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História Dona! - Capítulo 1


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Notas do Autor


E vamos de surto.

Capítulo 1 - Um


Eu era apenas uma caloura idiota quando o conheci, completamente empolgada em cair fora da casa dos pais e morar sozinha. Bem, sozinha em partes, já que dividiria um apartamento com mais uma moça. Mas acreditava que seria bem melhor que ouvir as exigências do meu pai ou as reclamações da minha mãe o tempo todo. E realmente foi.

Estava carregando as caixas com minhas coisas, distraída demais para perceber alguém chegando do meu lado esperando pacientemente que eu atravessasse a porta e liberasse o caminho. Temari – a colega que eu dividiria as despesas – estava sendo gentil e me ajudando. Ela me apresentou a aquele estranho que brotou repentinamente ali, o apresentou como Gaara, seu irmão.

Ele era no mínimo peculiar, era alto e parecia ser meio magricela, usava roupas escuras e pesados coturnos, cabelos ruivos bagunçados – ou desleixados se preferir – seus olhos eram verdes, de um tom mais claro que os meus. Ele também era tão pálido que parecia estar doente, me perguntei se ele brilharia no sol.

                E este foi meu primeiro contato, não foi nada demais ele era só um punk estranho irmão da minha colega de apartamento, o resto daquele dia seguiu normalmente e no cair da noite eu nem me lembrava mais de como era as feições dele.

                O tempo foi passando tranquilo, estava feliz cursando meu primeiro semestre de jornalismo e curtia ter um espaço só pra mim, isso por que Temari não era muito presente, ela estava na metade de Engenharia Química e também participava da equipe de cheerleaders da universidade. Muitas vezes quando eu acordava, ela já tinha saído e quando eu ia dormir não havia chegado ainda, mas nos momentos em que realmente dividíamos o mesmo teto Temari se mostrava alguém bem agradável, muito reservada, porém agradável.

                Então eu fiquei bem surpresa quando ela perguntou se eu queria ir a uma festa, mas não recusei. Eu não tinha feito muitas amizades por ali e meus dias se resumiam a estudar e fazer trabalhos, estava entediada e achava que uma festa não seria má ideia.

                 No dia da tal festa Temari me disse que seu irmão seria nossa carona, dei de ombros e concordei, mas me certificaria de levar um dinheiro escondido nas minhas botas para pagar um táxi quando quisesse ir embora, eu detestava ficar dependendo dos outros principalmente em situações assim.

                Passava das dez quando Gaara mandou uma mensagem para a irmã avisando que estava esperando a gente lá embaixo. Peguei o fardo de cerveja que Temari e eu rachamos para não chegar de mãos vazias, e descemos rapidamente as escadas. Morávamos no terceiro andar de um pequeno prédio predominado por universitários, elevador ali chegava ser uma piada.

                – Naruto, vaza! – Temari exclamou assim que abriu a porta do carona e viu um loiro ali.

– Por que? – Ele rebateu claramente confuso.

                – Porque eu quero sentar na frente e sou irmã do dono do carro. Anda, anda, sai.

                O loiro suspirou e sem descer do carro pulou para o banco traseiro repetindo as palavras de Temari com uma voz aguda e ridícula.

                – Mimi do cacete.

                Eu ainda segurava a porta de trás esperando o tal Naruto se ajeitar para poder entrar e me espremer ali, já que além do loiro bocudo também havia mais dois caras. Eu já estava me arrependendo de não ter ficado em casa.

                – Espreme aí, Shikamaru, tem um dama querendo entrar – ele disse para o cara da janela – Ou você prefere ficar no meu colo?

                Ele olhou pra mim com um sorriso de orelha a orelha e piscou um dos olhos azuis, sinceramente eu respirei fundo me segurando para não manda-lo à merda. Minha colega de moradia apenas disse para não me preocupar com Naruto, que ele era só um babaca escroto e inofensivo. Eles retomaram uma discussão enquanto eu me mantinha invisível tentando me sentar no espaço minúsculo de banco que tinha sobrado pra mim.

                – Bem, acho que não fomos apresentados ainda – o moreno que estava ao lado de Naruto falava comigo – Sou Sai.

                Ele esticou a mão por cima do loiro e eu aceitei seu cumprimento – Sou Sakura, é um prazer.

                – Este é o Shikamaru – ele apontou para o cara da janela que só me mandou um aceno de cabeça enquanto mexia no celular e parecia bastante entediado – O Naruto você já conhece, e aquele é o Gaara.

                Tecnicamente eu já conhecia o Gaara, mas preferi ficar em silêncio e por um momento vi que o ruivo me olhava pelo retrovisor, segundos depois ele voltava à atenção para a rua.

                A tal festa seria na casa de alguém que o sobrenome me escapa da memória, mas lembro que o primeiro nome era Luke e que ele fazia parte do time de natação. Quando chegamos a casa parecia já estar lotada, e um pop chiclete se espalhava pela quadra, me pergunto até hoje como a polícia não apareceu por ali exigindo que a música fosse diminuída.

                Quando passamos pela porta eu olhei para o lado e Temari já tinha sumido, o que me deixou bastante desconfortável, eu acabaria ficando com pessoas que não conhecia direito e seria difícil me divertir. Ou talvez não, já que Gaara também tinha arrumado um rumo pra si, Shikamaru fora junto e Naruto se jogou em uma roda de pessoas que o acolheram com uma algazarra ainda maior que a do loiro.

                No fim, apenas Sai ficou comigo, mas ele não parecia conhecer muitas pessoas ali. Eu estava me sentindo boba segurando aquelas cervejas então logo tratei de encontrar a cozinha para deixa-las, onde alguém poderia dar um fim nelas. Expliquei o que faria para Sai, por questão de hábito, ele apenas deu os ombros e disse que caso eu precisasse de alguma coisa ele estaria perto da piscina.

                Na cozinha estavam um pouco menos caóticas, havia pessoas conversando e outras se pegando. Vi que o irmão de Temari estava no barril de cerveja, me aproximei para pegar um copo e ele foi gentil em me servir.

– Então você faz jornalismo? Temari me contou.

– Sim, e você faz o que?

– Física, mais precisamente a quântica.

– Ah, nossa... Eu sou horrível em física.

Falávamos aos gritos por causa da música estrondosamente alta.

Ele esboçou um meio sorriso e depois de dar um gole perguntou se eu gostaria de ir pra fora, onde o som não era tão alto. Lembro-me de ter ido com gosto, as vibrações do som alto já estavam me deixando levemente zonza.

Passamos direto pela piscina, onde as pessoas estavam se jogando de roupa e tudo, outros estavam só de roupa de baixo fazendo coisas que a secretaria de saúde com certeza reprovaria. Gaara me guiou para um lugar mais afastado da multidão, onde a música não era ensurdecedora e podíamos ouvir nossos pensamentos.

– Fuma?

Ele me perguntou enquanto afastava um pouco de mim e acendia um cigarro. Bom, eu estava no meio de gente esquisita e não tinha nada pra fazer, então, por que não?!

Aceitei um dos cigarros e ele o acendeu pra mim. Dei uma longa tragada que me fez arrepender no mesmo minuto, aquilo me queimou por dentro e eu não segurei uma tosse super constrangedora.

– Já vi que não fuma...

Ele soltou uma risadinha e eu quis que o chão se abrisse e me engolisse.

Decidi por ignorar aquilo e o perguntei se ele conhecia o dono da festa, já que eu obviamente não.

– É só mais um idiota da atlética, fica tranquila, metade das pessoas aqui também não o conhecem.

Pela luz fraca que vinha lá do outro lado eu via pouco de Gaara, mas o que eu podia reparar é que ele era bonito de um jeito estranho, quer dizer, ele parecia ter saído de uma página do tumblr ou outra porcaria dessas, pelo pouco que sua roupa mostrava ele parecia ter algumas tatuagens inclusive no pescoço, tinha piercings e brincos nas orelhas, também tinha no septo e me arriscava a dizer que tinha um pouco de lápis preto marcando seus olhos, o que realçava ainda mais o verde oliva de sua íris. Não, definitivamente ele não era o tipo de cara que eu me interessava, veja bem, não que o estilo dele fosse feio ou algo do tipo, porém eu já tinha experiência o suficiente para saber que caras como ele vinham acompanhados de problemas psicológicos e dores de cabeça, um combo do desgraçamento.

Dei um gole na cerveja diante dos meus pensamentos. Cerveja numa mão e cigarro na outra, mamãe certamente estaria morrendo de orgulho.

– Então, quem é o mais velho?

Perguntei simplesmente para quebrar o gelo que estava se instaurando.

– Entre nós dois, Temari. Mas, temos um outro irmão.

– Deve ser legal ter irmãos, sou filha única. A infância foi uma chatice.

Ele deu de ombros e antes que pudesse falar qualquer coisa brotaram do chão pessoas gritando, reconheci Naruto entre eles, e vinham na minha direção. Reparei que estavam molhados e me chamavam pelo meu nome. Percebi tarde demais suas intenções, nem pude soltar um grito de negação quando o loiro já tinha me pagado no colo e ia em direção à piscina, implorava para me colocar no chão e eu já conseguia escutar algumas palavras como “calouros” e “iniciação”. Diante de minha derrota iminente tirei o celular e minhas chaves do bolso e tentei joga-los para Gaara que vinha logo atrás e se divertia horrores, assim como todos a nossa volta.

Senti a água gelada me engolindo e tentando respirar voltei pra superfície e alcancei a borda, os infelizes que me trouxeram pra cá também se jogavam naquela água nojenta. Naruto vinha até minha com o cabelo escorrendo água em seu rosto, o maldito estava absurdamente bonito.

– É ritual, todos passamos por isso.

Eu me pergunto quem são esses “todos”. Naruto tinha a fala mansa denunciando sua embriaguez, não conseguia controlar minha raiva e tentava alcança-lo para esbofeteá-lo a todo custo, mas ele era mais ágil que eu e segurava meus braços e ria como se não houvesse amanhã.

– Idiota!

– Eu te arrumo uma toalha depois, calma! – Ele falava entre as risadas.

                Respirei fundo e tentei me acalmar, tudo bem, era uma festa de universitários eu podia lidar com isso, meu mergulho deve ter sido engraçado mesmo, quando me dei conta estava rindo junto com ele.

– Vem, vamos arrumar um jeito de te secar.

Naruto se apoiou na borda e num instante estava fora da piscina me ofereceu ajuda e com um puxão eu já estava ao seu lado, ele me pediu para segui-lo e fomos para a casa, no caminho ele era muito cumprimentado por variados tipos de pessoas e ai eu percebi o quanto ele era sociável. Subimos as escadas e eu via o rastro de água que deixávamos pelo caminho, aquilo me fazia me sentir envergonhada ainda mais.

Paramos em frente a uma porta branca e Naruto bateu antes que a abrisse, por sorte não havia ninguém ali, ele abriu um dos armários e me ofereceu uma toalha branca e felpuda, comecei pelo meu cabelo encharcado.

– Vou te deixar sozinha agora – ele riu um pouco constrangido – Se precisar de mim vou estar lá embaixo.

                Só quando Naruto fechou a porta eu consegui me olhar no espelho, a maquiagem que eu tinha tido tanto trabalho estava toda borrada e meu cabelo já era, com um suspiro tirei minhas botas e joguei a água dali na pia, minhas notas de dinheiro caíram ensopadas, mas ainda bem que se secassem eu poderia usa-las ainda. Chaveei a porta antes de tirar minhas roupas e as torci. Eu estava morrendo de frio.

                Tentei encontrar um secador de cabelo por ali, mas não havia nada, nem outra coisa útil. Limpei meu rosto tirando os restos de rímel e sombra, penteei o cabelo com os dedos mesmo e o ajeitei da melhor forma que consegui, ou seja, ainda ficou horrível.

                Coloquei minhas roupas novamente e elas grudaram em mim estava desconfortável e frio. Coloquei a toalha em um cesto de roupas que encontrei e abri a porta, encontrei Gaara no outro lado do corredor, ele mexia no celular e ao me notar ali ele procurou alguma coisa nos bolsos.

– Aqui. – ele me entregou meu celular junto de minhas chaves e eu mais que aliviada fui checar se ele ainda estava inteiro – Acho que já vou embora, quer uma carona?

– Seria ótimo, obrigada.

No final das escadas eu perguntei sobre Temari e ele me disse para não me preocupar com a mesma, achei um pouco estranho e não questionei, mas me sentia mal por estar indo sem ela. Onde o carro estava estacionado tinha algumas pessoas com seus copos de bebidas, mas essas pareciam bem mais calmas que as de dentro.

– Vou acabar molhando seu banco.

Eu disse quando abri a porta do passageiro e lembrei-me de minhas roupas molhadas.

– Não tem problema, isso vai secar.

Ainda sem jeito entrei no carro e passei o cinto, eu tentava não o olhar, como se minha presença ali estivesse o ofendendo. O caminho foi um tanto silencioso, sem músicas e sem conversas. Fizemos uma parada em uma cafeteria 24hrs e ele me perguntou se eu queria algo e eu disse que não. Quando voltou ele tinha dois copos fumegantes na mão.

– Gosta de cappuccino?

Ele me entregou um copo e eu insisti que não era preciso, mas tive que aceitar.

– Ele é uma boa pessoa, sabe, o Naruto. Espero que não fique chateada com ele.

Dei de ombros e disse que estava tudo bem, seguimos o resto do caminho ainda silencioso, vez ou outra eu o espiava pelo canto dos olhos e o via bebendo seu café. Quando chegamos em frente ao meu prédio eu me despedi e agradeci pela carona, e me desculpei pelo banco úmido.

Quando eu já estava dentro do prédio ouvi que ele tinha dado partida, eu subia as escadas com sentimentos em conflitos, certamente essa noite não tinha saído como eu planejei, mas ela tinha sido tão ruim assim? Talvez.

Já estava no meu apartamento e colocava minhas coisas no balcão da cozinha quando reparei que tinha algo escrito no meu copo de cappuccino, o nome de Gaara e um número de telefone.


Notas Finais


Incrível como eu apanho pras formatações do ss


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