1. Spirit Fanfics >
  2. Don't Blame Me >
  3. V. My heart skip a beat

História Don't Blame Me - Capítulo 5


Escrita por:


Notas do Autor


Olá! Depois de tempos, finalmente apareci e acredito que devo explicações, certo?
Pois bem, ultimamente eu estive bem desanimado com tudo e também ocupado devido aos estudos, por isso dei uma sumida, mas agora pretendo voltar de vez e trazer mais atualizações com frequência.
Espero que não tenham desistido de mim :(
Boa leitura! ♡

Capítulo 5 - V. My heart skip a beat


CHITTAPHON

— O que ele disse? 

Eu já estava com a minha paciência esgotada, fazia quase uma hora que estava deitado na cama daquele hospital sentindo dor e sem nenhuma notícia de Taeyong, que havia saído até o corredor para falar com o doutor. Então, não poupei em atropelá-lo com minhas palavras assim que ele abriu a porta do quarto. 

Havia muitos machucados pelo meu corpo, mas não parecia ser nada extremamente grave. 

Ou será que era? 

— Você vai passar essa noite aqui, mocinho, logo o médico vem te buscar para fazer mais um exame. — sua fala saiu baixinha, mas com um tom de preocupação bem perceptível, uma mais voltada para marcas roxas nos meus braços do que nas feridas em seu rosto. 

— Eu posso me recuperar em casa. — retruquei. 

— Pode, mas você ainda precisa fazer mais alguns exames antes de receber alta. 

— Não acha que é um exagero esse tanto de exames? — perguntei mais uma vez, até eu mesmo estava me achando irritante com essa mania de interrogar tudo. 

— Levando em consideração que você foi espancado a algumas horas atrás, você quer mesmo que eu responda essa pergunta? — e ele soube muito bem como me deixar sem resposta, não havia como argumentar com aquele fato. 

— Lee Taeyong, a conta vai sair muito cara, eu não sei se vou conseguir arcar com esses custos. — falei. 

Por ser um dos melhores hospitais da região, tudo iria custar o olho da cara, como é dito popularmente. O restante dos exames a serem realizados e os prováveis remédios que iriam me receitar se tornariam facas na minha carteira. 

Os salários dos meus dois empregos poderiam dar uma boa quantia, mas ainda teria o aluguel e as outras despesas do meu apartamento para pagar. 

Eu não era milionário igual ao empresário no meu lado, que brincava com a ponta do lençol azul na cama. 

— Não se preocupe com isso, já tá tudo pago. — disse rindo fraquinho, olhando diretamente no fundo dos meus olhos, dava pra perceber o quanto ele estava cansado. 

— Você não- — antes mesmo de me dar tempo pra ficar indignado, seu dedo indicador foi até os meus lábios, sinalizando silêncio. 

E ele estava frio, parecia gelo. 

— Não diga mais uma palavra e muito menos pense em me devolver esse dinheiro, ele não vai me fazer falta. 

“E realmente não vai já que você deve ter nos cofres notas o suficiente para comprar toda essa cidade”, pensei. 

Por dentro, eu ainda sentia a necessidade de pagar tudo aquilo, mas achei que eu seria irritante demais. 

Naquele instante eu só não queria duas coisas: 

1. Que ele retirasse o valor pago.

2. Por mais que eu fosse independente, não queria que ele fosse embora, não queria ficar sozinho naquele lugar que exalava doença e morte no ar.

O jovem empresário poderia aparentar ser um garoto que foi mimado ao máximo na infância e que cresceu destinado a continuar o legado “real” da família, entretanto, ele havia me salvado e um simples “obrigado” não conseguiria transmitir toda a minha gratidão. 

Eu poderia ter morrido de verdade. Lee Taeyong foi o meu herói. 

— O que você tanto pensa? — perguntou me tirando dos meus pensamentos. 

— Nada que você precise saber. 

— Pelo visto o estrangeiro grosso que eu conheci na cafeteria voltou. — riu fraco. — O que preciso fazer pra te deixar de bom humor? 

— Fazer silêncio já basta, você calado é um poeta, Lee Taeyong. — ao terminar de dizer isso, sua mão foi até a minha cabeça e me deu um tapa fraquinho, o que foi o suficiente pra eu descobrir uma nova dor.  

— Tudo bem estressadinho, vou ficar quieto por você, e, por favor, me chame apenas de Tae. 

— Nada mais do que sua obrigação agora... Tae — sussurrei, me virando pro outro lado e me enrolando com o lençol fino da cama, toda a adrenalina tinha sumido e só havia restado o cansaço. 

Quando pensei que poderia tentar fechar os olhos por pelo menos alguns minutinhos antes do exame, Taeyong berrou do meu lado me fazendo dar um pulo na cama, o que acarretou em ainda mais dor. 

Parecia ser algum verso de alguma música, visto que estava usando um dos airpods mais caros da Apple. 

Se ele queria me matar do coração, quase conseguiu. 

— GAROTO?! — gritei de volta. — QUER QUE EU TENHA UM ATAQUE CARDÍACO TAMBÉM? 

— Desculpa, é que essa música é muito boa. — disse baixinho levando a mão pra trás da nuca, parecia envergonhado e, talvez, estivesse se sentindo meio culpado por ter me assustado daquele jeito. 

— Tudo bem, acho que não vou conseguir dormir aqui. — falei olhando para o seu celular. — Me dá um airpod. 

Tédio, era isso que eu sentia e talvez julgar o gosto musical de Taeyong poderia me animar. 

— Se for pra quebrar, eu não vou dar. — Lee fez uma voz de criancinha e tapou os ouvidos com as mãos, me deixando claro que não iria dar. 

Cheguei mais perto dele, dando um beliscão no seu braço. 

Assim que uma das suas mãos foi até o local da dor, puxei o objeto do seu ouvido, colocando-o no meu em seguida. 

— Dá play, quero ver se o seu gosto musical ao menos é bom. 

— Ele é maravilhoso, assim como eu. — disse dando uma piscadinha para mim. 

Bobo. 

— Pois já vi que irei odiar sua playlist. 

— Ei! — ri da exclamação dele e entrei na sua biblioteca de músicas, dando play na primeira playlist que havia aparecido que, por coincidência, tinha 90% dos meus cantores favoritos. 

Passamos um bom tempo ali ouvindo músicas juntos, discutindo nossos gostos musicais e implicando um com o outro ao mesmo tempo, admito que estávamos parecendo mais duas crianças na creche do que dois adultos com as vidas praticamente feitas. 

Só paramos de rir quando meu celular começou a vibrar na mesinha ao lado da cama indicando uma ligação e, pela escrita em tailandês, eu sabia quem era. 

Não queria atender, preferia esperar um momento melhor. 

Taeyong ao perceber que eu não me mexia, se esticou para pegar o aparelho e olhou para mim com preocupação no olhar, a mesma de momentos antes quando ele me encontrou ferido no meu camarim e depois quando ele me trouxe até esse hospital. 

— É a sua mãe. — disse enquanto me observava. 

Como ele soube? Eu mesmo tinha salvado o contato dela como “mãe”, não era nenhum enigma. 

— Não vai atender? — perguntou esperando que eu falasse alguma coisa. 

— Não agora. — engoli seco e peguei o celular, descendo a barra de notificações, tinha mensagens dela me pedindo para pagar umas contas que iriam se vencer hoje. 

Minha família não estava em apuros como eu tinha pensado. 

— Acho que você devia ao menos informá-la sobre o que aconteceu. 

Com isso eu olhei pro grande relógio na parede, marcando quase quatro horas da manhã. Eu deveria falar sobre o que aconteceu, mas não naquele momento. 

Era perigoso demais os meus pais saírem de casa e não só pelo horário. 

— Depois eu falo, não quero que ela saia de casa pra vir até aqui essa hora da noite. 

— Tem certeza que acha melhor isso? — perguntou. 

— Sim, por enquanto, só a sua presença irritante já basta. — o nervosismo saiu claro na minha voz, eu queria mudar de assunto logo . 

Ao receber um olhar indignado de Taeyong, que colocou a mão no coração e fingiu estar extremamente ofendido, me senti um pouco mais aliviado por dentro. 

Minha vida já era uma tragédia, não havia necessidade de sair compartilhando com os outros. 

— Eu?! — afirmei com a cabeça. — Se eu fosse, você não teria sentado no meu colo daquele jeito... 

Ao ouvir isso, senti meu rosto esquentar de vergonha. Meu rosto devia estar mais vermelho do que um pimentão 

Tinha me esquecido do que havia feito com ele durante o meu trabalho. 

— Isso se chama profissionalismo, se eu não dançasse daquela forma, ninguém iria pagar pra me ver. — as palavras quase não saíram da minha boca. 

— Quero ver mais desse profissionalismo da próxima vez. — riu fraquinho. — Porém só depois que você melhorar 100%. 

— Contanto que me pague bem. 

Essa foi a última coisa que eu disse antes de ter a conversa interrompida pelo doutor, que abriu a porta do quarto pedindo para eu segui-lo. 

Aquele seria o último exame, o próximo só quando eu tomasse alta. 

Por dentro, estava agradecendo, não só por estar terminando aquilo, mas também por tudo que Taeyong havia feito por mim. 

Talvez eu estivesse devendo um ou dois favores pra ele. 

Ou vários. 

[...]

Depois de vários exames e avaliações de alguns dos meus piores machucados, fui recomendado a passar, no mínimo, duas semanas em casa descansando e seguindo a receita de remédios que ele iria passar para as dores. 

Segundo o médico, eu era um rapaz de sorte, mesmo com toda a agressão que sofri, não quebrei nenhum osso ou tive hemorragia interna. 

Obviamente, eu não tinha contado o que realmente aconteceu, mas também não inventei nada, apenas fiquei calado, como costumo fazer. Nunca que eu iria denunciar os acontecimentos daquela noite, pois, com toda certeza, eu iria acabar na delegacia sendo obrigado a dar o meu depoimento e isso só iria piorar a situação. 

— Tem certeza de que não quer me contar o que houve? Eu posso te ajudar. — o médico disse na minha frente, dessa vez com um olhar de tristeza. 

— Não houve nada, doutor, muito obrigado por tudo que você fez por mim, mas eu sei me cuidar. — respondi já me levantando para sair da sala, pronto para retornar ao meu quarto. 

— Ao menor deixe o rapaz continuar te ajudando, ele realmente parece se importar contigo. — falou atrás de mim me fazendo pensar nisso por todo o trajeto até o meu quarto. 

Taeyong havia me ajudado demais já, não queria ele envolvido nos meus problemas. 

Eu não precisava mais de ajuda, precisava apenas de uma cama. 

Ao chegar na porta do quarto, vi o empresário completamente pálido na poltrona, sem esbanjar nenhuma. Parecia ter visto um fantasma. 

— O que aconteceu? — perguntei. 

— Nada, você deve estar cansado né? Vai dormir, vou ficar aqui contigo. — sua fala estava rápida, algo tinha acontecido sim e, aparentemente, algo ruim. 

Entretanto, não insisti, eu realmente estava cansado, então deitei na cama virado para a sua direção e fechei os olhos, guardando na mente a imagem do pequeno sorriso, quase desesperado, que ele deu antes de dizer “descanse bem”

“O que houve dessa vez, Tae?”

 

TAEYONG

5 minutos, 10 minutos, 15 minutos. 

E ele não voltava do exame. 

Ao mesmo tempo que o tédio me consumia, a preocupação também ia tomando espaço dentro de mim, Chitta foi muito sortudo de não ter adquirido machucados graves, mas ainda sentia dores. 

Ele precisava de cuidados de profissionais e eu não iria poupar nenhum centavo com os remédios que os doutores iriam passar depois, até porque esse dinheiro não vai me fazer falta. 

Ficamos um bom tempo jogando conversa fora e admito que eu tinha gostado daquilo. Não foi o tipo de conversa que eu teria com algum amigo meu, do tipo intima, mas também não foi desconfortável. Foi relaxante ficar ouvindo sua voz mesmo que ela proferisse um xingamento ou outro. 

Já não éramos tão estranhos igual antes. 

Eu estava imerso naquilo tudo ainda, parecia surreal as cenas de momentos antes. A adrenalina tinha acabado, mas o medo tinha permanecido. O homem deixou claro que iria voltar e eu temia mais pelo Chitta do que por mim. 

O tailandês não tinha experiência em briga, dava pra ver claramente pelo o quanto foi agredido. 

E, como um sinal do universo, o telefone de Chittaphon tocou, mostrando na tela que a ligação vinha de um número desconhecido. 

Era errado mexer no que não era seu, mas a curiosidade falou mais forte. 

Já com o celular em mãos foi que eu resolvi atender. 

Não poderia ser nada grave, poderia? 

[LIGAÇÃO]

— Alô?

Então quer dizer que essa é a voz do moleque que atrapalhou os meus planos? —

— Me desculpe, quem é? 

Avisa pro seu amiguinho, o Chittaphon, tomar bastante cuidado de agora em diante, eu não vou poupar esforços pra infernizar a vida desse viadinho. — 

— O que você quer?! 

O que eu quero? Eu só quero me divertir. Imagina o quanto será divertido para a minha gangue deixar aquele corpinho lindo todo marcado e depois desmembrar cada parte dele e espalhar pelos cantos mais movimentados da cidade, até porque é isso que gente como ele merece. —

— ... 

O que foi? O gato mordeu sua língua? Espero que sim, porque, se você se meter novamente no meu caminho, eu irei fazer questão de cortar a sua cabeça fora e mandar entregar em uma bandeja de prata pra sua família. —

[Ligação encerrada] 

Eu tremi.

Quem quer que fosse, conseguiu me deixar aflito e trêmulo. 

A voz estava alterada por algum efeito, justamente para não ser reconhecida o que só piorava. 

Se ele realmente estava falando sério, Chitta corria um enorme perigo e eu sentia a necessidade de protegê-lo, de fazer alguma coisa contra quem estava o ameaçando. Quer dizer, havia algo que pudesse ser feito, certo? 

“Tudo tem uma solução, Taeyong”, pensei ainda alterado pela ligação. 

— Ten, onde você se meteu? 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...