1. Spirit Fanfics >
  2. Don't Judge Me (Imagine Min Yoongi) >
  3. Os segredos que Jisoo não contava para ninguém.

História Don't Judge Me (Imagine Min Yoongi) - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


Então, eu falei que escreveria capitúlos com outros personagens além da protagonista e do Yoongi... E aqui está um capitúlo curtinho no ponto de vista de Kim Jisoo.

Boa leitura mochis! 💕🍙

Capítulo 4 - Os segredos que Jisoo não contava para ninguém.


Coreia do Sul, Seul, Songpa-gu.

Terça Feira, 06 de Março.

Mansão dos Kim.

Era uma terça feira às cinco da manhã quando o sol estava provindo do céu, que o despertador de Kim Jisoo ecoou pelo grande quarto. A garota se revira nos cobertores sedosos de sua cama, mas não tinha mais jeito, o seu sono foi tomado pelo barulho estridente daquele relógio e quebrar o aparelho detestado por ela não era uma das opções, ele estava parafusado bem em cima da cama, na parede do quarto da coreana. Na verdade, estava espalhado pela casa inteira: era uma espécie de alarme, que para Kim Jisoo era o alarme do inferno, mas se proferisse isso em voz alta, poderia ser condenada a esse lugar pelos próprios pais.

A garota então levanta esgotada e se dirige até o banheiro, onde banha seu rosto com a água morna da pia. Encara o reflexo de seu rosto no espelho, as gotas da água deslizavam pelas suas bochechas e se juntavam bem no final do queixo, onde pingavam no mármore da pia que estavam com suas duas mãos escoradas. Jisoo então suspira e puxa a toalha ao seu lado para limpar seu rosto. Volta para seus aposentos e prefere acender apenas a luz de um abajur, já que não queria que seus olhos entrassem em contato repentino com a luz fluorescente.

Ela senta em frente a uma penteadeira de decoração antiga e com sua escova, junta seus cabelos até o alto, armando-os em um rabo de cavalo e logo depois, pincela seus lábios com um gloss labial de cor rosa claro. Camisa branca social, uma gravata vermelha e um paletó preto abotoado por cima, uma saia da mesma cor que poderiam contar-se três centímetros acima dos joelhos, meia calça e sapatos pretos polidos. Essa era a visão da boa garota indo em direção a grande mesa da família, onde seus pais e seu pequeno irmão estavam próximos, de mãos dadas e esperando que a coreana chegasse para fechar aquele circulo. Jisoo então faz uma pequena reverencia antes de se juntar ao circulo da oração. Sim, Jisoo era filha de um dos maiores pastores de Seul, e em uma família onde se pregavam a religião, adorar deveria ser uma obrigação de todas as manhãs.

Para falar verdade, Jisoo achava entediante recitar todos os dias às mesmas frases - tinha certeza que nem Deus aguentava mais ouvir aquilo -, para ela, conversar com Deus era algo particular e as palavras deveriam sair do coração. Ao terminar a oração, todos se sentavam e comiam em silencio, talvez porque estavam ainda banhados de sono e não queriam “dar na cara” ou porque virou um tipo de costume para a família conversar no jantar, após o trabalho e escola ou após os cultos que seu pai dava todas as sextas-feiras.

[...]

Academy Seul High School.

- Yeorobun, alguém me sabe dizer sobre o mito da caverna? – a professora pergunta aos alunos, enquanto andava pela sala, passando os olhos por todos aqueles alunos bem vestidos. Nenhuma resposta foi dada. – Certo... O mito da caverna, também conhecido como Alegoria da caverna, foi uma história narrada por Platão em uma de suas obras, onde o mesmo conta uma história a Glauco. – a professora volta para perto de sua mesa. - Na historia, Sócrates diz para Glauco imaginar uma espécie de caverna subterrânea em que homens vivessem como prisioneiros desde sempre e nessa caverna possuía uma parede em que os prisioneiros foram acorrentados pelos braços, atrás deles havia uma grande fogueira e como não podiam vê-la, outras pessoas passavam por ela e o fogo projetava as sombras diretamente na parede para a qual os acorrentados olhavam fixamente. – a professora comenta.

Ah sim, Jisoo poderia ser a primeira a levantar o braço para a pergunta da sua professora. Como ninguém, Jisoo conhecia muito bem essa historia, era uma das suas preferidas. O mito da caverna era perfeito para descrever sua vida e os assuntos mais profundos; os segredos que Jisoo não contava para ninguém. Sentia-se como os prisioneiros, obrigada a olhar única e fixamente para uma parede onde se passavam apenas o que queriam lhe mostrar e faze-la acreditar que aquelas sombras eram as únicas verdades sobre o mundo em que vivia.

- Contudo, um dia, um dos acorrentados conseguiu se soltar e saiu de dentro da caverna. – a professora continua a historia. - De início, a luz solar e a claridade o fizeram recuar, pois aquilo ardia os seus olhos, assim como o assustava, no entanto, ele resolveu enfrentar aquela claridade e aos poucos foi saindo da caverna novamente. Devagar ele foi abrindo os olhos e quando conseguiu abri-los completamente, explorou todos os lugares possíveis e fez descobertas incríveis sobre o mundo que o cercava, deixando cada vez mais a escuridão da caverna de lado.

O ultimo trecho da história atinge Jisoo profundamente; aquela era a parte preferida da garota. Poderia dizer que, Jisoo sentia um êxtase de ansiedade pelo personagem que saiu da caverna, para falar a verdade, ela queria ser aquele prisioneiro. Jisoo era acorrentada não só pelos dogmas religiosos que sua família a impunha, mas por sua própria mente. Queria com todas as forças sair daquela caverna escura e ter o acesso a um universo composto pelas mais variadas cores, porém não estava certa se poderia lidar com a claridade que além de possivelmente machucá-la, poderia afetar muito mais sua família.

A coreana então resolve fechar os olhos e deixar seu segredo acorrentado por mais um tempo, mesmo que ele almejasse por sair.

[...]

O intervalo começou assim que o sinal bateu. Andando pelos corredores amontoados de adolescentes, os lábios de Jisoo se formam um sorriso assim que a mesma encontra sua melhor amiga em um dos corredores.  Ela suspira aliviada. Aquela amiga que Jisoo achou que havia perdido há um ano, aquela amiga que fazia o coração de Jisoo bater de uma maneira... Estranha e, Jisoo não só percebeu isso quando S/N deitou em seu colo e a mesma brincou com seus fios de cabelos, mas quando sua amiga foi embora e seu coração doeu pela falta que sentia. Todos os dias achava que era um sonho S/N ter voltado para a escola, ela tinha ido embora tão rápido e sem aviso prévio, Jisoo nunca vai se esquecer de quando seu celular recebeu uma mensagem às três da manhã, onde S/n escreveu que havia voltado para Coreia e queria vê-la.

- Quer ir comigo matar aula no nosso esconderijo? – Jisoo se desperta rapidamente dos seus pensamentos assim que escuta S/N falar.

- Ah, então... – Jisoo precisava de um tempo para pensar, a aula de sociologia mexeu com sua cabeça. – É que fiquei de estudar para uma prova de um concurso, você pode ir sozinha dessa vez? – junto meus dois dedos indicadores, envergonhada.

- Tudo bem, eu preciso pensar sozinha também.

S/N sorri e levanta sua mão em direção a minha cabeça, onde a mesma faz uma espécie de carinho em meu cabelo. Aquilo serve como um sinal para meu coração. Era como se todos os sentimentos dos velhos tempos estivessem voltados.

Era isso.

Esse era o segredo que Jisoo não contava para ninguém e o principal motivo para a mesma se acorrentar em sua própria caverna mental. Enquanto a mesma via sua melhor amiga distanciar de seu campo de visão, a sua prisioneira interior sussurrava incansavelmente a mesma frase que ecoava pela caverna:

Jisoo está apaixonada pela sua melhor amiga.

 


Notas Finais


É galera... Segura essa bomba aí.

Desde o começo a história está esboçada nesse rumo e estou pensando em grandes possibilidades de fazer um final alternativo com a Jisoo. A coincidência foi que, justo no dia progamado para postar esse caipitúlo é o dia internacional da luta contra a homofobia.

Quero dizer que não apenas em 17 de maio, mas que todos os dias o amor venha em primeiro lugar e que todos sejam respeitados. Vamos sempre ser aliados nas lutas pelos direitos iguais! 🏳️‍🌈❤️


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...