História Don't Leave me Alone... - Capítulo 2


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Notas do Autor


Boa Leitura 🌹

Capítulo 2 - Paçoquinha?


— Senhor Park? — Sou interrompido de meus pensamentos sobre S/n pela enfermeira Kim.

— Você de novo? 

— É hora dos seus remédios. — Ela coloca uma bandeja com o meu jantar ao lado de minha cama e vem me dar os remédios, já faz um bom tempo que cansei-me de tentar não tomar os remédios, mas acabei por desistir vendo que todo este esforço não daria em nada. — Mas e então, gostou da visita de S/n?

— Não sei. — Resolvi não lhe dar muitos detalhes, pois da mesma forma em que não confio na S/n, confio menos ainda na enfermeira Kim.

— Como não sabe? Ela é uma boa moça, ela insistiu muito em entrar nesta área, e disse que voltaria para falar com você.

— E por quê? — Porque S/n iria querer entrar na ala dos pacientes agressivos? E ainda mais insistir em mim?

— Não sei, ela já vêm por aqui à alguns meses para ajudar os pacientes da ala 2, mas insistiu tanto para vir até a 3 que conseguiu.

— Acho que a maior maluca aqui é ela.

— Pelo visto ela se interessou em seu caso. Mas bem, até daqui à pouco, senhor Park. 

Mantenho-me em silêncio enquanto vigio seus passos até a porta. Tudo isso só alimenta minhas suspeitas. Enfermeira Kim é uma boa enfermeira e detesta ter que utilizar de violência com os pacientes, porém esta senhora de quarenta e poucos anos é extremamente fofoqueira, é bem provável que minha mãe tenha pago para que ela falasse bem da senhorita S/n. 

Como meu jantar, averiguando cada colherada de arroz, as chances de terem mandado alguém colocar algum tipo de veneno são grandes.

Ao terminar meu jantar deito-me, o melhor a se fazer aqui é dormir.

[...]

— Senhor Park, por favor acorde. Já são 9:00 da manhã, o senhor precisa tomar o seu café e os seus remédios.

— Apenas me dê os remédios, pode deixar o café sobre a cadeira. 

Ela me entrega meus remédios e um copo d'água, eu tomo e me levanto seguindo até o banheiro minúsculo em meu quarto.  Após sair sigo a enfermeira até o vestiário. Sim! Eu "preciso" de companhia até para tomar um banho... Ao menos está melhor do que no início, quando eu ficava no quarto acolchoado, me deixavam em uma frauda, era extremamente desagradável. Ao chegarmos, ela abre espaço para que eu entre e me deixa sozinho dentro do banheiro. 

Pelo menos aqui tenho um pouco de privacidade, já não basta passar a vida em locais sem janela. Tomo meu banho rapidamente, pois após quinze minutos aqui dentro a enfermeira abre a porta para conferir o que o paciente está fazendo. Enxugo-me, seco-me e saio do local, sendo guiado novamente até meu quarto onde sou deixado sozinho novamente.

Examino cuidadosamente meu café e não vejo nada de anormal, então tomo-o. 

Começo a pensar e logo sou atormentados pelas lembranças de meu terrível passado, tento desviar meus pensamentos antes que tais pensamentos me invadam novamente. 

O único meio que encontrei durante esse tempo todo aqui, para aliviar esses pensamentos foi aquilo em que mais gostei de fazer durante toda minha vida: Dançar.        Levanto-me da cama e começo a fazer movimentos básicos em que aprendi em minhas aulas de dança moderna. Logo estou imerso na dança, mesmo sem música eu consigo sentir a música em mim. 

Paro imediatamente ao ouvir batidas na porta. Me sento em minha cama a encarar a porta e logo enfermeira Kim surge lá. 

— Trouxe seu almoço, já são 11:30 horas. — 11:30 horas? Eu dancei por 2 horas e meia?

— Aqui está, senhor Park. 

[...]

Após almoçar escovo meus dentes em frente a minha pia minúscula, com a escova que me entregaram à algumas semanas, pois achavam que eu poderia utilizar a escova para fugir, é cada uma. 

Ao me sentar novamente sobre minha cama ouço batidas na porta, o que essa enfermeira quer agora? Não tem nada programado neste horário... 

— Com licença... — S/n adentra meu quarto e pega a cadeira ao lado de minha cama se sentando de frente à mim. — Mas e então, como está? 

— Como sempre. 

— E o que seria este "como sempre"? — Ela é curiosa demais, devo tomar um cuidado dobrado.

— Trancafiado em um local onde praticamente não tenho privacidade ou liberdade alguma.

— Hmm... Olha, eu sei que não confia em mim, mas existem algumas informações que você pode liberar para mim sem correr risco algum! 

— O que quer dizer com isso?

— Um exemplo, se você me disser sua cor favorita, eu vou poder usar isso contra você?

— Depende... Mas não poderá fazer muito. 

— Viu só? Então, eu posso saber o que mais gosta de fazer?

— Dançar... — Digo meio receoso, mas por que não? 

— Hmm... Ok, você gosta de doces? 

— Gosto.

— Eu tenho alguns aqui, você gosta de paçoca?

— Paçocá?

— Sou brasileira, mesmo não tendo um corpo como costumam descrever nas revistas... — Ela ri um pouco. — E este é um doce do meu país. Um de meus preferidos... Chama-se "Paçoquinha"

— Não quero, obrigado.

— Relaxa, não tem nenhum tipo de veneno aqui. 

Como ela pode saber tão bem o que passa em minha mente? 

— Ok. Acho que não me fará mal experimentar... — Pego o pacotinho de sua mão e abro-o, bem, o pacote estava lacrado, já é um avanço. Resolvi me arriscar e provar um pedaço, e... — Hmmm! Isso é delicioso! — Ao perceber que eu tinha me deixado levar, resolvi retomar a postura. — Quer dizer, é até bom...

— O que você conseguiu sentir ao comê-lo?

— É doce e salgado. 

— Se parece até um pouco com a vida, não é? As vezes é agradável, as vezes não... Existem momentos bons e ruins, e juntos compõem algo maravilhoso: a vida em si.

— De fato.

— Mas eu não me refiro ao sabor, e sim ao que você de fato sentiu.

— Hã? 

— Sentimentos!

— Bem... Uma certa alegria, misturada de satisfação.

— Então eu lhe proporcionei um bom momento, certo?

— Talvez.

— Qual foi a última vez em que se sentiu assim? 

— Não me recordo. Minha vida nunca me proporcionou momentos agradáveis... 

— Nada nem ao menos parecido? 

— Não. — Na verdade tinha, os momentos com meus amigos de escola, quando eu dançava nas apresentações do grupo de dança... Mas talvez essa informação seria útil para ela encontrar um ponto fraco sobre mim.

— Certo... Então vamos fazer assim, deixarei aqui várias paçoquinhas, aí sempre que se sentir em uma situação desconfortável coma uma. 

— Vou acabar diabético se fizer isto.

— Existe alguma outra técnica para quando está se sentindo mal? 

— Dançar sempre alivia meus sentimentos ruins... — Droga! Falei demais! 

— Então quando nem mesmo a dança adiantar ou quando estiver querendo adoçar um pouco a vida coma uma. 

— Certo... — Bem, o que há de mal em algumas paçocas? 

— Agora eu preciso ir. Até amanhã, Senhor Park!

Mantenho me em silêncio e ela se vira para sair, atento-me a cada movimento dado por ela, a qualquer momento ela pode mostrar quem realmente é. 

Assim que ela sai, enfermeira Kim entra, trazendo meu café e diversas perguntas.

— O que é isto? — Ela diz apontando para o pote de paçoquinhas em cima da cadeira.

— Acalme-se. São apenas doces.

— E como foi hoje? 

— Nada de mais.

— Por que ela lhe deu isto?

— Não é de seu interesse, enfermeira Kim!

— Ok. Senhor Park, você não mudou absolutamente nada... Pelo menos hoje não tentou fugir, me xingou ou deu uma crise, continue assim e terá um pouco mais de liberdade. Bem, eu trouxe seus remédios, tome-os. — Ela me entrega os remédios e logo em seguida um copo de água e assim que os tomo ela sai de meu quarto. 

— O que você está tramando, senhorita S/n? — Penso em voz alta enquanto encaro uma paçoquinha em minha mão.

Continua...



Notas Finais


O episódio de hoje foi meio sem graça, admito... Mas foi apenas para mostrar a rotina de Park, pois não pretendo mostrá-la em todo capítulo.
Por um exemplo, ficar falando "aí a enfermeira trouxe isso e depois isso... Blá blá blá" entenderam?

E esse Park Jimin nem é paranóico, não é mesmo?


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