz de usar e abusar de um minus como se ignorasse seus sentimentos. Isso era doentio. Sua capacidade de empatia era o que faltava na maioria dos alfas lúpus.

O leilão prosseguiu com algumas ofertas e disputas por ômegas. Jungkook já estava ficando cansado e enojado com o quão ridículo aquilo poderia ser. Eram como leões brigando por um pedaço de carne fresca.

Ele já estava pronto para se levantar-se e ir embora sem dar uma explicação ao amigo, quando um coro de risadas baixas lhe chamou sua atenção. O alfa virou a cabeça em direção ao palco, cravando os olhos em um pequeno corpo que fora empurrado brutalmente contra o chão.

Vestia-se com roupas curtas e surradas que deixavam boa parte de sua pele leitosa exposta, o que parecia deixar o garoto envergonhado e com as bochechas ruborizadas.

Seus cachos loiros cobriam boa parte de seu rosto e apesar de sua aparência infantil e inocente, ele aparentava estar muito furioso e totalmente contra o que faziam consigo.

Jungkook olhou para a coleira que envolvia a pele branca do seu pescoço e sentiu os poucos pêlos do seu corpo se eriçarem. Não deveria ter pensamentos sujos com alguém naquela situação. Seria tão sujo e acabaria se tornando como um daqueles alfas repugnantes, mas era inevitável deixá-los de lado com um ômega como aquele.

Não havia percebido, mas suas mãos fecharam-se em punhos e suas unhas curtas cravaram a pele de sua palma.

— Park Jimin, senhores. Um ômega minus indisciplinado, com 1,67 metros de altura, pesando 52 quilos. — O alfa que o segurava puxou a corrente presa na coleira, fazendo com que Jimin ficasse de pé em suas pernas fracas.

Ele rosnou e por mais que quisesse sair dali, sabia que suas opções não eram tão viáveis.

— Nunca teve qualquer tipo de relação sexual, sendo totalmente puro e inocente. Possui dotes culinários e também cuida dos afazeres domésticos, como lavar a louça, limpar a casa, lavar roupas...

A apresentação seguiu com mais afirmações sobre aquele ômega e o alfa lúpus de olhos negros sentia seu coração palpitar aceleradamente em seu peito. Jamais havia se deparado com tamanha beleza em seus 29 anos de vida e estava tão fissurado que não escutou os chamados do amigo.

Jimin era uma obra de arte pintada com maestria pelo mais habilidoso artista renascentista, feito com as tintas mais caras e brilhantes, com as mais suaves pinceladas.

Aquele garoto simplesmente prendeu sua atenção. Sua pele leitosa, seus cachinhos curtos, suas curvas, o modo como se movia. Apesar de toda inquietação, Jungkook via um submisso ali, mas também uma pessoa sensível que precisava urgentemente ser cuidada e protegida.

A ideia de comprá-lo veio em sua mente e foi embora na mesma velocidade que chegou. Jungkook era muito atarefado e a correria do seu dia não lhe deixaria tempo para dedicar-se ao seu companheiro. Sua rotina se resumia em ir ao trabalho, supervisionar os estilistas em suas criações, comparecer à eventos de moda nos finais de semana e coisas que não lhe pareciam mais atrativas. Era muito difícil conseguir um momento só para si, para relaxar e deixar todo o estresse de lado por algum tempo.

Jeon morava em uma casa espaçosa demais para apenas ele e seus criados. Seus pais não lhe visitavam frequentemente e a solidão era sua companhia diária. Por esse lado, não seria uma má ideia ter uma pessoa para o distrair do estresse do trabalho, nem que isso lhe custasse algum — muito — dinheiro.

— Jungkook? — Ele balançou a cabeça e piscou algumas vezes, tendo seus pensamentos sobre o ômega minus deixados de lado.

— Sim? — Alisou o paletó contra seu corpo, limpando a garganta e encarando o amigo que tinha um olhar indescritível. — O que é?

Hoseok apenas ergueu o queixo para que o outro alfa lúpus olhasse no meio da multidão.

— Olhe quem está aqui.

— Desgraçado. — Jeon resmungou, seu maxilar travado, ressaltando os traços másculos em seu rosto.

Kim Taehyung, seu arqui-inimigo que era capaz de lhe tirar do sério apenas estando em sua presença. Os dois tinham uma longa história que teve início quando eram jovens e estudavam juntos na mesma faculdade. Eram colegas de turma e suas personalidades não eram compatíveis.

Kim fazia de tudo para provocá-lo e sabotá-lo desde essa época, iniciando uma guerra entre o alfa lúpus e o alfa comum que nutre sentimentos de rancor e ódio até hoje.

Dois anos atrás, Tae havia contratado um funcionário para se infiltrar na empresa de Jungkook e sabotar suas coleções. Seus atos mesquinhos resultaram em vários projetos vazados e um prejuízo enorme para o bolso de Jungkook. Seu pai, antigo dono da empresa, ficou enfurecido e claro, acabou perdendo a cabeça e descontando no filho, o que causou uma enorme discussão entre os dois. Felizmente, Jungkook conseguiu reverter a situação e criou outra coleção inédita com a ajuda de Hoseok, seu braço direito.

Desde então, tem se dedicado diligentemente ao trabalho e desconfiado de tudo e de todos. Sua empresa cresceu cada vez mais, com designers profissionais que desenhavam peças incríveis que logo eram vendidas para marcas de grife gigantescas como Gucci, Louis Vuitton, Lanvin, Versace, D&G, dentre outras. Jungkook procura também ajudar empresas pequenas que estavam em seu início.

Afastou-se e contruiu uma bolha ao seu redor que poucos conseguiram estourar. Se tornou calculista, introvertido, excessivamente crítico e com dificuldade em abrir-se para as pessoas.

Jungkook odiava o Kim, sem exageros. Além de ser traíçoeiro e cheio de si, o alfa comum era um verdadeiro canalha. Jeon sabia que ele tinha um histórico péssimo, com abusos e maus tratos com ômegas e que trata seus empregados e contratados com desprezo. Parece que o homem sente prazer em ser um estúpido.

Bem, Jungkook sentiria prazer em dar um belo soco naquele rosto debochado que o encarava perto do palco. Seu instinto de alfa lúpus quase falou mais alto, mas soube controlar suas emoções.

— Vamos embora daqui antes que você faça besteira. — Hoseok tocou seu pulso com hesitação, porém o amigo o afastou rudemente.

— Ele vai comprar aquele ômega, Hoseok.

Taehyung e Jungkook estavam juntos no mesmo ambiente e definitivamente isso não terminaria bem.

— Nada mal, Park Jimin. Você está tentador ajoelhado assim, mas ficaria ainda melhor lavando minhas louças e satisfazendo meus desejos mais insanos.

Kim proferiu, arracando algumas risadas e olhares de desprezo dos outros alfas ali presentes.

Jimin deixou as sobrancelhas baixas e juntas, logo estreitou os lábios, sentindo-se irritado por ser motivo de piada. Queria bater em todos aqueles homens até que esquecessem seus próprios nomes.

— Silêncio, por favor... O preço inicial desse minus é de 12.000. Alguém oferece mais? — O organizador falou ao microfone e todos se calaram, exceto, claro, uma pessoa.

— 13.000. — Taehyung gritou, aproximando-se ainda mais do palco. — 13.000 e ele é meu.

— Alguém dá mais?

O silêncio se fez presente, Jimin estava aflito, não sentia confiança alguma naquele alfa, muito pelo contrário. Tudo que o ômega via eram olhos frios, intimidadores e um homem que acabaria com sua vida. Conseguia imaginar-se perfeitamente passando o resto dos seus dias como um escravo miserável e isso o aterrorizava.

Naquele momento, se importou com seu destino.

Seus olhos estavam lacrimejados e o pequeno olhava com desespero ao redor, procurando por Jisoo. Não queria aceitar que aquele era seu fim.

— 15.000.

Todas as cabeças presentes procuravam pelo dono da voz, que espremia-se entre os corpos até chegar ao palco. O alfa lúpus parou ao lado de Taehyung, levantando os ombros e o queixo para demonstrar superioridade, sua altura o favoreceu.

Era Jungkook, e ele não estava a fim de conversar.

Kim sorriu com escárnio, cruzando os braços fortes contra o peito. Estava irado e um tanto surpreso com a presença inesperada do rival, mas usou a situação ao seu favor para sair por cima.

— 16.000. — Rebateu.

— 18.000.

— Quem diria? Jeon Jungkook disputando comigo por um minus descartável como esse.

— Se o julga descartável, então por que insiste em ultrapassar meus lances para comprá-lo?

Taehyung queria Jimin simplesmente para provocar o inimigo, mas não negava que tinha intenções, por sinal, más intenções com o garoto. Sua reputação não era nada boa e todos sabiam disso, principalmente Jungkook.

Além de estar profundamente encantado pelo garoto, Jeon também não queria que o mesmo sofresse nas mãos daquele insensivel.

O empresário se calou com uma carranca no rosto.

— 20.000 e encerramos aqui. — Kim enfrentava problemas em sua empresa e não poderia gastar mais do que isso.

Jimin analisava a situação com seus olhos curiosos e esverdeados. Haviam dois alfas milionários disputando para levá-lo para casa e o ômega minus não conseguiria pensar em um motivo sequer para chamar a atenção daqueles homens charmosos e elegantes. Veja bem, seu corpo era franzino e seus ossos estavam visíveis e marcados, mostrando que não se alimentava corretamente há dias. Suas roupas nem deveriam ser chamadas dessa forma. Seu cabelo bagunçado e sujo, assim como sua pele ressecada e pálida. Estava fraco, desnutrido e seu estado era de causar pena no coração mais duro. Como alguém poderia o enxergar de forma sexual e gastar aquela quantia enorme para o ter. Talvez Jimin estivesse certo e tudo não passasse de um ato de misericórdia.

— 25.000! — Um alfa comum gritou ao seu lado e Jungkook o fuzilou com o olhar.

— 50.000 será o último lance da noite para comprar Park Jimin, e eu darei esse valor.

O galpão se encheu com cochichos surpresos dos alfas. Alguns já conheciam Jeon e sabiam de seu poder, da enorme conta bancária que era dono e de sua fama de cara antipático e solitário. Jamais o imaginariam ali, comprando um ômega selvagem e mal criado. Jungkook não fazia ideia do que havia feito, mas sua expressão de desinteresse não demonstrava a confusão que ocorria na sua cabeça.

— Alguém gostaria de dar um lance maior? — A expressão de Taehyung falava por si só. Estava perplexo e irritado. — Então, acho que encerramos por aqui. Ômega minus vendido para Jeon Jungkook por 50.000. Agradecemos a presença de todos.

— Isso não acaba aqui. Eu vou foder com vocês, Jeon. — Kim rosnou, mas Jungkook não se abaixou. Não tinha medo, pois sabia que o homem apenas latia e nunca dava a mordida. Apenas ergueu uma sobrancelha. — Você e essa vadia suja... O que é seu está guardado. Vai pagar por tudo que me causou!

— Eu gostaria de vê-lo tentar encostar um dedo nele sem eu arrancar sua cabeça, Tae. Vá pra casa, respire ar fresco e beba um chá gelado. Acalme seus nervos, por favor.

Jungkook comentava casualmente enquanto assinava os papéis necessários para a compra e coletava dados para depositar o dinheiro na conta mais tarde.

Estava agindo automaticamente. Pensaria nas consequências mais tarde quando conversasse com seus amigos próximos. Hoseok deveria estar feliz.

Em meio a tanta confusão, ameaças, estresse e medo, Jimin e Jungkook cruzaram olhares profundos e significativos. Era como se o alfa pudesse ler a mente do ômega, mas o mesmo apenas enxergava o vazio preocupante no outro.

O mais velho caminhou até o palco, pedindo para segurar a corrente de Jimin. Aquele menino precisava de ajuda e parecia um gatinho arisco e assustado. O olhou de cima a baixo, admirando a vista até certo ponto. Aquilo não parecia certo.

Liberou a corrente que o prendia, levando os dedos gélidos e firmes até o pescoço do menor e tocando sua pele arrepiada para retirar a coleira e deixá-lo livre. Deslizou o dedo indicador até sua clavícula, subindo até seu queixo e erguendo seu rosto angelical.

— Vou te levar pra casa, Jimin.


Notas Finais


Obrigado por lerem até aqui! <3
Não esqueçam de dizer o que acharam, pois sua opinião é muito importante para mim, uh?
Nos vemos no próximo capítulo!
Com amor @ghoostinn <3


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