História Don't Say Goodbye - Capítulo 2


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Categorias Fifth Harmony, Glee
Personagens Camila Cabello, Lauren Jauregui, Quinn Fabray, Rachel Berry
Tags Camren, Faberry
Visualizações 2
Palavras 1.548
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, LGBT, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 2 - Chapter 2


Pela terceira ou quarta vez no dia ela chorava copiosamente e eu não me importei.

 

Nos casos que presenciei anteriormente tudo que as pessoas faziam era espernear e contar da sua vida e de como não viam saída. A âncora do passado parecia pesar em suas pálpebras a modo de fechá-las impedindo que vissem alguma saída para suas atuais situações. Elas se prendiam em desculpas para estagnar em seus lugares ao invés de buscar escadas para sair do buraco.

 

Eu não as julgo. Cada um sabe o que tem a oferecer para os outros e para si mesmo, por vezes a gente fecha os olhos e se vê menor do que é, em outras vezes o cansaço requer mais que noites longa de sono e sim um sono definitivo. Me dói pensar nessas pessoas. Queria poder tirar a dor e dar visão a elas.

 

Apertei a mulher centímetros mais baixa que eu.

 

Diferente dos que “visitei” ela se perguntava porque colocaria um ponto final em sua história e para ela aquilo não parecia certo. Ela estava derrotada, exausta, mas algo nela persistia. Ela sentia que podia avançar, mas estava tão acostumada em lutar e lutar que não percebeu as pequenas coisas que deixava para trás e que durante um tempo formou uma bola de neve que vinha em sua direção agora. Ela se focou tanto no depois que o agora se tornou sua âncora. A cada palavra contada, tanto ela quanto eu, percebemos que ela abria os olhos para a importância dessas pequenas coisas. Me pergunto há quanto tempo ela não conversa com outras pessoas que não clientes pedindo uma bebida.

 

Seu corpo para de convulsionar em choro e eu aguardo que ela se solte sem fazer qualquer movimento que a fizesse pensar que eu não queria aquele abraço.

 

— Desculpe. - Ela vira de costas afim de se limpar novamente.

 

— Não tem porquê.— Alcança guardanapos em cima do balcão e alcanço para ela que se limpa. — Será que as pessoas estão vendo um guardanapo balançando no ar sozinho? -Olhamos ao redor e nada. — Engraçado.

 

Voltei a sentar e felizmente ela fez o mesmo. Entre uma respiração entre cortada e outra esperei que ela se recompusesse e torci para que continuasse contando sua história. Senti que ela precisava daquilo.

 

— Qual seu nome?— Ela pede com a voz um pouco menos embargada. - Como pode ver tem certas manias que nunca perco. - Ela sorri sem graça. — Tudo que falei foi sobre minha pessoa e minhas dores.

 

— Não tem problema.— Dou nos ombros. — Considerando que, como eu te disse no seu quarto, eu não sei o que estou fazendo aqui, não sei como isso é possível eu estar aqui e muito menos você.— Demos uma risada fraca.— Praticamente não sei nada. Só meu nome, que a propósito é Lauren, prazer. - Estendi a mão e ela evitou dizendo que sua mão poderia estar suja de ranho me fazendo rir. — Okay. Eu cresci em Miami e me mudei para Nova York atrás do meu sonho.— Ri fraco. Algo em comum. — Faz uns dois anos. Vim com minha melhor amiga que é como uma irmã. E como você somos da área das artes. Eu sonho em escrever roteiros e Normani, essa minha amiga, sonha em dirigi-lôs, quem sabe eu sendo a co-diretora. -Dei nos ombros. A mulher negra havia me feito ter gosto pela câmera e por mandar nas pessoas. Eu sentia saudades, apesar de não saber onde ela estava. — A gente está cursando a Columby University. - Falei orgulhosa.

 

— Incrível! É a segunda melhor universidade da cidade!— Rachel parece genuinamente feliz.

 

— Na real, é a primeira. - Espero não ter soado superior como nos tempos da escola.

 

— Não, a primeira é a NYADA.— Quase dou risada.

 

— A NYADA até foi a primeira, mas faz um bom tempo desde que ela foi mesclada com a Fordham University, juntaram os cursos de artes da NYADA com os cursos de exatas da Fordham. Foi notícia geral. Um grande acordo.— Falei extasiada.

 

Rachel parecia branca ao meu lado. Seria cômico perguntar se ela viu um fantasma.

 

— Eu me formei em NYADA ano passado.

 

— Como assim? Faz dez anos que a NYADA deixou de ter esse nome.

 

— Estamos em 1996. - Ela aponta para o calendário fixado na parede atrás do balcão.

 

Mais cedo naquela manhã quando Rachel Alma tentou tocar seu corpo e o resultado foi desesperador não acompanhamos a rotina da moça até o estabelecimento onde ela trabalha. Pacientemente vi sua alma de despedaçando mais uma vez e em silêncio esperei para que fossemos atrás dela, a pedido da própria alma. Os lugares que eu havia estado no dia se limitavam ao quarto com posterês de peça que eu desconheço e um café que eu pensava ser estilo retrô, mas que na verdade é o moderno, pois realmente estamos nos anos 90. As pessoas se vestiam de acordo para a época, no entanto estando em Nova York não se tem um estilo padrão, tem pessoas que andam pela rua vestidas de Elvis Presley por costume! Eu não reparo nisso. Reparo em expressões e não julgo roupas. Eu sou tão burra! Penso. Como não vi a falta de aparelhos celulares? A música retrô tudo bem, afinal pensei ser uma lanchonete em homenagem aos anos 90! É 1996, Meu Deus, eu ainda estou no saco do meu pai!

 

— Uou!— São as únicas palavras que saem sussurradas de minha boca. Seria eu uma fantasma do futuro?  — Que viagem!— Pareço atordoada e, de fato, estou. - Olha, eu não sei o que está acontecendo. Eu não sei se estou morta. Se estou no inferno. - Cerro os olhos com a possibilidade cruel. — Se o inferno for ver o sofrimento dos outros esse lance de terra não existe. Cada esquina é um inferno e eu não aguento isso. Desculpa. - Ergo as mãos para cima. — Eu sei que esse dia é seu. A dor é sua. Eu entendo, quer dizer, não entendo, mas imagino. Só que é confuso para mim, sabe? Eu fui jogada nisso e nem sei como parei aqui. Eu...eu.. - Eu não sei o que falar.

 

A baixinha se aproxima e me abraça. Pelo visto eu também precisava de uma ajuda ali.

 

— Você não precisa…

 

— Preciso.— Ela encosta a cabeça no meu ombro. — Parando para ver minha história, seja por defesa ou não, aprendi a pensar muito em mim. Uma época coloquei as pessoas na minha frente, sofri e fiz o contrário. Hoje vejo que nenhum dos dois é certo. Os dois em excesso prejudica.— Voltei a encará-la. — Não que eu esteja falando sobre mim.— Não contive uma risada. — Juro. É só explicando para você.

 

— Bom. Acho que as duas estão na merda.

 

Seria bom evitar isso.

 

Algumas marcas de seus rosto estavam mais suaves, arrisco a dizer que algumas até sumiram! Com certeza uma lâmpada se acendeu em cima da minha cabeça. É óbvio! Eu também preciso de ajuda e a questão de eu estar aqui não deve ser do inferno e sim dos céus. OBRIGADA SENHOR! Rachel está tão focada em se tornar grande no mundo de teatro que esqueceu das coisas boas da vida como amizade, amor e família, se martirizando achando que estava fazendo o certo em focar somente e exclusivamente na carreira e em se manter em NY. E eu? Bem, não sei como parei aqui, e isso é triste, porém lembro do quanto guardava as coisas que sentia e o quanto isso me sufocava, mas não queria prejudicar ninguém e nem reclamar do que tinha. Guardei muito de Normani, de meus pais, da minha irmã e dos poucos amigos que eu havia feito ali. Tudo isso por achar que não precisava contar e ver as marcas em Rachel, tão sofridas, e ver elas sumindo - se eu não estou ficando louca ao ver as marcas sumindo e deduzindo que foi pela nossa conversa - me fez pensar em como algo tão simples como falar pode mudar tudo. Rachel se afastou de todos e pelo jeito as pessoas com quem convivia compartilhavam da mesma obsessão em largar tudo. Seu sonho havia se tornada seu veneno pela forma como ela conduzia sua jornada e a forma como não estava conseguindo dar a volta para agarrar o teatro fizeram ela desistir desse sonho.

 

Eu estava realizando meus sonhos e conseguindo isso com sucesso, não sei porque estou ali, espero profundamente que eu não esteja morta, mas por alguma razão ela precisava de alguém e eu apareci do futuro e em forma de uma espécie de fantasma.

 

Eu não poderia deixar ela se perder!

 

Não sei muito sobre suicídio, apesar de ter visto tantos, não consigo imaginar a dor e nem o que a pessoa sentia na hora, mas por tantos que presenciei em Rachel eu vi algo diferente. Em todos que vi até ali alguns estavam na décima pouca tentativa e outros fizeram de primeira. A dor que vi neles, pelos mais diversos motivos, vi em Rachel, mas a esperança e determinação que é natural dela não vi em nenhum. Eles já estavam mortos. E o sonho de Rachel em parte também estava, mas eu sabia que ela tinha capacidade de sonhar mais e sua alma também sabia.

 

O que será que aconteceu nesse dia para ela pôr um fim em tudo isso?



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