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História Dores da guerra - Capítulo 2


Escrita por: emy_midgar

Capítulo 2 - Capítulo 2


— Narcisa e eu juramos que ajudaríamos você a vencer essa guerra, mesmo que um de nós tivesse que morrer. Pensei que seria eu. Doeu quando vi o corpo dela dentre um dos mortos, mas não porque eu a amava, mas sim porque eu sei que ela deu tudo de si para um mundo melhor e ela não pôde ver o resultado de seus esforços. Acredito que o que mais me doeu, foi ver o corpo de meu próprio filho. Para um pai, essa é a pior dor que existe. Você sente que falhou. Não é certo um filho partir primeiro que o pai. Antes do duelo final, quando todos ainda achavam que você estava morto, eu recebi um patrono de Draco. E eu nunca fiquei tão desesperado em toda a minha vida. Receber uma mensagem de seu filho dizendo que ele não se importaria de morrer porque o tiraram aquele que mais o trouxe motivo para viver, foi no mínimo, perturbador. Eu sabia que era você a quem ele se referia. Passamos por momentos difíceis, mas ele nunca conseguiu esconder de seus pais o quanto ele te amava e o quanto ele mudou por você. Ele sabia que você nunca sentiria o mesmo tipo de amor, por isso sempre tentou esconder e aí rotulou vocês como um tipo de amigos com benefícios. 


Lucius sentiu que não poderia dizer mais nada. Não naquele momento. Harry precisava absorver todas aquelas informações. Mas o homem mais velho não queria o deixar sozinho, então apenas ficou ali, na mesma cama, acariciando as costas de um adolescente que já viu demais para a pouca idade que tinha. Depois de horas em silêncio, Harry ousou perguntar. Ele queria respostas.


— Por que você está aqui, afinal?


— Eu não sei... — Lucius pensou por mais alguns instantes. — Eu sempre me preocupei com você, assim como minha esposa e filho. Mas cada um tinha uma visão diferente. Draco o via como o primeiro amor, o amor que não chegaria a receber. Narcisa o via quase como um segundo filho. Ela dividia suas preocupações comigo e eu a conhecia bem para saber que se ela ainda estivesse viva, ela o adotaria em nossa família. Mas eu, bem, eu o via como um homem. Um homem que mesmo por todas as dificuldades que passou, ainda conseguia ver um brilho no final. Um homem que sacrificaria o pouco que possui para dar um mundo melhor para a futura geração.


— Ainda não entendo. — Harry falou depois de alguns minutos em silencio após a fala de Lucius. — O que você ganha estando aqui? Eu sou apenas mais um peso. Algo inútil. Uma grande aberração e... — Lucius interrompeu as divagações.





— Nunca diga isso. Você é o bruxo mais poderoso que conheço. Seu coração transborda de bondade. Você não merece um mundo tão cruel. Eu me preocupo, sinceramente. Mas eu estou aqui principalmente para uma proposta. Quero te ajudar. Vou te apresentar um curandeiro mental. Não, não acho você louco. Mas você precisa de um. Eu me senti melhor depois de algumas consultas e quero que você se sinta mais leve assim como eu. Durante esse tempo, você vem morar na mansão. Não, não confio em você sozinho nesse apartamento e não tenho vontade de me mudar para esse espaço minúsculo. 


— Eu quero um tempo para pensar e digerir tudo, por favor. Ainda dói, mesmo que já tenha se passado semanas.


Lucius concordou mas ainda ficou no apartamento. Eles não conversavam, mas apenas a companhia já ajudava. Depois de alguns dias, Harry aceitou ir para a mansão, mas com a condição de que Lucius nunca escondesse algo dele e sempre fosse sincero. Quando eles se mudara, a adaptação foi meio difícil, para chegar aos seus quartos, ele tinha que passar pelos de Draco, e em alguns dias quando a dor era demais, ele sentia suas pernas travarem no meio do corredor. 


Harry seguiu o conselho de Lucius e percebeu que falar com um especialista, ajudou em sua recuperação. Lógico que não ia parar de doer da noite para o dia, mas quanto mais ele ia nas consultas, mais ele entendia seus sentimentos e conseguia dar um passo para longe de toda a angustia que ele sentiu antes e depois da guerra. 


Harry e Lucius iam nas consultas e nos dias que eles ficavam em casa ao mesmo tempo, ambos caminhavam pelo jardim florido e cheio de vida. Algumas vezes eles fizeram um piquenique. Outras vezes eles apenas andavam e observavam o grande lago que ficava próximo ao labirinto. 


A rotina continuou por quase um ano. Eles agora conversavam e esqueciam do horário. Quando Lucius reassumiu os negócios de sua família, Harry sempre estava presente lendo um livro ou outro. Eles tomavam chá juntos todas as tardes observando os pavões Malfoys. Com o distanciamento de Harry com seus amigos logo após a batalha, o menino não saía da mansão Malfoy. Nenhum Weasley mandou carta, mas Harry soube pelos jornais que Ronald e Hermione haviam se casado. Ele sempre pensou que seria o padrinho de casamento de seus melhores amigos, mas Harry entendeu o porquê de não ter sido chamado. Ele mesmo os distanciou. Eles nunca o entenderam como Draco o entendeu. Lógico que ele valorizava seus amigos, mas era difícil se abrir quando ele sempre ouvia: "Você deve lutar com ele, não outra pessoa"; "Quando essa guerra terminar, você deve encontrar uma menina para se casar e conceber um herdeiro para seu sobrenome"; "Você anda treinando para a batalha final?". Ele só ouvia as pessoas cobrando dele e nunca o apoiando ou o ajudando. 


A única  pessoa que se preocupou em mandar cartas, foi Luna. Ela era uma ótima pessoa e ele sentia não merecer todo o carinho que ela o dava. Ela nunca ocuparia o espaço de Draco no coração dele, mas ela estava naquele caminho. Ela sabia sempre quando dar espaço e quando não dar. Quando dar conselhos e quando ficar quieta. Uma menina genial, bondosa, gentil, amorosa, amiga... 


Lucius permitia as visitas de Luna na mansão. Até chegou a adicionar nas alas. Um dia, numa conversa entre os três, Lucius se retirou para dar ordens para os elfos sobre o jantar e Harry ficou sozinho com a garota. 


— Sabe, Harry. Você já passou por tanta coisa que não pode continuar se privando da felicidade. O que importa os títulos antigos? Você merece ser feliz, e se é isso o que seu coração clama, então assume. Não há para onde correr. Tenho certeza que ambos farão bem um ao outro, assim como deve ser. 


Harry ficou intrigado pela fala de Luna que nem percebeu o momento em que Lucius retornou. A conversa voltou a fluir mas Harry já nem prestava toda atenção. Os dias se passaram e Harry acabou por esquecer. Ele percebeu que ele e Lucius estavam se aproximando mais e mais e ele não ligou os pontos ainda.


Tudo aconteceu lentamente agora. Quando andavam, era de mãos dadas. Quando jantavam, era um ao lado do outro. Quando liam um livro na biblioteca, era dividindo o mesmo sofá. Quando cuidavam dos jardins, trocavam olhares sem nem perceberem. Quando Lucius lia durante a tarde, Harry o fazia companhia. Quando Harry adormecia, Lucius o carregava até o quarto do mesmo. Quando iam dormir, Lucius o deixava na porta do quarto e beijava sua testa. Quando ambos estavam no escritório de Lucius, Harry deitava sua cabeça no colo do homem para sentir suas mãos acariciando sua cabeça. E os toque foram apenas aumentando. 


Nenhum dos dois percebeu a progressão das coisas. Mas estava tudo bem. O sentimento existia, eles só não viram.



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