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História Don't Forget Me. - Capítulo 3


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Capítulo 3 - See me.


— Me dá um, só UM motivo pra eu não te cortar agora. —Com uma mão ele puxa uma adaga e a direciona para mim enquanto a outra pressionava meu pescoço ainda mais.

Meus olhos seguem em direção a Acxa e ela parecia nem se abalar, se mantinha lendo a hq, era como se ver Lotor segurando uma lâmina para os outros fosse algo normal. Eu poderia pegar minha faca e o ameaçar também mas isso não seria nem um pouco bom para mim já que ele poderia me sufocar fácil fácil. Sem contar que se algo acontecer com Lotor, Acxa também viria para cima de mim e aí seriam dois contra um. A relação desses dois é um pouco complicada, Lotor é como um irmão mais velho para ela, sei que Acxa teve uma adolescência complicada e pelo visto ele foi o único do seu lado, desde então ela literalmente seria capaz de matar se algo acontecer a Lotor... Prefiro não arriscar, aponto uma das mãos para o pescoço tentando indicar que não tinha como falar daquele jeito e o homem de cabelos platinados me solta mas agora põe a adaga contra a minha garganta. Felizmente estava acostumado a sentir o frio da lâmina contra a minha pele.

— Eu preciso da sua ajuda. —Ergo as mãos em sinal de rendição.— E eu tenho isso. —Desço uma das mãos para o bolso da jaqueta e puxo de lá um maço de dinheiro.

— É muita coragem sua vir me pedir ajuda depois de tudo que fez. Você literalmente me acusou de ter sumido com o seu amiguinho e isso fodeu com os meus negócios! —A raiva no seu olhar era perceptível, principalmente porque a gente estava a menos de cinquenta centímetros de distância um do outro.— Eu perdi clientes, a polícia começou a ficar na minha cola, tô com dívidas e o meu novo chefe não confia em mim já que vocês quase mataram o anterior e adivinha quem defendeu vocês?! EU! E É ISSO QUE EU RECEBO EM TROCA! —Ele pressiona a lâmina contra meu pescoço com mais força, tô começando a achar que isso foi uma péssima idéia.

— Eu sei que eu fiz merda, sei que... —Antes que eu terminasse minha fala Lotor faz um sinal para que eu parasse de falar.

— Eu sei que você gostava do Lance, eu também. Talvez não tanto quanto você mas eu adorava o leãozinho... —A tristeza era perceptível na voz dele, principalmente quando citou o apelido do qual sempre chamara Lance.— Eu nunca encostaria um dedo nele, e acredite, eu estou mais puto por você pensar que eu faria algo com ele do que por ter fodido com os meus negócios. O fato de você ter sido apaixonado por ele não significa que pode sair acusando qualquer um pela morte do seu Romeu.

— ELE NÃO TÁ MORTO! —As palavras saem num misto de ódio e tristeza, antes que eu percebesse Lotor havia dado um passo para trás e Acxa me encarava curiosa.— Eu... Eu sei que ele não tá. Ele não pode estar...

— Tudo bem, ele não tá morto. Mas você tem que começar a pensar nessa possibilidade, odeio ser a pessoa que tem que te dar conselho mas aqui estamos. —O rapaz de cabelos platinados guarda a adaga e cruza os braços me encarando.

— Não adianta me pedir para parar de procurar ou para deixar isso com a polícia, já se passaram oito meses e chegaram a conclusão que ele fugiu de casa. —Ando até uma cadeira e me sento ali, meus dedos corriam nervosos pelos fios negros que caíam em sobre meu ombro.

— O que você tem em mente, Keith? Porque pra ter vindo aqui você deve ter um plano. —Meus olhos seguem até o chão quando ouço a voz de Acxa, assim que ela percebe minha reação sua risada ecoa pelo trailer— Caralho é sério que você nem tem um plano?!

— Eu tenho uma suspeita, vou investigar um pouco mais mas preciso da sua ajuda, Lotor. —Digo subindo o olhar para ele

— Desde que você saiba que não vai sair de graça, verei o que posso fazer por você. —O vejo dar de ombros e seguir em direção a alguns armários— Gosto muito do Lance mas as contas tem que ser pagas, emoboy.

— Preciso que fique de olho no seu novo chefe... —Assim que pronuncio a última palavra, Lotor solta a embalagem de ração para gato e me olha incrédulo, rindo logo em seguida.

— Keith você é realmente engraçado! —Sua risada ecoa pelo trailer e ele passa a mão na nuca quando percebe que eu estava falando sério, consigo o ouvir soltar todo o ar do pulmão em um suspiro preocupado— Deus, tudo bem, vou observar o Sendak numa distância segura.

— Muito obrigado mesmo, Lotor. —Me levanto com um sorriso no rosto e deixo o dinheiro sobre a mesa— Inclusive tá aqui tudo que eu te devia, com juros.

— Garoto onde caralhos você conseguiu todo esse dinheiro? —Ele questiona mas eu não respondo, simplesmente abro a porta do trailer e saio, mas consigo escutar ele gritando algo— VÊ SE NÃO SE METE EM MAIS PROBLEMAS!

Entro na caminhonete e encaro o volante, não tenho ideia de para onde ir ou do que fazer. Eu poderia ir falar primeiro com Pidge, ou tentar convencer Hunk de que o Lance não morreu... Porque tudo é tão complicado? Cruzo os braços sobre o volante e apoio minha cabeça.

— Sabe que não deveria fazer isso não é? —A voz doce vinha do banco ao meu lado, como eu amo essa voz.

— Eu preciso... 

— Por que você ainda tenta? Realmente acha que pode me encontrar? —Olho para o lado e consigo vê-lo sentado com braços e pernas cruzados, me olhando com aqueles incríveis olhos azuis— Seria mais fácil desistir de mim, isso ia evitar muitos problemas. 

Ele não é real Keith, ele não é real, ele não pode ser real. Isso já aconteceu antes, você sabe que ele não é real. Desço minha cabeça e a encosto novamente no volante, fecho os olhos com força esperando que isso acabe.

— Me deixe adivinhar, "você não é real Lance, você não pode estar aqui." e o blá blá blá de sempre. —O rapaz de cabelos cacheados diz tentando me imitar— Já passamos por isso antes, Keith. Olha pra mim. —Subo meu olhar para ele, fazendo o que havia pedido— Você consegue me ver, você escuta minha voz, você vê o sol batendo em mim, você até sente o meu cheiro... Ainda acha que eu não sou real? 

Fecho meus olhos novamente, sussurrando incessavelmente que ele não era real, mas sinto algo em meu rosto, abro os olhos devagar e por alguns segundos eu consigo ver a mão de Lance sobre a minha cicatriz, fecho os olhos tendo a ilusão de sentir o seu contato mas quando os abro novamente ele não está mais lá. 

— MERDA! —Soco o volante com força, por que isso sempre acontece. Respiro fundo tentando me acalmar e sigo dirigindo até a Garrison, preciso falar com alguém.

 



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