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História Don't Go Away - Capítulo 1


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Notas do Autor


Olha só quem não se quieta

Glass in the park, Alex Turner 🖤

Capítulo 1 - Glass in the park


Mesmo que à distância, o professor de química conseguia ouvir os dois delinquentes se queixando baixinho na mesa. Murmúrios e risadinhas irritantes. Se dependesse dele, já estariam reprovados; mas a pedagogia da Mito dizia para dar uma chance aos infelizes.

Naruto estava assombrado, havia uma fórmula gigantesca no quadro, mas não esperava que tivessem capacidade de resolver. Aliás, o assombro dele não tinha nada a ver com Funções Orgânicas ou qualquer outro assunto vinculado à aula. 

— Ei, é sério, eu não sabia que tu tinha irmão gêmeo.

De tudo que Naruto falava, pouco se aproveitava; mas dessa vez tinha que dar razão a ele. Para Sasuke, era normal e até comum as pessoas ficarem chocadas com a semelhança. Ele mesmo ficava chocado às vezes. 

— Ele não é meu irmão — disse olhando para o professor, que mantinha a atenção fixa e redobrada na direção deles. Aquela aura de Rei da Noite, vou matar vocês.

— Ah não?

— É meu tio.

Naruto, cara de tacho, começou a rir debochado quase dando tapas na mesa. Ele era eufórico demais para o bem das pessoas que o cercavam. Encarou o amigo de olhos arregalados. 

— Teu tio? Com aquela cara de bebê? Ele é o quê? Vampiro? Da seita da Avril Lavigne?

A voz dele era naturalmente alta, empolgado daquele jeito ultrapassava os limites.

— Cala a boca, Naruto.

— Ele usa produtos Ivone?

— Vai se foder.

— Jequiti...?

Sasuke queria rir de verdade, mas havia um par de olhos vermelhos como o fogo do inferno fixos nele. O professor estava de marcação há dias, cedo ou tarde iria rodar. Na janela, escorado e silencioso, o sol escaldante queimava as costas do homem sem que ele ao menos se incomodasse.

— Ei, Sasuke, o professor não lembra o Olaf da Frozen?

O Uchiha grunhiu, tentando conter a risada que lhe escapava de um jeito bem constrangedor; chamando a atenção dos outros alunos. E já sabia que estava mais do que fodido quando Tobirama indicou a porta com um aceno de cabeça.

— Sasuke, Naruto...

Ótimo.

— Sim, querido professor. — Naruto sorriu bancando o coquete.

— Fora.

....

Não tinha nem duas semanas que havia voltado para Konoha na intenção de rever os familiares e passar algum tempo em família e já queria fugir para Tóquio na primeira chance. 

Izuna não tinha tempo e nem disposição para passar um mês inteiro naquele lugar, não se acostumava mais, e mesmo que estivesse feliz por rever pessoas importantes, a urgência em ir embora o quanto antes persistia o deixando louco e ansioso. 

Ele estava na varanda do segundo andar, o sol derretendo seu corpo, tentando se embalar naquela rede em busca de refrigério e uma brisa fresca; mas o vento era tão real quanto água no deserto. 

A maioria das pessoas normais estaria na orla, mas ele não tinha o que fazer lá, então ficava isolado no andar de cima tentando ler alguma coisa ou dormir. Até os zumbidos dos mosquitos começarem a sinfonia da tarde. 

— Oh, você estava aí!

Ele parou de embalar e olhou para a porta, vendo Sasuke entrando com uma cara não muito boa. O seu rabo vinha atrás, aquele Uzumaki, os dois andavam juntos para cima e para baixo o tempo todo. Izuna não dizia nada, mas na sua época, isso se chamava outra coisa.

— Eh, preciso que me ajude com uma coisa — disse sentando em uma das poltronas.

O loiro olhava de um para o outro com tanta intensidade e curiosidade, que Izuna já estava ficando aborrecido por ser encarado de forma tão descarada. Não, Sasuke não era filho dele, nem irmão, nem clone e menos ainda uma versão alternativa do multiverso.

— O que você fez dessa vez?

Ele lançou um olhar fulminante ao amigo que se encolheu na cadeira. Já imaginava a dor de cabeça.

— Longa história. Eu fui expulso da sala, só vou assistir a próxima aula se um responsável for até a coordenação. Se meu pai for, ele não vai deixar eu competir no torneio, e...

— Ótimo. Esse torneio é muito perigoso, é melhor não ir mesmo. 

— Não! Não é não, vai ter salva vidas, equipe de apoio, e os... — Naruto tentou acalmar os ânimos, mas foi totalmente ignorado pelos gêmeos do mal.

— Você quer que eu vá no lugar dos seus pais.

— É. — Sasuke estreitou os olhos tentando ser persuasivo. — E eles não podem saber.

Certamente pediria ao Itachi o favor, se estivesse em casa; mas além de duvidar das chances de seu irmão fazer vista grossa para suas travessuras, não sabia quando ele iria voltar para casa. Talvez só mês que vêm.

— E o que eu ganho com isso?

Levando em consideração a personalidade esquiva e antissocial, além do ódio às criaturas existentes que se movem sobre duas pernas, e o isolamento, era fácil persuadir Izuna.

— Dou a chave do quarto do Itachi.

Agora sim estavam conversando.

....

A praia estava cheia, Tobirama estava sentado em uma das cadeiras de plástico esperando o irmão, olhando ao redor. Esse ano surfistas de várias ilhas estavam vindo para cá, a grande maioria adolescentes retardados. 

— E aí? Não vai se inscrever esse ano? — Hashirama perguntou o tirando dos devaneios.

Gostava de surfar, desde a infância, ele praticamente nasceu em uma prancha. Mas a partir do momento que os torneios foram transferidos para Konoha por conta das ondas altas que eles tinham; a praia ficou cheia de bisbilhoteiros. Era difícil encontrar um momento para relaxar e curtir uma onda sem acabar sendo alvo de caça talentos e mídia sensacionalista. Algumas coisa perdem a graça com o tempo.

— Ah não.

Hashirama costumava surfar com ele e seus antigos amigos do colégio, toda tarde após as aulas, eles iam direto para a praia disputar quem pegava a onda mais alta. Hashirama, Tobirama, Minato e Madara; mas agora eram apenas observadores, e no caso de Hashirama, responsável pelos salva-vidas.

— O tempo passa tão rápido, né? A gente vê essas crianças, mas pouco tempo atrás, éramos nós.

Tobirama concordou com um sorriso quase nostálgico, virando-se para acompanhar o irmão de volta ao bar da vila, e quem sabe pegar uma onda mais tarde quando aquele pessoal caísse fora.

Começou a subir a orla, ouvindo Hashirama reclamando de qualquer coisa, dor na coluna, e mais adiante, ao lado de uma das marisqueiras, usando um óculos de sol, bermuda e a regata do clã Uchiha, Izuna. Ele o reconheceu de imediato, e seus passos morreram na areia.

O irmão riu olhando na mesma direção e deu uma tapa de leve no seu ombro.

— Eu diria que esse vai ser um torneio e tanto, hein?

Ao mesmo tempo que processava a informação, ele viu o Uchiha indo embora com Kagami ao lado sem ao menos olhar para trás. 

Que planos inconvenientes o destino tinha dessa vez para trazê-lo de volta?

Tobirama enfiou as mãos nos bolsos voltando sua atenção para alguns surfistas que desapareciam na linha laranjada do horizonte, o coração pesando tanto quanto uma ancora no peito, e por fim, tentativa inútil de esquecimento.

♪♪♪

E quando você diz que precisa de mim hoje à noite,

Eu não posso manter meus sentimentos em disfarce.

As partes brancas dos meus olhos se iluminam

E eu vou esperar por você

Como se eu estivesse esperando uma tempestade parar.



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