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História Don’t touch me - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Uma chance


ㅡ E você acha que sou mesmo capaz de esquecer você? ㅡ Completou Jimin ao segurar com mais força o celular contra a orelha, enquanto Hoseok levantava o polegar ao seu lado fazendo um sinal positivo como incentivo para seus próprios receios. 

 

Do outro lado da linha, os dedos de Yoongi tremiam contra o aparelho recém desinfetado. Não poderia deixar que sua voz sequer soasse entrecortada ou falha e por isso pigarreou suavemente. ㅡ Estou perfeitamente bem se… ㅡ Começou lentamente até ser cortado pela voz do outro lado da linha.

 

ㅡ Posso ir aí te ver? ㅡ A astúcia e ousadia de Jimin se fizeram presentes deixando-o surpreso consigo mesmo. Por alguma razão se sentia ansioso, talvez só não quisesse mais uma decepção musical no fim das contas.

 

Hoseok seguiu roendo as próprias unhas unhas apreensivo, quase fundindo a cabeça com a do amigo para escutar a ligação através do aparelho. Só depois de alguns instantes de angústia que se tocou tomando o aparelho das mãos do amigo, graças a genial ideia de colocar no viva voz.

 

Do outro lado só houve um longo e torturante silêncio, demonstrando a total confusão do empresário. Nunca havia passado por uma situação tão complicada antes e se arrependia mentalmente do momento em que decidiu ir àquela maldita boate.  

 

ㅡ Ele desligou? ㅡ O amigo moreno perguntou baixinho no instante em que encarava a tela ainda brilhante, mas constatou imediatamente que Yoongi ainda permanecia na linha. Parecia mesmo ser um empresário durão.

 

ㅡ Moro bem perto do seu estúdio, então pensei em passar hoje aí, se quiser… ㅡ Tentou falhando ao sentir a voz trêmula por um momento, obrigando-o a acariciar sobre o pomo de adão em uma massagem suave. 

 

ㅡ Cara, hoje é domingo! ㅡ Informou Hope com a voz esganiçada e eufórica, dando com as mãos no rosto pela falha absurda do mais novo.

 

O riso frouxo que foi ouvido do outro lado era carregado de ironia. ㅡ Já estou entendendo aonde quer chegar com essa história. ㅡ Manifestou-se finalmente enquanto ajeitava sua postura sobre a cadeira de couro escuro. ㅡ Olha eu agradeço pelo o que fez, mas se quiser algum tipo de recompensa por isso apenas me diga o número da sua conta e encerramos essa conversa desnecessária por aqui mesmo. 

 

Jimin arregalou os olhos imediatamente, ficando mudo pela primeira, pasmo. Esperava algum tipo de resistência, entretanto, o empresários parecia impenetrável e frio como um iceberg. Não era surpreendente que o mesmo fosse tão arrogante, visando seu status atual. 

 

ㅡ Fala alguma coisa, anta! ㅡ Sibilou Hope já desesperado. Ele se mexia inquieto, quase tomando o telefone de suas mãos.

 

ㅡ N-não quero o seu dinheiro, eu só... Alô?! ㅡ olhou para o celular completamente chocado. ㅡ Ele desligou. ㅡ Bufou irritado com a ousadia do outro.  ㅡ Como alguém como ele consegue ser tão famoso? Eu quebro uma simples guitarra e sou julgado como psicopata. 

 

ㅡ Tenta de novo, idiota! Por que ficou gaguejando feito uma garotinha? ㅡ O pé de Hoseok batia incomodado contra o chão. Era a oportunidade de Jimin, a chance de sua vida dar um verdadeiro salto.

 

ㅡ Não viu como ele é intimidador? Ele parece ser do tipo que me enforcaria se eu o perturbasse demais. ㅡ Se defendeu, discando o número de antes que já tinha salvo na agenda de seu celular. Por mais que tentasse, ele não obtinha sucesso algum com aquela nova ligação. ㅡ Merda, tá cainda na caixa postal.

 

O moreno bufou se jogando na cama bagunçada. Ainda estavam com a mesma roupa da festa de algumas horas atrás. Sequer notaram quando havia pego no sono ou como cada um havia tomado seu lugar para dormir. 

 

O dia já tinha amanhecido quando Jimin ofereceu carona a Hoseok começando a falar detalhadamente sobre o encontro desastroso com o cara da balada. O amigo não estava muito interessado quando, despretensiosamente, o loiro mostrou novamente o cartão que achou na calçada imunda da boate. Mesmo que distraído enquanto sintoniza uma rádio qualquer para esperar o semáforo que estava fechado, viu o amigo ao lado ter um pequeno ataque de euforia ao começar a pressioná-lo para tomar alguma atitude.

 

ㅡ Yoongi é o maior produtor da indústria musical atual. ㅡ Começou a divagar. ㅡ Dez minutos que te deixei sozinho, você esbarra com o cara que poderia te tirar da lama, mas tinha esquecido que é burro o suficiente pra sempre estragar tudo... ai, filho da... ! ㅡ Hoseok ainda não conseguia acreditar em tudo que havia acontecido. Era como se Jimin tivesse sorte e azar ao mesmo tempo.

 

ㅡ Isso foi por falar tanta bosta! ㅡ Balançou a mão avermelhada que agora ardia pela força que desferiu o tapa na coxa esquerda do moreno ao seu lado. ㅡ O universoo fez achar o contato dele, logo depois de ter sido deixado plantado ali feito um idiota, por algum motivo. 

 

ㅡ Apontou para o cartão comercial mais uma vez, indicando o logotipo da Genius Lab, que estava no meio da pilha de coisas empoeiradas que carregava. ㅡ Aquele cara vai ser minha passagem de primeira classe para o sucesso. Escreve o que estou dizendo Hope! ㅡ Murmurou convicto ao erguer o cartão e encarar aquela logo imponente. 

 

ㅡ E como vai fazer, hum? ㅡ Perguntou o mais alto sentando na cama e fazendo uma careta ao massagear o local dolorido pelo tapa de antes. ㅡ Porra, Jimin, se ficar roxo eu te mato! ㅡ Murmurou frustrado, seria difícil explicar uma marca se aquilo ficasse estampado em sua pele.

 

O loiro cruzou o braços diante do peito malhado, andando de um lado para o outro dentro do pequeno quitinete. O cômodo era uma espécie de quarto-sala, sendo a cozinha dividida por um balcão simples de cimento apenas. 

 

ㅡ Sinceramente, eu não sei! ㅡ Admitiu parando para puxar os fios dourados em um gesto frustrado. ㅡ Se tivesse no lugar o que faria? ㅡ Agora apoiava as mãos na cintura completamente frustrado.

 

Ia falar quando a campainha tocou fazendo Hope dar um pulo de onde estava. Já tinha as palavras na ponta da língua quando Jimin levou o indicador ao lábios carnudos pedindo silêncio. Nas pontas dos pés foi até a porta para olhar pelo olho mágico a silhueta gorda do senhorio. Esse mesmo que não parecia nada feliz ao começar a esmurrar a porta, fazendo a madeira de qualidade questionável tremer e rangir rudemente.

 

ㅡ Eu sei que está aí, seu salafrário! Pague ainda essa semana os cinco meses de aluguel atrasado ou será despejado, ouviu, Park? ㅡ Mais um murro alto e então o silêncio tomou conta após os seus passos pesados desaparecerem. 

 

[...]

 

A noite estava mais fria que de costume ao que se remexeu no desconfortável e pequeno sofá. Já tinha perdido o sono uma hora atrás, mas não foi pelos gemidos nada contidos do amigo e do seu companheiro no quarto ao lado, sequer poderia reclamar sendo ele o penetra ali. Eram seus problemas que lhe tiravam o sono ao encarar o teto mofado, imaginando como sua vida estava indo de mal a pior nos últimos anos.

 

Carregava o sonho do pai, que não conseguiu levar adiante a carreira de cantor devido a uma doença precoce. Morrer jovem é mais triste, por eternizar as lembranças que não chegaram a se concretizar de fato. O patriarca não chegou a ver Jimin terminar, com muito esforço, o colegial. Mas diga-se de passagem, sequer tentou alguma faculdade. Estudar não era do seu feitio, mas onde quer o seu inspirador estivesse, queria mostrar-lhe o quanto era bom, o quanto fazia as pessoas se emocionaram ao ouví-lo no palco. Pois acima de tudo confiava no seu talento, só  precisava de uma oportunidade para mostrar isso às pessoas. Era o que amava fazer, era o que fazia ser quem era, o que lhe dava forças e o fazia querer continuar.

 

[...]

 

─ Cara, come alguma coisa. Nervoso desse jeito e com o estômago vazio, vai acabar desmaiando. ─ Repreendeu Hope ao ocupar uma das cadeiras, onde uma mesinha redonda tinha pães e ovos fritos e suco, em um café da manhã bem ocidental. ─ Ou pelo menos troca essa roupa suja. Você está com ela desde sábado, ela vai sair andando sozinha daqui a pouco. 

 

─ Mas não está fedendo ainda. ─ Exclamou Jimin levantando os braços para o alto a fim de cheirar as axilas. ─ Além disso, eu troquei de cueca durante esse tempo.

 

─ Ronc, ronc. ─ Debochou o amigo, olhando de soslaio seu namorado se aproximar. ─ Pelo menos isso né, Jimin! ─ Voltou-se para o garoto alto e lhe sorriu. ─ Bom dia, amor. Dormiu bem?

 

Taehyung bocejou coçando o tronco nu ao se curvar para selar os lábios de Hoseok, respondendo um breve "sim" rouco. Ele ainda parecia sonolento e ao julgar os olhos inchados, com certeza estava.

 

─ Oi, Jimin. ─ Completou ao se voltar ao loiro que os encarava curioso.

 

─ E aí, grandão. ─ Respondeu brincalhão, mas ainda assim constrangido pela situação da noite anterior.

 

Os casal era super simpático, lhe tratava bem até demais. Hope até afirmou que Jimin poderia passar o tempo que precisasse ali enquanto não conseguisse outro lugar pra morar. Mas ele não queria interferir na intimidade de Tae e Hope, tinha total consciência do incômodo que sua presença poderia se tornar. 

 

Precisava se mudar o quanto antes. Se bem que a única coisa que conseguiu trazer da antiga moradia foi uma caixa de som e duas malas de roupas. O resto da mobília ficou como pagamento pelos aluguéis acumulados. Uma troca justa, era isso ou dividir uma cela gelada sem ter sequer dinheiro para pagar fiança. Na pior das hipóteses, teria que dormir no seu carro.

 

Com esse pensamento,  seguiu para o banheiro. Precisava planejar bem como abordaria o tal Min Yoongi.

 

[...]

 

─ O Senhor tem hora marcada? ─ A voz monótona da secretária perfeitamente vestida foi ouvida por um Jimin impaciente na recepção brilhante. 

 

─ Não... ainda. ─ Se apressou a dizer. ─ Mas diga que Park Jimin está aqui. Espera, ele não sabe meu nome... ─ Se enrolou nas próprias palavras, repuxando o fios loiros de forma constrangida. ─ Porque tudo aqui tem que parecer tão brilhante. ─ Sussurrou para si mesmo.

 

─ O Senhor Yoongi se encontra em uma reunião, está muito ocupado, creio que infelizmente hoje não poderá lhe atender. ─ Seu discurso parecia já decorado, a mesma ladainha de sempre quando cantores, instrumentistas e compositores vinham importunar o seu chefe, dizendo ter talento. ─ Deixe seu número e um recado aqui nesta agenda, assim que eu puder, entrego ao mesmo.

 

─ Certo... ─ Disse Jimin encarando o rosto passivo da bela mulher, mas tendo certeza de que assim que desse as costas, ela jogaria o papel no lixo. Era realmente frustrante e até havia se arrumado bastante para passar uma boa impressão.

 

[...]

 

Horas depois Yoongi descia pelo elevador privado. Seus olhos ainda cediam pelas poucas horas dormidas. Desde o episódio da boate suas crises de ansiedade pioraram. O que lhe esgotava mais ainda. Era exaustivo lidar com pessoas quando se tinha problemas com elas. 

 

Bufou ao ajeitar a gravata de forma alinhada ao seu colarinho bem passado. Caminhou sozinho até o estacionamento, digitando uma mensagem para Namjoon durante o seu percurso. 

 

“É bom que não invente nada desta vez. Preciso que me faça um favor, estou precisando de cordas para aquela guitarra que lhe falei outro dia. Uma garota arrebentou-as no estúdio ontem. Insuportavelmente ruim, não sei como se diz artista. Pague a mais se for preciso, mas me traga elas amanhã pela manhã.”

 

O estacionamento do térreo estava quase vazio, o que era realmente bom para si. A luz piscando davam as sombras um ar bruxuleante e assustador, fazendo o empresário se mover ainda mais rápido, procurando no bolso do casaco a chave do carro importado. Yoongi certificou-se de olhar para os lados antes de limpar a pequena chave e acionar o destravamento do veículo.

 

Ecos de outros passos foram escutados fazendo o mesmo ficar ainda mais alerta.O prédio era monitorado por câmeras 24h, havia segurança eletrônica, mas não queria dar de encontro ao azar. De longe ligou o carro fazendo os faróis acenderem, ficando mais fácil distinguir seu automóvel entre os outros da mesma cor. Ao entrar no carro, respirou aliviado, fazendo seu ritual de higienização de todos os dias antes de dar partida para sair dali.

 

havia sido tudo muito rápido: o seu celular notificou algo lhe chamado atenção e no segundo seguinte um homem loiro estava à sua frente. O baque foi inevitável, mesmo que tivesse freado rápidamente, o que fez com que seu corpo se jogasse contra o volante fazendo-o bater com a boca ali em algum lugar, cortando-lhe o lábio inferior. De onde aquele loiro havia surgido? Podia jurar que o mesmo tinha se jogado na frente do carro propositalmente. Mas porque ele faria isso? Estaria bêbado?

 

─ Sabe… ─ Ele começou a acariciar a perna a qual o carro havia batido. Sua coxa doía, mas não era insuportável. ─ É realmente difícil falar com você Senhor Yoongi. Talvez assim você possa me dar a devida atenção.

 

Yoongi só conseguia encarar aquela figura perplexo, imóvel. Lembrava-se daquele rosto. Era o homem de antes, aquele que o havia tocado e o havia perturbado pela manhã. Suspirou frustrado ao que sentiu o lábio inchado pelo corte pequeno.  ─ Você precisa mesmo se matar para isso? Está tão desesperado para me fazer perder tempo ou só quer um pouco mais de dinheiro, indenização? 

 

─ Eu quero que você me ouça. ─ Murmurou ao que saiu da frente do carro, manco. Aproximando-se da janela fumê ainda fechada. ─ Você não pode ser inalcançável assim, não pode. Me deixe te mostrar quem sou, me deixe te mostrar o quão fodidamente bom eu posso ser para você. Confio na minha voz e ela é poderosa o suficiente. Me dê uma chance, apenas uma chance!

 



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