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História Dona De Mim - Vondy - Capítulo 70


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Capítulo 70 - 70


Dulce

Pedi algo sem álcool para beber, enquanto Annie e Poncho bebiam duas cervejas. Não me lembrava qual havia sido a última vez em que saí para me divertir. 

— Por que não vai dançar um pouco? — Annie me perguntou. 

— Depois eu vou. — respondi. 

— Bom, eu e a minha gata vamos dançar muito agora. — Alfonso me deu um beijo na bochecha e saiu de mãos dadas com Annie para a pista de dança. 

Eu observei os dois e também as outras pessoas, todos pareciam extremamente felizes e animados. Talvez porque pudessem estar bebendo. 

— Essa não é uma cena muito comum. — ouvi dizerem atrás de mim. 

— Oi? Henri? — franzi a testa. 

— Quanto tempo, senhorita Saviñon! Eu realmente senti sua falta. 

— Pois é... sinto muito por ter sido demitido. — eu disse sem jeito. 

— Não se preocupe, a única pessoa que eu culpo é o Christopher. O cara sempre me odiou e só aproveitou que subiu de cargo pra me tirar de cena. — suspirou. — Desculpe falar assim do seu namorado, mas é a verdade. 

— Ele não é mais meu namorado. 

— Mesmo? — arqueou as sobrancelhas. 

— Mesmo. E eu não acho que ele tenha te demitido porque não gosta de você. 

— Talvez eu estivesse mesmo dando mais gastos do que lucros, mas eu tenho passado por uma porção de problemas. Não quero justificar nada, mas há uma explicação. 

— Henri, qual o problema com a sua vida pessoal? Eu sei que sua mãe esteve doente, mas ela melhorou, não? 

— Sim. Na verdade, a minha mãe tem câncer e nem sempre ela fica bem. Ela deu uma melhorada e foi o suficiente pra que o Christopher achasse justo me demitir. Claro que ninguém da empresa sabia dessas condições, então eu relutantemente entendo. 

— Meu Deus... — levei minha mão até os lábios. 

— Sem estresse, não me aproximei da senhorita pra deixá-la triste. — sorriu. — Quer tomar um drink comigo? 

— Eu adoraria, mas não posso beber nada alcoólico pelos próximos 7 meses. 

— Por que? 

— Estou grávida. 

— Ah... e o Christopher...? 

— Sim, ele é o pai. 

— Tenso... — desviou o olhar. 

— Imagina! Eu estou muito bem. 

— Já que não pode beber, a senhorita não quer dançar? 

— Só se você começar a me chamar de Dulce. Eu não sou mais a sua chefe. — eu ri. 

— Ok, Dulce. — sorriu. 

— Bem melhor.

Enlacei meu braço no dele e nós fomos até o meio das pessoas que dançavam. No início, parecia que Henri estava com medo de se aproximar de mim. Mal me tocava e apenas ficava me observando vidrado. 

Uma música mais lenta começou e nós paramos de dançar e começamos a nos encarar. Eu vi que ele ficou nervoso, então decidi tomar a iniciativa por conta própria. 

Coloquei minhas mãos sobre seus ombros e logo depois, ele segurou minha cintura, mas ainda não estava perto o suficiente. Começamos a balançar ao ritmo da música, sem tirar os olhos um do outro e naturalmente, começamos a nos aproximar mais. 

Com nossos corpos colados, eu apoiei minha cabeça em seu peito e senti ele me apertar de leve, soltando um suspiro em seguida. Eu não sabia bem o que estava acontecendo, mas algo começou a acender entre nós dois. 

Tornei a ficar face a face com ele, mais próxima do que antes. Apenas alguns centímetros separavam os nossos rostos. 

— Eu posso te beijar? — perguntou quase sussurrando. 

— Não precisa perguntar isso. — respondi. 

Henri me beijou quase desesperadamente, como se almejasse aquilo mais do que qualquer outra coisa. Envolvi meus braços em volta de seus ombros e aprofundei o beijo. 

Foi algo caloroso, cheio de desejo e completamente intenso. Ouso dizer que foi até excitante. 

Paramos o beijo ofegantes. Ele abriu um sorriso gingante no rosto, que era capaz de transparecer a alegria que estava sentindo. 

— Você está bem? — eu ri. 

— Perfeitamente bem. — assentiu. — Aqui só tem bebidas, você não quer sair pra comer? 

— Claro! — aceitei por impulso. — Eu só vou avisar ao meu irmão. 

— Te espero no estacionamento. — beijou minha bochecha e saiu. 

Fui até o bar onde Alfonso e Anahi entornavam várias doses de vodka rapidamente, como se competissem entre si. 

— Licença? — falei. 

— Oi, maninha. Onde esteve? — Alfonso perguntou. 

— Eu estava dançando. Vou sair pra comer com o Henri, não me esperem, tá? 

— Henri? Henri Cortez? — Anahi perguntou. — Vai sair com o Henri? — ela parecia incrédula. 

— Qual o problema? — franzi a testa. 

— Sei lá... você sempre o desprezou como funcionário. Ele não parece alguém forte o suficiente pra sair com você. 

— Outro funcionário? Meu Deus, Maria. — meu irmão riu. 

— Ah, não, ele não é mais funcionário da Dulce. Christopher o demitiu. 

— Justa causa? 

— Em partes, mas o Christopher odeia ele. 

— Ah, então faz isso, sai com ele. — Alfonso disse me olhando.

— E agora que vocês pararam de palpitar, eu tenho que ir. 

Passando por entre as pessoas, eu consegui chegar até a porta de saída e cheguei ao estacionamento. Henri estava ao lado de seu carro, balançando seu pé impacientemente, mas pareceu relaxar quando viu que eu me aproximava. 

Ele abriu a porta do carro para mim e depois de entrarmos, começou a dirigir. Fiquei muito confusa quando vi ele parar no estacionamento de uma lanchonete que estava praticamente vazia. 

— Aqui? — perguntei. 

— Tenho certeza que você conhece todos os restaurantes da cidade. E não se preocupe, eles também fazem lanches sem nada animal. 

— É, isso vai ser uma experiência nova. — falei ainda incerta. 

— Nunca comeu num lugar assim, não é? 

— Não. 

— Bem vinda ao meu mundo, só por uma noite. — deu uma piscadela. 

Nós entramos e um cheiro de bolo caseiro invadiu as minhas narinas. O lugar era bem iluminado, colorido e tocava uma música dos anos 90 que me era muito familiar. 

Sentamos de frente um para o outro e uma garçonete de meia idade nos trouxe dois cardápios. Por algum motivo, todo aquele clima me deixou com um sentimento de nostalgia imenso. 

— Sabe... — comecei. — Quando eu e Alfonso visitávamos a minha avó, ela fazia um bolo que tinha esse mesmo cheiro. E essa música... nossa... — suspirei. 

— Você quer um pedaço desse bolo? — perguntou. 

— Não posso, tem leite e ovos.

— Com licença? — ele chamou a garçonete. — Esse bolo que estão fazendo agora tem algo de origem animal? 

— Sim, mas fizemos um vegano mais cedo.

— Pode trazer dois pedaços desse e dois sucos de laranja sem leite. — ele entregou o cardápio para ela. 

— Como sabe que eu gosto de suco de laranja? — perguntei. 

— Não se assuste com isso, mas eu sei muito sobre você. — riu. 

— Ah, meu Deus! — uma outra música começou a tocar, algo dos anos 80. — Eu amo música antiga! — comecei a balançar ao ritmo de “girls just wanna have fun”. 

— Então, nós deveríamos dançar. — ele propôs. 

— Aqui? Mas que loucura. — dei risada. 

— Vamos, não tem ninguém. — ficou de pé e ergueu sua mão para mim.  

Com timidez, eu segurei a mão dele e levantei. Primeiro, eu fiquei parada, enquanto Henri andava em volta de mim fazendo movimentos divertidos sem nenhum medo. Aos poucos, eu fui me soltando e o acompanhei. Eu balançava meus cabelos, agitava meus braços e pulava como nunca enquanto ria de felicidade. 

Começamos a fazer um tipo de coreografia ao mesmo tempo, de forma coordenada. Nós girávamos, pulávamos, ele pegava em minhas mãos o tempo inteiro e no último trecho da música, Henri segurou firme minha cintura e me tirou do chão, dando um último giro enquanto eu ria de braços abertos. 

Quando a música acabou, eu deslizei até o chão, com meu corpo colado ao dele. E depois de me olhar com intensidade, ele segurou o meu rosto e me beijou de forma carinhosa e gentil. Retribuí o beijo com a mesma sintonia em que ele estava. 

Ouvimos duas tosses e nos afastamos. A garçonete nos olhava sorrindo, com nosso pedido em sua bandeja. 

— Vocês dois parecem bem agitados. — ela disse. 

— O que posso fazer? Essa mulher deixa o meu coração a mil. — Henri falou, sem olhar diretamente para mim. 

Nos sentamos para comer e eu dei a primeira garfada. Foi como se os anjos tivessem descido para a terra e estivessem fazendo uma festa de boas vindas dentro da minha boca. 

— Uau... — arfei.

— É igual ao bolo da sua avó? 

— Bom, não é totalmente igual, mas lembra muito. Geralmente, as comidas veganas que imitam as comidas comuns não são 100% fiéis, mas tudo bem. 

— Sabe como eu te conheci? 

— Como? 

— Eu ainda estava na faculdade e nós precisávamos fazer um seminário sobre o meio ambiente. Tínhamos que criar uma campanha que conscientizasse as pessoas a preservarem o planeta. As pessoas do meu grupo optaram pela causa animal e nós pegamos várias referências da mídia e da internet. E uma dessas referências era você. Era uma matéria numa revista de famosos. Você estava na capa e segurava um filhotinho de porco em um dos braços e um filhote de cachorro no outro. E o trecho da entrevista usado foi “se você ama um, por que come o outro?”. Eu li aquela entrevista umas vinte vezes e cada palavra sua me prendeu de uma forma surpreendente. Me inspirou a ser vegano também. 

— Você é vegano? — fiquei boquiaberta. 

— Desde a faculdade. — assentiu. — Você se surpreenderia se me conhecesse melhor. — voltou a comer seu bolo. 

— Eu acho que eu quero te conhecer melhor. — ele apenas ficou me encarando. — O que foi? 

— Sabe, você já me xingou tanto nessa vida que eu nunca imaginei que um dia estaríamos tendo um diálogo como esse. 

— Eu sinto muito, eu era terrível. 

— E ainda assim eu era apaixonado por você. 

— É... eu sei... eu não sabia, mas depois que eu fiquei amiga do Christian ele acabou me contando. Eu sempre achei que você só era muito puxa-saco. 

— Sim, eu era. — riu. — Mas tinha um motivo. 

— Se você está falando no passado, não se sente mais assim? 

— Eu me acostumei com a ideia de que nunca teria chances com você e isso fez com que eu relaxasse mais. Porém, eu não diria que esse sentimento morreu. Eu apenas consigo controlá-lo. 

— Por que você se apaixonou por mim? 

— Tá brincando? Você é brilhante! Eu sei que a empresa foi herança, mas que jovem recém saído da faculdade conseguiria manter uma empresa daquele tamanho sozinho? Você não tinha vice-presidente, não tinha apoio e ainda levou um golpe do Allan Morgan. E mesmo assim, olha pra você agora. É a dona do maior império publicitário do estado. — ele dizia aquilo com um brilho nos olhos. — Isso tudo só aconteceu porque você é forte, inteligente, corajosa e muito teimosa. Também não posso esquecer que apesar de ser durona, você tem muita sensibilidade quando se trata da natureza, das criaturas mais indefesas. Dulce, você é a melhor pessoa que eu conheço. 

Fiquei em silêncio, ainda um pouco extasiada por suas palavras, mas logo fui até ele, sentei ao seu lado e lhe dei um beijo cheio de vontade. 

— Obrigada. — eu disse. 

— Por que está agradecendo? 

— Por me ver de um jeito tão especial em uma época em que todos me achavam um ser humano horrível. — meus olhos se encheram de lágrimas. — E me desculpa por todas as humilhações que eu te fiz passar. 

— Ei, não tem que chorar. — segurou meu rosto. — Estamos aqui agora, certo? Eu não mudaria nada. — sorriu. — Quero te ver bem feliz comendo esse bolo. — arrastou meu prato até mim. 

— Ok. — olhei o relógio da parede que indicava já estar bem tarde. — Depois você pode me levar pra casa? Amanhã é a audiência de adoção do Bernardo, vai ser cedo. 

— Ah, é amanhã? Espero que tudo ocorra bem. 

— Eu não sei... você viu as notícias? Estamos passando por uma crise. 

— Por causa do seu irmão, não é? Mas eu vi nos jornais que nada te liga ao caso. 

— Eu sei, mas é a minha família e a minha empresa foi construída com o dinheiro disso. Se eles descobrirem... eu não sei o que vão fazer com a Saviñon’s. Eles têm o direito de investigar todos os nossos bens quando quiserem. 

— E se a Saviñon’s não fosse de vocês? Se fosse passada pro nome de outro empresário temporariamente? 

— Sim, já pensamos nisso, mas não conheço ninguém confiável. 

— Deveria procurar mais, quem sabe tenha alguém de bom coração por aí. 

— Vamos falar de outra coisa? Onde está trabalhando? 

— Trabalho num shopping, no setor de publicidade do local. Não ganho o mesmo que antes, mas dá pra sobreviver. — deu de ombros. 

— Por que não vai até a Saviñon’s amanhã a tarde? Não precisa trabalhar no mesmo setor que antes. Você fala diretamente comigo e a gente vê onde você pode se encaixar. 

— Por que você faria isso? Eu era péssimo. 

— Porque agora eu quero colaborar com a sua situação financeira e mental. Nós não respeitamos os seus problemas antes. 

— Obrigado, Dulce. Isso é muito importante pra mim. 

Depois de terminar de comer e conversar horas sobre a vida, ele me levou para casa. Não aguentei e o convidei para entrar, ciente de que aquela noite acabaria de um jeito bom. 

Começamos a nos beijar ali na sala e eu o joguei no sofá, me atirando sobre ele. Os beijos ficavam cada vez mais quentes e viciantes. Eu até já sentia a ereção dele dentro da calça. 

Estava cheia de certezas sobre aquilo e eu queria mesmo fazer. Porém, quando ele abaixou para beijar o meu pescoço e eu ergui minha cabeça, dei de cara com um porta-retratos que continha uma foto minha com Bernardo e Christopher. E ele, que havia simplesmente sumido da minha cabeça, retornou com tudo. Sim, eu estava morrendo de vontade de transar, mas eu queria transar com o Christopher! 

Quando Henri fez menção de abrir o zíper do meu vestido, eu me afastei. 

— O que foi? Fiz algo errado? — pareceu preocupado. 

— Não, você não fez nada de errado. Eu acho que eu não tô pronta pra seguir em frente... — desviei o olhar. — E eu quero ser sincera, afinal, você gosta de mim. 

— Dulce, eu sei que o seu relacionamento com o Christopher te marcou e que é difícil esquecer e tá tudo bem pra mim. Mas, eu não vou desistir tão fácil. Hoje foi um dia incrível e eu quero mesmo continuar te vendo, eu quero te chamar pra sair, eu quero dançar com você... então, não importa se você ainda não o esqueceu, só não me afasta de você. 

— E o que você acha que pode acontecer? 

— Eu não vou te forçar a ser minha namorada ou algo do tipo. Vamos dar tempo ao tempo e se você sentir algo por mim, ótimo. Se não, ótimo também. Eu posso ser seu amigo sem problemas. 

— Você é mais legal do que eu pensei que seria. — sorri de lado. 

— Ainda quer me conhecer melhor? 

— Sim, claro que sim! Me dá o seu celular. — ele tirou o celular do bolso e me entregou. Salvei meu número em seus contatos e devolvi o celular. — Esse é o meu número pessoal, pode me ligar quando quiser. 

— Eu vou ligar. Enfim... — ficou de pé. — Boa noite, Dulce e boa sorte no tribunal. 

— Obrigada... por tudo. — o acompanhei até a porta e antes de ir embora, ele me deu um longo beijo na testa. 

Ok, aquela não era uma coisa que eu faria. Mesmo antes de conhecer o Christopher, eu jamais tiraria tempo para sair na noite e me encontrar com alguém. Eu me sentia bem mudando de dentro para a fora e tinha que admitir que só aceitei mudar depois de me apaixonar por Christopher. E eu definitivamente não sabia como viver sem ele. 

Eu tentaria dar uma chance ao Henri, não podia ficar parada esperando que Deus tivesse piedade e tirasse o Christopher da minha cabeça. Sempre lutei pra conquistar tudo o que eu queria. Por que não lutaria agora?



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